Notas iniciais
Boa noite. Quartou, com a atualização um pouco mais cedo para aproveitarem e descobrirem o que houve na fazenda, ansiosas por acompanhar esse assunto e tudo mais que o capítulo de hoje reserva? Espero que sim. Então sem mais delongas vamos a ele. Apreciem Sem Moderação. Capítulo Postado Em: 29/01/20

POV Bella

— O que?!

O grito estrondoso de Edward ecoou em meus ouvidos.

— Como assim Amun? O que quer dizer com perdemos tudo? Isso não é possível.

— É o que disse a vocês Emmett. Chegamos para terminar a pesagem e preparar tudo para o envio na segunda-feira e encontramos os grãos nesse estado.

— Não quero ouvir mais nada, vamos até lá. Preciso ver com meus próprios olhos.

Edward falou caminhando rapidamente até o depósito de grãos.

Emm e Amun o seguiram e procurando entender de alguma forma o que está acontecendo caminhei também.

Tendo que apressar bem o passo para acompanhá-los, pois além da desproporção natural, nenhum deles parece propenso a perder tempo algum.

Ao alcançar o depósito vi vários funcionários inspecionando as sacas de milho provavelmente conferindo ainda se realmente tudo está perdido, mas pelas expressões em seus rostos pude concluir que as notícias não são mesmo as mais animadoras.

Edward começou a olhar as sacas e a cada saco inspecionado, exclama diferentes gritos e reclamações.

— Como isso aconteceu? Digam-me? Na terça-feira estava tudo bem. Como hoje tudo foi por água abaixo assim?

— É o que estamos tentando entender Edward. Você sabe que nessa época checamos tudo duas vezes por semana por conta da umidade do verão. Você mesmo viu na terça-feira, tudo estava como nos conformes, à temperatura do ambiente, produção, embalagem, tudo. Mas hoje ao chegar encontramos as coisas desse jeito.

— Algo aconteceu e quero saber o que foi. Milhares de sacas de milho não se deterioram do dia para noite sem mais nem menos.

— Edward, tente ficar calmo.

— Como quer que me acalme Emmett? Você está vendo isso aqui? Tem ideia do prejuízo que teremos se não fizermos as entregas?

— Sim, eu tenho noção. É por isso mesmo que você tem que se acalmar para que possamos começar a planejar soluções. Mais do que descobrir como e porquê, temos que focar agora em meios de resolver isso.

Emm falou pegando um punhado de milho nas mãos e balançando a cabeça.

Edward em meio à irritação arrancou o chapéu da cabeça e começou a passar as mãos pelo cabelo, deixando-o ainda mais desordenado.

Aproximei-me de uma das sacas e fiz como Emmett, pegando um pouco do milho na mão, aproveitando a proximidade de um dos funcionários, perguntei.

— Mas o que houve afinal? O que tem de errado com o milho?

Achei que tinha falado baixo, mas antes que o rapaz pudesse responder a voz de Edward se sobressaiu.

— De alguma forma as sacas umedeceram prejudicando o grão. Eles não estão firmes, ou seja, não podem ser comercializados.

— Entendi, sinto muito. Mas quer dizer que foram umedecidos de propósito?

— Não temos como saber Bella, pelo menos não por hora. No verão por conta do calor, que pode trazer outros tipos de praga, o milho colhido costuma ficar em ambientes mais refrigerados para manter uma temperatura estável e não intervir na solidez do grão, mas agora não sabemos dizer se algo passou do ponto e ocasionou o estrago ou foi uma ação premeditada.

Emm explicou e assenti começando a entender a gravidade dos fatos.

— Chega de conversa, ao menos esse tipo de conversa. Precisamos agir e rápido. – Edward falou.

— Edward, diante da situação penso que devemos tentar um processo de secagem, não será fácil, tão pouco barato, mas a meu ver é a única alternativa para não perder tudo.

— Você tem razão Amun, também acredito que essa possa ser nossa única chance. Vamos tentar tudo que estiver ao nosso alcance.

— Certo, começaremos agora mesmo o processo de separação.

— Ótimo. Preciso que alguém vá até minha casa e peça para Rosalie vir aqui imediatamente. Preciso que ela faça a solicitação à empresa de secagem e também discutir como lidaremos com os clientes.

— Pode deixar já estou indo.

O rapaz ao meu lado falou e saiu em disparada rumo à casa dos Cullen.

— Continue coordenando tudo Amun, volto quando o pessoal da secagem chegar.

— Pode deixar Edward, daremos nosso melhor.

Edward assentiu e caminhou para fora do depósito, Emm e eu o seguimos.

— Acredito que vamos conseguir salvar grande parte da produção, provavelmente não tudo, mas acho que uns 80% garantiremos. – Emm falou quando se aproximou dele.

— 80% não é suficiente Emmett. A Silver Horse cresce diariamente por sua excelência tanto em produção, como na distribuição. Informar agora que pode haver baixas não nos trará boas coisas.

— Eu sei, mas o que mais podemos fazer? Estamos sujeitos a problemas, seja antes, durante ou depois da plantação, colheita e entrega. Tente pensar positivo.

Pensar positivo? Como se já não tivesse problemas mais que suficientes, agora ainda aparece isso. Cadê Rosalie que não chega logo? Temos que falar com a empresa de secagem o quanto antes e começar a ver como lidaremos com tudo, quanto gastaremos, etc.

Com sua última frase encontrei minha deixa.

— Edward, acho que o conversamos ontem entra em vigor agora, não?

Isabella. Se tiver que te ouvir falar mais uma vez sobre o maldito dinheiro que gastamos com aquela égua, juro que não respondo por mim!

— Mas nós combinamos. Você prometeu que caso a Silver Horse precise de ajuda que aceitaria. E acredito que esse é o momento.

— Como Rosalie ainda não chegou não tenho ideia de quanto gastaremos ou do possível prejuízo que teremos, portanto, seu dinheiro não se faz necessário, assunto encerrado.

Ia responder novamente, mas Emm me impediu.

Segurando meu braço nos afastou um pouco de Edward.

— Bella, dê um tempo a ele sim? A cabeça do Edward já está muito cheia para ainda discutir com você.

— Mas só estou querendo ajudar. – Protestei.

— Eu sei que sim e você vai. Escute, teremos que lidar com isso provavelmente o dia inteiro, então os animais ficarão completamente sob sua supervisão. Vá até a égua, veja se está tudo bem com ela, o que menos precisamos no momento é de outro problema. Depois cuide dos seus afazeres como todos os dias, supervisionando essa parte da fazenda já nos ajudará muito.

