Promises in the Dark
10 A Égua
Notas iniciais
POV Edward
Quando me acostumarei com a presença dessa mulher?
O impacto aconteceu desde a primeira vez que a vi com aquele vestido florido, pude notar alguns atributos ainda mais ao vê-la desfilar pela minha casa e a fazenda com combinações de short e calça jeans. Fiquei perto de sucumbir no dia que a vi de biquíni...
Já não era para estar vacinado contra os encantos de Isabella Swan?
Por que ainda estou sentindo queimações internas só de olhá-la com esse vestido? Será um efeito pós-beijo? Ou apenas uma característica clara de que não importa como, quando ou onde a veja, sempre terei o que admirar?
— Estão muito lindas meninas. Que bom que ficaremos com vocês essa noite para protegê-las.
Fui tirado dos meus devaneios pela voz de Emm interagindo com elas.
— Aceitamos a companhia, mas essa história de proteção pode deixar bem aqui no quarto, pois ela não curtirá conosco. – Rose respondeu sem rodeios.
Minha irmã sempre foi decidida.
Mesmo com Emm e eu tentando por muito tempo usar o artifício de proteção com ela, em poucas vezes o usamos de fato e em muitas outras apenas tomamos broncas e reclamações por conta das nossas atitudes, digamos que, um pouco antiquadas...
Rose conquistou muito sozinha, não só nas questões profissionais, mas em seu íntimo também. Porém não posso deixar de admitir que desde que Bella chegou à fazenda, minha irmã ganhou um respaldo que parecia lhe faltar anteriormente.
Ela por si só sempre mostrou força e determinação quando necessário, mas agora com Bella ao seu lado, vejo em ambas uma posição complementar, cada uma com a característica própria, mas juntas compõe um conjunto só.
Dois lados de uma mesma moeda, a meu ver, de parceria e cumplicidade.
— Pois bem senhoritas, de qualquer forma, vamos? – Emm perguntou.
Com a afirmativa caminhamos até o elevador.
Contente com o rumo dos meus pensamentos sorri sozinho enquanto segui Rose e Emm, apesar de achar que ninguém reparava em mim, me surpreendi com a fala de Bella.
— Do que tanto sorri?
— Oi?
— Está sorrindo de um modo diferente. Fiquei curiosa com o porquê.
— De um modo diferente? Agora eu que pergunto o que quer dizer com isso.
Entramos no elevador.
Rose e Emm engataram em um diálogo, enquanto Bella e eu prosseguimos o nosso.
— Você tem sorrisos distintos para situações diferentes. Tem o cínico, provocador, a risada alta e agora esse sorriso. Meio de lado, mas não o mesmo provocador, parece mais simples.
— Uau. Nem eu sabia que tinha tantos sorrisos. – Comentei realmente espantado.
— Sou uma pessoa observadora, mas agora pare de enrolar. Vai me dizer o motivo ou não?
— Pois bem. Estava sorrindo por conta da minha irmã. Na verdade mais por comprovar o quanto a amizade de vocês faz bem a ela.
Saímos do elevador continuando a conversa.
— Uau, agora eu que estou admirada. Tomarei isso como um elogio.
— E deve. Estava pensando em como Rose sempre foi uma mulher forte, mas que agora com sua presença, que é uma mulher com características semelhantes às dela. Minha irmã parece ainda mais...
— Ela mesma? – Bella completou e assenti. – Isso se deve ao respeito mútuo e apoio que prestamos uma a outra.
— Sim, refleti exatamente sobre isso. Dai o sorriso.
— Fico contente que nosso elo seja tão forte que transpareça aos olhos de terceiros. Além do que, já ouvi por ai que toda morena precisa da sua loira.
Falou nos causando riso alto, atraindo a atenção de Rose e Emm.
— O que tanto cochicham ai atrás? – Rose perguntou.
— Estávamos falando sobre morenas que encontram suas loiras. – Respondi.
— Esse é um ótimo assunto, pois sou muito grata por essa morena finalmente ter entrado em minha vida. – Rose falou puxando Bella para um meio abraço.
— Nossa amizade não é tão legal assim, é? – Emm provocou passando para o meu lado.
— Não, nem de longe. – Provoquei de volta.
— Pobrezinhos. Ainda têm muito a aprender para chegar ao nosso estágio não é amiga?
— Totalmente amiga, totalmente.
