Notas iniciais
Boa noite. Quintou nessa atualização. Infelizmente não consegui postar ontem, mas peguei um pouco de bode por ser 1º de abril que achei até bom não vir. Mas aqui estamos. Dessa vez consegui avisar sobre o atraso, ao menos às meninas que comentaram no capítulo passado, por isso é tão importante que deixem reviews, o feedback é mais do que certo dessa forma. Mas estão prontas para saber se o Emm conseguirá ser solto? E acompanhar mais emoções desses personagens fascinantes? Espero que sim. Apreciem Com Moderação. Capítulo Postado Em: 02/04/20

POV Edward

— E o que o juiz falou Aro? Ele concedeu o habeas corpus ao Emmett?

Papai perguntou.

Não Carlisle. Infelizmente ele não concedeu meu primeiro pedido de habeas corpus.

O que?

Ouvi o questionamento de Bella.

Não. Não. Não.

— Calma minha filha.

— Como vou me acalmar mamãe? A senhora ouviu, Emm continuará preso.

— Mas não em definitivo filha.

— Não mesmo senhorita Cullen. Como disse, o juiz rejeitou o primeiro pedido de habeas corpus, porém continuarei tentando.

— Por que ele rejeitou o pedido Aro?

— Então Carlisle. Como o crime infringido a fazenda categoriza-se em algo que poderia prejudicar não apenas vocês, mas também outras pessoas e algumas provas foram encontradas entre as coisas do senhor McCarty, tornando-o o principal suspeito, o juiz não quer arriscar sua soltura.

— Mas por que estão tratando o assunto dessa forma? – Questionei. – Sendo que fomos os únicos prejudicados desde o início?

— A partir do momento que fizeram a denúncia, no dia que sabotaram a produção bovina, a instância de Collierville entende que o que houve aqui não foi um caso isolado, que poderia muito bem atingir outras fazendas e propriedades, apesar de dizerem que isso possa ser um acontecido pessoal e exclusivo que está afetando apenas vocês, a justiça não pensa assim, já que ela visa o bem-estar e proteção de todos.

— Não. Ela está sendo apenas injusta. – Bella retrucou. – Prendendo o Emm que sabemos que é inocente, enquanto o verdadeiro culpado está livre por ai.

— Não senhorita Swan. O senhor McCarty está preso, porém não quer dizer que as investigações pararam. Eles apenas renderam o único e principal suspeito até o momento, mas não estão parados. No entanto, isso é o que a polícia de Collierville está fazendo, para o juiz, que não conhece o suspeito a fundo, ele é apenas a pessoa que até o presente momento está por trás de tudo, diante dos acontecidos, ainda mais que as últimas sabotagens foram praticadas através de envenenamentos, circunstância que poderia muito bem sair do controle, conforme foram informados. O sabotador queria prejudicar não só a produção, mas também terceiros em longo prazo, não teve êxito nesse plano, mas quem garante que seu objetivo ao assassinar os animais agora seja apenas esse? Infelizmente não temos garantia alguma, sendo assim, o juiz analisa todas essa questões. Com isso não achou prudente soltar o senhor McCarty diante dos fatos e provas apresentados.

— E quais serão as medidas tomadas agora? – Mamãe perguntou.

— Continuarei tentando conseguir o habeas corpus, mas a polícia precisa continuar a investigação e ver se consegue encontrar provas que levem a outros suspeitos, não só o senhor McCarty. Assim as chances do pedido ser liberado aumentam, caso contrário, preciso ser sincero. Sem mudanças no caso, não acredito que o juiz mudará de decisão tão fácil, apenas pela insistência.

— Está tudo errado. Tudo errado. Emmett não tem que estar preso. Ele é inocente. – Rose enfatizou.

— Agora você só poderá solicitar outro pedido amanhã, não é Aro?

— Sim Carlisle. A recusa do juiz é válida pelo período de 24h. Amanhã já poderei tentar de novo.

— Certo. Então no momento o que temos que fazer é contar aos pais e irmãos de Emmett sobre como as coisas estão. Apesar de não serem as notícias que esperávamos, temos que informá-los da situação.

— Carlisle tem razão. Eles precisam saber. Você pode acompanhar-nos Aro?

— É claro Esme. Como advogado responsável pelo caso, é meu dever comunicar a família sobre a situação.

— Vocês vêm conosco? – Mamãe perguntou.

— Eu vou até a delegacia. – Rose respondeu firme. – Preciso ver o Emm, conversar com ele, saber como está e dizer que estamos ao seu lado. Que não desistiremos até tirá-lo de lá.

— Tem certeza querida? Talvez seja melhor esperar um pouco.

— Não mamãe. Eu vou.

— Não se preocupe Esme, acompanharei Rose. – Bella informou. – Mas acho que ela tem razão. Emmett precisa saber que conta com nosso apoio e que não está sozinho.

— Tudo bem. Podem ir, vejam com Jenks como será a questão das visitas, pois contaremos aos McCarty sobre a situação e caso queiram ir até a delegacia também, vocês passarão a informação. – Papai falou e as duas assentiram. – Pois bem Aro, acompanhe-nos.

Com isso papai, mamãe e Aro saíram em direção à casa de Emmett.

Ao ficarmos a sós, informei.

— Também vou com vocês.

— Não vai dizer que não deveria ir, pois não sou merecedora de estar ao lado de Emmett nesse momento? – Rose disparou.

Respirando fundo respondi.

— Não Rose, não direi isso. Primeiramente quero pedir desculpas. Descontei em você as frustrações e preocupações por conta do que está acontecendo com Emmett. Você teve um momento de falha, mas não posso culpá-la. Cada um lida com as coisas de uma forma. Você entrou em pânico, eu explodi. Mas nem você ou eu merecemos passar por mais situações difíceis, além da que já estamos vivendo. E Emmett precisa do apoio de todas as pessoas que ama, por isso sinto muito por tê-la magoado.

Ela não respondeu de pronto, ao invés disso caminhou em minha direção, até para na minha frente.

