Prongs
17 Meu Natal com a família Evans
Notas iniciais
“Eu era a única que via como ela realmente era – uma esquisita! Mas para meu pai e mãe, ah não, era Lily isso e Lily aquilo, eles eram orgulhosos de terem uma bruxa na família!” – Petunia Dursley
***
Mesmo com as inúmeras preocupações no mundo, nas últimas duas horas eu fiquei preocupado com os fios do meu cabelo. Eu nunca tentei penteá-los, nunca mesmo, mas naquele dia, véspera de Natal, eu fiquei movendo o pente para o lado, mas em dois minutos voltava a ficar espetado de novo. Fiz uma careta para o meu reflexo do espelho e despenteei com os dedos novamente. Ah, ficava bem melhor assim, não tinha jeito.
Desci as escadas da minha casa quando já estava pronto. Minha mãe acabara de voltar do hospital St. Mungus, pois ainda usava as vestes de medibruxa quando eu me aproximei para dar um beijo no rosto dela.
– Onde é que vai? E isso foi uma tentativa de pentear o cabelo, James?
– É um caso perdido – falei sorrindo ao voltar a despenteá-lo. – Sei que está cheia de pacientes no hospital, mãe, então não se preocupe com o meu Natal. Vou passá-lo na casa da minha namorada.
Ela ergueu as sobrancelhas bem alto.
– Namorada?
– Lily Evans – eu disse orgulhosamente.
– Ah, claro. Você já falou tanto dela para o seu pai. E se ela te faz querer pentear os cabelos... – comentou, suspirando, e arrumando a gravata do meu colarinho – deve ser uma ótima garota.
– Ela é fantástica – eu disse. – E eu gosto dela, de verdade, então não quero que se importe com o fato dela ser nascida-trouxa ou por eu-
– James, só vemos esse olhar em alguém uma vez na vida e se Charlus estivesse aqui, ele com certeza diria que isso é amor, não gostar.
Abri um sorriso.
– Ele sempre dizia que eu iria amar alguém. Queria que ele estivesse aqui agora para jogar isso na minha cara.
– Ele com certeza faria isso – concordou, rindo.
Ela deu um suspiro, ficou me olhando de um jeito estranho, então enxugou as lágrimas porque ultimamente ele tem ficado muito sentimental. Tão sentimental que me levou para o quarto dela e de meu pai e se aproximou da estante cheia de jóias. Abriu um pequeno baú com o feitiço. Só havia um anel dentro dele, um anel prateado.
– Se Charlus estivesse aqui, ele o passaria para você.
– Mãe, não posso.
– Deve, James. Eu... eu não estarei aqui por mais tempo também e preciso ter certeza de que esse anel estará seguro nas mãos do meu único filho.
Mesmo muito relutante, eu segurei o anel entre meu dedo indicador e polegar. Observei-o atentamente.
– Obrigado, mãe. Mas agora só estou preocupado em conquistar a família dela. Não que eu precise de muito esforço. Trouxas têm senso de humor.
– Eu espero que saiba o que está fazendo, James... Relacionar-se com trouxas em tempos como estes...
– É arriscado, mas a senhora sempre disse que eu sou chegado a uns riscos de vez em quando. E esse vale a pena. Preciso ir agora.
– Quero conhecê-la também – pediu rapidamente, mas eu já estava me concentrando para aparatar depressa até Cokeworth, aquele papo de anel e que minha mãe também não estaria por aqui em algum momento, eu realmente não queria tê-lo em uma noite de Natal.
As casas da rua em que eu havia aparatado eram idênticas, então foi bem difícil encontrar o número da casa dos Evans. Mas Lily havia me informado que havia um pequeno jardim de lírios em frente a sua então não demorei tanto tempo para avistá-lo. Se destacava pela presença das cores vivas, diferenciando-as das outras ao redor da residência dos Evans. A presença de um carro vermelho estacionado também dava um contraste imenso.
Com o buquê de flores eu atravessei a passarela entre o jardim para chegar até a porta de entrada. Ela havia me informado, também, que teria uma campainha ao lado da porta. Fiquei pressionando o botão até que finalmente a porta se abriu.
Sem dizer oi, Lily puxou meu dedo da campainha.
– Falei para apertar só uma vez!
– Apertei uma vez – teimei e não era mentira. – Feliz Natal para você também, nervosinha.
– Desculpa – ela pediu, bufando e tirando o cabelo do rosto, como se estivesse tendo um dia incrivelmente cheio antes de eu aparecer ali. – Olha, eu preciso que você se comporte e não dê nenhum sinal, nenhum sinal, de que usamos magia.
– Eu achei que seus pais soubessem-
– Meus pais sabem, mas o noivo da minha irmã não. E ele está aqui e eu não acredito que ele está aqui. Eu falei para Petunia que ia trazer você!
– Sem problemas! – eu disse percebendo que ela estava quase esmagando um pescoço invisível. – Posso me portar como um perfeito trouxa.
– Não diga trouxa. Tem outro significado por aqui.
