Promises in the Dark
22 A Reunião
Notas iniciais
POV Edward
Bella ligou no número dos detetives e ficamos esperando ser atendidos.
— Whitlock falando.
Uma voz sóbria soou ao atender a ligação.
— Boa noite senhor Whitlock. Meu nome é Edward Cullen. Quem me passou seu contato foi o senhor Charlie Swan.
— Boa noite senhor Cullen. Muito bem, Charlie citou seu nome quando entrou em contato comigo e minha parceira a procura dos nossos serviços.
— Exatamente. Estou ligando para termos uma conversa prévia. Entender como o senhor e sua parceira trabalham e se poderão ajudar-nos na situação que estamos vivendo. – Respondi.
Bella começou a gesticular ao meu lado, porém não estou conseguindo entender o que ela quer.
— Sr. Cullen?
— Sim, senhor Whitlock?
— Percebo que a chamada está no viva-voz e o senhor está com alguém ao seu lado.
— Como ele fez isso?
Bella questionou sem emitir som.
— E eu que vou saber?
Respondi da mesma forma.
— Sr. Cullen?
— Perdão senhor Whitlock. Sim, o senhor tem razão. Estou com a chamada no viva-voz. E tenho ao meu lado a senhorita Isabella Swan.
— E essa senhorita seria por acaso a filha de Charlie?
— Sim, senhor Whitlock. Eu sou.
Bella respondeu começando a interagir de modo claro na conversa.
— Muito bem. Agora que esclarecemos nosso posicionamento perante a conversa. Podem falar o que desejam.
— Com licença senhor Whitlock, mas como percebeu que eu também estava aqui?
— Srta. Swan, não trabalho como investigador há pouco tempo. Não sei quantas informações seu pai passou, porém antes de entrar nesse campo gostaria de informá-los que já servi ao exército e tenho grande poder de percepção. É uma das características que me fazem ser bom no meu trabalho.
— Impressionante...
Acabei deixando escapar.
— Entendi senhor Whitlock. E não, papai não nos informou sobre suas especialidades. Apenas após pedir um auxílio, visto a situação que estamos vivendo, nos foi passado o seu contato e de Alice Brandon...
— Tudo bem. Caso entremos em acordo perante o que necessitam e se poderemos ou não ajudá-los, conversaremos mais sobre nossos aspectos pessoais. Mas agora preciso saber algumas informações e podem ter certeza que contam com minha total discrição. Mesmo que não assumamos o caso, não divulgaremos de forma alguma o que for conversado aqui, ainda que não tenhamos um vínculo profissional definido.
— Muito bem senhor Whitlock. O fato é, somos proprietários de uma fazenda em uma cidade moderadamente pequena do Tennessee.
Ao terminar de falar percebi Bella me lançar um olhar estranho.
— Qual o nome da cidade, por favor?
— Collierville.
— Certo, conheço.
— Nossa fazenda é familiar. Somos consideravelmente grandes perante o mercado agropecuário.
— Nome da fazenda?
— Silver Horse. – Bella respondeu.
— Continuem.
— Ok. Como disse, essa é uma fazenda familiar, grande, mas nunca passamos por questões de rivalidades. Claro, não além das comuns a qualquer produtor do ramo. No entanto, há alguns meses começamos a passar por situações adversas. Reparamos que de algum modo à fazenda tem sido alvo de algumas sabotagens.
— A que níveis de sabotagem se refere senhor Cullen?
— Começou com algo pequeno, um problema aparentemente redundante com pragas em uma das plantações.
— E sabe dizer quando exatamente começaram a notar os acontecimentos?
— O dia exato não lembro, mas foi em meados de maio. – Informei.
— Muito bem, pode prosseguir.
— A partir disso as coisas foram aumentando tanto de proporção, quanto em ação no tempo. Sabotaram nossas sacas de milho, com intenção de prejudicar toda a produção. Depois nossa carne destinada ao comércio, exportação e consumo.
— E as mesmas não foram sabotadas apenas como forma de prejudicar a fazenda. – Bella completou. – Descobrimos com a investigação da polícia que quem fez isso planejava também atingir terceiros em longo prazo.
— Charlie falou que vocês abriram mão das denúncias feitas perante a polícia. Justamente por isso precisam de novos meios de descobrir quem está por trás de tudo.
— Exatamente senhor Whitlock. Em meio a todos os ataques, o sabotador fez seu último movimento, ao menos até o momento, envenenando alguns animais e arrumando um jeito de colocar provas incriminarias nas coisas de um amigo.
— Amigo esse que vocês têm certeza que é inocente?
— Total.
— Sem sombra de dúvidas.
Bella e eu respondemos rápidos e sem hesitações.
— Certo. Você comentou que esse fato foi o último descoberto. E sabe dizer que dia foi isso senhor Cullen?
— Foi dia 28 de julho. Saímos para uma cavalgada matinal. Bella e eu, acompanhados da minha irmã e desse amigo. Então encontramos os animais mortos, chamamos a polícia, eles levaram Emmett preso e desde então não tivemos mais registros de novas sabotagens.
— Entendo. E quando o amigo de vocês foi solto?
— Ontem pela manhã. Conversei com meu pai na quinta-feira a noite e em comum acordo os Cullen decidiram abrir mão da denúncia perante a polícia para livrá-lo da prisão. Com isso ficamos no aguardo do papai passar o contato de algum detetive, coisa que ele fez hoje pelo início da noite.
— Algum motivo especial para não terem entrado em contato assim que receberam nossas informações?
Assim que o senhor Whitlock questionou, mesmo contando apenas com a luz da penumbra que está entrando através da janela, percebi Bella corar, provavelmente lembrando-se de como estávamos ocupados há pouco...
— Porque está nos perguntando isso?
— Estou coletando dados senhorita Swan. Pois imagino que essa situação seja prioridade aos senhores. Quero entender como estão lidando com tudo e quais desdobramentos serão necessários para prosseguir com a investigação.
— Entendo, estivemos ocupados com assuntos pessoais. – Respondi. – Mas assim que o encerramos, entramos em contato imediatamente.
— Muito bem senhor Cullen. Fiz muitas perguntas, porém acho viável contar também um pouco sobre nosso método de trabalho. Vocês precisam ter em mente algumas coisas antes de fecharmos um acordo.
— Muito bem senhor Whitlock, pode falar.
— Ouçam, minha parceira e eu trabalhamos com isso há uma década. Como já disse, antes de entrar para esse ramo servi ao exército, atingi a patente de major, porém prestes a alcançar o posto de tenente coronel renunciei tal ação, assim como o cargo e o serviço nacional, para tornar-me detetive.
— Podemos perguntar por que fez essa escolha, senhor Whitlock?
— A senhorita pode, no entanto, não poderei respondê-la nesse momento. Não me leve a mal, mas essa ainda é uma ligação de conhecimento.
Bella e eu trocamos um olhar.
— Compreendo. Nesse caso pode continuar a contar-nos sobre si e sua parceira. – Bella indicou.
