Notas iniciais
Essa história começa bem antes da guerra da Sucessão Austríaca, quando Maria Teresa tinha apenas nove anos
Esse capítulo ia ficar mais la pra frente, mas fica melhor ele aqui

Frederico Guilherme I olhou para Gilbert e esperou o que ele tinha a dizer. O albino estava imponente. Prússia era altamente leal ao seu rei, mas isso não o impedida de argumentar para convencê-lo a conseguir as coisas. Estava decidido.

"Majestade"

"Pode dizer a que veio, Prússia. Estou ouvindo"

"Sim" o albino limpou a garganta "Vossa majestade já deve saber que Leopoldo Clemente de Lorena morreu de varíola"

"Sei sim. Pobre rapaz. Morreu tão jovem."

"E Vossa Majestade também deve saber que Áustria se casaria com Lorena, já que Leopoldo ele era noivo de Maria Teresa, a filha do Sacro Imperador Romano-Germânico. Só que com a morte dele, isso foi desfeito"

"Foi? Achei que ele se casaria com Lorena, já que propuseram que o irmão do jovem Leopoldo assumisse o lugar"

"Não, majestade. Carlos VI ainda está inseguro já que ele gostava muito da idéia de Maria Teresa casar com Leopoldo. Era o favorito dele."

"Certamente, mas o que isso tem a ver conosco?"

"Vossa Majestade não percebeu? Maria Teresa não está noiva de mais ninguém, mas logo estará. Áustria vai se casar com alguém, só que ainda não decidiram quem será"

"Bem pensado. É só isso que veio me dizer?"

"Não, majestade. Vossa Alteza, Frederico II, é um pouco mais velho que Maria Teresa e temos que concordar que Roderich pode ser um chato, mandão, borsal, arrogante... Mas tem muita influência aqui."

Frederico I olhou bem para o albino que estava decidido. Gilbert parecia um soldado espartano de tão convicto.

"Aonde quer chegar, Prússia?"

Coragem, Gilbert. Inspire, expire, inspire, expire. Não ligue pro seu rosto que está em chamas e provavelmente deve estar bem vermelho. Fale logo de uma vez, afinal você é incrível.

"Quero me casar com Áustria, Majestade"

Aquilo era muito constrangedor para os dois. Casa de Habsburgo. De um lado estava Carlos VI, Sacro Imperador Romano-Germânico. Do outro estava Gilbert.

Roderich não conseguia ser nada discreto de tão confuso que estava. Ele conhecia Gilbert o suficiente para notar que ele não estava no seu normal, pois mesmo com a pose imponente, estava corado, suava frio e evitava olhar o moreno.

O que estava acontecendo afinal?

"Recebi seu telegrama, Prússia" Carlos VI começou a andar pomposamente ao redor de Gilbert "Mas não precisava ter vindo até aqui. Eu poderia respondê-lo"

O albino ia responder 'será que você não sabe que um telegrama demora meses pra chegar?', mas não era hora de causar má impressão.

"Eu tisse para meu rei que viria pessoalmente, já que os telegramas demoram muito pra chegar, Sacro Imperador"

"Sim, demoram muito, mas ainda bem que eu já li seu telegrama. Agora já sei por que você veio"

Carlos VI olhou para Roderich. Ele admirava Áustria e tinha o maior zelo pelo país. Achava-o belo em todos os sentidos e via como superior a todos os outros.

"Por que eu concederia a mão de Áustria a você, Prússia?" Falou o imperador por fim.

Dessa vez foi Roderich que corou bastante. Olhos vermelhos e violetas se chocaram e agora um não conseguia mais simplesmente ignorar o outro.

Gilbert estava muito nervoso. Aquilo era mais difícil do que ele esperava. Então ele olhou novamente para o moreno. Roderich estava tentando esconder a ansiedade. Isso era um bom sinal!

Agora estava bem mais confiante para responder.

"Porque eu sou incrível!"

Áustria tapeou a própria testa.

