Notas iniciais
Boa noite meninas. Infelizmente não consegui postar ontem, quem me segue no twitter ficou sabendo do adiamento da atualização para hoje, porém mesmo que acabe atrasando um dia, nunca deixarei vocês na mão com o post da semana. E estão ansiosas para acompanhar mais da vida de Beward? Espero que sim, antes quero só comentar uma coisa da minha vida pessoal. Na segunda-feira (02/03), fui assistir com um grupo de amigas Crepusculetes a pré-estreia do mais novo filme da Kristen, Seberg. Ele estreia em território nacional hoje, quem tiver a oportunidade de assistir o faça, pois nossa menina, mais uma vez, sem novidade alguma, arrasou demais... Apreciem Sem Moderação. Capítulo Postado Em: 05/03/20

POV Edward

— Vamos levantar e nos trocar para encarar as feras.

Bella informou.

— Alguma ideia do que dizer?

Questionei nos erguendo do feno.

— Nenhuma e você?

Balancei a cabeça negando.

— Podemos dizer que eles viram errado, que estávamos apenas brincando de cavalinho e não transando.

Ela riu e fiquei feliz por manter o clima descontraído.

Começamos a nos vestir, ajeitei minha calça e cueca, Bella vestiu o sutiã e a regata, na hora de colocar a calça me lançou um olhar duro.

— Mais um dia que terei que vestir calça jeans sem calcinha. Incomoda sabia?

— Olha pelo lado bom, cada vez estamos nos aproximando mais de casa, na próxima você já conseguirá colocar uma nova calcinha mais rápido. Ou pode acatar minha sugestão e para de usá-las.

— Só porque você quer.

Terminou de ajeitar a calça, colocando as botas. Vesti minha camisa, mas não me dei ao trabalho de fechar todos os botões.

— Mas é porque estou pedindo mesmo. Avalie a questão Bella, será vantajosa a nós dois.

— Se falasse para deixar de usar cueca, porque isso facilitaria nossas transas, você pararia?

— Se pedisse sinceramente sim.

— Deixa de ser maluco Edward. – Sorri. – Está pronto? – Assenti. – Então vamos.

Confesso que estou receoso de enfrentar Emmett e Rosalie, mas não temos como fugir.

Saímos da baía caminhando em direção à parte mais aberta do estábulo, encontrando o casal.

Bella e eu podemos não saber o que dizer, mas com certeza Rose tem muito a questionar, pois foi só nos ver que começou a soltar as perguntas.

O que está acontecendo aqui? Vocês estão juntos e não nos contaram? Simplesmente decidiram começar a transar? Quando isso começou? Essa foi a primeira vez? Até ontem vocês não se detestavam? Como podem de repente começar a transar? Vocês vão começar a namorar? Já estão namorando? É por isso que estava cantando de galo que não sabíamos de nada da sua vida Edward? Porque realmente não precisava sair, já que estava se fartando pela fazenda?

— Rose!

Bella a parou.

— Rose, se acalma. – Emm tocou em seu ombro.

— Como me acalmar Emmett? Você viu o que eu vi? Nossos melhores amigos estão tendo um caso embaixo dos olhos de todos, nos fazendo de trouxas por sei lá quanto tempo e quer que leve tudo numa boa? Tivemos que descobrir do envolvimento deles por pegá-los transando no feno como dois animais no cio.

— Rosalie, já chega! – Intervi.

A cada palavra proferida por minha irmã senti Bella se retesando ao meu lado e não permitirei que ela a ofenda.

— Já basta Rosalie, imagino que esteja chateada, mas não tem o direito de nos destratar, ainda mais porque não sabe de fato como as coisas são. – Falei.

— É verdade, não sei, pois vocês dois fizeram questão de esconder tudo de nós.

— Rose, nos ouça...

Bella tentou explicar, mas foi cortada.

Como você pôde Bella? Como pôde me ouvir contar toda animada sobre minha primeira vez com o Emm e não falar que você e meu irmão estão tendo, seja lá o que for isso.

— Espera, vocês estão transando?

Perguntei encarando Emmett.

— Nem vem querer virar a coisa para nós. – Emmett respondeu. – Vocês são os que foram pegos literalmente com as calças arriadas.

— Nós somos namorados. É claro que vamos transar Edward. A questão maior não é nem o que estão fazendo e por que, mas o fato de não contarem a ninguém. Como se fosse algo errado ou sujo.

— Rose, não é assim.

Bella tentou se explicar, mas novamente foi cortada.

— Bella, eu fiz questão de contar sobre meu momento especial porque confio em você e queria compartilhar algo importante que aconteceu comigo, porque te considero minha melhor amiga.

— Também te considero assim Rose, eu juro, de verdade queria contar. Mas tudo é tão confuso e complicado que não saberia nem por onde começar.

— Me falem uma coisa? E não mintam. Essa foi a primeira vez que tiveram algo?

— Não temos que dar satisfação de cada passo nosso Rose.

Comecei a falar, mas Bella emendou.

Não. Não é a primeira vez que temos algo, não é a primeira vez que ficamos e não foi a primeira vez que transamos.

Rose ofegou.

— Eu... Não consigo acreditar. Pode parecer que estou fazendo um escândalo por nada. Porque é a vida de vocês afinal, mas não consigo entender.

— Rose, escute. De verdade, acredite em mim. Não contamos nada ou ao menos eu não contei. Porque nem nós sabemos definir o que tem acontecido.

Bella informou e completei.

— É verdade Rose, não planejamos esconder de caso pensado, assim como não planejamos nos envolver. Hoje o que aconteceu foi um acaso, assim como as outras vezes.

— Vocês transaram no dia que dormiram juntos no armazém, não é?

Rose perguntou e apenas assentimos.

Sabia. – Emmett sussurrou e recebeu um olhar mortal da Rose. – Espera, não sabia de fato, porque algum deles me contou, mas diante das circunstâncias, não é difícil imaginar algo assim acontecendo.

— Realmente. Acho que só fui ingênua demais por pensar que tínhamos cumplicidade o suficiente para compartilhar momentos assim, mas parece que me enganei, acho que só eu estava sendo sincera o tempo todo.

— Rose, por favor, me perdoa. – Bella deu um passo a frente pegando a mão de Rose. – Eu não quis esconder nada de você, nem mentir. Mas de verdade as coisas simplesmente aconteceram e se não consigo entender o porquê sozinha, não consegui encontrar palavras para compartilhar as coisas com você.

— Tudo bem Bella, vocês não devem satisfação do que fazem da sua vida, especialmente a mim. Se querem continuar com isso da forma que for, vão em frente. Só tomem um pouco mais de cuidado, não imagino que queiram que outras pessoas os encontrem na mesma situação que o fizemos. – Bella fez menção de falar novamente, mas minha irmã não deu brecha. – Eu vou embora. Emmett, você fica?

