Proposal

20 Because I’m Stupid.


Notas iniciais
Oi gente, sei lá o que me deu pra não postar a fic antes. o_o'
Enfim, obrigada pelo apoio e os leitores novos são mais do que bem-vindos. ♥
Boa leitura e me desculpem pelos erros.

Estava cansado de esperar...

Claro, ele era um pirralho muito idiota ao se achar digno da companhia do outro, mais velho, bonito, popular, ou seja, o homem perfeito...

Já não achava mais confuso ou estranho pensar assim de outro homem, afinal não era um desconhecido, era o seu guardião.

“- É possível apaixonar-se pelo próprio anjo da guarda?” – Perguntou para si mesmo baixinho, encontrava-se encolhido segurando algumas lágrimas que insistiam em cair.

Era uma criança que não sabia nada sobre o amor. Apenas que doía ficar longe do maior.

“- JunSu, me trocou por amigos da sua idade? Sou muito criança pra você brincar comigo como antes? – Murmurou. – “Nos divertíamos tanto, mas quase não vem me ver...” – Tentava, com todas as suas forças entender o afastamento daquele que mais admirava. – “Bummie tinha razão, é inútil sonhar acordado por você...”

“- Falando sozinho, TaeMin?” – Um jovem de dezessete anos entrava no quarto do menor que chorava, na inocência dos seus treze anos de idade, não sabia lidar com o que sentia.

Vendo que o menor não respondia, se aproximou, notando as pequenas lágrimas no rosto perfeito do seu melhor amigo, porque mesmo com a diferença de idade, TaeMin era precioso demais, até mais do que deveria.

“- Hey, por que está chorando?” – Preocupou-se. – “Alguém no seu colégio fez alguma coisa contra você? Porque eu juro, se algo lhe acontecer, mato o infeliz que provocou isso.”

“- Não...” – Disse fraco. – “Eu, eu, só estou sentindo sua falta.” – Confessou por fim.

O coração do mais velho se apertou de uma forma que o sufocava, desde que se descobrira apaixonado pelo pequeno tentava de toda forma evita-lo, não era certo... Céus, era tão errado. Mas vendo aquela criaturinha ali, tão frágil, tão indefesa, não resistiu...

Segurou o queixo delicado, fazendo TaeMin o encarrar com os olhos chorosos, selando seus lábios timidamente em seguida.

“- Por favor, não chore mais... Não por mim.” – Suspirou. – “Eu estou aqui agora, e por favor me prometa que não irá mais chorar, eu vou estar do seu lado para sempre.”

E TaeMin assentiu, selando a promessa entre eles.

Que foi quebrada um ano depois.

Quando JunSu se foi.

Junto com toda sua inocência sobre o amor.

Não iria se apaixonar novamente.

As lembranças de anos atrás queimavam em sua mente, é como se sua vida passasse em um milésimo de segundo bem diante dos seus olhos, e o filme travasse bem em uma cena.

A cena da tragédia.

Eram tantas perguntas, todas elas sem respostas. Queria perguntar agora que a oportunidade que tanto ansiava finalmente chegou, mas já estava tão anestesiado que não falava nada, simplesmente ouvia JunSu contar como foram os dois anos que passaram longe um do outro, e admirava ele não ter mudado quase nada fisicamente, um pouco mais forte, afinal já não era mais um adolescente, estava mais maduro também, até mesmo o sorriso estava diferente, menos acolhedor, talvez...

Realmente não raciocinava direito enquanto o mais velho jurava o amar, jurava que tudo não passou de uma grande confusão, TaeMin queria rir, confusão era o que sua vida se tornou, ainda mais depois de passar uns bons meses brincando de gato e rato com o Pedo Hyung.

- MinHo! – Gritou de repente. Claro, ao ver JunSu parado bem no meio da sua sala acabou se esquecendo do tarado que assumindo ou não, era o grande responsável por grandes mudanças nos seus sentimentos.

Sentimentos... Era capaz de senti-los mais uma vez?