– Ah – eu fiz, franzindo a testa. – Mas não se preocupe, Lily, vou ser o seu perfeito namorado. Aliás, eu já sou o seu namorado perfeito. Agora... não ganho um beijo?
Ela finalmente abriu um pequeno sorriso e abraçou-me antes de me beijar. Quando nos soltamos, ela se aproximou com as mãos para pegar o buquê, mas eu não deixei.
– Esse não é para você, Lily.
Ela me encarou com uma expressão confusa, mas sorriu ao entender. Deixou-me entrar em sua sala e foi nesse mesmo momento que a sra. Evans andou até nós dois. Ela era parecida com Lily, mas os olhos não eram os mesmos. Tinha o cabelo ruivo, porém mais curto e claro.
– Você deve ser Petunia – eu disse galanteador. – A irmã de Lily, não estou certo?
A mãe dela abriu um enorme sorriso ao escutar aquilo. Quando estendi o buquê de hortênsias em sua direção, ela o recebeu e apertou a minha mão para dizer:
– James Potter. Ouvimos tantas coisas ruins de você nos últimos seis anos. – Mas antes que eu lançasse um olhar acusador a Lily, a sra. Evans acrescentou em um cochicho: – Eu sempre desconfiei que era porque Lily tinha uma quedinha por você.
E piscou para mim. Gostei imediatamente da mãe dela.
Eu tinha certeza que era o pai de Lily o homem que chegou logo em seguida. Embora já tivesse uma apresentável calvície, dava para saber que não era ruivo, porém tinha os mesmos olhos. Não pela cor, acho que ninguém jamais teria os olhos da cor de Lily, mas por serem amendoados do mesmo jeito. E também por terem a mesma gentileza e simpatia. Sirius havia me avisado para temer o pai, mas tudo o que senti foi uma grande vontade de dizer o quanto eu amava sua filha. Tive que me conter.
– Muito prazer, jovem rapaz. Ouvi dizer que curte Beatles. Deixe-me adivinhar... – ele fez uma expressão pensativa, analisando-me. Então apontou o dedo e afirmou: – Paul McCartney!
– Não, só James Potter – brinquei e arranquei uma alta risada dele, que imediatamente apertou minha mão com energia.
– Já gostei dele, Lily. Não o deixe escapar.
– Você está com fome? – a sra. Evans se voltou para mim, ajudando-me a tirar o meu sobretudo para colocá-lo em um cabide. – Ainda estamos preparando o jantar, mas você pode beliscar algumas coisas...
Outra voz masculina, dessa vez mais grave e mais ríspida que vinha do outro lado da parede, interrompeu a voz da sra. Evans. Ela pareceu se controlar para não bufar.
– É o noivo de Petunia – falou em tom de desculpas. – Ele está assistindo a final de Rugby na sala, costuma ficar alterado. Muito alterado. Bom, vou guardar esse lindo buquê e Lily pode levá-lo até a sala para acompanhar a final também. Sinta-se em casa, James.
– Obrigado – eu disse educadamente.
A caminho da sala, perguntei baixinho a Lily:
– O que é Ruby?
– Rugby. É tipo Quadribol, só que não.
– Ah, um esporte, então?
– Isso.
Entramos na sala onde um cara do tamanho de um armário estava sentado em uma poltrona. Ele parecia se esforçar para manter aquele bigode. Fazia gestos contra o aparelho que... Ah meu Merlin, aquilo era o que eu estava pensando que era?
Fiquei admirado com as figuras se movendo constantemente, diferente de uma foto do mundo bruxo. Então me aproximei imediatamente daquela caixa para ver de perto.
– Ei, opa, saia da frente, sim? – mandou o cara.
– Isso é uma tevelisão – eu disse, sem conter o meu interesse. – Queria que tivéssemos isso na Sala Comunal.
– James, esse é Valter Dursley – disse Lily rapidamente segurando meu braço. – E essa é a minha irmã, Petunia.
As imagens do jogo eram meio hipnotizantes, então não prestei muita atenção. Ouvi, no entanto, o tal de Dursley perguntar a irmã de Lily:
– Qual é a desse cara?
A irmã de Lily tinha um pescoço longo e eu até duvidaria que fosse irmã de Lily, porque tinha cabelos longos e loiros, o nariz era esquisito e ela não era nem um pouco o que eu consideraria bonita em uma garota.
Ela cochichou em resposta a pergunta do noivo:
– Drogas.
Sorri para Petunia ao ouvi-la.
– Não, mas você precisa ver como meu melhor amigo Sirius ficou quando experimentou uma vez... foi muito engraçado.
Não contive um riso com a lembrança de Sirius, Peter, Remus e eu em uma noite no dormitório masculino tentando aguentar a fumaça dentro da boca, mas parei de rir quando vi a expressão deles. Não acho que era para ter falado aquilo, especialmente no momento que Petunia se levantou do sofá e passou por Lily, dizendo:
– Encontrou o par perfeito para você, esquisita. Valter, meu xuxu, tem uma televisão no andar de cima. Vamos.
Como alguém com o tamanho daquele cara deixava uma pessoa chamá-lo de xuxu, eu nunca saberia. Quando eles saíram da sala de mãos dadas, eu passei a mão na minha nuca e olhei preocupado para Lily.
