Notas iniciais
Boa noite. Cheguei oficialmente com o epílogo de Promises, não em uma quarta-feira, mas no dia em que a fanfic completa três anos. Não imaginei que chegaríamos a essa marca, mas estou feliz em conquistá-la, ainda mais por encerrar justamente hoje. Eu realizei um sonho com Promises, minha história de fazenda, com tudo que mais amo em meio a esse universo, mas não teria chegado a lugar algum sem o apoio de vocês. Por isso quero agradecer imensamente a tudo, por estarem comigo ao longo de trinta capítulos, em meio as mais de duzentas e cinquenta mil palavras. Por cada review, recomendação, aos leitores e favoritos. Por embarcarem ao meu lado pelos campos da Silver Horse e viajarem nos pensamentos do nosso Cowboy e Cowgirl... E falando nisso, em questão de narrativa e até matemática, o epílogo deveria ser POV Edward, porém simplesmente senti que a despedida da Bella não poderia acontecer somente no capítulo anterior. Assim, teremos POV duplo, mas está tudo bem sinalizado e não será uma coisa maçante, pois fiz tudo de modo harmonioso para que aproveitem bastante. Apreciem Sem Moderação... Capítulo Postado Em: 06/11/22 – Aniversário de três anos de Promises in the Dark...

POV Edward

Alguns anos depois...

— Graças a Deus é sexta-feira.

Emm comentou enquanto cavalgamos em direção ao estábulo.

— Sim. E olha que essa semana nem foi das mais puxadas.

— Pois é. Mas com a chegada do verão, os dias passarão a durar mais e nossa jornada de trabalho também.

— É verdade.

Apesar de concordar, não pude conter um sorriso por conta da chegada da minha estação preferida do ano.

E isso não parece ter passado despercebido pelo meu amigo.

— Você e Bella são incorrigíveis.

— O que foi?

— Vocês são impossíveis o ano todo, mas no verão, sério. Eu vou me esconder em casa, porque não dá para aguentar.

Não contive um riso solto.

— Fica ai rindo. – O olhei de lado. – Vamos logo que quero aproveitar um tempo em casa antes do jantar e diferente de você, ainda tenho que andar bastante para chegar.

— Não tenho culpa de Bella e eu sermos mais sortudos que minha irmã e você.

— Eu devia ter pedido uma melhor de três.

— Emmett, nós competimos até onde deu, mas a sorte estava do nosso lado. Sabe como é...

— Ridículo.

— Não seja um mau perdedor, além do que, sua casa é ótima também.

— Ao menos isso e tenho a vantagem de ficar mais perto da estrada.

— São várias as vantagens, você que gosta de choramingar.

— Faz parte do meu charme. – Ajeitou o chapéu. – Ao menos uma vez por semana tenho que falar disso e como essa semana ainda não tinha comentado, estava na hora.

— Idiota.

Ele soltou sua estrondosa gargalhada e o acompanhei lembrando como a divisão das casas aconteceu...

Quando ficou decidido, quer dizer, sempre foi um fato natural, mas quando enfim falamos sobre nossas futuras moradias e como procederíamos com elas pela fazenda, foi estabelecida a necessidade da construção de duas novas casas, uma para Rose e Emm, e outra para Bella e eu.

Porém antes de iniciarmos essa parte dos planos, meus pais comunicaram a decisão de mudarem da casa em que morávamos, continuando na fazenda, é claro, mas deixando a casa grande para um dos filhos.

A casa tem passado pelas gerações Cullen a cada novo herdeiro, porém como em nossa geração, Rose e eu somos igualmente responsáveis por tudo, meus pais estabeleceram a ideia de sair, mas informando que um de nós deveria ficar.

A partir dai começamos a pensar para quem a casa ficaria.

De cara tiramos da frente à hipótese de ser eu, somente por ser o primogênito homem, como foi com meu pai e avô.

Tentamos pensar em situações clínicas, aspectos que de algum modo pudessem diferenciar de forma justa Rose e eu, mas ao não encontrar nada fundamentado para tal, decidimos simplesmente jogar com a sorte e um pouco de habilidade para conseguir.

É claro que quem perdesse no caso, não perderia tanto assim, pois estaria ganhando a oportunidade de ter uma casa nova, construída do zero, feita cem por cento ao gosto dos moradores, mas o instinto de competição e um pouco de orgulho, embalaram nossas decisões.

Então no fim a competição não passou de uma grande brincadeira, pois sabíamos que apesar do resultado ser válido, o intuito por trás era muito mais interessante.

Definimos os pontos de agilidade e como cada qual lutaria pela conquista.

De primeira ficou estabelecido que Emmett e Bella participassem também, já que de fato eram nossos parceiros e também passariam a residir nas devidas casas, desse modo, era justo que ajudassem.

E para deixar as questões justas, formamos as duplas entre os opostos. Sem contar que cada um de nós escolheu seu campo de batalha, o oponente teria a revanche, mas era importante conseguirmos nos destacar.

Com isso a disputa começou entre Emm e eu, e claro que escolhi uma partida de sinuca. Pois não sou bobo e sabia que teria uma vitória certa. Já que tirando a vez que estava com a cabeça transtornada por conta da partida de Bella, jamais perdi no jogo. E o fato aconteceu, ganhei do meu amigo e cunhado com facilidade.

Em contraponto, Emm escolheu uma competição de nado. Apesar de crescermos apreciando o rio quase que mutualmente, ele sempre foi melhor nadador do que eu e usou a habilidade para ganhar sua rodada. Até consegui ir razoavelmente bem, mas ele realmente mereceu a vitória.

Na vez das meninas, não tinha ideia do que escolheriam, mas também jogando nos campos de habilidade, Bella desafiou Rose para uma corrida a cavalo, enquanto minha irmã retribuiu a revanche a carro.

Sendo a maravilhosa amazona que é, ainda mais contando com Snow como parceira, Bella ganhou facilmente. E a vitória da minha irmã até veio, não tão fácil quanto a da sua oponente, pois minha Cowgirl não manda bem só sobre uma cela. E apesar de estar com uma caminhonete novíssima na época, a habilidade de anos de Rose, ainda mais por esses campos, acabou fechando a competição.

Empatados, após a vitória de Rose, voltamos para casa pensando no que mais fazer para chegar a uma decisão, foi quando papai sugeriu uma questão básica, decidir na sorte.

Ele pegou um baralho e falou para cada dupla escolher uma carta, simples assim, quem tirasse o maior número, seria o vencedor.

Pensei muito em como proceder, pois poderia me considerar um cara sortudo. Eu tinha Bella em minha vida, afinal, porém justamente por tê-la, por ser quem é, decidi que ela deveria tirar a carta, que confiaria em sua escolha 100%.

Comuniquei a decisão e não a deixei refutar, pois sendo a teimosa por quem me apaixonei, estava pronta para bater o pé e informar outra escolha, mas ao menos naquela discussão, acabei vencedor.

Não sei qual foi o método de escolha de Rose e Emm, mas ao fim eles pegaram juntos, com as mãos sobrepostas.

Após pegarem sua carta e guardarem, Bella ainda me olhou, claramente questionando se não deveríamos fazer o mesmo e mostrar a parceria, mas não mudei de ideia e indiquei para ela prosseguir.

A mulher tocou delicadamente no baralho e retirou uma carta rapidamente encostando ao peito.

Com a sorte lançada, mamãe pediu para minha irmã e cunhado mostrarem a sua e imediatamente uma festa começou, ao verem que tiraram a rainha de paus, realmente uma excelente carta.

Ali compreendi que só um milagre nos faria ganhar e por milésimos de segundos comecei a pensar em como seria me mudar da casa em que nasci, cresci e fui criado, que em breve poderia deixar de me referir a ela daquele modo.

Porém as divagações demoraram pouco, pois mamãe pediu para Bella mostrar a sua carta e um pouco apreensiva virou mostrando primeiro a ela e meu pai.

Ao ver olhares sorridentes dos dois, criou a coragem de olhar por si e por estar atrás dela, acabei vendo também e não tive outra reação a não ser agarrá-la em um forte abraço, ao enxergar o rei de copas no papel.

Sério, apesar dos devaneios, teria me mudado tranquilamente, a perspectiva de criar um lugar novo, só nosso, era animadora também, mas ao fim das contas, ficar em nossa casa tinha um gosto especial.

E a partir daquele dia a decisão ficou estabelecida, seria construída uma casa nova para os meus pais, assim como para Rose e Emm, enquanto Bella e eu prosseguiríamos com a linhagem dos Cullen no lugar em que nos conhecemos e apaixonamos...

Passando justamente por perto da casa, enxergamos nossos filhos brincando entre si.