Rose devolveu e rindo seguimos para fora do hotel.
Por estarmos em uma das ruas mais movimentas do centro de Nashville não precisamos pegar o carro para nos locomover, transitaremos novamente pela frente dos bares e casas de shows até encontrar um espaço que nos agrade para estender a noite.
Caminhamos despreocupados, absorvendo a energia da cidade a céu aberto, se quiséssemos passar a noite apenas andando pelas ruas poderíamos tranquilamente, pois tem tanta coisa a admirar que fica quase impossível escolher um local só para apreciar.
Pergunto-me como as meninas não se incomodam por andar tanto de salto alto, ambas garantem que estão bem, mas esse é um conceito que nunca entenderei.
Paramos de andar quando Emm indicou a fachada de um bar country que parece estar bem agitado.
— Que tal entrarmos aqui?
Olhei para o nome do mesmo, Good Time, bem propício ao que procuramos.
— Adorei o nome, a fachada e o som que vindo lá de dentro. – Bella comentou. – Mas sou suspeita porque qualquer lugar que escolhermos estará bom para mim.
— Podemos entrar e ver. Se não gostarmos saímos e procuramos outro. – Falei.
— Então fechou. Vamos ver o que o Good Time tem a oferecer. – Rose concluiu.
Seguimos para dentro do estabelecimento.
De cara vimos que o espaço se divide entre três ambientes. Enxergamos o bar lotado de pessoas, que também da seguimento a uma área com mesas, algumas menores para os clientes que não se importam em ficar de pé e outras mais aconchegantes com cadeiras.
A direita tem um palco de tamanho médio onde um rapaz se apresenta acompanhado de uma banda, algumas pessoas já estão interagindo em frente ao mesmo, tanto acompanhando a voz do cantor, como também arriscando alguns passos.
Por fim olhando a parte superior encontramos a área propícia para dança, pois a iluminação e o jeito que o som se propaga na mesma indicou a utilização do espaço.
— Vamos ficar, não é? – Questionei.
— Com certeza. – Rose respondeu.
— Mesmo esquema de sempre? – Emm perguntou e assentimos.
— Nos vemos nas mesas. – Bella informou.
Ela e Rose saíram à procura de uma mesa, enquanto Emm e eu fomos até o bar.
— Animado ainda? – Perguntou.
— Estou. A viagem tem sido legal até aqui, espero que continue assim.
— Pois é. Para quem estava reclamando de manhã, você bem que está curtindo mesmo.
— Como Rose disse, um dos motivos da viagem é por conta do meu aniversário, então devo aproveitar, não acha?
— Concordo totalmente. E você acha que essa noite será melhor do que a de Memphis?
Lembrando as coisas que aconteceram naquela noite não tive dúvidas ao responder.
— Com certeza, espero que sim. E você?
— Também, sabe que gosto mais de vir aqui do que ir a Memphis, então acredito que Nashville não nos decepcionará.
— Que assim seja.
Finalmente um barmen nos atendeu, fizemos os pedidos prévios e continuamos conversando, sobre o ambiente e as músicas tocadas.
Ao pegarmos as coisas seguimos entre as pessoas a procura das meninas, não demoramos a achá-las em uma das mesas com cadeiras.
— Vocês sempre conseguem encontrar mesas tão facilmente, qual a proeza?
Emm perguntou assim que sentamos.
— Segredo meu caro amigo. Se contássemos teríamos que te matar. – Bella brincou.
— Hoje todos vão beber?
Perguntei ao abrir minha garrafa de cerveja.
— Sim, hoje não há nada que nos impeça de aproveitar ao máximo. – Rose respondeu.
Quando todos pegaram uma cerveja na mão, prosseguiu.
— A que dedicaremos o brinde?
— Ao aniversário do Edward. – Bella respondeu.
— A primeira vez da Bella em Nashville. – Emendei.
— E a nós por estarmos aqui. – Rose completou.
— Que assim seja.
Emm ergueu sua garrafa então brindamos dando o primeiro gole.
Continuamos a conversar e beber ouvindo as músicas escolhidas pelo cantor que está no palco no momento.
De repente observei Bella cantarolando uma das canções e resolvi provocá-la.
— Olha só quem já está se sentindo uma nativa.
— O que foi? – Parou de cantarolar.
— Você ai cantando música country. – Emm falou.
