Notas iniciais
Boa Noite. Quartou com o maior capítulo de Promises até agora e ele está longo por um motivo, aguardem... Quero começar agradecendo as reviews, leitoras novas, especialmente a IasminDunaiski, que brindou Promises com mais uma recomendação, muito obrigada o capítulo de hoje é dedicado a você. E antes de deixá-las se deliciar, quero convidá-las para conhecer a mais nova one que postei semana passada, vão lá... Way To You: https://fanfiction.com.br/historia/786581/Way_To_You/ Apreciem Com Moderação... Capítulo Postado Em: 05/02/20

POV Edward

— Muito bem rapazes, só mais um pouquinho, ai está ótimo.

Gianna encerrou a coordenação de posicionamento de uma grande mesa de madeira nos fundos da casa.

— Até que enfim mamãe. Já estava para desistir.

— Seth, você cursa educação física e tem esses músculos todos para que? Somente para impressionar meninas?

— Basicamente.

O mais novo dos McCarty respondeu e rimos da reposta totalmente sincera.

— Menino... Andem, deixem de moleza, agora vão buscar os bancos e as cadeiras.

— Sim mamãe.

— Sim Gianna.

Respondemos ao mesmo tempo fazendo conforme pediu, deixando ao menos o lugar que o almoço será servido pronto.

Satisfeita com nosso trabalho, Gianna voltou para dentro da casa, em seguida Bella saiu com uma grande toalha para colocar na mesa.

— Bom dia meninos, como estão?

Saudou Alec e Seth assim que os viu.

— Tudo bem Bella e com você?

Alec respondeu ao cumprimentá-la com um beijo no rosto, o próximo foi Seth que ao repetir o gesto do irmão falou.

— Você nem preciso perguntar, já que continua linda como sempre. Quando me dará uma chance de conquistar seu coração, hein?

Bella sorriu e respondeu.

— Você já o fez tolinho. Todos aqui na Silver Horse têm um lugar no meu coração.

— Até mesmo Edward? – Emm perguntou.

— Sim, até mesmo Edward...

Trocamos olhares e não pude evitar sorrir ao ver seu sorriso.

— Pois seu coração é um lugar realmente muito bom para aceitar até o Edward nele.

— Ah, fica quieto Seth, trabalhe mais e fale menos. – Retruquei.

— Viu só? Mas não se preocupe Edward, todos sabem do que precisa. Veja só como Emm está sorridente, fazendo tudo sem reclamar de nada. Isso porque agora tem uma namorada, mas não qualquer moça, mas sim uma das mulheres mais lindas de Collierville. Um homem nessas condições não tem realmente do que reclamar. Agora você meu caro amigo, posso entender sua situação. – Se aproximou apoiando em meu ombro. – Claro que deve estar na seca a muito mais tempo do que eu, mas no contexto geral, entendo sua insatisfação.

Os meninos riram e percebi até Bella deixando escapar um risinho.

Ah, moleque. Vê se cresce. Enquanto está indo com o bezerro, já voltei com a boiada inteira. Tenho não só mais idade, como muito mais experiência que você, acorde.

— Uhum, acredito. Você vive enfurnado aqui nessa fazenda todos os dias da semana. Emm também era assim, mas ele foi esperto em se apaixonar por alguém que também vive aqui, assim fica fácil conviver. Agora você, com quem vai aproveitar?

Novamente meu olhar encontrou o de Bella, mas não querendo levantar suspeita, logo o desviei.

— Não que lhe deva alguma satisfação. Mas não fico as vistas de todos sempre. Além do que, possuo um cavalo, posso desbravar qualquer campo, perto ou longe e saciar meus desejos a hora que quiser.

— Eu tenho uma moto, também posso chegar onde qualquer moça está.

— Então você entende como as coisas são. – Pisquei.

— Ah, cara. Eu estava errado, você é realmente um garanhão.

Respondeu rindo e me dando um tapa nas costas. Não pude evitar rir também.

Além do mais, todo esse papo sobre ser ou não um garanhão me lembrou da última vez que ouvi algo semelhante, quando Bella estava tendo um tipo de assunto feminino com Hope, explicando a égua que ela poderá em breve conhecer um novo companheiro também.

E tudo que se sucedeu depois disso...

A escolha do nome, nossa conversa sobre as questões da fazenda, os pensamentos de Bella e minha aflição ao pensar em vê-la em perigo.

E por fim nosso beijo...

O mesmo aconteceu há apenas um dia e apesar de já parecer tempo demais, ainda consigo sentir completamente o gosto de seus lábios nos meus, a forma que seu corpo reagiu aos meus toques e como pareceu tão entregue a tudo, assim como eu.

Gostaria de saber onde as coisas teriam parado se não tivéssemos sido atrapalhados por Hope. Na verdade, na primeira vez que nos beijamos também fomos cortados por algo, naquele dia foi pela força do rio, dessa pela égua.

O que será o agente de dissolução da próxima vez? Ou melhor. E se não houver algo para nos parar na próxima vez? Seremos nós mesmos capazes de dar fim ao momento? Ou prosseguiremos para algo mais?

— Acho que preciso comprar uma moto ou um cavalo.

A voz de Alec resmungando me trouxe de volta ao momento presente.

O que internamente agradeci.

Não posso me deixar levar por esse tipo de pensamento, ao menos não agora na frente dos meus amigos e especialmente na presença de Bella.

— Sim, você precisa irmão.

— Ok, já deu desse assunto. Esqueceram a presença da Bella?

— Oh não, Emm. Não se preocupe. Deixe-os conversar, não me incomodo de ouvir como vocês pensam, acho até muito estimulante.

Respondeu nos deixando confusos.

Bella não é de mostrar apoio a esse tipo de papo. Vendo como ficamos, completou.

— É interessante ver como pensam, como se apoiam. E tirando Emm, vocês são solteiros, têm mesmo que investir em formas de conquistar as mulheres e se para isso contam com o auxílio de suas motos ou cavalos, porque não fazê-lo? Se estivesse na situação de vocês talvez fizesse mais o estilo de paquerar a cavalo ou a égua no meu caso, mas achei interessante tudo que ouvi. Agora vou entrar, até daqui a pouco meninos.

Ela saiu e os rapazes voltaram a conversar.

Eu, no entanto, fiquei martelando sobre sua fala, foi algum tipo de provocação?

Se sim, é uma provocação a meu favor ou contra? Pois cavalo ou a égua, foi nosso ponto de ligação na última sexta-feira, mas ela também pode querer dizer que assim como eu, pode usar sua égua para ir atrás de outras paqueras.

Que não é mulher de apenas esperar e sim correr atrás do que deseja...

Caramba!

Bella ainda me deixará maluco com essas coisas, além de nunca conversarmos efetivamente sobre os momentos que vivemos. Ela ainda vem com essas repostas enigmáticas, mulherzinha complicada viu.

Papai e Santiago apareceram logo depois e me vi envolto novamente as conversas gerais...

Hoje está sendo um bom dia, o almoço em comemoração ao namoro do Emm e Rose, que nada mais é do que um pretexto para reunir as duas famílias, foi muito orquestrado por todos e agora é o momento de desfrutar.

Não demorou muito para sermos intimados a ajudar a trazer as coisas, entre pratos, panelas e outros utensílios, nos revezamos para posicionar tudo sobre a mesa e começar o almoço.

Papai sentou a cabeceira esquerda da mesa, com mamãe ao seu lado esquerdo, seguidos por Rose, Emm e Seth. Na cabeceira direita ficou Santiago, com Gianna ao seu lado, então Alec, Bella e eu, fechando o ciclo à direita do papai.

As conversas se misturaram entre os mais diversos assuntos, intercalando entre pequenos diálogos ou traçando-os de modo geral.

Quase ao fim da refeição papai ergueu seu copo oferendo um brinde, imitamos o gesto, enquanto esperamos por suas palavras.

— Gostaria de dizer primeiramente que estou contente em estarmos reunidos novamente por conta de um motivo especial, há poucos dias comemoramos o aniversário de Edward e hoje a felicidade de Emm e Rose. Emmett, você sabe que sempre foi como um filho para nós, você ganhou esse posto de início pela amizade com Edward, depois por si mesmo e a importância que tem em nossas vidas e agora por conquistar também o coração da nossa filha, não poderia desejar companheiro melhor para ela. Não queremos nos apressar de forma alguma, vocês estão começando algo agora e têm todo o tempo do mundo. Mas digo que fazemos muito gosto dessa união e enquanto o brilho nos olhos da minha menina permanecer, vocês terão nossa benção e apoio.

— Obrigado Carlisle. Meus sentimentos por Rose me acompanham há anos, mas até pouco tempo, erroneamente pensava não ser merecedor dela por motivos tolos. Porém agora que estamos juntos, sabendo que conto com seu apoio e da Esme, não posso estar mais satisfeito. Eu amo Rose com todo meu coração e me empenharei para fazê-la feliz por todos os dias que permanecermos juntos.

Minha irmã se inclinou lhe dando um selinho, ouvi suspiros das mulheres, então Santiago tomou a palavra.