- MinHo? Quem é MinHo? – JunSu perguntou não entendendo a reação do mais novo.

- Ele, ele... Ele viu tudo! – Disse com certa agonia em sua voz.

- Viu o que? TaeMin, seja mais claro.

- Ele viu nós dois nos beijando. Ou melhor, você me beijando. – Concluiu óbvio.

- Você está namorando? – Junsu começava a se preocupar.

- Não! Ele é um louco tarado... E meu amigo. – Colocou uma mão sobre a testa tentando pensar. MinHo iria enlouquecer com aquilo, e era tudo sua culpa.

- Você mudou tanto. – Junsu trocou de assunto de repente, levando uma de suas mãos ao rosto do menor, em uma tentativa de se aproximar. – Deixou o cabelo crescer... Suas feições estão mais maduras. — Suspirou. – Ficou ainda mais lindo...

- É, mas não mudei apenas fisicamente. – Se afastou dos toques que recebia. – Não sou mais um garotinho ingênuo vivendo seu primeiro amor. – Riu forçado. – Eu cresci, eu superei Junsu... E se não fosse você aparecer hoje na minha frente, você só seria mais uma lembrança ruim.

- Quantas vezes terei que repetir que tentei me comunicar com você durante os dois anos que ficamos separados? – Suplicou. – Não fui embora porque quis! Eu fui obrigado a deixar você! – Disse por fim.

- Obrigado? Não diga bobagens, eu sei que viu na transferência do seu pai um bom motivo pra me deixar, afinal, você dizia que me amava mas estava namorando uma garota da sua sala. – Terminou sua sentença em um fio de voz.

- Meu pai não foi transferido do cargo dele no exército ao acaso, ele pediu tal transferência, porque descobriu sobre nós dois. – Pausou. – Ele viu a gente se beijando no meu quarto, e só Deus sabe o que tive que passar depois que você foi embora, bom, talvez você saiba.

- O olho roxo, sua boca cortada... – Desesperou-se. – Não foi uma briga no colégio, Junsu? – Viu o mais velho acenar negativamente com a cabeça. – Seu pai...

- Ele é um militar, esperava uma reação melhor? – Riu. – Na época ele conversou com seus pais TaeMin, acho que é outro fato omitido de você.

- Mas, mas minha mãe sabia sobre nós dois... Não entendo.

- Meu pai deve ter colocado milhões de coisas na cabeça dos seus pais, soube que sua mãe não demonstrou ficar muito surpresa quando meu pai contou, mas o seu pai, ele sim pareceu ficar bem surpreso.

- Ele vivia convidando os amigos dele que tinham filhas da minha idade para jantar aqui... – Analisou. – Era por isso! Eu tinha que aguentar jantares insuportáveis.

- A transferência do meu pai saiu como ele planejava, foi de um dia para o outro, ele simplesmente chegou em casa e disse que iríamos nos mudar. Tentei te procurar, mas ele não me deixou sair... No dia seguinte nós partimos.

E as peças se encaixavam.

Uma por uma.

- Encontrei uma garota da sua sala para perguntar sobre você no dia em que partiu, e ela me disse que vocês tinham terminado o namoro, mas que namoro se você e eu estávamos juntos? Surtei na época. – Lembrou.

- Garota muito bem paga pelo meu pai para mentir, fiquei sabendo disso um mês depois, após umas três cartas não respondidas. – Olhou TaeMin diretamente. – Por um ano eu mandei milhares de cartas para você, todas sem resposta.

TaeMin se encolheu no sofá, não tinha coragem ou até mesmo vontade de olhar para Junsu, o café que havia sido servido para os dois já esfriava em cima da mesinha da sala, a xícara branca com detalhes dourados parecia bem mais interessante no momento, não queria acreditar que o destino poderia pregar peças como aquelas.

Nenhuma carta, nenhuma notícia sobre o mais velho, nada... Apenas o vazio em seu peito e uma chuva de mentiras que lavaram sua alma.

