Proposal

22 Your Name.


Notas iniciais
Olá pessoas lindas.
Capítulo novo (literalmente) pra vocês.
A partir de agora vou conseguir responder todo mundo, ok? Ok.
Me desculpem pelos erros e boa leitura. ♥

Uma vez.

E mais uma.

Para não perder o ritmo, outra vez... E outra... E outra...

- Jino, dá pra parar de me cutucar com essa caneta! – Não era uma pergunta, era uma ordem.

- Aish, a culpa é sua que não me dá atenção. – Choramingou. – A professora ainda não chegou pra terceira aula, e ela não vai nos matar por estarmos conversando. – Cochichou.

- Eu realmente criei um monstro! – Estreitou os olhos. – Estou terminando de copiar a matéria que perdi da primeira aula, e justo o nerd da sala quer puxar papo.

Jino emburrou-se. Oras, só estava curioso e queria conversar, mesmo sendo o aluno mais aplicado e o mais “certinho” da sala, a doença de Key parecia ser contagiosa. “Me tornei uma bicha fofoqueira”, pensou ainda esperando o outro se virar para poder saciar sua curiosidade. Enquanto isso olhou ao redor, os outros alunos conversavam normalmente, um professor atrasar sempre era motivo de festa e uma pequena bagunça se formava no ambiente.

Menos na carteira ao lado, TaeMin parecia estar em um enterro de tão quieto.

- Hey, o que aconteceu? – Sussurrou apenas para TaeMin ouvir.

- El-e noa fa-lou cogomi. – Respondeu.

- O quê? – Em que língua aquele garoto estava falando? Não entendeu uma palavra dita por ele. – Acorda, já estamos na terceira aula e você ai dormindo.

- Estava cochilando. – Respondeu de forma clara, se ajeitando na carteira com a cara toda amassada pela soneca.

- Mas então o que aconteceu?

- Ele não falou comigo. – Repetiu.

- Ele, ele quem? – Key finalmente se intrometia na conversa se aproximando sem os dois notarem.

- O pedo, ou ex-pedo, afinal agora o TaeMin corresponde. – Jino disse óbvio.

- Justo agora que você não tem mais TPM, é ele que não quer conversar? – Key analisou. – Deve ter acontecido alguma coisa.

- TPM? – Jino não entendeu.

- A “tensão pré MinHo” dele. – Key explicou.

- Posso? – Perguntou, aqueles dois estavam impossíveis. – Continuando já que não me deixam falar, eu não sei o que aconteceu, mas ele não quis falar comigo hoje cedo, estava com pressa e mal olhou na minha cara.

- Ele deve estar assim por causa do beijo. – Key explicou. – Do jeito que ele é louco por você deve ter surtado ao te ver com outro. Dá um tempo pra ele e se explique mais tarde.

- É, vou fazer isso mesmo. – Conformou-se.

- E Key, agora responda aproveitando que o TaeMin acordou. – Jino voltou ao ponto que queria. – Por que faltou na primeira aula?

- Estava com o DongWoon, satisfeito? – Deu de ombros.

- Ele te pediu uma chance?

- Como sabe? – Desde quando Jino era o maior fofoqueiro do colégio?

- Todo mundo sabe que ele é apaixonado por você ainda.

- Verdade, é óbvio pro colégio inteiro. – TaeMin se empolgou.

- Quem manda o Key se fazer de lerdo. – Jino apontou.

- Aish, eu estou aqui ainda. – Key interveio antes que o assunto mudasse. – Se não quer saber Jino, eu não conto! – Vendo que o tagarela do dia ficou calado, continuou. – Reafirmando, ele pediu uma nova chance, eu não respondi claramente, mas nós ficamos, então...

- É um sim? – TaeMin perguntou.

- Não sei... Eu, eu... – Inclinou-se para só os amigos ouvirem. – Eu gosto daquele maldito do JongHyun, e isso não muda de um dia para o outro né?

Jino e TaeMin se entreolharam no mesmo instante que a professora entrava na sala atrasada.

Os três riram pra depois se concentrarem na aula.

x-x-x

Jino agradeceu quando o sinal finalmente tocou indicando o intervalo, esperando TaeMin procurar dinheiro na bolsa, enquanto Key já estava na porta os esperando. Sua barriga já reclamava por alimento, seria capaz de comer um boi, porém ao ver Onew do outro lado do corredor vindo em sua direção, perdeu a fome.

- Jino, er... Posso falar com você? – Onew perguntou inseguro, olhando em volta e principalmente para seus amigos.

- Qual o assunto? – Sim, estava irritado, muito irritado com o amante. E ver ele totalmente desconfortável só porque Key e TaeMin estavam perto só piorava a situação.