Você é um idiota. – Apontou o dedo no meu peito. – Eu sei que errei com Emm. Vou vê-lo agarrada a um fio de esperança de que ele me perdoará. Mas sei também que como melhor amigo, você só estava defendendo-o depois de tudo que houve. Desde crianças somos assim, não é? Um pouco estourados e intensos demais com nossos sentimentos.

— Talvez um pouco.

— Se querem se iludir que é só um pouco. — Bella comentou e sorrimos.

— Mas o importante é que no fim sempre nos acertamos. – Assenti.

Ela me puxou para um abraço, então sussurrou em meu ouvido.

— Desculpa por ter dito que você não sabe sobre como é a sensação plena de amar alguém. No fundo sei que sabe como é. — Quando nos afastamos, piscou. – Mas agora vou subir, tomar um banho e me trocar, para irmos à delegacia.

— Pode ir loira, te esperaremos aqui. – Respondi.

— Obrigada.

Ela saiu deixando Bella e eu a sós.

— Quer comer alguma coisa? – Perguntou.

— Poderia tomar um pouco de café.

— Pois vamos até a cozinha.

Seguimos até o cômodo ao lado, ao entrar encontramos um bolo sobre a mesa, mamãe provavelmente o preparou ontem, mas acredito que no meio da correria não teve tempo de fazer nada hoje.

— Vou passar um café para você.

— Vamos ver como é seu café. Saiba que sou bem exigente com o café que bebo.

Comentei puxando uma das cadeiras da mesa para sentar, enquanto Bella está circulando pela cozinha preparando as coisas.

— Não precisa dizer um fato que já sei. Aliás, não diga que é exigente apenas com café, sendo que é exigente com tudo ao seu redor.

— Que calúnia.

— Está bom Edward. Quem não te conhece, que te compre.

— E você acha que já me conhece de modo a avaliar-me com tanta precisão?

— Não tenha dúvida senhor Cullen.

— Pois eu tenho senhorita Swan.

Ela sorriu e acabei sorrindo também, mas quando percebi o clima descontraído outra imagem tomou minha mente e suspirei.

— O que houve?

— Nós aqui. Conversando como em qualquer outra manhã, como se tudo estivesse normal e daqui a pouco Emm fosse entrar por aquela porta para participar da conversa ou implicar conosco por qualquer motivo. Porém percebi que isso não vai acontecer, porque ele não usufrui desse livre arbítrio, pois está preso injustamente e não a nada que eu possa fazer!

— Eu sei Edward, isso também me mata, mas não podemos perder as esperanças. Esperanças que Aro vá conseguir o habeas corpus, que a polícia continuará investigando e encontrará, se não ainda o culpado, ao menos um jeito de provar a inocência do Emm.

— Eu simplesmente não aguento mais essa situação. E estou aqui fora, com a minha família, meus amigos e já me sinto mal, não sei se conseguiria me manter são estando preso e mais do que tudo sendo inocente. Tenho medo do Emm não aguentar, já que não temos a mínima ideia de quanto tempo ele permanecerá na cadeia...

Bella largou tudo que tinha em mãos e se aproximou de mim, de pé, mas ficando entre as minhas pernas, ergueu meu rosto para olhar diretamente em seus olhos chocolates.

— Quero que preste bastante atenção ao que direi. O Emm é forte e dará conta disso. Assim como você, estando aqui fora ou que Deus nos livre, fosse você lá no lugar dele. Porque como disse, temos o conforto de saber que ele é inocente, pior seria se estivéssemos nos preocupando com alguém que é culpado, mas não, Emm é inocente e de uma forma ou de outra isso será provado. Mesmo que Aro não consiga uma soltura com a justiça, mesmo que a polícia não descubra o verdadeiro culpado. Você e eu daremos um jeito de provar a inocência do Emm e tirá-lo daquele lugar.

Afirmou com tanta veemência que verdadeiramente acreditei em suas palavras.

E elas tiveram efeito devastador sobre mim, não só pelo que disse, mas pela intensidade com que falou, me fazendo entender de uma vez por todas, algo que já suspeitava há um tempo.

Que Bella e eu somos verdadeiramente uma dupla.

Que assim como ela confia em mim, também confio nela e acredito que juntos daremos um jeito de livrar Emm dessa situação.

— Obrigado.

Agradeci de forma sincera.

— Não tem o que agradecer. Estamos juntos nessa.

— Pois é, estamos mesmo.

Virei o rosto dando um beijo em seu pulso que está perto de mim, mas pegando-me de surpresa ela abaixou o rosto encostando nossos lábios em um beijo terno, mas cheio de significado.

— Agora vou preparar seu café. Excelentíssimo e muito exigente senhor Cullen.

— Acho que não sou tão exigente assim, não com você.

— O que? Não. Sem essa. Quero sua opinião sincera. Nem vem querer me adular, não é assim que funcionamos meu bem. – Sorri.

Realmente nossa dinâmica desde o início estabeleceu-se com muitas provocações e divertimento, hoje temos algo bem mais forte é verdade, mas a essência leve e descontraída não nos deixa de forma alguma e espero que pelo tempo que estivermos juntos, as coisas continuem assim.

Quando Bella terminou de passar o café e fazer também um pouco de chá, Rose apareceu pronta para sairmos, porém Bella a fez sentar e tomar café da manhã ou pelo menos tomar um pouco do chá e comer um pedaço do bolo da mamãe, só depois disso saímos de casa.

Optamos por ir com o carro do papai, já que somos só nós três e pode ser que papai use o carro da Rose para levar os McCarty a visitar Emm depois, com isso assumi o volante, Bella ficou no meio com Rose na outra porta.

Não conversamos muito durante o caminho, apesar do clima mais ou menos descontraído que se instalou na cozinha durante o café, acredito que ao entrar no carro sabendo para onde estamos indo e o motivo, um sentimento mais contraído se abateu sobre nós.

Quando estacionei em frente à delegacia, não fizemos cerimônia para sair do carro logo entrando e encontrando um dos cabos na recepção.

— Bom dia. Em que posso ajudá-los?

— Queremos falar com o delegado. – Informei.

— Suspeitei que logo os veria aqui.

