Prongs
15 Marotos antes de garotas
Notas iniciais
Não conversamos sobre aquele beijo mesmo depois que voltamos da festa do Slughorn e deixei Lily na porta de seu dormitório como um verdadeiro cavalheiro. Ela sorriu para mim e me desejou boa noite, após um beijo no rosto. Como ela era mais baixa do que eu, teve que se erguer nas pontas dos pés e, mesmo assim, acabou alcançando meu maxilar, não a bochecha. Me arrepiei inteiro.
– Eu me diverti – ela confessou. – O que achou?
– Gostei muito – falei pensativo. Na verdade, era muito mais que gostar. Passei horas ao seu lado sem brigarmos, com ela sorrindo do que eu dizia, embora eu não tivesse falado nada sobre mim. Ela me fascinava, eu queria saber tudo sobre ela. Descobri que ela tinha um ressentimento muito grande por sua irmã mais velha, que não era bruxa e, por isso, brigava muito com Lily. Disse que depois de um tempo acabou perdendo a vontade de esperar que sua irmã mudasse de atitude sobre o fato de Lily possuir “poderes malignos”. Não consegui imaginar alguém que pudesse odiá-la. – Quase não precisei me preocupar em dividir sua atenção com o professor Slughorn.
Ela deixou escapar um riso divertido, jogando os cabelos lisos para trás das orelhas, mas não chegavam ficar muito tempo ali. Voltava a cair sobre seu rosto, deixando-a atraente. Eu podia olhar para ela sem me cansar.
– Mas quem sou eu para culpar aquele charme todo? Ei, mas se você gosta de bigodes como aquele, eu posso deixar o meu crescer.
– Não, bigodes não me atraem em nada. Bigodes lembram meu pai.
Fizemos uma careta parecida ao mesmo tempo.
– Uh, esqueça bigodes então.
– Totalmente.
Rimos mais uma vez. Pigarreei e, olhando para meus pés, perguntei:
– Decepcionei você?
– Na verdade... – Fiquei preocupado. Mas ela disse: – Você tem me surpreendido ultimamente.
– Ah, o distintivo de Monitor-Chefe tem seus efeitos...
– Não é o distintivo, James, é você.
Olhei para ela. Sorriu e, então, girou a maçaneta da porta para entrar em seu dormitório. Não sabia que era possível me apaixonar mais um pouco a cada segundo, mas descobri naquele momento que era possível sim.
Uma vez ouvi uma música trouxa nas férias. A frase ficou na minha cabeça: “Tenho o brilho do sol em um dia nublado”.
E estava na minha cabeça o tempo todo quando acordei na manhã seguinte, tirando o cobertor alegremente do meu corpo. Observando o volume da minha cueca, senti a necessidade de ir ao banheiro para dar um jeito naquilo. Sabendo que Peter, Remus e Sirius ainda pareciam estar em seus sonos profundos, fui andando e meio que cantarolando a música enquanto entrava no banheiro.
Meu humor estava tão alto que eu acreditava que nada fosse atrapalhar aquele momento. Antes de começar a tirar a camisa, é claro, eu estranhei que o espelho estava embaçado e eu não pude admirar minha beleza matutina.
Passei a mão nele para desembaçá-lo. Com certo horror, pelo reflexo do espelho, notei que eu não estava sozinho. O boxe já estava ocupado.
– E e aí, Prongs?
E se já não fosse suficientemente estranho ver o melhor amigo embaixo do chuveiro, ele tinha que estar se esfregando com uma bucha e protegendo de mim a visão de Marlene McKinnon atrás dele, que, como era mais baixa que Sirius, só dava para ver a sua testa atrás do ombro de Sirius. Mas eu sabia que ela estava tão pelada quanto ele.
– Oi, James – ela disse com aflição. – Não era pra você ver isso.
– Meus olhos! – eu coloquei as mãos nele. – Meus olhos! Vocês já ouviram falar em TRANCAR A MALDITA DA PORTA?