– Desculpe, eu achei-
– Não – ela disse depressa e então seus braços se enrolaram ao meu redor e ela pousou o rosto no meu peito. – Eu peço desculpas, não quero que você se esforce para ser o que não é só para agradar minha irmã. E se você quiser azarar o Dursley, não vou me importar nenhum pouco.
– Nunca achei que ouviria você dizendo isso – sorri quando ela ergueu os olhos para mim. Dei-lhe um beijo na ponta de seu nariz, o que sempre a fazia sorrir. – Mas acho que estou mais interessado na tevelisão. Sempre quis assistir a um daqueles...
– Filmes.
– Isso!
– Posso dar um jeito nisso – ela disse sorrindo. – Acho que meu pai tem alguns que você pode gostar.
Não daria tempo de assistirmos naquele momento, porque a ceia de Natal que sua mãe preaparou estava pronta. Fomos a cozinha juntos onde fiz questão de ajudar sua mãe a levar os pratos e os talheres até a mesa da sala de estar.
Seus pais não eram ricos, mas eles com certeza tinham tudo. Contavam para mim sobre todas as tradições em famílias e diziam coisas tão boas sobre Lily que só me ajudavam mais a amá-la. Tudo isso antes mesmo do próprio jantar.
Dursley tinha um jeito troglodita de comer as coisas e ele falava de boca cheia toda vez que se gabava da potência de seu novo carro. Petunia olhava para ele maravilhada como se estivesse a frente de um tipo de herói das histórias em quadrinhos trouxas.
– E conte para ele como você conseguiu vencer o campeonato, xuxuzinho.
– Vou te contar como eu fiz – ele estava olhando para mim porque parecia ser muito importante enfatizar seus feitos para o outro homem da casa que não fosse o próprio pai de sua noiva. Você sabe, apenas para se ser o melhor. – O garoto tinha a sua estatura, do tipo magricelo, entende? Eu o parti ao meio tipo assim. – O cara demonstrou com o pedaço da coxa do peru. Quebrou o osso ao meio, exatamente como fez com o coitado do adversário.
– Isso é realmente... admirador – disse a sra. Evans, sempre bastante educada.
– E como estão as coisas na Grunnings, Valter? – perguntou o pai de Lily.
– Bem sucedidas – falou. – Como já disse, consegui um bom lugar na empresa, consegui um bom carro e consegui uma boa esposa.
– Oh, Valter – disse Petunia, e Lily e eu fizemos uma careta quando os dois deram um selinho. – E você – ela perguntou para mim, quando me distraí com o sorriso de Lily. – Já sabe o que vai fazer depois que se formar nessa... escola?
– Não – falei com sinceridade. – Mas pretendo ser Auror.
A expressão de Petunia endureceu.
– Que merda é isso? – perguntou Dursley com um riso pelo nariz.
– Não é nada, amor – disse ela depressa. Fez um gesto com a cabeça para Lily. O tempo todo naquele jantar, Lily distraidamente movia o polegar nas costas da minha mão sobre a mesa. Ela estava bastante calada, e ignorou o gesto de Petunia.
– Já sei um bom lugar para você, cara – disse Dursley parecendo preocupado. Mas só parecendo. – Reabilitação.
Lily apertou os dedos contra minha mão com força.
– Você quer dizer habilitação? – eu perguntei, confuso. – Bom, eu certamente não preciso de carteira de motorista. Sei aparatar. Às vezes usamos vassouras também.
– Mãe! – exclamou Petunia, nervosa. – Ela está fazendo de propósito.
– Petunia, acalme-se – pediu o sr. Evans.
– Não, você tem problema de adição, cara? – Dursley se debruçou em minha direção. – Estou dizendo... reabilitação. Mas se bem que Petunia me contou que nessa escola que vocês vão não se tem muita penalidade para quando fazem merda. Na St. Brutus qualquer coisinha fora da linha que você faz, leva umas pauladas bem dadas. Com essa sua cara insolente, ia receber o tempo todo.
– Deve ser um lugar bem chato mesmo – eu disse com consideração.
– A St. Brutus é a melhor academia que existe em toda a região da Europa, não diga nada sobre ela!
Ele ficou vermelho como um pimentão. Precisou beber uísque para relaxar a expressão e Petunia acariciou o braço dele imediatamente, como que amansando um buldogue. A sra. Evans resolveu me oferecer um pouco também e aceitei agradavelmente.
– James! Conte um pouco sobre sua família, por que não?
– Minha mãe trabalha em um hospital, é uma mulher muito conhecida e respeitada por lá. E meu pai... bem, todo mundo que conheceu meu pai o adorava, mas ele faleceu-
– Ah, está explicado – Dursley deixou escapar e olhei diretamente para ele. – É a falta de uma figura paterna. Meu pai sempre disse. Se um cara perde a linha é porque faltou o pai na vida. Sinto muito, cara.
Não gostei de ouvi-lo dizer aquilo.
– Meu pai foi o homem mais importante da minha vida.
