Notas iniciais
Boa noite meninas, quartou. Com isso chegou o momento esperado de mais um capítulo de Promises. Preparadas para desvendar as verdades por trás do grande mistério da Silver Horse? Acham que suas apostas se concretizarão? Ou serão surpreendidas...? Antes de deixá-las prosseguir com a leitura, quero agradecer mais uma vez a todas que continuam ou estão chegando por aqui após o hiato. Promises sempre teve um lugar mais do que especial no meu coração e fico muito contente em receber o feedback de vocês, por isso ao fim da leitura, não deixem de comentar para mantermos essa troca tão especial... Apreciem Sem Moderação. Capítulo Postado Em: 05/10/22

POV Bella

— Bella, você vai comigo a Memphis buscar o que falta para a festa do meu pai?

— É claro Rose, vou sim.

— Obrigada, vou pegar a chave do carro e saímos.

Assenti ao vê-la sair da sala em direção ao escritório.

No mesmo instante Edward e Emm entraram pela porta principal.

— Bom dia rapazes. – Saudei.

— Bom dia Bella.

Emm me cumprimentou com um abraço, mas logo se afastou dando espaço para Edward se aproximar.

— Bom dia Calgirl.

— Bom dia Cowboy.

Infiltrei minha mão em seu cabelo, enquanto ele rodeou minha cintura, trocamos um beijo terno, pouco mais do que um selinho, mas ainda sim foi motivo para Emm nos zoar.

— Hey, hey, hey! Isso aqui é uma casa de família. Vocês não podem fazer esse tipo de coisa não.

Vi Edward erguer a mão e mostrar o dedo médio ao Emm que respondeu apenas com uma sonora gargalhada.

— Edward!

Tentei repreendê-lo.

— Você sabe que essa é a minha casa, não é?

Retrucou ao amigo.

— E por conta disso podem protagonizar shows adultos à vontade?

— Emmett!

Passei a repreensão a ele.

— O que está acontecendo aqui? Qual o motivo da gargalhada?

Rose questionou ao deixar o escritório voltando à sala.

Porém não tivemos nem tempo de responder qualquer coisa, pois Emmett simplesmente a puxou pelo braço e a deitou na pose clássica de cinema, deixando os cabelos loiros da minha amiga quase tocando o chão.

O beijo que deu na amada também não foi nada demais, a pose teve muito mais impacto do que a ação em si, mas é claro que Edward não deixaria barato e atirou uma almofada em Emm quando ergueu a Rose, acertando seu rosto em cheio, foi impossível não rir.

— Larga a minha irmã. Você é que não pode fazer esse tipo de coisa nessa casa.

— Só você que pode? – Emm retrucou.

— Só. Eu sou o dono da casa, esqueceu?

— Rose também é dona. E você já dorme com a Bella toda noite. Eu ainda não tinha visto a Rose, precisava cumprimentá-la como se deve.

— Mas eu também ainda não tinha visto a Bella. A sua cara feia foi a primeira que vi.

O que está acontecendo aqui?

Rose sussurrou para mim.

— Se eu conseguisse entender.

Dei de ombros ainda rindo.

— Vamos então?

— Vamos.

Fiz menção de me afastar de Edward, porém ele me segurou firmemente.

— E onde você pensa que vai?

— Vou sair com a Rose.

— Vamos a Memphis buscar o restante das coisas para a festa do papai. – Ela respondeu. – Agora largue a Bella, que ela é minha amiga muito antes de ser sua.

— E minha amiga também. – Emm entrou no meio. – Temos muito mais direitos sobre ela do que você.

— Como é que é?

— Exatamente. Você é o único bobão que ficou perdendo tempo e implicando com a Bella quando ela chegou. – Emm completou.

— Ele está certo. – Afirmei.

— Ah, é? Eu fui o único que implicou com o outro? Eu discutia sozinho, é isso? – Retrucou.

— Você literalmente disse que eu não era bem-vinda na sua casa e que não me queria aqui no primeiro instante em que me viu. – O lembrei.

— Mas depois ofereci até meu quarto a você. Isso não anula as coisas?

Respondeu me brindando com seu sorriso torto.

— Você é um bobo mesmo.

Passei a mão em seu rosto, ele apenas a segurou dando um beijo. Em seguida deu outro em meu pescoço que simplesmente arrepiou todo meu corpo.

— Olha aí. Eles estão fazendo o show de adultos de novo.

— Bella, vamos embora ou esses dois nunca vão parar.

Concordei com Rose começando a me afastar de Edward.

— Ah ruivo, apesar de ser um chato às vezes, obrigada de novo por ter lavado meu carro. Não precisava, afinal de contas, vocês só foram até a cidade e não imagino algo tão sujo que possam ter feito para precisar lavá-lo antes de devolver, mas ainda sim, agradeço a gentileza.

As palavras de Rose me pegaram desprevenida, com isso acabei empacando e tropeçando em meio à sala.

— Você está bem Bella?

— Estou sim Rose, não se preocupe.

— E loira, não há de que. Bella e eu simplesmente quisemos agradecer a gentileza de nos emprestar o carro, nada além.

— Se é assim, está à disposição de vocês sempre que quiserem.

— É bom saber, pois ele nos foi muito útil àquela noite. – Edward respondeu.

— Vamos Rose.

A peguei pelo braço levando para fora da sala, porém antes de sair olhei para trás vendo Edward piscar, dei um sorrisinho tímido e sai.

Rose começou a conversar sobre um assunto, mas de cara não consegui dar atenção, já que minha mente está presa na noite de quarta-feira e em tudo que Edward e eu fizemos no carro...

A ideia de lavá-lo antes de devolvê-lo foi minha, mas Edward foi quem a executou, porém era o mínimo que podíamos fazer depois de tudo que praticamos no veículo...

Arrependimentos? Nenhum.

Mas como sou uma pessoa consciente, não abri mão de fazer o certo depois de todo o “não certo” que fizemos...

Mas valeu a pena, valeu super a pena, valeu mais do que a pena!

Aquela noite ficará gravada em minha memória para sempre, como uma das melhores que já vivi.

O convite para o encontro me pegou de surpresa, não pensei que faríamos algo do tipo, ainda mais depois de tudo, porém confesso que fiquei feliz e encantada com a sugestão de Edward.

E a ideia de voltar a Sue foi muito boa, não só para finalmente ter a oportunidade de apreciar o restaurante, mas também para tirar a última memória do local das nossas mentes.

O jantar foi maravilhoso, mas o que veio depois superou todas minhas expectativas...

Não posso dizer que planejei tudo previamente, mas assim que Edward falou sobre instalarem as câmeras ao redor da fazenda, a ideia surgiu como um estalo.

Afinal de contas, de tudo que fizemos, àquela ainda não tinha sido uma das aventuras registradas em nosso histórico...

E com certeza foi uma das melhores...

Engraçado como nunca fui dada a esse tipo de ação durante toda minha vida, nem mesmo após entrar na faculdade. Porém foi só chegar aqui que esses instintos despertaram e nem posso responsabilizar somente Edward, já que muitas das decisões partiram de mim.

O que me intriga também é pensar no porque me sinto tão confortável em fazer tudo isso, não é apenas pelo ambiente diferente, mas especialmente por quem está compartilhando tudo comigo.

Meus relacionamentos anteriores foram bons, confortáveis, cômodos, mas sem esse tipo de excitação. No entanto, com Edward as coisas sempre pareceram ser mais, desde o início...

Nossos embates que se transformaram em conversas, que nos fez reconhecer e descobrir uma amizade para então uma química e uma tensão limiar, até que deixamos tudo vir à tona e começamos a nos entregar. E hoje não consigo imaginar como seria minha vida sem essa entrega.

Com Edward por algum motivo sempre sinto que é mais, mais do que apenas nossos corpos e vontades predominando.

Quando declarei ao fim do momento que sentirei falta de nós, não foi em vão, foi um sentimento sincero e forte...

Daqui a poucos dias irei embora e não faço a mínima ideia de como será minha vida a partir do momento em que deixar as terras da Silver Horse. E se algum dia viverei ao menos um pouco do que vivi aqui, durante esse verão, com ele...

Pois sei que igual ao que passamos jamais acontecerá. Nem que viva mil anos não passarei por nada semelhante há esses dias, em todos os sentidos...

