Promises in the Dark
29 O Fim
Notas iniciais
POV Bella
Vinte e quatro anos...
Apesar de contente pela chegada do meu aniversário, penso que a nova idade pode não ser tão especial quanto os últimos meses da idade anterior.
Na verdade, independente do tempo, acredito que nada que viver no futuro se equipará ao que passei no último verão...
Não Bella, pare com isso!
O verão já acabou!
Foi uma estação linda e cheia de acontecimentos, mas acabou.
Não posso seguir com a vida pensando no que já passou e sem ficar aberta a tudo de maravilhoso que está por vir.
Daqui a alguns meses estarei me formando na profissão escolhida, talvez com honras, graças ao projeto institucional que mudou minha vida, porém com todo um leque de novas descobertas diante de mim.
É isso.
Minha vida não acabou e nem teve seu pico no tempo que passou, ela está apenas começando, seguindo o fluxo conforme o caminho predestinado.
Meu tempo na Silver Horse foi único e sempre o levarei com muito carinho, mas não posso me deixar abater pelas lacunas que ficaram abertas...
Já foi extremamente difícil despedir-me de tudo e todos, ainda que vários convites para retornar em visitas tenham sido feitos, a promessa não ficou estabelecida. Com isso, esse tipo de futuro ainda se mostra muito incerto, uma incógnita cheia de percalços e poucas resoluções.
Nem sei como consegui efetuar as despedidas, já que meu coração estava tão pequeno só de pensar em começá-las, mas depois do momento apavorante que passei em meio à apreensão da situação com Charles, criei forças para fazê-lo, porque não poderia deixar aquelas pessoas especiais sem o cumprimento devido.
Gianna e Santiago pontuaram o prazer em me conhecer e sobre nossa convivência durante o tempo que compartilhamos, sentimento que retribui totalmente, mas também reforçaram o agradecimento ao apoio dado não só aos Cullen e sua situação, porém mais enfaticamente agradeceram a tudo que fiz por Emmett.
Tentei dissuadi-los, entretanto, por fim, somente retribui o carinho e informei o quão importante o filho deles se tornou para mim e que faria tudo de novo sem pensar duas vezes.
A despedida com Alec foi mais contida, porém, ainda sim, terna como a relação que estabelecemos. Trocamos contato, como também pedidos para cuidar-nos, de minha parte em especial, para que ele continue sendo não só o contraponto perfeito entre o irmão mais velho e mais novo, mas o verdadeiro apoio a ambos.
Então Seth completou o ciclo, ao menos por hora, dos McCarty...
— Não vá.
Pronunciou ao me puxar para um abraço.
— Eu tenho que ir.
— Por quê?
— Porque vim para cá em meio as minhas férias e elas estão acabando. Tenho que concluir a faculdade.
— Você poderia pedir transferência para uma universidade em Memphis.
Soltamos do abraço, mas continuamos próximos.
— Ah, Seth. Não é tão fácil. Por conta do projeto, já tive que adiar a conclusão do curso em um semestre, nesse caso preciso voltar para encerrar tudo conforme esperado.
— Que saco. Mas...
— E eu também estou com muitas saudades dos meus pais.
Conclui antes que ele tentasse expor um novo ponto.
— É verdade. Você já parece tão integrada a nós que às vezes esqueço que não é verdadeiramente daqui...
— Pois é. Não sou. E agora voltarei ao lugar que pertenço. Mas jamais os esquecerei.
Alisei seu rosto, apesar do tamanho de homem, o rosto gentil sempre me lembrará de um doce menino.
— É bom mesmo que não, pois nós tão pouco seremos capazes de esquecê-la. Foi muito bom te conhecer Bella.
— Digo o mesmo Seth. Esse verão não teria a metade da importância sem sua presença.
— E como ficam os outros?
— Do que está falando?
— Eu ocupo a metade e o Edward a outra. Então em que porcentagem ficam as outras pessoas?
Não contive um riso, mesmo já sentindo algumas lágrimas querendo me dominar.
— Sentirei falta especialmente do seu senso de humor.
— Venha nos visitar, assim não precisará sentir tanta.
— Veremos como as coisas ficarão. Porém todos vocês também estão convidados a ir me visitar na Califórnia.
— E ai você me apresentará a todas as suas amigas gatinhas?
— No momento não posso afirmar ter muitas amigas, ainda mais solteiras, mas farei um esforço.
— Então está combinado.
Piscou já me puxando para um novo abraço e tomei os segundos de conexão para me recompor antes de continuar com o cortejo de despedidas.
O que não demorou muito, já que em meio a minha saída, estávamos lidando também com o adeus à Jasper e Alice.
— Não deixe de enviar lembranças ao seu pai em nosso nome.
Jasper falou quando parei em frente a eles.
— Não deixarei de agradecê-lo por ter passado o contato de vocês, caso contrário, não tenho ideia do que poderia ter sido dessa fazenda e dessa família, sem seu respaldo.
— Apenas fizemos nosso trabalho Bella.
— Vocês sabem que não Alice. E isso jamais será esquecido. Seja por mim e tão pouco pelos Cullen.
— De todo modo, ficamos felizes em ter ajudado. É nessas horas que nosso trabalho mostra a verdadeira recompensa.
— Não tenho dúvida. – Sorri e ambos me acompanharam. – E agora vocês têm ideia do que farão a seguir ou tirarão um tempo para descansar?
— A princípio pretendemos conseguir chegar até em casa, porém os planos podem mudar, como ocorreu com nossa vinda para cá. – Jasper esclareceu. – Mas não se preocupe, já estamos acostumados a essa rotina nômade.
— Não sei como aguentam. Apesar de todo o conforto que os Cullen sempre dispuseram a mim, estou com falta de casa, quer dizer, do meu dormitório, mas especialmente dos meus pais.
— Acreditamos que sim. E será bom que os reveja, depois de tudo pelo que passou. – Alice pontuou e assenti. – Mas de todo modo, para você a partida não será um adeus completo, não é?
— Não sei. – Eles trocaram um breve olhar. – É a verdade. Quando vim para cá não imaginava viver tudo que vivi. E agora também não sei o que o futuro me reserva, só o tempo dirá realmente.
— Está bem. Você é uma mulher inteligente, confiamos que escolherá o melhor caminho.
— Obrigada.
Agradeci sinceramente o elogio de Jasper.
— Mas não se esqueça de atentar-se bem as suas escolhas.
— Pode deixar Alice.
— E até logo, pois prometemos uma visita a sua família e esperamos encontrá-la em meio à mesma.
— Com certeza.
Os abracei enfatizando mais uma vez a gratidão por tudo e após efetuarem o último tchau a todos, entraram no carro deixando as terras da Silver Horse para trás.
E o sentimento de que em poucas horas seria eu a fazer o mesmo trajeto me acompanhou pelo restante do dia...
Tentei adiar ao máximo a nova onda de despedidas, mas ao fim foi inevitável, assim encontrei-me com Carlisle e Esme para proceder não só com o ato, porém muito mais para demonstrar minha imensa gratidão a tudo que fizeram por mim.
— Você já está com tudo pronto?
Esme questionou assim que entramos no escritório.
— Sim, logo pela manhã, com a ajuda de Rose, consegui arrumar minhas malas e está tudo pronto.
— E você não quer realmente que a acompanhemos ao aeroporto?
Durante o almoço surgiu tal comentário, em meio ao mesmo oferecimento a Jasper e Alice, mas informei sobre preferir seguir apenas com Rose e Emm, como foi quando cheguei.
— Não Carlisle. Agradeço novamente a sugestão, mas não acredito que seja necessário. Além do que, sairei bem cedo e não quero incomodá-los.
— Você sabe que não incomodaria de modo algum querida. E também que acordar cedo não é algo incomum a nós.
— Eu sei Esme. Mas diante dos últimos acontecimentos, acredito que até vocês precisem descansar um pouco mais.
— Ajustaremos tudo por aqui seguindo com a rotina que gostamos. Isso fará com que as coisas voltem ao normal mais rápido.
Assenti concordando com o posicionamento de Carlisle.
— Apesar de sabermos desde o início que sua vinda era passageira, ainda sim é estranho pensar que não estará mais conosco.
— Sinto o mesmo Esme. Como conversamos ontem, antes de tudo acontecer. Creio que minha readaptação não será fácil, mas também terei pontos favoráveis, como rever meus pais.
— Queremos que mande nossos cumprimentos a eles e estenda o convite para que um dia venham conhecer a fazenda.
— Pode deixar Carlisle.
— E você também, espero que não trate o tempo que passou aqui apenas como férias esporádicas de verão. Pois as portas da Silver Horse sempre estarão abertas a você.
— Obrigada Esme, de coração.
— Durante seu tempo aqui, a agradecemos a cada pequena ação feita em nosso benefício, não só com os animais, durante a execução do seu trabalho, mas principalmente conosco, então agora só quero enfatizar novamente toda a gratidão que temos por você, Bella.
— Esme, não há necessidade. Eu que sou imensamente grata pela maravilhosa recepção que tive, por tudo que aprendi, graças à oportunidade que me deram e pelo tempo inesquecível que passei aqui.
— Bella, eu comentei com Edward recentemente, mas não quero deixar de falar a você também. Quando Rose propôs a associação com o projeto da sua universidade, não fui tão receptivo quanto ela ou Esme, tive ressalvas quanto a receber alguém que acabaria sendo tão presente em nossa fazenda, mas ouvi conselhos sábios e decidi dar uma chance e que bom que o fiz.