— Tudo bem Emmett, você tem razão e pode contar comigo.

— Eu sei que posso, porque você já faz parte do Clã Cullen. – Sorri.

— Se for possível, me mantenha informada sobre o desenrolar de tudo, sim?

— É claro, tenha um bom dia.

— Vocês também e boa sorte.

— Obrigado. Vamos precisar.

Comecei a caminhar em direção ao estábulo, mas ainda vi Rose chegar e começar a conversar com o irmão.

Espero realmente que consigam solucionar tudo.

Mas como prometi a Emmett, foquei os pensamentos em cuidar dos animais e ajudá-los com o que sou capaz.

Quando entrei no estábulo cumprimentei os homens presentes e fui em direção à égua que compramos de Jacob. Acariciei sua crina, ela deu um leve relincho então prossegui com os procedimentos necessários.

Troquei a dose de soro e a examinei de novo para saber se houve algum progresso ou regresso em seu caso, ao constatar que ela mantém-se estável, sorri.

— Hey menina, vamos conseguir curá-la por completo, sim? Logo, logo estará tão saudável quanto qualquer animal da Silver Horse. Está contente em ter vindo para cá? – Ela lambeu o focinho. – Sim, eu também, não só contente por ter conseguido trazê-la, mas por estar aqui. A Silver Horse é um bom lugar para todos, animais e pessoas.

Alguém limpou a baia, então ao fim da inspeção matinal coloquei apenas um pouco mais de feno.

Já ia olhar os outros cavalos quando me toquei.

— Menina, com toda confusão da sua chegada não me toquei de perguntar ao energúmeno do seu ex-dono qual seu nome. Acredito que tem um e precisamos saber qual é. Não sei como, mas prometo que descobrirei, enquanto isso, encontraremos formas de nos comunicar, não é? – Acariciei mais uma vez sua crina. – Muito bem, aproveite e descanse, mais tarde volto para trocar novamente o soro.

Sai da baia com um sorriso no rosto, sabendo que com os cuidados certos em breve ela estará completamente recuperada, mas ao lembrar o estado em que a encontrei ontem, senti o sangue ferver.

Quando terminei de olhar as vacas que ainda estão para parir, sai do curral decidida a aproveitar o fim de tarde cavalgando um pouco mais com Snow, como é de conhecimento geral, as melhores terras para cavalgar livremente são as que dividem o território com o campo da Black Horse e ao me aproximar da mesma avistei a égua perdida e pude notar que não estava nada bem.

Imediatamente tomei a decisão de chegar mais perto e averiguar melhor o problema, desci de Snow e comecei a caminhar pensando em como conseguiria fazer uma checagem prévia sem ultrapassar a fronteira entre as fazendas, quando fui surpreendida pela chegada de Edward e Emmett e logo depois do insuportável, Jacob Black.

A partir dai as coisas tomaram rumos que nem eu imaginava, em meio à discussão com aquele estúpido tomei a decisão de comprar a égua. Pois sabia que poderia tentar salvá-la e mesmo que não, que no fim precisássemos sacrificá-la, não poderia deixar que aquele pedaço de merda fizesse o que bem entendesse sem qualquer supervisão.

Com a decisão formada sabia que precisaria do aval do Edward para executar a ideia e foi com satisfação que de pronto recebi seu apoio, tirando nossas discussões envolvendo a questão financeira, no restante do tempo ele não poderia ter sido mais solícito, gentil e compreensivo.

Por sorte ao chegarmos a Silver Horse e com a ajuda de Harry, consegui diagnosticar a doença e tratar tudo o mais rápido possível para garantir a recuperação da égua.

A satisfação interna que me atingiu ao participar de algo tão importante não tem preço. No fim da noite, com a mente mais tranquila voltei a refletir sobre as atitudes de Edward.

Não posso dizer que fiquei totalmente surpresa, já o conheço a tempo suficiente para saber que ele é um homem honrado, justo e que ama os animais tanto quanto eu, então me apoiar na compra e consequente proteção da égua, não foi de todo surpresa, porém ainda sim não consegui conter os sentimentos de gratidão e admiração que me envolveram.

Edward atingiu um novo patamar comigo depois desse episódio, por isso e mais, que estou disposta a fazer o que for possível para ajudar não só a fazenda, mas ele em especial.

Realmente não sei bem como funcionam os outros segmentos da fazenda, apesar de já ter conversado bastante sobre e acompanhar de forma informal o processo durante esse mês, não cheguei a me envolver com nada diretamente, como faço com os animais e agora com essa crise envolvendo as sacas de milho consigo perceber o quão grande são os rendimentos e as produções da Silver Horse e o que esse problema ainda pode causar a mesma.

Parei na baia da Snow, que fica ao lado da Diana e de frente para Thor e Storm. Encontrando todas já limpas e os animais desfrutando de feno e água para o dia.

Comecei a acariciar minha égua, preparando e equipando para montar e prosseguir com o restante dos afazeres, quando ouvi o relincho dos dois cavalos atrás de mim.

— Oi meninos, estão se sentindo esquecidos hoje?

Passei para frente de Thor mexendo em sua crina. Bem humorado como o dono, o cavalo expressou contentamento com o afago relinchando.

— Tenho que dizer que talvez fiquem sozinhos hoje, pois estamos com grandes problemas na fazenda e não acho que os rapazes poderão montá-los, só se de alguma forma cavalgar ajude na solução do problema. – Deixando Thor de lado passei para frente de Storm. – E você? Vai aceitar um carinho ou continuará sendo indiferente a mim?

Estiquei a mão para tocá-lo, o cavalo não se animou igual o companheiro, mas também não me rejeitou, apenas manteve a pose de sempre.

— Você e seu dono são duas figuras, mas saiba que mesmo assim gosto dos dois. – Continuei a acariciar a crina. – Agora descanse, pois tenho certeza que quando a poeira baixar, você será o companheiro que Edward solicitará para espairecer. Mas agora vou embora também, pois a fazenda não pode parar, até mais tarde.

Deixei os cavalos voltando à baia de Snow, a tirei do cercado e levei para equipar.

Depois que nossa conexão foi completamente comprovada, não demorei a aprender como equipar e domar sozinha minha égua.

Snow já não dá trabalho algum, qualquer funcionário da fazenda consegue interagir com ela, mas não deixa de me agradar sempre que ouço alguém dizer que nunca viu uma situação como a nossa.

Que realmente estava em nosso destino nos conhecer, gosto de acreditar nisso. Ao aprontá-la montei e segui rumo aos pastos centrais, o dia promete ser cheio e não posso perder tempo algum...