— Bella?

— Oi Rose, perdão. Minha mente estava longe.

Justifiquei, já que desde que saímos da fazenda praticamente a deixei só, por estar perdida nas minhas resoluções internas.

— Pensando em problemas?

— Não, até que não.

— Melhor assim, não devemos nos apegar aos problemas, ainda mais àqueles que não tem solução.

— A que se refere?

Indaguei curiosa.

— Ao que os detetives falaram ontem.

— Ah, sim. – Suspirei olhando para a janela. – Realmente será difícil aceitar isso. Ainda mais seu irmão.

— Ele tinha plena certeza que os Black e especialmente que Jacob, estava por trás de tudo.

— Eu sei. Por um lado é bom ter a confirmação de que não são os culpados, apesar de tudo. Porém agora praticamente voltamos à estaca zero.

— Sim. Apesar de termos instalado as câmeras e contarmos com a presença de Jasper e Alice, não acredito ainda que estamos completamente livres.

— Eu concordo com você. – Pontuei. – Até descobrimos o verdadeiro responsável e ele for preso, não tem como ficarmos 100% seguros.

Conforme Esme queria, as câmeras terminaram de ser instaladas ontem, a tempo da festa do Carlisle que ocorrerá mais tarde.

Porém o que realmente nos pegou nos últimos dias foi à revelação que Jasper e Alice fizeram sobre a inocência dos Black.

Desde nosso furtivo encontro no domingo, os dois colocaram como objetivo número um descobrir se os Black eram culpados ou não.

Achamos ou ao menos eu achei, que com a fuga, saída, viagem o que quer que seja de Jacob, após a nova acusação que fiz na delegacia, as coisas poderiam se complicar, mas pelo visto os detetives realmente não brincam em serviço e usaram todos os recursos para provar de uma vez por todas qual era a dos vizinhos dos Cullen.

E foi na sexta-feira, após o jantar, que revelaram o que descobriram...

Não tenho ideia de como serão minhas sextas-feiras de volta a Califórnia sem o clima acolhedor dessa casa, por isso estranhei a mudança diante da ação de Jasper.

— Sr. Cullen.

A voz e a expressão séria do detetive serviram para roubar nossa atenção dos assuntos paralelos em meio ao descanso na sala após o jantar.

— Carlisle, temos uma coisa a contar e como sabemos que compartilham todas as decisões em família, decidimos conversar agora com todos os presentes.

— Muito bem Jasper, pode falar.

— Então, desde que chegamos temos nos empenhado em descobrir a verdade por trás da situação que sua fazenda se encontra. Não é uma tarefa fácil, porém estamos dando nosso máximo para solucionar esse caso o mais rápido possível.

— Não temos dúvidas disso querido.

— Obrigado Esme.

— Não costumamos misturar nossos interesses pessoais com trabalho, porém é impossível não ser contagiado pela energia de vocês como pessoas e família. Isso só nos dá ainda mais impulso para seguir com as investigações. – Alice pontuou.

— Exato, desse modo após o encontro com Jacob Black, tomamos por objetivo descobrir de uma vez por todas se havia qualquer envolvimento dos Black com as questões da fazenda. No entanto, conforme dito anteriormente, ao conhecê-lo à primeira vista nossas suspeitas diminuíram bastante, mas jamais nos deixaríamos levar apenas por palpites sem investigar a fundo. Primeiro porque esse é nosso trabalho e depois por que já lidamos com todo tipo de pessoa e sabemos bem como o ser humano pode ser dissimulado. Desse modo poderíamos ter nos enganado e eles seriam não só os principais suspeitos, como também os verdadeiros culpados. Podemos afirmar que investigamos ao máximo durante essa semana, usufruímos de todos os recursos disponíveis, afirmamos com a máxima exatidão que sabemos cada passo que os Black deram nos últimos 20 anos. Cada aquisição que fizeram. Cada animal que nasceu e morreu na fazenda. Cada pedaço de terra que ganharam ou perderam. E também qualquer tramite suspeito ou mais a margem da legalidade que executaram. Assim, comprovamos que eles não têm envolvimento algum com os ataques a Silver Horse.

— Mas que merda!

Edward esbravejou.

— Edward, contenha-se, por favor. – Esme pediu.

Por estar sentada ao seu lado, segurei sua mão lhe dando apoio.

— Jasper, não que esteja duvidando do trabalho de vocês, mas como chegaram a essa conclusão? – Rose perguntou.

— Não se preocupe Rosalie, sua pergunta é válida e não nos importamos em esclarecer todas as dúvidas que tiverem.

— Exatamente. – Alice tomou a palavra. – Como Jasper falou, pesquisamos a fundo todas as movimentações envolvendo os Black, não apenas as que eles próprios fizeram, mas tudo que gira ao seu redor. E foi através dessas pesquisas que comprovamos que não há qualquer transação que dê margem para suspeitas. Não existem registros de anos ou meses atrás da compra dos aditivos usados nas sabotagem dos grãos e da carne. E isso é coisa que deixa rastro, de um jeito ou de outro sempre deixa rastro. Eles também tem álibis sólidos para as datas dos acontecimentos mais sérios, como o assassinato do gado e a incriminação do Emmett. Em suma, os funcionários não possuem registros que os liguem a fazenda, tão pouco Billy e Jacob Black. Isso nós podemos afirmar.

— Não existe margem para equívoco? – Questionei.

— Não. – Jasper respondeu categórico. – Então a partir de agora prosseguiremos com as investigações por outras linhas de suspeitos, conforme já explicamos.

— E é imprescindível que se tiverem algo mais a compartilhar conosco, que o façam agora, pois qualquer pista. Suspeita. Opinião que seja, é fundamental.

As palavras de Alice penetraram fundo em minha mente e parece que não apenas na minha, já que Edward ficou tenso ao meu lado e quando trocamos olhares entendi que estamos percorrendo a mesma linha de raciocínio...

— Edward, Bella. Vocês têm algo a dizer?

Jasper perguntou voltando à atenção de todos a nós.

— Depois de errar tanto com os Black, não sei mais nem o que pensar.

Edward respondeu apenas.

— Edward, como falei, qualquer informação é válida nesse momento, por isso não hesite em nos contar.

— Na verdade Alice, essa é uma suspeita minha. Edward apenas sabe do que se trata e tem me apoiado nos meus pensamentos.

— Bella querida, de quem você suspeita?

— Esme, Carlisle, não quero desrespeitá-los de modo algum...

— Não se preocupe Bella, o que disser será levado em conta sem distinção.

Carlisle pontuou.

— Agradeço a confiança, pois não é fácil dizer isso, especialmente a vocês, mas desde que o conheci, tenho muitas ressalvas quanto ao senhor Volturi... — Declarei.

Notei os olhares surpresos de Esme e Carlisle, uma troca cúmplice entre Rose e Emm, e por fim, olhares analíticos de Jasper e Alice.

— O Sr. Volturi que diz, é Aro Volturi, advogado da família Cullen?

— Sim Alice.

— E porque suspeita dele?

— Não é que suspeite no cerne da palavra. Mas desde que o conheci sinto que esconde alguma coisa. Não sou especialista como vocês ou meu pai, por exemplo, mas ele justamente me ensinou a reconhecer alguns sinais para análise e segurança pessoal. E o senhor Volturi desde o início parece esconder algo. – Pontuei a Jasper.

— E porque acha isso Bella?

— Então Carlisle, sei que ele é o advogado da família há anos, que já fez muito por vocês, por mim inclusive. Mas notei algumas falhas que um advogado tão renomado provavelmente não cometeria. Eu não conheço as leis profundamente, mas até que ponto depois do que passei com Jacob, sua situação seria resolvida apenas com fiança e uma restrição? E quanto ao caso do Emm? Será que ele realmente não conseguiu o habeas-corpus nenhuma vez? E porque não nos orientou sobre o que fazer para tirá-lo de lá? Com a retirada das queixas?

Sei que posso estar falando um monte de loucuras, mas não consigo me conter.

