Protocolo: Mundo Perfeito
4 Capítulo Extra - Diário de Pedro.
Notas iniciais
15/03/13 07:30 da noite, porão/base do supermercado Ribeirão Preto.
Arremessei outra faca no alvo improvisado, no stand de tiro improvisado que fiz, e em um mundo não mais seguro soltei um suspiro, meu alvo foi acertado apenas de raspão, o cansaço começava a me vencer, bem depois de 3 horas atirando facas, duas decorando mapas e discutindo com amigos a sobrevivência de todos, mais o fim do mundo, e a morte de todos que amamos, é a vida não está fácil para ninguém.
Tiro a faca do alvo e a coloco junto com a pequena coleção coletada de facas, totalizando 10 facas idênticas de aço inox, que seria o suficiente para todos nós pelo menos por enquanto, porém queria algo mais como uma espada seria melhor com ela. Soltei outro suspiro e passo óleo nas facas e as guardo no pequeno armário do stand, que antes era uma sala com intenção de guardar as coisas, não havia muito o que dizer sobre o porão seguro, apenas o fato de que era extremamente longo com diversas salas, dormitórios, comida e conforto. Porém não é permanente, não podia me esquecer disso que em 6 meses esse lugar não poderia mais ser habitado, não tinha certeza na época, mas já tentava desvendar o que aconteceria e se poderia ser evitado.
Botei minhas mãos no bolso da jaqueta e sai andando pelos corredores muito iluminados, “de onde tiram tanta energia?” até hoje não achei resposta certa, no caminho me deparei com Iara sentada sozinha na cantina encarando um prato de comida cheio e pouco tocado, meu instinto de boa pessoa me mandou sentar e ver o que tinha de errado com ela.
- O que você quer Pedro? — Mal me sentei na cadeira e tomei disparos certeiros de dois olhos verdes.
- Ver porque você esta aqui sozinha quando se tem amigos, e até um stand de tiro. — Sorri para ela, geralmente quando eu sorria as pessoas tentavam pelo menos sorrir de volta.
- Porque esses amigos abandonaram uma amiga! — Iara parecia que ia chorar, tive que pensar rápido, porem ser cauteloso.
- Eu queria poder ter ficado lá e achado ela, mas temos a missão de sobreviver, eu também estou preocupado com ela, queria ver ela novamente e ouvir ela rindo. — Dei uma breve pausa até agora tudo bem.
- “A luz que se perde na escuridão vira a luz mais negra” a gente vai achar ela prometo. — Ela limpou a garganta e passou a mão direita nós olhos.
- Você gosta dela, né Pedro? — Ela sorriu e esperava o sim, e não podia dizer algo se não o que é o certo.
- Sim eu gosto muito dela.
Cheguei a sala principal, abri um armário e peguei a vestimenta antirradiação, tinha uma cor azul cromado, coloquei por cima da roupa e chequei meu relógio tinha uma hora exata, uma hora para ser fraco.
Não fui muito longe, tinha um prédio destruído em frente ao anglo, subi até o topo, algo fácil, pois só tinha 3 andares e lá do topo do novo mundo encarei o vazio que me lembrava da descrição de muitos autores como Dante, Tolkien e Anônimo da visão do inferno na terra, uma noite clara e infernal cercada por morte e caos, porém silenciosa, não havia um barulho o silencio era eterno e perpétuo. Fiquei olhando o caos que me cercava com certa naturalidade, eu havia me acostumado ao cenário caótico e já encarava a realidade como devia ela é de verdade, cruel.
Tirei o colar derretido do bolso da mochila, o colar era de ferro com prata e uma esmeralda no meio, um belo colar, o mais belo que eu já vi e ele representava a única coisa que eu não havia aceitado nesse novo mundo...
A morte de Giovanna, meu ultimo amor de verdade, uma pessoa a qual eu amei e protegi, cuidei e defendi, tudo para encontrar ela morta, na minha frente, com o colar ainda brilhando, como um ultimo insulto de Deus falando que eu não levaria nada para esse mundo a não ser memórias, enquanto a melhor amiga dela sobrevivia, injusto, eu só pensava que isso era injusto e eu não merecia isso, ter cuidado de algo tão bem, para ter ele removido tão cedo, nosso amor secreto morreu como viveu, uma memória de alegria escondida na qual éramos apenas um e outro rindo e se beijando.
Uma lágrima escorreu por dentro da vestimenta, eu não estava pronto para encarar de frente isso, talvez nunca estivesse, talvez eu carregasse isso para sempre, como uma cicatriz, para me lembrar o que eu sou e quem eu fui, e o que me tornarei.
Fale com o autor