Já acostumados a nossa rotina, apenas acenaram sabendo que primeiro iremos guardar os cavalos e daqui a pouco voltaremos para vê-los.

Quer dizer, a maioria está acostumada, mas é claro que minha pequena espoleta ainda não compreendeu muito bem esse conceito ou mesmo compreendendo, faz questão de contrariá-lo conforme sua vontade.

A quem será que ela puxou...?

Por isso não me espantei quando a vi se afastar dos irmãos e primos começando a correr em nossa direção, o que não me impediu de tentar contê-la.

— Não filha. Não corre.

O que se mostrou somente inútil já que ela continuou correndo e ainda por cima rindo, porém o sorriso que estava começando a se espalhar pelo meu rosto foi cortado assim que a vi cair encostando as mãos e joelhos no chão.

Saltei de Storm seguindo em sua direção como um raio, mas assim que a alcancei notei o sorriso ainda presente em seu rosto e uma expressão tranquila, deixando claro que a pequena queda não passou de mais um momento de diversão em sua rotina.

— O papai falou para você não correr. Você está bem?

A ajudei a levantar, mesmo que ela já estivesse fazendo sozinha e olhei profundamente procurando sinal de algum arranhão, porém pude suspirar aliviado ao não encontrar nada.

— Eu tô bem papai.

— Mesmo assim, você não deve correr por ai desse jeito. Ainda mais quando um adulto lhe disser o contrário.

— Diculpa papai.

Falou esticando os bracinhos pedindo um abraço e foi impossível resistir.

A peguei no colo ficando em pé e aproveitando para enchê-la de beijos.

— Está perdoada, mas que isso não se repita, está bem?

— Tá papai.

Mesmo sabendo que sua promessa é provavelmente em vão e que daqui a pouco deve estar fazendo a arte novamente, tranquilizei minha mente confirmando que está tudo bem.

— E ai pequena? Quis correr mais que as pernas?

Emm comentou ao se aproximar de nós, ainda em cima de Thor.

— Tio Emm...

Ela esticou os braços pedindo colo.

— Não lindinha, o tio Emm está todo suado. Eu vou guardar o Thor e ir para casa tomar banho, mas quando nos encontrarmos no jantar, vou te encher de beijos e abraços, combinado?

— Tá tio.

— Vai levar o Storm ou quer que o guarde?

— Não, eu vou, mas pode ir à frente, vou levar essa pequena comigo.

Ele assentiu voltando a cavalgar, enquanto caminhei até Storm.

— Eba! Cavalinho.

— Você quer andar no cavalo?

— Quelo papai. Oi Stom...

Desde que as crianças chegaram, Storm se habituou a responder a outros nomes que não propriamente o seu, já que na primeira fase nenhuma delas consegue pronunciá-lo corretamente.

— Vamos lá andar um pouco no Storm.

A coloquei delicadamente sobre a cela e segurando em sua cintura, indiquei para o cavalo andar até o estábulo.

Emm passou por nós, já a pé, mandou beijo para a minha filha, mas seguiu seu caminho para pegar os próprios filhos e ir para a sua casa.

— Ápido papai, ápido.

— Não, nada de rápido. Desse jeito está bom. Você já aprontou bastante por um dia. E se sua mãe soubesse que mesmo após a correria, ainda a deixei montar, nós dois ficaríamos sem sobremesa, portanto, esse será nosso segredinho, está bem?

— Tá papai. Segedo.

Colocou as mãozinhas no rosto fazendo sinal de silêncio e não contive um riso.

— Segedo. Mamãe.

Acreditando que ela estivesse falando comigo, respondi.

— Isso, não falaremos nada a mamãe...

— Mamãe.

Sua animação me fez notar que não está apenas citando a mãe, mas vendo-a, com isso virei à cabeça dando de cara com Bella vindo em nossa direção.

E como acontece sempre, desde a primeira vez que a vi, não pude deixar de ficar deslumbrado...

POV Bella

— Muito bonito vocês dois.

Indiquei assim que cheguei perto o suficiente para que pai e filha pudessem me ouvir.

— Somos lindos mesmo, mas por que do elogio?

— Engraçadinho Cowboy. Sabe que estou me referindo ao fato da nossa filha estar em cima de um cavalo.

— Mamãe.

— Oi minha linda.

Estiquei os braços para que ela viesse ao meu colo, mas a danadinha simplesmente acenou com um não.

— Você sabe que jamais arriscaria a segurança dela. E que todos os nossos filhos começaram a montar desde cedo.

— Vocês ainda me deixarão de cabelos brancos antes da hora somente de preocupação.

— Como se você fosse muito diferente. – O olhei consternada. – Sendo que literalmente se arriscou com a Snow desde o primeiro dia em que a viu, quando ninguém tinha a mínima ideia do que ela era capaz, aliás, sabíamos muito bem que ela estava sendo hostil.

— Snow é uma boa menina, sempre foi. Apenas estava esperando pela minha chegada.

— E Storm é meu fiel companheiro desde que nasceu, sei que nossa pequena está em segurança com ele.

Sabendo que ele está certo, mas sem querer dar o braço a torcer, tentei mais uma vez tirar minha filha de cima do cavalo, porém ela só riu negando novamente.

— É incrível como todos eles puxaram a você. Não sei como a Esme aguentou.

— Como se não fosse igual a mim. Obviamente o fascínio deles pelos cavalos provêm de nós dois.

— Mas você...

Minha tentativa de rebater foi interrompida por seus lábios cobrindo os meus.

Nada impróprio, mas, ainda sim, fascinante o suficiente para me deixar querendo mais...

Porém o risinho da nossa filha encerrou o carinho e o debate por hora.

— Pronto mocinha, já andou bastante.

Edward a tirou com cuidado de cima da cela e aproveitei para finalmente pegá-la no colo.

— Tido mamãe.

— Estava divertido, é? Você é muito sapeca, sabia?

Beijei seu pescocinho cheiroso e logo ela se contorceu no meu colo rindo e pedindo para ir ao chão.

— Não quer colo?

— Vô pá casa mamãe.

— Está bem, mas vá com cuidado e não corra.

Mesmo sabendo que é quase um pedido em vão, tentei mais uma vez reforçar a ideia em sua cabeça.

Nenhum dos seus irmãos passou pela fase de corredores, porém nossa pequena a ama e por isso estamos sempre com a atenção redobrada com ela.

Edward e eu ficamos de olho vendo-a seguir pelo gramado até em casa e para minha sorte, tendo me ouvido e não corrido pelo trajeto.

— Então Cowgirl, onde estávamos?

Seu questionamento veio atrelado a um belo puxão na minha cintura e a continuação do nosso beijo. Conseguimos desfrutar de modo mais solto, deixando as emoções e desejos fluírem.

— Você fala sobre a preocupação com as crianças em cima dos cavalos, como se pudéssemos evitar. – Murmurou no meu ouvido. – Sendo nossos filhos, jamais poderiam ser diferentes.

— Eu sei, mas isso não faz a preocupação diminuir.

— Confie, tudo ficará bem. – Afastamos um pouco para nos olhar. – Afinal de contas, algum deles pode até ter sido feito sobre uma montaria. Como poderiam não amá-los e ser ótimos em cima uma cela?

— Edward!

— É a verdade. – Piscou ao mesmo tempo em que abriu o sorriso torto. – Vou guardar o Storm e já subimos.

Balancei a cabeça diante do comentário impróprio, mas enquanto o espero, olhando o crepúsculo tomar forma no horizonte, acabei deixando minha mente vagar às lembranças antigas...

Quando decidi voltar à fazenda definitivamente, achei que viveria a continuação do sonho de verão que tinha passado e a premissa estava correta, porém o que não esperava, na verdade, o que ninguém imaginava é que poucos dias após minha volta, um caos se instalaria no mundo...

Antes mesmo de viajar, estava acompanhando as notícias da proliferação da covid em outros países, mas diante do que sempre acompanhamos, pensei que tudo poderia ser resolvido brevemente, porém jamais acreditei que a situação fosse chegar ao ponto vivido.

Foi uma questão de dias, em duas semanas que tinha voltado à fazenda, começamos a ouvir sobre a grande proliferação, o estado pandêmico tomando conta do mundo e a indicação para os que pudessem efetuassem o lockdown.

Em certo aspecto, minha chegada foi uma grande ajuda à fazenda, pois com uma veterinária fixa, não só deixamos a vida do Harry mais tranquila, mas também garantimos suporte aos animais em tempo integral.