— Não temos muito mais a acrescentar. Porém não podemos deixar de expressar também nossa felicidade por vê-los juntos. Não poderíamos pedir nora melhor. Alec e Seth a partir de agora têm uma grande missão pela frente, encontrar alguém que se assemelhe em qualidades a Rose não será fácil, mas acredito ter criado meus filhos com os mesmos valores. Então quando meus caçulas vierem a se apaixonar também, suas prometidas serão moças integras, direitas, excelentes filhas e companheiras, assim como Rose. Obrigado querida por fazer nosso filho feliz, lhes desejamos as maiores alegrias com esse relacionamento.

— Eu que agradeço Santiago pelo filho maravilhoso que criaram. Assim como meus pais, o relacionamento de vocês também é uma inspiração para nós. Apesar de ainda estarmos iniciando nosso próprio caminho, desejo em meu coração que algum dia possamos ter em nossa história ao menos um pouco do que vocês têm. Eu amo o Emmett e estou realizada em poder viver isso com ele. Obrigada.

— Que assim seja querida. Um brinde a Rose e Emmett. – Papai falou.

A Rose e Emmett.

Brindamos comemorando efusivamente a relação.

Eles deram outro selinho e o almoço terminou e em meio ao clima descontraído característico do fim das refeições.

— Já que estamos comemorando o início de algo tão lindo quanto à relação da Rose e o Emm. Vocês se importariam em me contar como se conheceram?

Bella indicou meus pais, assim como Gianna e Santiago.

— De forma alguma, é algo que adoro relembrar. – Mamãe respondeu e iniciou o relato. – Eu não nasci aqui em Collierville, minha família era de um vilarejo vizinho, mas quando fiz 17 anos mudamos para cá, assim que conheci Carlisle, acredito que me apaixonei a primeira vista.

— Eu não tenho dúvidas. – Papai completou. – Você era apenas uma menina, porém me senti imediatamente impactado quando a vi, naquele momento soube que passaria o restante dos meus dias ao seu lado.

Eles deram as mãos e mesmo que não soubesse do imenso amor que compartilham a troca de olhares e os primeiros gestos falam muito também.

— Carlisle era famoso aqui na cidade, meu pai ficou preocupado com suas intenções quando começou a me procurar. Mas mesmo sendo novo, Carlisle sempre foi muito responsável. Logo foi até minha casa pedir formalmente permissão para namorarmos e foi questão de tempo para cassarmos. Literalmente só esperamos que concluísse o ensino médio, desde então não nos separamos mais. Ele quis que continuasse estudando, que seguisse a profissão de professora como sua mãe, é uma área linda que admiro muito, mas simplesmente sabia que meu lugar era aqui, ao seu lado, na fazenda, ajudando-o o máximo que conseguisse. Dois anos depois do casamento, Edward chegou, com mais cinco veio Rosalie e me senti completa, ao lado de um marido incrível e filhos maravilhosos. Durante muitos anos continuei ajudando Carlisle com a lida da fazenda, porém com o crescimento das crianças fui me adaptando mais as questões da casa, porém digo com total tranquilidade que não me arrependo de nada, a felicidade que carrego comigo, não trocaria por nada no mundo.

— Não tenho dúvidas disso Esme, desde que os conheci consigo enxergar a força do amor que compartilham, é algo que se nota a quilômetros. E que transparece não só aos dois, como aos seus filhos. Estar aqui, acolhida por vocês nesses dias têm sido algo muito especial, realmente agradeço muito a oportunidade.

— O prazer é nosso, não esperávamos nos apegar tanto a pessoa que habitaria nossa casa nesse tempo, mas você é uma mulher realmente espetacular Bella, é impossível conviver com você e não se encantar também.

Mamãe e Bella sorriram, então ela prosseguiu falando com Santiago e Gianna.

— Agora quero saber a história de vocês, como se conheceram e como vieram parar aqui na Silver Horse.

— Nossa história é bem mais simples, crescemos como vizinhos, porém desde cedo sabíamos do interesse dos nossos pais em nos ver juntos. Quando nova confesso que não me animava muito à ideia de me ver casada com Santiago, mas chegou um dia que acordei, olhei para ele e simplesmente entendi que sim, nossos pais tinham razão, não poderia querer qualquer outro homem ao meu lado, como marido e pai dos meus filhos.

— Os meninos tentam negar seu interesse por meninas quando crianças, eu não era diferente. Na frente de todos dizia não gostar quando nossos pais falavam de nos ver juntos, mas internamente sempre gostei de Gianna e esperava ansioso pelo dia que ficaríamos juntos. Quando ela finalmente retribuiu meus sentimentos foi um dos momentos mais felizes da minha vida, que só se seguiu a outros, como nosso casamento e o nascimento dos meninos. Mas também não somos daqui, assim que casamos, Gianna engravidou e recebi a proposta para vir trabalhar na Silver Horse, era a oportunidade de procurar algo nosso, então decidimos vir e estamos aqui desde então.

— Sim, quando cheguei e conheci Esme nos tornamos amigas na hora, sentíamos que nossos filhos poderiam ser amigos também, só não sabíamos o quanto.

Nosso gêmeos de barrigas diferentes. Era o que falávamos quando víamos Edward e Emm interagindo.

Mamãe completou, enquanto Emm e eu sorrimos.

— Então depois que Emm nasceu comecei a trabalhar na fazenda também e apesar da vontade de ter mais um filho quisemos nos estabilizar primeiro, ter condições de dar o melhor a eles. Então com a ajuda de Carlisle para construir nossa casa aqui mesmo nas terras da Silver Horse, pensamos que seria uma boa hora para tentar mais um. Assim veio Alec, apesar da diferença de idade ficamos contentes por ter mais um menino, um irmão para Emm brincar. Edward já tinha Rosalie, então nosso menino também ganhou seu pequeno companheiro, porém como surpresa do destino dois anos depois veio Seth para completar o lugar em meu coração preenchido pelos homens da minha vida.

Deus. Acabo de ouvir mamãe dizer que transou sem proteção com papai e por isso nasci. Emmett e Alec são os filhos planejados, mas eu sou o acaso de um sexo desprotegido. Estou traumatizado.

Seth falou arrancando risos de nós.

— Não pense assim querido, seus irmãos também não foram propriamente planejados. A questão é que antes de Alec vir nos prevenimos com mais afinco, mas todos vocês são nossos grandes presentes surpresas.

— Mamãe pare, a senhora só está piorando as coisas ao dizer que transava com o papai sem qualquer preocupação. Isso sim vai me traumatizar.

— Olhe isso Carlisle, esses meninos contam suas peripécias a torto e a direto sem ver a quem, agora não querem nos ouvir dizer que transamos também.

— Imagina se soubessem como hoje em dia é que as coisas são boas, com os filhos grandes e poucas preocupações externas, o tempo de aproveitar é ainda maior.

Papai respondeu a Santiago e os protestos seguiram de diversos lados.

No fim Seth tem razão, não é legal imaginar meus pais transando, não mesmo.

— Está bem, está bem. Vou lá dentro buscar a sobremesa e na volta quero ouvir sobre a história dos seus pais, Bella.

Mamãe falou e Bella apenas assentiu, ela não demorou a voltar com um lindo bolo, o colocou na mesa começando a cortar os pedaços.

— Então querida, qual é a história dos seus pais? Apesar de não os conhecermos, a julgar pela mulher incrível que criaram, imagino que sejam ótimas pessoas.

— Obrigada Esme, passarei o elogio a eles quando conversarmos. – Bella agradeceu.

— Ótimo, mas conte. O que eles fazem mesmo? E além de você, não quiseram ter mais filhos?

— Então, minha mãe é professora, ela começou lecionando para crianças no jardim, mas já passou por todos os estágios. Hoje atua apenas como diretora em uma escola próxima a nossa casa em Sacramento. E meu pai é policial.

— Espera um pouco. Seu pai é policial? – Seth questionou interrompendo-a.

— Sim, por quê?

— E só me diz isso agora? Você está há um mês conosco, me deixa brincar livremente e não diz que seu pai é um policial? Eu tenho amor à vida, não quero estar dormindo um dia e de repente chegar um homem fardado pedindo explicações sobre o que falo para a filhinha dele. – Ele completou e rimos.

Seth realmente é uma comédia.

Mas não está de todo errado, porém nesse momento senti que devo me preocupar mais com a questão do pai de Bella ser um policial, já que tenho feito e pensado em fazer muito mais coisas do que provocar a filhinha dele...

— Não se preocupe Seth, papai não é do tipo de temperamento forte. Além do que, você sabe que não preciso de proteção para lidar com rapazes. No entanto, pode ficar tranquilo, somos amigos e amigos brincam um com o outro, então pode deixar sua mente sossegada quanto a preocupações com meu pai.

— Ufa, fiquei realmente preocupado por um segundo.

— Mas é que nos pegou de surpresa a revelação de que seu pai é policial. – Emm comentou.

Pois é. – Sussurrei.