— Sobre mim, é isso que precisam saber por enquanto. Gosto de trabalhar de forma objetiva e disciplinada. Procuro ter êxito em tudo que me proponho e se por algum instante pensar que não poderei ser hábil na investigação, não tenho medo de informar ao cliente e dar-lhe o direito de escolher outras opções. Quanto a agente Brandon, ela é formada com honras em especializações internacionais. Iniciou a carreira servindo os comandos nacionais, porém assim como eu, um dia escolheu seguir outro rumo em sua profissão. Vocês poderão saber mais quando a conhecerem, caso isso de fato aconteça.
— Sr. Whitlock, sabemos que essa está sendo uma conversa prévia, que o senhor terá que comunicar sua parceira tudo que conversamos aqui, porém realmente precisamos de um parecer concreto o mais rápido possível. – Bella falou. – Meu pai não teria passado seu contato se não soubesse que eram os melhores e mais capacitados a nos auxiliar. Estamos sem o respaldo da polícia há apenas um dia, porém em uma situação como essa todo minuto é precioso. Informamos que o último registro de sabotagem ocorreu há seis dias, porém não temos confiança alguma que ao despertar não nos depararemos com um novo fato terrível. Desse modo, gostaria que o senhor esclarecesse o ponto em que nos encontramos.
— Perfeito senhorita Swan, gosto da sua atitude e compreendo perfeitamente a situação em que se encontram. É fato que terei que comunicar a detetive Brandon sobre o que conversamos, porém posso adiantar-lhes que no que depender de mim, podem considerar esse caso como assumido por nós.
— Agradecemos o empenho, senhor Whitlock e ficamos no aguardo de um parecer concreto após a conversa com sua parceira.
— Pode aguardar que meu retorno será em breve senhor Cullen.
— De todo modo senhor Whitlock, agradecemos desde já a disposição em ouvir-nos.
— Não tem pelo que agradecer senhorita Swan. Seu pai é um bom amigo, é o mínimo que poderia fazer.
— Mesmo assim, obrigada.
— Não tem de quê. Pela minha parte está tudo certo. Vocês querem falar algo mais?
— Não senhor Whitlock, apenas reitero o agradecimento e fico no aguardo do seu retorno.
— Ótimo senhor Cullen. Foi um prazer conversar com o senhor e a senhorita Swan. Até breve.
— Até senhor Whitlock.
Respondi e Bella encerrou a chamada.
— O que você achou dele? – Perguntou.
— Parece ser um homem bem sério... – Ponderei.
— Sim, mas isso é bom. Durante anos acompanhei as mudanças de personalidade do papai frente a sua vida pessoal e o trabalho. Então a compenetração do senhor Whitlock é um ponto ao nosso favor. Isso quer dizer que caso aceitem o caso, lidarão com muito afinco.
— Eu sei. Agora só nos resta torcer para que aceitem. – Ela assentiu.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, porém resolvi comentar sobre algo que ficou na minha mente.
— Bella...
— Sim?
— Você falou ao senhor Whitlock que amanhece todos os dias temerosa de que algo mal tenha acontecido ou aconteça de novo...
— Porque é a verdade. Você não se sente assim?
— É claro que sim. Só não sabia que você também se sentia dessa maneira...
— E como seria diferente? Edward, estamos discutindo isso desde que assassinaram o gado. O que poderia vir depois? Atentarem contra outros animais? Contra nós?
— A pessoa que está por trás de tudo não é burra. Ela sabe que com a prisão do Emmett, se fizesse algo novamente, imediatamente atestaria a inocência dele. – Ponderei.
— Mas agora com a volta do Emm... Pode arrumar um jeito de tentar incriminá-lo ainda mais. – Completou.
— Temos que ficar de olhos bem abertos. Amanhã cedo, independente do retorno que tivermos dos detetives, teremos que tomar sérias providências para tentar evitar o pior.
— Sim, pois não sei se aguento presenciar uma nova tragédia. Acordar e saber que algo aconteceu aos cavalos...
— Não Bella, não pense nisso.
A puxei para deitar no meu peito.
— Não dá Edward. Só a mera imagem de algum ruim acontecendo a Hope, o Thor, a Diana...
— Não. Já chega.
A parei antes que cite o nome da Snow e do Storm.
Ergui seu rosto para olhar em seus olhos.
— Ficar pensando nesse tipo de coisa não faz bem algum.
— Mas...
— Bella, escute. Eu te prometo. Nada acontecerá a eles, está bem? Eu farei até o impossível para não permitir isso, entendeu?
— Sim. Eu acredito em você. – Ela inclinou um pouco e me deu um selinho. – Desculpe por trazer esse assunto à tona, ainda mais essa hora.
— Deixa para lá, agora vamos dormir.
Encostei sua cabeça novamente no meu peito.
— Você só está cansada. Te fiz gastar muitas energias hoje, você precisa se recompor...
Brinquei no intuito de descontrair o clima.
— Só eu gastei energia, não é?
— Não, por isso sei que precisa descansar. Amanhã despertaremos renovados e prontos para encarar o que quer que o dia reserve...
— Está bem. Boa noite Edward.
Desejou, dando um beijo no meu peito.
— Boa noite Bella.
Retribui o carinho com um beijo em sua testa.
Não adormeci tão logo gostaria, mas com certeza a respiração cadenciada de Bella foi o que me fez sucumbir ao sono...
— Bella?
— Bella, amiga, acorda.
— Bella caramba! Não é possível que ainda esteja dormindo. Vocês precisam levantar...
Uma voz muito parecida com a da minha irmã começou a penetrar meus ouvidos me tirando do estágio de inconsciência.
— Bella, se você não levantar imediatamente, começarei a bater nessa porta e fazer um escândalo.
Muito sonolento abri apenas um olho e enxerguei somente o cabelo de Bella a minha frente.
Estamos enroscados um no outro, mas comigo por trás de seu corpo segurando-o firmemente próximo ao meu.
Por esse motivo não sei se ela está acordada, de todo modo resolvi arriscar.
— Bella, a Rose está te chamando.
— Abre lá, por favor.
Sussurrou praticamente ronronando.
— Mas ela está chamando você. – Retruquei.
— Edward? Anda logo, um de vocês têm que abrir essa porta agora.
Rose resmungou novamente.
— Viu só? Você pode ir lá.
Bella rebateu.
— Mas esse é o seu quarto.
— E essa é a sua casa!
— Estou falando sério. Se um de vocês não vier abrir a porta agora...
— Tá bom Rose, já estou indo.
Impulsionei o corpo levantando de uma vez.
Com o ato, Bella acabou rolando na cama me brindando com a maravilhosa visão dos seus seios deliciosamente tentadores...
Desse modo, constatei também minha própria nudez e procurei minha calça encontrando-a em cima da cômoda, vesti rapidamente, por fim chegando para abrir a porta.