Jenks saiu de sua sala caminhando até nós.

— Você já está sabendo...

Comecei a questionar, mas Jenks interrompeu.

— Que o pedido de habeas corpus foi negado? – Assentimos. – Sim, o advogado de vocês passou aqui mais cedo e nos informou.

— Então Emm já sabe que não sairá hoje? – Bella questionou.

— Sim.

Suspiramos derrotados, sem saber o que é pior.

Nós termos que dar a notícia ou ele já estar ciente e mesmo assim termos que encará-lo sabendo que apesar de todas as promessas, não conseguiremos tirá-lo daqui, ao menos não hoje.

— Podemos vê-lo? – Rose questionou.

— Não é horário de visita ainda... – Fizemos menção de protestar, mas Jenks logo completou. – Mas em consideração a vocês, abriremos uma exceção, mas depois serão informados os horários que poderão vir visitá-lo no restante dos dias.

No restante dos dias? O senhor acha que Emmett ficará aqui por muito tempo?

— Sinceramente não sei Bella. Não é minha função mentir para vocês. Pode ser que amanhã seu advogado consiga a soltura, como também pode ser que leve um tempo. Ao menos até que descubramos mais sobre o verdadeiro responsável ou meios de provar que Emmett não é o autor de tudo.

— É claro que ele não é. Você sabe disso Jenks. – Protestei.

— O que eu, como pessoa sei, não se enquadra nas minhas funções como delegado. – Respondeu e tive que me controlar muito para não iniciar uma discussão. – Eric, vá avisar ao Emmett que ele tem visitas e leve-o a sala, depois venha buscar seus amigos para que possam vê-lo.

— Sim senhor delegado.

O policial fez conforme Jenks falou e entrou por entre os corredores da delegacia.

— Os pais dele já estão sabendo?

— Sim, meus pais e Aro foram contar a eles. – Respondi. – Não duvide que daqui a pouco também estejam aqui.

— Sei que sim. Ouçam, não estou fazendo isso com prazer ou vontade. Mas o fato é que foram encontradas substâncias entre as coisas do Emmett. Colocaram lá e armaram para ele? Muito provável. Mas até provarmos isso ele é o principal suspeito.

— Entendemos isso delegado. Só não deixa de ser uma grande injustiça.

— Eu sei Bella. Mas se posso falar algo a vocês, é para que fiquem de olho. Quem está por trás de tudo de alguma forma tem muito acesso a fazenda, faremos nossa parte continuando a investigar e procurar de alguma forma provar a inocência de Emmett, mas também descobrir de uma vez por todas quem está por trás de tudo, porém se perceberem algo, notarem alguma atitude estranha de alguém, avisem-nos, isso pode ser o que de uma vez por todas livrará Emmett da cadeia e de ir para julgamento.

Jenks falou e trocamos olhares, absorvendo suas palavras, mas sem de fato querer pensar muito nelas, apesar de em várias conversas já termos citado que possa haver um traidor na Silver Horse.

E só de imaginar algo assim meu sangue ferve.

— Pronto delegado. O detento já está esperando na sala de visitas.

O policial voltou informando.

— Muito bem Eric. Vocês podem ir.

— Mas ele pediu por uma coisa.

O policial falou antes de nos movermos para segui-lo.

— O que? – Questionei.

— Ele perguntou quem veio vê-lo e falei que eram vocês. Um homem e duas moças, perdão, mas não sei seus nomes, mas ele parece saber quem são, porque disse que só receberá dois. O homem e a moça morena. Sinto muito senhorita, mas ele disse que não quer vê-la.

Terminou de falar olhando para Rose e pude sentir quase em mim seu sofrimento.

Gostaria de estar errado, de pensar que apenas fui um babaca agindo precipitadamente ontem com Rose, falando como ela magoou Emmett e não sabia se ele a perdoaria, mas agora vendo a expressão no rosto da minha irmã, daria tudo para não vê-la passando por algo assim.

— Rose...

Bella afagou seu braço.

— Tudo bem, é um direito dele. Vocês podem ir, esperarei no carro.

— Rose...

Tentei contê-la.

— Não. Eu sabia que isso poderia acontecer. Só levem, por favor, a bolsa com as coisas que trouxe. Imagino que Gianna trará algumas coisas também quando vier, mas ao menos, por enquanto, ele já terá com o que se virar.

Ela entregou a bolsa a Bella e saiu da delegacia sem nos dar a chance de contestar.

— Vocês ainda vão vê-lo ou devo dizer que foram embora? – O policial questionou.

— Não. É claro que iremos vê-lo. – Informei.

— Sinto muito. Vocês têm 20 minutos é tudo que posso conceder agora. Quando saírem se quiserem conversar algo mais estarei na minha sala.

Jenks falou e assentimos, em seguida indo atrás do policial até a sala onde Emm nos espera.

Ao entrar o encontramos sentado em frente a uma mesa, Bella disparou e ele quase não conseguiu levantar a tempo de receber seu abraço.

— Hey, não precisa chorar. Está tudo bem.

— Não está. Você está aqui e isso é totalmente errado.

Respondeu e pude perceber que ela está mesmo chorando, derivado a forma que sua voz soou.

— Senti sua falta.

— Também senti sua falta, mas vamos aproveitar os minutos que temos com coisas boas, não quero vê-la triste.

Eles se soltaram do abraço e ele limpou suas lágrimas antes de lhe dar um beijo na testa.

— Não chore, gostaria de ver um sorriso, será que consegue?

Bella se afastou ainda fungando, mas tentando sorrir conforme Emm pediu, assim foi minha vez de cumprimentá-lo, sem qualquer hesitação o puxei também para um abraço.

Apesar de todos os nossos defeitos, especialmente os meus, não fui criado com a ideia de que homens não choram, não sofrem, não têm sentimentos e mais do que tudo, não os demonstram.

Desde pequeno e até hoje papai e eu trocamos abraços e beijos no rosto, assim como sei que Samuel faz com os filhos.

E como Emm e eu somos praticamente irmãos, unidos mais do que por sangue, mas por nossa escolha e os sentimentos que nutrimos pelo outro, não foi incomum trocarmos esse abraço, tão cheio de significados.