Como previsto não parei por um instante sequer, tirando a hora do almoço, no restante do tempo corri sem parar, na verdade cavalguei, por vários pontos da vastidão que é o terreno da Silver Horse.

Depois de dedicar praticamente a manhã inteira à vistoria do gado pastoreio e confirmar que está tudo bem com a saúde dos que serão vendidos no início do mês. Passei para a checagem semanal dos animais de médio porte, dentro da rotina da fazenda tentamos sempre estabelecer uma supervisão variada, que tanto não sobrecarregue um segmento, ou desfalque o outro. Por isso tudo é anotado e supervisionado com a maior precisão.

Refletindo sobre esse aspecto consigo entender toda irritação de Edward de manhã, com uma organização tão apurada é difícil acreditar como algo tão grande pôde acontecer sem explicação aparente e em tão pouco tempo.

Quando fui até a casa almoçar, só encontrei Esme. Ela contou que Carlisle e Rose foram a Memphis negociar questões para que a Silver Horse não saia tão prejudicada, enquanto Edward e Emmett continuam lidando com o processo de secagem dos grãos. Fiquei feliz em ouvir a última sentença, pois acredito que seja um bom sinal e que as chances de tudo terminar com o mínimo de danos é grande.

Conversamos sobre a égua e o tratamento que estou aplicando. Esme elogiou mais uma vez minha atitude perante a situação e consternada apenas disse que não fiz nada demais, então voltamos ao tópico dos grãos e o que esperamos que aconteça.

Ao sair da casa montei em Snow e pensei em ir ao depósito ver como as coisas estão, mas depois me refreei e percebi que muita gente nessas horas pode mais atrapalhar do que ajudar, então segui meu caminho sem qualquer desvio.

Com o sol dando indício que logo descansará, deixei Snow no estábulo seguindo novamente até a casa dos Cullen. O restante da tarde não apresentou qualquer problema, o que comemorei com grande apresso.

No exame com a égua tudo permaneceu bem, apliquei a dose de soro noturna, passei uma pomada em suas patas para ajudar na cicatrização dos ferimentos, observei que todos os cavalos estão guardados e bem, então encerrei a jornada.

Ao avistar a casa dos Cullen desejei entrar e ouvir apenas boas notícias, ao fazê-lo encontrei Rose e Esme sentadas no sofá, Carlisle em sua poltrona e em frente ao mesmo um senhor desconhecido.

Ao notarem minha presença fui prontamente saudada por Esme.

— Bella querida, que bom que chegou. O dia terminou bem?

— Sim, ao menos por onde andei não presenciei problema algum. Perdão se interrompi algo.

— Não, de forma alguma. Deixe-me apresentá-la, esse é Aro Volturi, advogado da Silver Horse. E Aro, essa é Isabella Swan, a estudante de veterinária que veio passar o verão estagiando conosco.

— É um prazer conhecê-la pessoalmente senhorita Swan. Quando os Cullen cogitaram aceitar a integração com sua universidade me procuraram para avaliar se era uma boa ideia e depois de comprovar que sim, fiquei entusiasmado com seu currículo e pelo que ouvi, você tem feito um bom trabalho.

— Obrigada senhor Volturi. É um prazer conhecê-lo também.

Respondi apenas, passando para o lado da Rose e sentando.

Carlisle e ele voltaram a conversar, então cochichei com ela.

— Posso perguntar o que ele está fazendo aqui?

— Em meio à confusão do dia, papai achou melhor chamá-lo para nos auxiliar na forma de lidar com os clientes e também para confirmar se está tudo bem com o contrato de compra da égua, afinal, não podemos confiar totalmente na palavra daquele imbecil.

— Isso é verdade. – Murmurei. – E está?

— Aparentemente sim. Como contaram, ele não teria porque querer nos prejudicar, se o interesse em lucrar era todo dele.

— Você acha que fiz mal em propor a compra? De toda forma ofereci pagar com meu dinheiro, mas Edward é tão teimoso que não quis qualquer tipo de acordo.

— É claro que não Bella, graças a sua interferência àquela égua foi salva. E deixe de invenção, Edward já me alertou dessa sua insistência boba em querer nos pagar. Tudo está bem, o contrato é legitimo, a égua foi salva e agora faz parte do ciclo equino da Silver Horse, assunto encerrado.

— Tem horas que vocês ficam iguaizinhos. Teimosos feito mulas.

— Como se não fosse tão marrenta quanto nós. Mas esqueça isso. A égua é um bom adendo, as coisas que aconteceram hoje, no entanto...

— Como vai o processo de secagem? Conseguirão recuperar tudo?

— Tudo não, isso infelizmente é impossível. Mas os agentes da empresa estão otimistas, como diagnosticamos rápido a questão, é possível que no fim o prejuízo não seja tão grande. Nossas maiores preocupações são com as exportações, se conseguirmos mantê-las com o mínimo de atraso, o resto poderá ser recuperado na próxima saca.

Assenti e ficamos em silêncio por um momento.

Esme anunciou que continuará dando andamento do jantar, Rose e eu nos oferecemos para ajudar, porém não passamos mais que cinco minutos na cozinha até ouvir as vozes de Edward e Emmett indicando sua presença na casa.

E pela alteração do tom, a conversa não está sendo boa, sendo assim voltamos à sala a tempo de vê-los entrar.

— Edward, tente ser razoável.

— Emmett, já está comprovado que foi sabotagem, a questão é descobrir quem e o porquê. Agora diga, existem outras pessoas que querem nos prejudicar?

— Do que estão falando? – Carlisle questionou.

— A equipe que fez a secagem disse que pela forma que os grãos estavam, a deterioração não pode ter sido causada apenas pelo tempo ou somente por uma diferenciação na umidade do ar no local. Sendo que fizemos a vistoria na terça-feira, então algo assim, ainda mais feito em tão pouco tempo, só pode ter sido premeditado, ou seja, alguém fez isso de caso pensado para nos prejudicar. – Edward respondeu.

— Meu filho, isso é algo sério.

— Eu sei mamãe, mas descobrirei quem fez isso, não tenha dúvida. Na verdade não preciso descobrir, somente preciso pegar o pescoço do infeliz e torcer, ai encontrarei paz de novo.

— Edward, você tem ideia de quem pode ter feito isso?

— Quem mais poderia ser pai? É o que estava falando com Emmett. Quem são os únicos que declaradamente têm algo contra nós e sempre tentam nos prejudicar?

— Você está achando que os Black planejaram isso? – Rose perguntou.

— Você tem outras pessoas em mente? Porque eu não.

— Edward, perdão por me intrometer, mas essa é uma acusação séria, você tem alguma prova? – Aro se pronunciou.

