Prongs

18 Sobre a prova de que eu sou o único idiota que ela quer


Notas iniciais
Mais um pra vocês, seus lindos! Boa leitura e aproveitem :D

– Lembre-se, Peter, mantenha a calma.

– Seja confiante.

– Não fale só sobre você.

– Pergunte as coisas que ela gosta.

– E não se descontrole.

– É só uma garota.

– Uma garota bonitinha.

– Seja você mesmo, Peter.

– Não escute o Remus. Não seja você.

– Seja tudo menos você.

– E lembre-se... se você começar a sentir um formigamento...

– Pode ser ereção ou vai se transformar em um rato.

– É mais provável a primeira opção.

– Então fique calmo, porque é bem normal.

– Cuidado para não se transformar em um rato, por Merlin.

– Gente, vocês estão assustando ele.

– Moony, fica quieto.

– Você está ótimo, Peter. Vai dar tudo certo, é só você seguir nossas instruções para o encontro ser fenomenal.

Nós três olhamos para o reflexo do espelho em nosso dormitório. Peter Pettigrew ajeitou a gravata no colarinho e com um suspiro, passou as mãos no cabelo. Ele estava bem vestido, usando o perfume do Sirius, mas ainda parecia nervoso com a possibilidade de beijar uma garota. Seu cabelo estava penteado para o lado e ele tentava toda hora ajeitar os fios com as mãos que, nós sabíamos, estavam bem suadas.

– É a sua chance – eu disse, colocando a mão em seu ombro. – Não nos decepcione. Dê a sua palavra de maroto!

– Minha palavra de maroto!

Eu saí do dormitório primeiro. Em uma apresentação casual para os presentes da Sala Comunal da Grifinória, chamei atenção de todos.

– Senhoras e senhores, bruxos e bruxas. Vocês que achavam que Peter Pettigrew nunca teria uma namorada... hoje nós pretendemos calar a boca de vocês. Já deu um fora nele? Vai se arrepender ao vê-lo pronto para o seu encontro com Rebecca Shaw da Lufa-Lufa. Com vocês... o sr. PETER PETTIGREW!

Sirius fez um som de trompete com a boca enquanto o pessoal aplaudia a entrada de Peter. Ele desceu as escadas segurando um buquê de rosas. Usava um terno marrom que ficou grande nele porque era meu, mas ele sorriu para o pessoal quando se postou a frente da Sala e deu uma girada do corpo digna de mais aplausos.

As garotas assobiaram.

– Tá um gato, Peter! – falou Dorcas ao lado de Lily no sofá que, ao ouvir a amiga, tampou a risada irônica com a boca.

– Sim, um gato!

Marlene acrescentou:

– Eu até jogaria sete minutos no paraíso com você de novo!

– Ouviu essa, Peter? Está me deixando com ciúmes, cara – disse Sirius orgulhoso.

– Vocês fizeram um ótimo trabalho, marotos – elogiou Alice. – Peter está um charme.

– Obrigado, obrigado – disse Peter. – Eu estou soando como um porco, mas obrigado.

Com um aceno na varinha, Lily transformou a gravata em seu colarinho em uma gravata borboleta que causou mais histeria nas garotas.

– Quando ela perguntar algo sobre você – Lily deu a dica – é só fazer uma expressão pensativa ajustando a gravata. Garotas adoram.

– Assim?

Ele cerrou os olhos, ergueu o queixo e arrumou a gravata. Elas riram admiradas, dando ainda mais confiança a Peter.

– Assim mesmo! Ele está preparado – Lily disse para nós.

– Nosso Peter está preparado – eu e Sirius nos abraçamos, emocionados. Puxamos Moony para o abraço. Peter pulou na gente também.

E Marlene gritou:

– Abraço em grupo!

– Não, só em mim – Sirius agarrou Marlene pela cintura quando ela se aproximou de nós e lascou um beijo nela com força. Marlene correspondeu na maior boa vontade. Tanta boa vontade que ergueu as pernas para enrolarem na cintura dele.

– Ei! Tem crianças do primeiro ano aqui! – exclamou Alice diante dos olhares estupefatos e risinhos das outras garotas da Sala Comunal que assistiam ao beijo.

– Vão para o quarto, vocês são proibidos para menores – pediu Dorcas fechando os olhos ironicamente.

