Proposal

14 Thank You.


Relaxava conforme a água do chuveiro descia por suas costas, com uma das mãos se apoiava na parede, parecia doente, não aguentava o próprio peso do corpo.

Ou seria de sua consciência?

De olhos fechados esperava que com aquele banho toda sua angustia fosse embora pelo ralo; infelizmente não era assim que as coisas funcionavam. Aquela semana tinha sido até aquele ponto a mais difícil desde que a farsa teve início, como se cada dia ficasse mais sufocado ao lado do mais velho.

Levou a mão livre até um de seus mamilos, ainda dolorido da mordida de dias atrás, as lembranças dos toques de Jong queimavam em sua mente, mais vivas do que no fatídico dia que teve a confirmação.

Estava apaixonado por JongHyun.

Não queria chorar, não podia derramar uma lágrima, pois sabia que assim estaria acabado.

Então por que seus olhos teimavam em arder?

Encostou-se na parede, deixando que suas costas deslizassem pelo mármore frio, ficando sentado debaixo da água quente.

Eles estavam mais próximos... Não ele e Jong, mas sim Jong e Shin.

A vadia finalmente pareceu dar valor ao homem maravilhoso que tinha ao seu lado, porque apesar de tudo, o “heterozinho de merda”, fez seus dias mais felizes.

Sorriu da própria desgraça.

x-x-x

O fato do sábado amanhecer nublado deixava TaeMin em um completo estado de tédio, deitado do sofá da sala de televisão, olhava para o teto como se fosse a melhor atração do dia.

O que estava longe de ser verdade.

Olhou o prato cheio de restos de bolo na mesa ao lado, talvez pegar mais um pedaço não seria pecado... Não, melhor não, com tantos doces acabaria engordando, sua gaveta secreta estava cheio deles, dos mais variados sabores, desde os “pegas” com MinHo no apartamento, que ganhava todo dia uma caixinha diferente do mais velho.

- Será que se eu engordar ele ainda vai prestar atenção em mim? – Perguntou para si mesmo batendo em sua barriga.

Que espécie de pensamento era aquele? Seja lá qual for queria saber para ele mesmo acabar com ele, não importava o que MinHo pensava dele, se o maior o trocasse por outro ou outra qualquer, não faria a menor diferença.

Azar seria da nova vítima do pedófilo... Nunca sentiria a falta dele, bom, talvez só um milímetro de saudades se pudesse medir dessa forma.

E com certeza ele arrumaria uma vadiazinha ou um garoto fácil...

Ele não se achava fácil, não, fácil nunca.

Seu corpo apenas rendia-se aos prazeres da carne.

Ok, estava parecendo um pastor em seu discurso.

Quando a campainha tocou sabia que era a sua salvação.

Aleluia!

Correu para abrir a porta, ajeitando suas roupas amassadas. Vai que a visita era importante? Não que ele estivesse esperando por alguém, mas nunca se sabe. Ao abrir a porta se deparou com um imenso buquê de flores e um senhor baixinho por trás da dúzia de rosas vermelha.

- Olá, a YuRa está? – Perguntou simpático.

- Er, sim... – Sua empregada realmente estava na casa. – Quem gostaria?

- Ah, diga que é o seu SuJu favorito, ela vai saber quem é.

Como uma luz, tudo ficou claro em sua cabeça, aquele era o motorista de seu amigo.

Argh, aqueles dois ELFs safados estavam se pegando!

Deixou que o ahjussi entrasse, afinal seus pais não estavam em casa, o que não teria problema para os dois... Pombinhos.

- Ah, tem um rapaz que me pediu para avisar que te espera lá na portaria. Min... Min alguma coisa... Ah, MinHo! Igual o ator de BBF. – Riu do seu raciocínio lógico.

- Obrigado, a Ahjumma está na cozinha.

E o Ahjussi apaixonado seguiu pelo caminho do amor.

TaeMin foi em direção até o elevador, apertando o botão que indicava o térreo, porém assim que as portas foram abertas, MinHo surgiu no seu campo de visão, com o típico sorriso sacana.

- Vejo que já estava vindo até mim. – Comentou saindo do elevador e empurrando TaeMin no processo.

- Claro, eu iria te mandar sair da porta do meu prédio! – Bufou indignado.

- Iria me mandar sair da portaria para irmos direto para o seu quarto... – Sussurrou enquanto se inclinava para capturar um selinho do mais novo.