Apesar de ter falado baixo, como Bella está ao meu lado, ouviu e trocamos olhares.

— É, acho que não costumo falar muito de casa. Acabo focando mais nas questões da faculdade e meu envolvimento com os animais. Porém meu pai já não exerce o cargo em campo, há alguns anos sua equipe executou uma missão de periculosidade alta, então ao alcançar êxito tiveram a aposentadoria adiantada. Papai, no entanto, sabendo que não aguentaria ficar apenas em casa desde tão cedo. Decidiu ir para a academia ensinar novos policiais, é como trabalha hoje.

— Imagino como sua mãe e você ficavam aflitas quando ele ainda trabalhava em campo.

Mamãe comentou enquanto começou a distribuir os pedaços de bolo.

O mesmo tem a massa vermelha dividido entre camadas com creme branco que também o cobre, só nos deixando ter ideia de como é ao comer.

Enquanto começamos a saborear a sobremesa, Bella continuou.

— Sim, não foram anos fáceis. Acho que esse entre outros motivos fizeram com que escolhessem não ter mais filhos. Primeiro que meus pais são filhos únicos também, então acredito que não cresceram com a ideia de ter mais de um. Ouvindo suas histórias, concluo que meus pais casaram tarde e com as carreiras já bem estabelecidas. E quando nasci ambos já tinham optado por uma filha só, pois assim conseguiriam me dar toda atenção possível, uma vida estável e não abrir mão dos empregos que sempre lhe foram muito importantes. Temos uma ótima vida e eles conseguiram conciliar tudo muito bem. Sou muito orgulhosa dos dois.

— Tenho certeza que sim. E imagino o quanto estão sentindo sua falta nesse verão. – Papai comentou.

— E eu a deles, mas confesso que não me vejo mais passando o verão em casa, ao menos não esse, meu lugar no verão desse ano é aqui na Silver Horse.

Concluiu e percebi os sorrisos das pessoas na mesa dirigidos a Bella.

Realmente não é apenas na minha vida que Bella vem fazendo revolução, de alguma forma conseguiu mexer também com todos...

— Estão gostando do bolo? – Mamãe perguntou de repente.

— Sim, nossa está muito bom.

— É maravilhoso, não me lembro de ter comido um bolo tão bom.

— Temos muito que agradecer mamãe, a senhora realmente caprichou.

— Depois vou querer a receita.

Mamãe não tirou o sorriso do rosto durante os elogios e consigo entender o porquê, pois o bolo está realmente muito gostoso e ela está de parabéns, porém pegando a todos de surpresa, respondeu.

— Agradeço as palavras, mas as mesmas não devem ser dirigidas a mim e sim a quem realmente fez o bolo.

A olhei intrigado, assim como as outras pessoas na mesa, foi então que reparei em Bella sentada quietinha ao meu lado e em seu rosto que começou a corar.

— Bella? Você que fez o bolo? – Perguntei.

Sim.

— Amiga. Não sabia que cozinhava tão bem. Que dotes mais esconde? – Rose questionou.

— Não. Infelizmente o dom de cozinhar não é um dos maiores que possuo. Sei fazer algumas coisas básicas, mas sempre gostei de doces e com os anos fui arriscando algumas receitas. Por conta da comemoração resolvi tentar algo, mas Esme ajudou.

— Não querida, o mérito é todo seu. Eu apenas cedi à cozinha e os ingredientes, mas você nos brindou com essa sobremesa deliciosa e repito o que Gianna falou, depois vou querer a receita.

— Obrigada Esme. Mas então, só aproveitei que a fazenda é lotada de árvores frutíferas, ainda mais as de frutas vermelhas e decidi fazer um bolo red velvet para vocês. Acho que simboliza bem a aura de amor que estamos celebrando, fico feliz que gostaram.

— Bella, agora terei que fazer como meu irmão e dizer. Quer casar comigo? — Alec perguntou.

— Hey, nem vem. Eu sou o pretendente direto da Bella, se ela casará com alguém aqui será comigo. – Seth emendou.

— Agradeço a oferta meninos, mas posso simplesmente passar a receita a mãe de vocês ou fazer outro bolo e lhes presentear. Não precisamos casar apenas por isso.

— O bolo não seria o único motivo para fazer um homem querer casar com você, pode ter certeza disso.

Falei instintivamente, percebi os olhares de todos, mas não me atentei a eles prestando atenção apenas a Bella.

— Obrigada, agradeço o elogio.

— Edward tem razão Bella. Você é uma mulher excepcional em muitos sentidos e o homem que vier a conquistar seu coração será privilegiado. Mas me atentei também que hoje completa um mês desde que a temos conosco. Então saboreando esse bolo delicioso que fez, ergo um brinde doce a você também. A Bella.

A Bella.

Seguimos a ovação e pensei em tudo que já aconteceu desde que Bella chegou, mas imaginando também o que ainda acontecerá no tempo que ainda lhe resta...

***

O início de julho foi completamente diferente do fim de junho, depois dos apuros que passamos na última semana do mês, a primeira do sucessor veio para nos brindar com um pouco de tranquilidade e paz.

Conseguimos resolver a questão das sacas de milho dentro de nossas possibilidades, a entrega foi feita com apenas um dia de atraso, ainda estamos em falta com o estoque interno da fazenda, mas daremos um jeito de lidar com isso.

O importante é manter a confiança dos compradores e o bom nome da Silver Horse, apesar de saber que isso não é o mais importante, visando apenas o meio dos negócios não podemos deixar que o mesmo decline.

Durante a semana também ocorreu à alta de Hope, mais uma vez Bella pediu para Harry estar presente para assegurar que ela já está mesmo curada e apta a começar a conviver com os outros cavalos.

Ele confirmou o que Bella provavelmente já sabia e ainda brincou dizendo que não atenderia mais os chamados daqui, pois já temos uma bela veterinária conosco e outras fazendas necessitam mais de seus serviços do que nós.

Percebi o quão contente Bella ficou com o elogio e internamente também apreciei o fato, pois realmente a presença de Bella tem feito grande diferença na Silver Horse.

Como em todos os anos a primeira semana de julho é marcada por uma data importante, O feriado nacional do Dia da Independência, popularmente conhecido como feriado do 04 de julho.

Sendo assim, a quinta-feira feira foi um dia de folga e comemorações familiares. Passamos o dia em casa, quer dizer, pela manhã contei com a ajuda de papai, Emm e Bella para dar uma supervisionada na fazenda, mas logo antes do almoço já estávamos todos de folga também.

No dia, o almoço aconteceu na casa dos McCarty e após o mesmo voltei para minha casa desfrutando de um maravilhoso cochilo, nem lembro a última vez que me dei a esse tipo de luxo.

Após acordar fiquei assistindo televisão com meu pai e a noite as famílias se reuniram novamente para jantar, dessa vez em casa.

E o dia encerrou com todos espalhados pela varanda assistindo a queima de fogos que aconteceu no centro de Collierville, mas que ainda sim conseguimos ver.

A semana encerrou-se muito bem, sem grandes problemas e com boas aspirações. Então ao iniciar uma nova semana espero apenas que os dias sigam a risca seus antecessores...

— Já está indo embora?

Perguntei a Emmett ao entrar no estábulo vendo-o terminar de guardar as peças que tirou de Thor.

— Sim, vou passar em casa, tomar um banho, ficar lindo e cheiroso para encontrar minha loira.

— Olha só, sempre deixei claro meu apoio a vocês, mas acho que já estão ficando melosos demais.

— Isso tudo é dor de cotovelo porque tenho namorada e você não. Vou ter que concordar com Seth. Há quanto tempo não fica com uma mulher? A última foi aquela garota em Memphis? Que disse que nem valeu tanto a pena assim?

Obviamente Emm está errado, pois a última mulher com quem fiquei foi Bella e mais do que valeram a pena meus momentos com ela, mas como meu bom amigo não sabe disso, apenas acenei concordando com sua afirmação.

— Pois então meu amigo, você está precisando mesmo de alguém.

— Não estou precisando de ninguém, estou muito bem com as coisas do jeito que estão. Agora vá embora logo atrás da sua doce namorada. Tomara que ela esteja de TPM e não queira nem ver sua cara.

Você é um ser humano muito mau. Tomara que sua noite seja péssima. – Ouvimos um trovão indicando a proximidade de uma tempestade. – Tomara que quando for para casa já seja embaixo de chuva.

Apenas ergui o dedo para ele que saiu rindo, enquanto levei Storm para tirar seus equipamentos, observei que Snow não está em sua baia, o que quer dizer que Bella ainda não voltou do curral das vacas. Espero que não pegue a chuva que está para cair.

Tirei apenas o cabresto de Storm quando fui interrompido pela entrada abrupta de Liam, que trabalha cuidando dos animais de gado e pela expressão em seu rosto sei que não trás boas notícias.

— O que houve Liam? Porque está esbaforido desse jeito?

— É que corri o mais rápido possível para falar o que a senhorita Bella fez.

Bella. – Que Deus me ajude. – Já devia imaginar. O que ela fez dessa vez?