– Meus pêsames, James – disse a sra. Evans baixinho e depressa. – Tenho certeza que Valter não quis dizer...
– Ele trabalhava no quê? – perguntou Dursley. – Alguma empresa conhecida?
– Não – eu disse olhando para Lily ao meu lado e lembrando sobre não agir como se eu usasse magia. – Não é conhecida.
– Então não ganhava muito. Como é que você compra as drogas sem dinheiro?
Eu estava pensando em uma boa azaração contra ele, quando copo da mão dele estourou. Eu não tive nada a ver com isso. Dursley imediatamente pediu desculpas por ter segurado a taça forte demais. Enquanto Petunia limpava com um pano a parte da mesa onde o líquido havia caído, Lily começou a dizer com a voz baixa para os pais:
– James espantou seis dementadores que tentaram invadir Hogwarts.
Petunia quase caiu da cadeira. Lily a ignorou para continuar dizendo:
– O diretor Dumbledore acredita que foi o Patrono mais poderoso que algum aluno poderia ter feito nessa idade. Eu tenho certeza que foi.
– Esquisita – xingou Petunia com tanto desprezo a Lily que tive vontade de azará-la ali mesmo.
– Do que sua irmã está falando?
– Nada, xuxu, nada. Ela também usa drogas.
– Petunia! – dessa vez foi a própria mãe quem lhe chamou atenção. – Pelo amor de Deus, por que não conta logo ao seu noivo a verdade e pare de dizer asneiras sobre sua irmã e o namorado dela?
– O que está acontecendo?
– Deixe-me mostrar, sr. Dursley. – Lily tirou a varinha do bolso e pigarreou de um jeito solene.
Horrorizados, Petunia e Dursley observaram Lily consertar a taça de uísque quebrada. Os cacos se fundiram novamente as suas extremidades com o aceno da varinha de Lily. Em poucos segundos, a taça estava novinha em folha. Uma típica demonstração do feitiço Reparo. Nada para se temer.
Petunia se levantou da cadeira bruscamente.
– Senta, Petunia – pediu o pai e a moça sentou, com intensa raiva.
Dursley estava observando a taça com a expressão abestada.
– Então é verdade que você derrotou seis dementadores? – papeou a sra. Evans. – Não temos a mínima idéia do que isso significa, mas pelo jeito que Lily contou pareceu ser grande coisa.
– Um Patrono só é conjurado quando nos esforçamos em uma lembrança feliz – contei a eles. – Assim, um animal prateado sai da ponta da varinha e esse animal muitas vezes tem relação com o que você é ou o que você ama. Pode chegar a ser poderoso o bastante para espantar uns seres que são capazes de sugar toda a felicidade que existe dentro de você. Eles são guardas da prisão de bruxo, Azkaban.
– Que horror...
– A sensação é bem ruim – concordei. – Mas meu amigo Remus descobriu que melhora toda vez que se come um pouco de chocolate.
– Lily já me falou desse Remus. Foram monitores juntos no ano retrasado, se não me engano – recordou o sr. Evans.
– Sim – Lily disse sorrindo. – Ele é um dos melhores amigos do James em Hogwarts. Tem também Peter e o Sirius...
– Sirius é mais para um irmão – falei, gostando muito da atenção que os pais dela davam a mim. Gostando ainda mais que Lily estivesse falando sobre mim. Sem desgosto algum. – Ele não se dava muito bem com a família dele...
– Os Black. Todos sangue-puros – informou Lily.
– Sirius é um rebelde. Conhece quase tudo sobre trouxas só para irritar a família.
– Ama motocicletas.
– Ele comprou uma nas férias de verão – contei a Lily percebendo que eu não havia falado isso para ela ainda.
– Sério? Deve estar abusando dela.
– Fugimos com ela quando nos encrencamos com uns Comensais no Caldeirão Furado.
– Vocês enfrentaram Comensais?
– Eles não gostaram de nos ver por lá, estávamos vestido como trouxas... eles acharam que éramos espiões de alguma coisa, com certeza...
– Como é que vocês escaparam?
– Ajudinha de uns policiais. Quase fomos presos. Cá entre nós, acho que o policial ainda está com o queixo caído depois que Sirius levitou o carro dele para fazer os Comensais que se aproximavam se chocar contra ele.
– Foi assim que vocês escaparam? Isso é sorte.
– E me diz uma coisa... o que você acha de Elvendork?
– Elvendork? Tipo o nome? Parece de menino, mas acho que algumas meninas também se chamam assim.
– Foi exatamente o que eu falei para o policial. É unissex!
Estávamos tão entretidos na discussão que mal reparamos que os pais dela ainda estavam na mesa e olhavam para a gente com as expressões sonhadoras.
Dursley se levantou lentamente da mesa; pareceu uma múmia. Começou a sair de fininho. Petunia imediatamente exclamou:
– Eu juro que não tenho nada a ver com isso, amor, juro que não sou esquisita como eles. Eu não tenho poderes malignos. Você vai pagar por isso, sua esquisita! Nem se incomode em aparecer com esse... anormal... no meu casamento! – gritou para Lily. – Vamos, Dursley, vamos voltar para a nossa casa!