Saí depressa do banheiro, esfregando os dedos nos meus olhos. Coloquei minha calça e troquei de roupa. Isso deu tempo dos dois saírem juntos para discutirmos aos cochichos, voltando ao banheiro, com eles vestidos:
– Não pode contar a Lily – Marlene disse desesperada. – Por favor, não conte a ela... Não conte a ninguém!
– Ah e você acha que a primeira coisa que eu vou dizer é que vi a melhor amiga dela no meu banheiro? Desde quando... desde quando isso está acontecendo? Vocês dois?
Eles se entreolharam pensativos.
– Uns cinco meses? Quatro?
– Seis, talvez?
– Um ano – disseram em uníssono.
– UM ANO?
– Fala baixo! Sim, um ano. Nós nos pegamos de vez em quando desde o ano passado, e daí? – Sirius disse. – Sem compromisso, só quando estamos afim. Rola um sexo de vez em quando...
– E vocês conseguem esconder isso da gente?
– É fácil. Fingimos que ainda nos odiamos. As vezes Sirius não consegue fingir direito... Não posso culpá-lo, de fato, estou irresistível-
– Eu não consigo fingir direito? Você é apaixonada por mim e fica dando muito na cara.
– Você está louco por mim, só é covarde para admitir.
– Covarde? Vou te mostrar a coragem que eu tenho, McKinnon.
Eles começaram a se beijar desesperadamente, com língua e tudo. Foi meio desconfortável para mim, ali ao lado deles.
– Bom! Estou feliz por vocês estarem namorando-
– Não estamos namorando! – se separaram para exclamarem isso ao mesmo tempo. – Tchau, Black.
– Tchau, McKinnon.
Quando ela fechou a porta atrás de si, Sirius Black estava sorrindo. Parou de sorrir, disfarçando, quando ele voltou a olhar para mim.
– Não estamos namorando – decidiu. – E como foi com a Lily ontem?
– Não paramos no mesmo chuveiro, mas...
Ele entendeu minha expressão e ficou feliz por mim, mas parecia distraído demais para dar importância a outros detalhes do meu encontro com Lily. Como é que ele e Marlene conseguiram esconder que estavam dormindo juntos por tanto tempo?
E, droga, eles ainda me pediram para guardar esse segredo dos nossos amigos. Eu era ótimo em mentir, ótimo mesmo, sabia mentir de todas as formas. Mas eu não sabia mentir a Lily Evans e, se ela viesse perguntando coisas, eu com certeza daria com a língua nos dentes.
– Oi – Lily disse, abrindo um largo sorriso quando sentou ao meu lado na mesa da Grifinória no café da manhã seguinte.
Comecei a coçar a cabeça, nervoso. Olhando de Sirius para Marlene, Marlene para Sirius. Os dois negando veementemente com as cabeças. Não abra o bico, não abra o bico.
Calma, foi só um oi. Um oi maravilhoso. Ela estava com os cabelos soltos e não os penteou, e eu adorava quando ela deixava-os assim, jogados naturalmente.
– O gato comeu sua língua, Prongs? – perguntou Sirius. – Evans falou oi, diga oi a Evans. Onde está a sua educação?
– Aposto que ainda nem acreditou que saiu com ela – exclamou Frank, rindo juntinho com Alice ao seu lado.
– Ou ela o azarou – provocou Remus, sorrindo. – Vocês sabem, para não ouvi-lo ficar falando do incrível jogo que vai acontecer semana que vem ainda. Por isso só está saindo a baba agora.
Lily continuou passando geléia em sua torrada enquanto ouvíamos nossos amigos dando risinhos. Lily e eu trocamos um olhar significativo e, por alguns minutos, esqueci como se parava de sorrir. Ela também estava escondendo um sorrisinho, mas um sorrisinho que não passou despercebido por Dorcas, ao lado de Remus, que se debruçou para exclamar:
– Vocês totalmente ficaram.
E começou o alvoroço. Não fazia nem dez horas desde o acontecido e eles achavam que já éramos o casal de Hogwarts.