— Boa noite Aro, não o tinha visto ainda. Mas respondendo, provas concretas não tenho, porém sei que foram eles.

— Edward, espera um pouco. Vamos analisar a história como um todo. Pode ser que os Black tenham armado contra nós? Sim. Mas antes de tudo temos que nos atentar como a sabotagem aconteceu. Pensando na possibilidade de serem eles, terão usado seus próprios homens ou alguém daqui terá nos traído?

Rose soltou a bomba e a cada instante essa história só piora.

— Por Deus, não. – Esme se pronunciou. – Não acredito que alguém daqui seria capaz de nos trair, a troco de que? Dinheiro? Não, nessa possibilidade não posso acreditar.

— Querida, infelizmente Rose tem razão. Algo assim precisa ser analisado, apesar de ter o mesmo sentimento que você, pois confio em nossos funcionários, alguém com acesso e conhecimento da fazenda precisa ter feito isso. Mas vamos pensar que não partiu de alguém daqui, sendo assim a possibilidade dos Black serem os responsáveis realmente começa a parecer mais crível.

— Eu estou falando pai. Vamos parar de conversa e ir logo até a fazenda daqueles cretinos tirar satisfações.

— Você está certo Edward. O melhor a fazer no momento é ir até lá.

— Carlisle!

— Calma Esme, não vamos procurando briga, apenas conversaremos, contaremos o que aconteceu e avaliaremos sua reação diante do fato. Conhecemos os Black e a animosidade deles para conosco ao longo dos anos. Por isso não podemos descartar a ideia de que podem sim ser responsáveis por isso sem investigar mais.

— Como advogado me ofereço para acompanhar a visita Carlisle, assim entenderão que tudo não passa de uma conversa sobre negócios e dependendo do que aconteça, posso abrir um inquérito caso queiram.

— Obrigado Aro, aceito a companhia. Sendo assim Edward, Aro e eu iremos até a Black Horse. Emmett, você pode ficar aqui até voltarmos?

Fiquei quieta até esse momento, esperando a hora certa de me pronunciar.

— Eu também vou.

— Bella?

— Perdão Carlisle, mas acredito fielmente que essa questão tenha relação comigo também, então me sinto no direito de ir.

— Por que acha isso senhorita? – O senhor Volturi perguntou.

— Porque quando cheguei a Silver Horse participei de um desentendimento com o mais novo dos Black, todos ficaram preocupados que algo acontecesse comigo, mas até o presente momento nada passou. Porém ontem voltamos a nos enfrentar e a questão toda ruminou na compra de uma égua, após claramente desafiá-lo em sua autoridade. Ficou claro que eles se abasteceram de lucro, mas não creio que para homens do tipo de Jacob Black exista algo mais importante que o ego. E agora ele resolveu agir, não prejudicando apenas a mim, mas a Silver Horse como um todo.

Terminei de falar e vi todos assimilando minhas palavras, no entanto, Rose foi a primeira a se pronunciar.

— Você acha mesmo que eles ou Jacob que seja, possam ter feito isso por conta do que houve entre vocês?

— Você não? Vocês mesmo me alertaram inúmeras vezes que ele podia fazer algo para me atingir, além da animosidade existente entre ambas as famílias. Estou aqui há quase um mês e até agora nada? Então ontem tudo aquilo acontece e hoje descobrimos a sabotagem? Se não passaram esse tempo planejando tudo, então quem foi e por quê?

— Querida, tudo que está dizendo pode ser verdade, mas caso sejam os responsáveis, não quero que se culpe pelo que houve. – Esme falou alisando minha mão em conforto. – A única culpa que deve ser atribuída é a moral deles, não a você, entendeu?

— Obrigada Esme, mas realmente quero ir a essa reunião. Mesmo que não sejam eles os responsáveis ou a questão não tenha nada a ver comigo, ainda preciso trocar algumas palavras com Jacob.

Carlisle trocou olhares com Edward, que após desviar o mesmo do pai passou a minha direção.

— Tudo bem Bella, você pode vir conosco. Agora vamos que já perdemos tempo demais discutindo aqui quando deveríamos estar lá.

— Certo, vou pegar o carro.

— O acompanho Carlisle.

O senhor Volturi e Carlisle saíram da sala.

— Emm, mantenho o que papai disse, fique aqui com minha mãe e Rose, sim?

— É claro Edward, boa sorte e tente não matar Jacob, no dia da execução do cachorro quero poder assistir de camarote. – Brincou e os dois riram.

— Emmett, não diga essas coisas. E vocês dois cuidem-se.

Esme deu um beijo na minha bochecha e fez Edward se abaixar para fazer o mesmo com ele, sorri com o ato.

— Pode deixar mamãe, daqui a pouco estaremos de volta. Vamos Bella?

Assenti o seguindo. Dei tchau a Rose e Emm, e sai.

Da varanda vimos à caminhonete de Carlisle estacionar. Edward desceu os degraus já subindo na caçamba.

— Bella, o carro não tem cabine dupla, mas você ainda pode ir conosco aqui na frente.

— Não se preocupe Carlisle, não me importo de ir atrás com Edward.

Ao ouvir o que falei o Cullen mais novo estendeu a mão e me ajudou a subir, ao nos acomodarmos indicou para o pai prosseguir.

— Você não consegue ficar um minuto longe de mim, não é?

— Ah, Cowboy. Você é muito iludido. Não quis ir à frente, pois imagino que seu pai e o senhor Volturi conversarão sobre assuntos que não me dizem respeito, além do que, não queria ir ao lado de alguém que acabei de conhecer, sendo assim vir aqui com você foi minha única alternativa.

— Você tenta disfarçar, mas sei que minha companhia é o que mais lhe agrada.

— Se quer pensar assim. – Dei de ombros.

Ficamos em silêncio por uns instantes, até ele voltar a falar.

— Perdão por ter sido grosso com você de manhã.

— Edward, não foi nada, já até esqueci. Você estava estressado e com razão.

— Mas sei que você só estava querendo ajudar e o fez cuidando de tudo sozinha hoje. Obrigado.

— Também não precisa agradecer, afinal, ouvi por ai que agora faço parte do Clã Cullen, portanto, não fiz mais que minha obrigação como membra honorária. – Ele riu e o acompanhei. – Mas e como foram as coisas? Vocês conseguirão entregar os pedidos?

— Será apertado e não dentro do prazo, mas conseguiremos sim. Porém a Silver Horse ficará sem estoque para uso interno, vamos ver como as coisas ficarão no decorrer do próximo mês.

— Tenho certeza que tudo dará certo.