— O senhor sabe que ainda temos algumas vacas a parir e ela tem supervisionado as mesmas para auxiliar no que for preciso com os partos.

— Sim, sei. É claro que sei. Mas pare de enrolar e vá direto ao assunto. – O cortei.

— Então, é que uma das vacas conseguiu escapar, não sabemos por que, todas estavam tão bem, recendo bom tratamento...

— Liam!

Esse homem quer me tirar do sério com tanta enrolação.

— É que a senhorita Bella ficou sabendo da fuga da vaca e saiu atrás dela, dizendo que só voltará para casa depois de encontrá-la.

O que?! Bella ficou maluca? Ela não sabe que está vindo uma tempestade por ai? E o quão perigoso é cavalgar nesse tempo? Ainda mais atrás de um animal desaparecido?!

— Acredito que saiba de tudo isso, mas simplesmente não deu ouvidos a nenhum de nós e saiu cavalgando com sua égua. Com isso vim correndo procurá-lo para avisar.

— Fez bem Liam, fez bem.

— Você irá atrás dela?

— É claro. Não posso deixar aquela inconsequente sozinha e desprotegida por ai. Olhe, obrigado por me avisar, volte para o curral e cuide do que ainda for necessário por lá e peça para avisarem em casa que fui atrás da Bella, mas que não precisam se preocupar que em breve voltaremos, sim?

— É claro Edward, boa sorte.

Assenti agradecendo, pois realmente precisarei de sorte.

Mas quem precisará de mais sorte será Bella quando a encontrar...

Ela deve fazer de propósito não é possível.

Como sai sozinha, sem avisar ninguém, montando uma égua que nunca vimos como reage à chuva, em meio a uma tempestade iminente?

Ás vezes acho que Deus enviou Bella a Silver Horse apenas para testar minha paciência, se sobreviver a esse tempo com ela, tenho certeza que sobreviverei a qualquer coisa.

Coloquei o cabresto de volta em Storm, o montei e sai do estábulo seguindo pelas terras, sem ter muita ideia de para onde ir, mas com um único objetivo em mente.

Encontrar Bella e trazê-la de volta, nem que seja arrastada, porém sã e salva.

Em meio ao galope o tempo foi fechando mais e logo a chuva começou a cair, continuei guiando Storm com firmeza e segurança.

Não por acaso seu nome é Storm, meu cavalo sabe cavalgar bem embaixo de chuva, mas não tenho ideia de como Bella e Snow estão nesse momento.

Internamente fiz uma oração a Deus para que proteja as duas até que possa encontrá-las...

Já perdi a noção do tempo que estou cavalgando, a chuva continua caindo firme e a cada quilômetro de terra percorrido, minhas esperanças ruem mais.

Foi quando um clarão vindo do céu assolou o caminho, em meio a ele pude enxergar a égua branca e sua condutora, respirei aliviado por um instante, para logo em seguida guiar Storm com mais velocidade e começar a gritar.

Bella! Isabella! Bella pare agora!

Ela pareceu finalmente me ouvir quando virou para trás segurando a égua diminuindo o ritmo da mesma.

No instante que as alcancei já comecei a exclamar.

— Você ficou maluca? Perdeu a noção do perigo? O que pensa que está fazendo?

— Edward...

— Não quero saber, você voltará comigo agora mesmo. Tem noção do perigo que correu saindo embaixo dessa chuva com Snow? Não sabemos como ela fica em situações assim. Você não arriscou apenas sua vida, como a dela também.

Mesmo com chapéu já estou completamente encharcado e Bella também, tirando o cabelo do rosto respondeu.

— Edward, confio na Snow e assim que começou a chover parei por um instante para ver como ela reagia, quando demonstrou não se incomodar continuei a cavalgar, não sou leiga quanto as precauções a tomar e tão pouco descuidada com minha égua.

— Tem certeza disso? Porque se pensasse assim não estaríamos embaixo dessa chuva.

Por conta do fluxo de água e trovões, temos que praticamente gritar para que o outro ouça.

— Não pedi para vir atrás de mim.

— Como se fosse deixá-la arriscar a vida e não fazer nada. Você está sob...

— Chega! Já cansei desse papo de que estou sob a responsabilidade de vocês. Sou uma mulher adulta Edward, dona das minhas ações e sei muito bem o que faço ou deixo de fazer. Mas nesse caso sou ainda mais, sou uma veterinária e não poderia ficar de braços cruzados sabendo que tem um animal perdido por ai prestes a parir que provavelmente precisará de ajuda. Então o que tiver ao meu alcance para salvar a mãe e o bezerro farei com ou sem seu aval.

— Sério Isabella, um dia você ainda me matará com seus rompantes, acredite.

— Deixe de reclamar Edward, você tem duas escolhas. Se quiser me acompanhar que o faça, sua ajuda será bem-vinda quando localizar a vaca. Ou pode voltar para casa e deixar que faça meu trabalho sozinha. Mas você sabe que não voltarei sem encontrá-la.

Sabendo estar em uma luta perdida simplesmente indiquei Storm para voltar a galopar, enquanto Bella fez o mesmo com Snow.

Continuamos a cavalgar pelos campos atrás da vaca perdida.

Seguimos a área mais distante dos limites da Silver Horse, no fluxo a noroeste do rio, quando ouvimos um barulho que só pode caracterizar-se como mugido e pior, um mugido de dor.

— Ela está aqui por algum lugar, mas não consigo vê-la. – Bella falou.

— Aqui perto tem um antigo galpão, foi desativado ainda na época no meu avô, costumávamos guardar serragens lá, mas com a expansão das terras o deixamos de lado, porém não o demolimos, talvez ela tenha ido procurar abrigo lá. – Expliquei.

— Pois então vamos até ele.

Galopamos até avistar o mesmo, seguimos em ritmo constante até adentrar o antigo galpão.

Ao ficarmos protegidos da chuva Bella desceu de Snow e caminhou até encontrar a vaca deitada parecendo já estar em trabalho de parto, porém não conseguindo completá-lo sozinha.

— Oi fujona, porque quis sair em uma situação como essa, hum? – A vaca mugiu. – Tudo bem, vemos isso depois, agora a ajudarei a trazer seu bezerro ao mundo, mas precisarei do seu auxílio também, sim? Fique calma que já vamos começar.

Me aproximei e vi que Bella tem uma bolsa transpassada sobre o corpo, coisa que não reparei antes por conta da chuva e a escuridão.

A situação aqui dentro não é muito melhor, mas pelo menos não estamos mais sob o fluxo constante de água e poderemos arranjar meios de nos cuidar aqui dentro.

— Edward, precisarei que me ajude.

— Claro, no que precisar.

— Você disse que costumavam guardar serragens por aqui. Pois quero que procure o que ainda possa ter de confortável nesse lugar e traga para que possamos acomodar a vaca.

— Certo.

Tirei o chapéu que mais incomoda do que outra coisa e caminhei pelo galpão pegando tudo que seja possível usar, encontrei estofas velhas, restos de serragens realmente esquecidas, mas, sobretudo um artifício muito importante, madeira.

Com os pedaços que encontrei poderei criar uma boa fogueira, não só para Bella e eu, mas também para os animais.

Quando voltei para perto dela fui instruído a acomodar os itens no chão, enquanto Bella se prepara para lidar com a mãe em trabalho de parto.

Ela colocou luvas, esterilizou um canivete e tesoura com algo que imaginei ser álcool, prendeu os cabelos, então se aproximou.

— Teremos que erguê-la e colocar sobre esse enchimento, ela protestará, mas temos que ser mais resistentes que ela.

— Sei como funciona, não podemos ficar do seu lado inferior ou ela nos golpeará, vamos puxá-la pela parte superior e por trás.

— Isso, nos três. – Assenti, ela aproximou-se da cabeça, enquanto segurei o tronco. – Um, dois, três.

Puxamos a vaca que protestou mugindo, porém não fez qualquer movimento brusco para nos afastar, com força extrema, após alguns minutos conseguimos por fim colocá-la sobre o nicho improvisado.

— Ótimo você pode cuidar dos cavalos agora, enquanto faço alguns exames.

— Tudo bem, qualquer coisa é só gritar.

— Pode deixar.

Me afastei e caminhei até onde Snow e Storm estão parados apenas observando tudo.

Puxei os dois para o interior mais seguro do galpão, peguei uns pedaços de estopas e fui secando-os, apesar da pelagem ter boa absorção a água, preferi ajudar no processo para que corram menos risco de adoentar-se.

Depois disso peguei algumas toras de madeira, um isqueiro que sempre carrego comigo e o recipiente com álcool que Bella trouxe e coloquei fogo nas mesmas deixando os cavalos aquecidos pelas chamas do fogo e também começando a iluminar melhor o local.

Voltei para olhar como as coisas vão com Bella e a vaca, mas nada demais parece estar acontecendo ainda, portanto, segui para o meio do galpão onde está aparentemente mais limpo e coloquei mais pedaços de madeira lá, deixando pronto para acender quando Bella e eu ficarmos por ali.