Como é que eles não repararam que Sirius e Marlene dormiam juntos? De qualquer forma, eu não liguei para a atenção. Lily, entretanto, ficou pedindo para todos calarem a boca, mas, para a minha surpresa, ela não negou o que Dorcas apenas tinha confirmado.
Foi então que Alice e Frank se vingaram de mim.
– Lily e James, embaixo de uma árvore...
– B-e-i-j-a-n-d-o!
– Embaixo da árvore, dentro do armário de vassouras, na sala dos professores, na sala comunal, na...
– Calem a boca – ela pedia, ficando vermelha e tampando o rosto com as duas mãos. Mas estava rindo por trás delas. – Calem a boca.
– Não façam ela se arrepender, por favor – pedi, e eles começaram a rir. Não era para tirar sarro, não era para debochar. Apenas estávamos contentes.
Não me sentia assim há anos – não me senti assim nunca. Queria ficar com ela o tempo todo, beijá-la o tempo todo e sorrir o tempo todo. Suas amigas ficavam me passando uns olhares que me deixavam constrangido, do tipo “eu sabia que você não ia resistir, Lily. Ele está tão gostoso.” Claro que elas não diziam isso comigo por perto, mas para falar a verdade, eu gostava de imaginar que o dormitório delas era infestado de conversas sobre mim.
Toda vez que eu passava por perto delas, Marlene e Dorcas cutucavam Lily, distraída com alguma coisa, para chamá-la atenção. Lily ficava pedindo para elas pararem veementemente, mas no fim retribuía meu aceno e meu sorriso. Não pude deixar de notar a diferença dos anos anteriores. Claro que ela ainda era orgulhosa o suficiente para se aproximar de mim como se eu não fosse grande coisa, apenas para confirmar:
– Sete horas hoje, corredor do sétimo andar. Não se atrase.
Sirius fez um uivo indiscreto ao meu lado, enquanto Peter e Remus cobriam suas risadas.
– Lily Evans, o que você quer fazer com o meu amigo no sétimo andar, hein?
Ela ficou imediatamente vermelha e se corrigiu rapidamente.
– Estou falando das rondas! Ai, vocês não prestam. E não pense que eu não vi o que fez com os dentes daquele garoto do terceiro ano, James.
– Ei, ei, ele mereceu dessa vez – apressei-me a dizer. – Ficou falando de uma tal Monitora-Chefe de um jeito nada inocente.
– O garoto só tem treze anos!
Sirius e eu rimos.
– Ruiva, você não tem idéia do que nós pensávamos das garotas do sétimo ano nessa idade – informou Sirius. – Não éramos nada inocentes. Não brigue com James apenas por ele estar com ciúmes.
– De um garoto de treze anos? – Lily ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços e olhando para mim. – Você se sente ameaçado por um garoto de treze anos, James? Achei que fosse mais confiante que isso.
Como ela conseguia me fazer sentir tão estúpido? Sirius agora estava rindo de mim. Ergueu o braço para tocar a mão de Lily no ar, mas ela o deixou no vácuo, e virou as costas sabendo como fazer a gente se sentir bem idiota.
Nunca mais azarei ninguém depois daquele dia.
Não foi uma decisão de um dia para o outro. Quando dei por mim, eu não tinha mais aquela necessidade constante de azarar qualquer um que eu via pela frente.
Só o Snape. Mas era um caso a parte. E ela não precisava saber disso.
A verdade era que tínhamos preocupações mais urgentes, especialmente por estarmos nos níveis de N.I.E.Ms que eram dez vezes pior do que N.O.Ms. Sirius ainda achava desnecessário que nos preparássemos para isso, contando com as inúmeras notícias de ataques de Comensais da Morte.
Uma noite encontrei Lily consolando Alice Prewett que chorava desesperadamente. Eu me aproximei imediatamente para saber o que estava acontecendo, porque não me parecia ser um choro do tipo “Frank e eu brigamos!”, mas do tipo...
– Foram dois parentes delas – contou Lily baixinho quando sentei ao outro lado de Alice. – Foi... terrível. James, o que eles fizeram com...