— Até que enfim. — Rose falou entrando no quarto como um touro veloz e fechando a porta atrás de si. – Vocês têm muita sorte que fui eu quem subiu para chamá-los.
— Rose, o que foi que aconteceu? – Bella perguntou.
Bati o olho e vi que ela puxou o lençol para se cobrir privando Rose, e infelizmente eu também, da sua nudez frontal...
— Tem um casal lá embaixo a procura de vocês. A mamãe quis vir chamar o Edward, mas eu tinha grande suspeitas de que meu querido irmão não estava em seu quarto e por isso me candidatei a vir chamá-los.
— Valeu Rose. – Agradeci.
— Espera... Um casal? A nossa procura? – Bella questionou.
— Sim.
— E quem são? – Perguntei.
— Nunca os vi na vida. Mas se apresentaram como Jasper Whitlock e Alice Brandon.
— O que? Os detetives estão aqui? — Bella contestou.
— Que detetives?
Ignorando a pergunta de Rose, rebati.
— Quando eles chegaram?
— Há alguns minutos. Se apresentaram e falaram que querem conversar com vocês. Perguntamos quem são e o que queriam, mas não disseram. A única coisa que deixaram claro é que vieram para ver vocês.
— Eu não acredito nisso. Se eles estão aqui devemos considerar como um bom sinal, não é? – Comentei com Bella.
— Sim, acho que sim. Mas precisamos descer e descobrir o real motivo que os trouxe aqui.
Respondeu e assenti.
— Espera um pouco. Que história é essa de detetives? O que vocês dois aprontaram?
— Rose, não temos tempo para explicar agora. Desça e avise a todos que já vamos, sim? – Bella pediu.
— Está bem, mas vocês vão explicar essa história direitinho depois.
Sem esperar ela saiu do quarto deixando-nos novamente a sós.
— Precisamos nos apressar e não fazê-los esperar mais. – Bella indicou.
— Eu sei. Vou para o meu quarto me trocar.
Informei e ela apenas assentiu.
Não me preocupei em pegar o restante das minhas peças de roupa, depois vejo isso.
Rapidamente sai do quarto seguindo para o meu, ao entrar caminhei até o banheiro, fiz minha higiene matinal e depois peguei peças de roupas limpas para vestir.
Quando terminei de me arrumar sai, dando de cara com Bella também deixando seu quarto.
— Eles me mandaram uma mensagem avisando que estavam vindo. – Falou.
— Quando?
— Hoje cedo. Também tem registro de chamada perdida, mas cansados do jeito que estávamos não ouvimos o telefone tocar. – Explicou.
— E o que disseram na mensagem?
Perguntei enquanto nos aproximamos da escada.
— Apenas que estavam vindo para a fazenda conversar conosco pessoalmente e resolver as coisas.
— Pois é o que faremos agora.
Indiquei ao terminarmos de descer a escada chegando à sala.
Assim que entramos efetivamente no cômodo enxerguei os visitantes, meus pais estão sentados no sofá de costas para nós, Rose está de pé próxima a eles, enquanto os convidados estão sentados no sofá à frente.
— Bom dia. – Saudei.
Papai e mamãe levantaram virando-se em nossa direção, assim como o casal.
— Edward, Bella, bom dia. Que bom que desceram. – Mamãe falou.
— Sim meu filho. Vocês têm visitas. – Papai completou.
— Não somos necessariamente visitas.
O senhor Whitlock respondeu.
Nesse momento os observei atentamente.
O homem é alto, provavelmente da minha altura e de Emmett, não tão forte quanto o meu amigo, mas sua linguagem corporal deixa clara as habilidades em combate, além do fato de ele mesmo ter contato que serviu ao exército.
Em contraponto, a mulher é pequena e parece delicada, sendo menor do que a minha mãe e com feições sutis.
Enquanto o senhor Whitlock deixa claro em toda sua fisionomia a conexão com a profissão, a senhorita ou senhora Brandon, não sei ainda, não demonstra qualquer aptidão física para exercer uma profissão que exige não só excelência mental, mas também física.
Ambos estão vestidos com roupas simples e escuras, práticas a meu ver.
Ao acabar minha análise pessoal, o senhor Whitlock se aproximou de nós.
— Sr. Cullen, Srta. Swan. Sou Jasper Whitlock, nos falamos por telefone.
— Sim, senhor Whitlock. É um prazer conhecê-lo pessoalmente.
Bella respondeu primeiro.
— O prazer é meu senhorita Swan. – Ambos apertaram as mãos. – Sr. Cullen.
— Sr. Whitlock.
Também praticamos o gesto.
— Deixe-me apresentá-los a minha parceira, Alice Brandon.
Sem falar nada a mulher aproximou-se, estendeu a mão a Bella e eu, só após os cumprimentos, falou.
— É um prazer conhecê-los. Jasper contou sobre a conversa que tiveram e confesso que estava curiosa para vê-los pessoalmente. – Bella e eu trocamos um olhar. – Sentimos muito se os pegamos de surpresa com nossa chegada repentina.
— Não tem problema. – Bella logo esclareceu. – Infelizmente não ouvi as ligações ou vi a mensagem a tempo, mas acredito que a presença de vocês indique boas notícias.
— Veremos.
A detetive Brandon disse simplesmente.
— Será que alguém pode nos explicar o que está acontecendo aqui? Quem são eles e porque vieram?
— Rosalie.
— Não mamãe, precisamos de respostas.
— Acredito que não tenham contado a ninguém sobre a nossa conversa?
— Não senhor Whitlock. Falaríamos com eles hoje. – Informei.
— Mas pelo visto não comentaram sobre nós em momento algum. Nem mesmo quando Charlie sugeriu a ideia de contratar-nos?
— Não, acabamos guardando a informação por um tempo, mas acredito que o momento de esclarecer a questão tenha chegado.
Bella respondeu olhando em minha direção.
— É claro. – Tomei a palavra. – Podemos nos sentar.
Indiquei e após todos se acomodarem novamente, continuei.
— Pai, mãe, Rose, vocês já foram apresentados aos nossos convidados, porém o que não sabem é que eles são detetives particulares.
— Detetives particulares?
— Sim papai. Agora que não temos mais o respaldo da polícia para cuidar das questões da fazenda, fomos aconselhados a entrar em contato com alguém do ramo para ver se podem nos ajudar. – Esclareci.
— E de onde veio essa ideia?
Mamãe perguntou, sendo seguida por Rose.
— E porque não nos contaram antes?
— Quando falei com meu pai sobre a situação do Emm, além de aconselhar-nos a retirar as queixas para poder soltá-lo, ele também sugeriu que contratássemos detetives particulares para cuidar da questão. – Bella contou. – Então ontem passou o contato do detetive Whitlock e da detetive Brandon.
— Exato. Conversamos com o senhor Whitlock por telefone, contamos um pouco sobre a situação da fazenda e ele ficou de avaliar com sua parceira se poderiam aceitar o caso.
Terminei de relatar.
— E se estão aqui quer dizer que assumirão a investigação do que tem acontecido na nossa fazenda?