— Enfim, eu não o conheço bem, mas sei que pessoas inescrupulosas são capazes de tudo para atingir seus objetivos. E se o senhor Volturi tiver algo contra vocês? Se estiver em busca de vingança? Talvez apenas queira tomar a fazenda e assumir sua fortuna. Quais seriam as razões eu não sei, mas sinto que ele esconde algo e diante dos acontecimentos acaba figurando a lista de possíveis responsáveis. – Conclui.

— Papai, mamãe, sei que conhecemos Aro há anos, porém desde que Bella comentou sobre suas suspeitas, acabei ficando um pouco com o pé atrás também. Por isso não contei sobre a ideia de contratar os detetives de pronto e também pedi para não lhe falar. Pois não sei se ainda podemos confiar plenamente nele.

— Vocês deveriam ter falado sobre isso antes, afinal, se estiverem certos, permanecemos convivendo e confiando em alguém indigno.

— Sinto muito Carlisle. – Pedi.

— Papai, se Aro estiver realmente escondendo algo, vamos descobrir. Porém Bella não tinha obrigação de investigar nada, ainda sim notou questões sobre ele que nem nós fomos capazes. E já que contamos com o respaldo de Jasper e Alice, o melhor a fazer é investigar e descobrir de uma vez por todas se ele esconde alguma coisa e o que é.

— Edward tem razão Carlisle. – Esme pontuou. – Não adianta remoer o passado, o importante é descobrir a verdade e lidar com ela seja qual for.

— Não se preocupem, investigaremos o senhor Volturi e descobriremos a verdade. – Jasper prometeu.

Em suma os detetives só tiveram o dia de ontem para averiguar tudo, porém quando Carlisle comentou sobre a possibilidade de desconvidar o advogado a sua festa, o casal pediu para que o convite se mantenha de pé.

Eles não deram mais detalhes, porém essa escolha me faz pensar que descobriram algo e pretendem revelar durante a comemoração, só espero que não seja nada que vá marcar a festa de forma negativa...

Porque espero realmente que tudo ocorra bem na festa do Carlisle.

Desde que cheguei Esme tem comentado sobre o aniversário de 50 anos do marido, os meses que antecederam essa data não foram fáceis, porém ainda sim, a matriarca dos Cullen não abriu mão dos planos originais de celebrar a vida do seu amado.

E ela tem total razão, não devemos deixar de viver apenas por que alguém ruim está tentando nos prejudicar, a eles, no caso...

Em breve não farei mais parte do contexto que compõe a fazenda e preciso começar a me acostumar com essa ideia, pois os dias não aumentarão tão pouco passarão mais devagar.

Esse é oficialmente meu penúltimo domingo na Silver Horse, só tenho mais duas semanas para permanecer aqui, pois no dia 31 voltarei à Califórnia, verdadeiramente pronta ou não, é o que farei...

Ajudar Rose a resolver os assuntos finais da festa serviu para desviar minha mente dos pensamentos melancólicos, mas não para esquecê-los de vez...

De volta à fazenda passamos a ajudar efetivamente nos preparativos. O aniversário será comemorado com um grande almoço, mas que seguirá pela tarde, desse modo também não começará no horário padrão da refeição.

Esme e Carlisle fizeram questão de convidar não só as pessoas mais próximas, como os funcionários da fazenda, mas também amigos e conhecidos de toda a região. Será uma grande comemoração a um grande homem...

O prato principal do dia será um tradicional churrasco sulista, desse modo, os homens estão desde cedo tratando de organizar essa parte. Enquanto a cozinha de Esme se transformou quase que em uma cooperativa. Acostumada a vê-la sozinha ou no máximo dividindo o fogão com Gianna, me surpreendi em ver como o cômodo realmente cabe o número excedente de mulheres e sem aperto.

Enquanto isso ajudei Rose na organização externa, contamos com o auxílio dos rapazes na distribuição das mesas, mas após ter tudo posicionado no devido lugar, tratamos da decoração sozinhas.

Jasper e Alice também ajudaram, não só para manter a fachada de convidados dos Cullen, mas também por interesse pessoal. Ela inclusive, apesar da profissão e do jeito nômade pouco apegado, é excelente em decoração, especialmente nos pequenos detalhes.

Geralmente os almoços externo dos Cullen acontecem na parte de trás da casa, mas por conta do nível da festa, o local escolhido foi o campo na parte da frente. Entre as árvores penduramos luminárias naturais que servirão para iluminar o ambiente quando o sol do fim do verão se pôr.

Em suma o ambiente está maravilhoso e não tenho dúvidas que será o cenário de uma bela festa, pois não só o Carlisle, como todos os Cullen, merecem um dia perfeito dedicado apenas à família e sua felicidade.

Aliás, eles merecem não só o dia de hoje, como a vida inteira de alegrias e conquistas.

Os Cullen com certeza são uma das melhores famílias que já tive o prazer de conhecer e com certeza sentirei muita falta de sua companhia quando tiver que deixá-los, mas não há dúvida de que para sempre os levarei no meu coração...

— Um torrão de açúcar por seus pensamentos.

Edward comentou ao se aproximar de mim junto ao batente da janela.

— Storm está aqui no quarto escondido e não estou sabendo?

— Não, o torrão de açúcar seria para você. É bem gostoso.

— Você já experimentou?

Lancei um olhar indignado.

— É claro, acha que darei ao meu amigo algo que eu mesmo não aprove?

— Então quer dizer que você já comeu capim também? – Rebati.

— E você não? Vai dizer que nunca tomou chá de capim santo ou capim-limão?

Sorriu enquanto apenas balancei a cabeça.

— Muito esperto você.

— Eu sei que sou, agora me diga, no que tanto pensava?

— Em nada demais, apenas desejando que a festa seja boa.

— Vai ser, meu pai merece e minha mãe se esforçou muito por isso. – Concordei com um aceno. – E por falar na festa, temos que nos arrumar.

— Eu subi com o intuito de tomar banho, mas acabei me distraindo. Pode ir primeiro se quiser.

— Primeiro? Calgirl, em que mundo você vive? Não sabe que temos que economizar recursos naturais?

— E com isso quer dizer...

— Que devemos tomar banho juntos.

Falou começando a me puxar em direção ao banheiro.

— Pois bem, mas será somente banho, entendeu? Porque usar o banheiro para outras coisas tão pouco ajuda o planeta na economia de recursos naturais.

— E quem falou em fazer outras coisas? Eu apenas disse que vamos tomar banho. Agora erga os braços.

— Por quê?

Contestei mesmo já obedecendo.

— Porque vou tirar sua roupa.

Respondeu após tirar minha camiseta.

— Eu ainda sei me despir sozinha.

— Só que eu faço isso muito melhor do que você.

Afirmou me puxando pela cintura e encerrando o caso com um delicioso beijo...

Após o banho, que foi só banho mesmo, nos vestimos e descemos.

Quando chegamos à sala nos separamos, pois Edward foi falar com o pai, enquanto segui em direção a Rose que está do lado de fora da casa, também arrumada para a festa.

— Tudo pronto?

Perguntei ao me aproximar.

— Sim, agora é só desfrutar.

— E ai estão as duas mulheres mais lindas da Silver Horse.

Ouvimos Seth declarar ao se aproximar atraindo nossa atenção.

— Só da Silver Horse?

— Ah, cunhadinha. Eu ainda não conheço tanto do mundo para afirmar mais.

— Uau, esses dias você estava se declarando para mim e agora já dúvida que eu esteja entre as mulheres mais bonitas do mundo. Que amor fugaz hein, Seth?

— Não Bella, não diga isso.

— Você está ferrado irmãozinho, mal chegou e já está levando fora.

Alec comentou quando se uniu a nós.

— Não enche.

O irmão retrucou.

— Oi meninas. – Cumprimentou-nos.

— Oi Alec.

— Porque não vieram desde cedo para ajudar? – Rose perguntou.

— Porque não somos Cullen. – Seth disse.

— Ora essa, como não? – Rose exclamou. – E seus pais? Eles vieram ajudar.

— Mamãe e papai não se importam em acordar cedo, mesmo nos fins de semana.

— E também não ficaram até tarde na rua.

Alec provocou o irmão.

— Independente, eles gostam de acordar cedo e eu não. E também não sou um Cullen honorário como o Emm e a Bella.

— O que?! – Exclamei. – Desde quando sou uma Cullen, ainda que só honorária?

— E não é por quê?