— Sim, quero conversar com Edward.

— Boa sorte.

Ela virou seguindo para fora do estábulo, Bella fez menção de segui-la, mas a impedi.

— Deixe-a um pouco sozinha. Se você acha que sou o turrão da família é porque ainda não viu Rose em seu pior gênio. Dê um tempo a ela, depois vocês conversam.

— Edward tem razão Bella, acho que ela só está muito chocada com o que viu, mas assim que a esfriar a cabeça vai entender e perdoar vocês. – Emm falou.

— Eu não preciso do perdão dela. – Retruquei. – Não fiz nada errado e realmente não devo satisfação da minha vida a ela.

— Também não devo satisfação, a ela ou qualquer outra pessoa. Mas desde que iniciamos essa amizade sempre fomos sinceras uma com a outra e realmente falhei com Rose nesse aspecto. Você não é um cara qualquer, é o irmão dela.

— Confia em mim Bella, vocês vão se acertar.

— É o que espero Emm, mas agora vou embora, os deixarei a sós para conversar. Nos vemos depois.

Ela se desvencilhou da minha mão que ainda estava atada a sua e saiu.

Mal a perdi de vista quando senti um soco no ombro.

Que merda é essa?

Questionei a Emmett.

Que merda é essa pergunto eu. O que raios vocês estavam fazendo?

— Você não sabe? – Retruquei de forma irônica.

— Ah, eu sei, quanto a isso não se preocupe.

Foi minha vez de lhe dar um soco.

— Se você magoar minha irmã...

— Pode ir parando. Nós estamos juntos e eu a amo. Não adianta vir surtar comigo agora. Você é o errado da questão aqui.

— Por que sou errado?

— Você sabe dizer o que rola com a Bella? Porque pelo que entendi, vocês não fazem a mínima ideia do que estão fazendo. Quer dizer, conscientemente, né? Já que em outros aspectos parecem estar levando as coisas muito bem. – Parou de falar, mas não respondi. – Então?

— Não sei, não sei tá legal? Não sei porque começou, porque continuamos e o que estamos fazendo. Se quer uma resposta sincera, não posso dar porque não sei.

— Que bela merda.

— Eu que o diga.

Suspirei passando a mão no cabelo.

— Quando começou?

— O que?

— Quando ficaram a primeira vez? – Enfatizou.

— No dia que fomos ao rio.

— Não suspeitaria desse dia em específico.

— Poderia colocar a culpa em você pelo acontecido. – Comentei.

— Em mim? Por quê?

— Porque foi após conversarmos sobre você estar sendo um grande babaca em relação a Rose que a coisa aconteceu.

Então de nada. — Bufei.

— Não acho que tenha motivos para comemorar.

— Você está fazendo alguma coisa obrigado?

— Não.

— E a Bella?

— Espero realmente que não.

— Nós a conhecemos, ela não é do tipo que faz algo contra a vontade. – Assenti. – Portanto, seja lá o que estejam fazendo, pode aproveitar. Se os dois estão de comum acordo, só posso torcer para que tudo fique bem. Você é meu melhor amigo e sempre torcerei pela sua felicidade e apesar de conhecer Bella há pouco tempo, você sabe que também a considero muito, sendo assim espero que aproveitem.

— Valeu. E desculpe não ter contado nada, tudo tem sido tão louco que nem sei.

— Ah, eu imagino. Transas por armazéns abandonados e estábulos devem estar realmente ocupando sua cabeça. – Provocou.

— E rio... – Me vi falando.

— O que? Até no rio? Mas vocês não sabem que ir lá agora é perigoso?

— Foi antes da sabotagem. Apesar de que, diante dos fatos acredito que corremos certo risco também.

— Não tenho dúvidas. Mas vocês dois estão bem, hein? Vou ver com a Rose se ela não quer praticar umas coisas assim também...

— Emmett! — Praticamente rugi.

— Nem vem. Pode ir se acostumando, sua irmã e eu estamos juntos e não deixaremos de curtir a vida porque você fica com ciúmes. Além do mais, peguei a Bella, que é praticamente uma irmã também, em uma situação não tão comum, para dizer o mínimo.

— O que vocês viram?

— Quase nada, de início mais o vulto, então o cabelo da Bella e quando nos aproximamos a ponto de entender o que rolava, você virou. Aí tive uma visão péssima da sua bunda branca, que espero em Deus um dia esquecer, mas foi isso.

— Menos mal.

— Com ciúmes?

— Preocupado. A ideia de transar aqui foi minha, Bella ainda chegou a falar que poderíamos ser pegos, mas depois das outras vezes não temi arriscar mais uma.

— Pois é, vocês andaram arriscando mesmo por aí, em todas as situações.

— Eu sei.

— É bom tomarem cuidado de agora em diante. Podiam experimentar um lugar chamado quarto, é bom e super seguro, eu garanto.

Bufei enquanto ele apenas riu.

— Não sei nem se haverá uma próxima vez, quanto mais próxima vez em um quarto.

— Do jeito que vocês estão, eu que não coloco minha mão no fogo contraindo isso. – Dei de ombros. – Mas agora falando sério Edward. Você realmente não sabe o que rola entre vocês?

— Não. Sei que não estamos namorando, nem somos um casal propriamente dito, mas posso afirmar que já fiz e vivi coisas com ela, como não fiz com ninguém.

— Isso é muita coisa. Te conhecendo como conheço, sempre soube que toda implicância tinha muito de tesão enrustido, mas você era tão chato com isso que preferi ficar calado. Mas olha só, eu estava certo. — Se vangloriou.

— Quer ganhar uma medalha por isso?

— Não, só a satisfação de estar certo já basta.

Revirei os olhos e ganhei outro soco.

Mas que porra?

— Quero deixar avisado, sou seu amigo e torço por seja lá o que vocês tenham, pois gosto dos dois e quero vê-los felizes, mas se fizer alguma coisa que magoe a Bella, terá que se ver comigo.

— Como meu melhor amigo, não deveria ficar do meu lado?

— Eu estou, mas Bella não está cercada de família e amigos da vida inteira. Então, tomarei seu partido como um bom irmão mais velho faria.

— E quem toma o meu?

— Sua irmã?

— Isso se ela não estiver querendo me matar também.

— Você sabe que não. Aposto que no fundo ela está feliz também por ver o irmão e a melhor amiga juntos, mais ou menos, enfim, do que jeito que estão. E por não ter aproveitado desde cedo se chateou ao descobrir assim, mas você sabe como ela é, logo ficará feliz também. Aí é só pedir o respaldo perante a Bella.

— Uhum, com certeza ela tomará partido de alguém que não a Bella. – Emm deu de ombros. – Vamos para casa.

— Vamos. – Fechamos as coisas no estábulo e saímos. – Edward?

