Promises in the Dark
26 A Descoberta
Notas iniciais
POV Edward
Afastei-me de Emmett, fazendo-o me soltar, já caminhando em direção à porta da frente.
— Edward, aonde você vai?
— Preciso andar mamãe, espairecer a mente. Mas não se preocupe, já compreendi que a situação é muito mais crítica do pensávamos e não farei nada imprudente.
Não aguardei ouvir outro questionamento ou possível reprimenda a minha atitude antes de deixar a sala.
Apesar de com essa conclusão finalmente parecer que estamos perto não só de descobrir a verdade, como também pegar o infeliz que tem tentado destruir-nos durante todo o verão, não estou sentindo o alívio necessário.
Pelo contrário, minha vontade é de realmente ir atrás daquele maldito filho da puta e resolver tudo frente a frente, com minhas próprias mãos, mas sei que essa seria a atitude mais imprudente de todas e que no fim poderia prejudicar toda a investigação e possivelmente até evitar que pague efetivamente por tudo que fez.
Mal tendo caminhando um pouco para longe da casa, ouvi passos indicando que alguém já veio atrás de mim.
— Eu quero ficar sozinho.
Informei sem dignar-me a virar e confrontar quem quer que seja.
— Mas eu quero conversar com você.
Espantei-me ao reconhecer a voz do meu pai e ao virar, encontrá-lo já bem próximo a mim.
— Papai, eu realmente não...
— Edward, vamos apenas caminhar. Também preciso espairecer a mente, mas acho que será uma boa se o fizermos juntos. Na verdade estou a fim de cavalgar um pouco, que tal?
— Tudo bem.
Caminhamos em direção ao estábulo e apesar de ter deixado Storm a pouco, pois quando Rose chegou com a mamãe, tinha acabado de entrar para tratar de um assunto com o papai e acabei ficando direto na casa, sei que meu cavalo não estranhará o retorno tão breve.
Na verdade o cavalo pareceu até animado quando viu sua mãe se aproximar quando papai a tirou da baia levando para equipá-la.
A égua pertencente ao meu pai, apesar de já ter doze anos, ainda é muito forte e saudável, tão disposta quanto o filho a servir prontamente em suas funções.
Além da gestação que culminou no nascimento de Storm, a égua pariu mais duas vezes durante os últimos anos, porém como aqui na fazenda não tratamos dos cavalos a modo de reprodução, tanto não incentivamos que cruzasse mais vezes, quanto tão pouco acredito que ainda o fará deliberadamente a partir de agora.
Já que em breve atingirá o que chamamos de meia idade equina, tendo como base os anos médios de vida de um cavalo, sendo de 25 a 30 anos.
Assim acredito que seus próximos anos serão vividos em meio à tranquilidade das funções básicas, o mesmo não pode ser dito sobre seu filho, que está na idade ideal para começar a reproduzir, além de possivelmente estar até um pouco interessado em fazê-lo com certa égua que adquirimos nesse verão...
Verdadeiramente preciso saber se Storm e Snow têm tais interesses em comum e também se a égua está apta a receber a prole do meu garanhão. Essa é uma questão que preciso tratar com Bella antes da sua partida.
É claro que o respaldo e o acompanhamento serão feitos por Harry depois, mas diante das situações vividas, não vejo porque não tratar desse assunto ainda com ela aqui...
— Pérola já está pronta Edward.
Papai informou tirando-me do devaneio atual.
— Storm também, podemos ir.
Indiquei e saímos do estábulo, em seguida montamos nos animais começando a cavalgar.
Com o fim do verão se aproximando, em breve deixaremos de aproveitar os pores do sol extensos. É claro que aqui na fazenda tanto o dia de trabalho, quanto a noite para descanso, costumam ter versões diferentes de outros lugares, mas ainda sim, sentirei falta quando minha estação favorita do ano se for...
— Apesar de a estação de fato ter seu fim em meados de setembro, já somos capazes de ver as mudanças que a troca entre verão e outono começam a apresentar.
Papai comentou como se estivesse lendo minha mente e acompanhando meus pensamentos.
— Era exatamente nisso que estava pensando agora. – Informei.
— Esse foi um verão realmente muito atípico.
— Atípico é uma palavra pequena para tudo que aconteceu aqui esse ano.
— Mas como a claridade que sempre chega após uma grande tempestade, sobreviveremos a ele, independente do que tenha acontecido. – Assenti. – Sem contar que esse período não ficará marcado só por conta das adversidades.
— Com certeza não.
— Esse será sempre o verão em que Rosalie e Emmett começaram a namorar.
— Pois é. Quem diria que depois de tantos anos, finalmente se acertariam.
— Acho que estava mais do que na hora, mas também acredito que tudo aconteceu da maneira e no momento que deveria.
Concordei com um aceno.
— O verão também ficará marcado por conta da chegada de Snow e Hope.
— Apesar de não ser incomum adquirirmos animais novos, elas realmente vieram para marcar a fazenda. – Pontuei.
— Exatamente. Mas o maior marco desse verão, sem sombra de dúvidas nenhuma, é a vinda de Bella...
Não fiz qualquer comentário, esperando por um complemento.
— Não concorda Edward?
— Sim, papai, é claro.
Cavalgamos por alguns segundos em silêncio, até ele voltar a falar.
— Não comentei isso com ninguém, nem mesmo com a sua mãe, mas tenho que confessar que tive receios quanto à vinda dela...
— O que?
Questionei realmente surpreso com tal informação.
— É. Quando Rose apresentou a ideia de nos filiarmos ao projeto da universidade, tive muitas ressalvas quanto a aceitar. Perguntei-me o que poderia acontecer com a vinda de alguém estranho, não apenas para trabalhar conosco, mas também para ficar em nossa casa, em meio ao seio da nossa família.
— Eu não poderia imaginar que se sentiu assim papai.
— Não é só você que tem dificuldade em adaptar-se com o novo. Posso não ter um gênio tão explosivo quanto Rose e você, mas ainda sim sou um Cullen que foi criado integralmente dentro dessa fazenda, com todas as nuances e costumes. E ressenti-me sim em aceitar tal mudança.
— E quando mudou de ideia?
— Diferentemente de mim, sua mãe e irmã ficaram entusiasmadas com tudo desde o início e aos poucos fui deixando-me ser guiado por elas, confiando em seus instintos. Então Rose contou mais sobre o projeto, a importância dele para a universidade e também as benfeitorias que poderia trazer a fazenda. E como nova em meio à administração de tudo, quis dar-lhe a chance de fazer algo produzido inteiramente por ela.