Fiquei realmente surpresa em ouvir tal declaração do Carlisle, pois desde o princípio ele foi mais do que solícito, literalmente me apoiou desde o início quando Edward teve a atitude hostil, mas apesar de impressionada, não o interrompi.
— Foi um ganho muito grande a fazenda tê-la conosco nesse verão e realmente sentiremos sua partida, mas não somente nos aspectos envolvendo os animais, porque você realmente nunca se ateve apenas a eles, mas sentiremos falta da pessoa doce e sincera que é. Da mulher que nos ajudou em mais momentos e situações do que posso enumerar. Você é uma pessoa incrível Bella e que alegria a nossa em tê-la conhecido.
— Carlisle, eu...
Contive-me diante do choro.
— Apenas aceite nossas palavras Bella, pois são sinceras e provindas do nosso coração. – Esme disse aproximando-se. – Você já teria minha eterna simpatia pela amiga maravilhosa que se tornou aos nossos filhos, mas após tudo que fez por mim também, para sempre terá minha gratidão.
— E eu a vocês, por me recepcionarem tão bem, apoiarem desde que cheguei, pelo respaldo as minhas ações e também por todo carinho ofertado, apesar da saudade dos meus pais, nunca me senti desamparada diante da forma que era tratada. E a honra imensa é minha por ter tido a oportunidade de por esses meses ter feito parte dessa família tão especial.
— Você irá embora amanhã para selar seu futuro profissional Bella, mas saiba que não estamos nos despedindo com um adeus, pois seu lugar conosco, como uma Cullen honorária, sempre estará aqui a sua espera.
— Obrigada Carlisle. Só tenho realmente a agradecer a você e Esme, por tudo.
Ambos me abraçaram e nossa despedida se mostrou bem emotiva.
Ao deixar o escritório segui para o quarto de Edward, onde tomei um banho para espairecer, ao terminar fui até o quarto da Rose para tratar de últimas questões para a partida ao amanhecer e quando retornei ao cômodo masculino tive as melhores e piores horas da minha vida em um mesmo contexto...
Há dias lutava internamente sobre ir embora levando todos os meus sentimentos comigo e ter com Edward uma despedida limpa e direta, mas após os momentos de tensão que passamos, quando pensei que a vida me deixaria e acabaria levando comigo todas as verdades do meu coração, compreendi que precisava falar, só necessitava encontrar uma maneira de proceder com tudo sem acabar magoada e também o deixando em uma situação ruim.
Por isso optei dormir no quarto da Rose na noite anterior, em certo aspecto para desfrutar de um último momento com a primeira amiga que fiz na fazenda e que com certeza levarei para a vida, mas também para controlar e coordenar o turbilhão de emoções que estavam me assolando.
E apesar de ter decidido revelar meus sentimentos, não esperava pelos acontecimentos anteriores, apesar das inúmeras entregas que tivemos, talvez por sabermos conclusivamente que aquela seria a última, tudo teve uma proporção ainda maior, todo mínimo toque, respiração, olhar preso, conexão suprema e não poderia ter pedido por mais...
Após a nova entrega corporal no banho, desfrutando das últimas horas juntos, compreendi que seria daquele modo, apenas com o luar banhando nossas imagens, que declararia meus sentimentos, mas só poderia fazê-lo se Edward prometesse não responder nada, qualquer tipo de ação me levaria a uma espiral de sofrimento.
E sendo o homem honrado por quem me apaixonei, ele cumpriu. Então pude finalmente dizer que o amava, que o amo, que foi inevitável me apaixonar, assim como minha partida seria inevitável também.
E apesar de ainda dolorida, compelida a querer mais, contentei-me com tudo da forma que aconteceu. Após pronunciar as palavras mais sinceras e fortes que já disse a alguém, não falamos mais. Deixamos apenas nossos olhares agirem.
Edward tentou por muito tempo, mas por fim cedeu ao sono, enquanto fiquei contemplando sua imagem perfeita pelo restante do tempo que tive e quando o horário de partir chegou, fiz o máximo possível para não incomodá-lo.
Levei cada uma das malas com cuidado para o corredor, onde Emmett fez a gentileza de transportar á caminhonete de Rose, me troquei com esmero e por conta do banho da madrugada, não precisei tomar um novo para partir.
E com tudo pronto, me aproximei da cama, alisando os fios sedosos do cabelo de Edward e pronunciando ao seu ouvido a declaração por uma última vez, antes de encostar meus lábios em sua testa e deixar o quarto.
Assim que sai da casa, ainda no gramado prestes a entrar no carro, olhei para a casa e me despedi também de tudo que vivi ali, prometendo levar comigo todas as memórias incríveis do verão.
Mas assim que sentei no banco traseiro, tendo Rose e Emm dispostos a frente, como quando vim, não contive mais as lágrimas e segui desse modo por todo o caminho até o aeroporto.
Meus amigos foram extremamente compreensivos e não falaram nada durante o trajeto, deixando-me ter o tempo necessário para absorver o encerramento do ciclo como precisava.
Porém assim que chegamos ao aeroporto internacional de Memphis, tratei de me recompor, pois precisava dar a devida atenção e despedida as outras duas pessoas maravilhosas que o verão me presenteou.
Emmett e Rose me acompanharam durante o check-in e após a liberação para despachar as malas, nos posicionamos em frente ao portão de embarque.
— Parece que foi ontem que estávamos nesse mesmo lugar esperando sua chegada. – Emm comentou. – Quer dizer, não exatamente no mesmo lugar, já que aqui é o portão de embarque e a encontramos a primeira vez no de desembarque, mas vocês entenderam.
Rose balançou a cabeça, enquanto sorri.
— Sim, Emm. Realmente, por isso aceitei que apenas vocês viessem me deixar, para completar o ciclo.
— Apesar de concordar com a perspectiva do Emm, de que parece realmente que não faz muito tempo que estivéssemos aqui, ainda sim, sabemos que faz e muita coisa mudou desde então.
— Acredito que a maior delas seja o fato de agora serem namorados. – Pontuei.
— Essa é uma das coisas, com certeza. – Rose concordou. – Mas também passamos por tanto que é quase impossível acreditar que tudo ocorreu dentro do verão.
— Eu já amava a estação e a partir de agora, amarei ainda mais sempre que me lembrar de vocês.
— Mas você tem que voltar para nos visitar Bella. E em outras estações. Passar pela experiência completa na Silver Horse.
— Mais do que já vivi agora? – Brinquei.
— Muito mais.
— Vamos ver Emm, por enquanto, focarei na finalização do meu curso e no prosseguimento da minha carreira, apesar de não ter planos de estagiar durante esse último semestre, já quero ver se consigo planejar meu futuro profissional para assim que me formar ter um destino certo.
— Estaremos aqui torcendo por você, mas sabendo que sem dúvida alguma terá várias propostas de emprego, ainda mais quando o projeto for lançado.
— Obrigada Rose. Agradeço aos dois todo o apoio. E quem sabe volte por conta de um momento especial, como o casamento de vocês...
— Então não seja por isso, Rose, vamos marcar logo essa data para que a Bella tenha que voltar muitas vezes para ajudar nos preparativos, participar das despedidas de solteiros, da cerimônia e tudo mais que envolve um casamento, só não a lua de mel, é claro.
— Ah, meu Deus. Emm fica quieto.
Não contivemos o riso, mas em meio ao momento descontraído, ouvimos o informativo que o embarque para o meu voo será iniciado, com isso o clima mudou.
— Agora você tem que ir, não é? – Assenti. – Está bem. Mas isso não é um adeus. Você é minha melhor amiga Bella, minha outra irmã e apesar de termos que nos readaptar com a nova rotina distante, manteremos contato sempre.
— Digo o mesmo Rose e esperarei suas visitas à Califórnia. Não vamos quebrar o elo estabelecido aqui.
— Não, não vamos.
Abraçamo-nos e foi inevitável não voltar a chorar, mas quando nos distanciamos vi que Rose também está lacrimejando, então como bobas tentamos secar as lágrimas da outra, mas sabendo que é em vão, virei para Emmett.
— Não tinha ideia que essa viagem me daria um irmão tão especial quanto você, mas só tenho a agradecer por isso e por tudo que fez por mim.
— Não precisa agradecer nada. É isso que os irmãos fazem. E você é simplesmente a minha preferida.
— Está dizendo isso porque seus outros irmãos não estão aqui.
— Você sabe que não é verdade, que falo isso na frente deles também.
Ele me envolveu em seu abraço de urso e aproveitei ao máximo o derradeiro carinho.
— Cuide-se e não vá se meter em confusões na nossa ausência.
— A confusão toda está ficando aqui, com vocês. – Pisquei.
— Me avise quando chegar e encontrar seus pais.
— Pode deixar Rose. E vocês também se cuidem. Não vão aprontar muito, só coisas legais, como certos divertimentos no rio.
— Combinado.
Ambos sorriram prometendo.
A um novo soar informativo do aeroporto, comecei a acenar dando passos em direção ao portão, porém antes de atravessá-lo, virei para fazer um último pedido.
— Cuidem dele por mim...
Sem precisar de resposta atravessei o portão deixando-os para trás, assim como minha história em meio àquele verão...
A viagem tornou-se um borrão de divagações, diferente do voo de ida onde passei boa parte do tempo pensando em tudo que estava por vir, sem ter ideia do que viveria de fato, a volta não teve a mesma empolgação, tão pouco a sensação de alegria.