— Que?

— Só quero comentar uma última coisa.

— Diga.

— Apesar de estar torcendo por vocês, você está ciente de um fato importante, não é?

— Que seria?

— Que Bella está aqui só de passagem. Independente do que acontecer, ela irá embora no fim do verão. Por mais que já estejamos acostumados a sua presença, isso não muda o fato que a mesma é passageira.

— Eu sei disso.

— Espero mesmo que sim, porque como seu amigo, não quero que sofra.

— Nós não somos um casal como você e Rose. Não pretendemos iniciar um relacionamento que logo terá fim.

— Isso pode ser o que pensam agora. Mas não quer dizer que seja empecilho para se envolverem de outras formas, mesmo sem dar título ao que têm.

— Eu sei disso Emmett, não se preocupe.

— Tudo bem. E precisando, agora que não é mais segredo, pode contar comigo.

— Valeu. – Trocamos um meio abraço. – Mas falando em segredo, apesar de você e Rose terem descoberto. Não acho que tornaremos as coisas tão públicas assim.

— Pode ficar tranquilo, não comentaremos nada com ninguém. Não até vocês terem algo para falar pelo menos. – Assenti. – Até amanhã.

— Até.

Nos despedimos com cada qual seguindo o caminho da sua casa.

Próximo a entrada de casa fui recepcionado por Gus.

— Hey garotão, só curtindo a vida, hum?

Ele latiu enquanto fiz um afago em sua cabeça, depois começou a me rodear como que procurando alguma coisa.

— O que foi? Quer brincar? Não tenho nenhuma bolinha aqui.

Bati nos bolsos mostrando que estão vazios, ele latiu e correu um pouco.

— Espera, você não está querendo brincar. Está esperando pela Bella, não é?

Outro latido.

— Gus, você não deve ficar tão apegado a ela, não sabe que Bella vai embora?

Ele latiu e saiu de perto de mim.

— Não adianta reclamar, é um fato. Ela veio para passar um tempo e quando o mesmo terminar vai embora, quer você queira ou não. Devia fazer que nem Storm e nem se deixar envolver pelos feitiços dela.

Sentei no chão e ele voltou para perto.

— Se bem que Storm está querendo se engraçar com a égua da Bella. – Gus latiu. – Vocês têm que entender que quando me refiro a égua da Bella, estou falando da Snow e não dela. Mas enfim, Snow ao menos pertence a Silver Horse, quando Bella for embora ela ficará, ninguém precisará se despedir e Storm continuará com o rolo dele numa boa. Devíamos seguir os passos dele...

Gus deitou a minha frente e baixou os olhos, fiz um afago entre suas orelhas.

— É amigão. Mas essa é a realidade. Bella não pertence a Silver Horse como nós, ela tem outros caminhos a trilhar. Para nós isso aqui é nossa vida toda. Para ela é apenas uma parada em meio a sua jornada.

Ele fungou.

— Vem vou colocar sua comida. Barriga cheia sempre cura tudo.

Levantei e Gus me seguiu.

Coloquei a comida, ajeitei sua casa, deixei tudo limpo e arrumado. Então o deixei desfrutar de suas coisas seguindo finalmente para casa.

Quando entrei fui recepcionado pela mamãe.

— Tudo bem meu amor?

— Sim, tudo. A senhora e o papai se divertiram no passeio?

— Sim, passamos uma tarde agradável.

— Que ótimo.

— Você vai subir para tomar banho e descer para jantar?

— Acho que sim.

— Certo. Seu pai está tomando banho agora, depois que descer nós três jantaremos.

— Nós três? Bella e Rose não vão descer para comer?

— Não. Falei com ambas, mas elas dispensaram a refeição.

— Entendo. Então vou subir e tomar um banho rápido para não atrasar o jantar.

— Tome o tempo que precisar meu filho, seu pai e eu estaremos aqui a sua espera.

— Obrigado mamãe, mas realmente desço já.

Dei um beijo em sua testa e subi.

Ao passar em frente aos quartos pensei ainda por um momento em bater em uma das portas.

Apesar de saber que não devo nada a Rose, também não gosto quando brigamos, porém hesitei em falar com ela nesse instante, já que não imagino que já tenha se acalmado perante suas ações de mais cedo e a julgar por sua escolha de não descer para jantar, acredito que realmente ainda não quer convivência comigo ou Bella.

Pensando nela passei a olhar para a porta de seu quarto.

Ri sozinho pensando na última aventura, que nos colocou nessa saia justa é fato, mas que também foi extremamente prazerosa.

Como falamos, realmente não fazemos a mínima ideia do que é isso que há entre nós, mas quando estamos juntos as coisas são astronômicas de outro nível, quanto a isso não há dúvidas.

Nunca tinha comentado com mulher alguma sobre a vontade pueril de transar no feno, não só por não me envolver com moças das redondezas, mas também por achar que nenhuma toparia a experiência, porém desde o início quando contei a Bella sobre a vontade, não temi uma represália sua, de alguma forma senti que ela me entenderia.

E qual não foi minha surpresa ao constatar sua animação perante a ideia e hoje ter topado sem frescuras envolver-se comigo.

Corremos grande risco e no fim das contas até fomos pegos, mas não senti em momento algum que Bella se arrependeu, talvez agora esteja um pouco arrependida diante dos rumos que as coisas tomaram, mas ao menos na hora não senti isso.

Quase a ponto de bater em sua porta me refreei, pensando na conversa com Emm e em como não posso esquecer de forma alguma que ela tem data e hora certa para partir.

Sendo assim, é melhor manter-nos afastados no tempo que for possível, nem que seja ao menos para colocar a cabeça no lugar e pensar bem no que queremos e faremos, definitivamente precisamos estabelecer um rumo certo às coisas...

***

Aguardamos uma resposta da polícia na segunda-feira, que não veio. O delegado Jenks apenas informou que seu perito, Riley, ainda está tratando da perícia necessária para determinar exatamente o que causou o estrago nas carnes e assim posicionarem corretamente as investigações a procura do responsável ou responsáveis, por essa maldita sabotagem.

Minha vontade ao ouvir essa resposta foi de ir bater novamente na casa dos Black e exigir explicações claras, porque nada me tira da cabeça que eles possam ter algum envolvimento com tudo isso, podem não ser os mandantes, mas ser realmente inocentes de todo é difícil de acreditar.

Pode ser que eles tenham sido coagidos, ação que não imagino ter sido muito difícil, a facilitar as coisas. Entrada, passagem para os campos da Silver Horse, aspectos rotineiros de uma fazenda, mesmo que as nossas sejam diferentes em muitos sentidos, quem tem algum tipo de conhecimento com esse tipo de terra tem muitos privilégios.