No entanto, mesmo com as notícias, tentamos pelo restante do mês de março manter a rotina o mais normal possível, aumentando certos cuidados, elaborando rodízios entre os funcionários, cuidando com ainda mais afinco das questões de higiene, porém ao entrar do novo mês confirmamos que as coisas não poderiam ser levadas daquele modo, não quando estávamos arriscando nossas vidas, de quem trabalhava aqui, além de todo o trabalho de produção.

Desse modo, após muitas conversas, discussões, dias sem dormir direito e a situação chegando a quase um nível insustentável, elaboramos um plano que pensamos ser o melhor.

Alguns funcionários já moravam na fazenda, porém decidimos estender a opção a outros, que pudessem vir com a família, para residir pelo tempo que fosse necessário. E aos que não, fizemos o máximo possível para manter o suporte financeiro, enquanto permaneciam em suas próprias moradias ao aguardo da liberação.

Com a ideia em vigor e especialmente com boa parte do corpo de funcionários dispostos a passar pelo ensejo conosco, instituímos um mutirão para construir moradias temporárias a todos e o local escolhido foi o antigo galpão de serragens.

Após o incêndio e a questão com Charles, os Cullen procederam com a demolição de fato do lugar, deixando o espaço livre. E como apesar de tudo, possuía boa estrutura de solo, espaço para cobertura grande e era afastado o suficiente para ser privado, a ideia de reconstruir algo que fosse ser novamente útil, foi mais do que proveitosa.

A ideia central foi fazer dormitórios, um pouco inspirado no que residia na universidade e quando Edward trouxe a questão a tona, apoiei totalmente. Assim as famílias teriam um espaço privado com quarto e banheiro, mas mudamos apenas o aspecto da cozinha para uma grande a ser compartilhada por todos, local que boa parte das mulheres passava o dia trabalhando para que quem estivesse na lida diária tivesse o conforto de uma boa refeição.

Mas apesar de variados esforços, ainda sim, passamos por tempos difíceis, porque não pudemos nos isolar completamente, mesmo com praticamente todo o corpo de funcionários nas terras, ainda tivemos que lidar com as importações de matérias-primas, suporte alimentício e recursos, como também continuamos encarregados de toda a exportação da produção.

Assim, foi inevitável que alguns de nós pegassem a doença, mas graças a Deus, mesmo tendo sido em situações variadas, especialmente no início, antes da vacinação, ninguém próximo teve sintomas graves.

Esme foi a primeira a pegar e ficamos preocupadíssimos, pois não tínhamos ideia real de como lidar com o tempo recluso e de recuperação, depois vieram Rose, Seth, Emm, Gianna.

Cada um em um tempo e tendo sintomas diferentes, mas nada mais grave que alguns dias de febre e estágios de moleza após o tempo de isolamento.

Sem contar outros funcionários que estavam conosco e a cada vez que alguém testava positivo, a situação voltava a complicar e até termos certeza que nada mais grave aconteceria, o clima ficava praticamente insustentável.

E apesar de estar a certo modo protegida no seio da minha nova família, tive que lidar com a preocupação e afastamento dos meus pais por quase um ano, pois só voltei a vê-los no início de 2021, quando as primeiras doses da vacina estavam sendo aplicadas e nos sentimos seguros a modo de conseguir voltar a nos rever.

E mesmo não exercendo medicina em humanos, consegui auxiliar ao menos na proliferação da ideia da vacinação, não só a todos na fazenda, como também há muitas pessoas na cidade.

Por não provirem de uma cultura muito ligada a elas, a maioria dos cidadãos mostrou receios a princípio, ainda mais diante da situação vivida, porém com muita conversa e explicação, passamos o incentivo adiante.

Porém infelizmente não conseguimos passar totalmente sem perdas...

A esposa do senhor Volturi foi uma das primeiras, por conta do tratamento contra o câncer que estava em vigor, ela não pôde abrir mão do acesso ao hospital e com a imunidade baixa, quando ela e o marido contraíram, infelizmente seu quadro não passou por melhoras.

Foi muito duro saber da notícia, ainda mais porque nem pudemos participar do funeral ou apresentar nossas condolências diretas ao senhor Volturi no momento da perda.

No entanto, não só a senhora Volturi em sua condição delicada acabou tornando-se uma vitima, já que Riley, o perito da polícia de Collierville, mesmo sendo tão jovem, veio a perder a vida também.

Entre outros cidadãos da cidade, de diferentes idades e condições de saúde.

Mas sem sombra de dúvidas o que mais nos impactou, foi à resolução que houve com os Black...

Desde o princípio ficamos sabendo que vários funcionários da fazenda adoeceram e só então foram afastados, pois eles não tomaram previdências prévias como nós. Assim tudo foi se tornando um caos e mesmo de longe, preocupados efetivamente com a nossa situação, conseguíamos ver que a Black Horse não estava percorrendo bons caminhos.

E tudo piorou quando Jacob ficou doente, pelo que chegou até nós, ele se recusou a ir ao hospital, mesmo mostrando sintomas bem graves. E quando seu pai enfim o convenceu ou o levou, ainda que contra sua vontade, a fragilidade do quadro acabou se provando fatal...

E ainda que ele tenha de fato nos prejudicado bastante, nos feito mal diretamente, especialmente a mim. E que em meio a momentos de destempero, tenhamos proferido ameaças vãs, acredito que jamais pensamos ou desejamos que seu fim chegasse assim.

Durante os seis meses que passei fora, Edward não o citou uma única vez e acreditei que era porque estava tudo bem, porém só quando cheguei fiquei sabendo por Rose e Emm, que os dois ainda tiveram algumas discussões, nada tão sério quanto outrora, mas que o vizinho não deixava de provocar, especialmente envolvendo meu nome.

Porém efetivamente compreender que a vida de alguém chegou ao fim é sempre difícil.

E a complexidade só aumentou quando poucas semanas depois, Billy também acabou padecendo, apesar de ter recorrido à assistência médica, seu quadro clínico não apresentou melhoras...

Os últimos meses de 2020 foram conturbados por conta dessas notícias, mas alguns dias após as fatalidades, quando começamos a seguir em frente sem pensar tanto, voltamos a refletir sobre eles ao saber que a Black Horse iria a leilão.

Imediatamente os Cullen fizeram uma reunião de família para discutir as opções, prós e contras da possibilidade de comprar as terras vizinhas.

Foi definido que o mais lógico era investir no novo negócio, mesmo em meio ao ano conturbado, a perspectiva ainda era de melhora, com isso seria bom expandir as terras e especialmente garantir que ninguém ao nível dos Black nunca mais ficasse por perto.

E até em vista da nova geração comandada por Edward e Rosalie, o investimento viria como uma bela adesão.

E dessa vez, não só minhas sugestões, mas até meu dinheiro foi aceito para contribuir, já que a fazenda teve muitos gastos não estipulados para manter-se firme em meio à pandemia, o auxílio foi bem-vindo, sem contar que estaria investindo no meu futuro e da minha família também.

A arrematação ocorreu no início de 2021 e foi a primeira vitória que tivemos naquele ano, mas com certeza não a única. A papelada chegou ao fim de maio e com o consentimento legal em mãos, começamos as providências de unificação das terras.

— Em que tanto pensa?

A voz de Edward me trouxe de volta.

— Estava ponderando certos acontecimentos, recordando de quando expandimos as terras.

— Emm e eu estávamos falando sobre isso há pouco.

— É mesmo?

— Sim, mas do jeito dele. – O olhei confusa. – Ele estava implicando por sua casa ficar distante...

— Ah, sim.

Edward sorriu e o acompanhei.

Realmente, uma das primeiras ideias que tivemos foi de construir novos imóveis, apesar de amar viver com todos e ser meio que tradição dos Cullen permanecer em família até a nova geração começar, todos entraram em acordo que queríamos viver algo diferente.

Sem contar a experiência com a pandemia, o ponto entrou em comum de modo geral, ainda mais com as novas terras, espaço é o que não faltava.

Pensamos que as novas construções seriam divididas entre Rose e Emm, como Edward e eu, mas Carlisle e Esme nos surpreenderam ao informar que queriam uma nova casa para si, um pouco menor, mais perto da residência dos McCarty.

A partir dai pensamos em elaborar a outra construção um pouco mais presente nas novas terras, jamais na antiga residência dos Black, essa foi desfeita rapidamente, mas para aproveitar o terreno e começar a implementar a nossa marca.

E foi desse jeito que a ideia de “disputar” a casa original dos Cullen surgiu, com Edward e eu saindo como “vencedores”.

E de verdade tudo não passou de uma grande brincadeira.

Sabemos que Rose e Emm jamais ficaram com qualquer mágoa ou receio de usufruírem da nova casa, que foi construída lindamente e hoje é um verdadeiro lar para sua família.