A voz de Edward ressoou sobre nós.

Viramos em sua direção vendo-o descer as escadas da varanda com Carlisle atrás de si.

— É claro que você é Bella. Desde o momento que chegou tornou-se uma Cullen. Já a considero como uma filha.

— Obrigada Carlisle.

— Não foi nesse senti...

Dei uma singela cotovelada em Seth o calando.

— Mas bem meninos, os deixarei conversar a vontade, aproveitem.

Carlisle disse já se afastando.

Achei que Edward ficaria conosco, porém ele seguiu o pai.

— Mas o que foi que eu...

— Seth, só fica quieto um pouquinho, você não acordou totalmente ainda.

Alec refreou o irmão.

Deixei meu olhar percorrer o caminho que Edward traçou e para minha sorte avistei Harry e Sue chegando, pedi licença e me afastei a fim de falar com o casal.

— Bella, que bom revê-la. – Sue pronunciou.

— Oi Sue, Harry. Como estão? – Cumprimentei os dois.

— Muito bem e você?

— Bem também, obrigada.

— Esse convite veio tão a calhar, pois achei que nosso encontro no restaurante seria o último, mas aqui estamos nós.

— Ainda que não tivéssemos nos reencontrado hoje, faria questão de passar lá para um adeus definitivo antes de partir. – Esclareci a ela.

— Mas também não será um adeus tão definitivo assim, não é?

Harry comentou, porém antes de conseguir respondê-lo, a voz de Edward novamente se fez presente.

— Quem sabe, não é mesmo Harry? Talvez quando voltar a Califórnia, Bella se esqueça de tudo que viveu aqui e escolha não voltar nunca mais...

Suas palavras me impactaram tanto que não tive capacidade de responder, então o casal a nossa frente prosseguiu o diálogo.

— Não Edward, não acho que Bella esquecerá tão fácil assim de nós. – Sue falou primeiro.

— E dos animais então? Sei que se ela pudesse, levaria todos os cavalos dentro da mala.

Harry comentou conseguindo anuviar um pouco o clima, causando um riso sincero.

— Você pode ter razão Harry, talvez pelos animais ela pense em voltar.

— Acredita mesmo que os animais seriam meu único motivo para querer voltar à fazenda? – Indaguei.

— Não sei, me diga você. Existira outro motivo? – Devolveu.

— Sue, faz tempo que você não vê os McCarty, vamos falar com eles.

— Sim querido, vamos. Com licença meninos.

Harry e Sue se afastaram e quando ficamos a sós, disparei.

— O que há com você?

— Nada.

— Como nada? Há dez minutos tudo estava bem e agora você está estranho e falando coisas sem sentido.

— Serão mesmo coisas sem sentido?

— Edward...

Preparei-me para refutá-lo, mas o chamado de Esme me impediu.

— Bella querida, venha aqui um instantezinho, por favor. Quero lhe apresentar a umas pessoas.

Não falei mais nada a Edward, apenas virei indo em direção a Esme, mas com os pensamentos mais confusos do que nunca...

Em contraponto, ela fez questão de me apresentar a todos os conhecidos que não eram da região e contar sobre o projeto da faculdade e porque vim para cá.

Com tudo que aconteceu desde que cheguei, às vezes até eu mesma esqueço qual o motivo real da minha vinda.

Mas é uma falha que não posso continuar cometendo, pois tenho data e hora para regressar e nada, nenhum acontecimento adverso ou especial que tenha vivido nesses dias, mudará meu destino.

Depois de conversar um pouco com os convidados de Esme, fui liberada para circular pela festa e segui em direção à mesa que Jasper e Alice estão ocupando.

— Posso sentar com vocês?

— Mas é claro Bella, fique a vontade.

Jasper respondeu já puxando a cadeira.

— Obrigada.

— Você está bem Bella?

— Estou sim Alice.

Ela não pareceu acreditar muito na minha resposta, mas não questionou mais.

Não querendo ser o foco, comecei um novo assunto.

— Vocês já sabem o que farão depois que saírem daqui?

— Geralmente não pegamos um novo caso antes de finalizar o anterior. – Jasper explicou. – Por quê?

— Por nada, apenas quero saber se têm planos para quando deixarem a fazenda.

Dei de ombros.

— Referente a trabalho, é como Jasper disse. Mas como viemos para cá direto após o trabalho anterior, acredito que voltaremos para casa ao menos por uns dias, antes de iniciar uma nova investigação.

— Imagino que estejam sentindo muita falta de casa...

— Um pouco, confesso que estar aqui esses dias nos ajuda a aguentar, pois estamos no aconchego de uma casa e não enfurnados em um quarto de hotel minúsculo e impessoal. – Alice respondeu.

— Sei bem como é. Aqui nos sentimos em um verdadeiro lar, porque afinal de contas, aqui é um lar. — Suspirei.

— Mas e você? Está ansiosa para ir embora? Voltar a sua vida na Califórnia, terminar a faculdade...

Ponderei muito antes de respondê-lo.

— Minha volta acarretará muitas mudanças. Por conta de ter aceitado esse projeto, abri mão de me formar com a minha turma, então no próximo semestre concluirei o curso com outras pessoas. E não sei o que esperar disso ou da conclusão do curso em si. Do meu futuro como profissional. Se arranjarei um emprego logo ou não e onde. Talvez tenha até que voltar a morar com os meus pais. Enfim, serão muitas decisões a tomar depois que partir.

— Não temos dúvidas que se sairá muito bem no que se propor a fazer Bella. Você é uma mulher obstinada e uma profissional excelente.

— Obrigada Alice.

— Mas você não pensa em vol...

Alice se interrompeu ao observar o olhar de Jasper e os imitei vendo o senhor Volturi chegar.

Imediatamente ele foi falar com Carlisle que está acompanhado de Esme e Edward.

— Eles não correm nenhum risco, certo?

Perguntei de repente aflita.

— É claro que não Bella, não se preocupe. – Alice respondeu.

— Isso quer dizer que ele não é o culpado e eu estava errada nas minhas desconfianças...

— Espere só mais um pouco Bella, daqui a pouco chamaremos o senhor Volturi para conversar e tudo será esclarecido.

As palavras de Jasper não me acalmaram, apenas me deixaram mais ansiosa.

Então querendo desviar o foco novamente, Alice propôs irmos pegar alguma coisa para beber e durante esse tempo conversamos sobre outros assuntos, que não as questões da fazenda e suas pendências.

Mas o intercurso não durou muito, já que alguns minutos após a chegada do senhor Volturi, Edward veio até nossa mesa informar sobre os próximos passos.

— Papai levará Aro para conversar no escritório e pediu para chamá-los.

— É claro.

Jasper e Alice levantaram já começando a caminhar em direção a casa.

— Não vai levantar? – Edward perguntou.

— Porque deveria?

— Você tem que estar nessa conversa.

— Não acho necessário. É óbvio que estava errada sobre o senhor Volturi e seja o que for que Jasper e Alice descobriram, diz respeito a vocês, não a mim.

Edward não respondeu, ao invés disso pegou meu braço me levantando e começando a caminhar.

— Me solta.

— Se não quiser que a coloque em meus ombros aqui no meio de todos é melhor caminhar.

— Grosso.

— Nada que já não saiba e conheça bem.

Ignorei sua provocação e continuei caminhando para não causar escândalos.

Quando entrei na casa, vi Rose e Emm próximos ao escritório.

— Nossos pais já estão ai?

Edward perguntou a irmã.

— Sim, com Jasper, Alice e Aro. – Rose confirmou. – Só estávamos esperando vocês.

Em silêncio entramos no escritório finalizando o cortejo.

— Carlisle, posso perguntar a que se deve essa reunião inesperada e a portas fechadas?

— É claro que sim Aro. Estamos aqui justamente para conversar e esclarecer todas as verdades não ditas.

Carlisle respondeu e com um gesto deu a palavra aos detetives.

— Boa tarde senhor Volturi, fomos apresentados anteriormente. No entanto, não da forma correta. – O homem expressou um tipo de indignação, porém não interrompeu Jasper. – Eu e a minha parceira não somos convidados dos Cullen. Na verdade, somos detetives particulares contratados para investigar os infortúnios que tem acontecido à fazenda.

— Isso é verdade Carlisle?

