A luta de espadas estava ficando cansativa, mas França tinha grande vantagem sobre Áustria. A vitória ajudaria na unificação italiana e o loiro queria isso, já que havia feito um acordo com o próprio Feliciano envolvendo ganho de terras.

Finalmente Francis desarmou Roderich e o encurralou numa pedra.

"Sabe, Roddy, eu não queria ter que ferir seu rosto. Sou amante do catolicismo também, mas você está no meu caminho"

Roderich olhou com repulsa ao ver francês tão próximo da vitória. O austríaco não era mais o mesmo, estava cansado de tantas batalhas e queria dar mais atenção à própria economia, mas não queria perder a influência. Era a chance que o loiro precisava.

De repente um soldado apareceu correndo para dar a terrível notícia"

"Cessar ataque! Cessar ataque!"

Francis olhou para o soldado "Por que? Ele está em minhas mãos agora!"

"Prússia montou um exército bem na nossa fronteira! Disse que se não recuarmos agora, ele vai entrar na batalha!"

"QUE?"

E foi desse jeito, que França desistiu de atacar Áustria, deixando Veneza para ele.

Quando Gilbert viu Francis irado se aproximando do acampamento militar prussiano, começou a rir. Seu aviso tinha dado certo.

"O que você está fazendo, sua criatura que precisa urgentemente pegar um sol?" O loiro gritou.

"Quem mandou você dar em cima do aristocrata e deixar sua área desprotegida? Eu montei um exército aqui!"

"Você deveria estar aproveitando para atacá-lo também! A unificação alemã com certeza vai acontecer se nos unirmos contra ele!"

"Eu não preciso atacar o aristocrata pro Ludwig crescer. Isso está acontecendo independente da vontade daquele idiota. Além disso eu não me esqueci do trabalho que você deu quando o anão de jardim era seu chefe."

Francis bufou.

"Eu já recuei, mas pense na minha proposta. Se quiser atacar Áustria, pode contar comigo" o loiro falou e foi embora.

Gilbert encheu o peito de ar orgulhoso. França tinha perdido a batalha. A missão estava cumprida.

"Áustria está se aproximando, senhor!" um soldado prussiano apontou para Roderich.

Ao vê-lo se aproximar, Gilbert desfez o sorriso e corou.

"Preparem-se para desmontar o acampamento. Eu vou dar uma palavrinha com o aristocrata"

"Sim, senhor!"

Roderich viu Gilbert se aproximar e abriu a boca para falar alguma coisa, mas o albino foi mais rápido e o puxou para dentro de uma tenda para que pudessem ficar a sós.

"Gilbert?"

"Você teve sorte dessa vez, aristocrata! Eu não sei porque ainda faço alianças com você! Está sempre perdendo pro Francis!"

Áustria estava bem machucado, mas não se mostrava enfraquecido. Agiu naturalmente olhando o exército prussiano desmontando o acampamento pela brecha da tenda. Depois deu atenção aos olhos de rubi.

"Gilbert, eu vim agradecer pelo seu apoio"

Gilbert quis muito enforcá-lo. Quanta formalidade! Parecia até um principezinho parabenizando seu cavaleiro por ele fazer nada mais que sua obrigação.

"Eu mereço um prêmio, aristocrata."

"Não negociamos isso"

"Mas eu exijo um prêmio por ter me metido nessa."

Gilbert largou a espada, puxou Roderich pela mão, contornou sua cintura e o beijou.

Os olhos violetas se abriram mais, mas Roderich se deixou levar. Fechou os olhos e aprofundou o beijo. Não acreditavam no que estava acontecendo, mas queriam aproveitar essa chance. O moreno segurou o ombro do albino com o braço livre e continuou retribuindo.

Quando o ato acabou e eles abriram os olhos, o austríaco piscou confuso, mas o albino sorriu maroto.

"Agora sim. Eu tava querendo beijar alguém, e como só tem você aqui além do meu exército..."

Roderich saiu do estado de transe e se enfureceu "Idiota!"

"De nada, kizoku-sama!" foi embora rindo do austríaco.

Alguns anos não são nada para um país, então é perfeitamente normal ficar sentado no campo de treinamento lembrando de um beijo que deu num certo austríaco e torcendo para a próxima batalha contra França. Muito normal.

"Nii-san?" Chamou o jovem Ludwig

"Oi! Diga, irmãozinho!"

"Está cansado demais para treinar ou está pensando em alguém?"

"EU?! Não estou pensando em ninguém, não! Principalmente se for aquele almofadinha, católico, metido, irritante e..."

"É um belo garoto" disse outra voz.

Um homem havia entrado no recinto. Os olhos dele estavam fixos em Ludwig, que já era um adolescente forte como Gilbert, só que bem mais calmo.

O albino riu e desarrumou os cabelos do irmão "É sim! Ele já é incrível como eu! Imagine quando crescer e ficar forte!"

Uma gota de suor transbordou da cabeça do loiro. Como o irmão mais velho conseguia ser tão egocêntrico?

"Eu tenho certeza que ele tem um grande futuro" o homem continuou "Mas pra isso temos que tirar Áustria do nosso caminho"

"Eu já cuidei do aristocrata. Deixei ele de fora de qualquer relação econômica por essas bandas. A influência dele sobre nós é mínima e quando ele menos esperar, a Alemanha já se unificou!"

"Isso não vai acontecer"

Gilbert desmanchou o sorriso e fez uma careta. Ludwig arregalou os olhos assustado.

"Claro que vai! Por que acha que não?" insistiu o prussiano.

"Estamos falando de Áustria. Ele não vai aceitar perder o controle sobre nós. Deve estar planejando destruir o garoto quando tiver chance"

"Ele não faria isso. Nem tem força pra lutar contra nós!"

"E quem precisa de força quando se é um manipulador? Ele faz isso com todos a sua volta. Ou se esqueceu da Guerra dos Sete Anos? Ele colocou todos contra você, Prússia. E agora? Quem garante que ele não está manipulando você também?"

Gilbert e Ludwig ficaram sem palavras. O homem conseguiu a brecha que precisava.

"Prússia, você sabe que Áustria é capaz de fazer isso. Sabe que pode tirar o rapaz de você e deixá-lo sob seu controle da mesma forma que ele faz com os outros. Não o deixe lhe transformar num fantoche ou vai perder seu irmão"

Todos ficaram em silêncio. Um turbilhão de pensamentos girava na cabeça de Gilbert. Ele olhou para o homem e perguntou confuso.

"Quem é você?"

"Otto von Bismarck, seu novo Ministro. Vou lhe treinar pra ser mais forte do que já é, e assim tirar Áustria de uma vez do nosso caminho."

Notas finais
O que aconteceu ai foi verdade. França estava vencendo, mas Prússia ameaçou entrar na guerra se os ataques contra Áustria continuassem. ♥
Áustria conseguiu impedir a unificação alemã, mas não o avanço econômico. Prússia deixou ela de fora da união aduaneira e acreditava que poderia conseguir a união sem guerras, só que Bismarck, um antiaustríaco declarado, assumiu o poder. Bismarck era odiado pelos burgueses e com o tempo até os próprios soldados reclamavam.