Mas é claro que dentro da dinâmica de amizade entre Edward e Emm, esse tipo de piada surge constantemente e ambos estão sempre procurando novos meios de complementar as provocações.

— Aquele foi um verão e tanto com todas as reformas e construções que fizemos. – Comentei.

— Sem dúvidas. – Afirmou. – Mas mesmo com algumas promessas para a estação, ainda conseguimos torná-la ainda mais especial. Não concorda senhora Cullen?

Senhora Cullen...

Eu simplesmente amo ser a senhora Cullen.

Pois efetivamente nunca houve um pedido de namoro entre nós.

Tivemos nossa história no verão de 2019, que resolvemos não nomear na época, apesar de todos ao nosso redor insistirem que éramos um casal, antes mesmo de nos darmos conta disso ou dos nossos sentimentos.

Então ao partir disso, acreditando que tudo ficaria para trás, Edward trouxe luz ao que tínhamos quando foi me procurar e praticamente proclamou que ficaríamos juntos para sempre, o que para mim soou como a verdadeira perfeição.

Conseguimos lidar com a distância pelo tempo que foi necessário até encerrar a minha graduação, mas assim que voltei ao menos nesse ponto, foi como se nunca tivesse partido.

Já que imediatamente regressei não só ao seio da família, mas ao quarto de Edward também, pois ele em momento algum deixou a possibilidade aberta para ser diferente, desse modo, o cômodo passou a ser meu também.

O ano foi embora e com a chegada das conversas e então a escolha das novas moradias, compreendi que ficaríamos juntos e era isso.

E por mim estava tudo bem.

Não figurávamos os padrões mais tradicionais, mas isso fazia parte do nosso charme, de quem somos e da nossa história.

Aquela altura Rosalie e Emmett já estavam noivos, com um ano e meio de namoro o casal decidiu que estavam prontos para o próximo passo. E mesmo em meio às atribulações, Emm fez o pedido na noite de natal, trazendo alegria e esperança as famílias.

Porém desde o anúncio, deixaram claro que só casariam quando tudo estivesse acertado, não só no mundo, mas também em meio à expectativa da nova casa.

Desta forma, analisando nossas vivências, realmente não poderia esperar pelo que estava por vir...

— Eu concordo totalmente senhor Cullen.

Sorri inebriada por seu olhar recordando um dos momentos mais ternos que possuímos.

Não poderia estar mais feliz, depois do feriado deprimente que tivemos ano passado, nesse, a comemoração da independência aconteceu como deve ser.

E para completar minha alegria, depois de dois anos separados, finalmente comemorei novamente com os meus pais, que vieram para o feriado, mas ficarão por toda a semana.

— Vamos parar um pouco?

Edward sugeriu em meio a nossa cavalgada.

— Tudo bem.

Apesar de ter trabalhado bastante, não me opus a sua sugestão quando nos encontramos próximos a um dos galpões.

Não é raro em nossa rotina tirar momentos assim, ainda mais depois de todo o confinamento que passamos, gostamos de apreciar a solidão compartilhada por alguns instantes.

Além disso, agora que mais terras pertencem ao território da Silver Horse, as cavalgadas estão tomando campos cada vez maiores e só consigo apreciar completamente a maravilha que é viver em meio a essa imensidão.

— É incrível, não é?

O olhei antes de responder, encontrando-o já no chão, com Storm tranquilo ao seu lado.

Fiz menção de descer também, mas antes de tocar o chão senti suas mãos na minha cintura.

Sorrindo o encarei enquanto acaricio o pelo de Snow indicando que pode apreciar um pouco o descanso também.

— Isso aqui é mais do que incrível. – Respondi finalmente. – Faltam-me palavras para enunciar.

— Eu não estava necessariamente falando da fazenda, mas concordo com você.

Ri da provocação constante entre nós.

— Eu amo viver aqui. – Continuei virando para a paisagem. – Não sei se saberia mais viver de outro modo.

— E nem nunca precisará saber. Esse é o seu lugar, ao qual pertence.

— Eu sou muito felizarda por ter sido enviada justamente para cá. Já pensou em como as coisas seriam diferentes se nunca tivesse me inscrito no projeto? Ou se vocês não tivessem aceitado? Se eu fosse mandada a outra fazenda e vocês recebessem uma estudante diferente?

— Eu não gosto nem de pensar nessas possibilidades, não só por não enxergar nada disso acontecendo, mas especialmente por não ser a versão real e feliz dos fatos.

— Realmente. Eu encontrei a felicidade aqui. O meu tão sonhado final feliz.

— Algum dia chegaremos nesse final, isso é inevitável. – Sua voz soou profunda e assenti, mesmo continuando a contemplar a paisagem. – Mas agora sei que estamos apenas no começo e é em meio a ele que quero seguir os próximos passos, continuar compartilhando tudo contigo...

— O que...

Virei para olhá-lo e tentar compreender melhor a que se refere.

— Nossa história não começou do modo mais comum. Você se impactou pelo meu corpo maravilhoso sem camisa, enquanto me fascinei pelas suas pernas desnudas. – Sorrimos cúmplices. – E quando chegou o momento de nos conhecermos verdadeiramente, o impacto das palavras não foi o esperado, já que agimos como dois malucos inconsequentes.

— Você foi o maluco inconsequente, eu apenas revidei.

— Está bem, está bem. Mas, ainda sim, a partir daquele momento você entrou na minha vida para nunca mais sair. E que sorte a minha por você ser determinada o suficiente para lutar contra a minha teimosia e estabelecer residência, não só nas minhas terras, na minha casa, mas também definitivamente no meu coração.

— Eu...

— Todos os dias daquele verão eu acordava cheio de expectativas, animado para revê-la, para ver que peripécias aprontaria, para ouvir sua voz, sentir seu cheiro e claro, admirar seu corpo.

— Edward!

— É a verdade, você sabe que sou um homem sincero. Mas continuando, essas eram as minhas expectativas ao acordar, porém a noite, mesmo depois de passar um dia incrível ao seu lado, adormecia triste, porque sabia que seus dias estavam acabando, que tudo aquilo tinha data e hora para terminar e eu não queria que acabasse. Não tinha ideia do que fazer para remediar a situação, mas queria arrumar um jeito de impedi-la de partir, de prendê-la a mim para que não fosse embora. E quem diria que o jeito de fazer isso era declarando meus sentimentos?

— Quem poderia acreditar que bastava isso para nossas aflições irem embora, não é?

— Pois é. Mas eu nunca tinha sentido por ninguém ao menos um décimo do que sentia por você e isso me confundia, me deixava acuado, temeroso. Assim contentava-me apenas em viver o dia, o momento, conforme nosso combinado. E mesmo com as apreensões, tudo que vivemos foi único, mágico, nosso. E definitivamente não mudaria nada.

— Nem eu. Nosso amor cresceu em cada detalhe de tudo que passamos.

— Alguns detalhes mais marcantes que outros, mas, ainda sim, todos preciosos.

— Com certeza.

— E falando em detalhes marcantes, você lembra que dia é hoje? Quer dizer, que marco aconteceu nessa mesma data há dois anos?

Agora ele me pegou...

Que dia é hoje?

Oito de julho.

Ok, mas o que estávamos fazendo nessa data há dois anos?

Alguns dias depois do feriado...

Alguns dias...

A nossa primeira vez.

Murmurei incrédula.

A nossa primeira vez. A primeira vez em que fizemos um parto juntos. A primeira vez que conversamos sinceramente, graças ao seu jogo de perguntas. E a primeira vez que nos unimos como um só.

Foi inevitável não sorrir em meio às lembranças.

— Todas as vezes que fazemos amor são incríveis, mas esse dia, esse marco, tem um quê mais especial, acredito que para nós dois. – Assenti. – E quando pensei em um novo momento para ser marcado, em meio ao verão, nossa estação favorita, lembrei-me dessa data e conclui que era a ideal...

Por que ele está ajoelhando enquanto seus olhos adquirem um brilho nunca antes visto?

— Eu te amo Bella e quero passar todos os dias da minha vida contigo, sem qualquer temor que em algum instante você possa partir. E não digo isso pensando em uma imposição social, mas porque terei a certeza que o nosso amor continuará firme e constante, assegurando nossa relação. Eu quero continuar comemorando datas com você, momentos, situações. Quero continuar crescendo como homem, tendo uma mulher incrível ao meu lado. Quero além de chamá-la de Cowgirl, enunciar aos quatro ventos que é a minha senhora Cullen. E no futuro saber que é também a mãe dos meus filhos, minha companheira, amiga, amante, esposa...

— Edward...