— Sim Aro. Quando renunciamos ao respaldo da polícia, decidimos contratar os detetives para ver se assim conseguimos chegar ao final dessa história.

— E por que não me contaram isso de imediato?

— Porque fomos aconselhados a contar a verdade apenas as pessoas de confiança.

Edward o respondeu.

— E eu não fui considerado de confiança?

Seu olhar passou pelos Cullen, porém foi Jasper que o respondeu.

— Sr. Volturi, a situação que os Cullen têm passado é muito delicada e diante disso todo cuidado é pouco. Nossa prioridade é descobrir a verdade e em meio a essa, acabamos descobrindo algo que gostaríamos que o senhor contasse aos Cullen.

— Então vocês sabem?

O Sr. Volturi os questionou.

— Sim.

— E esse é o motivo dessa reunião?

— Achamos sensato que o senhor revele o que tem acontecido para que tudo fique às claras. – Alice respondeu.

Observamos a interação dos três em silêncio, aguardando a revelação a ser feita.

— Muito bem. – O senhor Volturi mudou a postura antes de iniciar a fala. – Carlisle, Esme, sinto por tê-los deixado no escuro sobre esse assunto, sei que durante os anos construímos uma boa amizade, além da ligação profissional. No entanto, ainda estou me habituando a lidar com o que está acontecendo.

— O que houve Aro? Você sabe que pode nos contar qualquer coisa.

Esme pontuou e o senhor Volturi assentiu antes de prosseguir.

— Vocês devem ter reparado que Sulpicia não tem me acompanhado em eventos sociais como sempre. – Carlisle e Esme assentiram, enquanto o resto de nós apenas ficou quieto. – É porque nesse verão descobrimos que ela está doente. Sulpicia foi diagnosticada com câncer no estomago.

— Ah, meu Deus.

A exasperação de Esme foi o primeiro som que preencheu o cômodo após a revelação do advogado.

Vi Rose se aproximar mais de Emmett, provavelmente buscando apoio, enquanto expressei meu choque colocando as mãos sobre os lábios e refletindo sobre tudo que pensei referente ao homem a minha frente e o que era a verdade de fato.

— Aro, não posso acreditar. Mas como...?

As palavras de Carlisle ficaram pendentes, ainda sim o senhor Volturi voltou a falar.

— Os sintomas começaram a aparecer no início do verão, a principio começou a ficar sem apetite e fadigada. Ela dizia que era apenas exaustão por conta da mudança de clima. Depois começaram as náuseas, vômitos e dores no estomago. Pensamos que poderia ser uma úlcera ou gastrite, mas ainda sim, ao fim de junho bati o pé e decidi levá-la ao médico.

— É claro meu amigo, você fez o certo.

— Durante o mês passado ela fez vários exames. A princípio os médicos não deram um diagnóstico claro, porém no fim do mês confirmaram o que era e ela começará o tratamento no início do próximo mês. Agora ela está apenas tomando medicações para mediar à situação.

— Aro, não podíamos imaginar que algo assim estivesse acontecendo com vocês. Realmente era algo privado e podemos imaginar o quanto uma situação assim deve tê-los deixado abalados, porém queremos que saiba que pode contar conosco para o que precisar. E se possível, queremos visitar a Sulpicia antes do início do tratamento.

— Agradeço imensamente Esme. Sulpicia ficará muito feliz com a visita. Ela já vinha me cobrando de contar tudo a vocês, mas eu acabava sempre protelando.

— Sr. Volturi, sentimos muito pela situação que o senhor e sua esposa estão passando, desejamos o melhor a ambos. Porém era necessário que a verdade fosse revelada para que tudo ficasse claro a todos.

— Tudo bem detetive, vocês só estavam fazendo seu trabalho e bem feito. A prioridade no momento realmente é tentar encontrar o responsável pelos acontecimentos a fazenda e se tive que ser investigado também nesse meio tempo...

— Fui eu.

O interrompi.

— Como senhorita Swan?

— Fui eu quem desconfiou do senhor e o indicou como possível suspeito aos detetives. – Declarei. – Eu realmente não fazia ideia de que algo assim estava acontecendo com o senhor e sua esposa, porém desde que nos conhecemos, senti que o senhor emanava um ar misterioso, como se estivesse escondendo ou...

Guardando algo. – Completou e assenti. – E eu de fato estava senhorita. Apesar de não ser nada prejudicial aos Cullen, de fato estive mantendo uma questão guardada durante todo o verão. E você fez bem em relatar isso, pois suas desconfianças no fim tinham fundamento. Se não fosse tão boa veterinária, daria uma ótima advogada senhorita Swan.

— Agradeço, mas eu realmente sinto muito.

— Está tudo bem. As coisas ficarão muito melhores com tudo as claras. E quero me desculpar mais uma vez por tê-los deixado no escuro e também se em algum momento não pude exercer meu trabalho como deveria. Tenho tentado me manter focado, porém alguns dias são mais difíceis que outros.

— Não Aro, não precisa se justificar.

— Eu devo Esme. Fui relapso em não aconselhá-los a procurar outros meios para garantir a soltura do senhor McCarty, ainda que tenha feito todo o possível para conseguir o habeas corpus. Naquela semana Sulpicia fez uma bateria de exames e minha cabeça esteve muito aérea. Toda manhã quando saia do tribunal com mais uma negativa me sentia ainda pior, pois não podia fazer nada pela minha esposa, porém tão pouco estava conseguindo exercer bem meu trabalho. Sinto muito senhor McCarty.

— Não se preocupe senhor Volturi. Sei que o senhor fez o possível e sou muito grato por tudo.

O Sr. Volturi assentiu, então se voltou a mim novamente.

— E quanto a sua situação senhorita Swan, também lhe asseguro que tentei por todas as vias legais manter o senhor Black preso, porém infelizmente a justiça ainda é muito falha nesses casos e com o acordo oferecido pelo advogado dele, não foi possível mantê-lo atrás das grades.

— Não serei hipócrita de dizer agora que não tive dúvidas quanto ao seu trabalho senhor Volturi. De fato não deveria, pois os Cullen confiam muito no senhor e sua competência. Porém eu sou filha de um policial, acredito que ser um pouco desconfiada esteja no meu DNA. Mas agora com tudo esclarecido, quero pedir desculpas e agradecer também por tudo que fez por mim.

— Não tem pelo que se desculpar senhorita Swan. Como provado, seus instintos no fim das contas estavam corretos e por esse motivo também acredito que teria dado uma ótima advogada, se já não fosse uma excelente veterinária.

— Obrigada.

Agradeci constrangida.

— Mas agora que tudo está esclarecido podemos voltar à festa? Não tenho dúvidas que os convidados estão se perguntando onde estamos.

Esme falou e concordamos.

Ela e Carlisle saíram primeiro acompanhados do senhor Volturi. Com Jasper e Alice atrás de si, sendo seguidos por Rose e Emm.

Quando fiz menção de caminhar, a mão de Edward sobre o meu braço me parou.

— Fica, quero falar um instante com você.

Pediu e apenas assenti.

Ele se afastou para fechar a porta do escritório e quando todos saíram se voltou a mim.

— Me desculpe.

— Porque está se desculpando?

— Por ter sido grosso com você sem motivo.

— Tem certeza de que foi sem motivo? – Retruquei.

— O que quer dizer com isso?

— Que talvez você tenha um motivo para agir assim, só não quer me contar. – Pontuei.

— Não, não tenho.

— Tudo bem.

Caminhei para sair do escritório, mas novamente ele me impediu.

— Bella, é sério. Desculpe-me.

— Já desculpei. Vamos deixar isso para lá.

— Não. Eu fui babaca, mas você me conhece, às vezes ajo sem pensar direito. Mas de verdade você não fez nada, não merecia minhas patadas e respostas atravessadas. E não quero que fiquemos em um clima ruim. Ainda mais na festa do meu pai. Desculpe-me.

Não resisti ao seu apelo, ainda mais diante dos suplicantes olhos verdes.

— Ok, vamos esquecer isso, também não quero ficar em um clima ruim com você.

Passei a mão em seu cabelo.

— Obrigado.

Ele pegou a mão depositando um beijo na palma.