Papai perguntou diretamente a eles.
— Tudo indica que sim senhor Cullen. – A detetive Brandon respondeu de modo enigmático. – Ouçam, sei que nossa vinda parece precipitada, porém quando Jasper contou sobre o caso de vocês, o que tem acontecido aqui desde maio, começamos a fazer umas pesquisas prévias para averiguar se conseguiríamos nos inteirar. E a partir dai decidimos vir conhecê-los e ouvir tudo pessoalmente, com a maior riqueza de detalhes possível. Como também avaliar o lugar e decidir se assumiremos o caso ou não. E como o senhor Cullen e a senhorita Swan deixaram claro que estão com urgência em resolver tudo, não hesitamos em vir logo para encerrar o assunto de uma vez.
— E não foi incômodo para vocês virem tão rápido? Pelo que entendi Edward e Bella entraram em contato bem tarde, a não ser que já estivessem pela região...
— Não senhora Cullen, não foi incomodo. – O senhor Whitlock respondeu. – Apesar de ainda não termos assumido os cuidados com sua fazenda de fato, quando um trabalho entra em nosso radar, nos dedicamos a ele com cem por centro de eficácia. E para ser sinceros, tínhamos acabado de finalizar um caso anterior quando fomos contatados por vocês, então decidimos seguir para cá sem hesitações.
— Perdoe-me pela pergunta, mas como chegaram até aqui? Ainda mais sozinhos. – Pontuei.
— Senhor Cullen, ontem durante nossa conversa, após informar que morava no Tennessee, o questionei sobre o nome da cidade, como também o da fazenda. Se não conseguíssemos localizá-los a partir dessas informações, era melhor nem contratarem nossos serviços.
A resposta do senhor Whitlock surpreendeu a todos, porém o que veio a seguir nos deixou completamente arrebatados...
Em uma dinâmica aparentemente planejada, o detetive Whitlock e a detetive Brandon relataram sem qualquer hesitação fatos sobre a fazenda e seus membros de modo muito seguro, como se um de nós estivesse relatando a história a algum visitante...
— Fazenda Silver Horse, fundada em 1945 por Peter Cullen. O mesmo ganhou seus primeiros hectares de terra como compensação governamental após os serviços prestados ao país durante a guerra.
O detetive Whitlock começou.
— Em 1966, Anthony Cullen, filho mais velho de Peter, começou a administrar a fazenda com o pai, dividindo o posto até o ano de 1980 quando o mesmo veio a falecer. Desse modo cuidou de tudo sozinho até seu filho, Carlisle Cullen, começar a ajudá-lo na administração da fazenda em 1987.
Prosseguiu a detetive Brandon.
— O senhor Cullen aqui presente, dividiu a administração com o pai até o ano de 1999, quando o mesmo se afastou do posto por motivos de saúde, vindo a falecer no ano de 2009. Que foi também o ano em que Edward Cullen, o filho mais velho, passou a cuidar efetivamente da administração da fazenda ao lado do pai, com ambos mantendo as funções desde então.
— Porém quebrando uma tradição de quase oitenta anos, a partir de 2018 a fazenda passou a ser gerida também por uma mulher, a filha mais nova da família e primeira membro a formar-se em um curso superior. Graduando-se em duas disciplinas, administração e contabilidade, senhorita Rosalie Cullen. Apesar de ao longo dos anos todos os homens Cullen terem contado com o apoio de suas esposas, apenas nessa geração, uma mulher está efetivamente à frente da parte administrativa do negócio familiar.
— A fazenda Silver Horse é grande produtora e exportadora, com ganho comercial elevado e prestígio nacional. Suas maiores produções são consumo integral de gado e animais de criação, como também milho, soja e frutas produzidas na região.
— Em maio de 2019, a fazenda passou a ser vítima de pequenos incidentes que aos poucos foram se tornando questões gravíssimas necessitando da intervenção da polícia local. A mesma esteve investigando por volta de um mês, porém não conseguiu concluir nada de fato, a não ser quando detiveram o jovem Emmett McCarty.
— Ele, assim como seus pais e irmãos, residem nas terras da Silver Horse, sendo os filhos do casal desde que nasceram. Porém o senhor McCarty em especial é trabalhador assíduo da fazenda, considerado como alguém da família Cullen por todos os membros, melhor amigo do herdeiro Edward, como também iniciou recentemente um namoro com a herdeira Rosalie.
— Por fim, não podemos deixar de citar a hóspede que está na residência pelo verão. Senhorita Isabella Swan, filha de Charlie e Renée, um policial em exercício administrativo e uma professora atuando em cargo diretorial no momento. Enquanto a senhorita Swan é estudante de veterinária na Universidade de Stanford e veio até a fazenda Silver Horse por meio de um projeto estudantil para estagiar durante o verão e assim concluir seu curso superior.
— Porém desde que chegou aparentemente tem feito muito mais do que apenas lidar com os animais, já que parece ter criado grande vínculo com todos da fazenda, em especial a certo aspecto, com os jovens Edward, Emmett e Rosalie. Mas de algum modo também parece ter feito algumas inimizades, visto que tornou-se vítima de agressão de um homem chamado Jacob Black, que é herdeiro da fazenda vizinha à Silver Horse, conhecida como Black Horse.
— Nós podemos continuar comentamos mais fatos que descobrimos apenas nessa madrugada durante uma pesquisa prévia, porém nosso objetivo aqui não é enchê-los de informações que podem ser conseguidas com qualquer acesso fácil através da internet e outros meios.
A detetive Brandon esclareceu.
— Nosso intuito é descobrir o que há por trás de todos esses fatores. Quem poderia querer prejudicá-los? Os ataques à fazenda têm cunho pessoal? Profissional? Eles estão sendo direcionados a prejudicá-los de que modo? Com o intuito de falir a fazenda? Desestruturar a família? A questão tem a ver com os administradores atuais ou se deriva de algo do passado? E a família Cullen é realmente o foco? Se sim, os planos consistem em prejudicar apenas um dos membros ou todos? O responsável ou responsáveis, ganharão algo com a execução final do plano? Dinheiro? Poder? Satisfação pessoal? Vingança?
O detetive Whitlock encerrou a jogada de todos os questionamentos possíveis sobre nós.
— É isso que precisamos descobrir. – Concluiu a detetive Brandon. – E é isso que pretendemos fazer caso queiram nos contratar...
O silêncio que se seguiu foi tão forte que seria possível ouvir um agulha caindo no chão, mas também, visto a enxurrada de informações que foram jogadas sobre nós...
Porém aparentemente nossa reação era esperada pelos detetives, pois sem mostrar qualquer abalo, prosseguiram.
— Ouçam, não enumeramos suas histórias e as expusemos desse modo para assustá-los.
A detetive Brandon disse com calma na voz.
— Pelo contrário, apenas quisemos deixar claro que tudo isso é de conhecimento público. – Completou o detetive Whitlock. – Essa fazenda é muito conceituada, assim é normal que a história seja propagada por ai. O fundador lutou na guerra, esses registros nunca deixam o sistema.