Pois sei que no ritmo que a chuva cai a probabilidade de passarmos a noite aqui é grande e não voltaremos para casa até ser totalmente seguro.

— Edward!

Bella me gritou e corri imediatamente até ela.

— O que foi?

— Está na hora, preciso que segure as patas dela afastadas enquanto introduzo o braço para fazer com que o bezerro saia.

Apenas passei para o seu lado seguindo as instruções.

Já vi partos de muitos animais, porém nunca precisei participar efetivamente de um, apenas ficava de longe vendo a natureza agir, mas nessa noite Bella e eu seremos os responsáveis por ajudar essa mãe e seu filhote no processo.

— Muito bem continue segurando, introduzirei os braços agora.

— Pode contar comigo.

— Eu sei.

Trocamos um olhar sincero e confiante.

E em meio ao barulho da chuva e a pouca luz que nos cerca, a vi passar os braços para o interior da vaca que se contraiu, mas Bella não desistiu e eu tão pouco fraquejei segurando as patas afastadas para auxiliar no processo.

Só consegui ver seus braços mexendo, mas não quis perguntar o que exatamente fez ou sentiu no momento.

Foi então que Bella os puxou para fora e levantou me afastando consigo.

Observei a vaca começar a contrair a barriga enquanto expele seu bezerro para fora do corpo, primeiro saíram às patas dianteiras e a cabeça, depois o tronco e por fim as patas traseiras.

O bezerro chegou ao mundo coberto de fluidos, porém parece estar bem, pois se mexeu indicando que começará a se livrar dos mesmos.

— Conseguimos?

Questionei depois de um tempo apenas observando.

— Acredito que sim, agora devemos deixá-los a sós. O bezerro vai procurar sozinho pela teta da mãe, então começará a mamar. Daqui a alguns horas ele já estará livre dos resíduos de parto, enquanto a vaca, caso tudo continue bem, deve parar de expelir a placenta pela manhã, mas ficaremos de olho. Passaremos a noite aqui, não é?

— Sim, não acredito que a chuva parará tão cedo e não há porque arriscarmos sair mais há essa hora.

— Certo. Então podemos ir. Quero ver se consigo me limpar um pouco.

Assenti vendo que apesar das longas luvas que usou, ter ajudado em um parto deixou marcas em Bella.

Apesar de que, até eu estou precisando encontrar maneiras de me limpar também.

— Podemos tomar banho na chuva. – Sugeri. – Já estamos molhados mesmo, ao menos conseguiremos tirar essa camada de sujeira básica.

— Pode ser, mas não podemos ficar muito lá fora ou as chances de adoecermos serão ainda maiores.

— Pode deixar, montei uma fogueira para nos esquentarmos. A deixarei pronta, assim quando entrarmos é só ficar próximo a ela e esperar o calor agir.

Bella assentiu e começou a retirar as luvas e guardar as coisas que trouxe na bolsa, enquanto fui colocar fogo nos troncos de madeira que reservei a nós, quando o mesmo apresentou boas chamas, saímos rumo à chuva.

Realmente não demoramos muito lá fora, apenas tentamos esfregar as roupas, braços e rosto o máximo possível.

Bella pegou um pouco de álcool, passou nas mãos e braços para ajudar a limpar, fiz o mesmo, então sentamos próximos a fogueira, lado a lado, porém com alguns centímetros de distância.

Vi Bella prender o cabelo em um coque deixando seu pescoço a mostra e se encolher trazendo os joelhos para próximo ao corpo procurando esquentar-se.

— Acho que nos molhar novamente não foi tão boa ideia assim. – Falei.

— É, com o tempo e a adrenalina toda do parto já nem sentia mais as roupas molhadas, agora, no entanto, pelo menos sei que estou o mais limpa possível e é o que me conforta no momento.

— Você foi muito bem. Como sempre suas boas ações começam com loucuras, mas no fim têm bom resultado e acabam compensando os momentos de apreensão.

— Juro que não tento desafiar nem contrariar ninguém, mas é mais forte do que eu. Você viu que ela precisava de nós, se não tivesse vindo, há essa hora tanto a mãe quanto o bezerro poderiam estar mortos.

— Eu sei, você sabe que também me preocupo muito com os animais da fazenda. Posso não ter seus conhecimentos de medicina, mas faço o que posso por eles. Mas quando Liam falou que tinha saído atrás da vaca com a tempestade a caminho só pensei em te encontrar e arrastar para casa, nem que fosse pelos cabelos. – Ela sorriu.

— Acho que não é a primeira vez que pensa em fazer isso comigo, não é?

— Não, para minha infelicidade e a sua, não é.

— Sinto muito pelas dores de cabeça que costumo dar, mas pense assim. Já não falta tanto para que vá embora, então sua vida voltará a ser como antes, tranquila, sem preocupações, sem uma veterinária um pouco impulsiva.

Um pouco?

Questionei enquanto ergui a sobrancelha, não sei se a claridade do fogo a possibilitou de ver o gesto, porém mesmo assim riu e falou.

— Sim, só um pouco. A impulsividade é a parte pequena, meu amor e apreço pelos animais são os sentimentos que mais me regem a fazer essas coisas.

— Eu sei e é por isso que no fim sempre acabo concordando e embarcando nas suas loucuras. E por isso também que não conto os dias que faltam para sua partida, você fará falta a Silver Horse, a todos sem contestar.

A todos? — Sussurrou.

Todos.

Respondi e mantivemos os olhares presos, até que a vi estremecer.

— Sabe o que ajudará a passar o frio?

— O que?

— Tirarmos as roupas molhadas.

— O que? Ficou maluco Edward? Não vou ficar pelada na sua frente.

— Não é ficar pelada, mas todos sabem que para espantar o frio precisamos nos cercar de coisas quentes e nossas roupas só estão piorando a situação.

— Não, não concordo com isso. É só me aproximar um pouco mais da fogueira que daqui a pouco já estarei quentinha.

Ela falou sentando-se um pouco mais perto, porém ainda com um espaço seguro.

— Você que sabe.

Levantei começando a desabotoar a camisa.

— O que pensa que está fazendo?

Bella perguntou de olhos arregalados.

— Tirando a roupa. – Respondi simplesmente.

Enquanto tiro o tecido estendendo-o em um pedaço de madeira disposto ao nosso lado.

— Mas você não pode ficar pelado na minha frente.

Sorri abrindo o cinto, tirei as botas e as meias e comecei a tirar a calça.

— Primeiro que não ficarei pelado, como está enfatizando tanto, ficarei de cueca. Além do que, confessa que adoraria me ver sem peça nenhuma.

Provoquei procurando tirar a expressão assustada de seu rosto, consegui, pois imediatamente ela assumiu a expressão irritada.

— Há, nos seus sonhos Cullen. Só nos seus sonhos. Mas tudo bem, o corpo é seu faça o que quiser. Entretanto, quando estiver ai tremendo de frio, só irei rir da sua cara.

— Tudo bem, veremos que vai rir primeiro.

Coloquei a calça ao lado da camisa e sentei novamente próximo a ela, também um pouco mais próximo à fogueira e o calor imediatamente começou a me confortar.

Vi Bella me olhar de esguelha, mas não falou nada. Comecei a esperar para ver quanto tempo mais aguentará na cisma boba de não se despir.

Sei que tenho razão, como também sei que Bella é uma das criaturas mais teimosas que conheço, o que quer dizer que ela é capaz de morrer, literalmente, de frio para não dar o braço a torcer.

Então quando a vi começar a bater o queixo e não se manifestar, tomei uma atitude.

Levantei a trazendo comigo.

— Bella, agora pare de bobeira, você e eu somos adultos então haja como tal. Você está tremendo e continua nessa ideia boba de não tirar a roupa molhada. Você tem medo de mim ou o que?

— Não, é claro que não tenho medo de você. Que pergunta sem sentindo.

— Pois então pare de ser teimosa e tire a roupa. Não é como se nunca tivéssemos nos vistos em trajes mínimos, já a vi de biquíni no dia do rio. – Ela pareceu entender o fato e assentiu, porém um pensamento súbito me invadiu. – A não ser que não esteja usando lingerie. Você está nua por baixo da roupa?

— O que? É claro que não Edward, que ideia. Como poderia trabalhar sem roupa íntima? Se a calça já está incomodando só minhas pernas imagina... Imagina nada, que seja, você venceu.

— Ótimo.

Sorrindo a soltei e sentei deixando que tome seu tempo para se despir.

Tentei, juro que tentei ser cavalheiro e não olhar, mas assim que ela abriu a camisa e começou a tirar as botas não consegui dispersar.

Ela vestia uma regata branca por baixo da camisa, que ficou fina e quase transparente, porém não precisei forçar muito a vista, pois logo Bella a retirou também ficando apenas com um sutiã preto.

Então chegou a vez da calça, com alguma dificuldade puxou o tecido grosso e vi que ela usa uma calcinha também preta, não sei dizer se as peças são conjunto ou apenas da mesma cor, porém que ela está belíssima nas mesmas isso não posso negar.

