Protocolo: Mundo Perfeito
3 Capítulo 02 - Nova Vida.
Notas iniciais
Corremos em direção ao supermercado, sem olhar para os lados, apenas focando em nosso objetivo, a gente não sabia o que iríamos encontrar, eu pensava que já haveria pessoas e se não houvesse uma solução pacifica estaríamos diante de outra luta. Eu liderava, Pedro e Letícia seguiam ao meu lado, a maioria estava um pouco atrás, preocupados se algo nos atacaria, todos tensos com o simples andar, será que teríamos chance de sobreviver? Até hoje não achei a resposta.
Entramos no supermercado, estava com algumas prateleiras vazias, mas ainda havia muito conteúdo disponível, mochilas maiores, roupas em bom estado, comida industrializada entre outras coisas, mas agora uma questão apareceria que nunca pensamos antes.
– Onde fica o porão? — Léo percebeu antes de nós que não tínhamos experiência em explorar supermercados. Inferno, eu não saberia nem achar um refrigerante.
– Provavelmente perto do setor onde descarregam as coisas. — Vinny parecia mais composto agora do que na escola.
– Seria melhor pegarmos algumas coisas que não temos. — Nathalia previu o próximo movimento meu.
– Isso seria bom, estamos com poucas coisas como roupas extras, comida e ferramentas. — João observou.
– É, mas essas coisas já não estariam dentro do porão? — Letícia parecia incerta de que lado tomar.
– Melhor prevenirmos, provavelmente não terá ferramentas muito úteis lá dentro afinal o cara é um pacifista, mesmo caótico, ele não quer guerras, não terá nada letal lá. — Tinha certeza disso, de alguma maneira sabia o que passava na mente do cara.
– Bem então já sabemos que temos que pegar facas e outros utensílios do mal, vamos a caçada ? — Pedro que estava pensativo olhava para o colar, de alguma forma aquele colar me parecia familiar.
Nos separamos em pequenos grupos para achar coisas que pudessem fazer a diferença no “novo” mundo. Eu e Pedro estávamos na seção de ferramentas, o silencio que geralmente Pedro combatia parecia estar vencendo enquanto testava um cutelo de açougueiro.
– Quer falar sobre isso Pedro? — Ele nem se deu ao luxo de olhar para min apenas arremessou o cutelo em uma prateleira a 5 metros.
– Sobre o que? — Sua voz calorosa parecia um convite a continuar a conversa.
– A garota da rua. — Ele me olhou, seu olhar parecia cansado, quase prestes a desabar.
– “Aqueles que procuram caos, acharam caos, aqueles que não procuram, nunca acharam.” — Uma breve pausa, Pedro tinha essa mania de garoto que leu muito e sabia frases certas para horas certas. – Anônimo. Se não procurar ela será melhor para você.
– “O caos procura os relutantes” — Ele me olhou surpreso, afinal ele esqueceu que já a usou contra mim em outro dia. – Dante, eu acho. Não vou insistir no assunto, mas se quiser se abrir, chorar, gritar você sabe que pode contar comigo.
– Eu não sou um peso. — Ele levantou a mochila cheia de facas, algumas garrafas de álcool, óleo WP e alguns materiais leves de construção, passou por mim e disse. – Não me trate como um.
Os outros tiveram mais sorte que nós dois, alguns walkie talkies, rádios, baterias, fios e coisas eletrônicas, e claro roupas extras e comidas mais peculiares, como chocolates, yogurts e até mesmo sorvetes, coisas de gordo. Pedro olhou para as meninas, que eram responsáveis por comida e roupas, com um olhar do tipo “Sério... De verdade, não tinha nada melhor?” porém elas apenas ignoraram o olhar, Nathália entregou a ele uma jaqueta preta com um gorro.
– Me lembrou da sua antiga. — Ela sorriu ao entregar para ele.
– Valeu. — Pedro vestiu ela e botou o gorro na cabeça e duas facas nos bolsos internos.
– Bem hora de achar esse porão mágico né? — João parecia querer muito descansar um pouco e principalmente acabar com essa história.
Chegamos perto da área onde chegavam as entregas e cargas, uma grande porta de metal estava aberta levemente, Pedro já estava brincando com uma faca, 5 anos de “Kendo” fazem isso com as pessoas, varias prateleiras e estantes de metal cheias de caixas se erguiam até o teto, apenas nossos passos no metal do chão faziam barulho. Chegamos até a metade do corredor sem achar nada, mas de repente algo se moveu atrás de nós, todos nós olhávamos em nossa volta procurando por um sinal, algumas caixas caíram de um prateleira perto de Vinny, que logo seguido por Pedro, foram atrás da fonte do barulho sem hesitar enquanto ficávamos olhando apreensivos, tomei a frente e disse para seguirmos eles, mas quando chegamos eles já tinham a fonte do barulho, Vinny em pé e Pedro com uma faca perto do pescoço dela, isso poderia dar muitos problemas.
– Quem é você? — Pedro tentava arrancar o gorro da pessoa a todo custo, mas recebia arranhões em troca apenas.
– ME SOLTA! — A pessoa gritava com uma voz feminina e desesperada.
