Prongs
16 "Seu Idiota"
Notas iniciais
Nunca me consideraria um cara romântico. Sirius não acreditava nessas baboseiras, mas quando você tem a garota certa, você faz de tudo por ela.
– Aceita uma ajudinha, Evans? – minha voz saiu alta embaixo da chuva. Acabava de voltar do treino de Quadribol e, para chegar mais rápido, eu sobrevoava pelo terreno vasto de Hogwarts com a vassoura. Acabei avistando Lily caminhando de volta para o castelo com o capuz da capa negra do uniforme de Hogwarts cobrindo-lhe a cabeça e o corpo. Ela não parecia tão apressada, mas o sorriso que mandou para mim indicava que ficou bem agradecida quando inclinei meu guarda-chuva acima de sua cabeça, protegendo-a da chuva.
– Péssimo dia para estudar no jardim – ela comentou, andando ao meu lado. Eu sobrevoei ao seu ritmo e sua altura. – Ei, mas você está se molhando agora.
– Não fico mais molhado que isso – respondi sorrindo. – Quer uma carona para chegar mais rápido?
– Quê? – ela olhou espantada. – Na sua vassoura?
– Tem medo? – fiz um sorriso para começar a debochar dela, mas Lily não me deixou.
– Não deve ser mais difícil do que aparatar – falou bravamente e, então, eu estacionei a vassoura para que ela montasse. Como estava com a saia do uniforme teve de deixar as duas pernas para um lado só. Eu segurava o guarda-chuva com uma mão e a outra apoiava em sua cintura. Ela sorriu. – Não é tão difícil.
– Ainda nem saímos do chão – eu informei. Levantei um dedo. – Regra básica para se sentar em uma vassoura como carona.
– Não cair – adivinhou Lily, olhando tensa para o chão que, aos poucos, ficava distante.
– Confiar em James Potter.
– Sem problemas – disse. – Confiar em você. Tudo bem, posso fazer isso.
– Pronta?
Ela assentiu com a cabeça. Ainda estava olhando para o chão, então eu segurei seu queixo fino e a fiz me encarar.
– Nunca, jamais, na sua vida, sente em uma vassoura e fique olhando para o chão.
Ela não olhou mais para o chão.
– Agora nós vamos começar a voar.
– O que estávamos fazendo até agora?
– Pegando altura.
– Entendi. É óbvio.
Percebi que ela estava bem nervosa. Decidi me aproveitar da nossa aproximação.
– Você precisa se encostar mais em mim para a vassoura se equilibrar melhor.
– Ah preciso? – ela abriu um sorrisinho irônico.
– Claro – eu disse seriamente. – E eu preciso envolver sua cintura para que você não caia daqui. Só uma questão de segurança.
– Uma questão de segurança – concordou e, então, a lateral do seu corpo ficou encostada ao meu peito. Mesmo que estivesse um frio lascado naquele momento, foi fácil encontrar algum calor. Inclinei meus lábios em um sorriso quando ela olhou para mim. Pingos da chuva anteriormente em seu rosto derrapavam sobre as sardinhas até a ponta de seu nariz.
Estávamos com os rostos próximos o suficiente para que eu depositasse um beijinho bem ali, e ela sorriu mais tranquila. Nem tinha dado conta de que estávamos na altura da Torre da Grifinória. Avistei a primeira janela aberta.
Quando Lily observou onde estávamos, ela ofegou e se agarrou inteira a mim.
– James!
– Vai ser rápido.
– Eu preciso chegar viva!
Comecei a rir, mas ela estava nervosa.
– Você vai agradecer as minhas habilidades na vassoura, Evans.
– Me coloca no chão agora. Por favor. James!
Com a confiança que só eu mesmo tinha, voei com a vassoura em direção ao feixe de luz que indicava a janela da Sala Comunal da Grifinória aberta. Tinha uma mira excelente. Já fiz a aterrissagem milhares de vezes. Quem precisava de escadas? Mas Lily nunca tinha feito, e ela estava brava quando eu a coloquei sã e salva no chão da sala. Tanto que até me empurrou, nervosa.