— Por exemplo, as informações estudantis da senhorita Cullen estão abertas na instituição de ensino, assim como em suas redes sociais. Quanto à senhorita Swan, além de conhecermos seu pai, do mesmo modo sua universidade divulgou sobre o projeto que não só você, mas vários alunos estão praticando no verão.
— O elo entre o senhor McCarty e vocês, como o namoro com a senhorita Cullen, também está exposto nas redes sociais de ambos. E o incidente com o senhor Black, está registrado na delegacia de Collierville, assim que o nome é buscado em correlação com algo judicial, é possível constatar a medida restritiva que a senhorita tem contra ele. O assunto também gerou comentários na cidade, tiveram testemunhas do ocorrido. Enfim, tudo isso pode ser acessado por qualquer um, inclusive pelo responsável por tudo que está acontecendo aqui.
— Entendemos detetives. Os senhores parecem ser realmente bons no que fazem, por que apesar de tudo de fato estar exposto, não imagino que tenha sido tão fácil reunir todas essas informações em tão pouco tempo. – Papai falou.
— Para nós não foi tão difícil. Mas para alguém comum e civil poderia dar um pouco mais de trabalho, mas não se enganem. Quem está por trás das sabotagens deve ter tido bastante tempo para inteirar-se disso e mais. Estudar a fazenda a fundo, sua rotina, seus hábitos, estrutura, tudo.
— Disso não temos dúvida, quem está por trás de tudo não é nenhum amador. Do contrário já teria cometido ao menos algum erro, o que nos possibilitaria mais pistas sobre sua identidade, mas infelizmente de concreto não temos nada a apresentar.
Informei a detetive Brandon.
— Muito bem. Por nossa parte, acredito que tenha ficado clara a intenção de assumir esse caso, mas precisamos saber se os senhores estão de acordo em ter-nos a frente da situação.
O senhor Whitlock pontou.
Trocamos olhares significativos entre conjuntos e com todos, porém apesar de Bella e eu termos entrado em contato com os detetives, consentimos a palavra ao meu pai.
— Detetive Whitlock. Detetive Brandon. Vocês foram bem recomendados, visto que são conhecidos do pai da Bella, que apesar de ainda não ter tido o prazer de conhecer pessoalmente, já tive algum contato e sei que é não só uma excelente pessoa, mas também profissional. Ele já nos ajudou anteriormente e confiamos em sua indicação para esse aspecto também. Acredito que meu filho e Bella não teriam dado qualquer indicação de que os senhores poderiam prosseguir com a análise, caso também não se sentissem seguros de seu trabalho. E agora, após tudo que demonstraram, além do claro empenho em auxiliar-nos na resolução desse assunto, só posso dizer que temos um acordo.
— Senhor Cullen, o senhor não irá se arrepender. Nos dedicaremos cem por cento a solucionar essa questão de modo seguro e o mais rápido possível. Não gostaríamos de deixar que nada mais aconteça a fazenda ou qualquer um de seus residentes, sejam animais ou pessoas.
— Obrigado detetive Brandon, detetive Whitlock. Contamos com seu apoio, assim como podem contar com os nossos para auxiliar no que for preciso.
Papai informou e assentimos.
— É bom ouvir isso, pois de imediato precisamos conversar com uma pessoa que está muito envolvida nas questões, mas que ainda não tivemos oportunidade de conhecer.
— E quem seria senhor Whitlock? – Perguntei.
— O senhor Emmett McCarty. Sabemos que vocês confiam em sua inocência, você e a senhorita Swan deixaram isso claro na ligação, porém é imprescindível que os conheçamos e conversemos com ele.
— É claro, muito justo. Edward pode ligar para ele e pedir que venha aqui?
— Sim, mamãe, pode deixar.
— Enquanto isso, estamos conversando desde que chegaram e o teor do assunto não me deixou oferecer-lhes nada. Com isso aceitam tomar café da manhã conosco?
Mamãe propôs e ambos aceitaram de pronto.
Ela e meu pai levantaram caminhando até a cozinha com os detetives em seu encalço, enquanto Rose se aproximou de Bella e eu.
— Porque não me contaram sobre isso?
— Desculpe Rose, como dissemos, falamos com o senhor Whitlock tarde e íamos contar a vocês hoje de manhã.
Bella respondeu.
— Não me refiro apenas ao último momento, mas por que não falaram dessa ideia antes? Quando o seu pai sugeriu?
Apesar da pergunta ter sido dirigida mais a Bella, tomei a frente.
— Rose, tínhamos algumas questões na cabeça. O Emm ainda estava preso, queríamos encerrar essa parte primeiro antes de falar algo. Mas não pense que é por que não confiamos em você, está bem?
— Tudo bem, só queria ter ficado sabendo antes, para talvez ajudar em algo.
Deu de ombros.
Não sei se Bella se deu conta do por que Rose disse isso, mas conhecendo-a, não tenho dúvidas de que sim.
Com sua situação com Emmett ainda pendente, minha irmã só quer se sentir útil para auxiliar no que for possível frente a inocentá-lo totalmente.
— Rose, seremos realmente necessários a partir de agora. Estamos todos juntos nessa, ok?
Confirmando minhas suspeitas, Bella captou a ideia e não hesitou em consolar minha irmã.
— Certo. E você já falou com o Emmett? – Me perguntou.
— Sim, mandei mensagem pedindo que venha até aqui e ele já confirmou que vem.
— Ótimo. Vamos tomar café?
Seguimos para a cozinha encontrando meus pais conversando normalmente com os detetives, sentamos em nossos lugares a mesa e iniciamos a refeição.
E como prometido, Emmett apareceu poucos minutos depois.
— Bom dia família Cullen.
Saudou assim que passou pela cozinha.
— Bom dia.
— Desculpem, não sabia que tinham visitas, o esperarei lá fora Edward.
Falou já fazendo menção de sair do cômodo.
— Não Emmett, entre, sente-se. – Mamãe pediu.
— Emmett, Edward o chamou, mas foi a nosso pedido. Queremos que conheça os detetives Jasper Whitlock e Alice Brandon.
Enquanto senta-se em seu lugar costumeiro a mesa, Emmett esticou o braço cumprimentando-os.
— É um prazer conhecê-los.
— O prazer é nosso senhor McCarty.
O detetive Whitlock respondeu.
— Emmett, como sabe, para tirá-lo da cadeia tivemos que retirar as queixas e com isso perder o respaldo da polícia frente aos acontecimentos da fazenda.
— Eu sei disso Bella.
— Então, essa foi uma ideia do meu pai, mas além de ter dado esse conselho, também sugeriu que contratássemos detetives particulares para assumirem o caso. Por isso o detetive Whitlock e a detetive Brandon estão aqui. Eles cuidarão da situação a partir de agora. – Explicou.
— Entendi. E fui chamado apenas para ser apresentado ou...