— Ah, para. Nos conhecemos há quase um mês, interagi o dia inteiro com as coisas da cidade, não digam que só agora notaram que também gosto de música country? – Retrucou.
— Não é de todo estranho, mas também não é comum ver uma garota californiana conhecendo tão bem as músicas do sul.
— Até você Rose? Agora estou me sentindo traída.
Respondeu e rimos.
— Tem um jeito de tirar a prova se realmente pertence ao clube do country. – Emm falou e aguardamos que conclua o raciocínio. – Qual seu técnico favorito do The Voice?
— Ah, não. Isso não vale.
Bella respondeu rindo e a acompanhamos.
— Estava na cara que é uma fã do Adam. – Falei.
— Mas essa pergunta também não vale. Eu mesma sou fã dele. – Rose contestou.
— Porque é simplesmente impossível não ser fã do Adam Levine! Ele é um dos homens mais lindos do planeta, quiçá do universo. – Bella completou.
— Exatamente. Respeitamos seu casamento e sabemos que nosso amor é totalmente platônico, mas não podemos deixar de admirar aquele monumento todo.
Minha irmã falou, ela e Bella bateram as mãos em cumplicidade, enquanto Emm e eu só rolamos os olhos.
— Tirando esse momento fã girl. A questão é que você não nega suas origens californianas Bella.
— Mas Emm, continuo dizendo que isso não vale. Porque também amo o Blake como técnico, adoro suas músicas e não posso deixar de enfatizar que também o acho uma espécie de homem digna de total apreciação.
— E também sentimos uma invejinha branca, mas sempre respeitosa, da Gwen por aproveitar o Blake.
— Vocês duas estão impossíveis com essa tietagem toda. – Reclamei.
— Nem vem Edward, porque toda temporada você fica com crush nas juradas. Até hoje reclama que a Shakira e a Christina não voltaram mais. – Rose me contrariou de pronto.
— Nisso ela tem razão. – Emm falou.
O olhei sem entender. Onde foi parar nosso apoio mútuo?
— Não é legal quando seu melhor amigo te deixa na berlinda? – Bella provocou.
— É ótimo. – Resmunguei. – Mas bem garota californiana, você ainda está em fase de testes, até o fim do verão constataremos se pode ou não ganhar o selo de cowgirl.
— Qual é? Sou uma ótima amazona, só isso já me qualifica a ser também uma cowgirl.
— Não amiga, terei que ficar do lado deles novamente. Você precisa ter mais de uma característica para ganhar o título. – Rose disse, Emm e eu assentimos.
— Façamos mais um brinde. Agora a trajetória da Bella em busca do selo de cowgirl. – Emm falou.
— A ser uma cowgirl. – Brindamos.
Bella continuou tentando contestar seus direitos ao posto, mas nenhum de nós deu o braço a torcer.
Logo ela e minha irmã não aguentaram ficar apenas sentadas e seguiram para perto do palco começando a dançar. Emm e eu permanecemos na mesa apenas de olho nas duas, elas podem achar que estamos apenas vigiando em forma de prevenção, mas a questão é bem diferente...
Pelo menos em relação ao que sinto referente à Bella.
Não que meu radar não esteja ligado à espreita da aproximação de outros homens, porém mais do que isso gosto de observá-la simplesmente curtir a noite.
Como sorri enquanto cochicha coisas com minha irmã, a forma entusiasmada que bate palmas ao fim de cada música ou ainda o jeito que seu corpo balança ao ritmo dos sons.
Com o passar das horas o cantor que se apresentava terminou a apresentação e enquanto a nova atração não assumi o lugar no palco, as meninas voltaram para mesa. Fui ao bar a pouco, então a mesa está cheia tanto de novas bebidas quanto de petiscos.
Assim que sentaram pegaram uma garrafa de água e após refrescar-se investiram em comer os salgados.
— Cansaram? – Perguntei.
— Não, a noite ainda está apenas no começo. – Rose respondeu.
— Pois imagino que vieram cheias de energias, se estão dispostas a mais. – Emm comentou.
— Você não tem nem ideia do quão disposta estou.
Rose rebateu e vi Emm engolir em seco.
Quase que de forma automática Bella e eu trocamos olhares intrigados com a resposta da minha irmã.
— Vou ao banheiro, volto já.
Emm falou e apressadamente saiu da mesa.
— Agora que ele tocou no assunto me deu vontade de ir também. Vem comigo Bella?