– Isso foi... isso foi...
– Digno de se fazer de novo? – sorri.
– Algo que se faz uma vez na vida – completou, desfazendo a expressão de desespero quando percebeu que estava viva, sem nem um arranhão no corpo. – Nunca mais, porém, me coloque nessa vassoura.
Marlene, que tinha nos observado entrando na Sala com estilo, estava no sofá com uma revista em mãos. Ergueu os olhos para nós.
– Ele deixou você voar na vassoura dele? – fez uma expressão risonha. – Ah, Lily Evans, essa é a maior prova de todas.
– Prova do que? – perguntou confusa.
– Prova – ela disse, misteriosamente, e voltou a ler a revista. Sirius estava cochilando deitado com as pernas apoiadas em seu colo.
– O que Marlene está querendo dizer, Lily – eu disse displicentemente. – É que eu estou te pedindo em namoro, apenas isso.
– Ah – ela fez. – Me pedindo em namoro quase me derrubando de uma torre?
– Bom – eu ajeitei meus óculos inocentemente. – O que custa tentar ser um pouco diferente, não é?
– Seu idiota – ela disse, mas não avançou em mim para me bater. Ela envolveu seus braços ao redor do meu pescoço e, erguendo os pés, beijou-me na boca. Não foi um beijo que envolveu nossas línguas, como eu bem gostaria que tivesse sido, mas era sempre bom sentir aqueles lábios, principalmente quando estavam tão fortes, bravos, frustrados. Ela acabou me soltando e se afastou para o dormitório feminino sem dizer mais nada.
– Espere, isso foi um sim, Evans? – esfreguei as mãos nos meus cabelos encharcados, nervoso mas com o coração a mil por hora, porque era possível que aquele não tivesse sido um não também. Quando Lily sumiu para dentro de seu quarto, eu me virei para Marlene. – Por que ela adora fazer isso comigo?
– Porque ela sabe que você fica ainda mais doido por ela – respondeu Marlene sorrindo. – Olha, James, conheço Lily desde criança. Aquele foi o “sim” dela para você. Comemore.
E eu comemorei. Não foi com uma dancinha idiota, uísque de fogo ou cerveja amanteigada, nem mesmo azarando alguns alunos. Foi na comemoração do primeiro jogo daquele ano, contra a Lufa-Lufa, depois que fiquei conversando com meus amigos sobre o jogo e fiz o grito de guerra em cima do sofá, como exigia a tradição. Foi depois que Lily passou o tempo todo na comemoração conversando com as amigas, parecendo não dar a mínima para as garotas que vinham me cumprimentar e abraçar pelo jogo ouvindo atentamente meus relatos de como consegui capturar o pomo ou fazer alguma manobra. Foi depois que a festa ficou mais calma, Lily se aproximou de mim ao lado do sofá. Eu estava tão entretido em contar ao pessoal da rodinha como precisei me esforçar para treinar a manobra que me ajudou a capturar o pomo, que mal reparei quando ela colocou meus braços ao redor de seu ombro e ficou ali comigo brincando com meus dedos.
Inclinei-me para dar um selinho nela. Então ela perguntou baixinho:
– Vamos dar o fora daqui?
– Mas eu estava acabando de contar... Claro. – Vi o olhar dela e, tendo minha mão sendo puxada por seus dedos, não avisei ninguém que saímos da festa. Não que Sirius estivesse ali na festa... ou Marlene. Os dois provavelmente usando o dormitório. E Dorcas e Remus estavam em um canto sozinhos. E Peter estava se debruçando nos chocolates de comemoração. Não se importariam em darmos uma escapada.
Foi então que comemorei, só com ela, no jardim. Embora estivesse frio e a chuva pudesse cair naquele instante, ficamos juntos sentados no banco embaixo da mesma árvore que eu costumava descansar para ficar observando ela do outro lado. Agora ela estava ali comigo. Dessa vez não conversamos muito, acho que estávamos precisando de outra coisa. Afogara a mão em seu cabelo quando ela me puxou para começar um beijo que não pretendeu terminar cedo.