– Eles? – perguntei espantado.
Alice enxugou o rosto.
– Precisaram de cinco Comensais da Morte covardes... para matá-los... torturá-los... tudo. Não sei, simplesmente não sei o que meus primos fizeram para merecer isso... E sabem o que é pior? – olhou para nós dois. – Sabem o que é pior? V-v-v-v-... Você-Sabe-Quem tomou o poder em Azkaban e nenhum Comensal da Morte está pagando o preço pelo que eles fazem...
– É por isso que eles devem morrer. – Sirius estava por perto e falou, irritado.
– Não merecem morrer – disse Remus. – Eles merecem um sofrimento muito maior e agonizante do que a morte. A morte nem sempre... nem sempre é o pior destino. Mas o mundo não está justo.
– Nunca foi justo – eu me ouvi dizendo. Percebi que meu sangue estava fervendo, fervendo de raiva, queria fazer algo por Alice, e por todos os outros bruxos que estavam perdendo suas famílias por causa daquela rebelião de sangue-sugas.
Levantei-me do sofá e despenteei meus cabelos, nervoso e frustrado. Pela primeira vez, senti-me impotente, por não ter idéia do que fazer... Um Mapa do Maroto ou meu animago não ia ajudar em nada naquele momento. Muito menos azarações. Queria duelar com todos os Comensais da Morte para vingar a morte da cada um dos trouxas e nascidos-trouxas...
– James – ouvi a voz de Lily me chamar quando eu estava olhando para a chuva de novembro pela janela da torre. Senti seus dedos suaves envolverem meu pulso para que eu me virasse para ela. Sentamos juntos no batente da janela, a água da chuva batendo uma a uma contra o vidro. – Sei como está se sentindo. Tenho a mesma raiva.
– Não, você não sabe – eu disse olhando diretamente para ela. – Você não tem idéia do medo que eu tenho toda vez que eu acordo... do medo de que algo aconteça... Não passo um dia sem me lembrar do que aconteceu com a Macdonalds. Poderia ter sido...
Não consegui dizer, não consegui pensar.
Lily me abraçou, impedindo que eu dissesse.
– Vem cá – ela pediu com a voz baixa e levou-me para um canto da Sala Comunal.
Sem pensar, sem me preparar por isso, mesmo com a Sala Comunal cheia, Lily me colou em um beijo. Entrelaçou os braços ao redor do meu pescoço e, no escuro perto das escadas, seus lábios se entreabriram para receber minha língua. Elas se chocaram veementemente, e eu pude sentir que tudo ia ficar bem... contanto que ela estivesse ali, beijando-me, e eu com meus braços ao redor dela, sem intenção nenhuma de soltá-la. Não foi nada comparado ao nosso primeiro beijo. Aquele foi melhor, mil vezes melhor, e foi, de certo modo, urgente e mais forte.
Quando nos soltamos, não nos soltamos.
– Sou louco por você, sabia? – falei, roçando um dedo pela mecha do seu cabelo.
Ela fez uma irônica expressão pensativa. Sorria e, distraidamente, dobrou a gola da minha camisa, seu corpo ainda colado ao meu. Quis conhecer cada centímetro daquele corpo. Por isso, abracei sua cintura.
– Pode ter dado algumas dicas sobre isso – falou jogando os cabelos para trás em uma bela imitação convencida.
– Acho que até a McGonagall sabe. Depois que ela confiscou aquele meu poema.
– Não sei porque ela brigou. Ela devia ter ficado orgulhosa que pelo menos as palavras rimaram – Lily disse inconformada. – Mas, por favor, não peça mais ao Hagrid para trazer flores no Salão Principal.
– Você não curte atenção, não é?
– Bom, quero dizer, você podia ter pedido a qualquer um dos seus amigos. Hagrid é alérgico a lírios.
Começamos a rir baixinho. Aos poucos, nossas risadas foram cessando e eu beijei seus lábios, fraquinho. Duas vezes. Ela estava com os olhos fechados, então isso me deu embalo para a pergunta que nunca deixava de ser a mais importante:
– Sai comigo amanhã, então, Evans?