Quando eles finalmente se soltaram, o que pareceu ter durado horas, Sirius sugeriu:

– Vamos agir como namorados só hoje.

– Tudo bem por mim. Sem outras garotas?

– Sem outros garotos?

– Consigo me controlar. Você consegue se controlar?

– Consigo. Mãos dadas?

– Mãos dadas.

– Beijinho a qualquer hora?

– Pode ser. Apelidos?

– Autêntico – elogiou admirada. – James e Lily?

James e Lily é perfeito.

– Ei – eu interferi sem deixar de escutar a conversa deles. – Que história é essa de James e Lily?

Marlene abraçou Sirius e disse toda fofa:

– Nós vamos ser vocês dois por vinte e quatro horas.

Lily cruzou o braço.

– E como é que isso funciona? Só por curiosidade.

– Assim – Sirius pigarreou e disse a Marlene de um modo obcecado. – Sai comigo, McKinnon?

Marlene empurrou Sirius.

– Não, Black, não sabe que eu te odeio?

Sirius voltou a abraçá-la.

– Na verdade, você me ama. Sou gostoso, o melhor jogador de Quadribol e sei uns truques irados com azaração. Vai, McKinnon, sai comigo. Faço qualquer coisa por você.

– Pensando bem... eu realmente te amo então eu saio com você. – Muito teatralmente, os dois se aproximaram. Sirius deu um beijinho na ponta do nariz dela.

Lily estava rindo com as garotas e Remus, mas limpou a garganta quando viu minha expressão indignada.

– Você sempre faz isso mesmo – disse com os ombros levantados. – Quero dizer, a parte de me dar um beijinho bem aqui é tão você.

– É fofo – disse Marlene sorrindo. – O que há de errado em agirmos James e Lily? Vocês são tipo o casal que todos querem ser.

– E tem até fãs. Aquelas gêmeas do quinto ano vivem fofocando sobre vocês. Qual foi a manchete da última edição da revista delas? – Sirius coçou o queixo, pensativo.

Frank lembrou:

– Monitores do Amor!

– Legenda – Alice acrescentou. – Chefiando o coração. Foi um texto bem bonito.

– Hum! – eu fiz e abracei Lily olhando para eles. – Podem caçoar a vontade, vocês seriam tão idiotas como eu se tivessem uma namorada como ela.

– Beijinho, beijinho, beijinho – pediram com expectativas.

Ao pedido dos nossos amigos eu inclinei o rosto em direção ao dela. Lily sorriu antecipadamente, mas antes que eu pudesse dar um beijinho na ponta do nariz dela, eu na verdade beijei a capa do livro de Poções que ela estava segurando.

Ouvi mais risadas.

– Não é pra me beijar para o entretenimento deles, cabeção – brincou ao colocar o livro entre nossos lábios.

– Sete horas! – anunciou Sirius. – Peter... prepare-se para o grande encontro. Boa sorte, cara.

Ele respirou profundamente.

– Vai dar tudo certo – encorajou Lily. – Não se esqueça da jogada com a gravata.

Ele olhou para todos nós e, como se tivesse sido designado a uma missão militar, nos deu um tchau confiante.

Quando Peter foi embora, eu lamentei:

– Ele vai acabar vomitando naquele buquê.

– James – ralhou Lily. – Eu acho que dessa vez ele pode ter conseguido uma namorada.

– Eu espero. Realmente não gosto de vê-lo meio de lado quando vamos juntos a Hogsmeade... Éramos apenas nós quatro. Agora duplicou.

– Você ainda pode sair só com seus amigos, sabia?

– Ah, Evans, não sabe quantas vezes já tentamos desgrudá-lo de você – disse Sirius soando cansado. – E se saímos juntos... ficamos ouvindo o rapaz suspirando por você, dizendo que já sente saudade. Bem patético.

– O mesmo com a gente – disse Marlene. – Juro que se a Lily falar mais uma vez do abdômen dele, vou ter que azará-la.

– Você fala do meu abdômen?

– Ela fala para todo mundo do seu abdômen – provocou Dorcas.

– E dos bíceps – acrescentou Alice.

Não é verdade.

– Lily – Marlene disse meio cansada –, não nos obrigue a dizer que você só foi assistir ao último treino nosso na esperança de que James tirasse a camisa.