Mas essa mudou quando enfim aterrissei no aeroporto de Sacramento e reencontrei meus pais, eu realmente estava sentindo saudade deles e foi maravilhoso revê-los, especialmente depois de tudo que vivi.
Apesar das aulas retomarem já na segunda-feira, não abri mão de passar o máximo de tempo possível em suas companhias, por isso a escolha de acompanhá-los para casa e só retornar a Palo Alto no dia seguinte.
Foram horas de conversas e abraços para começar a sanar um pouco da saudade, mas enfrentá-los de cara para contar o que houve as vésperas da minha viagem não foi fácil, porém acredito que por estarem comigo, comprovando que tudo acabou bem, conseguiu acalentar um pouco a preocupação.
E não deixei de agradecer imensamente ao papai pelo apoio com as questões policiais, especialmente a indicação dos detetives que fizeram toda a diferença.
O sábado passou voando, dado o horário que cheguei e o tanto que conversamos. Já o domingo antes de retornar ao campus da universidade foi mais calmo, mas, ainda sim, muito terno.
Eu quase pensei em dar o cano nos primeiros dias de aula e ficar mais um pouco em casa, mas a ansiedade para entregar o relatório e também meu senso de compromisso acabaram me impedindo, mas ficou combinado que voltaria no próximo fim de semana para continuarmos matando as saudades...
O retorno a Stanford foi mais tranquilo e rotineiro, pois assim que entrei no campus e fui até meu dormitório, senti a aura que me acompanhou pelos últimos cinco anos, retornar.
Jane já estava no dormitório quando cheguei e também me recepcionou ternamente. Apesar de não sermos amigas tão próximas, por compartilharmos o dormitório, desde o último semestre, acabamos criando uma boa convivência.
Ela quis saber tudo sobre o meu verão, mas consegui dispersar a conversa alegando cansaço, o que por hora foi atendido. Pois além da readaptação necessária, também precisava de tempo para conseguir falar sobre tudo, ainda mais a quem não sabia de nada da história.
Em casa obviamente meus pais perguntaram mais detalhes sobre minha estada na Silver Horse, mamãe até chegou a citar em particular sobre como as coisas ficaram entre Edward e eu, mas consegui fugir pela tangente informando que com todos a convivência foi excelente, que sempre terão um lugar no meu coração e não poderia ter ido para um lugar melhor.
Porém internamente não me sentia pronta ainda para falar verdadeiramente sobre tudo, ainda mais sobre ele...
Conforme combinado, avisei Rose assim que estava a caminho da casa dos meus pais e conversamos um pouco com ela me contando como todos já estavam sentindo minha falta por lá, mas sem citar nenhum nome em específico.
Durante o fim de semana ela deixou que desfrutasse do tempo entre minha família, mas assim que cheguei ao campus voltamos a bater papo, mas novamente o nome do seu irmão não foi prontamente citado.
No entanto, o fator principal para minha abstenção em falar nele, se deu pelo fato do próprio em nenhum momento ter feito questão de falar comigo.
Situação que se segue desde então...
Em paralelo a essa confusão mental, entreguei o relatório ao órgão universitário responsável e com os parabéns pela jornada, fui informada que tudo será publicado não só entre o registro da universidade, mas também em jornais locais para propagação do projeto.
Isso com certeza me ajudará na procura de um novo emprego, como também será todo meu material base para a conclusão do trabalho final de curso. O semestre para mim será composto somente por esse aspecto, já que de fato as matérias graduais foram concluídas no anterior, porém como optei por participar do projeto prestes a me formar, concordei em executar a conclusão em um tempo posterior.
Com as coisas andando bem na universidade, a primeira semana da minha volta passou. Diante da nova rotina, entre aulas, pesquisas, conversas com meus pais e Rose. Por conta do fuso horário não estamos constantemente em contato, mas as mensagens são enviadas e respondidas conforme nossa disponibilidade.
A saudade da fazenda continua me corroendo, ainda mais quando Rose comenta algum aspecto que me é muito familiar ou manda foto de algum dos cavalos. De Gus infelizmente não recebi nenhuma, pois pelo que entendi, o que cachorro voltou a ser recluso tendo momentos de interação apenas com o dono. E como não estou tendo contato com ele, também não tive notícias do cãozinho.
Conforme combinado, passei o fim de semana anterior com meus pais e conseguimos aproveitar melhor o tempo, sem toda a aura de pós-viagem. E acredito que tudo também ocorrerá de maneira tranquila nesse, apesar de reunirmo-nos novamente com o intuito de comemorar meu aniversário.
Eles falariam se viajaria desde hoje, mas por conta do esquema de aulas, preferi esperar e ir só amanhã. Então apesar de ser efetivamente meu aniversário, segui com a rotina mais normal possível.
Com o fim do horário letivo Jane me convidou para almoçar e topei, já que ela não estará no dormitório à noite, pois combinou previamente de sair com o namorado.
Após o gesto gentil durante o dia, nos despedimos com uma saudação de aproveitar o fim de semana e segui para a biblioteca para continuar fundamentando minha pesquisa, sem pressa de voltar ao dormitório, sabendo que a única coisa que me aguarda é a perspectiva de comer alguma coisa para forrar o estômago e no máximo assistir um filme antes de dormir para pegar a estrada cedo pela manhã.
Porém antes também terei o prazer de conversar com meus amigos da Silver Horse, pois Rose mandou mensagem mais cedo me parabenizando, mas prometeu que a noite fará uma chamada com todos para transmitir uma saudação completa.
Não perguntei o que esse todos significa, já que não tenho esperanças que o inclua.
Não após treze dias sem dar qualquer sinal de vida, nem mesmo um mísero recado pela irmã, com quem mantenho contato constante.
Mas talvez seja melhor assim, apesar das resoluções, não me arrependo de ter feito o que fiz nas portas da minha saída, acredito que me arrependeria se não tivesse falado sobre o que sentia, porém provavelmente pensando estar me respeitando, preferiu não renegar meus sentimentos diretamente, ao invés disso, escolheu enviar a mensagem de outro modo, cancelando qualquer contato entre nós, para deixar claro que, ao menos para ele, o tempo passado juntos não significou mais do que o período que o desfrutamos.
E está tudo bem.
Como diz o ditado, foi bom enquanto durou.
E para sempre levarei comigo nossas lembranças...
Querendo dispersar desses pensamentos deprimentes, ainda mais no dia do meu aniversário, continuei a caminhar em direção ao meu dormitório, refletindo se peço ao menos algo diferente para comer ou me contento com qualquer besteira que possa ter por lá.
De repente me deparei com uma movimentação estranha em frente ao prédio do dormitório. Não é incomum uma aglomeração de alunos nas imediações, ainda mais sexta-feira início de noite.
O diferente aqui é que apenas meninas estão se rodeando perto da porta principal, parecem estar vendo algo que as agrada ou ao menos que instiga uma fofoca básica.
Querendo ficar bem longe de seja qual for o burburinho da vez, pois não me interessava por esse tipo de coisa nem quando caloura, imagina agora que só continuo aqui por conta da conclusão extensiva do curso.
Comecei a pedir licença e passar por entre os grupinhos até precisar erguer o rosto e estacar completamente.
O que ele está fazendo aqui?
É uma miragem? Um sonho?
Será que cochilei na biblioteca? Ou estou simplesmente delirando?
Porque não é possível. Isso não pode ser real.
Edward Cullen não estaria em frente ao meu dormitório na Universidade de Stanford.
Tão distante das terras da Silver Horse, na pequena e adorável Collierville.
Não, com certeza não.
Mas por algum motivo toda essa alucinação parece real, ainda mais pelo fato de talvez sua presença estranha ser o motivo do burburinho feminino.
De repente me irritei com a situação!
Qual é? Essas meninas nunca viram um homem bonito não?
Quer dizer. É possível que nunca tenham visto. Ao menos não um como Edward...
Eu mesma provavelmente agi desse modo quando o vi pela primeira vez, montado em Storm, cavalgando imponentemente pela fazenda...
Ao menos dessa vez ele não está sem camisa, do contrário as espectadoras já teriam entrado em colapso.
Porém não posso dizer que está menos perfeito, já que a calça e a camisa jeans são um prato cheio para meu deleite, contando com a bota de aparência bem cuidada e o chapéu...
Ele está usando o chapéu que lhe dei de presente de aniversário?
O que pretende com isso?
Será que...
Não, balancei a cabeça voltando a focar no ambiente, pensando que de todo modo elas não deviam estar cobiçando o cowboy dos outros.
O meu...
Refreei-me a tempo, antes de concluir tal pensamento de que Edward poderia ser algo meu.
Ainda mais meu cowboy...
Mas afinal de contas, o que estará fazendo aqui? Não é possível que seja só coincidência.
Se ele está em frente ao meu dormitório, dentro do campus da minha universidade, na minha cidade e estado, deve ter algo a ver comigo, certo?
Só há um jeito de descobrir.
Desviei de mais duas garotas avançando em sua direção e finalmente ele parece ter me notado, pois assumiu uma expressão de alívio misturada com felicidade...?
— Bella, finalmente te encontrei.
Não me rendi ao seu sorriso.
— O que está fazendo aqui Edward?
O sorriso simpático deu lugar a um debochado.
— Acredito que acabei de dizer. Estava te procurando.
— E por quê?