– Não – ela disse, sorrindo.
– Depois de amanhã?
– Não.
– Sugira um dia.
– Que tal hoje?
Mal acreditei. Ela me beijou, mas eu a interrompi.
– Hoje não posso – eu disse displicente.
– Ah, você não pode? – ela ergueu uma sobrancelha.
– Nope.
– Claro. – Ela abraçou-me e se aproximou do meu ouvido para sussurrar. – Esqueci que hoje será lua cheia.
Por um reflexo instantâneo, eu me afastei dela.
– Que é que você disse, o que isso tem a ver, o que você está dizendo, não é por causa disso ou... – ajeitei meu colarinho. Minha voz saiu desafinada: – Quê?
– Hogsmeade amanhã, então – ela confirmou, fingindo me ignorar.
Voltou com as amigas como se não tivesse revelado que ela sabia o que Remus Lupin era e que nós andávamos com ele todas as noites de lua cheia desde o quinto ano.
Não importava o que eu estava sentindo por ela. No dia seguinte, Remus, Peter, Sirius e eu a levamos para uma das salas vazias do corredor e a sentamos na cadeira em frente a nós quatro.
Nós a colocamos no paredão.
– Evans – disse Sirius com os braços cruzados. Nós quatro estávamos sérios.
– Black – ela disse devagar, olhando para cada um de nós com a testa franzida. – Eu quero sair com James, não precisam me sequestrar.
– Ontem você disse algo sobre a lua cheia – eu falei com a voz alta. – O que significou isso?
– Diga! – Peter exclamou bem em frente ao rosto dela. Lily apenas piscou. – Andou nos bisbilhotando!
– Peter, Peter – Sirius o afastou da carteira que Lily estava sentada. – Desculpe a afobação do Pettigrew. Só estamos dando a chance de você se explicar, Evans, ou...
Os olhos dela se estreitaram.
– Ou o quê? James, o que é isso?
– Explique-se – eu pedi. – Como sabe sobre o Remus?
Remus estava calado. Lily guiou os olhos até ele.
– Como eu sei sobre você, Remus? Não foi porque andei bisbilhotando o que vocês fazem. Por dois anos fomos monitores juntos, e por sete anos você está na minha turma. Vejo como sempre ficou doente por dias... você acha que eu não iria me preocupar? Não pesquisei sobre isso, não corri atrás para ter certeza. Nem ao menos perguntei, pois sabia que você teria que arrumar desculpas e mentiras e não queria que você mentisse para mim. Mas sempre desconfiei da sua licantropia.
– E como sabe que eles me acompanham todas as noites? – perguntou Remus baixinho. Ele não gostou da idéia de confrontarmos Lily. Muito menos eu. Mas nossos segredos eram importantes demais para não cuidarmos dele.
Marotos antes de garotas.
Foi então que Lily começou a dizer dessa vez, no entanto, olhando para mim:
– Porque eu sei que você não descansaria até que pudesse encontrar alguma forma de ajudá-lo, James. E ainda mais quando se trata de um dos seus melhores amigos. Não foi porque andei bisbilhotando, já disse. Foi porque aprendi sobre você. Sobre vocês, para falar a verdade. Eu só não sei o que vocês fazem para ficarem juntos, mas sei que fazem alguma coisa. Algum feitiço? Alguma poção? Bem, não me importo na verdade. Contanto que não entrem em perigo ou coloquem a escola em perigo... não é da minha conta.
Foi difícil não amá-la depois disso. Eu só tinha mais uma pergunta.
– Há quanto tempo sabe, Lily?
– Tempo suficiente – respondeu.
– E mesmo assim... você ficou calada? – perguntou Moony. – Mesmo assim, continuou fazendo rondas comigo sem se importar?
– Por que eu me importaria? Você é igual a todos nós, Remus, só tem um...
– Probleminha peludo – eu terminei.