JinKi pareceu notar, mas o assunto era muito sério. E se fosse para qualquer um desconfiar dos dois, que desconfiassem.

- Por favor Jino, é sério. – Segurou em seu braço em um aperto firme.

O mais novo pareceu entender que a situação era grave, pois seguiu Onew deixando os amigos completamente pasmos para trás. Atravessaram os corredores do colégio quase correndo, ainda era guiado pelo outro que se mantinha calado.

O que estava acontecendo?

- Não converse, não se aproxime mais dele, por favor. – Onew implorou assim que se afastaram o bastante para não serem vistos. – Se me ama, por favor pare de conversar com ele, ignore sua existência.

- Ele, ele quem? – Perguntou, se arrependendo em seguida, era tão óbvio... – JunHyung? Qual o seu problema Onew? Deu pra me controlar agora?

- Não é isso! – Praticamente gritou. – Ele é perigoso.

- Perigoso?

- É, você não o conhece como eu o conheço. Aquele idiota pode ser ferrar com as nossas vidas. – Confessou.

- Então vocês se conhecem... – A conversa parecia ficar mais interessante. – Estudaram juntos? Foram amigos? Foram amantes...?

- Não! – Onew desesperou-se. – Só me escute, ok? – Pediu colando suas testas, encarando Jino diretamente. – Eu te amo, entendeu? Tenho medo de te perder.

- Você não vai. – Jino sussurrou contra seus lábios. – Mas eu não entendo o motivo de tanto medo. – Confessou se afastando.

Por mais que amasse o mais velho estava cansado de manter um namoro daquela forma, ou melhor, ele nem sabia se poderia chamar a relação deles de namoro. O que eles sentiam não era errado, não era um crime, o preconceito existia é claro, mas se os melhores amigos de Onew mantinham uma relação homossexual por que ele não poderia? Enquanto não encontrasse uma resposta para todas as suas dúvidas não poderia seguir com aquela mentira.

- Acho melhor eu ir primeiro. – Disse amargo. – Outra hora conversamos, não estou com cabeça pra mais uma discussão. – Jino suspirou derrotado.

Onew respirou fundo, encostando-se na parede pensativo. Tinha feito a coisa certa? Era melhor alertá-lo? Ou talvez com tudo que disse levantou suspeitas do mais novo? Vê-lo se afastar daquela forma só partia seu coração em mil pedaços. Não poderia manter o namoro deles escondido por muito tempo, ele mesmo não aguentava mais aquela situação.

- Palmas, belo show. – Quem ele menos esperava apareceu ali. – O que foi JinKi? Está com medo de perder sua presa? – Riu debochado.

- Eu deveria te matar. – Gritou, pegando JunHyung pelo uniforme e o jogando contra a parede. – Você é muito cínico não é mesmo?

- E a vida é muito irônica. – Respondeu, ainda rindo. – Resolveu descontar toda sua frustração nesse pobre garoto? Está o usando?

- Eu não seria capaz disso!

- Sério? Não é o que parece... Esconde o garoto da mesma forma como eu o escondia. – Acusou. – Não sabia que lhe deixei tão traumatizado a ponto de usar Jino como eu te usei.

- Cale essa sua maldita boca, Joker! – O outro parecia não temer por sua vida. Sua vontade era de mata-lo. – Não desceria tão baixo igual você. E o que tivemos não foi nada!

- Então por que está tão nervosinho? – Apontou para onde Onew o segurava. – Eu sei muito mais sobre você do que imagina, afinal nós fazíamos uma boa dupla.

- Eu tenho nojo de você. – Onew o largou se afastando.

- Nojo? Deve estar morrendo de saudades. – Acusou. – Mas esse garoto... Jino... É bem interessante.

- Não se aproxime mais dele! Eu não vou dar mais nenhum aviso.

- Own. – Fingiu se impressionar. – Está com ciúmes dele, ou de mim?

- Você só foi o primeiro cara com que eu transei, apenas isso. – Onew rebateu, ainda nervoso. – E nós não temos mais nada para resolvermos, se não fosse essa sua aproximação repentina com o Jino, jamais voltaríamos a nos falarmos.

- É o que veremos. – JunHyung sentenciou antes de também partir.

O passado que Onew tanto escondeu, resolvera justo agora lhe fazer uma visita.

E ela não era bem-vinda.

x-x-x

Estava desesperado, seu estômago dava milhões de voltas, ainda sentia dores de cabeça e a ressaca parecia ser eterna, porém não era apenas seu corpo que gritava de angústia, sua mente também. Durante toda a manhã não teve coragem de nem ao menos olhar para TaeMin, a culpa e a vergonha o consumiam, e ele não sabia se a vontade de vomitar era devido a isso, ou a tudo que bebeu no maldito bar.