— Realmente precisa perguntar?
Não respondi, mas cruzei os braços sobre o peito sustentando seu olhar.
— Olha Bella, será que podemos conversar em um lugar mais privado?
O pedido, junto ao gestual, ao arrumar a alça da bolsa que traz consigo, me compadeceu.
Desviei rapidamente nosso contato para olhar ao redor e agora além de encontrar olhares cobiçadores, notei também muito espanto entre todas as meninas.
Agora já era.
Independente do que fizer, serei o assunto da semana, quiçá do mês.
Mas quer saber? Não devo nada a ninguém, por isso não me refreei em propor.
— Tudo bem. Vamos entrar.
— Com entrar, você quer dizer seguir até o seu quarto?
— É. Por quê? Não quer?
— Não. É que. Não sei. Isso é permitido? Não quero que tenha problemas por minha causa.
— Fica tranquilo Edward, isso aqui não é um colégio interno ou um convento. A universidade nos concede o espaço, mas o que fazemos é somente da nossa conta e responsabilidade.
— Então tudo bem, podemos ir.
Apenas virei começando a caminhar, porém mesmo sem olhar, o senti me acompanhar.
Passamos pelas meninas, mas nenhuma comentou nada, ao entrar efetivamente no prédio apenas segui para as escadas, ainda ouvindo os passos de Edward atrás de mim e sentindo sua presença, mas sem trocarmos novas palavras.
Subimos quatro lances de escadas em silêncio até alcançar o andar onde meu dormitório está localizado, caminhei mais um pouco até parar em frente à porta do quarto, abrindo-a rapidamente e dando-lhe espaço para entrar.
Após segui-lo fechei a porta, não sei se consciente ou inconscientemente, a tranquei, porém não tive coragem de virar e encará-lo, não com a certeza de que estamos sozinhos e que depois de dias de silêncio, finalmente estamos dividindo o mesmo ambiente outra vez...
— Não era assim que imaginava seu dormitório.
Sua voz e muito mais o comentário incomum, foi o agente que me fez sair do estado de letargia.
— O que quer dizer?
— Acho que esperava que tivesse simplesmente um quarto, no máximo com um banheiro junto e não um espaço assim. É quase como um apartamento.
Segui seu olhar compreendendo o pensamento.
Meu dormitório atual com certeza se enquadra em uma espécie de moradia completa, já que ao acessá-lo entramos em uma mini cozinha, mas abastecida com pia, frigobar, armário, cooktop e ainda uma mesa de dois lugares.
Daqui é possível enxergar três portas, a da direita leva ao banheiro, que conta com um Box separado das peças de vaso e pia. E às portas adjacentes dão para os quartos efetivamente, o da direita sendo o da Jane e o da esquerda o meu.
— Acredito que não tenha chegado a comentar sobre a estrutura do meu dormitório, mas só para saber, sua impressão não estava errada. Pois já tive acomodações como as que estava pensando. – Expliquei. – O primeiro dormitório em que fiquei não tinha nem banheiro dentro do quarto e ainda o dividia com outras duas meninas, nos revezávamos entre uma cama beliche e outra normal. Por sorte só fiquei lá por um semestre, depois dividi por muitos anos uma acomodação de quarto com banheiro conjunto e dessa vez apenas com outra colega. E por fim, em meu último ano cheguei aqui, teria saído semestre passado, mas por conta do projeto, acabei estendendo a permanência por mais um.
— Entendi.
O comentário aleatório e inofensivo nos fez interagir de modo normal, mas agora que o momento passou, de repente voltamos à estranheza.
— O que está fazendo aqui Edward?
— Eu...
— Como chegou? Quando veio? Como me encontrou?
— Acha mesmo que não sou capaz de pegar um avião e ao descer no aeroporto me deslocar a sua universidade? Pensa realmente tão pouco da minha inteligência?
Ignorando a provocação, rebati.
— Por que você veio?
— Por que você acha?
— Eu não sei. Sinceramente não sei.
Passei por ele seguindo para o meu quarto e largando a mochila que trazia comigo em cima da minha mesa de estudos.
Não precisei virar para saber que ele me seguiu e agora está dentro do cômodo comigo, um espaço que apesar de caber uma cama de casal, com sobra para transitar, de repente pareceu pequeno demais.
— O que acha que estou fazendo aqui Bella?
Mais senti a pergunta, por conta da nossa aproximação, do que a ouvi de fato.
Sua mão tocou a minha e quando fiz menção de me afastar, mesmo sem ter muito para onde correr, ele me virou encostando-nos totalmente.
Foi impossível não focar em seus olhos, brilhantes e temerosos...?
E ao passar aos lábios, instantaneamente umedeci os meus então apenas senti.
Ele acabou com o espaço entre nós entrelaçando nossas bocas em um beijo fugaz e necessitado, cheio de saudade e apesar de alguma área consciente pensar que não devo ceder tão fácil, não após seu silêncio sem explicação, essa parte foi totalmente dominada pelo restante de mim que o ama intensamente e estava morrendo de saudades.
Envolvi minhas mãos em sua nuca, chegando a tocar a aba o chapéu, mas não o derrubando, enquanto as suas me prendem em um abraço terno, em meio aos movimentos das nossas línguas saudosas desse maravilhoso encontro.
Achei que seria incapaz de soltá-lo, incapaz de interromper esse momento, mas seu movimento de encostar-me a mesa atrás de mim estalou a parte que estava perdendo e a razão de repente assumiu o posto.
— Não!
Pronunciei assim que encontrei forças para afastá-lo.
— O que?
— Não. Você não pode me ignorar por dias. Não fazer questão de ao menos saber se estou viva. E de repente chegar aqui pensando que me envolverá completamente nas suas garras apenas porque quer. Não sei o quanto sua memória já apagou da minha existência, mas eu não sou esse tipo de mulher.
— Como você é absurda.
— Eu sou absurda?
— Completamente. Acha realmente que vim até aqui por capricho? Por um motivo qualquer? Pelo visto você que não me conhece bem.
— Então por que está aqui? Por que não me procurou antes?
— Por que você disse aquilo tudo antes de partir? Por que não veio embora sem falar nada? Ou por que não me deixou responder?
— É por isso que está aqui? Para jogar na minha cara que errei em te falar tudo aquilo?
— É isso que pensa? Que errou?
O que está acontecendo aqui?!
Não conseguiremos formular uma frase concreta?
Responder uma mísera pergunta?
Até quando continuaremos com isso?
— Bella, você acha que cometeu um erro?
Engolindo em seco tomei as rédeas da situação.
— Não. Não é o que penso. Você pode achar isso e está no seu direito. Mas eu não acho. E também não me arrependo. – Afirmei. – Eu fui sincera em tudo que falei, era o que sentia e achei que você deveria saber, não podia vir embora sem deixar isso claro.
— Era o que você sentia ou o que sente? – Enfatizou.
— O que isso importa?
— Como assim o que importa?
— Você deixou sua posição bem clara e eu já entendi. Não precisava vir até aqui somente para falar diretamente. Muitas vezes o silêncio diz muito mais e o seu já explicou tudo.
— Mulher, será possível que você não consegue ficar quieta um instante?
— Era só o que me faltava. Quem você pensa que é para me mandar ficar quieta?
— Eu sou o homem que você ama.
Finalmente ele conseguiu o que queria, porque imediatamente me calei.
— E você é a mulher que eu amo...
Acho que meus neurônios derreteram...
O que ele acabou de dizer?
Edward se aproximou novamente até tomar meu rosto entre as mãos.
— Eu te amo Bella. E é por isso que vim até aqui, para te dizer isso pessoalmente. Você não sabe o martírio que foi não responder de volta quando ouvi sua declaração.
— Eu pedi para você não falar nada.
— E essa foi à promessa mais difícil que já tive que cumprir. Você realmente me deixou de mãos atadas.
— Eu achei que seria o melhor.
— E talvez tenha sido, o que não quer dizer que foi fácil. Não foi fácil te ouvir e não responder. Não foi fácil compreender que você estava indo embora. E com certeza não foi fácil acordar e não te ter mais ao meu lado.
Senti meus olhos começarem a marejar.
— Um lado meu planejou vir atrás de você desde o instante que acordei e tomei ciência de tudo isso. Outro, no entanto, não quis qualquer contato com você.
— Acho que um dos lados venceu.
Abri um leve sorriso.
— Os dois venceram e perderam na mesma medida. – Piscou. – O primeiro fim de semana, após sua partida, foi uma porcaria completa. Quando Rose e Emm chegaram, eu nem ao menos consegui falar com eles. Passei o restante do sábado e praticamente o domingo todo cavalgando, sem falar com ninguém. Acho que isso acabou cansando Storm ou talvez tenha sido apenas meu mau humor que o contagiou, pois em meio à última cavalgada do dia, ele acabou me derrubando.
— O que?! Como assim? Você está bem? Não se machucou?
Desvencilhei-me do seu toque passando a percorrer as mãos por seu corpo procurando qualquer sinal de machucado ou fratura.
— Hey. Hey. Estou bem. – Segurou minhas mãos levando-as ao seu peito, próximo ao coração. – Não foi uma queda brusca, nem a primeira que tomo de um cavalo. Acredito que Storm apenas quis me dar um recado, literalmente me fazer cair na realidade.
— Eu pedi para que cuidasse de você e é assim que ele age?
— Do que está falando?
— De nada, continue...
Apesar de claramente curioso, prosseguiu.