E fechou a porta atrás dela com estrondo, o grandalhão sem dizer uma palavra.
Ficou um momento em silêncio quando os dois foram embora. Eu olhei para Lily, que olhava para o pai, que olhava para a sra. Evans, que olhava para mim, sorrindo, como se não tivesse reparado no que aconteceu agora.
– Vocês são tão fofos juntos – disse ela. – James, nós sempre costumamos esquiar na manhã de Natal em uma cidade vizinha daqui. Se quiser nos acompanhar, está convidado.
– Eu adoraria – falei imediatamente. – Mas acho... acho que sua irmã não gostou muito de mim...
– Acho que não vamos ver ela por um bom tempo – disse Lily. – Você pode passar a noite aqui. Assim não vai precisar ficar aparatando.
O pai dela pigarreou.
– No quarto de hóspede, eu espero.
– Ai, Richard, não seja o pai chato justamente agora que Lily encontrou o namorado perfeito – disse a sra. Evans jogando os braços teatralmente para cima. – Estamos em tempo livre! Tempo pós-Woodstock, poxa! Deixe os jovens serem jovens e fazerem coisas erradas!
– Mããe – Lily massageou as têmporas.
O pai dela se levantou e beijou o topo da cabeça de Lily.
– James pode passar a noite aqui onde você preferir. Nós confiamos em você, filha.
Eu estava rindo quando Lily disse seriamente:
– Não deviam. Eu sou uma péssima filha.
– Não, definitivamente não é uma péssima filha – disse a sra. Evans bem tranquila.
– Vamos assistir a um filme então – disse Lily, levantando-se. Pegou minha mão e acrescentou: – Vocês sabem, entrarmos no clima para um sexo selvagem sem camisinha depois de usarmos drogas.
A sra. Evans apoiou:
– E quem sou eu para culpá-la? Eu também não me comportaria com um namorado desses.
O sr. Evans mandou:
– Não se comportem!
Lily me levou de volta para a sala, as risadas dos pais me fazendo pensar que nunca tinha conhecido uma família como a dela. Os pais de Lily eram legais e tinham um senso de humor que fez com que eu me sentisse bem entre eles. Como se fosse certo... Lily e eu.
A sra. Evans ficou uma hora no telefone discutindo com Petunia sobre ela ter sido mau educada comigo. Ela me paparicou o tempo inteiro. Quando meia-noite se aproximou, abrimos os presentes com a televisão ligada em um filme. Lily me deu um aparelho que eu podia escutar todas as músicas dos Beatles repetidamente, com fones de ouvidos. Foi incrível. Em troca, eu coloquei uma pulseira prateada em seu pulso. Era delicada e combinou perfeitamente com ela, especialmente o pingente de lírio. Lily o achou lindo. Ganhei presentes de seus pais também e foi a viagem para esquiarmos no dia seguinte. Tive um bom Natal naquele ano.
– Bom – disse o sr. Evans bocejando durante o filme que estávamos assistindo, eu hipnotizado pelas luzes e pelas lutas. – Precisamos acordar cedo amanhã para esquiarmos. Vamos dormir, querida?
– Absolutamente. Boa noite, James!
Ela se aproximou de mim para um abraço apertado. Ao invés de dizer alguma coisa irônica, sua voz estava séria e baixinha quando me pediu:
– Cuide bem da nossa Lily. – O sr. Evans a abraçava no outro lado da sala, então a mãe dela conseguiu dizer só para mim, confidencialmente: – Não fazemos parte do mundo de nossa filha... e é reconfortante saber que ela tem alguém por lá.
– Ela não tem somente a mim, sra. Evans – garanti. – Sua... sua filha é brilhante e não conquistou só a mim.
– Mas ela escolheu você. E isso quer dizer muito. Feliz Natal, James.
– Feliz Natal.
– James – o sr. Evans se aproximou para apertar a minha mão. – Gostei de você, então não me decepcione.
E eles realmente nos deixaram sozinhos na sala.
A história do filme estava em um momento intenso com criaturas diferentes lutando contra humanos em uma guerra espacial irada. Foi uma das coisas mais fantásticas que vi dos trouxas, exceto Beatles, claro, mas aquele filme era genial. Os trouxas podiam ser trouxas mas sabiam inventar umas coisas que deveriam existir no nosso mundo mágico também.
Tipo sabres de luz.
Lily estava tampando os risinhos com a mão, mordendo a unha, e observando minhas expressões. Ela estava com a cabeça encostada no meu ombro e a ergueu para me beijar no rosto, quando o filme acabou.
– Vamos assistir de novo?
– Não – ela disse bem séria e desligou a televisão depressa.
– Vai ter outro? Porque não é possível que tenha acabado assim!
– Provavelmente.
– Legal. Vou querer assistir.
– Posso levá-lo ao cinema quando sair – ela garantiu.
Abri um sorriso brilhante.
– Esse foi um ótimo Natal – eu comentei. – Seus pais são ótimos.
– São – ela disse silenciosamente, mas não falou mais nada. Ao invés disso se levantou e me puxou pela mão até as escadas. Nós subimos até seu quarto.