Assim como fiz, dispôs as roupas na madeira, depois sentou em frente à fogueira e logo vi um sorriso surgir em seus lábios ao constatar o quão melhor é sentir o calor diretamente no corpo sem o incômodo das roupas molhadas para atrapalhar.

— Melhor? – Perguntei.

— Muito melhor, detesto estar errada, detesto dar razão a você, mas terei que fazê-lo. Você estava certo, ficar sem as roupas ajuda muito.

— Você é uma mulher muito inteligente Bella, mas não sabe tudo. A maior lição que deve aprender é que não estará certa sempre e que ás vezes é bom simplesmente tentar algo novo, ainda que pareça sem sentido no início.

— Você tem razão. – Ficamos um instante em silêncio até que soltou. – Será que as pessoas na sua casa estão preocupadas conosco?

— Provavelmente. Mandei avisar que sairia a sua procura, então devem imaginar que estamos juntos, só não têm ideia de onde e também assim como nós, não arriscarão sair na chuva, é mais seguro ficar em casa e esperar que as notícias cheguem.

— Só espero que não fiquem tão preocupados, pois estamos bem e seguros. Queria ter um jeito de avisá-los. Mas não trago celular para o trabalho.

— Eu tão pouco. Se bem que se estivéssemos com eles depois de toda chuva que tomamos, os mesmos nem funcionariam mais.

— É verdade, está realmente chovendo bastante.

Voltamos ao silêncio que só não é total por conta do barulho da chuva lá fora.

Alguns minutos passaram até que senti minha barriga roncar fazendo Bella rir.

— Não ria da fome de um pobre homem.

— Perdão, estou com fome também, mas é que foi engraçado.

— Tudo bem. Mas temos que procurar algo para distrair nossas mentes, para a fome não nos consumir por inteiro e como ainda não estou com sono, precisamos de alguma solução.

Ela deixou seu olhar distante por um tempo até exclamar.

— Vamos jogar 20 perguntas!

— O que?

— Vinte perguntas. Você nunca jogou?

— Não que me lembre. Do que se trata?

— É um jogo de perguntas e respostas, para nos conhecermos melhor e passar o tempo, joguei pela primeira vez na faculdade.

— É por isso que não conheço. Não fiz faculdade, lembra?

— Sim, mas isso não importa. A questão é que podemos nos distrair dessa forma, que tal?

— Pode ser. Mas no que consistem as perguntas, tem algum tema?

— Não, vamos perguntando questões aleatórias. O que quisermos saber.

Qualquer coisa? — Enfatizei.

— Sim, qualquer coisa. Ah, geralmente as pessoas jogam intercalando as perguntas, assim cada um pergunta 10 e responde 10, para economizar tempo. Mas como temos a noite toda pela frente podemos fazer de forma simultânea. Faço uma pergunta, você responde, depois também respondo a mesma questão e vice versa. Por isso cuidado com o que perguntar, pois de qualquer forma também terá que responder. – Esclareceu. – E ai, topa?

— É claro, jamais dispenso um desafio. Como a ideia foi sua pode começar. – Indiquei.

— Tudo bem, deixe-me pensar... – Aproximou a mão do rosto. – Começarei com algo leve. Qual seu filme favorito?

— Essa é fácil. O Poderoso Chefão, a trilogia completa. – Vi Bella rolar os olhos. – Não faça essa cara. Você ao menos já assistiu aos filmes?

— Não. – Resmungou.

— Pois, não julgue sem saber. Não gosto deles apenas por serem filmes considerados de macho. Gosto de cada um pela mensagem que passam. O primeiro trata sobre família e tudo que são capazes de fazer pelos seus. O segundo é sobre superação, que ás vezes é mais importante recuar e crescer sozinho, para então voltar e assumir os deveres. E o terceiro nos mostra nuances de ambição e poder. Fechando assim a trilogia.

— Tudo bem, fui preconceituosa mesmo. Não os assisti e ninguém falou deles como fez agora. Até me interessei em assistir. Além do que, se o filme é bom ou ruim, é o seu favorito e não devo pré-julgar seus gostos, assim como não gostaria que pré-julgasse os meus.

— Está tudo bem, agora diga, qual o seu?

Dirty Dancing. – Não contive um riso.

— Edward!

— Foi mal, foi instintivo, mas fale, porque é o seu favorito?

— Não sei explicar bem, só sei que amo tudo naquele filme, posso estar com qualquer humor ou em qualquer situação que assisti-lo sempre me fará bem. Além da trilha sonora perfeita, a história, os personagens, o Patrick Swayze... Não vejo defeito algum.

— Ok, é um filme legal mesmo, mas agora é minha vez. Onde, quando, como, com quem foi sua primeira vez? — Soltei de pronto.

— O que? Não.

— Nem vem. Antes de começarmos questionei se poderia perguntar qualquer coisa e você disse que sim, portanto, responda. Além do que, também responderei.

— Mas... Você ainda está trapaceando, sua pergunta foi um combo.

— Bella, temos a noite toda, não prosseguiremos o jogo enquanto não responder.

Ai você é... Ok. – Suspirou. – Aconteceu quando tinha 17 anos, ele era meu namorado, já estávamos juntos há alguns meses, a relação já estava evoluindo, mas ainda éramos virgens, então decidimos fazer juntos. Foi em um dia depois da escola, fui para sua casa como de costume e quando estava no quarto dele começou a rolar, ele dividia o mesmo com o irmão, então tivemos que ser rápidos, pois o medo de ser pegos era grande, não tivemos problemas com a camisinha, mas a hora da penetração, arg. Não foi a pior experiência que já tive na vida, mas as outras vezes foram bem melhores. É isso, satisfeito?

Satisfeito não é bem a palavra, mas sim você respondeu a pergunta. Não posso fazer uma complementar agora, não é?

— Depende. O que quer saber?

— Quando terminaram e se ele foi o único homem que já teve?

Arrisquei, sei que ela reclamará, mas não quero morrer na dúvida.

— Você sempre querendo saber mais do que o necessário, mas não me importo em responder. Terminamos no fim do colégio, fomos para faculdades diferentes e sabíamos que a relação não teria futuro a partir dali. E não, ele não foi meu único homem, mas também não direi com quantos me relacionei.

— Eu não perguntaria isso. – Resmunguei.

— Ótimo, agora deixe de enrolar e diga como foi a sua primeira vez.

— Ah, provavelmente mais embaraçosa que a sua. Eu tinha 14 anos, a menina 17. Mesmo mais novo, já era bem alto e por conta de ajudar na fazenda tinha um bom físico, então sempre me dei bem com as meninas mais velhas, assim como com as mais novas... – Ela rolou os olhos. – A conhecia da escola, depois de uma ficada, um dia ela se ofereceu para ir a minha casa para curtirmos mais, soube na hora o que ela queria. Então em um dia que meus pais levaram Rose a Memphis e demorariam a voltar, a chamei até em casa. Não conseguimos passar do sofá da sala...

— Você não a levou nem até o seu quarto?

— Não, jamais dormi com mulher alguma lá. E ela também foi à única que levei para casa, ninguém nunca descobriu o fato, mas entendi que devia respeito à casa dos meus pais e já que nunca namorei sério, não tenho porque fazer essas coisas em casa. Mas concluindo, você pode imaginar como foi meu desempenho, ela mal sentou no meu colo e já gozei. – Bella deu um risinho e a acompanhei. – Pois é, com certeza não foi meu melhor momento, mas ela era determinada, trocarmos a camisinha, ela continuou a me estimular e ai sim consegui dar uma mais demorada. Tenho certeza que não a fiz gozar naquele dia, porém anos mais tarde a reencontrei e dessa vez sim a tratei como se deve.

— Que bom. Ninguém é um exímio desde a primeira vez, o importante é não deixar de praticar.

— Isso com certeza nunca parei.

Nos encaramos, pensei que Bella recuaria, mas fui surpreendido.

— Minha vez. Qual foi o lugar mais inusitado que já fez sexo?

— Pensei que tivesse se incomodado com o teor da pergunta e não prosseguiria nesse tipo de assunto.

— É como acabamos de falar. A primeira vez é um pouco estranha, mas depois que começamos, porque parar?

Engoli em seco me ajeitando melhor, não posso deixar minha mente me guiar para esses lugares...

— Mas não enrole, é sua vez de responder.

— Ah, quanto a isso não sou tão extravagante. Aposto que pensa que já transei em cima de um cavalo ou atrás de alguma cerca. – Sorrimos. – Mas acho que o lugar mais inusitado que já fiz sexo foi em algum banheiro público, de algum lugar que sai para me divertir em Memphis ou Nashville. Claro que fiz isso quando novo, hoje em dia, não me atrevo mais a essas coisas. Mas é isso, nada demais, geralmente transo na casa das mulheres com quem me relaciono ou em algum motel. E você?

— Acredito que não foi mesmo uma pergunta tão interessante. Porque o lugar mais inusitado que já fiz sexo foi no carro do meu último ex. Nada demais também. Se a pergunta tivesse sido sobre posições, ai quem sabe ouvíssemos histórias mais inusitadas...