Não era culpa dele...

Junsu era inocente.

- Eu acho que sei onde estão as cartas. – Sussurrou.

x-x-x

Então era assim?

Iria embora assim que o ano letivo acabasse.

E faltava muito pouco.

A conversa com sua mãe ainda ecoava em sua mente. Eles iriam deixar a Coreia? Ele iria deixar seu colégio, seus amigos, sua vida... E Jong para trás?

Jong...

- O destino está dizendo para esquece-lo – Murmurou, afundando a cabeça no travesseiro.

Mudar de país chegava a ser tentador, ainda mais para a cidade de seus sonhos, sempre quis se formar e se mudar para New York ou Paris, e sua chance de ouro finalmente chegou.

Levaria de bagagem a coragem e a vontade de sorrir de novo, ele era Kim Kibum, não poderia ficar chorando para sempre. Iria se reerguer, nem que para isso precisasse ficar longe dos seus amigos.

Pelo menos ficaria longe dele.

Enxugou algumas lágrimas que se formaram sem ele perceber, levantando-se disposto a parar de remoer um amor não correspondido, e principalmente, disposto a dar uma lição em certa pessoa.

- SeKyung que me aguarde. – Riu abandonando o aposento.

x-x-x

Na segunda-feira JongHyun acordou disposto a conversar com Key, dessa vez sem brigas e de preferência sem lágrimas. Não poderia admitir a si mesmo que outro chorasse mais uma vez por sua causa.

Só faltava encontrar seus dois amigos, que andavam muito distantes por sinal. Onew escondia alguma coisa, e ele tinha certeza que não demoraria muito tempo para bomba explodir, era como se todos os segredos estivessem confraternizando e escolhendo o melhor momento para serem revelados, e não só os do amigo viciado em frango.

Mas de todos que acabaram se envolvendo após a “proposta”.

- Parece uma maldição. – Riu do próprio pensamento absurdo.

- Anda frequentando terreiros de macumba ou casas de bruxaria? – Por falar em diabo...

- Bom dia para você também, JinKi. – Acenou azedo. – Bruxaria? Não sou eu que chora vendo Harry Potter.

- Eu, eu não tive culpa, foi um cisco que entrou no meu olho e... – Não era muito bom em inventar desculpas triviais.

- Cisco? Só se for um do tamanho de uma dessas coxas de frango frito que você tanto come. – Alfinetou.

- Não coloque o alimento sagrado em meio a uma conversa sem sentido. – Sorriu. – Bom dia para você também, chegou cedo... Não foi buscar a Shin?

- Não, ela mandou uma mensagem avisando que iria a mais uma consulta e faltaria na aula hoje – Suspirou.

Onew observou o amigo, parecia cansado apesar das piadinhas matinais e do bom humor, olhou ao redor e viu que poucos alunos estavam no pátio e era impossível ouvir a conversa dos dois, oportunidade perfeita para perguntar algo que estava incomodando.

- Jjong... – Sentou-se ao lado do amigo em um dos bancos do pátio central.

- Sim? – O outro indagou confuso.

- O que a Shin tem realmente? – Era um assunto delicado, afinal poderia estar errado no seu julgamento.

- Aish, sinceramente nem eu sei. – Olhou seriamente para o amigo. – Ela não me disse ao certo, mas ela fica fraca, desmaia e anda indo muito ao médico, imagino que possa ser algo grave.

- E se não for? – Onew disparou.

- Como assim?

- Jjong, eu sei que você gosta dela, eu sei o quanto ela pode ser imaculada para você, mas pense bem... – Pausou, analisando as palavras que usaria. – Ela diz se sentir fraca, tem essas consultas semanalmente, mas nunca te deixa ir junto e sempre passa mal nos momentos mais oportunos para ela... Também não te diz exatamente o que tem. – Suspirou. – Me desculpe se estou sendo...

- Não, você tem razão. – Jjong o interrompeu.