Que fez uma careta desgostosa ao ser beijado, aquelas atitudes eram as que mais o irritavam, porque não eram urgentes ou dominantes, mas sim simples e afetivas.

- Tem câmeras aqui, Hyung! – Alertou.

- Por isso mesmo eu disse, vamos para o seu quarto.

Acabou por aceitar a oferta do mais velho, entraram no apartamento sem fazer barulho, obtendo sucesso, já que a empregada parecia ocupada demais...

Chegaram no quarto, e a primeira coisa que TaeMin fez foi trancar a porta, o pedófilo a sua frente poderia muito bem atacá-lo a qualquer instante, porém o ataque não veio.

- Quando você vai assumir? – MinHo perguntou de repente, mexendo em alguns objetos de decoração das estantes do quarto.

- Não há nada que eu tenha que assumir, quantas vezes eu tenho que repetir isso? – Irritou-se.

- Talvez até me convencer dessa mentira. – Respondeu seco.

- Então eu vou dizer tudo agora. – Exaltou-se. – Eu assumo que meu corpo reage a cada estímulo seu, que eu fico duro só da sua respiração se encontrar com a minha, mas que você não é nada meu!

- Por que você é tão diferente comigo? – Indagou.

- Você que começou com essas malditas provocações, você que me transformou nisso que eu sou agora! Fique feliz que logo você vai poder me foder como sempre quis! – Segurou-se para não gritar.

- Como esperado você não respondeu minha pergunta. – Sorriu derrotado. – Sei que agi errado, mas eu realmente morreria pela sensação de conhecer o seu verdadeiro eu.

- Esse... Esse é meu verdadeiro eu. – Balbuciou.

- Você não é essa máscara de frieza, TaeMin. – Se aproximou tocando o rosto do menor com a ponta dos dedos. – Você é sorridente, apaixonado por doces, chegando as vezes a ter até mesmo um comportamento infantil.

- De onde você tirou isso? – Se afastou.

- Eu tenho observado você por muito tempo... – Riu. – Agora tire sua roupa, toda. – Ficou sério de um segundo para o outro.

- Nunca que...

- Estou esperando, tire... Agora. – Ordenou.

Não entendia aquela mudança de humor do mais velho, mas queria saber até onde ele iria. Seria abusado de uma vez por ele? Bom, era isso que o outro queria desde o começo, não é mesmo? Talvez depois de tanta enrolação o Pedo Hyung finalmente queria ter um saldo positivo, então passou a tirar suas roupas, peça a peça, até se encontrar completamente nu aos olhos do outro.

MinHo congelou ao admirar o corpo magro e delicado do mais novo, parecia uma miragem de tão belo, queria tocá-lo em cada ponto, descobrir todas suas áreas erógenas, mas tinha outra coisa em mente.

Foi até a enorme cama do mais novo, arrumando os travesseiros, não desviando seus olhos do corpo de TaeMin em nenhum instante. O mais novo permanecia imóvel, como se aguardasse novas ordens.

- Deite-se aqui. – Apontou para o amontoado de travesseiros.

TaeMin mais uma vez obedeceu, mas vendo como estava exposto, fechou suas pernas, começando a ter vergonha do mais velho.

- Você sabe muito bem que não precisa se sentir envergonhado perto de mim. – Sorriu malicioso. – Vamos, me mostre o que você tanto esconde...

Voltou a abrir timidamente as pernas. Onde toda sua coragem e audácia estavam naquele momento?

- Isso, muito bom. – MinHo continuou com suas ordens. – Agora feche os olhos... – Foi obedecido. – Pense em meus beijos, nas sensações que eles te trazem.

Imediatamente todas as lembranças com o mais velho, quando ele o prensava nos corredores do colégio, na rua escura onde sentiu pela primeira vez os beijos do mais velho, no restaurante onde ambos se renderam, o beijo sabor licor de cereja...

Seu corpo reagiu a cada uma delas, parecia que MinHo o beijava naquele instante, sua pele estava quente, suas mãos começavam a vagar pelo seu corpo, buscando sentir as mesmas sensações que só o mais velho proporcionava.

- Está se lembrando. – Recebeu um gemido como resposta. – Isso, se acaricie mais...

Como uma marionete obedeceu, com a ponta dos dedos acariciava seus mamilos, em movimentos circulares, não sendo suficiente levou dois dedos até sua boca, os lambendo, dessa vez abrindo seus olhos e se deparando com MinHo na ponta da cama, observando cada ação sua.