Apesar de por um instante pensar que esses são pensamentos infundados, me agarro a eles ao máximo, pois do contrário tenho que começar a cogitar a ideia de ter realmente um infiltrado ou alguém que traiu nossa confiança, pois não vejo como uma pessoa de fora e sozinha, conseguiria coordenar essas ações tão bem sem deixar rastro algum para ao menos cogitarmos a procedência dessa pessoa e também suas intenções.

Pois se não são os Black, quem pode estar por trás de algo assim? E com qual propósito? Apenas destruir-nos em aspectos profissionais ou algo de cunho pessoal?

Essa indecisão e falta de resposta uma hora vai acabar me matando. Não sou um homem dotado de muita paciência e permanecer nesse impasse não ajuda em nada a manter meu alto controle.

— Edward?

Emmett chamou minha atenção.

— O que?

— Não vai parar? Já chegamos não percebeu?

Realmente fiquei perdido a tal ponto de não reparar que estamos em frente à delegacia de Collierville.

— Não, não tinha reparado.

— E eu ainda arrisco minha vida andando com você.

— Você veio comigo porque quis, não chamei ninguém.

— Epa! Fica tranquilo aí que não estou aqui para levar suas broncas e reclamações.

— Foi mal, desculpe. Estava com a cabeça longe.

Comentei ao sairmos do carro em direção à entrada da delegacia.

— Percebi, nem na rua estava reparando.

— O que só comprova o quão bom motorista eu sou.

— Imprudência e desatenção agora mudaram de nome?

— Nem vem. Eu sou um ótimo motorista. Muito melhor do que você.

— Mas não é melhor do que a Rose. – Retrucou.

— Rose vive dentro do carro dela, o mínimo que pode fazer é ser uma boa motorista. Eu vivo em cima de Storm, ninguém duvida que sou bom de montaria.

— Sabe quem é boa no volante e a cavalo?

— Quem?

Questionei, mas me arrependi no mesmo instante por saber exatamente a reposta.

Bella. Que além de boa motorista, também é ótima amazona. Você que o diga...

— Emmett...

Prestes a fazê-lo calar a boca por suas insinuações, fomos interrompidos pela chegada de James e Laurent.

— E aí caras.

Emm os cumprimentou primeiro.

— Fala, como vocês estão? – James respondeu.

Trocamos apertos de mãos.

— No geral bem. E vocês? Só na vida boa? As patroas como estão? – Perguntei.

— Vic está ótima. Irina, no entanto, tem dado trabalho para o nosso amigo aqui.

James respondeu rindo e batendo nas costas de Laurent.

— Será que ela vai te deixar? – Emm provocou.

— Vira essa boca para lá idiota. Irina não vai me deixar. Ela só anda estranha, deve ser coisa de mulher, quem entende elas afinal? – Comentou e assentimos.

Porque se realmente há um mistério no mundo são as mulheres e não tenho dúvida que nós homens jamais seremos capazes de entendê-las completamente...

— Mas Rose e você? Estão vivendo a fase de lua de mel do relacionamento? – Laurent devolveu.

— Digamos que sim, tudo está ótimo entre nós.

— Pois aproveite amigo, aproveite enquanto dura.

Respondeu e rimos.

— E nosso amigo Edward aqui, continua sustentando o título de solteirão convicto da Silver Horse? – James soltou.

— Então, digamos que ele não anda necessariamente sozinho ultimamente. – Emm soltou.

— Emmett, cala a boca. – Adverti.

— O que? Você está se envolvendo com uma mulher? Além de uma noite só? – Laurent perguntou.

— Não estou me envolvendo com ninguém, Emmett só está falando besteira.

— Será? Pois posso jurar que notei algo no ar entre você e certa morena que está hospedada na sua fazenda. – James disse.

— É mesmo. A morena, é a veterinária que está passando o verão com vocês, não é? Boa escolha amigo. – Laurent comentou.

— Vocês dois podem calar a boca também. Querem que eu diga as suas esposas que quando saem para trabalhar ficam reparando em certas morenas por aí?

— Opa, alto lá que estou muito bem com a minha ruiva.

— E eu com a minha loira. – Laurent completou. – Reparamos nela quanto a você amigo, nada além.

— Não deem bola para o Edward, ele só está com ciúmes de vê-los falando da Bella dele. – Emm provocou.

— Ela não é minha Bella! E já falei que não temos nada. – Enfatizei.

— Não acredito em você. Somos policiais esqueceu? Sabemos quando alguém está mentindo. E nesse momento você está claramente tentando esconder algo. – James falou.

Laurent e Emmett riram, enquanto só revirei os olhos, mas aproveitei o gancho para mudar de assunto.

— Já que são tão bons policiais, já sabem dizer quem está por trás das sabotagens na fazenda?

Imediatamente a expressão deles mudou.

— Foi mal cara, ainda não temos suspeitos declarados. – James respondeu.

— Mas o delegado tem mais informações, entrem lá e conversem com ele.

— É o que vamos fazer cara, valeu.

Emmett agradeceu a Laurent, então nos despedimos seguindo o caminho da sala de Jenks.

Quando o delegado ligou essa manhã pedindo que alguém viesse à delegacia para conversar não hesitamos em fazê-lo.

Papai e Rose também queriam vir, mas eles já tinham marcado compromissos em Memphis para tratar justamente das questões com os fornecedores, então Emmett e eu viemos, mas também aproveitaremos para resolver uns assuntos em Collierville, assim compensando o trajeto.

A secretária informou que já podemos entrar e assim fizemos.

— Edward, Emmett, como estão?

Jenks cumprimentou quando entramos.

— Bem delegado e o senhor?

O cumprimentei seguido por Emm.

— Indo, mas sentem, já pedi para chamarem Riley, quando ele chegar poderemos conversar. Mas digam, desde quinta, não houve mais problemas na fazenda?

— Graças a Deus não. – Emm falou. – Quando levantamos e encerramos o dia sem mais acontecimentos, agradecemos.

— Bom, sendo claro ainda não temos um suspeito declarado quanto a essa questão, mas não estamos parados. Conseguimos diagnosticar o entorpecente usado para deteriorar a produção de vocês e agora vamos a fundo atrás dessa pista e também já estamos de olho ao redor da sua fazenda. Vamos encontrar quem está por trás disso.

— Obrigado delegado é o que esperamos. – Falei.

Nesse instante ouvimos uma batida na porta, em seguida Riley aparecendo.

— Delegado, posso entrar?

— É claro Riley, pedi para chamá-lo, assim você pode explicar aos rapazes sobre o que descobriu.

— Certo. Bom dia.

— Bom dia.

Emm respondeu, me limitei a balançar a cabeça.

— Então, não conseguimos dar uma resposta a vocês na segunda-feira, apesar de ter trabalhado o fim de semana inteiro nessa questão, pois tive que enviar uma amostra das toxinas encontradas para um laboratório em Memphis, como pedi prioridade eles deram a resposta ontem.