— Realmente, a vinda de Bella sempre será um feito de Rose.
— Sim. Depois descobrimos um pouco mais sobre Bella, suas qualificações, o fato de ser a melhor aluna da turma e por isso a escolhida para participar do projeto e compreendi que poderia ser algo bom tê-la conosco aqui na fazenda. Assim, apenas mantive a preocupação quanto a sua pessoa no íntimo, pois sabemos bem o quanto existem profissionais excelentes em suas áreas, mas que são seres humanos detestáveis.
— Nem me diga.
Afirmei pensando em quantas pessoas com quem já tive que tratar questões de negócios e eram vistas como as melhores em seu ramo, mas simplesmente odiosas no trato pessoal.
— Enfim, aceitamos a ideia e aguardamos por sua chegada. E apesar de Rose comentar sobre a interação entre elas estar indo bem, aguardei até o instante que a vi pela primeira vez para tirar minhas próprias conclusões.
— E quais foram?
— Você não estava aqui quando ela chegou e desceu do carro com Rose e Emmett, mas sua mãe e eu a estávamos esperando na varanda. E notei imediatamente o brilho em seus olhos ao contemplar a fazenda, a forma doce e grata como falou conosco ao apresentar-se. Compreendi ali que ela era uma boa pessoa, realmente dedicada e a expectativa de aprender o máximo possível conosco durante sua estada. Mas obviamente a cartada final veio durante o embate de vocês.
Rolei os olhos incapaz de evitar.
— Ninguém nunca esquecerá aquilo, não é?
— Ouvi uma vez, em algum lugar, mas não me lembro de fato para citar com precisão. Mas o que importa é a mensagem. Você pode ter mil feitos bons e apenas um ruim, que ainda sim, esse único ponto adverso será sempre o que mais importará.
— Isso não tem sentido algum. – Protestei.
— Vai de cada um, mas existe algo proveitoso a se tirar disso de todo modo.
— E o que é?
— Todos cometemos erros, é impossível encontrar alguém 100% bom ou perfeito. Mas tendo esse pensamento em mente, podemos escolher e ponderar até que ponto somos permitidos a errar. Você contesta o motivo de ficarmos relembrando a forma como tratou Bella quando a conheceu, sendo que depois daquele momento muita coisa já mudou especialmente entre vocês dois, mas esse é o ponto. Seu erro não foi impossível de ser perdoado ou remediado, desse modo houve a possibilidade de reverterem à situação. E que bom que a vida nos dá essas oportunidades, mas é importante não esquecermos as falhas, pois assim podemos também nos policiar para não as cometermos novamente.
— É um sábio conselho papai. Obrigado.
— Não tem pelo que agradecer. Mesmo já sendo um homem feito, ainda é minha missão auxiliá-lo no que for possível.
— Espero que o senhor continue conosco, aconselhando-nos, cuidando de nós e nos vendo crescer por muitos anos mais.
Desejei totalmente sincero.
— Eu acabei de fazer cinquenta anos garoto. Acredito que ainda terão que me aguentar por uns bons anos a mais.
— Se Deus quiser papai. Que assim seja...
Ele sorriu assentindo e continuamos a cavalgar por mais alguns metros.
— Falando em idades e experiências. Pérola ainda está muito bem, não acha?
— Com certeza. Ela é uma égua muito forte e também acredito que acompanhará o senhor por mais uns bons anos.
— Espero que sim. Ela é minha segunda montaria fixa, mas o apego que tenho com ela é muito maior do que o que tive com meu primeiro cavalo. Apesar de ter ficado com ele dos meus dezesseis anos até o momento de sua partida.
— Eu nem gosto de pensar no dia que Storm não estará mais comigo. Hoje verdadeiramente não consigo me imaginar tendo com outro, o elo que tenho com ele.
Afaguei a crina e também atrás da orelha do meu animal e ele respondeu com um trote mais firme e compenetrado.
— As coisas acontecerão como devem ser. A natureza tem seus planos, só nos resta aceitá-los e aprender a lidar com eles.
Assenti, ainda que um pouco a contragosto.
— Mas uma perspectiva que me anima pensar, é se a montaria do seu primeiro filho, também virá dessa linhagem, já pensou nisso?
— Papai. Não querendo desiludi-lo, mas nem Storm ou eu estamos pensando muito nessa parte das nossas vidas, quer dizer, ele talvez esteja se encaminhando para tal rumo, mas sinto informar, que no que depender de mim, o senhor ainda ficará sem netos por um bom tempo.
— Algo deu errado na concepção de vocês. Os Cullen sempre foram conhecidos pela perpetuação da linhagem, porém Rose e você estão sendo muito diferentes disso.
— Ora essa papai. Rose e Emm já estão namorando. Vá pedir a eles que providenciem o próximo herdeiro da geração Cullen. – Brinquei.
— É a minha esperança no momento, se bem que gostaria de vê-los casados primeiro, mas enfim, apesar de ter mudado muito desde a época do meu avô, não posso conter o desejo que me assola referente a ver meu filho mais velho sendo o primeiro a me dar netos...
— Papai, se mamãe ou Rose o ouvirem falando isso, o senhor receberá um sermão daqueles.
Rimos incapazes de nos conter.
— Eu sei, por isso mesmo essa conversa ficará apenas entre nós. – Assenti ainda rindo. – Mas sei que no momento certo, tanto os seus filhos, quanto os da Rose, virão.
— Essa é a ideia.
Chegamos por fim as proximidades da divisa com a Black Horse e foi inevitável não praguejar.
— Jacob realmente não voltou depois que Billy o botou para correr, não é?
— Não. E sei que é um desejo vão, mas por mim aquele desgraçado nunca mais botaria os pés em Collierville.
— Ao menos pelo tempo que Bella permanecer aqui, acredito que Billy continuará mantendo-o longe. Eles não arriscarão uma nova prisão.
— Engraçado como ele não teve temor algum quando tentou contra a vida dela.
A raiva em meu corpo tornou-se tão grande que acabei inconscientemente puxando o cabresto de Storm, que deu um pinote em resposta.
— Edward.
— Desculpe. – Falei não só ao meu pai, mas também ao meu parceiro. – Está tudo bem amigo, foi mal.
Remediei prontamente e logo se acalmou.
— Eu não tenho a mínima ideia do que sentiu quando encontrou Bella nas mãos daquele infeliz. – Papai comentou de repente e voltei o olhar a ele. – Mas hoje a memória de algo parecido voltou a minha mente e o sentimento que veio junto não foi nada bom...
— O que verdadeiramente aconteceu entre vocês? E com a mamãe?