— Gostaríamos de conhecê-lo senhor McCarty, conversar e entender se de algum modo poderia ter qualquer ligação com o que está ocorrendo na fazenda ou com seu responsável.
— Esperem um pouco. Eu sou inocente.
— Emmett, acalme-se.
Falei segurando-o pelo braço.
— Senhor McCarty, quando minha parceira disse que gostaríamos de entender se o senhor poderia ter algo a ver com tudo, ela não estava querendo dizer que achamos que o senhor é o responsável ou que de algum modo está envolvido. Porém precisamos conhecê-lo um pouco mais, para entender se talvez de algum modo não seja o alvo, pois de todos, o senhor foi o mais prejudicado nessa situação.
Após a explicação do senhor Whitlock, Emmett respirou fundo se acalmando.
— Está bem. Como disse, sou inocente e não tenho nada a esconder de ninguém. E podem contar com minha ajuda no que precisarem para pegar o desgraçado que está tentando acabar com a fazenda.
— É só isso que queremos senhor McCarty, encontrar o responsável por tudo e fazê-lo pagar por seus atos devidamente.
Desse modo, os detetives começaram a conversar com Emmett, incluindo-nos em comentários esporádicos, mas focando um pouco mais nele.
Emmett repetiu o que houve na noite do incidente, reiterou que dormiu em casa, mas que como chegou tarde e saiu cedo, não foi visto por nenhum familiar, nesse momento Rose deixou claro que Emmett só foi para casa a pedido dela, que no que dependesse dele, teria ficado aqui para dormir como em várias outras noites.
Ele também contou um pouco como foi à experiência na cadeia, situação que foi nova a todos, já que nem nós ainda conversamos sobre esse assunto.
Bella também pontuou novamente que não hesitou em acatar a ideia do pai para retirar a queixa e deixar Emmett livre por acreditar totalmente em sua inocência, nesse momento nos pronunciamos em coro.
O café da manhã foi finalizado e seguimos de volta a sala continuando a conversar.
— Estive pensando, vocês acreditam que existe a possiblidade da pessoa que está por trás de tudo ter incriminado o senhor McCarty de caso pensado, mas não só para prejudicá-lo, como também para atingi-los pessoalmente? – O senhor Whitlock jogou o questionamento. – Pois pensem comigo, existiriam outras pessoas tão próximas a vocês, mas que de fato não são da família Cullen, que poderiam ter sido acusados deixando-os totalmente desestabilizados?
— Temos muitos funcionários de confiança na fazenda. – Papai informou. – Na verdade, se acusassem qualquer um deles, ficaríamos desolados e crentes em sua inocência sem atestar muito.
— Sim querido, é verdade. Porém acredito que os detetives queiram que foquemos em aspectos ainda mais pessoais. Emmett é como um filho para nós, assim como seus irmãos. Toda sua família é praticamente nossa família também.
— Exato senhora Cullen, esse é o ponto. O sabotador poderia ter incriminado o pai do senhor McCarty, por exemplo. Ele é funcionário antigo da fazenda, próximo ao senhor Cullen, um homem de confiança. Mas porque escolher o filho?
— Porque Emmett tem o elo mais forte entre todos, mesmo sem ser um Cullen legítimo. — Rose pontuou.
Ela e Emmett trocaram olhares, mas não falaram nada diretamente, com isso minha irmã prosseguiu.
— Os McCarty são mais do que amigos da família, eles são família. Crescemos juntos, do mesmo modo que os meninos devem considerar meus pais como tios, segundas figuras paternas, Edward e eu retribuímos o sentimento para com eles. – Assenti em concordância. – Os meninos são como nossos irmãos. Porém Emmett sempre foi mais presente em nossas vidas por conta de sua amizade com Edward. Eles são melhores amigos. Emmett é o braço direito do Edward não só na fazenda, mas na vida.
Apesar da situação adversa, as palavras de Rose trouxeram conforto.
— E existe também a nossa relação...
Ela tomou uma breve respiração antes de prosseguir.
— Emmett e eu podemos ter começado a namorar há pouco tempo, porém não acredito que nossos sentimentos tenham sido tão secretos aos olhos externos, não tanto quanto eram a nós.
— Desse modo ele mostrou-se o alvo perfeito, um filho amado aos matriarcas, o melhor amigo do primogênito, o namorado da filha... Sem chance de erros. É claro que vocês acreditaram em sua inocência, mas ao mesmo tempo se espantariam só de cogitar que ele pudesse ser capaz de fazer tamanha barbaridade como as que estão acontecendo aqui. Além do estrago na fazenda, o responsável ainda conseguiu de algum modo abalá-los psicologicamente.
— A detetive Brandon tem toda razão. – Mamãe refletiu. – Tirando a possibilidade de incriminar um de nós, Emmett é a pessoa mais próxima de todos.
— Pensando por esse lado acredito que além de mim, só houvesse uma pessoa que poderia preencher esses requisitos.
— Quem?
Incontáveis vozes o questionaram.
— A Bella...
— O que?! — Ela exclamou. – Emmett ficou maluco?
— Não, não estou maluco. Assim como eu, você é próxima de todos os Cullen e a certo aspecto até mais, já que mora com eles...
— Emmett, não diga bobeiras...
— Não Bella, não são bobeiras. – Minha irmã interviu. – Mais de uma vez meus pais falaram que já a consideram uma filha. – Nossos pais assentiram. – Você definitivamente é minha melhor amiga. E não é por que não cresceu conosco que a consideramos menos.
— Rose, eu agradeço as palavras, sinto-me honrada por me cogitarem para essa posição. Sinto o mesmo por todos vocês, mas...
— A senhorita Swan não fecha o círculo como o senhor McCarty. — A detetive Brandon a interrompeu. – Ou fecha senhor Cullen? Existe algo entre o senhor e a senhorita Swan que possa se equiparar ao elo entre sua irmã e seu amigo?
Mas que merda está acontecendo aqui?
Como essa reunião para levantar dados sobre os acontecimentos da fazenda veio parar em uma possível relação entre Bella e eu?
— É claro que também tenho bastante carinho por Bella, assim como meus pais e Rose. Mas de fato não somos um casal. Não como Rose e Emmett.
Justifiquei.
— Certo, porém vocês acreditam que de algum modo à senhorita Swan possa ser envolvida em uma tramoia futura? Que mesmo que não tão forte quanto à conexão do senhor McCarty com a família, ainda sim poderia vir a ser um alvo seguro também?
— Analisando desse modo detetive Whitlock, receio ter que dizer que sim. Bella tornou-se alguém muito importante para nós. Não só para a fazenda, mas para a família, por tudo que já fez por nós e conosco.
— Carlisle...
— Senhorita Swan, receio dizer que nesse momento o sentimento da família Cullen para com você não é algo tão aprazível, ao menos não em questões de como isso pode ser usado contra vocês. – A detetive Brandon falou. – Por isso é bom ficarmos de olhos bem abertos para que nada aconteça com você ou contra você, em vista de prejudicar a família Cullen.