— Tá e o que foi que você descobriu? – Perguntei.

— Então senhor Cullen, de primeira assim que vi o estado da sua produção achei que tinham apenas injetado um veneno, que já seria responsável por deteriorar tudo, mas quando comecei a analisar notei que não se tratava de um envenenamento comum, quem fez isso não apenas adquiriu um pesticida simples, a pessoa preparou uma fórmula própria.

— Como assim? – Emm perguntou.

— Indo direto ao ponto. O veneno usado não é um que se encontra em qualquer lugar, não só por ser um entorpecente pesado, mas porque foi feito acredito eu, que manualmente com a adição de variados agentes.

— Escute, nós não somos químicos e não estamos interessados em aprender questões desse tipo a essa altura da vida. Você pode ir direto ao ponto e dizer logo o que importa?

Falei já sem paciência para a conversa fiada desse cara.

— Sim, certo, perdão. O ponto é que o veneno usado não foi um comum. O mesmo apresentou fórmulas diferentes que o compunham, por isso enviei para um laboratório mais especializado, para confirmar as suspeitas. Acredito que quem fez isso não queria apenas ou propriamente acabar com a produção de vocês, tanto visto que não infectou tudo, apenas algumas peças especificas.

— E se ele não queria prejudicar a produção, qual era o objetivo? – Emm perguntou.

— O veneno tinha compostos de pesticidas misturado a metais pesados como cromo e mercúrio, mas também apresentou doses de ácido sórbico, que no mercado de carnes geralmente é usado como forma de conservante. Não sei se já ouviram falar, mas quando um produtor quer esconder que a carne está estragada, utiliza esse ácido para maquiar o estrago, que pode dar um jeito na aparência, mas no fundo o produto continua inconsumível.

— Sim, já ouvimos falar sobre isso, mas jamais usamos algo assim na Silver Horse. – Expliquei.

— Sim. Se a pessoa quis estragar, por que misturar justamente esse elemento para tentar esconder o feito? Então imagino que a pessoa que fez isso não tenha tanta técnica, apesar de ter feito um produto bem eficaz. Acho que a intenção era contaminar as carnes, mas não tão rápido e nem de modo aparente, sendo assim, o ácido sórbico agiria como retentor e vocês comercializariam a carne normalmente, vindo a ter prejuízos apenas quando diagnosticassem no futuro que as mesmas estavam estragadas.

Filho da puta!

Exclamei levantando da cadeira, a mesma bateu na parede com o impacto.

— Edward, tente se controlar.

— Como posso me controlar Jenks? Você ouviu o mesmo que eu? Esse cara ou pessoa que seja, tentou não só sabotar diretamente a produção da Silver Horse, mas prejudicar-nos em longo prazo e quem sabe até outras pessoas que consumiriam produtos estragados. Isso é um absurdo.

— Eu sei Edward, pode confiar que estamos investigando isso a fundo. Não só em nome da sua fazenda, mas também pensando nas outras, não acredito que algo assim possa ser direcionado apenas a vocês.

— Enquanto isso ficamos de mãos atadas? Sem pista alguma de quem está por trás disso? – Retruquei.

— Você falou que quem fez isso não usou uma coisa só, não podemos procurar por compradores de um veneno específico. Mas nas suas pesquisas não é possível saber de pessoas que tenham adquirido esses produtos químicos ultimamente? Acredito que os mesmos não sejam fáceis de encontrar. – Emmett comentou.

— Iremos apurar esses fatos Emmett, mas não podemos achar que a pessoa comprou algo por Collierville mesmo ou até pelas cidades vizinhas. Se ela teve o trabalho de organizar tudo de forma tão precisa e quase com 100% de êxito, não podemos acreditar que seria responsável por um trabalho amador de comprar as coisas a vista de todos. Mas investigaremos isso a fundo, vocês têm minha palavra.

— Delegado, sem querer desrespeitar seu empenho e autoridade, mas no momento sua palavra dizendo que investigará a situação não nos conta de nada. Para você esse é apenas mais um caso, você fará seu trabalho visando resolvê-lo como qualquer outro, mas para nós é questão de vida ou morte. – Deixei claro. – Alguém está querendo não só nos prejudicar, mas sinto que o objetivo maior seja nos destruir de todas as formas. E não fazemos a mínima ideia de quem está por trás disso ou porque está fazendo essas coisas. Não temos ideia se vai fazer algo novamente e quando. Então desculpe se suas palavras não me servem de conforto.

— Eu entendo Edward, mas nenhum caso que pego é apenas um caso. Posso não trabalhar no ramo fazendeiro como vocês, mas nasci e cresci em Collierville, sei que não só a cidade, mas também todo o estado foi construído em cima desse ramo. Que a fazenda de vocês é uma das mais antigas da região e não estou contente em saber que alguém está tentando prejudicá-la. Então peço que confiem no nosso trabalho, que faremos o melhor para solucionar essa questão.

— Tudo bem delegado, agradecemos a disposição e confiamos no senhor e seus homens para resolver o assunto. – Emmett respondeu.

— Como o delegado disse, não imaginamos que quem fez isso possa ter deixado rastros simples de encontrar, mas não desistiremos de procurar em cima das pistas que temos.

— Obrigado, agradecemos sua disposição também.

Emmett agradeceu a Riley que assentiu.

— Sim. E nos mantenham informados sobre qualquer coisa que descobrirem.

— Não se preocupe Edward e vocês também, além de tomar cuidado, caso qualquer coisa aconteça, nos informe imediatamente. – Assentimos.

Nos despedimos do delegado e o tal Riley e saímos da sala.

Mesmo com a cabeça cheia, Emmett e eu seguimos para resolver as questões restantes pela cidade.

Depois de terminar tudo, de volta ao carro reencontramos James e Laurent.

— Vocês não trabalham não? – Emm perguntou.

— É claro que trabalhamos, mas agora é hora do nosso almoço. – Laurent respondeu.

— Vocês não receberam notícias muito boas do delegado, né? – James soltou.

— Não. Além de não serem boas, foram piores do que imaginávamos.

— Sinto muito cara. Mas vamos a fundo nisso, não deixaremos ninguém destruir a fazenda de vocês.

— Valeu.

— Por que não vêm almoçar com a gente? Tomar uma cerveja, jogar conversa fora. – Laurent sugeriu.

— E vocês podem beber em meio ao expediente? – Retruquei.

— Uma cerveja não vai nos matar e no período da tarde não faremos ronda de carro, então sem dirigir não há problema. E serviremos ao povo de Collierville levando vocês para espairecer e tirar as ideias ruins da cabeça. – Devolveu.

— Se é assim, não vejo mal algum, vamos.