Sem perceber peguei sua mão e apertei em sinal de apoio. Ele retribuiu o gesto e depois começou a brincar com meus dedos, deixando assim nossas mãos entrelaçadas.

— Já falei isso uma vez, mas não canso de admirar o céu daqui, seja de dia ou de noite. É simplesmente espetacular.

— É realmente muito bonito. Por isso preciso descobrir quem fez isso, não posso nem pensar na possibilidade de algo ainda mais sério acontecer à fazenda, pensar em perdê-la e perder isso aqui.

E não vai. Vamos descobrir quem fez isso, os Black ou quem for. Nada acontecerá a fazenda. Do contrário, onde passarei meus próximos verões?

Brinquei e ele sorriu concordando.

— Exatamente. Precisamos estar aqui para receber nossa ilustre garota californiana.

— É isso ai Cowboy.

Nesse momento Carlisle parou o carro e o vimos conversar com um funcionário da Black Horse, esperamos por um momento, creio que o mesmo esteja solicitando nossa permissão para entrar e com uma afirmativa passamos.

Quando o carro se aproximou da casa, que é menor e menos convidativa que a dos Cullen, vi Jacob e um homem que supus ser seu pai, parados em frente.

Carlisle parou o carro, Edward desceu e me ajudou a fazê-lo também.

— O que veio fazer aqui Carlisle?

— Vim porque precisamos conversar Billy. Serei breve e direto. Vocês por acaso têm algo a ver com a sabotagem na nossa produção de milho?

— O que? Ficou louco? Do que está falando?

— Se o senhor não sabe seu filho com certeza sim. Vamos Jacob, diga logo que planejou tudo. – Edward se pronunciou.

— Não tenho a mínima ideia do que está falando Cullen. E pouco me importo com a produção de milho, minhoca ou sei lá o que, que dizem ter naquela fazenda.

— Não me provoque seu imbecil.

— Alto lá rapaz. Vocês vieram a nossa casa nos acusar de algo que não fizemos e ainda acham que podem nos ofender? Não sei como as coisas rolam do lado de lá, mas aqui tratamos visitas indesejadas colocando-as do portão para fora.

— Calma senhor Black. Eu sou Aro Volturi, advogado dos Cullen e viemos aqui somente conversar. Vocês realmente não sabem que houve uma sabotagem nas sacas de milho da fazenda Silver Horse?

— Como poderíamos saber? Se aquela fazenda toda explodir, para nós tanto faz. – Jacob soltou. – Além do que, não produzimos esse tipo de coisa, nosso comércio trata de tabaco. Qual seria nossa vantagem em terem prejuízo no milho ou não?

— Porque é a cara de vocês fazer algo apenas para tentar nos prejudicar. Nunca conseguiram nos superar nos outros ramos, então agora podem querer tentar prejudicar o que não possuem.

Moleque, já falei para ver o que fala.

— Edward, já chega. Pois bem Billy se estão dizendo que não têm nada a ver com isso, melhor. Nossa visita fica apenas como aviso, alguém fez algo para nos prejudicar, portanto, é bom que fiquem atentos porque pode acontecer algo na fazenda de vocês também.

— Isso é uma ameaça Carlisle?

— É claro que não, estou apenas comentando um fato. Nossas fazendas são vizinhas, se estivermos na mira de alguém, vocês também podem estar.

— Era só o que faltava, por culpa de vocês, sermos prejudicamos também. Vocês realmente não servem para nada Cullen. Agora quero entender o porque da sua vinda Swan, finalmente decidiu aceitar minha proposta?

— Ah, seu cachorro sarnento...

Segurei no braço de Edward impedindo-o de avançar em Jacob.

— Escute Black, talvez sua memória seja falha, mas lembre-se do que disse na primeira vez que nos vimos. Se me faltar com o respeito irei até a delegacia denunciá-lo e não precisarei de muito já que hoje temos até um advogado presente.

— Fica tranquila Swan, não falei nada demais. Se não está aqui por àquele motivo, veio por que então?

— Vocês juram não ter nada a ver com o que aconteceu na Silver Horse, será verdade mesmo? Talvez tenha armado um plano por puro despeito para prejudicá-los, ainda mais depois de ontem.

— O que tem ontem? Se refere à compra da égua? Swan acorde, o único que saiu no lucro fui eu. O cheque que o Cullen deu será muito bem usado nesse fim de semana, o que mais poderia querer? Falando nisso a égua já partiu?

Cerrei os dentes ao ouvi-lo falar dessa forma, porém mesmo assim respondi.

— Não, como disse, ela não precisava ser sacrificada, nós a tratamos e ela ficará muito bem a partir de agora. Mas esse é o motivo da minha vinda, para falar que a égua estava com encefalite equina, então é bom que examinem seus cavalos para ver se mais nenhum está infectado. Se o vírus tiver surgido a pouco os sintomas ainda não se manifestarão, mas é bom prevenir. Ou o dinheiro que tanto está glorificando em ter ganhado, servirá apenas para cuidar dos tratamentos médicos futuros, porque não acredito que seja seu desejo perder toda criação equina.

— Você é Isabella Swan, estou certo? – O senhor Black perguntou.

— Sim e o senhor é Billy Black presumo.

— Exato, meu filho me contou sobre você, mas não tivemos o prazer de nos conhecer antes.

— Não sei se prazer seja a palavra certa para esse encontro, mas aqui estamos.

— Pois bem. Agradeço pelo aviso, tomaremos as devidas providências e gostaria de deixar claro que as portas da Black Horse estão abertas para o caso de querer vir trabalhar conosco.

— Acreditarei que o convite seja sincero, porém não estou trabalhando na Silver Horse e sim estagiando através de um projeto em consenso com a universidade que estudo. Porém quero deixar claro que mesmo que fosse uma funcionária dos Cullen, não os trocaria por ninguém no mundo, pois lá convivo com pessoas que admiro, respeito e estimo, coisa que não acontece aqui, ao menos não com todos os moradores.

— É uma pena, mas o convite está feito. Agora imagino que a visita já acabou. Acredite Carlisle, não sabíamos sobre o que houve com vocês e tão pouco temos algo a ver com o ocorrido. Mas ficarei atento para o caso de saber de algo.

— Muito bem Billy, esperamos que nada mais aconteça conosco, tão pouco com vocês. Obrigado por nos receber, tenham uma boa noite.

Carlisle virou para entrar no carro enquanto Aro o acompanhou.

Edward de cara fechada subiu na caminhonete, estendi a mão para acompanhá-lo, quando lembrei.

— Jacob, você não disse qual o nome da égua.