Que ele pode contar comigo hoje e sempre. Assim como sei que a reciproca é verdadeira.

— Como você está?

Perguntei quando nos separamos.

— Indo.

— Você não dormiu. – Não foi uma pergunta.

— Você tão pouco. – Devolveu.

— Eu fui babaca com umas mulheres que gosto, isso me tirou o sono. Qual sua desculpa? – Tentei brincar.

— Não tinha você por perto para me fazer dormir, isso me deixou chateado.

Respondeu arrancando risos meus e de Bella.

— Que bom que ainda parecem ter nove anos.

Emm sentou novamente, Bella e eu o fizemos também nas cadeiras vazias em frente à mesa.

— Mas de verdade Emm, como você está?

— Estou bem Bella. Estou feliz de estar preso? É claro que não. Quem em sã consciência estaria? Mas sei que sou inocente e isso é o mais importante. Então acredito que uma hora ou outra a verdade aparecerá e quando isso acontecer, sairei daqui com a cabeça erguida e a consciência tranquila.

— Emm quanto a isso não há dúvida, todos acreditamos em você. E quando digo todos são todos mesmo. – Enfatizei.

— Ouçam...

Começou a falar, mas foi interrompido por Bella.

— Não, ouça você. Não direi exatamente o que tem que fazer e como deve levar sua vida. Nem coisas que deve ouvir de uma pessoa específica. Mas por que não deixou Rose entrar? Ela mais do que todos gostaria muito de vê-lo.

Emm não respondeu, ao invés disso baixou o rosto olhando para as mãos.

— Sabia que ela quase não dormiu também? E só o fez porque o cansaço supremo decorrente do choro a fez ceder ao sono?

— Bella...

Apesar de estar de certo modo do lado da minha irmã, não imagino que Emmett mereça ouvir algo assim.

— Não Edward, deixe-a falar.

— Já falei o que precisava. Vocês precisam conversar e não poderá adiar isso para sempre.

— Sei que não Bella. Só não me sinto preparado agora para vê-la e conversar. Não quero que digamos coisas que nos arrependeremos depois.

— Você é mais inteligente do que eu. – Falei.

— Isso é um fato. Mas por que exclusivamente está dizendo isso? – Perguntou.

— Como disse, fui um babaca ontem não só com a Rose, mas com Bella também, porém no meu caso, acabo sempre falando as coisas erradas primeiro e me arrependendo depois.

— Sei como é. Mas só fico me perguntando, como você o aguenta Bella? Não é possível que ele seja tão bom de cama, quer dizer, bom em sei lá onde pratiquem suas coisas. Já que não são frequentadores de camas...

— Emm! – Bella protestou.

— Deixe-me concluir. Não é possível que ele seja tão bom assim, para que esse seja motivo suficiente para que o aguente.

— Emmett!

Ela lhe deu um tapa no braço ficando vermelha, enquanto meu amigo e eu rimos.

Cala boca idiota. Em primeiro lugar, não sou só bom, sou excelente.

— Edward. – Bella tentou mais uma vez parar-nos. – Vocês vão me matar, eu vou embora.

— Calma. – Pedi. – Em segundo, Bella me falou que mais importante do que não errar, é reconhecer os erros, voltar atrás e pedir desculpas. Levei isso como aprendizado, mas acho que pode servir a você e minha irmã também.

Finalizei voltando a focar na parte séria da questão.

— Bella é muito sábia mesmo, disso ninguém dúvida. – Emm respondeu. – Mas realmente preciso de um tempo. Vocês podem dizer a ela que não fiz por mal, é só que...

— Tudo bem Emm, nós entendemos e ela também entenderá. Aliás, ela preparou uma bolsa com coisas para você. É provável que sua mãe traga outra quando vier, mas Rose preparou essa com coisas que estavam na casa.

Bella comentou entregando a bolsa a ele.

— Diga que agradeço muito.

Concordamos, mas antes de prosseguir no assunto, a porta foi aberta pelo policial.

— O tempo acabou. Vocês têm que ir.

— Mas já? Não é possível.

— Sinto muito senhorita, mas são ordens.

— Tudo bem pessoal, agradeço por terem vindo.

— Não tem o que agradecer. E escute. Nós vamos te tirar daqui. Não direi nem que voltaremos nos próximos dias também, pois antes disso você já estará livre. Seja pegando o infeliz responsável por tudo ou somente provando que não é você. De um jeito ou de outro o tiraremos daqui. Você tem minha palavra. — Prometi.

— Não só a dele. Você tem a nossa palavra. — Bella completou.

— Obrigado. Confio em vocês.

Ele levantou e nós também.

Trocamos um abraço e saímos da sala, já sabendo como seguir de volta até a saída o policial não nos acompanhou, ao invés disso ficou para levar Emm de volta a cela.

Seguimos em silêncio até chegar ao carro e encontrar Rose encostada nele.

— Como ele está?

Perguntou assim que nos viu.

— Bem. Do jeito que se pode estar em uma situação dessas. – Respondi.

— Conversamos um pouco. Ele realmente parece tranquilo. – Bella completou.

— Que bom. Fico feliz em saber disso.

Comentou, mas conseguimos enxergar não só em seu semblante, mas também nos olhos inchados, indícios de choro.

— Rose, escute. Já pedi desculpas e para que esqueça as merdas que falei ontem. Porém dê um tempo ao Emm, ele sendo mais prudente do que eu só pediu um tempo, para quando conversarem ser de forma esclarecedora e definitiva.

— Sim. Ele recebeu a bolsa e agradeceu muito. Ele sabe que está aqui pensando nele, assim como ele está pensando em você. E prometemos que logo o tiraremos dessa situação, não importa como, mas de um jeito ou de outro logo ele estará livre e fora daqui poderão conversar com calma e do jeito que merecem.

— Obrigada, aos dois. Não sei o que faríamos sem vocês.

— Não sei o que eu faria sem vocês na minha vida. Somos um time. – Bella falou abraçando Rose de lado. – E agora faremos todo o possível para deixar essa equipe completa de novo.