— Obrigada Rose, ficarei aqui.
— Tudo bem.
Ela também levantou e saiu.
— Será que essa história de ir banheiro foi um código para se encontrem em segredo?
Bella questionou ao ficarmos sozinhos.
— O que? Não. Não acho que seja.
— É uma pena. Rose pareceu bem determinada ao dar aquela resposta. Emm deveria aproveitar a chance e conversar logo com ela.
— Não creio que já esteja 100% seguro com tudo. – Comentei.
— Mas afinal, o que está faltando para ficarem juntos? Que os joguemos em cima do outro dizendo para se beijarem? Igual às crianças faziam na escola?
— As crianças da sua escola faziam esse tipo de coisa?
— Sim. Uma vez já tive que separar uma colega que não queria beijar um menino. Ela até gostava dele, mas não queria participar daquele escarcéu. – Informou. – Por quê? Na sua escola nunca teve isso?
— Não. Nessa idade tínhamos outras preocupações, além do que, ainda não queríamos ser vistos perto de garotas. Em pouco tempo tudo mudou, mas durante a infância ainda não estávamos nesse estágio. – Respondi e ela deu de ombros. – Mas isso é porque minha geração era mais comportada que a sua.
— O que?! Que história é essa de geração? Nós só temos cinco anos de diferença. – Exclamou.
— Mas esses cinco anos já fazem muita diferença. No meu tempo de escola os meninos e meninas ainda eram tímidos. Já no seu e da Rose as coisas já eram liberais demais.
— Edward, para com isso. Você com esse papo só está dando à impressão de ser quase um ancião.
— Ancião não, experiente sim.
Percebi sua reposta pronta para sair quando Rose e Emm voltaram à mesa.
— Do que conversam? – Rose perguntou.
Bella e eu respondemos ao mesmo tempo.
— Sobre a época da escola.
— Sobre Edward se achar um velho.
— Como esse assunto surgiu? – Emm questionou.
Iniciamos um debate com os dois sobre os aspectos do nosso tempo escolar.
Durante a conversa sobre gerações, fomos interrompidos pelo som do microfone anunciando a nova atração da noite, ao invés de um cantor agora teremos uma dupla com vocais masculino e feminino dividindo o microfone, aplaudimos enquanto subiram no palco e ficamos em silêncio para prestar atenção no som que farão.
Eles se apresentaram, agradeceram a todos pela presença no Good Time e em seguida prometeram entreter a noite o máximo possível elevando o astral do lugar ao seu pico.
Após uma nova chuva de aplausos começaram a cantar e observamos o quão bons realmente são.
Ao ouvir algumas músicas e entender o ritmo que propõem, Rose comentou com Bella.
— Já sabe que voltaremos a dançar daqui a pouco, não é?
— Obviamente. As músicas deles são ainda melhores para aproveitar.
— E vocês vão conosco.
Rose apontou para Emm e eu.
— O que? – Emm questionou.
— Isso mesmo. Viemos para curtir juntos e é o que faremos. Não será como da outra vez que ficaram amargurando na mesa por quase a noite toda. – Pontuou.
— O mesmo vale para você. – Bella falou comigo.
— Ah, é? Vai me chamar para dançar com você dessa vez?
— Na verdade está mais para intimação, mas se quer ver dessa forma tudo bem.
Sorriu faceira e não pude deixar de retribuir.
Se ela quer minha companhia, eu que não a contrariarei.
Então mais cedo do que pensei elas levantaram estendendo as mãos para as seguirmos. Não para frente do palco, mas até a parte superior onde vários casais já estão aproveitando o ambiente e nos pusemos a dançar também.
As músicas em sua maioria são agitadas e os passos não exigem que fiquemos tão colados. Porém só de estar perto de Bella, sentindo seu perfume e vendo o balançar de seu cabelo já me encontro mais do que afetado.
E as coisas só tendem a piorar já que tenho me concentrado no entrelaçar das nossas mãos e o rebolado de seus quadris.
Acabei de comprovar que possuo sim um autocontrole extraordinário...
— Você até que não é o pior parceiro de dança do mundo.
Bella falou em meio a uma das trocas de música.
— Ah, é?
— Sim.
— Devo levar isso como elogio?
— Com certeza. Não está sendo perca de tempo passar a noite com você. – Provocou.