— Nome? Que nome? Ela não tem nome algum.

— Não posso acreditar. Que tipo de pessoa não nomeia um animal?

— Cavalos não são animaizinhos de estimação, são animais para o trabalho. Por que perderia tempo com essas frivolidades?

— Você é um homem detestável Jacob Black.

— Até a próxima Swan. Nos reencontramos em breve.

— Só nos seus sonhos Black. Fique longe da Bella ou se verá comigo.

— Tchauzinho Cullen.

Subi na caminhonete e Carlisle partiu.

Edward e eu não trocamos qualquer palavra até sair da fazenda.

— Você acha que eles falaram a verdade? – Questionou.

— Pior que acho sim. – Ouvi um bufo e virei. – Não adianta fazer cara feia, escute. Você os conhece melhor do que eu, mas pelo pouco que vi, especialmente ao que se refere a Jacob, ele é o tipo de pessoa que se glorifica dos feitos. A obsessão em falar do dinheiro que ganhou. O desprezo com que se referiu aos cavalos. Acredito que se tivesse por trás do que houve, por mais que mentisse, não conseguiria esconder a satisfação de tal feito. Ao menos é o que acho.

— Você tem razão e isso me preocupa ainda mais. Porque se não foram eles, então quem mais pode ter feito isso? Quem é esse alguém desconhecido que quer nos prejudicar?

Fiquei em silêncio porque realmente não sei o que responder.

Só espero que o responsável seja descoberto antes que algo mais grave aconteça...

A sexta-feira começou com um clima agridoce, os dois dias anteriores foram tão atribulados que todos parecem estar em constante atenção mediante a tudo.

Cuidei dos meus afazeres como sempre, mas também me sinto do mesmo jeito, querendo apenas que o dia passe sem que qualquer discussão, clima ruim ou tragédia.

Na hora do almoço Esme levantou um pouco o astral ao anunciar formalmente que no domingo haverá uma reunião entre as famílias Cullen e McCarty. Edward continuou com a implicância de brincadeira, mas sei que ele está verdadeiramente feliz por Rose e Emm, assim como eu.

Ainda não posso acreditar que os dois estão realmente juntos.

Por conta da loucura que foi a semana, Rose e eu não tivemos tempo para realmente conversar desde que voltamos de Nashville, mas não preciso de palavras para constatar o óbvio.

Que eles nasceram um para o outro e que estão mais do que felizes em finalmente poder viver o sentimento sem medo.

A cena que presenciamos no hotel àquela noite ainda está viva em minha mente, os olhos deles brilhando no momento da declaração e amores assim precisam ser vividos, então estou muito contente por ver o deles se desenvolver.

— Você não concorda comigo menina?

Estou tendo os pensamentos enquanto trato da égua, ainda sem nome.

— Concorda, pois sabe que todos precisam de um amor. Será que aqui encontrará um garanhão para chamar de seu?

— Quem encontrará um ganharão?

— Edward, que susto.

Ele apareceu do nada próximo à baia, quase me matando do coração.

— Desculpe, não tive a intenção, mas não fuja da pergunta, quem terá um garanhão?

— Uma égua, quem mais seria? Eu?

— Pode ser, mas com um tipo diferente de garanhão.

Moveu as sobrancelhas e não contive um riso.

— Não. Estava pensando alto e conversando com a égua. Todos já foram?

— Sim.

Quando cheguei os homens estavam ajeitando as coisas no estábulo, mas como após cuidar de Snow vim olhar a outra égua, não é de se admirar que todos já tenham ido embora.

— E como ela está?

Se aproximou fazendo carinho em sua crina.

— Bem, se recuperando.

— Que bom, logo ela sairá da quarentena e poderá se juntar aos outros cavalos para ir à busca do seu garanhão. Quantos anos ela tem mesmo?

— Por volta de sete. Como Jacob disse, ela já até pariu um potro, pena que o mesmo nasceu morto, então é provável que demore um tempo para se readaptar, mas o importante é que ao fazê-lo estará 100% saudável. Não é menina? – Fiz carinho também. – Ai Edward, me ajude. Não posso continuar tratando-a apenas por menina ou a égua. Ela precisa de um nome.

— É verdade, mas que nome podemos escolher? Tem que ser algo que combine com suas características físicas ou personalidade.

A égua é marrom manchada, da raça Morgan, porém sei não é por isso que devo escolher um nome como chocolate, ri sozinha.

— Hey, o que pensou?

— Você não vai querer ouvir.

— Agora estou curioso, você terá que falar.

Sabendo que tentar negar é uma luta perdida, falei.

— Observando sua cor me veio em mente algo como chocolate, mas antes que ria, a ideia foi descartada imediatamente.

— Ainda bem, você e seus nomes baseados na pelugem. – Frisei os olhos em sua direção. – Deixe que pense em algo.

Ficamos em silêncio, aproveitei para continuar trocando a bolsa de soro e finalizar os procedimentos.

— Já sei o nome perfeito.

— Diga Senhor, acho que escolho os melhores nomes para cavalos.

— Nesse caso não acho, sei que escolho, mas esse até você vai gostar.

— Fale logo.

Hope. Pois desde que a conheceu você teve esperanças que podia ajudá-la e assim o fez. Ela é a prova viva que não devemos desistir do que queremos. Então é uma verdadeira Hope.

— Caramba Edward, é lindo, realmente amei. Ok, dessa vez tenho que dar o braço a torcer. Você merece o título de melhor nomeador de cavalos da Silver Horse. Hope. Está ouvindo Hope? Esse é seu nome agora e você é mais do que digna dele.

Fiquei mexendo com a égua e repetindo o nome para que se acostume ao mesmo.

— Fico feliz que gostou. E mais feliz ainda pelo reconhecimento.

— Dessa vez você fez por merecer. Assim como no dia que me ajudou a conquistá-la, não deixarei de ser grata, se Hope está aqui bem e viva. Você tem muito mérito também.

— Que é isso Bella, você fez tudo. Não só escolhendo comprá-la, como tratando-a tão bem.

— É, mas ainda me preocupo com o que minha atitude possa acarretar.

— O que quer dizer?

— Falo sobre Jacob. Apesar de dizer que não acho que seja o responsável pela fralde, não tenho certeza de que não tentará mais nada. E isso pode vir a prejudicar vocês.

Edward se aproximou tomando meu rosto em suas mãos.

— Hey, não pense nisso. Vou relembrar o que minha mãe disse ontem. Não se sinta culpada caso os Black sejam realmente os responsáveis pela sabotagem.

— Nem vem, não tem como.

Tentei argumentar, mas ele me interrompeu.