- Argh, é como se tivesse colocado algo na minha bebida. – Resmungou de dor mais uma vez. – A não ser que... – Pensou com mais clareza, finalmente.

Ele sentia dores por todo o corpo, sua cabeça parecia querer explodir, e a pessoa mais suspeita que ele conhecia era Shin SeKyung... Era óbvio, ela com certeza colocou algo na sua bebida, pequenos flashes de memória começavam a fazer sentido.

As imagens depois dos primeiros copos estavam borradas, mas ele se lembrou da garota no bar, dela lhe falando alguma coisa enquanto ele aceitava um copo oferecido por ela.

Se lembrou da verdade.

Ainda mais borradas, as cenas dele sendo carregado até um táxi surgiram em sua mente, ele estava completamente adulterado, em seguida eles chegando ao motel ele viu como se fosse um telespectador da sua própria vida os dois aos beijos na maldita cama onde ele acordou no dia seguinte. Não sabia como, mas naquele momento ele desejou SeKyung, seu corpo reagiu a cada estímulo que ela provocou, e tudo ficava mais desfocado conforme ele a tomava para si.

Enquanto sussurrava o nome de TaeMin.

Ela não mentiu, os dois realmente dormiram juntos. MinHo se sentia um canalha, traiu a confiança de seu melhor amigo e traiu aquele que amava, pois mesmo que TaeMin tivesse que se explicar sobre o beijo com aquele homem, ele não tinha o direito de dormir com a primeira que aparecesse na sua frente. Ele não tinha o direito de ser tão irresponsável, se não tivesse usado camisinha poderia ter sérios problemas por causa de uma bebedeira.

“Não foi só uma bebedeira”, pensou ao lembrar-se de como sua pulsação ficou acelerada e como seus sentidos ficaram alterados após se encontrar com SeKyung, muito diferente das vezes que bebeu.

- Alô, Onew? – Sua voz saia quase como uma suplica. – Preciso da sua ajuda. – Disse ao celular, precisava desabafar com alguém e JinKi era o único que poderia ajudá-lo. – Aham, na sua casa é melhor. – Voltou a respirar novamente. – Até mais.

E desligou.

Tiraria a dúvida ainda naquela tarde.

x-x-x

Na manhã seguinte já estava mais tranquilo, jamais se esqueceria do grande favor que Onew lhe fez. Em poucos dias saberia da verdade, um peso poderia sair de suas costas de acordo com os resultados dos exames, ou um peso ainda maior cairia em cima de todos os seus problemas. Não se sentia mal apenas por JongHyun, se sentia mal por ele mesmo, trair a confiança do amigo o deixava péssimo, de todas as pessoas do mundo Jjong seria o último a merecer uma traição, ele tinha um coração tão bom que mal cabia no peito. Tolo o suficiente para acreditar nas mentiras da namorada.

- Você já decidiu se vai contar a verdade? – Onew quebrou o silêncio entre eles, comiam juntos um lanche qualquer durante o intervalo.

- Ainda não. – Suspirou, deixando a refeição de lado.

Não sentia fome.

- Jjong é seu amigo, mesmo que ele odeie você por algum tempo, ele irá te perdoar. – JinKi avisou. – É um favor que você faz à ele.

- Ele idolatra aquela mulher, acha que ele irá me perdoar? Nunca Onew, nunca... – Abaixou a cabeça, eram tantas coisas rodando em sua mente que uma leve tontura o dominava.

- Ele vai. – Disse seco.

- Por que tem tanta confiança?

- Porque o teto dela é de vidro. – Olhou diretamente para MinHo. – Ele não a ama como antes, ou melhor, ele não a ama mais. É uma questão de tempo para ele mesmo perceber isso.

- De onde vem essa certeza? – Não, não era possível o encanto se quebrar tão facilmente.

- Key. – Disse simples. – Ele está começando a ver que ele perdeu o grande e verdadeiro amor da vida dele. É o Key quem ele ama.

MinHo pareceu se interessar ainda mais na conversa, se aproximando de Onew para que ninguém os ouvisse. Ele era um idiota! Mas é claro que o amor do “casalzinho perfeito” já não era o mesmo, porque Key virou o jogo! Talvez ele tivesse uma chance de perdão, afinal ele não teve culpa do acontecido, os exames provariam isso.

Não era questão de ser perdoado ou não.

JongHyun precisava ser liberto.

- Eu vou contar. – Decidiu-se. – Só preciso saber os resultados dos exames.

Onew apenas concordou, olhando para algum ponto do pátio.