Deixo-os bem molhados, os chupando como se fossem um doce, para depois tocar um de seus mamilos, gemendo baixinho só para MinHo ouvir.

Que estava cada vez mais excitado, tirou sua camisa devido ao calor que sentia, não do tempo, pois estava fechado, mas sim do seu próprio corpo. Riu, ao ver que era o menor agora que o devorava com os olhos, tirou de um dos bolsos de sua calça um sachê de lubrificante, tinha tudo aquilo em mente há um bom tempo.

- Você sabe o que fazer... – Disse simples.

TaeMin aceitou o “presentinho” abrindo a embalagem com os dentes, para depois distribuir todo conteúdo por seu membro já ereto, doía de tão excitado que estava.

- Um pouco mais para baixo... – O mestre mandou.

Cerrando seus olhos com força, levou um dos dedos até sua entrada, distribuindo o restante do produto ali, seu corpo recebeu uma descarga elétrica de prazer ao ter o lugar nunca antes tocado de certa forma violado, apenas passou o lubrificante enquanto MinHo parecia hipnotizado com o que via.

- Posso me tocar, mestre? – TaeMin sussurrou.

- Já deveria ter começado... Quero ouvir sua voz.

Relaxou mais no colchão, abrindo um pouco mais suas pernas, segurando com força seu membro, o gel frio só o excitava mais. Começou a masturbar-se de maneira lenta, seus olhos fixos aos do mais velho que também se acariciava, mas por cima da calça.

- Me mostre o que você tem ai. – O menor provocou.

MinHo atendeu ao pedido, desabotoando sua calça rapidamente, não estava usando mais nada por baixo.

Assim, ambos passaram a se acariciar, um olhando e provocando o outro, o mais velho sabia que ele iria chegar ao seu ápice a qualquer momento, estava no seu limite, e ter TaeMin o encarando daquela forma, com um ar quase demoníaco era tentador demais, se controlava para não dominar ele naquele momento.

- Ah... Hyung... – Gemia baixinho, mas descaradamente. – Está tão quente, eu.. Ah, eu...

Seus movimentos passaram a adquirir um ritmo maior depois das súplicas do garoto de cabelos longos, que se encontravam suados colados a sua testa.

O sorriso de satisfação de MinHo era enorme, via como o outro maltratava seu próprio membro, indo cada vez mais rápido, apertando a glande com seu polegar.

- MinHo... Ah... – Gemeu em um tom mais alto antes de se desfazer em suas mãos.

Com TaeMin ali, esparramado sobre a cama, tentando controlar sua respiração, foi seu limite, gozou logo em seguida.

Sorriu satisfeito.

Enquanto o outro não admitisse que o amava, iria enlouquece-lo.

x-x-x

Olhava as poucas pessoas que caminhavam no parque, a previsão do tempo para aquele sábado era de chuva, o que fazia a maioria das pessoas se recolherem em suas casas.

Então o que ele fazia sentado naquele velho banco?

Esperava alguém, no fundo desejando que a pessoa não viesse, queria adiar aquilo ao máximo.

Mas o tempo se esgotava, pouco a pouco.

Durante a semana, Jong o buscou normalmente, fez as mesmas brincadeiras idiotas, mas passava boa parte do intervalo conversando com a ex. A garota estava realmente dedica a ter o namorado de volta.

E ele? Não podia fazer nada sobre aquilo.

Na quinta ouviu pelos próprios lábios do mais velho, que eles tinham saído, um cinema de “amigos”, mas que Shin se mostrava atenciosa como nunca foi antes.

Otário, sendo enganado tão facilmente...

E o mais engraçado era que Jong não aparentava estar tão feliz como imaginava, claro que ele falava surpreso das últimas atitudes da garota, mas parecia ser só isso.

Era o mesmo sentimento vazio que Jong sentia, e insistia em chamar de amor.

- Te fiz esperar muito? – Finalmente chegou se sentando ao lado do mais novo.

- Não, eu cheguei agora pouco. – Mentiu.

Jong fitou a face um pouco abatida do mais novo, estaria doente?

- Tudo bem com você? – Preocupou-se.

- Sim, eu só dormi pouco essa noite. – O que não era mentira.

O mais velho assentiu. Por que o clima estava tão pesado entre eles?

- Acho que tudo termina hoje. – Disse por fim.