– E eu não a desapontei, não é, amor? – falei sorrindo de lado.

Ela ignorou as risadas e se virou para mim com outro assunto.

– Temos que entregar os relatórios sobre os monitores para Dumbledore hoje, não se esqueça.

– Sim, senhorita – eu disse.

Marlene franziu a testa.

– Isso é um código para “vamos dar uns amassos no armário de vassoura”? – perguntou curiosa. Virou-se para Sirius. – Precisamos anotar essa.

– Meu amor, quer entregar os relatórios sobre os monitores para Dumbledore hoje? – perguntou Sirius.

– Com certeza, meu lindinho.

Quando eles saíram de mãos dadas, saltitantes e causando risadas em todo mundo, eu perguntei para Lily:

– Não somos tão patéticos assim, somos?

– Se somos desse jeito, vamos ter que terminar.

– Combinado.

Um tempinho depois, perguntei:

– Você está sendo sarcástica, né? Quando disse que vamos ter que terminar e...

Ela não respondeu, causando-me um pouco de pânico. Olhei desesperado e comecei a segui-la pela sala.

– Não quer realmente terminar comigo, quer? Você só estava brincando. Só pra não haver confusões, era só você sendo sarcástica e engraçadinha, certo? Você não quis dizer...

Só percebi que ela estava me provocando quando observei sua expressão risonha. Fingi que tive um ataque cardíaco, caindo na poltrona. Só fazendo gracinha, para vê-la rir.

E ainda enrolou os braços ao redor do meu pescoço, dizendo bem baixinho, quando sentou em uma das minhas pernas:

– Podemos ser o casal mais patético do mundo, eu não vou terminar com você a não ser que me dê uma ótima razão para isso.

– Justo – eu disse. – Então terei que pedir muito educadamente para que aquela garota do sexto ano pare de ficar dando em cima de mim. E para aquela lufana parar de me seduzir depois dos meus treinos. Vou ter que pedir para a própria McGonagall parar de me lançar uns olhares, sei que ela tem uma queda por mim. Posso dizer que ela é um pouquinho mais velha, tenho certeza de que não irá levar para o lado pessoal. Assim nenhuma outra garota ou mulher ou a Murta-Que-Geme precisará dar motivos a você para ter tanto ciúmes.

– Não tenho ciúmes delas – informou muito tranquila.

– Uma já apalpou a minha bunda.

– Realmente não consegui culpá-la por aquilo.

– E o que significou aquela menina do terceiro ano me mandando uma carta só para falar do meu sorriso?

– Seu sorriso é mesmo incrível.

– E o que foi a menina do primeiro ano perguntando se ela podia passar a mão no meu cabelo?

– Muito fofa! Quem não gostaria de passar a mão no seu cabelo? Você realizou um sonho de uma garota, James, isso foi lindo.

– Lily! – eu disse inconformado. – Um pouco de ciúmes faz bem, sabia?

– Terei ciúmes – ela respondeu beijando fraquinho minha bochecha, perto dos lábios – quando você chamar outra garota para sair.

E levou os lábios dela aos meus, suavemente. Eles ficaram apenas colados, então eu disse contra eles:

– Isso vai ser difícil.

– Então não tenho com o que me preocupar.

Ela ia colocar a língua na minha boca, mas eu interrompi.

– Ok, se você não tem ciúmes, eu tenho. Por que Brian Reymonds quer tanto ser seu parceiro no trabalho do Slughorn?

– Não sei, talvez porque ele queira dar uns amassos em mim.

– Por que você me odeia tanto? – eu disse triste. Odiava ter a cena de outro cara beijando a boca de Lily, mesmo na minha cabeça. Ela segurou meu rosto, rindo. Mas eu não estava rindo, não estava achando engraçado. Isso a fez parar de rir e me encarar seriamente.

– Acho que não me importar com o que Brian Reymonds quer fazer comigo é a maior prova de que não odeio você, James. É a maior prova de que quero só você, na verdade.

– Não acredito.

– Ah, não acredita?

– Não.

Na verdade, eu acreditava sim. Mas era legal fazer uns dramas de vez quando.

– Como é que você quer que eu prove?

Sorri travesso, abandonando minha expressão tristonha em dois tempos.