— Bella... Sua noite está ótima apenas por estar comigo.
— É o que acha?
— É o que sei.
— Só nos seus sonhos Cowboy.
— Nos meus sonhos aproveitamos a noite fazendo muito mais do que dançar.
Soltei e imediatamente percebi sua respiração mudar e o corpo contrair.
Não desviei os olhos dos seus, mas também não disse mais nada, aguardei por sua reposta, que surpreendentemente não veio.
Ela virou e continuamos a dançar sem falar, o que me deixou confuso.
Estando acostumado ao nosso debate sem fim, não receber resposta justamente agora me deixou mais perturbado do que ter recebido qualquer reprimenda ou negativa.
Depois desse momento não houve mais provocações, às vezes comentamos algo em meio à dança, porém nada demais.
Também trocamos de par algumas vezes, enquanto ela riu animada com Emmett, desfrutei de bons momentos com minha irmã.
As horas passaram sem que nos déssemos conta, mas em um momento já muito adiantado da madrugada entramos no consenso de ir embora e assim o fizemos.
Saímos para a rua e caminhamos despreocupados até o hotel, o percurso não foi longo, mas pelo extenso cansaço que já começa a nos abater, acabamos fazendo o trajeto até nossos quartos em silêncio.
Emm e eu nos despedimos das meninas antes de entrar em nosso próprio quarto, ao perdê-las de vista comentei com ele sobre tomar banho primeiro, recebi apenas um balançar de cabeça como resposta então segui para refrescar-me na ducha.
Não demorei muito no banho, mas ao voltar para o quarto não vi Emmett, imagino que tenha ido pegar algo para beber na geladeira do corredor.
Apenas vesti a bermuda que trouxe para dormir e deitei na cama esperando o sono chegar e refletindo sobre os acontecimentos do dia.
Alguns minutos passaram, meu sono não chegou e tão pouco Emm voltou ao quarto, começando a me preocupar com seu sumiço, levantei, vesti uma camiseta e caminhei até a porta do quarto, ao abri-la notei a porta do quarto ao lado também aberta com Bella à frente da mesma.
Usando um conjunto de dormir minúsculo, que consiste em um short e blusinha de alça, ambos pretos.
Se minha percepção não falha ela está sem sutiã, então aqueles são...
— Edward o que faz aqui fora?
Sua voz desviou meus pensamentos inoportunos.
— É... Estou procurando pelo Emmett. E você?
— Também.
— Também está procurando o Emm?
— Não. – Sorriu. – Também sai para procurar minha colega de quarto.
— Rose não está com você? – Negou com um aceno. – Então onde podem estar?
— Não sei.
Desviei o olhar começando a procurá-los pelo corredor, mas sem avistá-los.
Em silêncio notamos uma movimentação na varanda conjunta, Bella se aproximou e me cutucou indicando que os dois estão conversando lá.
— Agora que já sabemos onde estão podemos voltar para os quartos. – Comentei.
— É.
Ia indicar para ela ir à frente, mas paramos ao ouvi-los.
— Você sabe que gosto de você, não é?
Rose questionou ao Emmett.
— É claro que sei, também gosto de você Rose, muito.
Nesse instante Bella caminhou alguns passos e a segui, não sei se para impedi-la ou no desejo de também ver o que acontecerá.
Paramos atrás da porta, eles não podem nos ver, mas em compensação temos uma visão privilegiada dos dois.
Vi que Emmett está com a mão no rosto de Rose fazendo um carinho.
— Emm, quero que olhe nos meus olhos.
— Estou olhando.
— Preste atenção no que direi. Eu gosto de você. Gosto muito mais do que como amigo, como alguém que está na minha vida desde que me entendo por gente. O que sinto por você nunca senti por ninguém e preciso que nesse momento seja sincero comigo, pois não continuarei guardando isso apenas comigo, mas também não quero te obrigar a nada. Então diga se em algum momento acha que pode vir a sentir por mim algo parecido com o que sinto por você.
Quando Rose terminou de falar Bella apertou minha mão, não quero admitir, mas estou tão ansioso pela resposta de Emm quanto ela.
— Rose, como pode não saber que eu te amo? Amo há tanto tempo que nem sei dizer. Você é a mulher da minha vida e por muito tempo achei que talvez não fosse merecedor de estar ao seu lado, mas entendi que nada mais importa a não ser o que sentimos e se com o que falou quer dizer que também me ama, só posso me sentir o homem mais feliz do mundo.