— Vamos voltar e aproveitar o restante da festa, com as mentes mais despreocupadas agora que sabemos a verdade sobre o senhor Volturi.

— Quem diria que era isso que ele estava escondendo.

— Pegou a todos realmente de surpresa. – Ponderei. – E apesar da situação da esposa, ao menos confirmamos que ele não é o responsável pelas sabotagens.

— Sim. Porém voltamos à estaca zero.

— Não acredito que estejamos na estaca zero. Alice e Jasper devem ter outros caminhos para prosseguir nas investigações, agora só nos resta aguardar. – Comentei e ele assentiu. – Mas não vamos mais falar sobre isso, ao menos não hoje.

— Você está certa. Amanhã voltaremos a nos preocupar com isso, hoje vamos apenas aproveitar o restante do dia...

Com essa promessa demos as mãos e saímos do escritório.

O restante da tarde foi muito diferente do seu início...

As conversas que nos envolveram foram alegres e descontraídas. Nossa mesa acabou se transformando em uma grande roda de amigos, pessoas que de outro modo não conheceria, mas graças a essa experiência, levarei para sempre comigo.

Nem preciso falar do quão boa estava à comida. Carlisle ficou orgulhoso e com razão do maravilhoso churrasco servido, enquanto os acompanhamentos feitos por Esme e as outras mulheres, não perderam em nada, apenas completaram tudo com perfeição.

E sendo pega totalmente desprevenida, cheguei a ir às lágrimas na hora do bolo, porém com o discurso que Carlisle fez, não teve como ser diferente.

— Obrigado, muito obrigado a todos. – Ele agradeceu após cantarmos as felicitações. – Há poucas décadas as pessoas não passavam dos 30 anos. Chegar aos 50 era motivo de espanto, ainda mais com saúde e vitalidade, por isso sei que sou sortudo. Não só por estar chegando aos 50 anos, mas especialmente por saber que os vivi muito bem e tenho a perspectiva de viver ainda mais, com saúde, vitalidade, porém contando com o fator principal que é ter minha família ao meu lado.

Esme sorriu e ele a puxou mais perto em um meio abraço.

— Eu sou grato por muitas coisas. Por essas terras que não só recebi dos meus antepassados, mas que também passarei aos meus descendentes. Sou grato por tudo que conquistei até hoje. Por estar comemorando nessa tarde ao lado de tantas pessoas queridas. Porém acima de tudo, sou grato pela melhor pessoa que Deus poderia ter colocado no meu caminho. A única mulher da minha vida, minha companheira, meu grande amor, Esme.

Quando vi a matriarca dos Cullen passando a mão no rosto para limpar as lágrimas, foi que percebi que também tinha começado a chorar.

— Esme é tão perfeita que só ela seria capaz de me presentear com as outras duas maravilhas da minha vida, meus filhos. Nosso encontro sempre foi especial, mas nossa união se tornou plena a partir do momento que fomos pais. Todos os dias acordo feliz ao saber que viverei mais um dia ao lado das pessoas que amo. E é só isso que posso desejar a todos. Espero que minha esposa sinta-se como eu e esteja feliz com a perspectiva de viver mais alguns anos comigo. E para os meus filhos, desejo que encontrem esse tipo de plenitude com amor e família. – Ele fixou o olhar nos filhos e sorrindo, finalizou. – E agora vamos comer esse bolo que deve estar delicioso.

Todos aplaudiram e Carlisle puxou Esme para um beijo o que só aumentou a euforia.

E ele tinha total razão é claro. O bolo, assim como tudo, estava delicioso.

Com a entrada da noite a música tornou-se uma das protagonistas e os presentes não se fizeram de rogados em cair na dança.

Dancei com Emm, Seth, Alec, até com Carlisle e Jasper, mas é claro que não perdia a oportunidade de voltar aos braços de Edward ou ele de me trazer de volta.

Lembrei-me de quando fomos a Nashville, por conta de seu aniversário, de como as coisas eram na época, parece que foi há tanto tempo, porém não faz mais do que dois meses.

Na época Rose e Emm ainda não estavam juntos e agora são simplesmente um dos casais mais lindos de todos.

Eu tinha chegado a pouco e estava me inteirando com os costumes da fazenda e tudo que encontraria por aqui.

E com Edward...

Edward ainda era uma incógnita gigante, não que agora tenha deixado de ser, apenas consegui descobrir mais nuances suas e também lhe mostrei várias minhas...

— No que está pensando?

Perguntou assim que iniciamos outra dança.

— Estava relembrando nossa ida a Nashville...

— Foi muito divertido, não foi?

— Com certeza. Vocês fizeram da minha passagem pela cidade uma experiência única.

— Foi um ótimo aniversário. – Assenti. – Muito pela sua presença.

Engoli em seco e desviei o assunto.

— Engraçado como consegui passar pelo seu aniversário, do Emm e agora do seu pai. O verão é realmente festivo aqui na Silver Horse. – Brinquei.

— É sim. A pena é que não passará o seu aniversário aqui também.

— Eu sei. Adoraria passá-lo aqui...

Ele abriu a boca como que para responder, mas depois se calou.

Voltamos a dançar em silêncio, até ouvir o sussurro ao pé do ouvido.

— Quem sabe algum dia você possa passar seu aniversário conosco...

— Quem sabe...

— Bella.

— Bella, acorda.

— Hey Bella, calma. Eu estou aqui.

Sentei com tudo na cama ouvindo não só a voz de Edward me confortar, mas também sentindo seu corpo me abraçar.

— O que... O que houve? – Perguntei rouca e confusa.

— Você estava tendo um pesadelo, acordei com sua agitação.

— Me desculpe.

— Não tem que se desculpar. Você está bem? – Balancei a cabeça afirmando. – Quer falar sobre o pesadelo?

— Eu... Eu não me lembro.

— Melhor assim. Sem dúvida era algo banal e apenas a assustou.

— Deve ser.

— Fica aqui, vou pegar água para você e depois voltaremos a dormir.

Não protestei, apenas o deixei sair da cama em direção ao banheiro e quando voltou com o copo de água, bebi sem protestar.

Ele deitou novamente me puxando para os seus braços.

— Pode dormir tranquila que estarei aqui com você.

— Obrigada.

As batidas do seu coração realmente me confortaram, mas infelizmente não foram suficientes para me fazer voltar a dormir.

Como disse a Edward, realmente não me lembro do pesadelo, mas uma sensação angustiante me perseguiu pelo resto da madrugada...

Que jeito horrível de começar o dia, ainda mais após o fim da festa de Carlisle que foi tão boa, quando os convidados foram embora iniciamos um mutirão para organizar as coisas o máximo possível para que hoje possamos trabalhar normalmente.

E depois quando Edward e eu retornamos ao quarto, deixamos claro que qualquer mal estar apresentado durante o dia ficou para trás no momento que deixamos nossos corpos se pertencerem mais uma vez...

Então realmente não sei de onde veio o pesadelo e a sensação sufocante que me perseguiu durante o dia.

Consegui fazer meu trabalho, troquei palavras com os outros funcionários da fazenda, me alimentei, tomei meu banho, conversei com meus pais por telefone, mas ainda sim, a sensação ruim não me deixou.

E durante o dia, fui acometida por pequenos flashes, não consegui identificá-los de fato, a única coisa que consigo reconhecer com clareza, é uma sombra de olhos negros...

— Será que você é um adversário páreo para o Edward?

A voz de Emmett me tirou da nuvem de impressões dos meus pensamentos.

Após o jantar, decidimos apreciar o frescor da noite sentados na varanda e agora pelo visto os rapazes estão falando sobre algum tipo de competição.

— Você é mesmo bom na sinuca Edward?

— Olha Jasper, nunca perdi para ninguém daqui e também nunca perdi para ninguém de fora.

— Acho que podemos marcar um jogo então.

— Será ótimo. A última vez que joguei não tive desafio nenhum. – Desdenhou.

— Jasper, por favor, que você seja realmente muito bom e ganhe dele. Está na hora de alguém tirar esse sorrisinho arrogante da cara do Cullen. – Emmett brincou. – No último jogo achei mesmo que ele perderia, mas o forasteiro acabou derrapando no final.

— Que forasteiro? – Rosalie o questionou.