— Após batermos um papo diante da sua atitude, compreendi que minha cisma e reclusão não levariam a lugar algum. Na verdade tinha um lugar que eu deveria ir, mas tinha que planejar tudo muito bem primeiro. Foi assim que decidi esperar e vir vê-la no dia do seu aniversário.
— Você lembrou...
— Acha mesmo que esqueceria o dia em que a mulher da minha vida nasceu?
Esse homem vai me matar se continuar falando assim...
— E por que não falou nada? Quer dizer, entendo que sua vinda seria uma surpresa, mas e antes? Por que nunca procurou falar comigo?
— Também não me lembro de ter recebido qualquer mensagem ou telefonema seu.
— Achei que depois da forma como nos despedimos, que não deveria pressioná-lo. Esperei que você desse o próximo passo.
— E eu dei, por isso estou aqui. Mas após tomar a decisão de vir até você, não queria que nosso primeiro contato, depois de tudo, se desse por telefone. Eu não resistiria outra vez em me declarar e não queria fazer de outra forma que não olhando nos seus olhos.
— Edward...
— Eu te amo Bella. Não posso dizer que te amo desde a primeira vez que a vi. – Sorrimos cúmplices. – Mas acredito que o sentimento tenha começado a assolar meu coração pouco depois disso. Todas as vezes que dizia que você deveria ser uma bruxa, era uma forma de nublar a verdade, que já me encontrava totalmente envolto aos seus feitiços, mas não do tipo ruim e sim provenientes do amor. – Ele colocou uma mexa do meu cabelo atrás da orelha. – Você, Calgirl, fincou sua marca não só na minha fazenda, nos meus familiares e amigos, nos meus animais, mas especialmente no meu coração. Não tinha ideia de que me apaixonaria pela mulher mais teimosa e obstinada que já conheci, mas foi o que aconteceu. – Piscou e não resisti em rolar os olhos. – E faria tudo que fosse necessário para protegê-la e deixá-la segura.
— Você já fez, mais de uma vez. Você faz isso mesmo sem perceber.
— E pretendo continuar fazendo. Eu te amo Calgirl. E por nunca ter sentido qualquer coisa parecida, não tenho ideia de onde esse sentimento me levará, mas, contanto que fiquemos juntos, estou disposto a viver qualquer experiência que a vida tenha para nós.
Não resisti em puxá-lo para um novo beijo, que foi correspondido de pronto e de modo muito entusiasmado.
Não posso acreditar que isso está realmente acontecendo, que Edward está aqui, comigo e que acabou de se declarar retribuindo o meu amor.
Não poderia ter pedido presente de aniversário melhor, nem nos meus mais remotos sonhos...
Dessa vez ele parou o beijo e apesar dos meus protestos e imensos selinhos, ainda sim, colocou uma distância entre nós.
— Calma Calgirl. Tenho algo para te dar.
— Não, só quero você.
— Isso já tem.
— Então me deixe desfrutar do que é meu.
— Daqui a pouco. – Piscou. – Antes me deixe ser cavalheiro uma vez, ok?
Afastou-se indo até a bolsa esquecida no pé da porta.
— Você é sempre um cavalheiro, como também é o meu Cowboy...
— Bom ponto. Pois de algum modo você também sempre será minha Calgirl, porém trouxe um presente para que se consagre finalmente como uma verdadeira Cowgirl.
Ao se aproximar com uma caixa em mãos, a reconheci antes mesmo de observar o conteúdo, porém, ainda sim, a recebi de bom grado e ao abrir encontrei um lindo chapéu, bastante semelhante ao que presenteei Edward em seu próprio aniversário, que agora se encontra em sua cabeça, completando o visual perfeito.
No entanto, o chapéu em minhas mãos, diferencia-se não só pelo tamanho menor, provavelmente o certo para a minha cabeça, mas também por ser branco.
— Queria dizer que não copiei sua ideia, mas quando pensei em algo para comprar, ainda mais algo significativo, só tive isso em mente.
— É lindo Edward, eu adorei. Obrigada.
— Você ainda não conferiu tudo.
Voltei a observar o chapéu e acabei encontrando doces detalhes que fizeram toda a diferença, pois repetindo a escolha que fiz, Edward mandou costurar as letras SH no detalhe externo, assim como as iniciais IS, internamente.
— Pensei em colocar as iniciais IC, porém não quis ser presunçoso demais. – O olhei consternada. – Apesar de muitas vezes termos dito que você já era uma Cullen, não quero apressar as coisas. Além do que, me apaixonei pela Isabella Swan e é a ela que estou presenteando nesse momento.
— Eu amei. Verdadeiramente amei. Ainda mais por ser branco.
— Para combinar quando estiver montando novamente na Snow...
Só a menção do nome da égua me fez querer voltar a chorar.
— Estou com tantas saudades dela.
— E ela de você. Assim como todos na fazenda. Gus então, só se anima quando cito seu nome.
— Edward...
— Feliz aniversário Bella.
Ele pegou o chapéu colocando na minha cabeça e como esperado, coube perfeitamente.
— Está linda.
— Obrigada. Por tudo. Pelo presente, por estar aqui no meu aniversário. Pelas palavras...
— Eu te amo.
— Eu te amo.
— Ufa, estava achando que não a ouviria mais dizer isso.
— Bobo. – O puxei para um leve beijo. – Te amo.
— Como eu amo você.
Não querendo quebrar o maravilhoso clima que se instalou, mas não sem poder deixar de perguntar, soltei.
— Edward, o que tudo isso significa?
— O que quer dizer?
— Nossos sentimentos, sua vinda para cá. O que faremos agora?
— Vamos viver Bella. Viver nossa vida. Nosso amor.
— Isso quer dizer que...
— Você não vai mais se livrar de mim Cowgirl.
Sorri diante da nova pronúncia entendendo a mudança do apelido.
— Mas Edward...
— Não, não. Chega de dar voltas.
— Mas você mora na fazenda. Em Collierville. Que fica no Tennessee. Enquanto estou aqui na universidade, na Califórnia.
— Por enquanto...
— Ainda sim.
— Bella, acredito que podemos fazer qualquer coisa, desde que queiramos.
— Isso quer dizer que você toparia ter um relacionamento à distância?
Questionei realmente incrédula, sem acreditar que estou pensando corretamente.
— Por você, para ter você, para estar com você, aceitaria qualquer coisa.
— Cowboy...
— E também, tal arranjo seria apenas até você se formar.
— Como assim?
— É óbvio. Depois que se formar, sua vaga como veterinária efetiva da Silver Horse estará te esperando. – Sorriu torto.
— É muita presunção da sua parte pensar que voltarei para a fazenda tão logo me forme. Ainda mais para ficar permanentemente.
— Não é presunção. Não quando é a verdade. – Fiz menção de interrompê-lo, porém ele não deixou. – O que importa é que a vaga está garantida e a sua espera, seja daqui a seis meses, oito, um ano, quanto tempo precisar. E mais importante, seu lugar no meu coração também está mais do que marcado.
— Você realmente sabe como envolver uma mulher.
— Não quero ter poder de envolver outra mulher que não seja você.
— Pois saiba que já me tem completamente. Para sempre...
— É só do que preciso.
Envolvemo-nos mutualmente em um novo beijo finalmente sem reservas, dispostos a entregar-nos, não só com os corpos, mas, sobretudo, com os corações.
Edward agarrou minha cintura e em meio aos movimentos batemos novamente na minha mesa, mas dessa vez não nos deixamos abalar, ao invés disso aproveitamos o móvel de apoio, assim rapidamente ele me ergueu colocando sentada sobre a superfície e não me fiz de rogada em aproximá-lo ao rodear as pernas pelo seu quadril.
— Como senti sua falta.
Murmurou entre os meus lábios.
— E eu a sua.
— Muita?
— Demais.
— A ponto de se tocar pensando em mim?
Abri os olhos enxergando as esmeraldas completamente inundadas pela luxúria.
— A princípio não queria, por achar que tinha seguido em frente. Mas uma noite, após acordar de um sonho molhado com você, foi impossível não me tocar envolta as lembranças...
— Porra Bella.
Ele segurou minha mão direita que estava ao redor do seu pescoço e fez questão de beijar cada um dos dedos, antes de lamber a palma, gemi sem me conter.
— Perdão por tê-la deixado pensar que em algum espaço de tempo poderia não querê-la, mas confesso que essa é uma imagem que com certeza gostaria de ver.
— Teremos tempo para passar por essa experiência, mas só se for mútuo.
— Tudo que quiser Cowgirl.
— Isso quer dizer que você também se tocou pensando em mim?
— Meu quarto ainda cheira a você. Meu banheiro contempla imagens de nós dois. Nenhum ambiente da fazenda está imune às lembranças suas. Acha mesmo que conseguiria me conter?
Olhou-me intensamente.
— Acredito que alguns lugares da fazenda ainda ficaram intocados. Mas mal vejo a hora de retornar para marcar todos eles.
— Bella...
Acabei com nosso papo por hora puxando-o para um novo beijo.
Nossas mãos afoitas passando pelos corpos querendo sanar a falta que esses dias imprescindíveis fizeram.
Porém tive que pará-lo novamente quando meu chapéu caiu sobre a mesa.
— Espera um pouco...
Praticamente sussurrei por estar apreciando seus beijos migrando para o meu pescoço.
— O que houve?
— Não deixarei nosso empenho estragar meu presente.