— É claro que eu te amo Emm, muito.
Ao terminar de falar minha irmã se pendurou no pescoço do meu melhor amigo iniciando um beijo.
Pensando já ter visto demais e querendo dar um pouco de privacidade ao novo casal, puxei delicadamente a mão de Bella que ainda está entrelaçada a minha para sairmos, entendendo minha intenção apenas assentiu, porém não sei qual de nós bateu em um artefato próximo a parede fazendo barulho e chamando a atenção do casal que imediatamente parou o beijo.
— Quem está ai?
— Somos nós Emm. – Bella informou. – Perdão, não queríamos atrapalhar, desculpa mesmo.
Acabamos entrando na varanda também.
— Estavam ai há muito tempo?
— Não Rose. Sai do quarto a procura do Emm e encontrei Bella a sua procura. – Expliquei. – Ao achá-los não conseguimos evitar ouvir o fim do que acredito ter sido uma declaração.
— E desculpe novamente por atrapalhar o momento, mas não posso estar mais contente por finalmente vê-los juntos, parabéns. – Bella falou animada.
— Obrigada amiga, você faz parte disso, sem seus conselhos talvez não tomasse coragem de contar a verdade ao Emm.
— Não tem o que agradecer Rose, só quero vê-los felizes.
— Rose tem razão, devo agradecer a você e Edward por não desistirem de mim e por nos apoiarem. Obrigado.
— Não tem o que agradecer irmão. Acho que agora mais do que oficialmente você é meu irmão, não é?
Perguntei e ele sorriu olhando para Rose dando-lhe um beijo em sua testa, minha irmã sorriu e sua felicidade transpareceu aos olhos.
— Posso abraçá-los?
Bella perguntou e assentiram.
Ela e Rose se abraçaram, assim como Emm e eu também compartilhamos o afeto, depois puxei minha irmã para perto, enquanto Bella se esticou para abraçar Emmett.
— Imagino que tenham muito que conversar e já atrapalhamos demais, Edward e eu voltaremos aos quartos, tomem o tempo que precisar.
— Está tarde, não demoraremos mais, só vamos nos despedir. – Rose respondeu.
Entendendo que precisam de um momento a sós, agora sem mais problemas Bella e eu lhes desejamos boa noite e seguimos até a porta dos quartos.
— Quem diria que a noite terminaria dessa forma. – Comentou.
— Pois é. Com certeza melhor do que a noite em Memphis.
— Sim, muito melhor. Boa noite Edward, até daqui a pouco.
— Até, tenha uma boa noite.
Lhe dei um beijo na bochecha, ela entrou no quarto e o fiz para o meu em seguida.
De volta à cama deitei determinado a esperar por Emmett, para conversar, porém diferente de ainda pouco o sono me pegou antes de ter a oportunidade de fazê-lo...
O clima no domingo foi bem diferente do sábado, agora que Rose e Emm finalmente se declararam, o ar ao nosso redor não é mais o mesmo, antes éramos um grupo de amigos, agora somos dois amigos e um casal.
Não que eles sejam dos que ficam cheios de firulas que enjoam qualquer um ao redor, durante o dia não os vi mais do que de mãos dadas e pela conversa que tive com Emm, eles ainda têm muito que acertar.
Apesar da convivência e amizade por toda vida, mudar o status de relacionamento requer muita conversa e conciliação.
Os dois prometeram que falarão de tudo abertamente em casa, sendo assim apesar de saber que a parte mais difícil já passou, ainda estou na torcida para que ambos consigam encaixar os pontos necessários e levar a relação em frente.
Por conta de tudo que fizemos ontem, pela hora que fomos dormir e a que acordamos, dispensamos passeios mais trabalhosos.
Quando saímos do hotel fomos diretamente a um restaurante almoçar e após o mesmo pegamos o carro indo até o Riverfront Park, um parque muito vasto que enche os olhos de tanta beleza, além de ficar do outro lado do rio Cumberland, que já vimos um pouco ontem durante o passeio na John Seigenthaler, mas que hoje deu para desfrutar muito mais.
O tempo que passamos no parque foi bastante proveitoso. Conseguimos descansar, porque contrariando o dito popular, apesar da fazenda também nos proporcionar lindos campos, é preciso sim sair de casa para encontrar um descanso, pois estando nas terras da Silver Horse, ao menos o meu radar sempre está ligado para possíveis funções. Então hoje me permiti relaxar e descontrair como a muito não fazia.