– Foi ótimo querer saber disso, Evans. Eu já volto.

Eu a ergui do meu colo. Fui até meu dormitório e voltei alguns minutos depois segurando minha camiseta do uniforme de Quadribol com as letras POTTER nas costas e o número 7 brilhando de dourado.

– Como provar a James Potter que você apenas quer ele e mais nenhum outro idiota – eu ditei. – Usar a minha camiseta de Quadribol todas as noites até a final contra a Sonserina. Preciso de toda a sorte que puder reunir... não pretendo perder no meu último ano em Hogwarts.

E eu estava mesmo preocupado. Sabia preparar meu time da melhor forma possível, mas... a Sonserina tinha adquirido um novo apanhador e, pelos jogos que apresentou até o momento, Regulus Black, irmão de Sirius, não tinha paciência para mais de cinco minutos de jogo.

Lily coçou a cabeça, pensativa.

– Se eu usá-la então vou provar que amo você? Tudo bem.

Ela teve que se aproximar de mim para pegar a camisa, porque eu estava estático. Parado. Eu podia sentir meu sangue circulando por todas as partes do meu corpo, e meus olhos foram incapazes de se afastarem da imagem de Lily colocando minha camiseta por cima de sua blusa, despenteando os fios do cabelo ruivo quando sua cabeça passou pelo colarinho.

Ela não notou que disse.

– James, ficou gigante em mim – falou observando o tecido cobrir a metade de sua saia e um pedaço de cada manga engolir suas mãos. Ela tentou enrolar até o antebraço, mas caía de volta, suavemente pela sua pele.

– Ficou perfeita em você – eu sussurrei.

– Todas as noites, então? Até o seu último jogo? – quis confirmar, trazendo as duas mãos até o nariz e sorri levemente quando percebi que ela estava cheirando minha camiseta. – Sem problemas. O uniforme de Potter será meu pijama.

Segurou meu rosto para me dar um selinho antes de se afastar para o sofá e voltar a estudar com Alice a última matéria de Poções, mas as duas estavam mais papeando do que realmente estudando. Lily não pareceu ter a mínima idéia de que ela disse que me amava. Fui estudar com Remus com um sorriso no rosto.

Se ela não sentisse isso... ela não teria falado de forma tão natural. Meu humor melhorou ainda mais nos próximos dias e, agora, noites, porque na Sala Comunal eu podia ter a visão belíssima da minha namorada usando minha camiseta de Quadribol. Nenhuma outra garota ficaria tão bem nela. E como maio era um mês quente, Lily precisou colocar alguns feitiços para tornar o tecido agradável e, pelo visto, não estavam funcionando tão bem, porque na quinta-feira ela decidiu não colocá-lo por cima de nenhuma outra blusa dela. Eu ficava doido com o pensamento da pele dele roçando o tecido. Por isso, na maioria das vezes que nos encontrávamos sozinhos... eu sempre tentava alcançar alguma nova permissão para senti-la e não somente beijá-la com a boca, mas com o corpo.

Peter finalmente conseguiu uma namorada. Rebecca era uma garota que tinha certos problemas com raiva, estressava a qualquer instante, mas de algum modo a presença do Peter a fazia ficar mansa e agradável. Aparentemente ele não conseguia lidar com os nuances do humor da garota, então apenas uma semana depois de seu primeiro encontro com ela, Peter pediu para Sirius ajudá-lo a terminar o namoro.

– Garotas são estranhas mesmo, Pete – ele disse. – Não termine com ela. Quantas vezes você encontra alguém que realmente gosta de você mesmo sabendo de todos os seus defeitos?

Sorriu para Marlene quando ela, Dorcas e Lily passavam por nós. Todas fizeram um aceno, mas não ficaram com a gente. Eu aprendi que, com Lily, se você quisesse tê-la de todas as formas, você precisava dar espaço a ela. Espaço para conversar com as amigas, para estudar, para ler, para prestar atenção nas aulas. Ela era uma garota de princípios.

– Olha quem está ali, James – disse Peter apontando.

Sirius e eu olhamos ao mesmo tempo. Remus abanou a cabeça. Ranhoso estava a alguns metros perto de um arbusto argumentando alguma coisa com Regulus Black.