— Exatamente o que contamos filho. Esse rapaz, Charles Evenson, parecia ser como qualquer outro funcionário que já trabalhou aqui, um pouco acanhado, porém não se destacava por nada mais. – Comentou. – Assim como sua mãe, acabei me surpreendendo quando o vi a atacando, pois não era uma atitude que esperaria dele.
— Não sei qual situação pode ser mais desgastante. – Soltei. – Lidar com alguém que achamos ser inofensivo ou com um crápula como Jacob, de quem já esperávamos o pior.
— Acredito que ambas tenham suas peculiaridades. Pois não tenho dúvida que você descontou sobre ele todas as amarguras que já tinha, claro, unido à ação sobreposta a Bella. Mas quando vi aquele rapaz tentando agarrar sua mãe, somente agi movido pelo momento, porém também tive muito medo da hipótese de não estar ali para ela, não ter chegado a tempo e algo mais grave ter acontecido...
— É um temor que me assolou por muito tempo também. – Confessei sinceramente.
— Graças a Deus em ambos os casos conseguimos chegar a tempo.
— No meu caso não tão a tempo assim, já que além de toda tortura psicológica que fez, durante o tempo em que permaneceu com Bella, ainda conseguiu machucá-la nos pulsos e dar-lhe um tapa.
Professei e novamente tive que refrear meus impulsos.
— Sua mãe também foi assediada e imobilizada. Lembro que levou dias para a marca dos dedos daquele infeliz deixar seu braço e cada vez que via aquilo, me sentia culpado, pensando que de algum modo era o responsável direto por aquilo, por não tê-la protegido mais firmemente.
— Sei como é isso...
— E levei muito tempo para entender a verdade...
— Que verdade?
— Eu não tinha como ter feito mais do que fiz Edward. Eu fiz o que pude, dentro das minhas possibilidades. Não só com sua mãe, não só naquela ocasião, mas em várias outras ao longo dos anos. Infelizmente não somos super-heróis dotados de poderes e habilidades especiais que poderiam fazer-nos quase que onipresentes. Então como seres humanos temos que aprender a aceitar e lidar com nossas limitações. No fim das contas, eu protegi sua mãe do modo como pude, assim como você fez com a Bella. E em nenhum momento ou de outra forma poderíamos ter feito diferente. Como acabei de falar filho, temos apenas que tentar cometer erros suscetíveis a conserto e perdão, para podermos continuar seguindo com a vida...
Em várias ocasiões diferentes desejei ser como meu pai ou ao menos um pouco parecido com ele e hoje, pontuando mais um desses momentos, desejo no futuro ser tão sábio e grandioso como ele está sendo nesse momento.
Mas apesar de inundado por sua sabedoria e esse momento, não pude evitar levar o assunto a outro ponto.
— Papai, se Jasper e Alice comprovarem que esse Charles e Alistair são a mesma pessoa e ainda mais, o verdadeiro culpado de tudo, não existe a menor possibilidade de o perdoarmos...
— Não Edward. Quanto a isso não há a menor dúvida. Esse homem tentou de todas as formas contra nossas vidas, contra outros pontos mais que felizmente conseguimos remediar. Seus erros não são mais suscetíveis a qualquer sentimento de empatia. Apenas a justiça será responsável por seu destino a partir de agora.
— Mal vejo a hora de vê-lo pagar por tudo que fez.
— Ele pagará filho. — Papai praticamente sentenciou. – No momento que a verdade vier à tona, ele pagará...
Parados, olhando a imensidão da Silver Horse, não tenho dúvida que conjecturamos nosso desejo em comum.
De que esse crápula infeliz logo seja responsabilizado por tudo que fez e que possamos voltar a seguir com nossas vidas sem sua odiosa presença...
***
Quando papai e eu voltamos para casa, após o sol se pôr completamente, já não encontramos Alice e Jasper.
Fomos informados que assim que saímos, eles deixaram a casa também já empenhados na investigação e quando por fim regressaram, já era bem tarde. Saindo muito cedo no dia seguinte para continuarem com seu trabalho.
Ontem eles ficaram fora praticamente o dia todo, mandando informações esporádicas para não nos preocuparmos, porém sem dar grande ideia de como estavam às coisas.
Por isso, ainda sim ficamos aflitos sem a certeza de estarem chegando a algo sólido e como a investigação implicará na confirmação de que o maldito Alistair ou Charles, é o verdadeiro culpado de tudo.
Ao fim do dia falaram com meu pai informando que não voltarão para casa essa noite, mas prometeram informar-nos ao chegarem a uma constatação clara, mas diante de como estão procedendo com tudo nesse momento, a ausência mostra-se a melhor opção...
Não consegui dormir bem essa noite, com a cabeça cheia de assuntos, sem conseguir colocar nenhum em foco, pois infelizmente, nenhum deles está propriamente em minhas mãos para ser prontamente resolvido.
Por isso deixei Emmett e Bella seguirem na frente entretidos em uma conversa, já que ainda não estou com disposição para tal e apesar de já ser sexta-feira, a aproximação do fim de semana não traz boas aspirações também.
Já prestes a entrar no estábulo, paramos ao notar a chegada de um carro, que ao aproximar-se, constatamos ser o que Alice e Jasper têm usado.
Imediatamente trocamos olhares e sem dizer nada fizemos o caminho de volta a minha casa.
Mal entramos e já encontramos os dois com meus pais e Rose.
— Que bom que já estão aqui. – Mamãe comentou.
— Vimos o carro passar e viemos atrás de notícias. – Informei. – Mas então, vocês têm algo a contar?
— Não faremos rodeios, explicaremos os devidos fatos conforme a evolução da conversa, mas de pronto vocês precisam saber que investigamos a fundo, estamos praticamente virados desde ontem, mas não descansaríamos antes de chegar a fundo de tudo. – Alice começou.
— E nós chegamos. — Jasper informou. – Usamos todos os meios e contatos que possuímos, mas concluímos a veracidade da participação de Charles Evenson em tudo que houve aqui na Silver Horse.
Minha mãe ofegou e papai a puxou para um meio abraço.
— E agora? Qual o próximo passo? Quando vão prendê-lo?
— Na verdade Bella, não voltamos para casa ontem porque não queríamos lhe dar a mínima chance de escapar. – Alice informou. – Desse modo, assim que recebemos a última prova contundente de tudo, acionamos a polícia e fomos até o hotel em que ele estava hospedado, ainda com o pseudônimo de Alistair Weinberg, para dar a voz de prisão.
— Isso quer dizer que...?