Emmett falou e seguimos até um restaurante muito frequentado por nós antigamente, hoje em dia com a correria da vida não conseguimos aproveitar mais como antes.

Entramos e fizemos os pedidos, claro que os mesmos consistiram apenas em muita carne e uns acompanhamentos, pedimos também algumas cervejas e ficamos jogando conversa fora.

James e Laurent contaram mais da vida de casados, foi um momento bom para provocações, ao menos eles não trouxeram o assunto Bella de volta, deixando para importunar apenas Emmett que declaradamente tem um relacionamento ao qual falar.

Depois do almoço decidimos jogar ao menos uma partida de sinuca, até dar a hora dos rapazes voltarem a delegacia e nós seguirmos para a fazenda.

As duplas como sempre foram às mesmas, o jogo foi bom, somente uma coisa não muda com o passar dos anos, James e Laurent continuam péssimos no jogo.

— Sério, parece que vocês nunca aprendem.

Comentei rindo ao finalizar a partida.

— Não fique se achando Cullen, você tem uma habilidade astronômica na sinuca, mas não esqueça que não é bom em tudo. – James retrucou.

— Pois diga algo mais para fazermos em que não consiga derrotar vocês?

— Hoje não da para fazer mais nada, mas vamos pensar em algo e desafiar vocês. – Retrucou.

— E você Emmett não se sente mal sabendo que só ganha porque sempre está com o Edward?

— O que você ia preferir Laurent? Estar sempre no time vencedor ou perdedor?

Emm respondeu e rimos.

— O jogo é realmente só entre vocês ou outras pessoas podem tentar?

Fomos interrompidos pela aproximação de um homem, até então desconhecido por mim.

— Não é fechado. O senhor pode tentar a sorte se quiser. Tem alguém para fazer dupla?

Laurent perguntou.

— Não, não costumo andar acompanhado. Mas pensei em tentar por mim mesmo. Caso o jovem aí tenha interesse em um pouco de desafio?

Falou em minha direção.

— Não me importo em jogarmos. Estou precisando de um adversário diferente mesmo. – Respondi.

— Ótimo. Então vamos jogar.

O homem vestido de forma social, tirou o terno e dobrou a manga da camisa.

Pegou um taco, enquanto apenas preparei o meu e iniciamos a partida.

— Não conhecemos o senhor, por certo não é nativo. – Laurent disse.

— Não, estou conhecendo a cidade. Perdoem a indelicadeza de não ter me apresentado antes, sou Alistair Weinberg.

— Prazer senhor Weinberg. Eu sou Laurent e esse é o meu parceiro James, somos policiais da delegacia de Collierville.

— Os senhores não me viram, mas já os vi nas rondas pela cidade. De todo modo, é um prazer conhecê-los pessoalmente.

— E eu sou Emmett e seu oponente é o Edward, trabalhamos na Silver Horse. Quer dizer, eu trabalho, Edward é um dos donos.

— A famosa fazenda Silver Horse, sobre a mesma já ouvi falar.

Terminei de dar minha tacada e ergui o rosto.

— É mesmo? O senhor trabalha com algo do ramo? – Questionei.

— Não, não entendo nada de fazendas. Mas desde que coloquei os pés na cidade ouço falar da fazenda de vocês e como ela é uma grande produtora da região. Quer dizer, não só da região, mas do país também.

— Isso é verdade. A Silver Horse é grande não só aqui, mas perante o comércio agrícola do país todo. – James comentou.

O tal Alistair deu sua tacada acertando a bola e prosseguindo no bom número de acertos por mais três jogadas.

— Você é bom. – Comentei.

— Costumava jogar quando mais jovem, mas acho que é o tipo de habilidade que não se perde mesmo com os anos.

— Acho que não.

Jogamos mais um pouco praticamente empatados, mas em determinado momento acabei perdendo o foco da tacada por seu comentário.

— Como estão as encantadoras senhoritas Cullen e Swan?

— Espera um pouco. O senhor conhece a Rose? – Emm perguntou.

— E a Bella? – Emendei.

— Tive o prazer de conhecer as duas em uma noite na confeitaria. Moças encantadoras. Espero que estejam bem.

— Estão sim. – Emm informou. – Diremos que o senhor perguntou por elas.

— Não acredito que se lembrarão de mim. Foi um encontro rápido, apenas para ser apresentado a senhorita Cullen. Hoje estou conhecendo você, sinto-me honrado em conhecer os famosos Cullen.

— Não somos famosos. – Pontuei.

— Não é a impressão que tive diante dos comentários das pessoas.

— Collierville é uma cidade pequena, as pessoas se impressionam com pouco, inclusive com o Edward.

James provocou e mostrei o dedo a ele.

— Olha o respeito, sou uma autoridade.

— Sim. Vocês são o exemplo máximo da autoridade em Collierville.

Retruquei e os rapazes riram.

Nos aproximamos do fim da partida, praticamente empatados durante todo tempo, quem matar agora leva.

A bola para Alistair ficou em uma boa posição, porém mesmo assim ele errou, diante de como vinha jogando não foi algo esperado.

— Acredito que é sua chance. – Apontou.

Não hesitei em dar a tacada, encaçapando a bola e encerrando a partida.

— E mesmo assim o Edward ainda ganhou. – Laurent falou.

— Ao menos dessa vez tive algum tipo de desafio. Foi uma boa partida.

— Também achei. – Alistair estendeu a mão e trocamos um cumprimento. – Foi um prazer conhecê-los rapazes, jogar também, mas agora preciso ir.

— Nós também já vamos. – Emm falou.

— Espero que nos encontremos outras vezes.

— É claro.

Ele deu tchau aos rapazes e saiu.

— Sujeito interessante. – James comentou.

— Forasteiro como outros, apesar de Collierville ser a cidade pequena, as pessoas que se impressionam com as coisas daqui. – Laurent comentou.

— É, só achei que para um forasteiro ele até que está bem interligado das coisas. – Falei.

— Edward como sempre desconfiado. Vamos embora, ainda temos coisas a fazer na fazenda e vocês têm que ao menos fingir que trabalham. – Emm provocou.

Enquanto ele e Laurent seguiram implicando um com o outro a frente, James fez um último comentário comigo.

— Pode ir tranquilo que faremos tudo que for possível para solucionar a questão da fazenda.

— Eu agradeço e no momento tenho que confiar em vocês, né? Deus me ajude.

— Deixa de ser idiota. Somos muito bons no que fazemos, você por acaso já ouviu falar de qualquer infracção ou violência em Collierville? – Antes de poder responder, ele completou. – Exatamente, não tem. Porque nós cuidamos de tudo.

— Oh, é claro. Vocês são os salvadores da cidade. – Retruquei e rimos.

Ao chegar no carro nos despedimos deles e seguimos até a fazenda.