Todos olhamos para Bella com atenção, enquanto ela retribuiu nossos olhares.
Entre nós dois, porém, os sinais emanados foram além das meras preocupações...
— Mas novamente senhores, não estamos aqui para alarmá-los, mas sim para solucionar essa questão. Por isso é importante trabalharmos com todas as hipóteses que conseguirmos, especialmente com as verdades que possuímos.
Impressão minha ou a detetive Brandon falou a última parte olhando em minha direção?
Estranho...
— Podem contar com nosso apoio e total confiança, não temos por que mentir ou esconder alguma coisa dos senhores. – Mamãe falou.
— Obrigada senhora Cullen, visto isso há algo pessoal que gostaríamos de contar a vocês, não é nada que afete necessariamente nosso trabalho, mas como contamos com sua sinceridade, não vemos por que negar a nossa.
A detetive Brandon falou deixando-nos intrigados, porém foi seu parceiro quem revelou o fato.
— A detetive Brandon e eu somos casados. Como civis somos apenas o senhor e a senhora Hale, porém para que as coisas não se misturem no trabalho, optamos por desde o começo usar nossos sobrenomes distintos.
— É surpreendente saber disso, mas parabéns aos dois.
— Obrigada senhora Cullen. Decidimos revelar isso a vocês, pois ficamos no mesmo quarto de hotel e se em algum momento quiserem entrar em contato conosco, não queríamos que estranhassem a situação, mas tenham total certeza que nossa vida pessoal não interfere em nada no nosso profissionalismo. Nosso casamento ocorreu antes de nos tornarmos detetives, porém a união pessoal nunca interviu no trabalho.
— Não temos dúvida disso detetive Brandon. E como sabem, nossa fazenda é de uma linhagem familiar, estamos acostumados a trabalhar com cônjuges e filhos, então é até satisfatório saber que vocês a seu modo entendem o tipo de ligação que possuímos.
— Obrigado senhor Cullen, agradecemos a compreensão. Mas agora acredito que devemos ir, retornaremos a fazenda constantemente, porém no momento precisamos ajeitar umas coisas primeiro para iniciarmos de fato a investigação.
O senhor Whitlock falou levantando-se e teve seu gesto seguido por todos na sala.
— Esperem um pouco. – Mamãe interrompeu a despedida. – Vocês não acham que seria mais proveitoso, além de prático, ficar aqui na fazenda? Já que nos relevaram que são um casal, não há mal em dividirem o quarto. E ficando aqui, estarão por perto de tudo, com acesso ilimitado ao que precisarem, assim como a nós.
— Senhora Cullen...
— Esme, não temos formalidades por aqui. Agora que temos um acordo e vamos trabalhar em conjunto, podem nos tratar apenas pelo primeiro nome, preferimos assim.
— Tudo bem Esme, faremos como desejam e nesse caso podem nos tratar apenas por nossos primeiros nomes também, apesar de querermos finalizar o trabalho o mais rápido possível, não temos ideia de quanto tempo passaremos aqui, desse modo, será mais prático a todos comunicar-nos pelos primeiros nomes.
— Muito bem Alice, agora digam que aceitam ficar aqui.
— Esme, sua ideia é boa, concordamos que os benefícios que citou são realmente prudentes, mas não queremos incomodar. Estamos acostumados a ficar remotos de nossos trabalhos.
— Mas aqui não precisa ser assim. – Papai pontuou. – Jasper, Alice, faço questão que fiquem conosco, será melhor dessa forma.
O então, descoberto casal, trocou olhares e com um rápido assentir, responderam.
— Está bem. Aceitamos ficar e agradecemos a hospitalidade e gentileza.
— Maravilha. Vou preparar o outro quarto...
Mamãe se interrompeu de repente.
— O que houve mamãe? – Rose perguntou.
— Ah, querida. É que agora me toquei que o quarto de hóspedes restante é o pequeno, não será confortável para Alice e Jasper dividirem.
— Senhora Cullen, desculpe, Esme. Não se preocupe, estamos acostumados a ficar em quartos minúsculos de hotéis inomináveis. Tenho certeza que o quarto que a senhora julga pequeno deve dar no mínimo três do que já frequentamos. – Alice falou.
— Esme, tenho uma ideia melhor. Eu mudo de quarto e disponibilizo o que estou para Alice e Jasper. – Bella propôs. – Assim eles ficam no quarto maior, enquanto eu, que estou sozinha, fico no quarto menor sem problema nenhum. Como Alice disse, não tenho dúvidas que o quarto que julga como pequeno deve ser tão confortável quanto o que estou agora.
— Tem certeza Bella? Você já está tão bem acomodada...
— Não se preocupe Esme, faço a troca com prazer. Além do que, não sabemos quanto tempo eles levarão com as investigações, enquanto tenho os dias contados para partir, a solução é clara. Eles precisam ficar e farei a troca de quarto sem problema.
— Acho que tudo bem...
— Não, não está tudo bem.
— Edward!
Ignorei a repreensão da minha mãe e prossegui.
— Concordo com a ideia dos detetives ficarem aqui, é a ideia mais lógica, aliás. E se o quarto disponível é o menor, então que sejam acomodados no quarto que Bella ocupa no momento. Porém ela não precisa ir para o quarto menor.
— E para onde eu vou?
— Você ficará no meu quarto, comigo.
Ouvi um riso e mais alguma coisa vindos de Emmett, porém ele foi o único que se manifestou.
— O que você disse Edward?
— Isso mesmo que ouviu Bella. Não tem motivos para ocupar outro quarto. A partir de agora ficará no meu quarto e pronto, problema resolvido.
Ela se aproximou até parar bem a minha frente e murmurou entre dentes.
— Eu vou matar você. Porque está fazendo isso?
— Porque está na hora. – A trouxe para perto de mim e continuei a falar. – Alice e Jasper deixaram bem claro que precisam de toda sinceridade possível, pois é isso que estou fazendo. Diante da situação que estamos vivendo não podemos nos dar ao luxo de esconder nada, ainda que apenas informações pequenas, o que não é o caso aqui. Então sim, Bella e eu estamos de algum modo juntos, porém como adultos e donos das nossas vidas, não devemos explicações a ninguém. Mas para que não ocorram mal entendidos estou deixando isso claro de uma vez. Então sim, senhores, Bella fecha o círculo como Emmett. Não somos de fato namorados como ele e minha irmã, mas temos um vínculo forte que a faria ser um bom apoio se alguém quisesse nos atingir. Caso em algum momento queiram saber algo mais, que seja importante para a investigação, basta perguntar, pois justamente em nossos depoimentos a polícia, no dia da última sabotagem, fomos o álibi um do outro por estarmos juntos. Então é isso, agora poderemos proceder com as trocas dos quartos.
Conclui e imediatamente Bella se afastou se aproximando da minha mãe.
— Esme, me desculpe, eu nunca quis desrespeitar...