— Isabella Marie Swan, eu prometo continuar te amando em todos os momento da minha vida. Não da mesma forma que amava ontem, mas com certeza de modo ainda mais intenso amanhã. Diante de tudo que vivemos e do que ainda iremos viver. Da nossa história. Do nosso amor. Você me faria o homem mais feliz do mundo dando-me a extraordinária honra de se casar comigo?

A retirada da caixinha do bolso, abrindo-a e mostrando um maravilhoso anel, foi o complemento perfeito do momento.

E desse modo, com apenas nossos cavalos como testemunha, em meio às terras que tanto amamos, com o crepúsculo brindando o marco, selamos nosso compromisso.

— Sim. Mil vezes sim. Eu amo você, Edward. Muito mais do que um dia julguei possível amar alguém. É claro que aceito me casar contigo. A honra será minha em ser sua esposa, em poder chamá-lo de meu marido. Eu te amo. Sim...

Ele tocou meu braço levando a mão até a minha e delicadamente deslizou o anel pelo meu dedo, então rapidamente levantou me puxando para um abraço e nos beijamos mais felizes do que nunca.

Nosso primeiro beijo como noivos.

E se todo o cenário já não estivesse perfeito, de repente, sem qualquer prévio aviso, uma chuva torrencial, característica do verão, caiu sobre nós.

— Acho que só faltava isso.

Murmurou entre meus lábios.

— Só, mas agora está completo.

Rindo voltamos a nos beijar sem importar-nos com o tempo.

Não nos importamos há dois anos quando enfrentamos uma verdadeira tempestade para ir a auxílio à vaca perdida, agora tão pouco o faremos.

O momento só foi quebrado pelos barulhos que nossos cavalos fizeram, já que eles não gostaram muito de ficar sob a chuva.

Por isso montamos novamente e saímos em rápido galope de volta a casa, para anunciar a novidade a nossa família...

Chegamos completamente ensopados, mas antes que qualquer um pudesse contestar, informamos a notícia do noivado, recebendo enormes felicitações.

E quando mamãe e Esme começaram a comentar sobre detalhes da cerimônia, Edward e eu trocamos um profundo olhar, e mesmo sem palavras, compreendemos exatamente o que queríamos.

Mas talvez os tenhamos pegado desprevenidos, ao anunciarmos que casaríamos ainda naquele verão, sem esperar por mais.

Não víamos motivos de ter um noivado longo, além do mais, era do nosso interesse casar no verão, não só por ser nossa estação favorita, mas por ser o marco principal da nossa história e não queríamos esperar até o próximo ano.

Esme, mamãe e Rose até tentaram nos dissuadir da ideia, mas nos mantivemos irredutíveis e no fim, após a piada do papai em demonstração de apoio as bodas breves, para pararmos de viver em pecado, elas compreenderam que a decisão estava tomada, desse modo, restava apenas auxiliar-nos com os preparativos...

E agora, mesmo completamente animada por conta das memórias, não perdi a chance de provocá-lo.

— Apesar de que, às vezes me pergunto como consigo aguentá-lo por esses dez anos...

— Na verdade você me aguenta por doze anos.

Ergueu a sobrancelha ao enfatizar.

— Perdão, é verdade. Que equívoco o meu. Mas é que estava me referindo ao tempo que sou a senhora Cullen. E de vez em quando ao fazer as contas penso em quanto tempo mais terei que aguentá-lo até poder usufruir livremente de todos os direito da fazenda.

— Ah, quer dizer que a senhora mantém a ideia de estar comigo apenas visando tornar-se herdeira de tudo um dia?

— Exatamente. Toda a emoção que demonstrei no dia em que me pediu em casamento e na cerimônia, não era por você e sim por finalmente estar tornando tudo oficial.

Sagaz e rápido Edward nos deitou prontamente no gramado, ficando por cima, com o corpo cobrindo totalmente o meu.

— Agora repete isso olhando no fundo dos meus olhos...

Ao fim das contas, a data da cerimônia veio pouco mais de um mês após o noivado, tempo o qual só tomamos por conta da parte civil, já que nenhum de nós queria algo grande e sabíamos previamente também que tudo seria feito na fazenda.

E não poderia ter sonhado com nada mais...

Alguns podem até ter achado o casamento simples e pequeno, porém para nós o fator mais importante esteve presente por todo o momento, o nosso amor.

Ao caminhar para o altar de braços dados com o meu pai, encontrei o sentido de tudo ao olhar nos olhos de Edward e encontrar a compreensão perfeita.

Nossos votos foram cheios de citações da nossa jornada e como acreditamos que levaremos a relação para sempre.

E naquele 13 de agosto de 2021, nos tornamos um perante Deus, nossa família e amigos. Para prosseguir como iguais e companheiros por todo o sempre...

— Eu te amo mais do que tudo.

Foi o que respondi olhando no fundo dos seus olhos.

— Você poderia ter milhões de fazendas ou nenhuma, que ainda sim o amaria com todo meu coração. E viveria tudo de novo.

— Mas se eu não tivesse ao menos uma fazenda, não poderia ser o seu Cowboy. Porém você sempre seria ao menos a minha Calgirl.

Sorrimos em meio à menção do apelido antigo.

— E você também sempre será minha Cowgirl. Especialmente na hora em que está cavalgando no meu pau.

Murmurou a última parte no meu ouvido e foi impossível não gemer.

— Cowboy...

— Sentiu, não foi? – Voltou a me olhar. – Mas infelizmente não poderemos fazer nada agora, pois nossos filhos estão a nossa espera.

Com isso levantou me ajudando depois.

— Você é mau.

— Mais tarde te mostro o quanto... – Piscou.

Maldito provocador!

Entrelaçamos as mãos passando a caminhar para nossa casa.

O olhei constatando um sorriso diferente.

— O que foi?

— Estava lembrando em como no fim das contas casamos exatamente no momento certo. Do contrário, talvez seu pai tivesse finalmente me apresentado sua arma.

— Mas talvez o fato de termos nos casado, é que tenha ocasionado tudo.

— Esse é outro dos maravilhosos mistérios que rondam nossa história. – Sorriu. – Não sabermos se você já casou grávida ou se a gravidez aconteceu na lua de mel.

— E qual a explicação para a chegada dos nossos outros filhos?

Ele ponderou um tempo antes de responder.

— Não tem uma explicação concreta. E isso vale para todos. Eles vieram quando quiseram, mostrando desde cedo como são realmente como nós.

— Você tem razão. Eles são definitivamente como nós, o melhor de nós...

Quando descobrimos a primeira gestação, pouco tempo depois do casamento, nossa primeira atitude foi instaurar uma força tarefa para finalizar o projeto das casas.

Não nos importamos em continuar morando com todos após formalizarmos a união, mas queríamos que com a chegada do bebê, já tivéssemos tudo reestruturado, ainda mais que não só teríamos as novas construções, mas também faríamos algumas reformas na casa que passaria a ser apenas nossa.

A pertencente à Carlisle e Esme ficou pronta primeiro e eles simplesmente adoraram o novo lar, ficou exatamente com a cara deles, aconchegante e cômoda para continuar recebendo visitas, mas não ostensiva para um casal na flor da idade.

O imóvel de Rose e Emm veio algumas semanas depois, mas com sorte antes do casamento deles, que aconteceu em novembro daquele ano. Desse modo, entramos o novo ano com as residências estabelecidas e todas as reformas em dia.

O que foi um tremendo alívio, pois quando nosso primogênito, Anthony Cullen, nasceu, pôde prontamente ser trazido ao seu novo lar.

E a gestação foi tão tranquila, que não me admirei pelo bebê ser tão tranquilo fora da barriga, quanto era dentro dela.

A única coisa que senti falta nos meses da gravidez foi de andar a cavalo, já que estabelecemos que não poderia montar durante o período gestacional, trabalhar consegui continuar por um bom tempo, parando efetivamente só aos sete meses, mas, ainda sim, continuei auxiliando de outras formas.

E quando meu bebê, batizado em homenagem ao avô de Edward, como ao próprio, chegou, comprovou que todo e qualquer sacrifício valia a pena.

Apesar de contarmos muito com o respaldo de todos, especialmente de Esme, quisemos passar pela experiência de pais de primeira viagem conforme mandava a cartilha.

Então todas as noites em claro, choros, fraldas, mamadas, tudo foi administrado por nós, porque sabíamos também que cada detalhe do nosso pequeno era importante e fazia tudo valer a pena, cada sorriso babado, olhares ingênuos, detalhes em comum que encontrávamos nele...

Ainda que falem que ele possui semelhanças a mim, sempre o vi como uma cópia do pai, meu pequeno Edward, nosso Anthony.