As meninas fizeram questão de tirar mais fotos, tomamos sorvete e sentamos embaixo das árvores quando o sol ficou forte demais.
Ao fim da tarde, com certo peso no peito, voltamos ao hotel na intenção de arrumar nossas coisas e pegar a estrada para casa.
Rose cedeu a direção a Bella e decidiu ficar atrás com Emmett, então mais uma vez assumi o posto de copiloto e dando um pouco de privacidade ao casal mantivemos um papo só nosso durante o caminho.
— Gostou de como foi seu aniversário esse ano? – Perguntou. – E não me refiro apenas à viagem, mas desde o jantar até agora.
Pensei por um instante em como foram esses últimos dias.
— Sim. Como você deve ter notado não sou muito dado a comemorações, ainda mais as do meu aniversário. Porém esse ano, diferentemente de outros, consegui aproveitar bem as comemorações ofertadas. Então entro em meus 29 anos muito bem.
— Fico feliz por se sentir assim. Aniversários sempre devem ser motivo de comemoração, não só por conta das festividades, mas pela perspectiva de renovação e bons votos. Estou contente de estar presente no ano em que terá boas recordações do mesmo.
A olhei vendo um sorriso doce e sincero.
— Também estou contente de compartilhar esses momentos com você. Com certeza guardarei em um lugar especial.
Ela continuou sorrindo e assentiu.
Assim seguimos de volta a Silver Horse, onde ainda mais surpresas nos aguardam...
***
— Você terminou a checagem do gado ao lado sul?
Perguntei a Emmett, enquanto cavalgamos pela Silver Horse quase encerrando as funções do dia.
— Sim. Está tudo certo. Se nada acontecer, o próximo mês entrará melhor que o anterior.
— Assim espero. – Continuamos cavalgando, até que me lembrei de uma questão. – E falando em encerramento do mês. Como estão os preparativos para o almoço que unirá de uma vez as famílias Cullen e McCarty?
— Para de me provocar com isso. – Emm retrucou e sorri.
— Não meu querido amigo, te encherei o saco até quando puder.
Ele resmungou qualquer impropério que não ouvi, pois continuei rindo.
Quando chegamos de Nashville, contamos aos meus pais como foram as coisas, mas o novo casal 20 deixou de lado a questão de estarem juntos.
Bella e eu respeitamos sua decisão de guardar segredo por enquanto, pois sabemos que eles ainda precisam acertar alguns pontos.
Porém os pombinhos não foram tão cuidadosos em esconder suas emoções, então digamos que logo no dia seguinte minha mãe pegou os dois aos beijos, o que ocasionou no término do segredo.
Assim as duas famílias inteiraram-se da relação e nossas mães começaram a planejar um tipo de almoço para as famílias se reunirem e comemorarem o início do namoro do casal.
Desde então Emm está apreensivo esperando pelo momento que meu pai o chamará para ter a conversa, meu riso aumenta só de lembrar.
Primeiro até tentei acalmá-lo dizendo que papai provavelmente não falará nada e se falar, não será algo tão grave quanto imagina, mas depois que vi que de nada adiantará tentar ajudá-lo, tomei o caminho inverso e comecei a pentelhá-lo sobre a situação, não perdendo a oportunidade de provocá-lo sempre que possível.
— Ao invés de ficar me enchendo o saco com essas besteiras deveria se preocupar com seu trabalho.
Falou me tirando das lembranças felizes.
— Meu trabalho vai muito bem, obrigado. Tudo na fazenda corre como nos conformes, a vistoria do Harry segunda-feira foi mais que satisfatória, ele até disse mais uma vez que daqui a pouco não precisará mais nos visitar, pelo menos não nas semanas em que Bella ainda estiver aqui.
— Isso é verdade, ele fica quase sem ter o que fazer.
— Só ainda me preocupo que venha por conta das vacas que estão para parir, apesar de Bella acompanhar todos os partos desde que chegou, ela disse que nunca fez um sozinha, então é melhor estarmos prevenidos, porém depois que esse período passar, talvez demos uma folga ao velho Harry, ele merece. E estamos bem apoiados. – Conclui.