Rose assentiu e assim seguimos de volta para casa...

***

Não é possível!

Hoje já é quinta-feira e até agora Emmett continua preso!

Não sei como ele pode estar aguentando, porque eu mesmo estou a ponto de enlouquecer.

Já perdi as contas de quantas vezes me estressei com alguém na fazenda, que ao menos cogitou falar algo sobre Emm talvez ter a mínima culpa em toda essa situação.

É claro que não são todas as pessoas que o conhecem como seus familiares, amigos próximos e eu, mas por conta de um desgraçado qualquer, Emm estar preso e sua moral estar sendo posta em dúvida, é de doer até os ossos.

Na segunda-feira quando chegamos da delegacia fomos começar a colocar as coisas em ordem, papai tinha acabado de sair com os McCarty para visitar o Emm, porém quando voltou conversamos sobre as providências a tomar na fazenda, decidindo não fechá-la ou reduzir o funcionamento, mas colocando todos em alerta e também de certo modo ficando mais atentos a qualquer atividade suspeita.

A polícia, além de aumentar as rondas pelos arredores terrestres da fazenda, disponibilizou alguns cabos para circular dentro da propriedade. Ação que espero que tenha efeito de agora em diante, mas me pergunto por que não fizeram isso antes.

Antes de perdermos nossos animais.

Antes de Emmett ser acusado e preso.

Antes de tudo chegar ao limite...

Apesar do conselho que Jenks deu, sobre ficar de olho nas pessoas da fazenda, mesmo tendo presenciado alguns rapazes conversando sobre a possibilidade de Emm ser realmente o culpado, ainda sim, não entra na minha cabeça a ideia de que alguém que trabalha conosco teria a coragem de nos trair.

Ninguém que está no corpo de funcionários está aqui há pouco tempo, a maioria dos funcionários está desde a época do meu pai e os que são mais jovens, são exatamente como Emm e eu, filhos de funcionários ou ex-funcionários.

Não vejo qualquer uma dessas pessoas com quem convivo ou conheço por quase toda a vida, planejando e compactuando com qualquer sabotagem contra nós.

Será que ai está nosso erro? Confiar demais em uma suposta segurança e então baixar a guarda ao sabotador?

Uma hora isso ainda vai me tirar o restante de paciência que tenho e explodirei sem controle algum.

Todas as manhãs quando Aro chega dizendo que o juiz não concedeu o habeas corpus e ao fim do dia quando a polícia nos avisa que não descobriram nada novo, minha maior vontade é mandar tudo a merda e ir eu mesmo tirar Emmett da cadeia, com ou sem consentimento da lei.

Ótima lei essa que prende inocentes e solta culpados.

Até hoje também não engoli o fato de que Jacob está solto, livre para fazer não só o que bem entender da vida, como também com a possibilidade em mãos de fazer algo novamente contra Bella.

Não que de alguma forma o deixarei chegar perto dela de novo. Um erro só já é suficiente. Mas impressionantemente ele anda muito quieto nesses dias.

Nem nas cavalgadas pela fazenda tive o desprazer de enxergar suas fuças pelos lados da Black Horse. É claro que sei que ele não está se guardando e respeitando a liminar que o proíbe de aproximar-se da Bella.

Não tenho dúvidas que ao invés disso está planejando um jeito de vingar-se de nós. E nada me tira da cabeça que ele, seu pai e toda sua corja estão por trás das sabotagens, especialmente da ideia de incriminar Emm.

Afinal de contas, ele sabe o quanto Emm é importante não só para a fazenda, mas para nós. Que é meu melhor amigo, namorado da Rose, como um filho para os meus pais, até para Bella, é como um irmão.

Então por que não atingir onde mais nos dói? Ao mesmo tempo em que nos deixa livres para continuar sofrendo.

Além do mais, ninguém acreditaria se tentassem incriminar um de nós, como eu, por exemplo, então a ideia de usar Emm como bode expiatório foi perfeita.

Ele é próximo o suficiente para nos atingir, mas não é um Cullen legítimo, o que de certa forma o qualificaria como suspeito, ainda mais se alguma mente perturbada pensar que em algum universo louco Emm poderia querer nos prejudicar...

— Eu devia ir até a Black Horse e confrontar Jacob atrás de repostas. — Falei de repente em meio ao jantar. – Aposto que depois de outra boa surra ele falaria tudo que sabe sobre as coisas que estão acontecendo aqui.

— Você enlouqueceu?

— Não mamãe, não enlouqueci. Mas sei que posso enlouquecer se continuar sem agir. A polícia não descobre nada, nem quem é o responsável e tão pouco novas provas para inocentar o Emm. Aro toda manhã chega aqui dizendo que não conseguiu a porcaria do habeas corpus. O que aquele juiz sabe do Emm para impedir sua soltura? Nada. Ele simplesmente recebe um papel, bate o olho e diz que não vai liberar.

— Edward, ninguém está satisfeito com essa situação, mas procurar mais problemas, que é o que encontrará indo atrás de Jacob, também não solucionará nada.

— Bella, eu cansei. Cansei de esperar. Cansei de manter-me na linha. Cansei de acordar todos os dias com esperança que Emm finalmente será solto e chegar ao fim do dia mais uma vez derrotado. A escolha é clara, como não posso confrontar o juiz ou Jenks e os policiais. Posso muito bem tirar umas coisas a limpo com Jacob.

— Edward. Você é maior de idade, dono da sua vida e responsável por suas ações. Então não posso impedi-lo de ir atrás de Jacob caso seja sua vontade. Porém como pai, só peço que pense bem antes de fazer qualquer coisa. Algo que afetará não só você, mas outras pessoas também. Não estou feliz que ele esteja solto, não depois do que fez a Bella, não aprovo, mas me orgulho que a tenha defendido quando precisou. Não confio no filho, como também não confio no pai, mas assim como atestamos com veemência a inocência de Emmett, não podemos atestar da mesma forma que os Black são os responsáveis pelas sabotagens na fazenda. Queria eu ter essa certeza, com ela, não seria você quem tiraria satisfações com eles, seria eu, mas não tenho, então prefiro continuar agindo com a razão. Para que quando a verdade surja, porque ela irá surgir, disso não tenho dúvidas, possamos lidar de forma sã e consciente.