E se possível tal fato só me faz amá-lo ainda mais.

O primeiro ano do nosso filho chegou à meio de muita festa, mas antes do bebê completar o segundo ano, tivemos novos motivos para comemorar, pois em março Rose e Emm anunciaram que a família ganharia mais um membro.

De modo disciplinado esperaram ao menos cerca de um ano para engravidarem, porém apesar das piadas, Edward e eu não nos arrependemos nem um pouco de ter tido o nosso tão próximo ao casamento.

Mas as surpresas não acabaram por ai, já que em meados ao aniversário de dois anos de Anthony, me descobri grávida novamente.

E prosseguindo com os fatos espantosos, me vi grávida outra vez, mas não a espera de apenas um bebê e sim de gêmeos.

Edward quase caiu para trás quando anunciei, mas ele não poderia surtar, porque eu mesma já estava surtando.

Chegamos a avaliar se possuíamos em nossa árvore genealógica genes para tal acontecimento, mas depois do primeiro instante de susto, simplesmente abraçamos a ideia felizes pelos novos bebês.

Então Rose e eu compartilhamos do momento de gestação e foi realmente muito divertido dividir tudo com ela, sem contar com o fato maravilhoso que nossos filhos emularam a situação dos pais.

Com Edward nascendo em junho e Emmett em julho, no mesmo dia, apenas com o mês de diferença. Nossos filhos agora também protagonizam tal feito, com o primogênito dos McCarty nascendo em outubro e o nosso casal de gêmeos tendo chegado ao mundo exatamente um mês depois.

Durante os meses de gestação, apenas conseguimos descobrir que teríamos uma menina, mas de modo algum o irmão ou irmã quis se revelar.

Então em meio ao parto a família toda entrou com várias apostas e no fim, quem apostou que teríamos um casal, ganhou.

E apesar da gestação gemelar, talvez por ser a minha segunda, não me trouxe tantas complicações, tanto que consegui levar a gravidez até os oito meses e também proceder com o parto de modo natural, como já havia feito com Anthony.

A partir dai, passamos a ser pais de três filhos, com a chegada de Clara e Colin Cullen, meu menino tímido nasceu poucos minutos após a irmã, que de modo imponente com certeza deve ter imposto a saída primeiro.

E atrelado a eles, os vovôs Cullen estavam muito exultantes com os novos netos, incluindo o pequeno Luke McCarty, que apesar de apresentar as covinhas do pai, nasceu com muitos traços da mãe, nos fazendo acreditar que os Cullen tem realmente gene forte.

Já que Clara também nasceu com traços mais parecidos com o pai, como a tonalidade dos olhos e cabelo, enquanto seu gêmeo puxou também as orbes do pai e irmãos, mas ao menos os fios pareciam duelar um pouco entre nós.

E assim, por algum tempo também, Clara ficou sendo a única menina da família, tão paparicada a modo que tive que interpor algumas vezes para não deixar que minha menina crescesse sem limites, mas acredito estarmos fazendo algo certo, já que ela é um completo doce e muito devota dos irmãos e primos.

Poucos meses após o nascimento dos gêmeos, Edward e eu conversamos sobre a possibilidade de fechar a fábrica, três filhos realmente era um bom número, ainda que no nosso caso, dois deles tenham vindo totalmente de surpresa.

Porém estávamos firmes nessa decisão, até lembramos quando conversamos no jogo de perguntas e falamos sobre a vontade de ter dois ou três, ao pontuar o segundo número de cara, estávamos contentes e satisfeitos, deixando para Emm e Rose a missão de continuar a linhagem dos Cullen.

Sem contar que Seth e Alec ainda nem tinham começado sua parte frente aos McCarty, então a possibilidade de novos bebês é o que não faltava.

E nossos amigos realmente quiseram aumentar a família cedo, Rose comentou que apesar de sempre ter tido uma parceria grande com Edward, não gostaria que os filhos tivessem uma diferença de idade tão grande, então quando Luke estava com apenas sete meses ela engravidou de novo, dessa vez sozinha, pois Edward e eu nos mantínhamos na ideia de estar muito bem com nossos três filhos.

E no comecinho de fevereiro do ano seguinte, a doce Daphne McCarty chegou para abrilhantar nossas vidas.

Nossos amigos conseguiram seu casal, a família ganhou uma nova neta e Clara uma prima, já que os irmãos já possuíam o priminho.

E ainda que Emm provenha de uma casa de três filhos e eles tenham escolhido ter o segundo tão de pronto, com a chegada da filha, optaram por fechar sua fábrica também.

O que não causou espanto, já que Rose vem de uma família de dois irmãos e com Edward e eu tendo três crianças, a linhagem futura estava mais do que garantida.

Com as coisas começando a se encaminhar para fases mais libertas dentro da relação como pais, com Anthony já com seis anos, Clara e Colin com quatro, todos já indo a escolinha, também deixando de ser nossos bebês, talvez algo tenha mexido conosco, talvez fosse apenas o destino, talvez devesse ter dito não algumas vezes a Edward...

Não, isso jamais aconteceria.

É um absurdo só pensar...

E a via é completamente de mão dupla, já que ele tão pouco jamais diria não a mim.

Mas enfim, fato é que mesmo apesar de muita conversa e certa conciliação, nos descobrimos grávidos novamente, porém agora podemos afirmar com todas as letras que paramos no quarto filho, não há mais possibilidade de aumentar essa família, ao menos não por vias naturais.

No entanto, é até estranho pensar que por determinado tempo não fomos à família de seis que somos hoje. E com certeza não seria a mesma coisa sem a presença da minha caçulinha que chegou apenas para abrilhantar nossas vidas e fechar o pacote.

Hannah Cullen nasceu em abril de 2029, poucos meses antes de seu pai completar quarenta anos, mas sinceramente, nenhum rapaz de vinte apresenta a força, fibra, magnitude, imponência, charme, afeto e amor que Edward possui por nossa filha, não só por ela, mas por todos nossos filhos e por mim também.

E quando Hannah nasceu Carlisle comentou sobre estarmos continuando a linhagem Cullen diretamente.

Já que os primeiros donos da fazenda, Peter e Charlote, tiveram também quatro filhos, sendo dois meninos e duas meninas, nenhum com gêmeos, mas ainda sim, era algo a se pensar...

E a reflexão que ficou em minha cabeça foi sobre como Edward e eu parecíamos destinados a ser, até nesse aspecto, continuando a linhagem como os primeiros donos da Silver Horse...

E finalmente, talvez por isso ela tenha vindo minha pequena nasceu quase toda a mim, com os meus olhos, tom de cabelo, porém com muito da personalidade do pai.

Nossa princesa é o charme da casa, a bonequinha da irmã, o chamego dos irmãos e nosso último bebê, que infelizmente está deixando de ser bebê.

Já que ao fazer três anos, há dois meses, já começa a apresentar os novos traços de criança, deixando a fase anterior para trás.

Por fim, não poderíamos ser pais mais felizes e orgulhosos.

Tendo um menino primoroso, muito apaixonado por animais, mas também engajado a história da família, por isso não temos ideia do que Anthony fará quando adulto, apenas sabemos que apoiaremos qualquer que seja sua escolha, mas aos 10 anos, esses tipos de pensamentos ainda estão longe.

Clara e Colin não poderiam ser mais opostos complementares, aos oito anos divertem-se muito bem juntos quando querem, mas também sabem respeitar demais o espaço do outro.

Já que ela é completamente ativa, impulsiva, começou a cavalgar muito antes do irmão, porém apesar de amar os cavalos, não demonstra muita aptidão ou paciência para lidar com eles no cerne da questão.

Enquanto ele com seu jeito mais compenetrado, atento, apresenta uma percepção das coisas de modo singular, quanto a Colin, já imagino um futuro voltado a questões mais clínicas.

E nossa pequena Hannah é um espírito livre, mas ao mesmo tempo atenta a tudo, fico só imaginando como irá se desenvolver na escolinha quando começar a frequentá-la no próximo ano, não tenho dúvida que suas descobertas serão completamente incríveis.

E apesar de nesses dez anos, com quatro filhos, termos passado por muitos desafios, em vários aspectos, como adultos, entre nosso seio familiar, com divergências no matrimônio e também a mim mesma como mãe, ao fim, não trocaria essa vida por nada.

Pois amo tudo intensamente, os amo com todo meu coração.

E gosto sempre de pensar que meu destino estava traçado para esse caminho desde o momento em que pensei em me inscrever para o projeto da universidade e fui selecionada para passar o verão na fazenda Silver Horse...