- Er, tenho? – Ficou surpreso com a reação do amigo, porque Jong era totalmente cego, surdo e mudo quando o assunto era Shin SeKyung.

- Sim, tem. – Abaixou a cabeça. – Sei lá, tem algo errado nessa estória toda...

- Então você concorda que ela pode...

- Estar mentindo. – JongHyun completou.

O mais velho iria dizer mais alguma coisa, quando ao longe viu Jino passar, entrando no prédio principal sem olhar na direção deles. Será que ele estava chateado? Mas eles não tinham brigado nem nada do tipo, pelo contrário, passaram o final de semana trocando mensagens amorosas pelo celular.

- Pensa bem nisso Jjong. – Onew alertou. – Er, eu preciso resolver algo...

E se foi querendo falar com Jino.

O mais novo guardava alguns livros em seu armário, os organizando de acordo com a ordem de uso, claro que no topo ficava seu livro de álgebra, apesar de ir bem em todas as matérias, o que resultou no título de “nerd” da sala, sentia certa dificuldade na matéria, precisava ler duas vezes para entender os exercícios, ao contrário do restante das disciplinas, onde lia apenas uma vez.

- Pelo menos só tenho aula de álgebra na quinta. – Suspirou, não notando aproximação de alguém, que o puxou com tudo pelo braço, o arrastando até a sala mais próxima.

E totalmente vazia.

- Vejo que não sentiu minha falta. – Sussurrou contra o pescoço de Jino, enquanto o prensava na mesa do professor.

- Onew! – Praticamente gritou devido ao susto. – Ficou louco? Podem nos pegar aqui.

- Não tem aula nessa sala no primeiro horário, já verifiquei. – Riu distribuindo pequenos beijos estalados na bochecha do amante. – É cedo ainda, poucos alunos chegaram... E eu vi você passando reto pelo pátio, não me viu?

- Não! – Tentou se livrar, em vão. – Minha mochila estava um peso, precisava guardar alguns livros.

- Hm, sei. – Disse não muito certo.

- Estou falando a verdade! – Jino indignou-se.

- Então sentiu minha falta? – Murmurou encostando seus lábios na boca do menor, prendendo o lábio inferior entre seus dentes, em uma mordida fraca, soltando logo em seguida.

- Ai, isso doeu. – Jino fez um pequeno bico. – É claro que senti sua falta, sinto todo tempo. – Respondeu finalmente, se aninhando mais nos braços de quem tanto amava.

Onew contente com a resposta, tomou os lábios do menor para si, em um beijo urgente, não dando espaço para Jino sequer respirar, mas ele não reclamava, pelo contrário, beijava o amante com a mesma vontade.

As trocas de carinhos por mais intensas que fossem não eram frequentes como os dois gostariam, então qualquer oportunidade era aproveitada. Jino deixava-se levar, sentia a língua quente e dominante tirar seus sentidos, e as mãos firmes do mais velho o prendendo contra a mesa, o beijo já mais calmo e muito mais quente envolvia os corpos como uma dança. Quase parando o beijo Jino roçava seus lábios nos lábios do outro, provocando e fazendo Onew aprofundar o contato logo depois.

Suas pernas bambas já não o sustentava, foi colocado sobre a mesa como uma forma de apoio, agora entre suas pernas, Onew tentava se controlar para não marcar aquela pele branquinha ali mesmo, se concentrando apenas na boca do mais novo, ora sendo mais enérgico com mordidas, ora lento distribuindo selinhos. Quando não resistiu mais e iria partir para o pescoço do menor, a porta foi aberta por quem ele menos desejava ver naquele instante.

- Oh, me desculpe atrapalhar vocês. – O visitante disse sem graça. – Sabia que a sala estaria desocupada e vim estudar aqui...

- Hyung... – Jino disse assustado, saindo de cima da mesa e arrumando suas roupas amassadas.

- É, mas ela está bem ocupada. – Onew respondeu não contendo a raiva em sua voz.

- Aish, Jino... Achava que você tinha bom gosto. – Riu. – Mas vejo que me enganei, até.