Com cuidado o afastei descendo da mesa e pegando a caixa, até então esquecida no chão, coloquei o chapéu delicadamente de volta a proteção, o deixando salvo, mas sem perder tempo também, retirei a peça semelhante de sua cabeça, colocando sobre a caixa.
Aproveitando a falta do adorno, alisei seu cabelo rebelde e levemente suado.
— Eu passei toda aquela madrugada fazendo isso.
— Queria não ter cedido ao sono.
— Foi melhor assim, por mais determinada que estivesse, acredito que não teria conseguido sair se tivesse seus olhos sobre mim. Eu te amo.
— Te amo.
Voltamos a nos beijar em meio ao cômodo, mas quando fiz menção de guiá-lo a cama, seu corpo forte me manteve no lugar.
— O que foi?
— Sua colega de dormitório. – O olhei confusa. – Não quero correr o risco de sermos interrompidos.
— Não precisa se preocupar. Jane não voltará mais essa noite, ela está com o namorado. – Pisquei. – Mas só por precaução.
Afastei-me para fechar a porta do quarto, aproveitando para passar a chave, ao virar fui puxada diretamente para seu peito de volta aos seus braços.
— Quer dizer que poderemos aproveitar a noite inteira?
— Talvez até por todo tempo que passar aqui.
— Então faremos valer a pena...
Embolamo-nos em uma mistura de abraços e beijos, até encostar-nos a cama. Impulsionei o corpo de Edward para sentar e o segui ficando em seu colo.
Suas mãos afoitas não perderam tempo em retirar minha blusa, assim como comecei a batalha contra seus botões. Eu poderia simplesmente puxar tudo e desfrutar logo do seu dorso nu, porém a sensação de descoberta a cada novo botão aberto, foi mais que apreciada.
Quando encerrei a missão puxei a camisa jogando-a por algum lugar do quarto passando as mãos por seus ombros, descendo aos braços e subindo pela barriga em direção ao peito, mas ao posicionar a palma sobre seu coração, não me contive em desfrutar da batida errática por alguns instantes.
— Quase não consigo acreditar que você está mesmo aqui...
— Nunca imaginou algo assim?
Questionou ao afagar meu rosto e balancei a cabeça negando.
— Quando o vi, me dividi em pensar se seria um sonho ou alucinação, mas minha mente não poderia criar algo tão lindo.
— E agora já se deu conta de que sou real?
— Ainda preciso de um pouco mais para acreditar.
— Pois não se preocupe. – Beijou meu ombro esquerdo. – Provarei que sou real e estou aqui com você. – Beijou o outro. – Só com você...
— Me beija.
O pedido logo foi atendido e a conexão entre nossos lábios só me fez pensar que realmente tudo parece um sonho, mas não senti o temor de poder despertar a qualquer momento, pelo contrário, a sensação é de que nunca precisarei abrir mão de nada...
Tão logo voltou a envolver os lábios pelo restante do meu corpo, enlouquecendo-me ao lamber meu pescoço, então voltando aos ombros, até delicadamente descer as alças do sutiã com os dentes e finalmente reencontrar meus seios iniciando nosso duplo deleite.
— Edward...
— Senti muita falta deles.
— E eles de você. Do seu toque, da sua boca.
— Do meu pau. — A luxúria me dominou com a menção da ideia. – Futuramente...
A língua atrevida rodeou um mamilo, mas realmente alucinei quando suas mãos apertaram os dois e ele passou a chupá-los ao mesmo tempo.
— Ah, isso...
Não existe sensação como essa, não consigo comparar com nenhuma outra, porque ele exclusivamente tem esse dom, somente ele.
O homem que amo...
A divisão de sensações se propagou em meio aos toques, com Edward intercalando as chupadas conjuntas, com lambidas esporádicas em cada seio, cuidando do outro com a mão.
— Nunca ninguém me fez sentir nada assim...
— Nem nunca mais fará.
— É uma promessa?
— Pode ter certeza Cowgirl. Eu serei o único de hoje em diante.
— Você já é o único há muito tempo.
— Assim como você.
As promessas foram seladas com uma nova rodada de beijos, que se manteve em meio aos ensejos provocantes dos nossos corpos.
Não tenho dúvidas que Edward já deve estar sentindo minha excitação, mesmo através das roupas, assim como estou alucinando com seu membro tomando vida embaixo de mim.
Com uma comunicação muda, levantamos para tirar as peças que só estão nos atrapalhando, livrei-me rapidamente dos tênis, meias e a calça, ao mesmo tempo em que desfruto da visão de Edward retirando as botas, então as próprias meias e calça.
Impressão minha ou ele parece ainda maior?
Talvez seja o quarto compacto que dê tal projeção, mas, ainda sim, Edward com certeza é um espécime raro e mal posso acreditar que seja todo meu...
Ao voltarmos à cama, dessa vez ele tomou as rédeas deitando-me e vindo por cima. Os beijos se revezando entre os lábios e qualquer outro lugar prazeroso entre nós. Enquanto nossas intimidades batalham por mais contato, que começamos a sanar a princípio com toques manuais.
— Merda, sim.
— Já tão animado Cowboy.
— Não tem como ser diferente. Mas você também já parece tão pronta...
Seus dedos infiltraram o tecido da calcinha tocando-me diretamente.
— Eu estou e preciso de você.
— Estou aqui Cowgirl, é só pedir.
— Eu vou. E pedirei não só por mim, mas por você também.
Envolvi as mãos no tecido da cueca puxando para fora do seu corpo e praticamente salivei ao enxergar o membro desnudo, agarrei-o sem barreiras prosseguindo com a masturbação direta ouvindo o ofego de Edward.
Aproveitando sua entrega, o peguei desprevenida, virando nossos corpos, o olhar surpreso deu lugar a um sedutor ao notar-me praticamente nua sobre seu colo.
— Linda...
Envolveu uma mão em meu cabelo me puxando para um beijo que correspondi mais do que animada, porém não o deixei levar o ato além, mas entre seus lábios propaguei minha ideia.
— Sei como está necessitado, pois é exatamente como me sinto. Por isso não precisaremos nos torturar. – Me afastei e mesmo ainda em seu colo virei o corpo ficando de costas. – Assim proponho nos divertirmos juntos.
Alisei a cabeça inchada e sedenta de seu pau e para enfatizar ainda mais o ponto abaixei o tronco até alcançá-la e arrebatá-lo com uma lambida.
— Porra Bella. Assim eu não aguento.
— Aguenta. Eu não me apaixonei por um homem fraco.
— Isso com certeza não.
Ele direcionou meu quadril até ficar sobre seu peito, na distância certa, mas como não fez menção de começar sua parte, tratei de iniciar a minha, voltando a lambê-lo delicadamente para preparar o membro a parte principal.
— Todas as suas calcinhas estão aqui?
— O que?
— Essas pecinhas delicadas. – Tocou o tecido afastando-o um pouco. – Estão todas por aqui?
— Devo ter algumas na casa dos meus pais também, mas a maioria está aqui.
— Isso basta, por enquanto.
Não precisei esperar mais e no fundo estava sedenta por isso, com seu jeito másculo que determinou nossos enlaces desde a primeira vez, Edward arrastou o tecido para fora do meu corpo deixando-o em pedaços.
— Ainda realizarei meu desejo de deixá-la sem nenhuma dessas coisinhas.
— Vá sonhando Cowboy.
— Eu sonho, mas com você. Com tê-la novamente na minha boca. E ora veja só, esse sonho já vai se cumprir.
O toque da sua língua na minha intimidade selou a promessa e confesso que fiquei alguns segundos apenas apreciando, sem a capacidade de agir, os lábios sagazes tocando os meus, a língua lambendo meu clitóris, as mãos apertando minhas coxas, mas todas essas sensações acabaram impulsionando também a vontade de retribuir a altura e foi o que fiz.
Comecei a lamber toda sua extensão, lubrificando-o para que caiba o máximo possível, sem dificuldades, em minha boca, dando a atenção necessária também às bolas, intercalando os cuidados entre as mãos e meus lábios.
E quando comecei a chupá-lo de fato, tive não só os impulsos do seu corpo como resposta, mas também seu pronunciamento oral.
— Ah, Cowgirl. Porra. Desse jeito.
— Sentiu minha falta, não é Cowboy?
— Você não tem ideia.
— Eu tenho sim, porque foi à mesma que senti de você.
Voltei a chupá-lo para enfatizar o ponto, assim como ele retribuiu as carícias.
Esse tipo de conexão mútua era o marco que faltava entre nós, mas após tudo que passamos e especialmente diante das nossas recentes declarações, não podíamos deixá-la de fora.
E como peças que se encaixam apenas a outra, propagamos o prazer sem restrições.
Com Edward me levando ao delírio com a combinação de mãos e boca sorvendo todo o mel da minha boceta, enquanto seu pau é mais do que apreciado entre meus lábios.
Os murmúrios conjuntos se tornaram protagonistas, mas, ainda sim, não deixamos de expressar a satisfação oral em meio a falas.
— Edward, isso, aí!
— Tão docinha.
— Nada é capaz de substituir o prazer que é tê-lo na minha boca.
— Então continua, assim, me chupa Bella!
Inclinei um pouco o tronco, mas continuei a tocá-lo com as mãos.
— Aí Cowgirl, esfrega na minha cara.
— Edward, não para, mais.
— Não vou. Não até você gozar pra mim.