"Eu estou me expandindo! Estou ficando cada vez mais forte do que eu já sou! Qualquer um que se una a mim vai ter força para construir o maior de todos os impérios e o aristocrata ai não será a exceção!"

Carlos VI olhou para o prussiano com desprezo. A casa ficou em silêncio.

De repente o Sacro Imperador falou secamente.

"Saia da minha frente, calvinista"

Foi como se um buraco tivesse aberto abaixo dos pés do albino. Até mesmo Roderich foi pego de surpresa e olhou para o seu líder atônito.

"O que disse?" Gilbert acreditou que não tinha escutado direito.

"Isso mesmo o que você ouviu, calvinista. Jamais uniria Áustria a você e sua vida de pecado"

"Você é calvinista?" Roderich estava perplexo.

O prussiano olhou para o outro país.

"Sou sim, qual é o problema?"

Carlos VI quase explodiu de raiva:

"Qual é o problema? Sua heresia é o problema!"

"Não sou herege! Herege é quem vende a indulgência e excomunga os outros como você! Eu sei dos erros que cometi quando era Ordem e não pretendo repeti-los!"

"Retire o que disse!"

"Nunca!"

Gilbert estava tão furioso que explodiria em cima do Sacro Imperador por falar mal de suas convicções, mas ao ver o rosto de Roderich desistiu de tão surpreso. Ele viu que Áustria não queria se meter na briga, mas estava nos olhos dele que a condição de calvinista de Prússia era um grande empecilho a um pedido de casamento. O moreno não abriria mão de sua crença, nem o albino.

Tudo aquilo era inútil.

Gilbert fechou as mãos com força, olhou para o moreno e depois para Carlos VI.

"Está bem"

O Sacro Imperador foi surpreendido por um momento.

"Vai se converter?"

"Nem morto! Vou embora. Eu só estava fazendo um favor, velho caduco! Se vocês se unissem a mim, faríamos um grande império, mas se preferem me ter como adversário, não perde por esperar! Vou ser o reino mais incrível de todos!"

"Deus não permitirá que você ascenda!"

"Vamos ver qual dos dois é mais forte então!"

Sem dizer mais nada, Gilbert foi embora sem nem olhar pra trás, sem sequer ver a expressão do austríaco com quem tinha decidido noivar. Saiu imponente, mas por dentro estava em cacos. Tão ferido que queria muito cair sobre os joelhos, mas é orgulhoso demais para pensar em fazer uma coisa dessas, mesmo que sozinho.

Na saída da Casa de Habsburgo, chegou a olhar para a janela onde Roderich estava. Os olhares se cruzaram mais uma vez e embora Gilbert não tivesse ideia do que se passava por dentro do moreno, dava para ver que ele não pretendia discordar do seu imperador.

O albino seguiu seu caminho.

Anos depois, Maria Teresa e Frederico II se tornaram grandes inimigos. Ela o chamava de "homem cruel" e era totalmente contra a tolerância religiosa que inclusive o próprio Roderich defendia. Frederico também se considerava grande inimigo da Arquiduquesa, era contra o catolicismo e se tornou o maior obstáculo da mulher.

E o casamento de Áustria não foi com Lorena. Roderich acabou se casando com Antônio, o representante da Espanha. Gilbert ficou sabendo que o austríaco não estava feliz com o matrimônio, mas com o tempo de convivência ele e Espanha ficaram muito envolvidos sentimentalmente um com o outro. Apaixonaram-se, mas tiveram que se separar.

Roderich chegou a se casar novamente, mas dessa vez foi com Hungria, por quem também se apaixonou, contudo isso é uma outra história, tão ruim quanto a outra.

Não importa quantas vitórias Prússia pudesse ter.

Doía saber que tinha perdido essa batalha.

Notas finais
Vocês achavam que Gil nunca tentou se casar com o Roddy? ERRARAM! =D Ele foi um dos pretendentes, mas a intolerância religiosa impediu o matrimônio. Frederico, o Grande, era calvinista!