Abraçou-me quando os lábios se afastaram e eu a envolvi pela cintura fina. Estava em pé a minha frente no banco e deu um leve riso quando ergui meu rosto para mirar minha boca até seu queixo. Desci suavemente para o seu pescoço. Ela se arrepiou.
– Isso é mil vezes melhor do que uísque de fogo – eu comentei. – E é bem mais fácil de ficar viciado. Quero comemorar todas as minhas vitórias só com você.
– Não estou te beijando porque venceu – sorriu, distribuindo alguns beijinhos pelo meu rosto até chegar aos meus lábios novamente.
– Está me beijando porque fico incrível no uniforme de Quadribol.
– Uma das razões – admitiu, sorrindo ainda mais. O sorriso dela era lindo, mil vezes melhor quando era para mim.
– Ah, então tem mais de uma. Eu adoraria passar o fim dessa tarde ouvindo as outras...
– E te ajudar a inflar esse ego até ficar mais pesado do que um hipogrifo? Não, obrigada.
– Tudo bem, eu adivinho. Deve ser o meu cabelo, obviamente. O jeito que eu faço você sorrir. Você não sorri assim para mais ninguém. E como sou engraçado, particularmente criativo, beijo divinamente bem, e...
– E é muito modesto – ela completou, ironicamente.
– Posso te contar as razões porque eu quero beijar você o tempo todo também, para ficarmos aqui até o ano que vem.
– Não – ela disse. – Não conte.
– Você quer adivinhar?
– Entenda, James... estive tentando não me apaixonar por você. Você só tornou tudo incrivelmente mais difícil dizendo todas essas coisas para mim.
– Certo, entendi. Vou apontar todos os seus defeitos de agora em diante.
– Ótima idéia – ela disse, animada. Sentou sobre minha perna esquerda e enrolou o braço pelo meu ombro para pedir: – Seja detestável.
– Ok. Defeito número um... – Desisti logo na primeira tentativa. – Vamos esperar mais alguns meses para isso, agora eu só consigo te achar perfeita.
Avancei rapidamente para cheirar o pescoço dela, pegando-a de surpresa, e ela gargalhou com as cócegas.
– Cala a boca, James – pediu baixinho.
Eu estava mirando meus lábios em cada ponto de seu pescoço até me aproximar no canto de sua boca vermelha.
– Ainda bem que agora você tem uma ótima maneira de fazer isso – sussurrei.
Nós trocamos um olhar.
– Certamente tenho – concordou e, dizendo isso, pegou meu rosto com as duas mãos para capturar meus lábios e me calar a boca.
Desde aquele inverno de 1977, eu não quis e não tive outra garota.
Aquela foi uma época que se calculassem o índice de casais em Hogwarts, era possível que as contas dessem um número elevado. Parte dos casais que se formavam naqueles tempos dizia que apenas não queriam perder mais tempo com baboseiras como “ai, será que ele ou ela vai gostar de mim?” Estávamos em um tempo em que você não tinha certeza do que iria acontecer nos próximos dias. Hogwarts ainda era o local mais seguro para se viver, mas ainda assim... havia algumas preocupações – eu tentava pensar o menos possível nelas, quando Lily estava comigo.
Mesmo que Sirius não considerasse Marlene uma namorada ou vice-versa, uma ou duas vezes antes do Natal encontrei os dois sentados juntos na mesma poltrona, rindo sobre alguma coisa só deles. Outro dia Sirius até negou sair com uma garota do sexto ano porque queria assistir aos nossos treinos, e eu tinha certeza que não era por minha causa.
Remus tinha Dorcas... embora, de alguma forma, Dorcas fosse infestada de caras convidando-a para sair. Isso deixava Moony bastante inseguro e, idiota como só ele era – além de muito altruísta – disse que ele não seria bom para ela e que deviam terminar.
A resposta da garota foi digna:
– Não é você que vai me dizer o que é bom para mim ou não.