- Não Hyung, é tudo um mal entendido. – Não deu tempo de ser ouvido.

JunHyung já tinha abandonado o aposento.

- Um mal entendido? – Onew o encarava sério. – Desde quando você deve satisfações aquele infeliz, ein Jino?

- Ele... Ele... – Não sabia como explicar que ele e JunHyung estavam se tornando amigos.

- Ele o que? Não me diga que agora é amiguinho dele? – Vendo que Jino não o respondia, exaltou-se ainda mais. – Eu já falei pra você não dar confiança pra ele! – Tentou não gritar. – Sabe... As vezes parece que você faz isso só pra me desafiar.

- Não! Não é isso, você sabe que jamais iria fazer tal capricho. – Sentia vontade de chorar só de discutir com o mais velho.

- Sério? Pois não parece... — Suspirou. – O clima acabou, vou assistir a minha aula.

E sumiu da vista do menor pela mesma porta que JunHyung.

Deixando Jino imerso nas próprias lágrimas.

O que tinha acontecido ali?

x-x-x

JongHyun batia o lápis constantemente contra a carteira, se não fosse pelo nervosismo, aquilo poderia ser classificado como transtorno obsessivo compulsivo, mas ela apenas uma forma de aliviar a tensão que o dominava, e o fato de nenhum dos seus amigos terem assistido a primeira aula o deixava ainda mais curioso.

É, ele não tinha jeito mesmo.

- Ah, finalmente. – Disse assim que Onew entrou na sala jogando sua bolsa contra a mesa. – Woa, alguém aqui parece estressado.

- Não piore a situação Kim JongHyun, não piore...

- Ih, já vi que uma fera te mordeu... – Pausou. – E pelo jeito não foi só você.

- Por que? – Acabou ficando curioso também, esquecendo um pouco o acontecido com Jino.

- MinHo não apareceu até agora... E conhecendo a figura como conheço é estranho ele não ter mandando nenhuma mensagem avisando do motivo da falta, afinal hoje temos aula no campo. – Analisou.

- Será que aconteceu alguma coisa?

- Do jeito que os ânimos andam... Espero que não. – JongHyun concluiu, ficando em silêncio assim que outro professor entrou.

x-x-x

Sua cabeça doía.

Seu corpo doía mil vezes mais.

Era como se pequenas agulhas perfurassem cada célula do seu ser, e a claridade do quarto irritava seus olhos que tentavam se acostumar com a luz do sol.

Maldita ressaca.

- Aigoo, quem abriu as janelas? – Perguntou sabendo que não obteria resposta.

- Hora de acordar, docinho. – Uma voz o respondeu.

Uma voz que ele não esperava ouvir.

Uma voz estranhamente familiar.

Forçando seus olhos contra a claridade, foi relaxando suas pálpebras aos poucos, ao mesmo tempo que uma imagem desfocada se formava na sua frente.

E ela usava uma delicada camisola de renda.

Como um filme, tudo que aconteceu nas últimas 24hrs passou pela sua mente.

TaeMin, o estranho no apartamento, o beijo, a incapacidade, a revolta, a fuga, o aperto no coração... O bar, uma dose, outra dose, e mais outra, seguidas doses de amargura.

Um sorriso amigável e totalmente venenoso.

Céus, como tinha sido tão idiota?

- Não, não, não, não. – Negava a si mesmo o que tinha acontecido, apesar de não se lembrar de mais nada, a situação mostrava detalhadamente o que tinha ocorrido ali.

Um quarto de motel.

Os lençóis bagunçados.

O arrependimento.

E Shin SeKyung sorrindo ironicamente.

Vestindo apenas uma camisola.

- Como, como você foi capaz? – Gritou se levantando da cama e esquecendo o fato de estar nu.

- Primeiro. – Riu apontando para o corpo exposto do rapaz. – Se recomponha.

MinHo rapidamente se enrolou nos lençóis tapando sua nudez.