— Eu quem tenho que me preocupar caso algo te aconteça. Você está em nossa casa, sob nossa proteção, se Jacob fizer algo contra você, será porque de alguma forma nós deixamos que se aproximasse.

— Para Edward. Eu sou responsável pelas minhas ações. O que houve entre nós é por minha culpa, portanto, qualquer coisa que ele faça, tem que ser dirigido apenas a mim e não a vocês.

Chega. Para. Não quero mais te ouvir dizendo isso. Não posso nem imaginar algo de mal te acontecendo!

O que disse...

A intensidade com que falou.

A proximidade de nossos corpos.

O constante clima que parece nos perseguir.

Creio que a junção de tudo isso acarretou em nossa próxima ação.

Suas mãos acariciaram meu rosto, fechei os olhos deleitada com o toque e então senti seus lábios tocando os meus.

Primeiro um leve roçar, porém quando os entreabri, pude sentir seu hálito doce de perto e não resisti mais, grudei minha boca na sua com fome, com saudade e com vontade de encontrar o algo mais que vem me assolando há dias.

Assim toda delicadeza de antes foi esquecida, passei meus braços por suas costas, infiltrando as mãos por dentro de sua camisa, enquanto ele esticou uma mão envolvendo meu pescoço e a outra desceu para minha cintura puxando-me para si e amolecendo minhas pernas no processo.

No dia que pensei que Edward não merecia o primeiro lugar como melhor beijo, estava errada, ele com certeza merece e isso me deixa maluca, pois ao mesmo tempo em que só quero provar mais e mais, também tenho medo de onde essas sensações podem me levar, mas nesse instante resolvi esquecer tudo e apenas me entregar.

Sua língua ao encontrar com a minha tornou tudo ainda melhor. A batalha do beijo travando-se de forma mútua. Em um momento estou sugando sua língua para a minha e no seguinte ele que me envolve consigo.

Nossos lábios movem-se de forma semelhante, sendo assim sabemos o momento certo de aumentar e diminuir a intensidade do beijo, de puxar e ceder, de dar e receber...

Pegando-me de surpresa interrompeu o beijo e antes de poder protestar, senti seus lábios no meu pescoço.

E porra!

Eu gemi!

Alto!

Sorte que estamos sozinhos no estábulo, mas não duvido que mesmo longe as pessoas possam ouvir.

Isso foi golpe baixo, sua boca sorveu minha pele arrepiando todo meu corpo e fazendo com que torça as pernas procurando contrair certa parte abaixo da cintura...

Apesar de estar amando as carícias na região, ainda não aproveitei o bastante da sua boca na minha, então o puxei de volta e se possível o novo beijo está ainda melhor.

Sério mesmo universo?

Tenho como ficar ainda mais inebriada por esse homem?

Não parecendo ter total controle sobre meu corpo, arrastei as mãos em suas costas e nesse momento foi sua vez de gemer entre meus lábios, porra como foi sexy.

Edward caminhou conosco e só entendi o que pretendia quando senti meu corpo encostar a cerca da baia, mas esse foi nosso erro, pois com o impacto acabamos assustando Hope que relinchou, nos assustando também e quebrando todo o momento.

Soltamo-nos e imediatamente virei para a égua procurando acalmá-la.

— Hey menina, está tudo bem, não precisa se alarmar.

— Acho melhor irmos embora para deixá-la descansar.

Edward comentou e assenti.

Saímos de perto da Hope caminhando para onde os outros cavalos estão. Nos despedimos de Snow e Storm e deixamos o estábulo.

Edward o fechou e ao ficarmos sozinhos novamente não soube bem como me portar ou o que dizer, mas para meu alívio Edward puxou assunto.

— Não precisamos conversar sobre o que houve se não quiser, podemos tratar como outro momento isolado. Não é o primeiro que acontece mesmo.

— Uma hora teremos que parar de deixá-los acontecer ou começar a conversar sobre antes que aconteça de novo.

— Uma hora decidimos, mas agora tem algo que quero te dizer.

— Pode falar.

Começamos a caminhar em direção a casa.

— Quando disse que não deve se sentir culpada pela situação das safras, não estava apenas querendo ser gentil, mas também atestando um fato, pois não é a primeira vez que algo assim acontece na fazenda.

— O que? Como assim? – Questionei realmente confusa.

— Há um tempo, pouco antes de você chegar, tivemos problemas de pragas em uma das plantações, não foi nada tão sério e conseguimos remediar os danos rapidamente. Ontem no meio da confusão toda não consegui raciocinar, mas hoje lembrei disso e comecei a prestar atenção, essa sabotagem não foi algo isolado e tão pouco começou agora. Podem ser os Black ou não, ainda não sei, mas acredito que alguém esteja tentando prejudicar de alguma forma a Silver Horse, porém isso tem haver conosco e não com sua vinda.

— Edward, isso é algo sério, vocês precisam tomar providências, comunicar a polícia, intensificar a vigilância, não sei. Talvez Rose tenha razão, é possível que alguém que trabalhe aqui possa ser responsável por isso ou ao menos estar ajudando.

— Sei disso, comunicaremos a polícia, mas não acredito que possam fazer algo. Quem armou isso fez tudo muito bem para não deixar rastros, nos resta agora investigar por conta própria e tentar descobrir quem pode estar por trás desses feitos. Mas não se preocupe, não deixarei que nada de mal te aconteça. Você é parte da família agora e está segura conosco.

— Eu sei disso Edward, mas minha preocupação não é comigo mesma e sim com vocês e a fazenda como um todo. Por enquanto, as situações aconteceram com questões possíveis de remediação. Mas e se essa pessoa tentar algo contra os animais de uma próxima vez? Não gosto nem de pensar nisso.

Meu corpo estremeceu e notei que já chegamos a casa.

— Tão pouco gosto de pensar nisso. Se algo acontecer com qualquer animal da fazenda não sei nem o que sou capaz de fazer com o infeliz que estiver por trás disso.

Parecendo saber que precisamos de um alívio em meio ao clima tenso, Gus veio correndo e latindo em nossa direção.

— Oi garoto, que saudades de você. – Falei assim que o vi.

— Veio dar boa noite ao papai? Ou apenas está interessado que vá lhe dar comida?

— Não fale assim, é claro que ele veio nos ver. Na verdade me ver, a você não tenho tanta certeza, não é Gus?

Fiz carinho entre suas orelhas e ele latiu balançando o rabo.

Olhei de lado para Edward que não se deixou abater e deu um assovio chamando a atenção do cachorro que logo foi receber os carinhos de seu legítimo dono, o mesmo me dirigiu um sorriso torto.