Observei o aposento. Era aconchegante, tinha uma mesa e uma estante de livros. Passei a mão involuntariamente pelo cabelo quando vi a cama de Lily. Não era grande, só tinha espaço para uma pessoa. Não contive uns pensamentos e foi difícil me concentrar.
Será que ela pensava... Não, talvez garotas não pensassem o tempo todo só nisso. Eu sei que eu pensava, mas sabia que as coisas não eram assim com Lily.
Ela estava tirando os brincos das orelhas em frente ao espelho do armário. Abriu um leve sorriso e olhou para as mãos que seguravam os brincos. Ela enrolou o cabelo para cima, em um laço frouxo. Eu não tive como aguentar e me aproximei atrás dela, para beijar aquele pescoço convidativo. Depositei vários beijinhos até seu ombro.
Abracei sua cintura e olhei para o rosto dela pelo reflexo do espelho. Ela estava séria, decidida de alguma coisa.
– Quero derrotar Voldemort. Quero lutar. E eu não posso envolver meus pais nisso.
Ela apertou o colar do anel de sua mãe.
– Preciso que eles fiquem o mais longe de mim. – Sua voz falhou. – Será meu último feriado com eles e então me mudarei daqui.
Não a consolei, porque não era consolo que Lily Evans precisava. Não era para isso que ela me convidou para conhecê-los.
– Eu estou com você nisso.
– Sei que sim. Uma das coisas que sempre tive certeza é que você não fugiria, não se acovardaria e lutaria. Uma das coisas que sempre admirei em você.
Tinha lágrimas nos olhos, mas ela não chorou. Ela me levou até sua cama e se deitou em cima de mim. Tirou meus óculos do rosto para colocá-los no criado-mudo ali ao seu lado. Abraçou-me para se aconchegar a mim da melhor forma.
Minhas mãos passearam por suas costas e a dela estava pousada em meu peito, sentindo meu batimento cardíaco – nada calmo. Beijou meu maxilar lentamente e depois trocamos um olhar meio diferente. Quis sentir a pele dela por baixo daquela blusa de moletom.
Não fiquei apenas querendo, mas fiz. Levantei a base de sua blusa apenas para adentrar minha mão ali. Meus dedos gélidos fizeram um choque contra a extensão da sua coluna, sua pele quente e sensível. Somente com a ponta dos dedos circulei toda a região, causando-lhe arrepios pelo corpo inteiro. Lily deixou escapar um breve suspiro quando beijei seu pescoço e arrastei minha mão direita sobre um de seus seios. Ela chegou a inclinar o pescoço, fechando os olhos, sonolentos, para me deixar apertá-la ali.
Seus dedos acariciavam meu cabelo enquanto me dava aquela permissão. Aproximamos nossas bocas e ela correspondeu ao meu beijo mais uma vez. Línguas, bocas, sussurros, mordiscadas, toques...
Eu abusei da sorte quando apoiei meus dedos no cós frontal da sua calça jeans. Lentamente, comecei a abrir o zíper. Mas ela pegou meus dedos e os entrelaçou com os seus para me impedir de direcioná-los aquela área. Foi uma tentativa... eu não descansaria se não tentasse. Ela não me rejeitou, só não pretendia avançar mais que isso agora.
Estávamos com nossas pernas enroscadas e nossos sapatos eram as únicas peças que não tínhamos no corpo.
E eu a respeitei.
Eu notei o quão sonolento eu estava nesse momento quando observei seus olhos fecharem. Em segundos, sua respiração estava constante e ela ressonava. Fechei meus olhos também.
Naquele Natal de 1977, nós dormimos juntos pela primeira vez.
Acordei na manhã seguinte com Lily ao meu lado, aqueles olhos verdes olhando para mim. Ela estava sorrindo.
– Você parece tão inofensivo quando está dormindo – informou.
– Ficou me observando dormir, Evans? – sorri, gostando imediatamente disso. A claridade branca do inverno de dezembro entrava pela janela. Eu enxergava borrões e Lily só estava nítida na minha visão míope porque nossos rostos estavam próximos.
– Você estava babando no meu travesseiro, Potter – explicou-se, dando de ombros. Quando enxuguei depressa minha boca que na verdade estava seca, ela gargalhou e se inclinou para me beijar fortemente no rosto. Jogou o edredom em cima de nós e, para me enlouquecer em uma manhã depois de literalmente dormir com ela, deitou em cima de mim, as pernas em cada lado do meu quadril.
– Não é uma boa idéia fazer isso agora – eu disse depressa quebrando o beijo que ela começou, tentando inutilmente evitar qualquer contato com o corpo dela contra a minha calça.
– Não seja ridículo – disse.
– Achei que ontem...
Talvez fosse o milagre de Natal ou eu estivesse sonhando um sonho maravilhoso, mas Lily me cortou em um beijo ardente. Quando fui testar minha sorte ao encontrar a saliência de seu seio, por um lado fiquei feliz que não fosse um sonho, mas por outro foi realmente desesperador quando ouvimos a batida na porta.