- Segundo. – Prosseguiu. – Não grite comigo.

- Eu deveria matar você! – Ignorou o segundo item.

- Terceiro. – Ditou vitoriosa. – É aquele velho ditado... Quando um não quer... Dois não transam.

- Quarto. – MinHo declarou mudando completamente sua expressão. – Precisamos conversar.

- Será um prazer. – SeKyung sorriu falsamente.

Prazer que ela repetiria até o fim de seus dias.

Finalmente conseguiu o que tanto queria.

x-x-x

Discava pela quarta vez o número de seu motorista.

Ele tinha que atrasar justo para busca-lo no colégio?

Não suportava os olhares tortos que recebia, afinal sua separação foi um escândalo, e infelizmente as fofocas entre os alunos corriam frescas como se o término do namoro tivesse sido ontem.

- Ridículos. – Murmurou.

Odiava ter que esperar na frente da enorme construção onde estudava, era como uma tortura.

- O que será que... – Parou assim que se lembrou do motivo da demora.

O carro que sua mãe usava estava na revisão, e justo hoje ela iria vistoriar outro projeto e precisaria do motorista, e como antes ele sempre voltava com Jong, era óbvio que sua mãe havia se esquecido que agora ele não tinha mais as caronas de Jjong ao seu dispor.

- Merda. – Praguejou não se importando se tinha falado alto, ou não.

Pelo menos até JongHyun surgir na sua frente com aquele sorriso idiota.

Com o maldito sorriso idiota.

- Sabia que é feio ficar praguejando no meio da rua?

- Sabia que é feio se intrometer na vida dos outros? – Key retrucou ácido.

- Só estava tentando ajudar, vai que pensam que você é um trombadinha? Um marginal que fica praguejando na rua?

- Menos Jjong, bem menos. – Sorriu azedo. – E se não percebeu está me atrapalhando.

- Vem, eu te levo. – Disse puxando Key pelo braço enquanto as poucas almas que restavam no colégio os observavam.

- Não, ficou louco? – Tentava a todo custo se livrar do aperto do mais velho.

- Prometo que não irei fazer nada, só te levar. – Disse sincero. – Vamos, antes que eu mude de ideia.

- Ah, engraçadinho como se fosse grande coisa andar de carro com você. – Alfinetou entrando no carro a contra gosto, pois JongHyun ainda o empurrava.

E como o mais velho prometeu, não disse mais nada durante todo o trajeto até sua casa, de vez em quando olhava disfarçadamente os traços que tanto lutava para esquecer.

Fora isso, é como se o veículo estivesse vazio.

Quando chegaram após longos minutos torturantes de silêncio, Key saiu do carro murmurando um “obrigado” com pouca vontade, mas ele não esperava que Jong também saísse.

E o alcançasse.

- Hey, espera. – Acabou pedindo.

- Não era só me trazer até em casa? – Virou-se para o mais velho antes de entrar. – Achei que cumprisse com o prometido.

- Nesse caso vale quebrar qualquer promessa. – Aproximou-se perigosamente de Key.

Poderia até mesmo ver a surpresa nos olhos do menor, como eles se tornaram expressivos para logo depois se fecharem, como uma armadura.

- Não há nada a ser dito. – Kibum disse severo.

- É aqui que você se engana. – JongHyun voltou a puxá-lo pelo braço, quase colando seus corpos. – Nós temos tanto que conversar.

- Não, eu, eu... – Mal conseguia manter uma linha de raciocínio tão perto daquele que o afetava.

- Me desculpe. – Interrompeu, sendo o mais sincero que podia.

- Desculpar? – Key riu fraco. – Por quê?

- Porque eu sou estúpido.

E JongHyun fez aquilo que Key menos esperava.

Selou seus lábios em um simples toque.

E o soltou.

Partindo sem dizer mais nada.

Notas finais
Prévia: "MinHo olhou atônito para o gesto.
Não, era só o que faltava.
- Eu não usei camisinha? - Gritou."