— Que tratamos de tudo no início dessa manhã e ele já se encontra preso na delegacia de Collierville. – Jasper confirmou. – Pois apesar de ter sido detido em Memphis e a denúncia de vocês não estar mais em aberto, ainda sim, como a autoria de tudo ocorreu aqui, foi para onde o trouxeram.
As sensações de todos foram distintas e se dividiram.
Mamãe começou a chorar sendo acalentada por papai.
Rose abraçou Emm e pude ouvi-la falar sobre ele finalmente ter o nome inocentado definitivamente.
Mas eu simplesmente estou paralisado, sem conseguir demonstrar ou sentir, qualquer emoção.
— Edward...
Voltei a mim apenas quando Bella parou a minha frente e segurou em minhas mãos.
— O pesadelo acabou. Estamos livres. Vocês estão livres.
Não sei se a ouvi de fato ou somente prestei atenção à pronúncia de seus lábios.
— Ninguém mais se machucará?
— Não.
— E finalmente poderemos seguir com a nossa vida?
— Sim. Tudo voltará a ser como sempre foi.
Quis muito puxá-la para um abraço, em seguida fazer o mesmo com a minha família, mas meu lado racional predominou e ao invés disso me voltei aos detetives.
— Nós realmente estamos livres? A prisão dele é definitiva? Não há meios de ser inocentado, sair sobre fiança, aguardar julgamento em liberdade, nada nisso, não é?
Diante de todas as injustiças cometidas nos últimos tempos, não tenho dúvida que meus receios são mais do que legítimos.
— Não Edward. – Jasper afirmou. – Não com todo o material e as provas que reunimos. Ele pode contratar o melhor advogado do mundo que não conseguirá auxílio quanto à fiança ou aguardar o julgamento em liberdade.
— Ele tem sobre suas costas várias acusações. Não somente sobre o que fez a Silver Horse, mas ao investigarmos a fundo a vida de Charles Evenson, encontramos pequenos delitos atrelados ao seu nome pendentes de anos atrás. – Alice informou. – Por ter mudado de nome, personalidade e vida, muitos desses pontos foram esquecidos, mas também, contando apenas com os crimes cometidos contra vocês nesse verão, sua ficha não deixa precedentes para qualquer absolvição.
— E o que acontecerá a partir de agora?
— Então Carlisle, ele ficará em Collierville por apenas alguns dias, somente até a polícia acertar as questões para sua transferência, a partir disso será encaminhado para um presídio em Nashville, onde aguardará o julgamento. Mas essas questões serão tratadas e explicadas melhor por seu advogado, já o contatamos quando saímos da delegacia e ele tomará as devidas providências para acompanhar o caso. – Jasper explicou. – Acreditamos que quando o julgamento for marcado, vocês serão chamados para depor, mas tirando isso, não precisarão ter qualquer envolvimento direto com a situação.
— Quer dizer que ao menos por uns dias ele ficará aqui em Collierville? – Questionei.
Porém antes de um dos detetives responder, Bella se interpôs.
— Edward, não. Nem pense nisso. – A olhei consternado. – Você não deve ir vê-lo.
— Meu filho, não. Bella tem toda razão. – Mamãe pontuou. – Nenhum de nós deve sequer pensar em chegar perto daquele homem. Já basta os riscos que todos vocês correram cruzando com ele durante o tempo que permaneceu andando livremente na cidade.
— Mas se ele quisesse fazer algo conosco, acredito que teria feito, não é? – Emm soltou. – Não só em meio às sabotagens, mas justamente por ter nos encontrado em várias ocasiões pela cidade.
— E o que vocês acham que conseguirão com esse encontro?
— Rose...
— Não. — Bella cortou o contra argumento de Emm. – Nada de bom sairá de um possível encontro. Vocês querem o que? Ouvir detalhadamente sobre as monstruosidades que ele fez? Como planejou minunciosamente formas de prejudicar a fazenda? Como arquitetou as sabotagens? Escolheu a dedo os animais que assassinou? O modo de incriminar o Emm? – Seu olhar vagou entre ele e eu, mas firmou-se em mim. – Esse homem é um monstro. E não devemos dar o mínimo prazer da nossa atenção. Ele já habitou a mente de cada um de nós durante esses quase três meses. Está na hora de deixarmos que a justiça tome conta dele. E dar somente o maior troco de todos, que é a certeza de que apesar de todas as tentativas de prejudicar-nos, ao fim de tudo, não conseguiu.
— Não poderia concordar mais com as palavras da Bella. – Papai ponderou. – Não posso impedir ninguém de fazer o que deseja. Mas acredito fielmente que aquele homem tem um mal envolta de si, capaz de prejudicar muito mais quem tentar algo contra ele, do que de fato trazer qualquer satisfação a nós.
Trocamos um olhar sério.
Mas além de tudo que ouvi agora, foquei minha mente na conversa que tivemos quarta-feira, sobre a base dos nossos erros.
Meu lado impetuoso não quer pensar duas vezes, após tudo que passamos, quer receber e acredita ter o direito de receber, as explicações claras sobre o que aconteceu.
O porquê esse homem ter feito tudo isso contra nós.
Porém como não sou mais regido por essa impulsividade, refleti também sobre os outros pontos, o quanto isso pode me prejudicar e as pessoas ao meu redor, as que verdadeiramente importam.
E que nada que o infeliz disser, será capaz de remediar ou trazer conforto depois de tudo que fez.
Respirando fundo me movi na sala, mas apenas para sentar em um dos sofás.
— Muito bem, vocês podem contar como tudo aconteceu.
Alice e Jasper aceitaram a deixa e começaram a contar como foram os últimos dias em meio às investigações...
***
Depois de um bom tempo, posso considerar que tivemos um fim de semana tranquilo...
É claro que a notícia de terem prendido o sabotador da fazenda logo se espalhou pela cidade, mas apesar do burburinho gerado, o bom disso é que todos ficaram sabendo de uma vez por todas que Emm era inocente, pois se a mim era incômodo certos olhares e cochichos, imagino como não estava sendo para o meu amigo.
Porém apesar dessa parte ter se espalhado rapidamente, a polícia conseguiu conter o fato de o sabotador ser o Alistair e suas duas identidades, desse modo, todos ficaram sabendo apenas que um homem chamado Charles, é o responsável por tudo e que fez as ações em busca de vingança.
Ao contar-nos sobre como procederam com a prisão do infeliz, Alice e Jasper confirmaram terem contado a verdade à polícia de Collierville, sobre sua própria identidade como detetives.
E no esclarecimento que prestamos ao reabrir a denúncia, informamos que a ideia proveio do pai de Bella, que por também ser policial, tanto nos deu a dica de como fazer para tirar o Emm da cadeia, quanto passou o contato dos detetives.