Merda.

Detesto quando papai está certo e ainda fala de forma tão calma e centrada.

Só queria explodir, mas agora após suas palavras, não estou calmo e feliz, mas não poderei agir da forma pensada. Terei que aguardar ao menos mais um pouco para ver se conseguimos alguma resolução.

— Não se preocupe papai. Apesar da vontade de quebrar a cara daquele imbecil ser algo constante, não farei nada precipitado, é só que estou realmente cansado...

— Todos estamos meu filho, mas como seu pai disse, a verdade virá à tona em um momento e quando a mesma surgir, poderemos deixar essas energias ruins de lado.

— Assim espero mamãe.

— E você não precisa ouvir isso de mim, mas tenho certeza que Emm sabe que você está fazendo o máximo possível para ajudá-lo. Então não pense que por algum momento ele achará que você está aqui tranquilo sem se esforçar. Porque nós que estamos vendo seu jeito, sabemos como está fazendo o possível para ajudá-lo, como ele também sabe.

— Obrigado maninha. E sabe o que mais ele sabe? – Devolvi e ela balançou a cabeça negando. – Que conta com você também.

Ela abriu um sorriso, mas não chegou aos olhos.

Infelizmente como Emm continua preso, nossas visitas tornaram-se rotineiras, porém em nenhum dos dias ele quis ver Rose, mesmo assim ela não deixa de ir quando Bella e eu vamos.

Não sei se com a esperança de que em algum momento Emm mude de ideia ou apenas para sentir que de algum modo está mais perto dele.

Verdadeiramente não consigo entender o motivo de sua recusa em vê-la, quando falamos sobre ela, ele não parece magoado ou chateado ao extremo, como se nunca mais fosse querer vê-la na vida.

Ao invés disso, vemos o brilho em seus olhos quando a citamos, porém por mais que Bella e eu peçamos, ele não cede a ver Rose.

Só espero que quando for solto, longe daquele lugar e situação ruim, possam conversar e se entender...

Depois das conversas sérias o jantar prosseguiu, quando terminou papai e Rose foram para o escritório conversar sobre umas questões da fazenda. Bella se ofereceu para ajudar mamãe a organizar a cozinha e eu aproveitei o ensejo para subir ao quarto, querendo desfrutar de um momento a sós e refletir sobre o que conversamos.

Com um duelo interno.

O lado que sabe que não é prudente fazer algo...

Contra o que está cansado de esperar...

Não sei quanto tempo fiquei parado em frente à janela olhando o céu estrelado e quente do verão, até ser tirado dos pensamentos por uma batida na porta.

— Entre. – Indiquei.

— Posso?

Bella abriu um pouco a porta deixando só seu lindo rosto aparecer.

— É claro, entre.

Ela o fez fechando a porta novamente depois de passar.

— Como você está?

— Queria ao menos responder que bem, como a reposta padrão e clichê, mas continuo com meus duelos internos.

— Imagino que sim. Mas saiba que te apoiarei na decisão que tomar. Se quiser ir confrontar os Black, porque sente que eles são os culpados, terá meu apoio.

Comentou se aproximando e entrelaçando nossas mãos.

— Na verdade não sei se tenho uma intuição ou algo assim, de que eles estão por trás de tudo. Às vezes acho que só queria que fossem, entende?

— Porque assim, além de encontrar o responsável, ainda seriam pessoas que não o surpreenderiam...

Completou meu raciocínio.

— Exatamente. Pensar nos Black como culpados é fácil, simples e lógico. Porém quando paro e raciocino com a possibilidade de outra pessoa estar por trás de tudo, simplesmente saio do eixo.

— Sei que sim. Eu sou a forasteira aqui e mesmo assim não imagino ninguém da fazenda compactuando com algo do tipo. Imagino como não está sendo para vocês pensar nisso.

— Sim, o sentimento é exatamente esse. Mas há muito tempo você deixou de ser uma forasteira e sabe disso. Você já faz parte do clã Cullen, para o bem ou para o mal.

— Só vejo vantagens em fazer parte do clã Cullen. – Sorriu e a acompanhei. – Mas deve ter alguma coisa que possamos fazer. Algo que estamos deixando passar.

Comentou mudando o assunto.

— O que? Não posso sair confrontando todo mundo como gostaria. Apesar do seu apoio, no fundo sei que papai tem razão.

— Não. Tem que ter outro jeito, outra solução. Emm não pode continuar preso. Descobrir quem está por trás de tudo é extremamente importante, porém no momento tirá-lo da cadeia é nossa prioridade número um, estou certa?

— Certíssima.

— Ótimo. A polícia não o soltará ao menos que consiga o habeas corpus, papel esse que o senhor Volturi todas as manhãs nos informa que o juiz não quer liberar, que segundo o advogado, sem provas cabíveis da inocência do Emm, o mesmo não mudará de decisão.

Comentou, mas parecendo estar mais em um tipo de monólogo consigo mesma, resolvi não interromper.

— Eu sei que é besteira, que estou sendo paranoica, vocês até já se divertiram as minhas custas por conta disso. Mas eu simplesmente não vou com a cara do senhor Volturi. – Concluiu.

— Você acha que Aro não está se empenhando o suficiente para soltar o Emm?

— Não sei, simplesmente não sei. É tudo muito confuso. Estou como você, querendo encontrar meios de descobrir algo, achar uma ponta solta que nos ajude a enxergar algo até então escondido, que ajude o Emm de maneira efetiva. E nisso você tem que concordar comigo, que o senhor Volturi não está tendo êxito. Acho que se o vir amanhã novamente dizendo que não conseguiu a liberação do Emm, quem explodirá serei eu.

— Agora é minha vez de pedir calma. – Toquei em seus ombros, fazendo-a conter-se do rompante. – Ouça, sei que de fato Aro não está sendo de grande ajuda agora, mas desde que trabalha para nós sempre nos serviu bem e, sobretudo, papai confia nele. Então mesmo que por um momento pensássemos em contratar outro advogado, por exemplo, compraríamos ao menos uma boa discussão com o senhor Carlisle Cullen.