Assim que alcançamos a varanda da casa, fomos abordados com muito falatório, mas também beijos e abraços, algo comum a nossa rotina.

E olhando cada um deles, mas fixando o olhar em Edward, só posso desejar que essa união e amor entre nossa família, permaneça para todo o sempre...

POV Edward

Segurando Hannah nos braços tento dar atenção ao que ela diz, enquanto Colin também narra fatos do seu dia.

Observo Bella mexer no cabelo de Clara, olhando Anthony mostrar algo que conseguiu fazer com um dos filhotes, que chamamos assim, mas já não tem tal idade há muito tempo.

Todos eles estavam brincando com nossos cachorros, quer dizer, a essa altura Gus só olha as interações, apesar de ter se dado bem com as crianças, como fez com Bella, por já estar velho, não demonstra mais a mesma energia de antes, porém por sorte contamos com seus filhotes para entreter nossos filhos, dai a nomenclatura.

E meu velho amigo apesar de ter cruzado mais de uma vez, acabou se provando um solteirão invertebrado, já que não conseguiu formar de fato uma família com nenhuma cadela.

Não deixo de provocar Bella ao falar que ela foi à única que verdadeiramente tocou seu coração e mesmo dando assistência as fêmeas com quem se envolveu e ao trazermos seus filhotes, não os rejeitar, Gus não quis prosseguir com nenhuma relação.

Na primeira ninhada, adotamos um filhote, outro macho e Anthony o batizou de Buddy, o que combinou com a essência do animal, já que ele é um verdadeiro companheiro, não só ao meu filho, mas até mesmo em questões maiores, diferentemente do pai.

Então na última vez que Gus teve uma prole, pensamos em adotar um novo cãozinho, mas acabamos saindo com dois, o casal Sun e Moon.

Preciso dizer que Bella foi a responsável pela escolha dos nomes?

E apesar dos gêmeos já terem nascido na época, não adotamos os dois para serem exclusivamente de Clara e Colin, mas porque eram os únicos que não foram adotados e quando Bella os viu, não conseguiu pensar em separá-los.

E agora nossa casa abriga não só quatro crianças, mas também quatro cachorros. Por sorte os cavalos não moram aqui, do contrário, não sobraria espaço para as pessoas.

— E aula terminou bem nessa hora, mas o professor falou que amanhã continua.

Colin concluiu seu relato.

— Que ótimo filho, amanhã você me conta como ficou a experiência.

— Pode deixar pai.

— Papai, flô.

Hannah mostrou um botãozinho entre as mãos.

— É sua filha?

— Sim. Minha.

— Senhor e senhora Cullen, ainda vão precisar de mim?

Nossa babá questionou ao aparecer na varanda.

— Não Bree, obrigada. E eles se comportaram?

— Sim senhora, como sempre.

— Nós somos ótimos mamãe.

Clara respondeu convicta.

— São sim. – Bella deu um beijo em seu cabelo. – E devem continuar assim.

— Eles são adoráveis, mas agora já vou. Tchau crianças.

— Tchau Bree.

— Tau Bee.

O coro entre meus filhos se seguiu.

— Bom fim de semana Bree e obrigado.

— Para vocês também senhor Cullen. Até segunda.

A moça saiu acenando a caminho de pegar o carro e voltar à cidade.

— Agora todo mundo entrando para ir tomar banho, pois vamos jantar na casa dos vovôs.

Com o indicativo de Bella, seguimos as orientações.

Mesmo com o auxílio que minha mãe sempre nos deu, desde que Anthony nasceu e Bella voltou efetivamente a trabalhar, optamos por ter o apoio de uma babá.

Agora é por menos tempo e mais em função de Hannah, já que os mais velhos além da escola, também têm suas rotinas preenchidas por atividades recreativas, influência de Bella, mas que hoje concordo serem fundamentais.

Apesar de não lamentar em nada como foi minha criação em meio à fazenda, sei que meus filhos precisam de mais e quero que tenham mais, que se no futuro acabarem como eu, que seja com a convicção que é o que realmente querem e ainda sim, os incentivarei a seguirem rumos mais acadêmicos, como a mãe.

Porém como hoje é sexta-feira e todos têm o fim da tarde livre, Bree ficou conosco até o instante em que conseguimos deixar de trabalhar, mas também somente porque em função do jantar, mamãe está entretida em casa e as crianças atrapalhariam sua rotina, ainda que ela jamais admita algo do tipo.

Mas mesmo sendo criados de modo diferente do que fui meus filhos ainda apreciam muito as maravilhas de morarem em uma fazenda, com tantas coisas a explorar e viver.

E embora papai não esteja mais a frente do comando da Silver Horse, podendo desfrutar muito melhor do seu tempo ao lado da minha mãe, a certo aspecto ainda nos auxilia bastante, mas dentro das suas condições, como e quando pode.

No entanto, efetivamente há alguns anos Rose e eu, ao menos de modo legal, assumimos integralmente o comando.

Mas não somente nós, já que finalmente tratamos de incorporar Emmett de fato na linhagem corporativa da fazenda, tal qual Bella, que não assumiu somente o cargo de veterinária, mas também é responsável por termos legais e administrativos.

Sem contar o fato de não trabalhar em sua área de estudo somente aqui, já que ao passar dos anos, ainda mais após a aposentadoria de Harry, assumiu a função como a veterinária responsável pelas fazendas da região.

E se existe alguém orgulhoso dela, sou eu.

Sempre soube que Bella era mais, mais do que todos que já tinha conhecido e mais do que a maioria efetivamente é.

Apesar da mudança, da estabilidade empregatícia, financeira e pessoal, ela não se deixou abater e contando não só com a graduação de Stanford, ao longo desses anos fez duas especializações na universidade de Memphis.

Rose acabou embarcando em uma também, incentivada pela própria Bella. Mas não deixo de dar o mérito as duas, por serem mulheres além da média, simplesmente excepcionais.

Emm e eu somos realmente malditos sortudos por tê-las.

Quanto a minha esposa, sua segunda especialização terminou em meio à última gestação e ela chegou a achar que enlouqueceria diante de tantas atribulações, ainda mais com nosso planejamento de encerrar a família com os gêmeos, não estávamos de fato muito prontos para passar pela experiência novamente.

Mas me fiz um verdadeiro parceiro, não a deixando esmorecer, dividindo amplamente os afazeres com nossos três filhos já nascidos, a nova gestação e dando o meu máximo para apoiá-la até nos estudos, porém graças a Deus no fim deu tudo certo e minha digníssima esposa tanto encerrou com honras mais um caminho de aprendizado, como trouxe ao mundo nossa filha caçula com tal empenho como fez com os anteriores.

Já divididos entre os quartos das crianças, começamos a força tarefa de dar banho nos quatros ou no caso de Anthony, apenas auxiliá-lo e supervisionar, mas mesmo com a correria do dia a dia, não abrimos mão desse tipo de apoio e contato com as crianças, pois não queremos que nada tire tempos valiosos tanto de nossas presenças, quanto suas rotinas.

Após tratarmos do mutirão da limpeza, as deixamos prontas para sair, em meio à supervisão do nosso filho mais velho, mas contando muito com o apoio do gêmeos em comportar-se e ajudarem a olhar a irmã caçula, Bella e eu finalmente conseguimos chegar ao momento do nosso banho, que foi em conjunto, porém apenas banho, como minha esposa muito enfatizou.

E finalmente com todos arrumados, saímos em direção à casa dos meus pais.

— Papai, vamos a pé?

— Vamos sim Colin.

— Não podemos pegar o carro?

— Não Clara, a casa dos seus avós não fica tão longe para precisarmos ir de carro.

Bella lhe respondeu.

— E de cavalinho?

— Não mocinha, você já teve peripécias demais em cima de um cavalo por um dia.

— Eu te levo de cavalinho, Hannah. Quer?

— Quelo. Cavalinho Thony.

Conseguindo agradar a irmã e não contrariar a mãe, Anthony pegou a irmã colocando em seus ombros fazendo a alegria dela.

Apesar de ainda novo em idade, nosso garoto já demonstra que terá o mesmo porte físico que o meu e segundo Bella, ele é uma versão em miniatura minha, mas logo ela terá que deixar de dizer isso quando nosso filho assumir até minha estatura.

Ouvindo os risos de Hannah e também os comentários de Colin com a mãe sobre um cavalo que adquirimos recentemente, abri meu próprio sorriso ao pensar em como as conexões com esses animais continuam.

E me alegro também por poder contar ainda com meu velho amigo, assim como Bella mantém a parceria com Snow.