— Isso só vai acontecer junto com você.
Continuei a rebolar em seu rosto, mas também voltei a chupá-lo, engolindo sua carne quente e sentindo os espasmos do seu corpo indicando a aproximação do gozo.
— Porra, porra. Desse jeito.
Agarrei uma das suas coxas, enquanto Edward apertou as minhas.
Segurei o restante do cumprimento que não cabe em minha boca, ao mesmo tempo em que senti seus dedos entrando na jogada me penetrando em meio à sucção do meu clitóris.
E quando nossos corpos começaram as contrações, apenas nos determinamos a alcançar o prazer...
Edward preencheu minha boca, tão logo me derrabei entre seus lábios.
Após deixá-lo limpinho, me afastei um pouco ficando sentada em sua barriga, mas logo ele tratou de me virar para nos olharmos.
— Apesar de amar a visão da sua bunda, nesse momento quero muito apreciar esses olhos chocolates que tanto senti falta.
— De verdade?
— Mais do que você possa imaginar.
— Eu te amo.
Aproximei-me para beijá-lo.
— Eu amo você.
— E agora vamos fazer amor?
— Acho que temos feito amor desde a primeira vez, não concorda?
— Em cada ponto que marcamos pela fazenda.
— E em todos que ainda iremos marcar.
— Como esse quarto e essa cama.
— Ninguém nunca...?
— Você será o primeiro a estreá-lo comigo.
— O primeiro e o último.
— O único.
Voltamos a nos beijar e em meio ao carinho me posicionei sobre seu membro e aos poucos iniciamos a ligação, a mais profunda e sublime de todas.
— Você é a melhor.
— Como pode me preencher tanto?
— Não tenha dúvida que conseguiria até mais.
— Não me provoca Cowboy, só me fode.
— Não se preocupa delícia. Que eu sei muito bem como cuidar desse corpinho gostoso.
Enfatizando a promessa meteu firme me fazendo ofegar e estabelecemos o ponto de conexão.
Continuamos a nos beijar, intercalando o momento com gemidos e pedidos de mais.
Mais intenso, mais perto, mais forte, simplesmente mais...
Edward agarrou meu cabelo e passou a morder meu ombro esquerdo, enquanto apoiei as mãos em seu peito ajudando nas movimentações.
Quando seus lábios chegaram aos meus seios, simplesmente joguei a cabeça para trás deixando-o desfrutar a seu bel prazer, ao nosso...
— Assim, continua.
— Cavalga gostoso Cowgirl. Vai. Isso. Esmaga meu pau.
— Porra, bom, mete.
Continuando a chupar meus peitos, Edward sentou comigo ainda em seu colo, afunilando ainda mais o contato entre nossos corpos.
— Agora, desse jeito. Rebola. Só...
— Sim. Sim. Sim.
Apertei seus ombros, praticamente ficando as unhas em sua pele, mas por não ouvir nenhum protesto, não me retesei.
— Nunca houve alguém como você.
Sua declaração me pegou desprevenida, mas não tanto quanto seu gesto em nos virar, quebrando a ligação por um instante, para logo voltar a me preencher profundamente...
— E nunca haverá alguém que te ame como eu.
— Edward...
— Comigo Bella, assim, me recebe tão bem.
— Edward, eu. Edward...
— Isso, fala o nome de quem está te dando prazer.
— Você. Edward! Meu!
— Seu...
— Meu homem. Meu Cowboy. Meu amor...
— Meu amor.
Nossas mãos se entrelaçaram sobre a minha cabeça, enquanto envolvi as pernas ao redor do seu quadril e ele continuou a impulsionar firmemente.
Mesmo com os olhos conectados transmitindo tudo que estamos sentindo, não deixamos de declarar mais uma vez nossos sentimentos e acho que a partir de agora nunca mais deixaremos...
— Eu te amo Edward.
— Amo você Bella.
— Cowboy, assim.
— Comigo Cowgirl, juntos.
— Sempre.
O tremor chegou mais uma vez e nossas mãos se apertaram marcando a pressão, mas tudo só acabou em meio à declaração mútua.
— Te amo.
Liberei-me ao redor do seu membro enquanto o senti me preencher e acredito que em nenhuma vez tenha sido assim, apesar de todas serem marcantes, esse com certeza será o momento que determinará o início, ao menos de modo professado, do nosso amor...
— Te amo. Te amo. Te amo.
As palavras foram sendo pronunciadas e repetidas, não ao ponto de perderem o valor, mas para enfatizar nossos sentimentos e ainda mais a liberdade de podermos expressá-los.
Edward deitou a cabeça em meu peito e apreciei o momento acariciando seu cabelo.
— Feliz aniversário.
— Obrigada. Com certeza o estou comemorando do melhor jeito.
— Com sexo?
— Com você.
— Entendi. Sexo comigo.
Não contive o riso que logo foi acompanhado por ele.
— Porém o que mais pretende fazer para comemorar a nova idade?
— Estou sem planos, ao menos por hoje. – Ele ergueu o rosto. – Quer dizer, antes da sua chegada pretendia comer alguma coisa e talvez me entreter com algo para assistir.
— Ainda bem que eu vim, pois isso não é jeito de passar o aniversário.
— Amanhã passarei o dia com os meus pais, é como comemoraria de fato. – Expliquei. – Mas agora você irá comigo, certo? Quer dizer, quando você vai embora? E sua família? Rose prometeu ligar mais tarde para que possa falar com todos. Eles sabem que está aqui?
— Calma lá. Uma questão por vez.
— Ok.
— Eles sabem que vim procurá-la. Quando decidi que viria não contei a ninguém a princípio. Meus pais aparentemente respeitaram minha decisão de silêncio e voto de não citá-la, mas você sabe como Rose é. – Sorri. – Ela logo me encurralou questionando sobre o que pretendia fazer, se continuaria a ignorando, fingindo que nada aconteceu. Tentei desconversar, mas foi em vão, então apenas disse que estava cuidando de tudo. Consegui segurá-la por mais alguns dias, mas no início dessa semana comentei sobre vir vê-la em seu aniversário, no fim foi bom, pois ela providenciou tudo para a viagem, comprou a passagem e passou todas as orientações sobre onde ficar e como encontrá-la.
— Como assim onde ficar? Você ficará comigo.
— Agora isso é claro. Mas eu não podia ser presunçoso a esse ponto, por isso aceitei a indicação de um hotel aqui perto.
— Que você não irá de modo algum.
O agarrei bem apertado para enfatizar a questão, pois no que depender de mim não o soltarei tão cedo.
— Pode ficar tranquila que não irei a lugar algum, ao menos não até precisar voltar à fazenda.
— Que será...?
— Domingo à noite.
— Certo, teremos dois dias juntos. É o suficiente, por enquanto.
— Por enquanto...
— Então você realmente irá comigo até a casa dos meus pais amanhã, não é?
— Conhecer seus pais? Sendo seu pai um policial com licença para matar?
— Edward...
— Estou brincando. É claro que quero conhecê-los pessoalmente, está mais do que na hora. Já que você conhece os meus desde antes de nos conhecermos. – Piscou.
— Na verdade não.
— Como não? Você os viu primeiro do que a mim quando chegou à fazenda.
— Eu fui apresentada a eles primeiro. Mas quando estava chegando com Rose e Emm, ainda no carro, o vi cavalgando no Storm, você estava sem camisa, com o sol brilhando sobre si, mais lindo impossível.
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— Cobiçando não sei, admirando talvez. Mas tudo isso quase foi por terra depois da sua recepção nada calorosa.
— Vocês precisam entender que aquele foi o meu jeito de mostrar que eu também estava impactado com a sua presença. Igual crianças que implicam umas com as outras por não saberem mostrar que se gostam.
— Uhum, vamos tentar manter essa versão.
— É verdade.
Me deu um selinho.
— Agora que estabelecemos seu tempo de permanecia e que amanhã conhecerá meus pais, o que mais quer fazer? Acho que dessa vez não dará para mostrar muito da cidade...
— Sinceramente não me importaria em passar todo o tempo apenas aqui com você. Mas teremos oportunidades de passear futuramente, a não ser que queira fazer algo diferente agora, é seu aniversário afinal, pode escolher o que quiser.
— Você fala sobre questões de futuro, isso quer dizer que pretende voltar?
— Bella, você ainda não compreendeu? Não tem mais como escapar de mim. – Abri um enorme sorriso. – Nós continuaremos juntos e faremos o que for necessário para seguir assim. Eu virei visitá-la outras vezes, como você também poderá voltar a Silver Horse sempre que quiser. E quando sua faculdade terminar, a partir dai decidiremos sobre os próximos passos.
— Eu te amo.
— Eu sei. – Sorriu torto. – Eu também te amo.
— Obrigada por não desistir de nós.
— Não fiz nada demais. Afinal de contas, não poderia viver sem o meu coração...
Meu aniversário acabou se tornando um marco que nem ao menos imaginava.
Apesar de não tê-lo passado na fazenda, foi incrível por ter Edward comigo.
Nossa bolha foi rompida somente quando meu celular tocou indicando a ligação de Rose, não atendemos de pronto, mas a avisei por mensagem que retornaria em breve, só precisava de uns minutos, que Edward e eu usamos para nos recompor.
Após um banho rápido, liguei para minha amiga e foi com alegria que revi todos aqueles rostos que estava sentindo tanta falta e para minha surpresa não falei apenas com os Cullen, mas também com os McCarty.