– Eles estão andando muito juntinhos ultimamente – percebeu Sirius. – Parecem até duas garotinhas fofoqueiras.

– E não estão discutindo sobre tática de Quadribol.

– Com certeza não – murmurou Remus.

Regulus se afastou de Snape e, dando uma olhada ao redor do jardim, acabou nos encontrando. Parou o olhar em Sirius, que imediatamente fingiu estar prestando atenção no livro da mão de Remus. Tive a impressão de que Regulus ia se aproximar de nós, mas ele hesitou e, ignorando algum aviso de Snape, deu as costas para voltar ao castelo.

Snape olhou em nossa direção também. Se ele ousasse tentar alguma coisa... eu tateei minha varinha do bolso. Mas Lily estava no outro lado do jardim com as amigas, então eu não pretendia fazer nada se ele não me desse motivo.

Viu que Lily estava por perto também. Coçou o pulso direito e, girando os calcanhares, foi embora. Só havia frieza entre nós, não azarações.

– Ele conseguiu a Marca Negra – eu percebi. – Viram o jeito que coçou o pulso? Deve estar queimando a pele dele.

Mas Sirius estava pensando em outra coisa.

– Acabe com ele na final, Prongs.

– Regulus?

– É.

Levantou-se, sem avisar, e fez um gesto com a cabeça para Marlene perto do lago. A garota pegou suas coisas e foi até ele. Pelo visto ainda estavam bancando James & Lily, porque Sirius deixou Marlene segurar sua mão enquanto se afastavam juntos.

– Peter, Petinho! – uma voz estridente ecoou pelo jardim. Com certa aflição, Remus e eu observamos Rebecca correr em direção ao pescoço de Peter. – Vamos estudar juntos hoje, meu fofo?

– Er...

Vamos. Você não quer? – fez a expressão que anunciava que ela ia bater no braço dele de raiva.

– Eu tenho que... fazer uma coisa... com meus amigos-

Rebecca olhou furiosamente para mim e para Remus.

– Poxa, veja que horas são – exclamou Remus, olhando para o relógio invisível do pulso. Fechou o livro de Transfiguração, guardou imediatamente na mochila e se levantou em um pulo animado. – Preciso correr para a Sala Comunal trocar as tintas das minhas penas.

– Lily está me chamando – eu disse feliz, jogando a mochila no ombro ao me levantar também, embora Lily nem estivesse olhando para mim naquele momento. – Não pretendemos atrapalhar.

– Caras – exclamou Peter desesperado. – Eu quero ir com-

– Você prefere seus amigos a mim, é isso, Petinho? É isso?

Saímos depressa. Não fomos totalmente legais naquele momento, mas Peter sempre reclamou que nunca teve uma namorada e passamos horas arrumando ele para aquele encontro que deu certo com Rebecca. Agora ele queria terminar tudo? Nem tão fácil assim, Pettigrew! Além disso, eu sabia que Peter nunca reclamava quando a garota acabava se agarrando a ele como se o mundo fosse acabar naquele instante. Quando chegou para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas naquela tarde, estava com uma marca de batom no rosto e o olhar avoado. Ficou agradecendo a gente o tempo todo.

O amor era estranho.

Não parei de pensar em Lily dizendo que me amava. Uma noite antes da final de Quadribol, meu último jogo representando o time da Grifinória como capitão de Quadribol, estávamos na Sala Comunal sentados com nossos pergaminhos na mesa, escrevendo mais um relatório para o diretor Dumbledore sobre o andamento das duplas de monitores.

Em um momento parei de escrever para coçar meus olhos e fazer um bocejo. Debrucei-me em Lily para abraçá-la e encostar a cabeça em seu ombro. Ela ainda escrevia, mas sorriu quando me observou caindo de sono.

– Acho que deveria subir – deu o conselho. – Amanhã será seu último jogo e você deveria se preparar.

– Não quero sair daqui – falei baixinho. – Quero ficar aqui a noite inteira.

– Sério? Não sabia que tinha adorado escrever relatórios.

– Não por causa deles... por sua causa.

– Não precisamos ficar aqui a noite inteira.

Pousou a pena sobre a mesinha. Observou a calmaria da Sala Comunal e, com a varinha, secou a tinta sobre nossos pergaminhos para dobrá-los. Com outro aceno da varinha, os pergaminhos desapareceram.