— Bella...

— Sua vez.

Pensei em perguntar logo sobre a insinuação que deixou no ar, porém com medo de onde as coisas podem chegar, decidi recuar um pouco e perguntar algo mais brando.

— Quando montou pela primeira vez? — Ela deu um risinho sapeca e emendei. – Quando montou a cavalo Bella. Assim você não facilita as coisas.

— Estou te enchendo o saco, entendi a que se referiu desde o começo. E foi quando tinha por volta de uns cinco anos, meus pais me levaram a fazenda de um amigo e lá tinha um cavalo malhado lindo e muito manso, quando me colocaram lá em cima sozinha, claro que o dono estava segurando o cabresto, mas mesmo assim, me senti completa. Tanto que nunca esqueci àquele dia, porém não tive oportunidade de repetir o feito até começar a faculdade e os estágios. Então em um dos aras que trabalhei pude montar sozinha e cavalgar, foi ótimo. E você? Consegue ter memória da primeira vez? Porque aposto que Carlisle te colocou em cima de um cavalo assim que começou a andar. – Sorrimos.

— Acredito que isso aconteceu mesmo, porém minha memória é mais ou menos como a sua. Devia ter quatro ou cinco anos quando montei sozinho pela primeira vez, a diferença apenas é que não esperei um adulto estar por perto para supervisionar. Sai do estábulo galopando e foi um milagre não ter caído, quando mamãe me viu ficou apavorada, fiquei de castigo vários dias depois do ato, porém quando liberado finalmente aprendi como fazer e logo percebi que realmente nasci para viver em cima de um cavalo.

— Meu Deus, você teve muita sorte mesmo e imagino como Esme ficou. Também imagino quanto trabalho deu, não com questões sérias, mas nesses aspectos de traquinagem e segurança.

— Um pouco.

— Então me conte. Uma memória de infância.

— É sua próxima pergunta? – Me certifiquei.

— Sim.

— Como escolher algo para falar. Lembro-me desde sempre de interagir com os animais. De Emmett e eu correndo por ai subindo em árvores e tomando banho de rio. Do meu avô ainda vivo me contando as histórias da Silver Horse. De passar tardes cuidando da Rose, enquanto minha mãe ainda ajudava meu pai na fazenda. Acho que é isso.

— São memórias lindas, Edward.

— E você? O que conta?

— Tenho em mente as viagens a praia que fiz com meus pais, como adorava ir, como não queria sair de dentro do mar, que a noite capotava cedo por conta do cansaço, porém de manhã já estava pronta para viver tudo de novo. São lembranças que recordo com muito carinho. – Concluiu.

— São realmente ótimas memórias. Já fomos a praia algumas vezes, porém depois que adquirimos o espaço de terra com o rio, não vimos tanto motivo para sair.

— Consigo entender. Vocês tem uma espécie de paraíso particular, também não sei se gostaria de sair tendo tudo isso aqui.

Assenti pensando na próxima pergunta.

— Quando soube que queria ser veterinária? Que essa seria sua profissão?

— Como já falei, sempre amei os animais, porém nunca pude ter um em casa. Tive ideia de outras profissões em mente enquanto crescia, mas acredito que aquele amor sempre esteve comigo. Então quando estava no colégio participei de uma feira de profissões, um veterinário estava lá e a forma apaixonada com que falava, imediatamente me fez conectar-me. À noite contei aos meus pais, eles me apoiaram e assim prestei o vestibular. Quando passei e vi que conseguiria seguir a área, decidi me especializar nos animais de grande porte. Apesar de amar os domésticos, muitas pessoas já se dedicam a eles, me lembrei do dia que montei e como amo cavalos e aqui estou.

— Você será, não. Você já é uma veterinária incrível. Temos muita sorte em tê-la conosco, ainda que por um tempo limitado.

— Meu Deus, você falando isso e não tem ninguém aqui para ouvir. – Rimos. – De toda forma fico honrada com suas palavras. Você pode não ter especialização técnica, mas possui a prática que vale tanto ou quanto a que possuo. E é um administrador incrível para a Silver Horse. Sei que no seu caso não foi propriamente uma escolha, mas como se sentiu ao saber que esse é seu legado?

— Bem, é como falou. Desde pequeno soube que meu destino estava entrelaçado ao da Silver Horse. Claro que meus pais nos deram a opção de seguir outras carreiras, mas acredito que o ponto chave foi quando abri mão de cursar a faculdade para ficar aqui, pois sabia que aprenderia e desenvolveria muito mais em tempo integral do que procurando um tipo de aperfeiçoamento fora. Acho que é isso. Sua vez.

— Ah, sim. Deixe-me ver... Um medo?

— Que tipo de medo?

— Qualquer um, o que quiser responder.

Tenho medo de não honrar o legado da minha família. Você ouviu as histórias, sabe por tudo que passamos, tenho medo de não corresponder a isso ou pior, de alguma forma destruir o que já conquistamos.

— Hey, não pense assim. Isso nunca acontecerá.

Bella pegou minha mão livre apertando-a em conforto.

— Infelizmente não temos como assegurar isso, ainda mais com as questões da sabotagem...

— Sei que não está apenas em nossas mãos ou nas suas que sejam, mas procure não pensar assim, ao menos não agora enquanto ainda não sabemos nada concreto. Escute, vou responder meu medo para mudarmos logo de assunto. Eu morro de medo de baratas, tenho pavor, é horrível, posso lidar com qualquer coisa, mas com elas sem chance, ai você me verá correr quilômetros. – Sorri com sua tentativa de descontrair as coisas. – Agora é sua vez.

— Um sonho?

— Ser bem sucedida na profissão que escolhi, não importa como, mas que continue trabalhando com isso.

— É um bom sonho e tenho certeza que se realizará.

— E o seu?

— O que tive noite passada...

— Como?

— Sonhei que recebia massagem nas costas da Reese Witherspoon, com a Jennifer Aniston massageando minha cabeça. A Nicole Kidman cuidando das minhas coxas e de quebra a Scarlett Johansson tratando dos meus pés.

— Edward! – Comecei a rir e ela me acompanhou. – Não acredito. Você teve esse sonho mesmo?

— Não, mas pensando agora gostaria de tê-lo.

— Então não vale, você trapaceou.

— Não, é um sonho que ainda não tive, mas agora quero ter, está valendo. Você não revelou um medo profundo, portanto, posso me abster de um sonho mais complexo também.

— Tudo bem que seja, próxima pergunta. Se fosse um super-herói qual seria? Ou o seu favorito?

— Eu não seria. Eu sou o Batman.

Pisquei, gerando novos sorrisos.

— Com certeza, que falha minha Sr. Wayne.

— Pois é, a partir de agora me trate com o respeito que mereço.

— Ás suas ordens Sr. Wayne. – Bateu continência. – Mas deixe de enrolar e fale porque ele?

— Porque é o herói que mais me identifico, desde pequeno. Ele é humano, tem problemas humanos, questões com o passado, a vida. E mesmo assim consegue ser um dos mais poderosos do universo. Ele não precisa de muito para salvar a quem precisa e me conecto com isso, tendo que lidar com as armas que possuo.

— É algo lógico. Eu gosto dele também, sempre gostei mais do que do Superman.

— Boa escolha. E quem é o seu?

A minha, Jean Grey, dos X-Men. Cresci assistindo aos desenhos e apaixonada por aqueles heróis incompreendidos. O seu, por exemplo, é amado por todos no universo dele, os X-Men por outro lado são caçados e subjugados. Além do que, os poderes dela são incríveis, tele cinese, telepatia, levitação, criar campos de forças para proteção.

— Você é realmente fã da Jean.

— Sim. – Respondeu orgulhosa. – Agora sua pergunta.

Quanto filhos deseja ter? Estou supondo que os queira.

— Desejo sim. Não gosto de dizer que quero mais de um, já que sou filha única, mas realmente penso em ter ao menos dois, quem sabe três, depende do que a vida me reservar. E você?

— O mesmo. Criado com uma irmã, além do Emmett e vendo também sua convivência com os irmãos, espero ter dois ou três filhos. Mas só Deus sabe...

— Só. Agora. Qual a maior loucura que já fez?

Assim que ouvi a pergunta comecei a rir.

— Foi com Emmett, não foi?

— Obviamente, porém antes de ouvir quero que entenda que erámos jovens e hoje jamais compactuaria com algo assim, mas foi o que aconteceu.

— Tudo bem Edward, diga. Você também ouvirá a minha.

— Ok. Uma vez Emm e eu fomos a uma espécie de rodeio clandestino. – A vi arregalar os olhos – Na verdade era só uma fazenda onde tinham touros e o dono chamava as pessoas para ir lá, organizava montarias e uma vez montei.

— Não acredito que você montou em um touro. Como foi?

— Nem lembro quanto tempo fiquei, só que cai rapidamente, mas como já comprovamos, Deus está comigo em muitos momentos, então só torci o pé na queda, fiquei uns dias sem montar animal algum, mas no fim não voltamos mais lá.