Mas a surpresa deles acabou sendo um pouco maior, ao notarem a presença de Edward comigo. Apesar de a família saber de sua vinda, creio que não imaginavam que estaríamos juntos e tão juntos como passamos durante todo o tempo da chamada.
O restante da noite não aconteceu como pensava, ao fim da ligação, Edward e eu acabamos abrindo mão de comida, mantendo-nos apenas com o alimento dos corpos e da alma...
No sábado seguimos cedo até a casa dos meus pais, optei por não comentar sobre a presença de Edward, deixando sua chegada como uma surpresa. O que se mostrou algo bom, já que papai e mamãe, após o choque inicial, o recepcionaram muito bem.
Mamãe só faltou se derreter diante de Edward e papai pareceu simpatizar bastante com ele também. Nem uma conversa particular entre os dois foi capaz de anuviar o clima, ainda mais que ambos voltaram sorrindo e conversando amenidades como velhos amigos. Ao fim do dia, ao voltarmos ao dormitório, estava mais do que feliz por como tudo ocorreu.
Por ter avisado Jane sobre a minha visita, ela fez questão de deixar o espaço apenas para nós novamente, porém pediu para conhecê-lo. Com isso, marcamos de almoçar entre casais no dia seguinte.
Desse modo, o domingo ocorreu menos agitado do que o dia anterior, tendo como variação apenas o almoço que foi agradável e diferente, pois desde que conheço Edward, nossas dinâmicas sempre giraram ao redor dele e seu espaço, então foi interessante vê-lo um pouco mais dentro do meu mundo.
Passamos a tarde enroscados na cama, conversando, nos amando, descansando, mas especialmente, aproveitando cada segundo do tempo que nos foi permitido.
Quando chegou a hora de ele ir embora, ofereci acompanhá-lo ao aeroporto, porém em uma espécie de déjà vu, Edward achou melhor nos despedirmos aqui.
— Me avisa quando chegar ao aeroporto e quando for embarcar. Também quando aterrissar em Memphis e ao entrar na fazenda.
— Prometo narrar cada instante do meu trajeto. E te manter informada sobre cada passo que der.
— Obrigada. E mande lembranças a todos. Diga que estou morrendo de saudades. E leve beijos especiais aos animais.
— Pode deixar. E direi ainda mais, que em breve você estará lá para fazer tudo pessoalmente.
— Faremos dar certo, não é?
— Faremos sim. Eu prometo.
— Acredito nas suas promessas.
Edward me beijou e só nos soltamos quando o Uber chegou para levá-lo.
— Eu te amo Edward.
— Ao menos dessa vez posso retribuir. Eu te amo Bella. Até breve.
— Tchau.
Ele entrou no carro e antes de perdê-lo de vista, sorri em meio às lágrimas que começaram a cair, sabendo que se tem uma coisa que posso fazer, é confiar no meu Cowboy.
E se ele disse que faremos esse relacionamento dar certo, é o que acontecerá...
***
Não que tenha duvidado em algum instante, mas é muito bom saber que a promessa se cumpriu...
Após convivermos por três meses de modo ininterrupto, não foi fácil passar os últimos seis meses tendo que aprender a lidar com o contato por mensagens, ligações e em dias afortunados, voltando a rever-nos.
Apesar de continuar sentindo muita falta da fazenda e de todos os presentes nela, nosso encontro seguinte aconteceu novamente na Califórnia, quando Edward voltou a me visitar, mas dessa vez não sozinho, já que levou Rose e Emm consigo.
Foi ótimo rever os três e matar o máximo possível das saudades. O fim de semana em grupo foi recheado de diversão e com a vinda programada, pude entretê-los bastante ao redor da cidade, mas confesso que a melhor parte de todas foi quando Edward e eu ficamos a sós.
Com a partida, o novo encontrou já ficou marcado, acontecendo em novembro, mais especificamente, no feriado de Ação de Graças, quando finalmente retornei a Silver Horse, porém também não sozinha, já que levei meus pais para conhecer o lugar que me conquistou, assim como todos seus moradores.
Foi incrível rever a todos, montar novamente em Snow, brincar com o Gus e até compreender que ao seu modo, Storm estava feliz em me rever também.
Mas, sobretudo, foi maravilhoso notar como meus pais pareceram se dar muito bem com os Cullen e McCarty, assim como fiz desde a primeira vez que os vi.
O feriado do agradecimento foi cheio de motivos para tal, especialmente da minha parte, pois naquele momento não poderia pedir por nada mais...
Após o primeiro feriado em comunhão completa, acabamos passando o natal separados, cada qual com a sua família, porém não abri mão de passar o ano novo com eles.
Dividimos as comemorações entre momentos familiares, mas também aproveitamos o chegar do novo ano curtindo muito com os amigos e no momento que os fogos começaram a estourar no céu, Edward me brindou com o primeiro beijo do ano e só pude desejar que o novo ciclo que se iniciava fosse abarrotado deles.
Com a aproximação da minha formatura, tive que tomar uma decisão, que poderia ter sido bem trabalhosa, porém acredito que no fundo esteve traçada desde a primeira vez que coloquei os pés naquelas terras mágicas.
Não só por Edward e por nosso amor, não apenas pelos amigos e a nova família que ganhei, mas muito pela oportunidade que sempre busquei, de trabalhar diretamente e efetivamente com o que escolhi, lidando com os animais de grande porte em seu cerne.
Desse modo, ficou claro que ao fim da graduação meu destino estava traçado no estado do Tennessee...
Quando deixei a fazenda pensei que lá era apenas meu ponto de parada, mas que alegria em estar engada, na verdade Collierville e a Silver Horse ficarão marcadas como o início de uma longa jornada, mas agora sem perspectiva de acabar...
Em fevereiro houve um novo reencontro, agora em terras californianas, já que minha nova família veio em peso conhecer meu primeiro lar, para prestigiar minha formatura.
Foi incrível ter todos eles ao meu lado naquele momento, ainda mais por ter escolhido o momento para anunciar a decisão da mudança.
Por sorte a comemoração pós-solenidade foi feita na casa dos meus pais, do contrário, Emm e Seth teriam causado um alvoroço em meio ao público diante da forma como demonstraram sua animação.
Todos me cumprimentaram e felicitaram. Meus pais também mostraram o verdadeiro apoio, apenas a eles comuniquei a decisão previamente e nenhum dos dois pareceu surpreso com a escolha.
Além do que, a partir de agora, terão ainda mais motivos para retornar ao lugar que tanto gostaram de conhecer.
Porém aguardei ansiosa para saber o que Edward acharia, já que isso representaria uma grande mudança em nossa relação, pois apesar de todos os comentários, insinuações e até pedidos, com o fato concreto, não daria mais para voltar atrás.
Mas qualquer apreensão caiu por terra quando ele apenas me abraçou por um bom tempo, sem falar nada, porém incapaz de conter a ansiedade, o questionei sobre o que estava pensando e a resposta que tive foi que em breve não precisaria mais me soltar, não só no sentido figurado, mas se quisesse também, até no literal.
Diante da volta de todos, foi à última vez que precisamos de fato nos despedir. Eles retornaram a fazenda no fim de semana, porém só efetuaria a mudança alguns dias depois, após encerrar tudo não só com a faculdade, mas também com a vida que estava deixando.
Mas sinceramente não sinto que estou de fato deixando algo para trás, não quando a perspectiva do futuro é tão arrebatadora e emocionante.
E agora, mais uma vez estou chegando a Memphis abarrotada de malas, mas dessa vez não sinto que estou exagerando na composição da bagagem, já que minha nova vinda será para finalmente ficar...
Por conta do acúmulo de itens, recebi a ajuda de alguns funcionários prestativos, que me auxiliaram não só na retirada das malas da esteira, como também em guiar os carrinhos em direção à porta de desembarque.
Porém agradeci a ajuda dispensando-os assim que atingi o saguão, pois uma imagem especial me fez deixar qualquer preocupação de lado.
Imponente como só ele, trajado a caráter, incluindo o chapéu, como o verdadeiro cowboy que é, avistei Edward a minha espera.
Fiz menção de caminhar, mas parei quando o vi erguer uma plaquinha, lembrando-me da primeira vez que pisei nesse mesmo espaço e encontrei seu melhor amigo em uma situação semelhante.
Mas fiquei intrigada com a palavra escrita.
Calgirl.
O que ele quer dizer com isso?
Apesar de ter nascido na Califórnia, a partir de agora, não serei mais a garota californiana que ele conheceu.
Parecendo compreender minha confusão, abriu o sorriso mais lindo de todos e virou a plaquinha, então institivamente retribui o sorriso lendo a nova nomenclatura.
Cowgirl.
Agora sim...
Por fim quebrei a distância entre nós me atirando em seus braços, onde fui mais do que bem recebida. Em meio ao carinho selamos o encontro com um beijo, talvez empolgado demais para o local público, mas de verdade, não nos importamos.
— Seja bem-vinda Cowgirl.
— Obrigada Cowboy.
E entre seus braços, finalmente compreendi.
Essa é quem nasci para ser.
Uma verdadeira cowgirl, moradora de fazenda.
Mas não qualquer fazenda e muito menos qualquer cowgirl.
Meu destino sempre foi pertencer a Silver Horse.
A fazenda dos Cullen.
De Edward...
Sendo a sua Cowgirl.
Do mesmo modo que para sempre ele será o meu Cowboy...
FIM.
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