Deixamos claro que não optamos por tal método por descrédito na eficiência deles, mas somente para soltar nosso amigo que continuava preso injustamente.
Jenks entendeu perfeitamente nossas escolhas e até falou para Bella enviar os cumprimentos ao pai, pelos bons conselhos.
Nossa primeira conversa ocorreu na sexta-feira mesmo, mas a confirmação de que Emm não é mais suspeito de modo algum, veio apenas hoje pela manhã. Pois os trâmites precisaram ser encaminhados ao juiz e foram liberados somente com a chegada da segunda-feira.
— Está com frio?
Questionei a Bella, passando melhor o braço ao redor do seu ombro, já que ela acabou de aproximar-se mais de mim.
Estamos deitados em uma rede na varanda dos fundos, por isso os ventos que transitam por aqui são mais intensos, por não encontrarem a barreira da casa a sua frente.
— Não. Só queria me ajeitar melhor. Te incomodei?
— Não.
— Que bom. Porque estou adorando ficar aqui com você, desse jeito.
— Você já tinha deitado em uma rede, não é?
— Mas é claro Edward. – Ela ergueu o rosto. – Eu não sou tão urbana assim. Estou me referindo à experiência, não ao ato.
— Eu sei, só estou te provocando.
— Você adora isso, não é?
— Adoro.
Aproximei nossos lábios para lhe dar um leve beijo.
Ficamos trocando olhares por um momento, até ela deitar a cabeça novamente no meu peito e eu voltar a agitar o pé balançando-nos.
— Em que mundo pensaria que em plena segunda-feira estaria desfrutando de algo assim...
— Poderia dizer que é um privilégio do campo, do interior, mas sabemos bem como tivemos vários dias conturbados que não nos deixaram desfrutar desse modo.
— Sim, mas agora felizmente tudo acabou. E em breve vocês voltarão à paz completa que sempre tiveram. O primeiro passo será dado quando Jasper e Alice forem embora, faltando apenas minha partida para encerrar o ciclo.
Não a respondi.
Realmente será estranho lidar com a ausência dos detetives quando deixarem nossas terras na quinta-feira, logo após o desgraçado ser transferido da cidade.
O casal informou durante o fim de semana que ficarão apenas até tal procedência, pois assim partirão tendo concluído totalmente o trabalho o qual foram incumbidos de fazer.
Porém tão logo deixem a Silver Horse, será a vez de Bella fazê-lo, já que sua partida está programada para o sábado de manhã.
E simplesmente não posso lidar com isso agora, sei que estou ficando sem tempo, mas não tenho certeza se já estou pronto para agir do jeito esperado, não tendo como parâmetro o modo como fiquei durante o aniversário do meu pai, quando a ideia subiu a pico e imediatamente comecei a refutá-la, acabando por magoar Bella no processo.
Por alguma sorte consegui corrigir as coisas a tempo, sem estragar a comemoração, tão pouco nosso desfrute dela, mas não quero arriscar fazer algo do tipo de novo e marcar nossos últimos dias com sensações ruins.
Meu maior objetivo essa semana é encontrar a maneira certa de encerrar tudo, pois de um jeito ou de outro terei que fazê-lo, já que a partida de Bella é um fato.
Mas como prometemos viver cada dia dentro das suas possibilidades, tenho escolhido adiar para o amanhã a escolha de lidar com o inevitável fim...
— Acho que sonhei com algo assim...
Sua voz me trouxe ao foco presente.
— Com o que?
— Com essa sensação de paz, tranquilidade...
— É porque Emm não está aqui, não é? Pode falar a verdade. Não contarei a ele ou talvez sim...
— Edward. – A senti rir contra o meu peito. – Não, com certeza não é por isso.
— Mas a casa realmente fica bem tranquila quando não está com todos seus moradores preenchendo-a. – Comentei.
Após o jantar, meus pais foram conversar com os McCarty, enquanto Emm e Rose, assim como Alice e Jasper, nem fizeram a refeição conosco.
Meu amigo e irmã foram jantar fora para comemorar sua liberdade definitiva. E o casal de detetives informou a saída no intuito de proceder com últimos ajustes necessários antes da partida iminente.
Foi assim que após ficarmos a sós, convidei Bella a desfrutar da noite deitados em redes, a princípio até fiz menção de armar duas, mas ela logo sugeriu dividirmos uma e mais do que prontamente aceitei.
— Eu não imagino essa casa e a fazenda como todo, sem a euforia costumeira de vocês.
— Estou implicando, mas verdadeiramente também não.
— E é a isso que estava me referindo. Esse lugar tem algo que inspira bons sentimentos. E talvez possa estar enganada, mas acho que em algum momento antes de vir para cá sonhei com essa mesma sensação que estou tendo agora.
— E que sensação é essa?
— De plenitude...
Mesmo com ela ainda deitada sobre meu peito, movi a cabeça para tentar enxergar seu rosto.
— À noite, o luar, as estrelas, o vento. Tudo isso me traz uma sensação de paz imensurável. É como se tivesse...
— O que...?
— Estou feliz por ter vindo para cá. – Declarou, mas não tenho dúvida que mudou o foco do que estava dizendo. – Por ter passado por essa experiência com certeza inesquecível...
— Também estou feliz que tenha vindo.
Foi tudo que consegui dizer, pois como acredito que ela tenha feito, resolvi guardar meus verdadeiros sentimentos.
Ao invés disso, apenas a aconcheguei melhor em meus braços e continuei a aproveitar mais um de nossos momentos finais...
— Bom banho?
Bella perguntou quando deixei o banheiro voltando ao quarto.
— Teria sido melhor se estivesse comigo. – Pisquei.
— Eu já tomei meu banho.
— Mas poderia ter tomado outro.
— Está querendo dizer que preciso de outro banho?
Ergueu a sobrancelha em desafio.
— Não é sobre precisar.
Me aproximei da cama onde está sentada e beijei seu ombro desnudo por conta da blusinha de alça que está vestindo.
— Mas sobre querer...
— Ahã, sei.
— Você é cheirosa demais Bella, demais até para o seu próprio bem.
Mordi seu ombro.
— Edward...
Rindo me afastei.
— Quem saiu perdendo foi você.
Tirei a toalha, não me importando em ficar completamente nu em sua frente enquanto começo a me vestir.
— Você não vai me distrair Cowboy.
— Não estou tentando te distrair. – Comentei inocente. – Mas o que exatamente está fazendo?