- Está tudo bem com você? – MinHo perguntou preocupado, o amigo estava sério demais, dando conselhos de forma tão serena que o assustava.

- Está, é só um probleminha bobo que preciso resolver. – Respondeu não querendo prolongar o assunto. – Tem alguém olhando para nós desde que saímos para o intervalo. – Apontou para um garoto de cabelos compridos.

- TaeMin! – MinHo praticamente gritou. – Eu preciso falar com ele.

- Então vai logo! – Onew expulsou ele da mesa onde estavam.

Se tudo desse certo MinHo se acertaria com TaeMin naquele dia, SeKyung seria desmascarada na mesma semana e JongHyun poderia ir atrás do seu verdadeiro amor. De longe Onew ficou observando a conversa do amigo, tudo começava a trilhar um caminho para um final feliz.

Menos para o seu final feliz.

Ele precisava fazer algo e rápido.

x-x-x

Como as notícias se espalhavam facilmente pelo colégio, todos já sabiam que Key e DongWoon estavam juntos, mesmo que o mais novo quisesse que aquilo fosse segredo alguém viu os dois aos beijos no final das aulas e claro, fez questão de contar para todos os alunos. Mais uma vez seu nome virava motivo de fofoca, porém já estava acostumado e apenas ignorava os comentários maldosos enquanto passava pelos corredores em direção a sua sala, logo aquilo acabaria, quando se mudasse tudo que falaram dele seria esquecido, junto com tudo que viveu ali.

A mudança de seus pais era mais do que certa, eles até mesmo voltariam a Nova York na semana seguinte em busca de um apartamento, e sua mãe já fizera uma lista de colégios onde ele poderia concluir seus estudos, e também alguns centros com aulas particulares de inglês para ele aperfeiçoar a língua estrangeira. E o único que sabia de tudo aquilo era DongWoon, sua confiança no mais velho dobrara desde o incidente na festa.

- É verdade? – Um sujeito baixinho interrompeu sua passagem no corredor. – É verdade que você está com aquele idiota?

- Se é o que estão falando... – Sorriu irônico.

- Eu não acredito, Key! – JongHyun alterou-se, uma rodinha de alunos já observavam a cena atentamente. – Ele é um canalha, você lembra do que ele armou pra você, não lembra?

- Lembro. – Respondeu encarando o mais velho. – Porém eu lembro de muito mais coisas sobre você, e caso queira que eu diga cada uma delas eu não me importo.

JongHyun olhou em volta, vendo que todos cochichavam sobre eles, não queria dar um espetáculo na frente daquela gente, não queria se expor e não queria expor Key ainda mais. “Vem comigo” disse puxando o mais novo sem esperar uma resposta, não poderia permitir que Key voltasse com DongWoon, sua consciência dizia que Key não estava em boa companhia, mas era seu coração quem mandava ele levar o ex-namorado para bem longe dali.

- Qual é o seu problema? – Key interrompeu a “fuga”, pisando firme e tentando se soltar do aperto do mais velho.

- Eu não sei! – Jjong respondeu sincero, assim que pararam para conversar, no pátio que ficava atrás do colégio. – Eu te pedi desculpas, então por que me trata assim?

- Porque não tem como manter uma amizade depois de tudo! – Key exaltou-se. – Você está com aquela víbora, eu estou melhor longe de você.

- Você me odeia? – Indagou o que tanto o angustiava.

Só de ficar no mesmo ambiente que Key o sufocava, por um lado queria apagar todos os dias que se seguiram depois da maldita proposta, e por outro queria reviver cada segundo que permaneceu ao lado do mais novo. Em meio a esses sentimentos tão contraditórios, o amor que ele sentia pela namorada não passava de uma lembrança de sua infância, e ele trocaria tal lembrança facilmente por um momento ao lado dele.

“Eu devo estar ficando louco”, JongHyun pensou quando se viu próximo demais do ex-namorado de mentira. Um imã parecia agir sobre ele, polos opostos que se atraiam em uma magnitude jamais estudada. Key tremia, porque JongHyun já apertava sua cintura de forma dominante, a respiração do mais velho já tocava sua pele como se fosse um tapa desferido contra ela. Porque ardia de tal forma que ele poderia desabar ali mesmo.

- JongHyun... – Foi a única coisa que conseguiu dizer.

Seu nome.

No segundo seguinte tudo ficou escuro.

Notas finais
Prévia:"...E provavelmente se encontrava sozinho já que ninguém percebeu que ele tinha acordado.
- A bela adormecida acordou. - Uma voz conhecida ditou falsamente melodiosa.
Do outro lado do aposento uma Shin SeKyung sorridente aguardava o seu despertar."