– Como fez isso? – perguntei curioso.

– Um simples feitiço de nível de N.I.E.M’s para materializar objetos. Dumbledore verá os pergaminhos em sua mesa hoje e nem precisaremos sair daqui.

– Você é fantástica – eu disse admirado. – Sempre que eu faço esse feitiço, a coisa aparece em um lugar totalmente aleatório. Uma vez fui materializar o trabalho que fiz com Sirius para a mesa da McGonagall e acabou aparecendo na lareira da sala dela. Pelo menos foi o que ela disse quando nos mostrou as cinzas dele.

Lily precisou rir baixo para não acordar Sirius e Peter, que tinham praticamente quase desmaiados juntos no sofá. Mordeu os lábios quando nos encaramos. Remus estava na biblioteca porque ela era estranho e queria mesmo passar nos N.I.E.M’s. Dizia que estudava freneticamente para nunca decepcionar a escolha de Dumbledore por ter dado a ele a chance de se formar em Hogwarts com a gente. “Estudar é o mais justo”, dava a explicação.

– Você está quase caindo de sono, James. Eu não quero ser a culpada por você dormir no meio do jogo.

Fiz que não, teimoso.

Alice saiu dos braços de Frank na poltrona para eles se levantarem. A amiga chamou Lily:

– Vou dormir agora, você também já vai subir?

– Vou ficar mais um pouco, Alice. Boa noite.

– Boa noite, gente – disse Frank também se afastando para o dormitório masculino. Mas ele e Alice ainda ficaram se despedindo por mais dez minutos na escada, incapazes de se separarem.

Lily roçou os dedos nas costas da minha mão sobre a mesa, depois entrelaçou nossos dedos e eu disse:

– Seus dedos são pequenos, Lily.

Por alguma razão, sem que minha cabeça controlasse a imagem, eu tentei imaginar como o anel que herdei de meu pai, aquele anel prateado, ficaria em seu dedo.

– Ou os seus que são anormalmente longos – ela disse como se a discussão fosse realmente séria.

Juntei as palmas de nossas mãos apenas para compará-los.

Avancei minha boca na dela, beijando-a suavemente. Nossas línguas se entrelaçaram e Lily acariciou meu cabelo na nuca quando pousei meus lábios quentes na pele de seu pescoço. Senti o aroma dela misturado ao meu, porque ela ainda usava a minha camiseta de Quadribol, para provar que era só a mim que ela queria.

Mesmo que ela não me precisasse provar absolutamente nada.

– Hoje é a sua última noite com minha camiseta – eu informei quando afastamos nossos lábios apenas alguns centímetros.

– Ela é realmente confortável, mesmo no verão – disse animada. – Preciso aproveitar meus últimos momentos com ela.

– E como você pretende fazer isso? – cochichei, tirando uma mecha do cabelo em seu rosto e levando-o para trás de uma de suas orelhas.

– Posso ter algumas ideias...

– É?

Ela mordeu os lábios, fazendo que sim.

– Por que não voltou com Alice para o seu dormitório? – perguntei, embora eu mesmo tivesse minhas suspeitas.

Lily não as escondeu de mim.

– Talvez eu não queira sair daqui também.

– Por causa dos relatórios?

– Não.

– Hum... Bem, precisamos fazer algo quanto a isso – sugeri.

– Certamente.

Ela espiou Sirius e Peter dormindo.

– Moony...

– Biblioteca – falei depressa.

– Hum – ela fez pensativa.

Quando se levantou, meu peito começou a ficar pesado. Ela pegou meus dedos e, juntos, subimos as escadas. Dessa vez, no entanto, ela não se direcionou para o outro lado, para o lado do dormitório feminino. Espiou por cima dos ombros antes de entrar comigo em meu dormitório, fechando a porta atrás de si bem devagar como se qualquer movimento brusco fosse capaz de acordar alguém. E não queríamos ser interrompidos, não naquela noite.

Notas finais
Eu penso em Hogwarts shippando tanto Jily na época quanto eu escrevendo essa fanfic. Mais um capítulo para dar embalo no relacionamento deles e eu o parei bem nessa parte porque sou uma autora bem má :B Aperta o mouse no botão aí embaixo quem quiser o próximo! =) Até lá, beijos @pokie_says