Key sorriu internamente, era óbvio que o assunto era a quebra do acordo entre eles. Vendo que não obteria respostas, Jong prosseguiu.

- Vou levar a Shin para jantar hoje, ela disse que tem algo importante para me dizer. – Pausa. – O nosso último ataque deu certo, ela se rendeu.

- Meus parabéns. – Disse seco.

- Só isso?

- Você queria que eu dissesse o que? – Indagou fitando o rosto do mais velho. – Eu aceitei a proposta porque queria provocar ela... E continuei nesse jogo para ajudar você. Então, meus parabéns, você conseguiu o que queria.

Era impressão sua ou havia um toque de ciúmes das palavras de Key? Não era impossível, afinal eles passaram por tantas coisas juntos, eram amigos.

Apenas isso.

- Eu ainda me lembro de quando tudo isso começo. – Riu em nostalgia.

- Eu também Jong, eu também...

- Se arrepende?

- “Em partes com cada célula do meu corpo”. – Pensou. – Não, foi divertido irritar a Miss Kyung, e também fazer novos amigos.

O que era verdade, Onew se mostrou um grande amigo e MinHo apesar de doidinho, tinha um bom coração.

- Não quero perder a sua amizade. – Jong desabafou.

- Você não vai.

Os dois se encararam. A sensação de palavras, sentimentos presos na garganta, sufocava a ambos.

Iriam morrer assim, pois elas nunca sairiam.

- Posso te perguntar algo que sempre tive curiosidade? – Jong disse de repente.

- Se eu puder responder...

- Seus pais, não ligam de você ser gay?

- Não. – Riu, já adquirindo uma cor em suas bochechas pálidas. – Desde pequeno ficou claro para eles como eu sou. Afinal, não é normal um garoto de seis anos roubar as maquiagens da mãe.

Jong riu, como há muito tempo não ria.

Key era tão... Key.

- E você nunca teve dúvidas em relação a isso? – Sim, estava mesmo curioso.

- Não, eu sempre reparei nos garotos. – Pausou. – Está confuso? Meus beijos são tão viciantes assim? – Provocou.

- Não! – Riu. – Eu que beijo maravilhosamente bem, então qualquer pessoa que compartilha um beijo comigo se torna um mestre no assunto.

- Tão convencido. – Fez uma careta.

- É que... Antes eu morria de nojo só de me imaginar com outro cara. – Desabafou. – Mas sei lá, convivendo com você, e até mesmo com o tarado do MinHo já não enxergo mais as coisas desse jeito, entende?

- Quer vir para o meu lado da força, Jongie? – Disse meigo.

- Key! Para de brincar com a minha sexualidade. – Riu. – Só estou dizendo que beijar outro cara não é a pior coisa do mundo.

O mais novo congelou. JongHyun o todo poderoso hetero dizendo aquilo? Se não estivesse tão triste por dentro, faria muitas, muitas piadinhas.

- É bom, assuma. – Tá, só uma.

- É mais, mais intenso sabe? Venho pensando nisso ultimamente... – Corou sem perceber. – Não preciso ter limites... Aish, acho que confundi tudo!

- Não, eu entendi o que você quer dizer. Nenhum gay, por mais afeminado que seja é tão delicado quanto uma mulher.

Era incrível como os dois conseguiam se entender, Key sentia pouco a pouco com as brincadeiras de Jong o clima pesado se dissipar.

Mesmo que as nuvens carregadas de chuva mostrassem o contrário.

Uma tempestade chegaria em breve.

- Então... Depois do jantar eu te ligo, para contar como foi. – Jong levantou-se.

- Eu ficarei esperando sua ligação. – Acompanhou o mais velho.

- Confesso que não esperava ela vir me procurar e dizer tudo que ela anda dizendo nessa semana...

- Eu imagino o que ela anda te dizendo. – Murmurou.

Se encararam por alguns segundos.

O coração do mais novo bateu violentamente com o próximo passo de Jong, que o envolveu em um abraço apertado.

Um abraço... Como no primeiro dia.

O dia em que ele aceitou ser namorado de JongHyun.

Com o mesmo perfume o entorpecendo novamente.

- Obrigado. – Sussurrou o mais velho contra sua bochecha.

Acima deles, o céu começou a chorar.

Notas finais
Prévia: "Quando estava prestes a fechar as cortinas, viu um carro parando em frente a sua casa.
Seu coração voltou a ganhar ritmo.
Era o carro de Jong."