— Pode parando por ai mocinha. Não se atreva a concluir essa frase. Meu filho pode ter o tato de um cavalo, mas em uma coisa está certo. Vocês são adultos e não tem por que se justificar para ninguém.
— Mas Esme...
— Além do que, já sabíamos que estavam juntos há algum tempo.
Papai interviu.
E agora até eu estou um pouco chocado.
— Exatamente querida, como poderíamos não notar diante da forma que se tratam? Entre outras pistas. Vocês podem achar que estavam sendo muito sutis, mas de verdade, não estavam. – Sorriu. – E está tudo bem, fico feliz que estejam juntos, seja do modo que for.
— Obrigada Esme, mas de todo modo, desculpe por mantermos segredo.
— Não precisa se desculpar. – Papai respondeu.
— Certo, que bom que resolveram não deixar mais esse fato escondido, pois acreditem vocês realmente não tem vocação para mentir ou esconder alguma coisa.
Jasper falou atraindo nossa atenção.
— Exatamente. Identificamos a ligação entre vocês assim que colocaram os pés nessa sala. Se por acaso fossem os culpados ou tivessem algo a ver com o que está acontecendo, teríamos identificado na hora. – Alice completou. – Por isso fiz questão de direcionar a pergunta aos dois.
— Mas não pensem que captamos as impressões somente de vocês. Todos são muito transparentes, isso é algo bom. Trabalharemos com segurança sabendo que ninguém aqui está mentindo ou escondendo algo de nós. – Jasper pontuou.
— Então vocês têm certeza que ao menos nós aqui presentes são inocentes? – Perguntei e recebi um aceno de ambos em concordância. – E farão a mesma avaliação com todos da fazenda?
— É o que pretendemos. – Alice explicou. – É claro que não temos um dom mágico que nos faz sentir coisas diferentes sobre as pessoas, apenas possuímos habilidades que adquirimos ao longo do tempo de trabalho.
— Por exemplo, assim que Emmett chegou, notamos de cara que ele não poderia ser o culpado. – Jasper falou. – Mantivemos o questionamento padrão para tentar entendê-lo melhor e confirmar que tipos de conexões possuem entre si, mas em nossa análise, ele por nenhum momento poderia ser considerado suspeito ou culpado de nada.
Assim que o detetive concluiu, Rose e Emmett trocaram olhares.
E em um rompante minha irmã saiu da sala pela porta da frente.
— Eu vou...
— Não Bella, pode deixar. – Emmett respondeu de pronto. – Eu vou falar com ela.
Após pedir licença, saiu da sala pelo mesmo caminho que Rose acabou de fazer.
— Esme, agradecemos novamente a oferta em ficar. Desse modo, voltaremos ao hotel onde fechamos a diária para buscar nossas coisas e em breve retornamos.
Alice disse dispersando o clima.
— Maravilha, podem ir tranquilos que quando voltarem o quarto já estará à disposição de vocês.
Enquanto meus pais trocam algumas palavras com o casal, sutilmente Bella se afastou a caminho da escada e rapidamente a segui.
Ao chegar ao corredor caminhou rapidamente até o seu quarto, que em breve não será mais seu.
E prestes a fechar a porta, me aproximei segurando-a.
— Eu posso entrar?
— É a sua casa. Você pode fazer o que bem entender.
— Bella...
Entrei no cômodo fechando a porta atrás de mim.
— Edward, você não tinha o direito de nos expor daquela forma. Na frente dos seus pais, dos detetives que acabamos de conhecer.
— Olha, sinto muito se não gostou da forma que agi, mas era o correto a ser feito. Sua segurança estava em jogo e eu prometi protegê-la. E se para isso terei que te chatear, é um preço que estou disposto a pagar.
— Vocês estão exagerando com essa coisa de que o sabotador pode tentar me incriminar como fez com o Emm.
— Talvez ele não use a mesma tática, por que se já arrumou um jeito de acusar o Emmett, não deve querer repetir o plano. Mas isso só nos deixa diante da pior opção, que para tentar nos atingir, você acabe virando o alvo.
Estremeci só de pensar nessa hipótese.
— E por conta disso decidiu nos expor diante de todos?
— Sim. E você mesma viu. Eles já estavam sabendo de nós. No fim das contas só estávamos agindo como tolos achando que nossa situação era segredo. E agora com tudo aberto, não precisamos esconder mais nada. Não que precisemos mudar algo na dinâmica que estabelecemos, porém é melhor que tudo esteja às claras.
— Eu concordo. Só não gostei de ser pega desprevenida por sua súbita confissão.
— Desculpe, mas quando começaram a falar sobre a troca dos quartos só pensei que seria um adianto de vida ficarmos logo juntos. Já vínhamos praticando essa dinâmica há um tempo, o que mudará a partir de agora é que será apenas no meu quarto.
— E que agora efetivamente todos sabem que estamos dormindo juntos...
— Isso te incomoda de algum modo?
— Não. Apenas fiquei preocupada com os seus pais, com receio de acharem que estávamos desrespeitando sua casa, mas eles parecem verdadeiramente não se importar, então está tudo bem.
— É claro que não se importariam. Nunca falaram nada sobre o Emmett dormindo aqui com a Rose. Porque falariam algo sobre nós?
— Mas Rose e Emm são namorados. Enquanto nós...
— Nós?
Insisti.
— Nós não somos.
— É. Não somos. Mas somos adultos, donos dos nossos narizes e se queremos estar juntos pelo tempo que permanecer na fazenda é um direito nosso, de acordo?
— Sim, de acordo.
— Ótimo. Agora comece a arrumar suas coisas que temos que levar ao meu quarto, para que a mamãe limpe o seu para quando Alice e Jasper voltarem.
— Está bem, mas não vá pensando que por que dividiremos o seu quarto, você mandará e desmandará em tudo.
— E quando foi que mandei em alguma coisa?
Questionei com ar de inocente.
— Não se faça de bobo, você já comentou sobre me deixar a sua mercê. É normal que me preocupe em ficar permanentemente na toca do leão...
— Ah, pobrezinha. Mas não é como se você fosse um cordeirinho inocente também. – Me aproximei. – E que não fosse ficar felicíssima estando a minha mercê...
Parei a sua frente.
— As coisas agora serão diferentes, não é?
Fiz um carinho em seu rosto antes de responder.
— Um pouco, mas acho que será um diferente bom e você?
— Espero que seja. Mas estou feliz em saber que passarei meus últimos dias desse jeito.
— Dormindo comigo, acordando comigo...
— E fazendo outras coisas contigo...
Finalmente encurtamos a distância nos beijando.
Ouvi-la falar sobre seus dias contados sempre me causa um desconforto, mas não me atentarei a isso, ao menos não ainda.
O importante é que pelos dias que lhe restam na fazenda, ficaremos juntos e aproveitaremos a companhia do outro ao máximo.
E quando chegar sua hora de partir chegar...
Quando o momento chegar pensarei no que fazer...
CONTINUA.
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