— Lembra-se que contei que tenho elaborado um relatório organizacional sobre tudo que tenho feito aqui na fazenda? Para quando precisar entregar meu projeto? – Assenti ao terminar de vestir a cueca. – Então, estou finalizando-o.
— Mas já?
— É. Tudo que escrevi aqui não está finalizado de modo técnico, apenas fui relatando os acontecimentos e não acredito que até sexta-feira vá acontecer algo mais a ser relatado, então decidi dar uma encerrada por agora.
— Entendi...
Comecei a andar pelo quarto a procura de uma roupa.
— Mas mesmo se acontecer algo mais daqui até lá, deixarei para registrar durante o voo, pois terei muito tempo livre. E prefiro usar meus últimos momentos aqui de outro modo.
— Faz bem.
Rapidamente escolhi uma calça e uma camiseta começando a vestir as peças.
— E quais são os planos para a noite?
Perguntou sorridente ao baixar a tampa do notebook, imagino que por já ter terminado suas anotações.
— Eu vou sair com o Emmett. – Disparei.
— É mesmo?
— Sim. Ontem foi seu dia de curtir com a Rose, mas hoje faremos algo só nós dois. Para relembrar os velhos tempos, sabe?
Transitei pelo quarto de modo rápido, apenas pegando minha carteira e celular.
— Entendo. Então aproveitem.
— Pode deixar. E você também, seja lá o que for fazer.
— Vou ver se a Rose quer fazer algo, já que ao menos de compromisso com o namorado estará livre.
— É. Então divirtam-se...
Sai rapidamente do quarto sem dar-lhe tempo de falar mais nada.
Desci as escadas correndo e nem mesmo parei para falar com meus pais, apenas peguei a chave do carro do papai que fica sempre no aparador e sai torcendo para encontrar Emmett na sua casa e que não tenha nenhum compromisso marcado que o impeça de sair comigo.
Ao pegar o carro na garagem rumei à casa dos McCarty chegando rapidamente, ao entrar fui recepcionado por Gianna, que informou que Emm está em seu quarto e não me fiz de rogado em seguir até lá.
— Cara, vamos sair.
Pronunciei ao entrar no cômodo.
— Que? O que está fazendo aqui?
— Te chamando para sair. Vamos até a cidade. Beber um pouco, curtir, sei lá.
— Edward, o que está acontecendo?
— Estou te chamando para ir à cidade. O que tem demais? Anda logo, vamos.
— Ok. Sua sorte é que não tinha nada marcado com a Rose hoje.
— Deixa de ser frouxo. Vocês já passam muito tempo juntos, saíram ontem. Nós nunca mais fizemos nada só nós dois, mas está na hora.
— Ok, ok. Nós vamos. Não precisa acionar o código dos manos.
Ri das suas besteiras já um pouco mais confortável com a minha decisão.
Emmett rapidamente se trocou e deixamos sua casa com uma despedida a sua mãe e a informação de que não temos hora para voltar.
O caminho até a cidade não demorou muito, o costumeiro trecho curto, mas ainda sim fiquei aliviado quando cheguei ao bar que costumamos frequentar.
Apesar de o dia ter sido tranquilo, mesmo com a expectativa da transferência do desgraçado, que acontecerá amanhã, ainda sim, estou precisando relaxar e nada melhor do que fazê-lo como nos velhos tempos, ao lado do meu melhor amigo, jogando conversa fora e enchendo-nos de besteiras em um bar comum da cidade.
E mal Emm e eu sentamos, vimos Laurent e James entrarem, com isso os chamamos para ficar conosco.
— Fazia tempo que não vinham aqui, hein? – James comentou.
— E vocês estão controlando nossas vindas ou que? – Rebati.
— Com tudo que estava acontecendo na fazenda, era difícil arrumarmos tempo para apenas relaxar. – Emm emendou.
— É. Mas agora podem voltar a ficar despreocupados que tudo está resolvido e terá o fim completo amanhã.
James citou e assentimos.
As cervejas que pedimos chegaram e apreciamos o líquido por alguns minutos.
— Eles podiam até estar atarefados, mas com certeza há outro motivo para os bonitos ai estarem sem tempo de deixar a fazenda. – Laurent soltou.
— E qual é?
— Vocês finalmente arrumaram mulheres. E ainda por cima, mulheres que moram com vocês. Como deixar a fazenda desse jeito?
James e Emm riram, eu apenas revirei os olhos tomando outro gole da cerveja.
— Se isso fosse verdade, vocês não seriam frequentadores tão assíduos desses lugares.
— Meu caro Emmett, esse é justamente o ponto. – James falou. – Nós amamos nossas mulheres, mas já somos casados. Temos uma dinâmica diferente estabelecida. Agora vocês estão passando pelas alegrias do início do relacionamento, nessa fase realmente não há interesse algum em ficar longe.
— Eu não estou em um relacionamento. – Informei.
— Qual é cara? Você tem que trocar esse disco. – Olhei torto para Laurent. – Todo mundo sabe que você e a Bella estão juntos.
— Vocês ficaram sabendo que ele até a convidou para ficar no seu quarto lá na casa?
— Emmett!
— O que? O cara que nunca passou a noite toda com uma mulher está dividindo seu espaço pessoal? Olha, isso está mais sério do que pensava.
— Não tem nada de sério nisso Laurent. Bella é muito legal, nos damos bem, mas nunca passará disso. – Afirmei. – Ela está prestes a ir embora e quando o fizer, voltarei à mesma vida de antes. Tudo que passamos, assim que ela deixar a fazenda será como se nunca tivesse existido...
Eles ficaram me encarando, mas ninguém falou nada por um tempo.
— E eu não vim aqui para ficar nesse papo mulherzinha. Então, se quiserem continuar com isso, vou procurar outro lugar.
Comentei levantando da mesa e indo até o bar pedir uma nova rodada de cervejas, apesar de só eu ter terminado a primeira, sei que precisarei de mais algumas para passar pela noite...
Coloquei a mão no rosto quando desci de Storm para levá-lo ao estábulo.
— Não me olhe assim. O sol só está incomodando.
O cavalo bufou.
— Eu não estou de ressaca. É preciso mais do que algumas cervejas para me derrubar.
Ele apenas continuou andando e resolvi não lhe dar atenção também.
Ao entrar comecei a tirar seu equipamento para levá-lo até a baia, mas sem muitas interações.
Eu realmente não estou de ressaca, tão pouco fiquei bêbado, no fim das contas se tomei quatro cervejas foi muito, pois assim que voltei à mesa o assunto realmente mudou e pude aproveitar a noite com meus amigos como antigamente, como era meu objetivo desde o início.