Mas eu sabia a preocupação dele. Ele ficava se remoendo.
– Dorcas é decidida – Lily disse, sentada ao meu lado na mesa do Três Vassouras enquanto dividíamos a mesma cerveja amanteigada e uma torta de limão, nossa preferida. Remus, Peter, Marlene e Sirius estavam com a gente na mesma mesa. – Não faça as escolhas dela, Remus.
Talvez fosse muita informação para reunir coragem e contar a alguém, mas eu sabia que parte da decisão de Remus por terminar com Dorcas era por ele estar escondendo sobre seu probleminha peludo. Algumas pessoas podiam ser surpreendidas demais e fariam coisas que talvez nunca pensariam em fazer... Duvidava que se Sirius e eu não tivéssemos bisbilhotado Remus no segundo ano, ele em nenhum momento contaria para nós sobre seu probleminha peludo. E Dorcas não estava disposta a terminar com ele.
– Lily, sobrou um último pedaço – eu disse ao perceber que o prato estava ficando vazio. Nós nos entreolhamos. Aquele era um momento delicado. Entendam, nós dois já tínhamos saído juntos por uma quantidade considerável de vezes para descobrirmos que nenhum de nós gostava de dividir o último pedaço de uma deliciosa torta de limão.
– É meu, Potter. Sai, sai.
– Não, é meu, Evans.
Empurrei o garfo dela e peguei o pedaço maior. Antes que eu o colocasse na boca, Lily agarrou minha mão e levou o garfo para a boca dela. Sorriu travessamente.
Antes que eu ficasse irritado com ela, Lily me beijou.
– Está me manipulando com beijos, Evans? Você sabe que isso sempre dá certo.
Sirius deu um longo suspiro, observando nós dois com os olhos quase fechando de tédio.
– Marlene, quando você vai começar a me manipular com beijos?
Aquilo pegou todo mundo de surpresa. Marlene estava entretida em um livro quando ouviu o que Sirius falou. Deve ter dado um chute na canela dele, porque Sirius escondeu uma expressão dolorida.
– Do que está falando, idiota?
– Nós sabemos, Marlene – Lily disse, fazendo uma expressão frustrada. – Sobre vocês dois, está ficando muito na cara ultimamente. Ficou até patético esconderem isso. Ou tentarem.
– Não estamos namorando – ela apressou-se a dizer. – Quê? Quem é que... o que... nós... Black. Olha. Só nos beijamos algumas vezes...
– E tomaram banho algumas vezes juntos...
– BANHO? – Lily se virou para mim com os olhos arregalados.
– James, seu verdadeiro idiota.
– Não era pra você comentar isso, Prongs...
– Eu não aguentava, ficava engasgado, achei que era para confessar! – me defendi depressa.
– Lily – disse Marlene depressa. – Eu te disse que tinha um segredo, ok? Eu disse que ia te contar na hora certa...
– Achei que contássemos tudo, Marlene. E você escondeu que andou... que ficou... que... Você está transando?
Ela encolheu os ombros. Era como se nós, garotos, não estivéssemos na conversa delas, o que foi bem legal porque pudemos ouvir.
– Alguma hora isso ia acontecer, Lils. Se até a Alice...
– Sério? – eu e Sirius nos debruçamos quando ouvimos isso. – Ah, Frank, sabíamos que ele era um tigre!
– Eles namoram desde o primeiro ano – fofocou Marlene. – É impossível que eles nunca tenham... – ela viu a expressão de Lily. – ELA TE CONFIRMOU ALGUMA COISA?
– Pode ter confirmado.
– E você não me contou? E ela não me contou? Será que só a Dorcas me conta essas coisas?
Eu, Lily, Sirius e Peter gritamos para Remus:
– DORCAS?
Foi uma noite em Hogsmeade repleta de revelações e gargalhadas, principalmente depois do que Marlene tinha deixado escapar, o que resultou em Sirius ficando muito orgulhoso de Remus. Éramos assuntos delas, éramos assuntos delas. Sirius sempre tirou satisfação de que elas falassem sobre nós, e agora tivemos uma confirmação disso.