— Ok, ele veio ver nós dois.

— Ainda bem que notou ou posso fazê-la perder os direitos de posse caso não saiba dividir a guarda.

— Há! Só nos seus sonhos que pode intervir na relação que Gus e eu temos. Acredito até que quando for embora poderia levá-lo comigo. Você gostaria Gus de conhecer a Califórnia? – Ele latiu. – Viu? Isso foi um sim.

— Isso foi um. Deixe de ser louca mulher, que minha casa é aqui no Tennessee, em Collierville, especificamente na Silver Horse.

— E ele disse tudo isso com apenas um latido?

— Sim, conheço os latidos dele.

Gus continua a nos olhar balançando o rabo com a língua para fora parecendo achar graça da nossa disputa boba e acredito que talvez esteja mesmo.

Brincamos mais um tempo até sermos interrompidos pela chegada de Esme.

— Ah, que bom que chegaram. Bella, sua mãe ligou aqui em casa procurando por você. Ela disse que tentou no celular, mas como não atendeu achou melhor ligar aqui para saber notícias, informei que ainda estava no trabalho, mas que ligaria assim que chegasse.

— Obrigada Esme, vou ligar agora mesmo. Mamãe é exagerada, ligar aqui me procurando como se não soubesse onde estou.

— Não tem problema querida, como mãe consigo entendê-la perfeitamente. Agora com licença.

Ela entrou de novo.

— Tchau menino, nos vemos amanhã, sim?

— Você já percebeu que sempre foge na hora de cuidar das coisas dele?

— Não estou fugindo e você não é o dono preferido? Pode assumir essas funções sem minha ajuda. Agora me deixe entrar que preciso ligar para minha mãe. Até mais tarde.

Me despedi de Edward também seguindo para dentro da casa, caminhei direto até meu quarto e ao entrar peguei meu celular vendo as chamadas perdidas da mamãe, cliquei para iniciar a ligação, ela atendeu no segundo toque.

— Bella, finalmente. Já estava ficando preocupada.

— Mãe. Eu estava terminando minhas coisas na fazenda, mas agora já estou aqui. Aconteceu alguma coisa?

— Não, só estava com saudades, queria ouvir sua voz.

— Também estou com saudades mamãe. Suas e do papai.

— Sim, ele está te mandando um beijo.

— Outro para ele.

— Já mandei, mas agora me conte. O que tem acontecido por ai?

Me aproximei da janela e vendo a noite cobrir o céu, relatei a ela sobre a compra de Hope, não contei sobre a discussão com Jacob, não preciso preocupá-los com isso, disse apenas que a Silver Horse adquiriu uma égua nova e que precisei tratar da mesma.

Falei do nome que Edward escolheu e ela também achou muito fofo. Não quis comentar sobre a questão da sabotagem, porque não acho que devo ficar espalhando uma história que não é minha, em conceito falei apenas que a fazenda passou por um dia difícil, mas que agora já está tudo bem.

Conversamos mais sobre como estão às coisas em casa e o que eles têm feito no verão.

— Ah querida, não é a mesma coisa sem você. Seu verão está sendo repleto de novas experiências, mas o nosso está tão paradinho.

— Você e papai deviam pensar em fazer algo diferente também, quem sabe viajar?

— Pode ser, pensaremos sobre. Mas tenho que confessar que não vejo a hora de revê-la. Quando você voltar passaremos o fim de semana contigo lá em Palo Alto.

— Vou adorar mamãe.

— Você está gostando da sua experiência ai na fazenda, não é?

— Muito mamãe, nunca pensei que viveria algo assim. Esse verão terá um lugar especial no meu coração quando chegar ao fim.

— Que bom filha. Mas agora desligarei para que possa ir se cuidar. Conversamos mais depois, te amo.

— Também te amo mamãe, beijos.

— Beijos.

Encerrei a chamada deixando o celular na cama.

Virei novamente para a janela contemplando o maravilhoso céu de Collierville e comecei a refletir sobre as questões da minha vida.

Tem um mês que cheguei e tanta coisa já aconteceu que sinceramente parece mais tempo, porém também começo a pensar que agora só tenho mais dois meses aqui e realmente não sei como será quando o dia de ir embora chegar, se estarei pronta para me despedir de tudo isso.

Enquanto reflito sobre esses aspectos, observei Edward interagindo com Gus lá fora.

Meu Deus.

Não acredito que beijei Edward de novo!

O que está acontecendo comigo?

Na hora pareço saber bem o que estou fazendo, mas o depois é sempre o problema.

Eu gosto dele?

Se for no âmbito geral das coisas posso afirmar que sim, porém também gosto de todos aqui na fazenda e até hoje não sai beijando ninguém...

Mas com Edward as coisas são simplesmente diferentes...

Quem poderia imaginar que estaríamos passando por uma situação assim há um mês quando nos conhecemos? Faltamos nos matar a primeira vista. E agora...

Agora estar em sua presença trás sentimentos bem diferentes dos do início. Ainda não tenho certeza do que realmente significam, só espero poder entendê-los antes de partir.

Afastei-me da janela começando a arrumar as coisas para tomar banho.

Refletindo conclui o quanto essa fazenda, as pessoas que nela vivem e também seus animais, entraram no meu coração de tal forma que será realmente difícil me desapegar de tudo quando chegar o momento.

Pergunto-me também que outras situações estão em meu caminho nesses dois meses que restam.

Espero apenas que sejam as mais memoráveis possíveis...

CONTINUA.

Notas finais
N/A: E ai meninas vocês acreditam na “inocência” dos Black? Têm outros suspeitos em vista? O que acham que ainda pode acontecer? Dessa vez eles conseguiram remediar a situação quase que completamente. O que foi bom, mas agora têm que ficar mais atentos com tudo, não acham? E gostaram de Beward conversando a caminho a da fazenda dos Black? Só eu sinto um clima no ar ou vocês também? Haha. E em meio ao batismo da égua houve também um novo momento de enlace dos dois, acham que eles começarão a conversar antes de se enrolar de novo ou continuarão do jeito que estão – ação primeiro, nada de conversa depois – haha. Com isso o primeiro mês da Bella passou e quero saber o que esperam para os dois restantes da nossa menina nas terras da Silver Horse. Comentem, recomendem, não deixem de interagir. Sigam-me no twitter: @KNRobsten. E fiquem atentas ao meu perfil, pois amanhã (30/01), postarei uma nova one e desde já deixo o convite para conhecê-la. É isso, espero vê-las pelos comentários e quarta que vem com o novo capítulo. ~Kiss K Nanda.