Nós comemos, conversamos, rimos e encerramos a noite com algumas partidas de sinuca.
Poderia dizer que tudo aconteceu exatamente como sempre, se não fosse o fato de ter perdido algumas partidas do jogo, coisa que simplesmente nunca aconteceu.
Claro que os rapazes não deixaram as derrotas passarem em branco e agora sinceramente mal vejo a hora de jogarmos de novo para mostrar que o que houve ontem foi um caso isolado, que não perdi meu dom e que não me deixarei ser afetado novamente.
Pois é claro que esse acontecimento é culpa de Bella...
— Maldita mulher!
Por estar colocando Storm na baia bem no momento em que praguejei, tanto ele quanto Snow, sua vizinha de baia, relincharam.
— Não quero ouvir nada de você também. Aliás, de nenhum dos dois. Fiquem ai do jeito que gostam que eu vou embora.
Sai sem ligar para os resmungos dos cavalos.
Essa fazenda realmente já não é mais a mesma, até os animais estão se achando no direito de me contradizer.
E novamente digo que é tudo culpa da Bella!
Eu estava certo desde o início, ela deve ser algum tipo de bruxa, só pode.
Sem dúvidas deve ter jogado algum tipo de feitiço sobre nós, não é possível.
Até na minha habilidade de anos na sinuca, conseguiu interferir.
Mas não posso culpá-la totalmente, já que foi minha decisão sair depois de não conseguir continuar encarando-a quando falou sobre seus planos após deixar a fazenda.
O que fará durante seu voo de volta e quando chegar à Califórnia, seu verdadeiro lar. E também a universidade, o lugar ao qual pertence ao menos pelos próximos seis meses, mas ainda sim, seus planos estão mais do que traçados...
Se não bastasse, apesar de todos os meus esforços, não ter conseguido parar de pensar nela por um instante, assim que cheguei e entrei no meu quarto fui inundado por sua presença inebriante.
Pois encontrei Bella esparramada em minha cama, dormindo com a cabeça sobre o meu travesseiro, sem contar todas suas coisas espalhadas pelo cômodo, porém o que me derrubou mesmo foi aspirar seu cheiro dominando o quarto.
O aroma doce e delicado só seu, misturado à essência de morango do seu shampoo, mas especialmente gravado entre minhas coisas, em mim...
Porém ainda que ela tenha marcado muitas coisas e lugares, tudo acabará se perdendo quando partir. E isso é algo que preciso mais do que entender, começar a aceitar...
E é claro que ao me aproximar de casa, sua imagem foi a primeira que vi. Ainda por cima acompanhada por Gus, como virou costume nesse verão.
Caminhei devagar, para não intervir no momento dos dois e até sem saber se me aproximarei de fato, mas quando notei uma expressão diferente em seu rosto, não contive o ímpeto.
— Bella, o que aconteceu?
Ambos foram pegos de surpresa com minha chegada e ela ainda mais.
— Você está chorando...
— Não consegui evitar.
— Por quê? O que houve?
— Eu resolvi que irei me despedir de todos que são importantes a mim individualmente, que tirarei um tempo para cada um. E como Gus veio me recepcionar, acabei tendo a ideia de começar com ele, mas acho que não foi uma boa escolha...
Ela passou as mãos pelas orelhas do cachorro e ele ficou todo animado abanando o rabo, provavelmente sem ter ideia da real dimensão desse momento.
— Eu sentirei muito sua falta Gus. – Declarou a ele. – Muita mesmo. Ainda que não oficialmente, você foi o primeiro animal doméstico que tive.
— É oficial. — Informei.
Ela desviou os olhos do cachorro voltando-os a mim.
— Assim como um dia me escolheu quando o conheci. Ele também o fez com você.
Suas lágrimas passaram a cair com mais força.
— Eu o amo tanto. — Olhou para o cachorro. – Sabia Gus? Que eu te amo?
Ele latiu e lambeu seu rosto.
— Obrigada. Será muito difícil não tê-lo mais na minha vida. Mas eu o levarei para sempre comigo. Porém será que você também não me esquecerá?
Ela o abraçou e entendendo que precisa do conforto, o cachorro ficou quieto, desfrutando do carinho.
— Bella...
Toquei seu ombro.
— Isso não está certo!
Esbravejou de repente, pegando-nos de surpresa, tanto que Gus até se afastou.
— Não era para ser tão difícil! Se não estou aguentando me despedir do Gus. Como será quando tiver que dizer adeus aos cavalos?
— Você não precisa...
— Como vou me despedir da Hope? Meu Deus, eu não vou conseguir dar adeus a Snow...
— Não pense assim...
— Eu vim aqui passar três meses. Nada, além disso. Três meses. Noventa dias. Isso sempre foi claro para todos. Então por que agora a simples menção de partir parece doer tanto?
Nossos olhares se prenderam, mas não consigo dizer nada.
Não quando ainda não consegui assimilar que sua partida esteja tão próxima...
— Se não estou conseguindo lidar com a despedida com os animais, como farei quando chegar o momento de me despedir de vocês? — Pronunciou a um fio de voz. – Farei um escândalo como esse?
De modo desmedido passou as mãos no rosto para limpar as lágrimas.
— Eu simplesmente não posso...
— Bella...
Meu chamado foi em vão já que ela disparou para dentro de casa, porém a deixei ir, ela precisa desse tempo e sinceramente eu também.
— Oi garoto.
Interagi com Gus quando ele encostou o focinho nas minhas pernas.
— Estamos ferrados, não é mesmo? – Ele latiu. – É. Eu também ainda não sei como será, mas daremos um jeito. Eu prometo.
Afaguei suas orelhas e fiquei apreciando seu conforto um pouquinho, ao menos por alguns segundos tentando não focar no que a passagem gradativa do tempo representa...
O fim da noite de ontem foi confuso e inesperado...
Após levar Gus para sua casa, entrei na minha e ao chegar ao meu quarto, surpreendi-me por não encontrar Bella, apenas compreendi que ela havia passado por ali por conta dos aspectos de banho recém-tomado no banheiro.
Ao terminar minha própria ducha, desci já encontrando meu pai na sala e assim descobri que Bella estava na cozinha com a minha mãe, ajudando-a no término do jantar.
Logo Rose, Jasper e Alice se juntaram a nós e a refeição ocorreu normalmente, como tantas outras nos últimos dias. Bella não demonstrou qualquer aspecto que fizesse lembrar o turbilhão de emoções recente.
Só seguimos para o quarto quando encerramos as conversas com nossos amigos e mesmo temeroso, estava disposto a conversar com ela sobre os acontecidos anteriores, mas pegando-me totalmente de surpresa, assim que entramos no cômodo isolado, ela simplesmente me atacou.