— Aquele homem que estava de passagem pela cidade e que não podia nos ver que vinha falar conosco. – Emm respondeu. – Como era o nome dele mesmo?

Alistair...

Edward e eu respondemos juntos, mas em tons diferentes.

Deu para ver que Edward pronunciou apenas de memória.

Enquanto fui imediatamente levada à cena da madrugada que me despertou.

Descobrindo enfim sobre o que era o sonho, constatando que não foi nada demais, apenas estava diante do tal homem e ele ficava me observando, por horas e horas.

Mas aos poucos fui me sentindo sufocada com toda a situação e quando ele se aproximou pude enxergar bem seus olhos escuros e hostis, fazendo-me despertar.

— Bella, você está bem?

Alice questionou direcionando as atenções a mim.

— Sim, mas preciso dizer algo a vocês.

Indiquei ao casal de detetives.

— É claro, fale.

— Talvez não tenha aprendido a lição com a questão do senhor Volturi, porém estou pensando que outra pessoa pode ser suspeita.

— E quem seria?

— Esse homem que acabamos de citar. Seu nome é Alistair. Alistair...

Tentei puxar na memória seu sobrenome, sei que ele nos disse quando se apresentou a Rose e eu...

Alistair Weinberg.

— E porque acha que ele pode ser um suspeito? Ele não era apenas um visitante comum da cidade?

— Não Jasper. Não sei bem. Mas algo nele não me inspira confiança. Desde a primeira vez que o vimos, a forma que ele olhava para a Rose...

— É verdade. Bella me alertou sobre isso no dia que nos conhecemos. Eu achei normal que alguém de fora soubesse que sou uma Cullen e conhecesse a fazenda, mas diante de tudo que tem acontecido...

— A mesma coisa aconteceu conosco quando o vimos pela primeira vez. – Emm falou completando o raciocínio de Rose. – Ele demonstrou muito interesse em Edward e parecia conhecer bem a fazenda, não apenas como alguém que tinha ouvido falar sobre por acaso.

— Não senti uma sensação estranha apenas no nosso primeiro encontro, mas em todas as vezes que o vimos. – Informei. – Ele realmente não parece ser apenas um visitante comum. E se for, ainda sim agiu de modo muito estranho conosco.

— Mas vocês não falaram que ele foi embora? – Rose relembrou.

— Independente de onde esteja, podemos investigá-lo. – Alice pontuou. – Além do que, se qualquer suspeita for verdadeira, ele pode muito bem ter saído da cidade apenas para despistar.

— Amanhã mesmo começaremos a investigação. E não se preocupe Bella, qualquer suspeita é válida, pode ser que um palpite de sorte acabe tornando-se a chave para a solução.

— Eu só quero ajudar e que isso acabe. – Declarei.

— Chegaremos ao fim dessa história. Vocês têm nossa palavra.

A promessa de Alice encerrou o assunto por hora.

Optei por não contar a ninguém sobre a descoberta do sonho, deixarei que apurem os fatos sem essa interferência...

***

— Hey Bella, espera aí.

Parei de caminhar ao ouvir o pedido do Emm e o esperei se aproximar.

— Você está indo para a casa dos Cullen?

— Sim. Rose enviou uma mensagem...

— Pedindo para encontrá-la.

Completou e assenti.

— O que será que aconteceu?

— Até onde eu sei, ela foi a Memphis com a Esme. Será que aconteceu algo com elas?

— Não. Não pode ser. Vamos logo descobrir o que houve.

Sem mais delongas voltamos a caminhar em direção a casa.

Ao entrar nos deparamos com Esme sentada no sofá com Carlisle e Rose posicionados um de cada lado e Edward próximo a eles, mas em pé.

— Porque nos chamou Rose? O que houve?

Emm falou se aproximando da namorada.

— Que bom que conseguiram vir rápido. Agora só precisamos aguardar a chegada de Jasper e Alice.

— Eles já voltaram?

Perguntei, pois sei que saíram cedo e durante o almoço ainda não tinham retornado a fazenda.

Ontem eles passaram o dia fora e hoje pelo visto também o farão, imagino que estejam investigando sobre o Alistair, depois que citei seu nome na segunda-feira.

— Ainda não, mas já estão a caminho. – Esclareceu. – Mandei mensagem a eles assim que saímos de Memphis.

— Rosalie, deixa de enrolação. O que foi que aconteceu? Mamãe está calada desde que chegaram e você continua mantendo o mistério.

— Edward, só falaremos sobre isso uma vez e tem que ser na frente dos detetives.

— Vocês descobriram alguma coisa? Rose?

— Daqui a pouco Emm, aguarde.

Vendo que a situação realmente não parece boa e que Rose não voltará atrás em sua decisão, optei por seguir até a cozinha e preparar um pouco de chá, acredito que a bebida calmante será necessária.

Coloquei a água para ferver, separei as folhas que Esme deixa sempre reservada, busquei as xícaras no armário organizando-as em uma bandeja junto às opções de adoçantes, como açúcar e mel, e aguardei.

Quando a água ferveu juntei o líquido com as folhas e carreguei tudo para a sala. Encontrei o clima do mesmo jeito, por isso apenas posicionei a bandeja na mesa e servi a primeira xícara a Esme.

— Ah, querida. Não precisava se incomodar.

— Não foi incômodo. Não sei ainda o que houve, mas chá é sempre um bom consolo.

— Muito obrigada. Estou mesmo precisando.

Agradeceu levando a xícara aos lábios.

— Carlisle, você aceita?

— Obrigado Bella.

O servi e virei para o casal mais jovem.

— Rose? Emm? Vocês querem um pouco agora?

Rose concordou, enquanto Emm balançou a cabeça negando.

Mesmo assim servi mais duas xícaras, dei uma a minha amiga e a outra tomei em minhas mãos caminhando em direção a Edward.

— Bebe. – Indiquei. – Você precisa se acalmar.

— Eu não...

— Bebe. — Enfatizei.

A contragosto ele pegou a porcelana das minhas mãos.

— Não sabemos ainda o que aconteceu, mas sua irmã e mãe estão aqui, seguras e bem. – Afirmei. – Então seja o que for, poderemos dar um jeito.

Antes que ele pudesse responder, ouvimos o barulho de carro se aproximando e tão logo Jasper e Alice surgindo na sala.

— Finalmente.

Edward pronunciou, mas acredito que apenas eu ouvi.

— Que bom que conseguiram vir rápido.

— O que aconteceu Rosalie? – Jasper foi direto ao assunto.

— Agora que todos estão aqui, podemos revelar o que houve. – Falou ao levantar-se. – Mamãe e eu encontramos o tal Alistair em Memphis.

— Ele fez alguma coisa com vocês?

Emm perguntou ao mesmo tempo em que Alice questionou.

— Em Memphis? Pelo que apuramos, descobrimos que ainda está no estado, mas não em Memphis...

— Responda a pergunta do Emmett, Rose. Ele fez algo a vocês?

— Não, Edward. Ele nem nos viu. E só o vimos de relance também, porém quando o enxerguei, comentei com a mamãe sobre quem era e ela disse...

— Que o conheço ou conhecia.

Esme completou.

— Como assim Esme? De onde você conhece esse homem?

— Você também o conhece Carlisle.

— Não estou entendendo. Não me lembro de conhecer nenhum Alistair...

— Weinberg.

Completei percebendo que esse sobrenome não sairá mais tão cedo da minha mente.

— Isso. Não conheço ninguém com esse nome. – Carlisle enfatizou.

— Porque esse não é seu nome real.

Esme respondeu.

— O que?

— Como assim?

— Do que é que a senhora está falando?

As perguntas se misturaram após o comentário de Esme.

— Esme, por favor. Esclareça essa questão com cuidado. Está dizendo que conhece o homem que foi apontado como suspeito, mas que seu nome real não é o que apresentou ao chegar a Collierville?

— Exatamente Alice.

— E qual o verdadeiro nome dele? – Edward perguntou.

— É Charles. Charles Evenson.

Senti um arrepio subir pelo meu corpo ao ouvir o nome e também fiquei incomodadíssima pela semelhança com o nome do meu pai, porém não tenho dúvida que as semelhanças acabam ai.

— Esme, mas esse não é o nome...

— Daquele rapaz que trabalhou aqui na fazenda na mesma época em que começamos a namorar e você o despediu quando ele tentou...