— Eu sei. Só estou sendo boba. Sei que o senhor Volturi está fazendo tudo que pode dentro da lei...

Assenti e acreditando que encerraríamos o assunto por não chegar a lugar algum, me surpreendi com sua próxima ação.

— É isso. Meu Deus como pude ser tão burra para não pensar nisso antes? Olha francamente Bella, você já foi mais inteligente.

— Ok, você está falando sozinha, usando seu nome na terceira pessoa e me assustando. O que pensou?

— Edward, é tão óbvio que não sei como não pensei nisso antes. Vou ligar para o meu pai.

— Para o seu pai? Agora? Por quê?

Ela apenas retirou o celular do bolso e fez sinal para ficar calado.

O aparelho não chamou muito até ela iniciar a ligação.

Alô... Oi papai... Sim estou bem e o senhor? Também estou com saudades... Não, não quero falar com a mamãe, quer dizer, quem sabe depois, mas liguei para falar com o senhor mesmo... Quero que ative o modo policial e nos auxilie em algo...

Finalmente olhou em minha direção.

— Sim, o senhor ouviu bem... É porque não estou sozinha... Vou colocar a chamada no viva-voz, espere um momento...

Quando afastou o celular do ouvido sussurrei.

— O que? Quer que fale com seu pai também?

— Sim. Agora haja como um homem que temos um assunto sério a tratar.

Reativou o celular.

— Papai está me ouvindo?

— Sim querida, perfeitamente.

— Ótimo. Estou aqui com Edward ao meu lado.

— Olá senhor Swan. É um prazer conhecê-lo, ainda que só por ligação.

— Olá Edward, pode me tratar apenas por Charlie. E é um prazer conhecê-lo também, já ouvi muito falar de você.

— Ah, é mesmo? Tenho medo de querer saber o que o senhor ouviu.

— Acredito que a verdade. Mas seu saldo é positivo, pode ficar tranquilo.

— Certo, certo, depois passo o contato dos dois para passarem horas se conhecendo. Mas agora foco aqui por que temos um assunto sério a tratar.

Bella nos cortou redirecionando a conversa.

Muito bem Bella. Você disse que precisa do meu lado policial em foco, posso saber por quê?

— Então papai, já contei ao senhor que um amigo nosso, Emmett, foi preso injustamente, por contas das coisas que estão acontecendo aqui na fazenda.

— Sim, estou sabendo. Mas em que posso ajudá-la?

— Então, verdadeiramente não sei dizer em que diretamente o senhor pode ajudar, mas sinto que pode.

— Agora estou confuso.

— Papai, estamos em um beco sem saída. Emm é inocente, isso é a primeira e mais importante coisa que precisa saber. Porém não temos provas cabíveis ou formas de inocentá-lo perante a justiça. Por conta disso todos os dias os pedidos de habeas corpus são rejeitados. E a polícia não o liberará sem isso. Estamos ficando sem alternativas.

Olha, parece que as coisas estão correndo dentro da lei, como disse, se não apresentarem provas concretas ou ao menos novos suspeitos para bater de frente com o amigo de vocês, podendo assim deixar a análise da justiça em dúvida, não vejo meios de soltá-lo por enquanto. — Vi o rosto de Bella murchar. – Mas vocês não têm realmente nenhum suspeito em mente?

— Suspeito de dizer, ele fez isso ou aquilo contra nós, no dia tal e ocasião X, não temos, mas nunca deixo de desconfiar dos nossos vizinhos, os Black. – Informei.

— A família do infeliz que tentou machucar minha filha?

— Exatamente.

— Ouça Edward, meu lado pai gostaria que esse infeliz nem existisse mais.

— Se o senhor autorizar, ainda estou disposto a dar cabo da vida dele.

— Edward... – Bella me refreou.

— Não, não quero que estrague sua vida por um maldito filho da puta. Mas aproveito a oportunidade para agradecê-lo por ter salvado a vida da minha filha.

— Não tem o que agradecer Charlie, não fiz nada demais. Quer dizer, não que a vida da Bella não seja nada demais, porque é. Ela é muito importante e faria tudo de novo caso precisasse, mas o senhor tem minha palavra que algo semelhante nunca mais acontecerá.

Fico feliz em saber que Bella está cercada por pessoas boas. Mas voltando ao assunto, como não posso deixar meu lado pai tomar conta, não posso aconselhá-lo a tomar apenas sua antipatia e desentendimentos passados como combustível para acusar seus vizinhos, ainda que sejam de fato pessoas horríveis.

— E eles são. – Afirmei.

— Certo. Mas pensando aqui, se a polícia da sua cidade e, por favor, não ache que estou sendo preconceituoso com os agentes da sua região, pois somos ensinados que todos os fardados estão aptos a dar o máximo de si.

— Pode ficar tranquilo papai, não acharemos isso do senhor. Mas liguei justamente para que o senhor nos dê uma luz, um caminho a seguir diante da situação.

Certo, como dizia, se os policiais não estão conseguindo resolver essa situação de forma a descobrir o responsável pelas sabotagens e encontrar formas de inocentar seu amigo, talvez tenham que procurar ajuda em outros lugares.

— O senhor fala de acionar a polícia das outras cidades? – Questionei.

Não exatamente. Vocês já pensaram em contratar detetives particulares? — Bella e eu nos olhamos realmente espantados com a fala do seu pai. – Pelo silêncio imagino que não. Mas escutem, muitos acham que esses tipos de agentes, são contrários aos policiais e as regras que seguimos, mas se enganam os que pensam assim, pois conheço vários detetives que já trabalharam na polícia, serviram no exército, etc. Ao escolher a nova carreira, também escolhem lidar com a lei e a justiça de forma um pouco diferente, mas bastante eficaz.

— Papai e o senhor tem o contato de algum conhecido para nos recomendar?

— No momento não, mas darei uma olhada. Checarei uns contatos e retorno para vocês, pode ser?