Remus imediatamente falou:
– Lily, desculpe por isso.
– É compreensível. Posso ir agora? Tenho um encontro.
Sirius impediu, antes que Lily ficasse em pé novamente.
– Nada disso. Ainda não acabou. Temos mais um assunto para tratar com você, Evans.
– É – concordou Peter.
– Só mais um – disse Remus.
Eu não estava sabendo desse assunto. Foi então que Sirius perguntou seriamente:
– Quais suas intenções com James Potter?
Ela deixou escapar um riso incrédulo.
– Minhas intenções?
– Se magoar o James – disse Peter – vai se ver com a gente.
– E Sirius conhece muitas azarações – concordou Remus.
– Esses olhos verdes aí... – Sirius apontou dois dedos para os olhos de Lily que tinha as sobrancelhas tão levantadas que estavam quase saindo da testa – não nos enganam.
– Estamos de olho em você. Nada nos escapa.
Eu estava muito agradecido pela preocupação deles. Lily cruzou as pernas e os braços, quando se deixou sorrir e disse com a voz calma:
– Magoá-lo não é minha intenção, não se preocupem.
– Pode jurar solenemente? – perguntou Sirius cruzando os braços. – Só acreditamos quando jurar solenemente. Você jura?
– Não precisa jurar, Lily – falei depressa, sem querer que ela se sentisse pressionada ou coisa assim.
– Eu juro solenemente – ela disse sem hesitar e olhando para Sirius como se tivesse aceitado um desafio. – Mais alguma dúvida, Black?
– O que Marlene fala sobre mim?
Lily deu de ombros, sem revelar novidade alguma.
– Ela te acha um babaca, por quê?
– Merda. Prongs, nós a aceitamos e ela é toda sua.
Constatando isso, Sirius saiu da sala com Peter em sua cola. Eu estava louco para tentar segurar a mão de Lily, mas Remus nos interrompeu brevemente, antes de sair.
– Obrigado, Lily – ele disse. – Por não se importar com o que eu sou.
– Eu me importo com quem você é, Remus. Um bom amigo, leal e gentil. Preocupe-se em continuar demonstrando isso para as pessoas, elas não se importarão com seu probleminha peludo caso descobrirem também.
Remus abriu um sorriso pequeno. Então, olhando para mim e para Lily, disse:
– Vocês dois são mais parecidos do que pensam.
Quando saiu da sala, Lily se levantou da cadeira e, juntos, caminhamos até a estrada de Hogsmeade. Ora ou outra, Lily dava umas risadinhas.
– Eles interrogam todas as suas namoradas daquele jeito?
– Eles nunca fizeram – eu disse pensativo. – Fiquei surpreendido.
– Eu não. Acho que o mais justo para Sirius é ter certeza de que eu não decepcione o melhor amigo dele.
– Por que você me decepcionaria?
– Posso não ser tudo o que você diz que sou, James.
– É verdade. Você não é tudo o que eu digo. Você é mais.
Ela sorriu olhando para o céu nublado daquele dia.
– Por que diz essas coisas?
– Pra te deixar sem jeito. E pra te ver colocar o cabelo atrás da orelha. Pra você sorrir assim. Consigo sempre.
– Sempre?
– Você nem repara.
– Bem, você também tem suas manias, James Potter.
– A do cabelo eu faço de propósito – dei um sorriso inclinado.
– Ajeita seus óculos de propósito também?
– Faço muito isso?
– Acabou de fazer e nem notou.
Tive uma sensação, uma dor rápida no peito. Minha mãe sempre dizia que meu pai fazia isso também.
Nós sorrimos um para o outro. Senti a mão dela roçar a minha. Estávamos próximos o suficiente para isso. A princípio achei que ela tinha encostado sem querer. Mas por um bom tempo, na caminhada em silêncio, nossas mãos se chocaram com muita frequência para duvidar que não fosse acidental. Então ergui um dos meus dedos e ela os segurou com dois dos seus delicados e macios. No próximo minuto, Lily estava segurando a minha mão para sair comigo.
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