Quase que literalmente no cerne da palavra.
E o que eu fiz?
Eu me entreguei tão cheio de desejos quanto ela.
A essa altura do campeonato duvido muito que poderia lhe negar qualquer coisa, ainda mais se sua vontade era de entregar-se a mim, totalmente sem medidas...
O sono foi mero coadjuvante em nossa noite, mas o agravante da situação é que ao despertarmos, constatei o fato de que agora só restam dois dias de sua presença na fazenda.
Quarenta e oito horas...
E diferentemente do que pensei no início da semana, que teria tempo para ajustar as coisas antes de sua partida, esse não está deixando de correr, sem se importar com o fato de estar ou não pronto.
Parece que me transformei em alguém que não conheço.
Uma espécie de Edward contido, temeroso.
Esse realmente não sou.
Ainda que nunca tenha passado por nada disso antes, não posso deixar que essas novas nuances nublem meu verdadeiro eu, minha essência, princípios, vontades e especialmente atitudes.
Chega!
Está na hora, na verdade, já passou da hora de tomar uma atitude.
E apesar da crença de muitos, meus impulsos sempre me levaram a bons resultados.
E chegou o momento de novamente entregar-me a eles...
Incitei Storm a cavalgar velozmente pelos campos.
Não tenho ideia de onde Bella está, mas com certeza a encontrarei e de um jeito ou de outro, esclarecemos nossas pendências de uma vez por todas.
Como sai mais cedo durante o café, não ouvi sobre seus planos para o dia, Emm e eu tínhamos que tratar de umas questões nos galpões de sacas. Assim, só a pouco fui até o estábulo pegar Storm, mas não a vi.
Cavalguei um tempo pelos arredores de onde ela poderia estar. Próximo ao estábulo, o curral, pasto. Porém ao não a encontrá-la em meio a nenhum desses lugares e tão pouco ter sido vista por ninguém a quem perguntei, resolvi ir para perto de casa e investigar se alguém lá sabe sobre seu paradeiro.
Por sorte ao me aproximar, enxerguei Rose saindo na varanda.
— Rose! – Gritei ainda de longe. – Você viu a Bella por ai? Sabe onde ela pode estar?
— Bella saiu com a mamãe. Elas foram à cidade.
— Ah...
— Por quê?
— Não, por nada.
— Eu não pude levar a mamãe, porque também já estou de saída, mas vou a Memphis. Então Bella se ofereceu para levá-la.
— Elas saíram faz tempo?
— Acredito que sim. Quando saíram acabei recebendo uma ligação e só consegui me livrar quase agora. Mas acredito que não devam demorar, mamãe realmente só precisava ir comprar umas coisinhas.
— Entendi. Então tudo bem. Quando chegarem, falo com ela.
— Ok.
— Jasper e Alice também ainda não voltaram?
Aproveitei para perguntar, já que eles também saíram cedo, mas prometeram voltar antes do almoço.
— Não, ainda não. Acredito até que mamãe e Bella voltem antes deles.
— Certo.
Fiz menção de incitar Storm a voltar ao galope e focar em minhas funções, mas esperei um instante ao ver Rose atender uma ligação em seu celular.
— Alô. Oi Jenks. Sim, pode falar.
O delegado está ligando? Por quê?
— O que?!
— Rose...
— Não. Isso não pode ser verdade.
— Rosalie.
— Como algo assim pôde acontecer?
Vendo que ela não responderá aos meus chamados, desmontei de Storm caminhando em sua direção.
— Eu vou falar com meu pai e Edward. Mas, por favor, mantenha-nos informados. Ok, sim, entendi. Até logo.
— Rosalie, o que foi que aconteceu?
Perguntei ao parar a sua frente.
— Edward. O Charles. Ele fugiu.
— O que?!
— Foi o que o delegado acabou de informar.
Ela começou a caminhar para dentro de casa e a segui.
— Mas como? Quando?
— Durante a transferência. De algum modo ele conseguiu render um dos policiais que o estava levando e escapou.
— Não. Isso não pode estar acontecendo.
— O que não pode estar acontecendo?
Papai questionou ao se fazer presente na sala.
— O Charles, papai. Ele fugiu. – Rose o informou.
— O que?
— O delegado acabou de me ligar avisando. Ele informou que todas as autoridades já foram acionadas e estão atrás dele, mas que o melhor é ficarmos aqui na fazenda. E que viaturas estão vindo para fazer a ronda.
— Esse pesadelo nunca vai acabar?
— Aparentemente não papai. Não até que tenha um fim definitivo. — Sentenciei.
— Edward... – Não sei se ele ia falar algo mais, porém parou ao ver Rose voltar ao celular. – Para quem está ligando Rose?
— Para Bella. Ela e a mamãe saíram e precisam ser avisadas para voltar logo.
Imediatamente congelei.
Porque dentre todos os dias possíveis elas tinham que ter saído logo hoje?
— Sim, é verdade. Avise-as para virem rápido, mas em segurança. Enquanto isso vou ligar para Jasper e Alice.
Papai pegou o celular do bolso, mas antes de iniciar a chamada o aparelho começou a tocar.
— São eles. – Indicou e assentimos. – Olá Jasper. Sim. Acabamos de ficar sabendo. Já estão a caminho? Ótimo.
Desviei o foco da ligação do papai, voltando a Rose.
— Já falou com a Bella?
— Não. Ela não atendeu. Estou ligando no celular da mamãe agora, pois talvez ela não tenha atendido por estar dirigindo.
— Sim, pode ser.
— Jasper e Alice estão quase aqui. – Papai informou. – Em breve compreenderemos melhor o que houve. Mas ainda sim, como aquele desgraçado conseguiu escapar?
— Vermes são traiçoeiros papai. Sempre conseguem encontrar um modo de rastejar de volta.
— Isso simplesmente não poderia ter acontecido...
— Papai. – Rose nos interrompeu. – Tente ligar para a mamãe do seu celular. Ela não está atendendo do meu.
— Tudo bem.
Ele colocou o aparelho novamente em chamada.
— Bella também não atendeu?
— Não. Nenhum dos números atende. Só ficam chamando. Mas não dá caixa postal ou fora de área. Então não sei por que elas não atendem.
— Esme também não está me atendendo.
Papai informou e trocamos olhares preocupados.
E nesse segundo senti o mundo girar, ao mesmo tempo em que perdi a respiração.
Não.
Não.
Não.
Isso não pode estar acontecendo...
CONTINUA.
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