— Pode, é claro. O senhor já nos ajudou muito mostrando essa perspectiva diferente.

— Que bom. Prometo não demorar, pois sei que estão aflitos com a situação no geral, mas também com a prisão do seu amigo.

— Sim papai. Não aguentamos mais saber que Emm está preso. A delegacia de Collierville não é nem um pouco parecida com as que o senhor trabalhou, cheia e abarrotada de verdadeiros criminosos, mas mesmo assim fico agoniada todas ás vezes que tenho que ir lá. Então só imagino como Emm deve estar se sentindo.

— Lamento muito querida. Mas Bella, diga-me uma coisa.

— Sim papai?

— A acusação e a investigação estão sendo guiados por quem?

— Como assim? Não entendi.

— É uma acusação particular? Ou um promotor abriu a mesma contra o seu amigo?

— Acredito que particular Charlie. Quando acionamos a polícia no dia que sabotaram nossas carnes destinadas a exportação, registramos uma ocorrência e a partir disso a polícia tomou ciência da nossa situação e começou a investigar. No dia do assassinato dos animais, levaram Emm como suspeito, por terem encontrado coisas entre seus pertences. Sabemos que caso ele não seja solto, ai sim poderá responder a um processo judicial, mas até o momento não sabemos do envolvimento de um promotor acusando-o diretamente.

— Então ai está. Se vocês têm tanta certeza que o amigo de vocês é inocente...

— Temos.

Bella e eu falamos juntos, interrompendo-o.

— Ótimo. O que podem fazer é retirar as acusações.

— E como isso funciona?

Então Edward. Suponhamos que você ou seu pai, quem quer que tenha aberto o registro com a polícia, retire as queixas, isso anulará automaticamente as ações da polícia. O que isso quer dizer? Que sem acusações, eles não poderão manter seu amigo preso. Pois é uma ação particular e vocês estarão abrindo mão da mesma. Mas preste bem atenção nessa última frase. A polícia pode não ter descoberto nada concreto ainda, mas estão se responsabilizando de alguma forma pela investigação, porém a partir do momento que retirarem as acusações, eles abrirão mão do caso como um todo e vocês não poderão contar mais com o respaldo deles.

— Sr. Swan, Charlie, só preciso saber com certeza de uma coisa. Se retirarmos as acusações, Emm será solto?

Sim. Como vocês têm um advogado acompanhando o caso é só informá-lo sobre a decisão, que ele saberá as medidas a tomar para encerrar tudo e liberar seu amigo.

— Papai, o senhor é um máximo. Sabia que podia contar com o senhor, muito, muito, muito obrigada.

Que é isso filha, não fiz nada demais, apenas mostrei a solução mais lógica diante da situação. Admira-me que o advogado de vocês não tenha ao menos sugerido isso. É claro que imagino que ele pensou que não topariam desistir de tudo, mas teria sido bom ao menos comunicá-los e dar-lhes a escolha.

— Conversaremos com ele sobre isso. Mas de todo modo muito obrigado Charlie. O senhor realmente nos ajudou muito.

Não tem de quê. E agora mais do que nunca entrarei em contato com meus conhecidos para ver se algum deles pode ajudá-los no caso, já que abrirão mão do respaldo da polícia.

— Sim papai, aguardaremos seu retorno.

— Ótimo. Foi um prazer ajudá-los.

— O prazer foi nosso papai. Diga à mamãe que ligo para falar com ela depois, agora temos que contar ao restante dos Cullen sobre o que conversamos.

— Certo minha filha, cuide-se e fique bem.

— O senhor também papai. Obrigada.

— Obrigado Charlie. Até a próxima.

— Tchau Edward. Tchau filha. Eu te amo.

— Eu também te amo papai. Estou morrendo de saudades.

Nós também querida. Mas agora falta pouco para sua volta. Entramos no último mês, não é?

Bella e eu trocamos um olhar e de repente a animação por saber que encontramos um jeito de soltar Emmett diminuiu um pouco...

— Sim papai, agora só falta um mês. Porém conversamos mais sobre isso depois. Agora realmente tenho que desligar.

— Certo, certo. Falamo-nos em breve.

— Sim, beijos papai.

Bella encerrou a ligação.

— Com essa confusão toda do Emm nem me toquei que hoje é dia primeiro. – Falei.

— Pois é. Nem eu, mas isso também não importa agora. O que importa é que encontramos um jeito de soltar o Emm. Vamos descer e contar aos seus pais e a Rose?

— Vamos.

Saímos do meu quarto rumo à sala.

Sei que o assunto dos dias de Bella estarem acabanando entrará em vigor em algum momento, mas não é algo que quero pensar agora.

No momento, só o que quero realmente é alegrar-me por saber que meu melhor amigo finalmente será solto...

CONTINUA.

Notas finais
N/A: Então meninas, nosso Emm ainda não foi solto, ocasionando em momentos de apreensão e a visita. Gostei de ver que a maioria entendeu o lado da Rose, porém o Emm ainda não parece disposto a vê-la. Será que tem algo mais por trás da sua ação? Mas ao menos Beward conseguiu vê-lo e tem mantido contato nesses dias. E nosso menino continuou presinho deixando todos loucos, especialmente o Edward que estava para não se controlar mais, porém conforme a Bella prometeu, juntos eles deram um jeito. Gostaram da participação mais efetiva do tio Charlie? De tudo que ele falou? Palpites de quem serão os detetives indicados por ele? E agora finalmente teremos uma resolução. Se a justiça não libertará o Emm de forma clara, pois vamos tirá-lo por cima dela mesmo! Agora comentem. Amando muito as interações de vocês por aqui. Continuem assim e quem ainda não comenta, as portas estão sempre abertas. Adoro ler as teorias, saber de quem gostam e quem não, enfim, tudo. Recomendem se acharem que a história merece. Não deixem de me seguir no twitter: @KNRobsten. Espero encontrá-las nos comentários e vamos torcer para que a atualização consiga sair quarta que vem conforme o esperado, pois também não gosto de falhar com a postagem, ainda que só por um dia... ~Kiss K Nanda.