Apesar de ambos já estarem envelhecendo, ele mais do que ela, assim como é entre minha esposa e eu. Nossas montarias continuam servindo-nos aprazivelmente e espero que continuem assim por bastante tempo, pois não quero nem pensar no momento em que deixarão de fazer parte da família...

E família também se formou deles dois, como esperado, já que Snow teve três potros com Storm, que hoje são os cavalos dos nossos filhos, apenas a égua de Colin nasceu de Hope, em seu segundo cruzamento, o que também foi bastante especial, visto o que a égua representa para nós.

Como informado por Bella, à casa dos meus pais não fica tão longe, assim logo a avistamos. E apesar de a princípio terem dito que gostariam de residir em um lugar menor, tal questão só se deu pelo fato de não morarem em um sobrado, como nós ou Rose e Emm, mas a cozinha e a sala de jantar são bem espaçosas para mamãe poder continuar cuidando e recebendo todos confortavelmente.

E com a chegada dos netos, tivemos que fazer até uma pequena obra, para ampliar o espaço dos quartos, para que todos possam sempre ficar acomodados na casa dos avós.

Fomos os últimos a chegar, mas assim que entramos tanto meus filhos, quanto meus sobrinhos trataram de se entreter como se não estivessem a pouco brincando na varanda quando Emm e eu passamos.

O jantar iniciou e por um bom tempo fiquei concentrado somente na refeição, recompondo as energias, mas me atentei um pouco mais a conversa quando vi as crianças começarem a pedir para dormir aqui.

Observei Emm e Rose confabulando, enquanto Bella e eu apenas trocamos olhares e com os pensamentos conectados, sabendo que eles possuem tudo que precisam aqui, permitimos a dormida, assim como minha irmã e cunhado.

A partir dai meus pais ficaram falando sobre tudo que farão com as crianças e não pude deixar de agradecer pela vida perfeita que tenho em todos os aspectos.

Cresci com os melhores pais, a melhor irmã, o melhor amigo que por muito tempo foi também meu irmão, até tornar-se meu cunhado. Hoje tenho filhos maravilhosos, mas quanto à questão de esposa, nesse aspecto eu ganhei mais do que qualquer um na terra.

Bella é o verdadeiro presente da minha vida...

— Cowboy...

Minha adorada mulher cochichou no meu ouvido enquanto estamos na sala apreciando o fim da noite em família.

— Sim?

— Você pensou no mesmo que eu?

— Huuum, terá que ser um pouco mais especifica.

— As crianças vão dormir aqui, com isso teremos a casa apenas para nós. – Piscou.

Não contive um riso diferente, um riso de pura satisfação.

Pois se tem algo que nunca mudou, foram nossas loucuras a dois e sei que continuaremos assim para sempre.

Desde que me conheceu, Bella teve que começar a comprar calcinhas novas constantemente, ela deve ser a pessoa que mais compra calcinhas no mundo, porque nunca perdi o empenho em rasgá-las, mas sei que ela ama isso, por essa razão não para de me enlouquecer com as mais variadas peças fenomenais que possui.

E acredito que em pouco tempo, estarei desfrutando do prazer de destruir mais uma...

Queria dizer que consegui me concentrar na reunião familiar, porém minha mente passou a figurar um lugar muito diferente...

Então quando Rose falou que já ia embora, rapidamente levantei anunciando que Bella e eu também, ela somente riu, mas concordou, assim começamos as despedidas.

Apesar de saber que todos ficarão bem, que não precisamos nos preocupar, nem mesmo com a possibilidade de Hannah precisar de nós, acabei acionando o modo pai e estranhei o fato de ir para casa sem meus filhos, ainda que esteja muito animado em aproveitar bastante com Bella, já nos acostumamos a estar sempre com eles.

Então abracei e beijei cada um fortemente e vi Bella fazer o mesmo, desejamos boa noite e votos de que durmam bem e não deem trabalho aos avós.

Com o tchau aos meus pais, deixamos a casa.

— Bella, já ia me esquecendo. Alice te mandou mensagem?

— Mandou sim Rose. É verdade, acabamos nem comentando.

— E como eles estão? – Emm perguntou.

— Bem, trabalhando, viajando sem parar, daquele jeito deles.

Minha irmã respondeu.

Como prometido, após tudo que fizeram por nós, o casal mantém contato esporadicamente conosco.

Nada tão próximo, tanto que não estavam em nossos casamentos ou frequentam a fazenda constantemente, mas ao menos conhecem nossos filhos e conseguimos conversar em meio ao trabalho atribulado que têm, mas um trabalho importantíssimo que salvou nossas vidas.

— Alguma previsão de visita?

Perguntei mesmo sabendo que é uma pergunta vã.

— Não. Mas estamos no início do verão, quem sabe até o fim do ano eles não consigam aparecer.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Bella comentou e assentimos.

Com o fim do assunto, nos despedimos do outro casal e viramos em direções opostas a caminho das nossas casas.

Bella e eu entrelaçamos as mãos e caminhamos por alguns minutos em silêncio, apenas desfrutando da brisa gostosa do verão, assim como o céu enluarado sobre nós.

Ao chegarmos bem próximos a nossa casa, apertei seus dedos entre os meus, delicadamente, apenas para lhe chamar a atenção, que foi prontamente atendida quando ela parou a minha frente.

E inebriado por seus olhos, simplesmente não me contive.

— Eu te amo.

— Eu também te amo.

Agora além das orbes chocolates, também estou sendo brindado por seu maravilhoso sorriso.

— Eu realmente te amo Bella e vou amar para sempre.

Sua mão que estava livre veio até meu rosto acariciando-me de modo singelo.

— Eu sei. Porque é assim que eu me sinto, todos os dias. Amo estar com você, ser casada com você, criar nossos filhos juntos. Amo saber que sou amada por você e amo intensamente esse amor que você provém no meu peito.

— Você é simplesmente a melhor coisa que já me aconteceu. Quem mudou minha vida completamente e colocou meu mundo de pernas para o ar, mas sou extremamente grato a isso. Pelos filhos que temos, pela família que formamos e por ainda sermos tão completamente apaixonados como no início.

— Ah, Cowboy. — Sua mão infiltrou pelo meu cabelo. – Se possível, você está ainda melhor agora na casa dos quarenta, do que quando mais jovem.

— E daqui a alguns minutos provarei quanto ímpeto ainda tenho por você, tal qual tinha aos 28 anos, quando a conheci.

— Mas eu só conheci seu ímpeto de fato aos 29, pois seu aniversário daquele ano já tinha passado quando tivemos nossa primeira vez. – Piscou. – Porém saiba que sou tão louca por você agora, aos 41 anos, preste a completar 42. – Sorrimos. – Quanto era ao conhecê-lo aos 28, mesmo ainda não tendo provado sua essência...

— E você me enlouqueceu completamente quando chegou aqui aos 23, tanto quanto ainda o faz agora aos 36 anos, talvez até um pouco mais? Porque agora Cowgirl, sei que minhas vontades sempre serão saciadas...

— Com certeza Cowboy...

Beijamo-nos apaixonadamente, selando as juras de amor e também as promessas vindouras.

Em meio ao beijo a peguei no colo interceptando seu gritinho de empolgação entre os lábios.

E ainda sem nos desgrudar, segui para casa a caminho de mais uma maravilhosa noite juntos.

Como várias que tivemos e como tantas outras que ainda virão...

Notas finais
N/A: Como me despedir deles? Como me despedir de vocês? Comecemos pela parte mais fácil, curtiram o epílogo? Tenho que confessar que as emoções pegaram até a mim de surpresa, pois Beward simplesmente foi relatando tudo que queriam e da forma que queriam, ai chegamos ao que acabaram de ler, mas eu particularmente estou muito contente com o resultado. Espero que tenham gostado da dinâmica, não só dos POV’s conjuntos, mas as ideias sendo mostradas aos poucos, como a novidade das casas, que foi logo apresentada, mas só depois descobrimos sobre a expansão das terras. E também a questão dos filhos, que chegaram aos poucos. Muito aconteceu nesses anos, mas além de pontuar passagens importantes, como a adesão das novas terras e a relação de Beward, queria mostrar que eles continuam tão apaixonados e malucos um pelo outro como no início. E em meio a mais um dia típico, ao início de um novo verão, confirmamos que sua felicidade é plena... Hoje coloco o ponto final nessa jornada, mas de algum modo eles estarão para sempre no meu coração e espero que no de vocês também. Por isso peço que comentem, deixem suas impressões finais, recomendem, mas não me esqueçam, pois em breve voltarei com novas fanfics para embalar Beward em outras jornadas tão especiais quanto essa. Por isso não deixem também de me seguir no twitter: @KNRobsten. E obrigada por tudo. ~Kiss K Nanda.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!