Ao chegar já encontramos papai e Rose, que ainda não está falando muito comigo, mas como o assunto diz respeito à fazenda, não hesitou em me ouvir.

Contamos a eles o que nos foi informado na delegacia e que a resolução é esperar.

Depois da conversa, Rose seguiu para casa, enquanto papai se ofereceu para nos ajudar a tirar as coisas do carro.

Mal começamos a descarregar os condimentos quando fomos surpreendidos por Bella a pleno galope sobre Snow.

— Bella, por Deus o que houve? Por que está esbaforida assim? – Papai perguntou.

— Vocês precisam vir comigo. Agora!

— O que foi? – Emm questionou.

Fogo. Está começando a se alastrar uma faixa de fumaça próximo ao campo onde os bois pastam.

Porra. — Exclamei.

— Vão na frente a cavalo, vejam como está a situação. – Papai indicou. – Vou com o carro ao depósito de serragens pegar as mesmas e levar.

— Antes de chegar aqui encontrei outros funcionários pelo caminho e eles já estão cuidando disso também. – Bella informou.

— Ótimo. Agora vamos, não temos tempo a perder.

Papai deu meia volta e entrou no carro arrancando.

— Edward, vá com a Bella na frente. Vou até o estábulo pegar o Thor e já encontro vocês.

— Por que eu? Você poderia ir com ela. Eu ou você dá na mesma.

Edward cacete! Da para fazer o que falei e parar de reclamar?

Emmett nem esperou por uma resposta e já saiu em disparada rumo ao estábulo.

Mesmo contrariado virei em direção a Bella.

— Ok, desce.

— O que?

— Desce para trocarmos de lugar.

— Você só pode estar de brincadeira. Monta logo Edward, estamos perdendo tempo.

Mesmo a contra gosto montei atrás dela, sem trocarmos mais palavras Bella seguiu até o local informado.

De longe enxerguei a fumaça e a movimentação dos funcionários a caminho de conter o alastramento do fogo, quando Bella parou Snow saltei sem esperar, mas logo a senti próxima a mim.

— Acha que isso pode ser mais uma sabotagem? – Perguntou.

— Não sei. Estamos no verão, infelizmente não é incomum focos de incêndio se proliferarem em pastagens a céu aberto como aqui, acho que já a dois verões algo assim não acontecia. E diante do que estamos passando é difícil não pensar que isso também pode ter sido planejado e não um simples acaso.

— Ás vezes penso que de alguma forma eu sou a responsável por essas coisas. Sabotagem ou não, algo assim não acontecia há anos e justamente quando estou aqui...

Para! Já conversamos sobre isso. Você não tem responsabilidade alguma sobre nada. Que ideia maluca é essa de pensar que sua presença aqui é causadora dos nossos problemas? Você só trouxe bons ventos a Silver Horse.

— Você acha?

— É um fato.

De repente ouvimos tanto o barulho do carro, quanto a movimentação de Emmett e outros homens chegando.

— Continuamos essa conversa depois.

— Oh, vamos conversar? Pensei que estivesse me evitando.

Provocou e mesmo em meio ao caos, sorri.

— Parece que os papéis se inverteram.

— Pois é, mas realmente acho que precisamos conversar.

— O faremos, mais tarde.

Ela assentiu, então seguimos para perto dos homens e adentramos o campo prontos para combater os focos de incêndio.

— Pode parecer uma pergunta tola, mas preciso entender. Por que o recomendável é apagar o fogo com serragens e não com água? – Bella perguntou.

— Em situações assim, só água não bastaria. É capaz de por incrível que pareça, dar mais gás ao fogo. Então quando há focos de incêndio em áreas abertas como campos, florestas, pastagens, a melhor solução é controlar com agentes secos, para apenas baixá-lo e não dar vivacidade. – Papai explicou.

— Entendo. Já vi nos jornais os bombeiros apagando incêndios em florestas com gazes e coisas do tipo, mas nunca entendi o porquê.

— Essa é a vida, vivendo e aprendendo. – Emm comentou.

Mesmo em meio à conversa nos posicionamos para espalhar a serragem, nem tentamos deixar Bella de fora da ação, seria uma luta perdida e desnecessária, então apenas lhe demos uma função menos arriscada e seguimos com o trabalho.

Para nossa sorte conseguimos diagnosticar tudo ainda no início, é sempre desgastante cuidar de coisas assim, como falei a Bella, já faz um tempo desde a última vez que precisamos tomar esse tipo de providência e não é uma experiência aprazível de repetir.

Apesar de tudo, o trabalho tomou o restante da tarde, tivemos que realocar o gado para pastar mais ao norte para que não transitem em cima das cinzas depois e teremos que ficar de olhos abertos também mediante possíveis novos acontecimentos.

Com o trabalho completo, todos seguiram para suas casas, Emm veio conosco, já que como seus irmãos disseram, ele praticamente mora mais na nossa casa do que na sua.

Quando entramos mamãe e Rose se jogaram sobre nós preocupadas e querendo saber como foi tudo. Ao ver Rose e Bella se abraçando, sorri internamente. Não sei se elas já conversaram, mas ao menos a questão serviu para reaproximá-las de certa forma, espero realmente que elas consigam se resolver.

E nós dois também, quer dizer três, já que preciso seriamente resolver minhas questões com essas duas mulheres...

Contamos a mamãe e a Rose como foram às coisas, Rose já tinha informado nossa mãe sobre as questões que ficamos sabemos na delegacia e foi inevitável tocar no assunto se o que houve hoje foi realmente só um fato isolado referente ao clima ou talvez tenha sido mais uma obra da pessoa que está querendo nos prejudicar.

Sem muitas resoluções seguimos para o banho e depois nos reunimos novamente para jantar, mas depois de comer não permaneci muito tempo em companhia da minha família, preferindo voltar ao meu quarto e refletir sobre minhas questões.

Cansado física e mentalmente decidi me trocar, o que na verdade quer dizer somente tirar a roupa e deitar para dormir, porém no instante que tirei a camiseta ouvi batidas na porta.

Não pensei em vesti-la novamente, apenas caminhei para abrir a porta dando de cara com Bella.

— Oi. – Saudou.

— Oi.

— Vim saber se podemos conversar.

— É, sim, claro. Entre.

Ela o fez e fechei a porta.

— Espero não estar incomodando.

— Não, claro que não. Estava me arrumando para dormir, mas isso pode esperar.

— Então é melhor voltar outra hora, deixá-lo descansar.

— Não. – Segurei em seu pulso impedindo-a de sair. – Fica, precisamos mesmo conversar.

Trocamos olhares sérios.

— Como você está? – Perguntou.

— Em que sentido?

— Com tudo que está acontecendo. Emm me contou o que souberam na delegacia e essa questão de hoje. Sei que minha opinião não é a mais válida no assunto, mas diante do que falaram, acho que realmente o que houve hoje pode ter sido só um acaso, uma questão do tempo.