— Tentou o que mamãe?

Rose questionou sentando novamente ao lado dela.

— Ele declarou sentimentos por mim, porém os neguei dizendo que amava o Carlisle e ia me casar. Seu pai tinha feito o pedido recentemente, poucas pessoas sabiam. Então ele ficou nervoso, mas dava para perceber que estava um pouco alterado, provavelmente por efeito de bebida...

— Ele tentou te agarrar Esme! Ele machucou seu braço e só não fez mais coisas por que intervi a tempo.

— Esme? Esse homem fez com você o mesmo que o Jacob fez comigo?

— Não Bella. Infelizmente o que houve com você foi muito pior. Ele apenas segurou meu braço um pouco forte e tentou me beijar, eu desvencilhei então Carlisle chegou.

— Mamãe! A senhora não está defendendo esse infeliz, está?

— Não Edward, é claro que não. Estou dizendo apenas que foram situações diferentes.

— Sinto muito Esme, mas não parece ser isso que aconteceu. – Alice falou. – Sua situação e da Bella são bastante semelhantes. Dois homens tentaram fazer coisas com vocês, contra suas vontades. Usaram a força e imposição para isso. E se não tivessem contado com a ajuda de terceiros, quem sabe o que mais poderia ter acontecido.

— Eu não...

Chega!

O estrondo de Edward interrompeu a mãe.

— Vocês disseram que ele está em Memphis, não é? Pois eu vou até lá caçá-lo e quando encontrá-lo, o farei pagar!

Por conta do seu rompante, não fui capaz de pará-lo, mas por sorte Emm se pôs a sua frente, segurando-o antes de ter a chance de deixar a sala.

— Emmett, me solta!

— Edward, você não vai sair daqui.

Emm refutou.

— Exatamente. Edward se acalme. Nada será resolvido com rompantes.

— Mas papai...

— Edward, a situação parece ser muito pior do que pensamos. Precisamos ter calma e pensar bem antes de agir.

— Carlisle tem toda razão. – Jasper pontuou. – Primeiro de tudo, precisamos saber quem verdadeiramente é esse homem e qual a ligação com vocês.

— Até hoje se me perguntassem sobre Charles Evenson diria apenas que foi alguém que trabalhou aqui na fazenda por um tempo, não muitos meses e que foi despedido após o episódio com a Esme. Até diria como ela, que talvez o acontecido tivesse sido um fato isolado, por conta da bebida, quem sabe. E após demiti-lo, nunca mais o vimos ou soubemos dele.

— E antes? Durante o tempo em que trabalhou aqui? O que podem falar sobre ele? – Alice questionou.

— Que era um rapaz calmo, bem na dele, não era o melhor funcionário, mas também não era o pior, fazia o que lhe era pedido e nada mais. Sempre que o chamávamos para qualquer tipo de interação externa ao trabalho, recusava. Então não sabíamos bem como era fora da rotina da fazenda.

— Engraçado Carlisle descrevê-lo assim.

— Porque mamãe?

— Porque comigo ele era diferente filha. Não que tivéssemos muito contato. Na época eu apenas namorava seu pai, então ainda não vivia aqui na fazenda. Mas quando vinha aqui, ele sempre fazia questão de ao menos cumprimentar-me, isso quando não puxava papo e me acompanhava até a saída. – Esclareceu. – Eu achava que ele era muito gentil, tinha um rosto meigo, um jeito tímido. Por isso quando aquela situação aconteceu me surpreendi, pois jamais teria imaginando uma atitude assim de sua parte. Não só a declaração, mas também a agressão.

— Um ponto que podemos notar é que diante do Carlisle e das outras pessoas, agia de um modo, mas com a Esme, era uma pessoa diferente. – Alice expressou os pensamentos. – Vocês conseguem lembrar quando ele começou a trabalhar na fazenda? Se já estavam juntos ou não?

— Sim. Acredito que sim.

Esme respondeu.

— Sim. Ele entrou na fazenda perto do fim do ano. E Esme e eu começamos a namorar naquele verão.

— Então podemos concluir que talvez sua aproximação à fazenda como um todo já tinha segundas intenções desde o princípio. Porém algumas dúvidas ficam no ar. Porque ele veio trabalhar aqui se a Esme ainda não morava na fazenda? Terá sido na intenção de aproximar-se dela ou do Carlisle? Se era para se aproximar dela, porque seguir o caminho mais longo? Mas se era por conta do Carlisle, um grande motivo seria para vigiá-lo, estar atento aos seus passos e quem sabe conseguir denegri-lo de algum modo, talvez diante dos próprios olhos da Esme ou até nas questões da fazenda.

— Mas naquela época o meu pai era o administrador.

— Porém todos sabiam que você era o herdeiro, assim como hoje sabem que Rosalie e Edward serão os futuros responsáveis pela fazenda. E que se algo acontecer agora, os dois serão mais prejudicados do que você. – Alice esclareceu.

Trocamos olhares refletindo sobre o que acabamos de ouvir, porém o silêncio não durou muito tempo.

— Vocês acham que esse homem pode estar por trás de tudo em busca de vingança? Ao meu pai ou a minha mãe?

— Sim Rosalie. Essa hipótese está muito viva agora. Um homem com um passado e um histórico infeliz com sua família. Ele claramente demonstrou sentimentos pela sua mãe e não foi correspondido, além de ter sido detido de seus avanços pelo seu pai e também demitido por ele. Querendo ou não sua família parece sempre ter possuído posses, muito mais do que ele suponho, ao menos na época. É válido que hoje em dia sua vida parece ter mudado, o homem que se apresentou a vocês parecia ser alguém com dinheiro, bem apessoado, mas até que ponto isso é real? Já que Alistair Weinberg não existe. Em seu lugar um amargurado e vingativo Charles Evenson pode sim ser o responsável por tudo. Desde o início essa era uma das nossas hipóteses principais, que alguém estivesse em busca de vingança contra vocês.

— E o que faremos agora Jasper?

— Nós o investigaremos Carlisle, o verdadeiro Charles Evenson. Pois seu alter ego, Alistair Weinberg está limpo. Não existe qualquer rastro ilícito ligado a esse homem. Seu dinheiro vem de investimentos legais. Suas viagens são rotineiras. Sua passagem pela cidade foi tranquila e sem suspeitas. Porém não temos dúvida de que se for o verdadeiro culpado, a história será muito diferente ao investigarmos Charles Evenson...

Não tenho dúvida que o sentimento de todos nesse momento é um só...

Esperamos que Jasper e Alice tenham sucesso nas investigações e que descubram a verdade sobre esse homem.

E que se de fato for o culpado de tudo, que seja pego e finalmente pague por seus crimes, para que de uma vez por todas as coisas na Silver Horse voltem a ficar em paz...

CONTINUA.

Notas finais
N/A: Chegamos nesse momento e eu tenho algo muito importante a citar, mas ficará para a próxima nota, pois primeiro quero muito ouvir as impressões de vocês... Como a Bella disse, o verão é realmente animado na Silver Horse, desse modo, passamos por mais uma comemoração de aniversário, agora do Carlisle. Imaginem que fazendeiro cinquentão maravilhoso ele não é? Haha. Porém não só de bolo o capítulo foi recheado, já que finalmente tiramos os elefantes da sala com a confirmação que os Black, apesar de serem embustes, não são os responsáveis pelas sabotagens, como também o Aro. Por um lado a Bella tinha razão nas desconfianças, já que o advogado realmente estava escondendo algo, mas não o que pensávamos, ficaram surpresas? E o plot twist do final? Eu quero tanto saber o que acharam dessa revelação e também o que esperam que aconteça agora, pois ainda temos alguns capítulos a frente... Quanto a Beward, nosso casal está entrando naquela berlinda de um turbilhão de sentimentos os envolvendo e eles não sabendo bem como lidar com eles. De todo modo, faltam duas semanas até a partida da Bella, palpites sobre as resoluções? Agora coloquem os dedinhos para trabalhar e comentem bastante, recomendem, enviem mensagens, sinais de fumaça, mas interajam comigo ;). Não deixem de me seguir no twitter: @KNRobsten. E até quarta-feira que vem com o próximo capítulo. ~Kiss K Nanda.