– Lily! Já acordou? Café da manhã antes de sairmos! – era a voz da mãe dela. – A não ser que você e James estejam fazendo sexo, peço desculpas por atrapalhá-los!
Lily pulou da cama, depressa e assustada. Enquanto colocava suas botas e ajeitava os cabelos, ela disse inconformada para mim:
– Eles totalmente estragam toda a idéia de loucura sendo tão liberais.
– Por que você quer decepcioná-los? – fiz um falso tom de preocupação.
– Sou uma péssima filha – falou, sorrindo ironicamente. Eu sorri também. E ela se inclinou para me dar um selinho, rápido e gostoso. – Agora sai da minha-
Nós dois gritamos quando um som crack! explodiu pelo quarto de Lily. Eu caí da cama pelo susto. No instante seguinte, Sirius Black tinha aparatado.
– Opa, aqui não é a sala – notou.
– O que você está fazendo aqui!? – exclamou Lily.
– James não estava aparecendo no espelho – ele disse nervoso. – Achei que podiam estar em perigo. Cadê ele? Cadê ele?
Desnorteado, eu me levantei do chão e apareci em sua visão. Minha expressão não era nada feliz. Mas Sirius se aproximou para me dar um abraço.
– Feliz Natal, cara!
Depois abraçou Lily.
– Feliz Natal, ruiva!
Nesse exato momento, o pai de Lily abriu a porta.
– Feliz Natal, Sr. E!
– Hortênsia, acho que subestimamos nossa filha – disse o sr. Evans quando nós três descemos com ele para o café da manhã. – Encontrei ela com dois garotos no quarto.
A sra. Evans estava aprontando a mesa e ergueu os olhos para um Sirius sorridente. Trocou um olhar com o marido.
– Dois garotos?
– Sim, dois garotos.
– Dois garotos...
– Dois.
– Vocês podem agir como pais normais e expulsarem o Black da nossa casa? – pediu Lily educadamente, sentando-se a mesa.
– Nós confiamos em você, querida, sei que tem uma ótima explicação para isso.
– Esse é o meu amigo, Sirius Black – achei melhor dizer. – Ele não passa um Natal sem mim.
– Que frieza é essa? – Sirius me olhou ofendido. – Me apresenta aos pais da sua namorada como “amigo”. Sr. e sra. E, eu sou o melhor amigo dele. O cara que vai garantir que James não faça besteiras com a sua adorável Lily.
– Que encantador conhecê-lo, sr. Black, ouvimos falar muito bem de você – disse a sra. Evans. – Por que não se junta à mesa agora para o café da manhã? Nós vamos esquiar daqui algumas horas.
– Estou convidado?
– Qualquer amigo de Lily, qualquer amigo nosso – concordou o sr. Evans.
– Isso é uma torradeira? – perguntou Sirius apontando para o objeto em cima da pia. Sorriu para Lily. – Vou ficar para o café da manhã, Lily, se não se importar.
– Nenhum pouco, Sirius – disse Lily rendida. – Fique a vontade.
Sentei ao lado dela para dizer baixinho:
– Eu devia ter avisado... Sirius e eu nunca passamos o Natal longe, então-
– Tudo bem – ela disse com sinceridade. – Aliás, posso aproveitar e dar o meu presente a ele e-
Fomos interrompidos com o barulho breve da campainha. O sr. Evans, que estava se servindo de suco, levantou da mesa ao constatar sua impressão de que Petunia podia ter voltado para passar o Natal com eles, mas na verdade ouvimos a voz de Remus lá da sala.
– Olá, sr. Evans, eu sou Remus Lupin, amigo da Lily. Queria saber se ela e James estão aqui.
– Com certeza estão. Pode entrar, Remus.
– Obrigado. James! – exclamou depressa e tirou o gorro da cabeça quando eu, Lily e Sirius entramos na sala para cumprimentá-lo. – Cara, achamos que tinha acontecido alguma coisa. Sirius disse que não estava aparecendo no espelho...
– Eu só o roubei de vocês por um dia – disse Lily com os olhos arregalados. – E já acham que aconteceu um desastre?
– Nunca mais nos deixe sem notícias, Prongs – disse Sirius, zangado. – Aliás, Peter pode aparecer a qualquer momento. Um, dois, três...
Exatamente como ele disse, ouvimos um crack que não veio de nenhum lugar dentro da casa. Nós olhamos para o chão.
– Ele está no porão? – perguntou o sr. Evans.
– E escutei a ratoeira – disse a sra. Evans esperançosa. Depois explicou para nós três. – Vive aparecendo ratos por aqui e-
– NÃÃÃÃÃÃÃO! – gritamos ao mesmo tempo.
Sirius, Remus e eu corremos depressa mesmo que nenhum de nós conhecesse a casa inteira deles. Não soubemos como chegamos até o porão, mas foi com grande alívio que vimos Peter embolado no canto escuro com seu suéter de hipogrifo. Ele não estava em sua forma animago, mas tinha pisado na ratoeira e estava chorando de dor.
– Meu pé, meu pé, meu pé! – grunhiu. Lily tinha alcançado nós três e com a varinha fez um feitiço para a ratoeira se desgrudar do pé de Peter.