Peter estava com certa dificuldade em encontrar uma namorada. Ficamos meio mal por ele ficar segurando vela em Hogsmeade, de modo que fui amigo suficiente para perguntar a Lily enquanto caminhávamos de volta para o castelo, abraçados por causa da neve que congelava pelos arredores da vila:
– Você não teria uma amiga que gostaria de sair com o Peter, teria?
– A única que estava solteira há uma hora era Marlene – ela disse. – Tecnicamente. Ainda não acredito que ela não me contou que ela e Sirius estavam dormindo juntos. Achei que contássemos tudo uma pra outra, sabe?
– Você nunca deve ter apoiado que ela gostasse do Sirius, por causa do jeito que ele lida com as garotas. Sabia que ela poderia ser magoada por ele.
– Sim... Acho que não posso culpá-la por querer esconder isso. Mas me surpreendi com Sirius, ele realmente não deu em cima da Rosmerta hoje.
Ela soltou uma risada pelo nariz, ainda inconformada.
– O tempo passou bem rápido. Às vezes parece que perdemos tempo brigando, não parece?
– A culpa foi minha – eu disse. – Preferia entrar em encrencas a mostrar a você que posso ser um cara legal. Não tive lá umas prioridades boas... Pareciam boas na época, só que agora... tenho uma melhor.
Paramos de andar e, segurando sua mão, puxei seu corpo para mim. Abraçamo-nos e ela ergueu o rosto para me deixar beijá-la. Ela tinha um gosto delicioso, de todas as coisas boas do mundo.
– James – ela disse baixinho como se estivesse se despertando quando o beijo começou a se aprofundar demais.
– O que?
Não queria parar para conversar naquele momento. Mas ela precisava dizer.
– As coisas que estão acontecendo me faz pensar no que realmente importa. No que deve importar... E talvez Sirius tenha razão sobre esquecermos de viver e pensarmos o tempo todo só em passar nos N.I.E.M’s... não devia ser assim... Devíamos aproveitar cada momento com as pessoas importantes...
– Não fala assim – eu pedi. – Se depender de mim, nada vai acontecer, eu prometo isso.
– Não me prometa isso, James – ela apertou minha camisa com força e tinha uma raiva feroz em seus olhos verdes. – Não me prometa que nada nunca vai acontecer com algum de nós. Mas eu vou me preparar para isso... da melhor forma possível... Nós vamos nos preparar juntos. Prometa isso. Não, não quero que prometa. Eu quero que jure solenemente.
– Eu juro, Lily.
Mas eu não estava gostando nada dessa conversa. Piorou mais ainda quando ela confessou:
– Preciso passar mais tempo com meus pais. Então eu vou passar o Natal com eles... Não vou ficar em Hogwarts esse feriado.
– Não vamos nos ver até janeiro?
Incrível como a espera de uma semana para ver ela me parecia ser bem dolorosa. Mas ela me olhou e disse:
– Se não aparatar dentro da sala, meus pais não vão ter nada contra você.
Ela estava me convidando para a sua casa com a família dela. Aquele relacionamento, para ela, não era somente um dia de amasso no armário de vassouras. Era... sério. Ela me queria no Natal com sua família.
– O que me diz? – ela sussurrou. – Sei que ainda é cedo... mas...
Eu compreendi.
– Bem – eu falei animado. – Pais normalmente me amam, por que os seus não amariam?
Ela riu. Parecia estar confusa, mal acreditando em si mesma, mas acabou me abraçando aliviada. O abraço dela não era como aquele que as pessoas me davam por vencer um jogo de quadribol, por me cumprimentar ou mesmo por me consolar. Era um abraço só dela. Seus braços se enrolavam ao meu dorso e ela tinha mania de apertar o tecido da minha camisa nas costas; e seu rosto sempre, sempre se encostava ao meu peito.
Eu beijei o topo de sua cabeça, sem parar de pensar no que ela disse.
Sobre aproveitar cada minuto com as pessoas mais importantes.
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