— Primeiro que sua opinião é válida como qualquer outra, dependendo do caso, até mais. E também penso nisso, diante de como as coisas aconteceram, a pessoa por trás da sabotagem não tem feito coisas pequenas. Hoje descobrimos que o plano com as carnes era muito maior e que por um erro de percurso deu errado de certo modo e conseguimos contornar um pouco a situação. Então não acredito que essa pessoa teria regredido em seus planos dessa forma.

— É horrível pensar que quem planejou isso queria não só estragar as carnes, mas realmente envenená-las a ponto de prejudicar outras pessoas também. Quem pode ser ruim desse jeito para fazer algo assim?

— É o que também gostaria de saber.

— Espero que a polícia encontre o responsável logo e que ele pague pelo que está fazendo. E que isso aconteça rápido, não gostaria de ir embora sem essa história estar resolvida.

Como se tivesse levado um choque soltei seu braço e me afastei andando pelo quarto.

— Pois é, mas se for levar isso em conta à polícia tem um tempo limitado para descobrir tudo. Porque seus dias aqui não vão aumentar, a tendência é sempre diminuir.

— De todo modo, esperamos que solucionem tudo rápido, ninguém quer que isso continue por mais tempo.

— Sim. Você e Rose se acertaram? Vi o abraço de vocês mais cedo e fiquei na dúvida sobre como as coisas estão.

— Nós conversamos sim. Vocês tinham razão, ela só precisava de tempo para esfriar a cabeça e me ouvir. Quem diria que dos irmãos Cullen ela seria a mais turrona?

— Eu falei. Todos pré julgam que eu sou o mais difícil, mas a diferença entre nós é que expresso mais claramente minhas emoções contrárias, Rose internaliza as suas, mas também quando se manifesta...

— Eu que o diga. Emmett e eu que estamos bem arranjados com vocês irmãos Cullen. Bela dupla de melhores amigos e...

Se refreou.

— E? Emmett divide-se entre um melhor amigo e uma namorada. E você Bella? Tem uma melhor amiga e o que?

— Não sei.

— Já estou cansado dessa frase. Dessa coisa de tentarmos conversar e não chegar a lugar nenhum.

— E você acha que gosto disso? Dessa indecisão constante? De não saber ao certo o que sinto? O que devo fazer? Por que faço as coisas? Acredite, essa não sou eu.

— Então vamos estabelecer algo de uma vez por todas. Você disse uma vez e não levei a sério, mas acho que está na hora de acertarmos os pontos.

— Você quer dizer não nos envolvermos mais?

Perguntou a um fio de voz.

Você vai embora Bella. Em momento algum esqueço esse fato, talvez nos instantes furtivos que nos perdemos um no outro, mas tirando isso, não esqueço que você está aqui apenas de passagem. E não tenho interesse em basear um fato da minha vida com data e hora para acabar.

— E as coisas precisam ser assim? A ferro e fogo?

— E como podem ser?

— Com conciliação. É verdade, eu tenho data e hora para ir embora, o que não quer dizer que tenho que limitar minha vida. Também é verdade que quando cheguei, deixei claro que não tinha interesse em viver algo somente nesse período, mas não pensei que passaria por algo assim, ainda mais com você. Que engraçada a vida, não é mesmo? Quebra nossos conceitos sem ao menos percebermos. Porém mesmo assim ela ainda nos dá escolhas.

— E qual é a sua escolha?

Ela se aproximou.

Eu gosto de você. Aprendi a gostar do Edward responsável pela fazenda, compenetrado em suas funções. Do Edward divertido e brincalhão, que acredito que seja meu amigo. E gosto do homem com quem me sinto confortável e segura a ponto de fazer coisas que jamais imaginei. Simplesmente gosto de estar na sua companhia e quero desfrutar disso. Se você quiser...

Eu também gosto de você Bella. Já deixei isso claro a um bom tempo. Quando deixei meus pré-conceitos caírem por terra, me encantei por todas as suas facetas, até a parte louca que vive nos colocando em confusões. – Ela riu.

Não resisti e fiz um carinho em seu rosto.

—E gosto muito da mulher com quem tenho compartilhado experiências extraordinárias...

— Então, por que simplesmente não podemos viver isso? Ouça, nunca estive com alguém de forma casual, você nunca teve um relacionamento sério. Por que não nos deixamos levar por essa nova experiência? Vamos viver um dia de cada vez, sem pensar no amanhã e especialmente na minha partida. Deixar as coisas rolarem, continuar trabalhando juntos, sendo amigos e curtindo o que mais quisermos. Sem restrições ou amarras.

— Um pouco como já estamos fazendo, só que sem o estranhamento após certos momentos específicos?

— Isso. Vamos continuar nossa relação exatamente como ela tem sido, mas com o bônus de um conhecimento sem restrições e simplesmente aproveitar. Hoje quero estar contigo e não me recriminar por isso depois. E o amanhã será sempre um novo dia a desbravar.

— Tipo aquele filme que a mulher todo dia tem que entender que está com o cara que ela gosta?

— Exatamente. Como se fosse à primeira vez. Você topa passar por essa experiência comigo? Sem restrições e sem pensar em mais nada além do que queremos?

Com os olhares presos encontrei nos seus a confirmação sobre a minha resposta.

Agora só resta lhe informar minha decisão e vivenciar a jornada...

CONTINUA.

Notas finais
N/A: E aí meninas sabem qual resposta o Edward dará? Para quem pensou que Rosemm ia dar pulos de alegria ao saber sobre Beward, teve um grande engano. Durante a semana postarei no twitter uma explicação de como os personagens têm vida própria e fazem o que bem entendem. A Bella e a Rose já fizeram as pazes e semana que vem veremos como foi isso, mas aqui só o Emm mesmo que deu certo apoio ao Edward, mas não deixou também de deixar claro o apoio a irmãzinha de consideração. Quanto as questões da sabotagem, a polícia não tem muitas pistas no momento, mas conseguiram diagnosticar como a(s) pessoa(s) por trás de tudo agiu(ram), que o plano era muito mais complicado do que pensamos de primeira. E dessa vez os rapazes apreciaram um momento de tranquilidade com os amigos e um personagem que vocês particularmente não gostam muito deu as caras novamente, o que acharam da interação? E sobre o fogo no pasto? Acreditam que foi um agente do calor ou pode ter a mão de alguém por trás? É isso, semana que vem descobriremos a resposta do Edward, que virá um pouco mais cedo, mediante essa atualização, por isso comentem muito, me deixem saber suas teorias, palpites, resoluções, etc. Recomendem também se quiserem. Não deixem de me seguir no twitter: @KNRobsten, para estarem sempre por dentro das novidades e avisos. Até quarta que vem. ~Kiss K Nanda.