– Nunca mais nos assuste desse jeito – disse Sirius. – Por um momento achamos...
– Meninos, é só o pé dele – disse Lily. – Podemos dar um jeito nisso. Você consegue caminhar, Peter?
Ele mordeu a boca mas com muito custo deu um passo em nossa direção. Mancando, se aproximou para me abraçar com força.
– Achamos que algo terrível tinha acontecido, você não apareceu no espelho do Padfoot!
– Você é louco? Achamos que algo terrível tinha acontecido agora – eu falei inconformado. – Você é o único que se transforma sem controle, achamos que a ratoeira tivesse esmagado você.
– Eu estou fazendo um esforço tremendo para não perguntar do que diabos vocês estão falando – constatou Lily desesperada por causa do nosso desespero. – E por que ficaram tão desesperados quando minha mãe falou da ratoeira. Até parece que Peter é um...
Lily calou a boca. Encarei Sirius, como que pedindo algum tipo de permissão. Sirius encarou Remus. Remus encarou Peter.
Lily gaguejou.
– Peter é um... é um...
– Animago, sim – disse Sirius. – Todos nós somos.
– Wormtail – ela murmurou para si mesma como se estivesse fazendo as contas. – Padfoot... Prongs.
– Nossos apelidos – eu contei. – Nós sempre chamamos Remus de Moony por causa do probleminha peludo, pensamos que seria interessante cada um possuir um apelido também quando... quando viramos animagos.
Por alguma razão, ela estava encarando Remus. Não sabia dizer se era uma expressão admirada ou assustada.
– Isso não é uma pegadinha, porque Remus está apoiando a afirmação.
– Mas é claro que você precisaria de provas – disse Sirius amigavelmente. – O problema é que nós temos uma política de não nos exibirmos, já que somos... você sabe... ilegais.
– Somente na lua cheia? – ela quis confirmar.
– Somente na lua cheia. Eles juraram solenemente – contou Remus. – Caso contrário...
– Caso contrário eu teria mostrado a minha forma animaga para você desde o quinto ano – eu disse para Lily. – Que, a propósito, também é um cervo.
– Vocês se transformaram com quinze anos?
– Impressionada, Evans? – sorriu Sirius. – E você ainda nem viu os meus caninos.
– Achei-
– Achou que nós éramos idiotas demais para conseguir um feito como esse? – adivinhei. – Achou que só perdemos nosso tempo matando aulas porque não estávamos a fim de aprender magia? Então está nos devendo algumas desculpas.
– Não estou impressionada com o fato de vocês terem conseguido se transformar em animais – ela me cortou diretamente. – Estou impressionada que vocês não se exibiram por isso, quero dizer, não vamos nos esquecer que vocês foram uns...
– Biltres arrogantes – todos terminaram a frase juntos. – Mais alguém estava com saudades da Lily nos chamando assim? – perguntou Sirius com a mão levantada esperando mais alguém se manifestar.
– É a palavra de Maroto – contou Remus diante do olhar de Lily. – Jurar solenemente não é um voto perpétuo...
– Mas é tão importante quanto – falei. – Muito importante.
– E levamos isso a sério – acrescentou Sirius.
– Muito a sério – completou Peter.
A voz da mãe dela nos interrompeu na porta do porão.
– Lily, querida, vocês estão bem aí? Agora falando sério, quatro garotos já é demais. Nem mesmo eu na sua idade-
– Estamos subindo, mãe! – exclamou depressa. Depois se virou para nós, dando um suspiro e tentando recapitular tantas informações em uma manhã de Natal. – Obrigada por me contarem.
– Te contamos porque você é importante para o Prongs – disse Sirius. – Prongs é importante para a gente.
– Ele é tipo a cola do grupo – disse Peter. – Sem ele, não há marotos.
– E porque fomos um tanto insensíveis ao estragar seu Natal com ele... – disse Remus sentido. – Mas ficamos mesmo preocupados quando ela não apareceu no espelho.
– Eu te perdoo – disse Sirius para mim. – Devo ter interrompido alguma coisa quando aparatei no quarto da Lily. E vou querer detalhes.
Lily só girou os olhos.
– Não estou chorando – desculpei-me emocionado. – Só caiu um olho neste oceano.
Eles gargalharam.
– Vocês não estragaram nosso Natal – garantiu Lily. – A montanha que vamos esquiar é grande o suficiente para mais três pessoas. Aliás, acho que Moony irá se dar bem por lá. Tem alguns lobos pelas florestas.
Rimos ainda mais. Remus olhou estupefato.
– Não acha que já andou demais com o James por uma vida, Lily? – perguntou, mas não parecia exatamente bravo. Mais para... feliz. Feliz que ele tivesse outra pessoa que gostasse dele sem problemas com seu probleminha peludo. – Agora está aí fazendo piadas também!
Aquele Natal foi o primeiro que Lily passou com meus melhores amigos, ao passo de que era provável que seria o último com seus pais... Jurei solenemente a ela que íamos nos preparar e lutar, para tentar trazer o máximo de segurança a nós mesmos... e as pessoas que amávamos.
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