– Pedro, eu acho que ela não é um perigo para nós. — Pedro hesitou um segundo antes de soltar ela me encarando.
– Obrigada Felipe. — A pessoa falou meu nome com a maior naturalidade do mundo.
Todos pareciam espantados, mas apenas uma fala saiu da minha boca.
– Iara!? — Não podia ser, ela tinha viajado com a turma da escola e o ônibus só voltaria a tarde, ou será que me enganei? Olhei meu relógio, mas ele estava trincado, porém Pedro tinha um quase indestrutível, uma herança de um parente um belo relógio de prata com safiras.
– Que horas são Pedro?
– Três e meia da tarde. — Logo a pessoa ao seu lado tirou o gorro, e vi que realmente era Iara, seus cabelos loiro escuros, olhos verdes claros, e sua cara eram inesquecíveis. Todos pareciam surpresos, menos Pedro que encarava o colar com uma cara de desgosto e tristeza, logo ele sacou a faca de novo e apontou para ela.
– Não temos certeza se é ela, ou se tem mais pessoas aqui!
– O que você tá fazendo Pedro? — Eu estava quase gritando.
– Pedro abaixa isso! — Nathália gritou sem hesitar, acompanhada por Vinny e Letícia.
– Gente, ela pode muito bem ser uma pessoa parecida, mas não é a Iara! — Pedro estava com a mão da faca tremendo, então segurou com as duas.
– Larga ela Pedro! — Eu não deixaria ele ferir ela, mas estava pronto para ferir ele. Não sei dizer o que afetou ele, mas ele abaixou a faca um pouco.
– É ela cara, eu sei disso. – Falei.
– É Pedro, como não me reconheceu!? — Iara parecia mais tranquila agora, mas ainda ansiosa.
– O ônibus chegou faz pouco tempo, ai houve um terremoto e todos começaram a correr, eu vim para cá, estava procurando a Giovanna, ela tinha saído antes de mim, mas o celular dela não responde. – Explicou Iara.
– Satisfeito Pedro? – Perguntei.
Pedro abaixou a faca, e murmurou algo.
–Vocês vão me ajudar a achar a Giovanna? — Iara estava falante como sempre.
– Agora não podemos, só temos mais algumas horas até que toneladas de radiação nos mate, temos que ir para o abrigo, e a Giovanna é uma garota esperta já deve estar em um local seguro. — Pedro terminou de falar e seguiu seu caminho até o fim do corredor. — Aqui está!
Alcançamos Pedro e vimos que ele já tinha entrado, uma longa escadaria até um porão gigantesco e com aparência futurística, um grande computador em uma mesa de metal, longos corredores, alguns armários perto da escadaria, uma porta se fechou atrás de nós com o escrito “ABRA SÓ DAQUI SEIS MESES OU SE ABSOLUTAMENTE NECESSARIO USE AS VESTIMENTAS NO ARMARIO PARA PODER SAIR POR 1 HORA/DIA” algumas luzes já estavam acessas, seguimos elas e achamos Pedro em um quarto, sua mochila já aberta, algumas coisas em cima da mesa, outras ainda sendo colocadas em armários. O quarto era simples, um rádio na mesa tocava uma musica simples e harmônica de violino, um tapete no chão uma cama com dois lençóis e um travesseiro.
– Tem uma mensagem no computador da sala principal vocês deveriam ler. — E com sua frase dita, ele partiu com dois mapas em direção aos longos corredores do porão.
Concordamos em ir ver primeiro a mensagem no computador e depois encher o saco de Pedro. Chegamos na sala e Letícia fuçou em alguns botões e lá estava a mensagem, um guia de como sobreviver e de como seria o mundo daqui seis meses quando maior parte da radiação teria se dissipado.
“Primeira regra: Toda água consumida para sua segurança deve ser de uma torneira de chumbo, como as instaladas pela AKQUA C.I.A, para evitar beber radiação e morrer.”
“Segunda regra: Todo alimento fora dessa área segura estará contaminado com radiação, para descontaminar basta usar uma das seringas AKQUA C.I.A com um pouco de acido básico de qualquer tipo, aplicar duas gotas sobre o alimento, espalhar por todo seu comprimento e esperar 5 minutos.”
“Terceira regra: Pessoas contaminadas com radiação podem sofrer mutações drásticas, para seu bem e de possíveis companheiros, mate ela pelo fato de que pouquíssimas pessoas contaminadas podem pensar e raciocinar.”
“Quarta regra: Se for sair dessa área desta área durante o período de seis meses, use uma das 30 vestimentas antirradiação disponíveis para poder se aventurar por uma hora, queime ela após uso no crematório localizado no corredor L7, e lembre-se existem apenas 30 destas roupas, só saiam se for extremamente necessário.”
O resto das informações eram mapas (que de acordo com o registro. Pedro baixou todos em um aparelho de bolso chamado Pilstin que carrega informações básicas, quase como um pen drive porem ele pode disponibilizar algumas.) livros, horários e nada de noticias , estamos assim consolados por uma máquina, perdidos no meio de um mundo caótico e a única coisa que nos restava eram amigos que mais pareciam estranhos juntos pela sobrevivência.
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