— E sabe se o dono ainda faz coisas assim?

— Não, assim como nós, o filho dos donos cresceu, amadureceu e não pratica mais esse tipo de ação. Mas e você? O que de pior aprontou nessa curta vida?

— Digamos que já nadei pelada na frente dos meus colegas de faculdade.

— O que? Como assim senhorita Swan?

— Coisas que aconteceram no primeiro ano. Estava em uma festa, fui desafiada e cumpri. No fim não foi nada tão extravagante, tirei a roupa de um lado da piscina, pulei e quando sai do outro lado minha amiga já estava com uma toalha a minha espera, então a única coisa que o pessoal viu foi minha bunda nua.

— Aposto que ainda sim foi uma bela visão. — Pontuei.

— Não posso discordar.

Trocamos olhares provocantes.

— Qual sua comida favorita? — Questionei.

Batata. Eu amo batata. Frita, cozida, ao molho, como acompanhamento ou prato principal. Se tiver batata você verá uma mulher feliz. E a sua?

— Churrasco. – Respondi direto.

— Como um bom sulista.

— Como um bom sulista.

Ouvimos um barulho, então Bella levantou para olhar a vaca e o bezerro.

Aproveitei para olhar Snow e Storm, que já dormem tranquilos.

Voltamos quase ao mesmo tempo.

— Como eles estão? – Perguntei.

— Bem, tudo correndo como nos conformes. – Sorri assentindo. – Qual sua fantasia sexual? — Soltou do nada.

— Oi? O que disse?

— O que ouviu. Pode ser algo que deseja fazer ou que façam com você. Não tem problema. Mas quero saber alguma coisa.

— Não sei, você realmente me pegou de surpresa agora.

— Sério que nunca pensou em nada?

— Pode ser algo que nunca fiz, mas desejo?

— Claro, é um tipo de fantasia também.

Gostaria de transar no feno. Já vi filmes demais que enfatizam o local e nunca tive oportunidade de passar pela experiência, mesmo morando em uma fazenda há 29 anos.

Uau, isso é quente. E algo a se pensar.

— Jura?

— Uhum.

— E você? Com o que fantasia?

— Nesse momento estou realmente pensando na sua ideia do feno. Mas internamente desejo ser vendada, submetida aos desejos do parceiro, que faça o que tem vontade comigo a seu bel prazer.

Porra!

Bella está me provocando ou apenas sendo maldosa?

Porque a visão que deixou em minha mente nesse momento, logo após provocar sobre minha própria ideia.

Isso não se faz.

Sentei com um joelho erguido para evitar que veja a precipitação de volume em minha cueca.

E mesmo sabendo que a próxima pergunta pode piorar tudo, a fiz.

— Qual sua posição favorita?

Frango assado. Adoro como a penetração é profunda, como os corpos se ligam. Da para beijar todas as partes importantes do corpo... Acho sensacional. E você?

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

De quatro. A visão de uma bela bunda rebolando, poder segurar no cabelo, beijar o pescoço e a forma como o corpo feminino abriga o meu é enlouquecedor...

Ela mudou de posição também deixando de sentar de lado para sentar sobre as pernas, nos encaramos por uma fração de segundos.

Só preciso de um sinal para ir adiante com as coisas, porém suas próximas palavras não foram exatamente as que esperava.

— Não vamos por esse caminho, não ainda. Sua estação do ano favorita?

— Verão. – Respondi sem pensar duas vezes.

— A minha também. O que pode ser melhor do que o verão?

— Nada. Animal favorito?

— Ai, essa não vale. Eu amo cavalos, mas desde que conheci Gus comprovei o quanto cachorros são especiais também. – Refletiu um tempo em silêncio. – Ai. Cavalos. E você?

— Cachorro e cavalo.

— Podia escolher mais de um?

— Se fosse uma escolha de coração sim, não posso abrir mão de nenhum deles, não saberia.

— Você tem razão, mas no momento manterei o que disse. Minha vez. Como se vê daqui a 10 anos?

— Casado, com filhos, continuando a gerenciar a Silver Horse. Seguindo a vida que sempre sonhei.

— Então esse é o seu sonho?

— Pode se dizer que sim. E você? Como se vê?

— Também. Casada e com filhos, exercendo a veterinária. Feliz com o que tiver alcançado, sem arrependimentos. É o que espero. – Assenti.

— Quem é seu melhor amigo ou amiga?

— Antes responderia sem pestanejar minha mãe. Ela sempre foi minha maior amiga, temos uma relação muito próxima. Porém agora, depois de conhecer Rose, vi que posso ter alguém com quem compartilhar uma forma diferente de amizade. A relação com minha mãe não mudará, apenas me sinto contente em contar com a amizade da Rose.

— Tenho certeza que minha irmã sente a mesma coisa em relação a você. – Bella sorriu.

— Quanto ao seu nem preciso perguntar. Mas ainda sim quero ouvir.

— Emmett é mais do que meu amigo, é meu irmão, parceiro para todas as horas. Não imagino minha vida sem ele. Na minha visão dos 10 anos espero tudo que disse, mas sei que só serei feliz completamente se o tiver ao meu lado, contemplando sua felicidade também. – Conclui.

— Isso é lindo. Admiro muito a relação de vocês.

— Obrigado. Acho que agora só faltam duas perguntas. Já pensou na sua última?

— Já e você? – Assenti. – Pois vamos a elas. Você já se apaixonou?

Não. Você sabe que nunca namorei, mas isso também não é indicativo para ter ou não sentimentos por alguém. Porém com a criação que tive, creio que não terei dúvida de quando for arrebatado pelo amor. E até hoje não fui. E você?

Também não. Eu gostei dos meus ex-namorados, muito, já cheguei a cogitar estar apaixonada por eles, mas depois percebi que não. Nada do que vivi chegou próximo do verdadeiro amor. Só espero um dia conhecê-lo...

— Eu também. – Suspirei.

— E chegamos ao fim do jogo, pode encerrar.

Me aproximei passando uma perna por cada lado de seu corpo sentando a sua frente, vi sua respiração mudar, porém mesmo assim continuei.

— Você me beijaria?

— Que pergunta é essa?

— Uma pergunta plausível.

— Mas não tem sentido, já nos beijamos antes, então já tem sua resposta.

— Não. O fato de já termos nos beijado não é garantia de que queríamos fazê-lo, afinal, em ambas as ocasiões eles simplesmente aconteceram. Então quero ouvir uma confirmação. Você me beijaria?

Sim Edward. Apesar dos beijos terem acontecido por acaso, em meio a um clima, eu realmente quis ambos. E você?

Também. Gostei de beijá-la, queria beijá-la e ainda quero. – Ela não expressou reação verbal, mas seu corpo denunciou seu estado. — Você quer me beijar agora?

— As perguntas já acabaram...

— Eu sei. Você não tem obrigação de responder, mas gostaria que o fizesse.

Ela delicadamente saiu de cima das pernas sentando como eu, com as mesmas entrelaçadas as minhas. Passou os braços por meu pescoço e ao ficar com o rosto a centímetros do meu, respondeu.

— Sim. Eu quero te beijar, quero que me beije e que façamos exatamente o que desejamos nesse momento.

Cobri sua boca com a minha sem esperar por mais nada.

Não faço ideia do que essa inquietação toda por Bella quer dizer.

Ou se ela ao menos sente as mesmas coisas que eu.

Mas nesse momento, nessa noite, enquanto estivermos aqui.

Quero aproveitar o máximo que puder nos braços dessa mulher...

CONTINUA.

Notas finais
N/A: Como disse lá em cima esse foi o maior capítulo da fanfic por um motivo. Estão vivas após essa jornada? Espero que sim, porque a continuação promete... Primeiramente, gostaram do almoço das famílias? Todos felizes por Rosemm, contando histórias do passado, adoro desenvolver momentos assim, é quando mais conhecemos os personagens na sua essência. E finalmente julho chegou, com uma primeira semana tranquila, mas nada nessa fazenda se mantém assim por muito tempo. Nossa veterinária mais dedicada (louca) do mundo se arriscou para ir atrás da pobre vaquinha, mas que bom que foi, assim pôde ajudar a mãe e o bezerro. E o Edward como não podia deixar de ser, acabou se envolvendo também. Ocasionando assim, não só nos dois passando uma noite juntos, isolados, sem qualquer forma de interrupção, mas também trouxe a tona muitas verdades com as perguntas e o final... O que vocês esperam do próximo capítulo? Quero saber tudo, se gostaram das perguntas, que sinceramente amei desenvolver, apesar deles quase não pararem de falar haha. E as expectativas para o nosso casal daqui em diante. Comentem muito, por favor, estamos na porta de atingir 200 reviews, será que conseguimos até semana que vem? Mediante a quantidade de leitores que Promises tem, acho bem possível, só depende de vocês. Recomendem, sigam-me no twitter: @KNRobsten e deem um pulo na minha one também. Até os comentários e quarta que vem com mais um capítulo. ~Kiss K Nanda.