— Quem diria, que logo você que praticamente a expulsou daqui assim que a viu, agora com menos de um mês estaria ai todo contente com a presença dela. Para ver como é a vida, não é mesmo? – Dei apenas de ombros. – Há! Te peguei. Não é legal quando a provocação vem.
O olhei desafiadoramente com a resposta já na ponta da língua, mas deixei o assunto de lado focando os olhos mais adiante no terreno.
— Emm, aquela ali não é a Snow?
Perguntei indicando a direção observada.
— Pode ser, mas estamos muito longe para ter certeza.
— Vamos cavalgar até lá, as terras dos Black ficam por ali e não gosto de imaginar Bella tão perto deles.
— Vamos.
Demos galopes em nossos cavalos e quanto mais perto chegamos, mais preocupado fico por constatar que a égua é mesmo Snow, porém não vejo sinal de Bella próximo a ela.
— É a Snow, mas não estou vendo a Bella.
Emm comentou externando meus pensamentos e apenas indiquei para continuarmos.
Quando por fim chegamos à parte plana vimos Bella e senti um alívio imediato ao comprovar que está tudo bem, só não sei por quanto tempo, já que ela está agachada parecendo procurar formas de ultrapassar as cercas e ir para o lado da Black Horse.
Num impulso gritei seu nome.
— Bella!
Ela virou assustada, porém se acalmou quando nos viu.
— O que pensa que está fazendo? Ficou maluca para querer entrar na Black Horse?
— Não, mas vi de longe uma égua que parecia debilitada e ao me aproximar confirmei que não está bem, preciso fazer algo, preciso ajudá-la.
Emm e eu descemos dos cavalos nos aproximando.
— Bella, entenda. Não tratamos de assuntos com os Black. Da mesma forma que não queremos que se intrometam nas coisas da Silver Horse, também não devemos nos intrometer nas questões deles.
Emmett falou e esperei que o ouvindo entenda o ponto, já que tenho certeza que se falar algo, prontamente ouviria seus protestos.
— Vocês não estão entendendo. Essa égua precisa de ajuda e eu posso ajudá-la.
Antes de ter a oportunidade de tentar colocar um pouco de juízo em sua cabeça, fomos surpreendidos pela desagradável presença de Jacob.
— Ora, ora, ora o que temos aqui. Um Cullen, um McCarty e uma Swan quase invadindo minhas terras. Querida não se esqueça, já deixei claro da primeira vez que nos vimos o que acontecerá caso passe para o meu lado da cerca.
Ao ouvir tais despautérios imediatamente cerrei os dentes com raiva.
Apesar de até hoje não ter feito nada contra Bella, não acredito que Jacob tenha esquecido e tão pouco superado a humilhação sofrida e não estou propenso a deixá-lo fazer algo de qualquer maneira.
— Black, é bom que meça suas palavras ou já sabe o que acontecerá. – Ameacei.
— Cullen, não queira crescer para cima de mim sendo que estou certo. Sua convidada querida está para entrar nas minhas terras. Tenho todo direito de opinar sobre a situação.
— Não quero nada com você, muito menos com suas terras, estava apenas de olho nessa égua.
Bella falou indicando a mesma e ao dar uma segunda olhada realmente notei que a pobre não está nas melhores condições.
— O que aconteceu? O que você fez a ela?
— Vejo que achou a égua fujona, estava justamente atrás dela. Mas agora que já a encontrei, tratarei de levá-la de volta ao pasto e aplicar o tratamento merecido.
— O que você pretende fazer? – Bella questionou.
Apesar de temer a resposta, tenho certeza que ela sabe, assim como eu, a que ele se refere.
— Sacrificarei a égua, é claro. Esse animal só tem me dado trabalho e prejuízo. O último potro que pariu nasceu morto. Desde então vem dando trabalho aos meus homens e hoje inventou de fugir, fazendo com que me envolvesse diretamente no caso. Pois agora ela assinou sua sentença, essa égua terá um fim.
Ao ouvir a confirmação com as palavras de Jacob, Bella pareceu entrar em choque.
— Não! Você simplesmente não pode fazer isso!
— Ah, queridinha, acho que toda altives que mostrou no dia que nos conhecemos talvez fosse para mascarar sua falta de inteligência. Deixe-me explicar com calma para que entenda. Esta é minha fazenda, essa égua me pertence, portanto, eu decido o que fazer com ela. E minha decisão já está tomada.
— Você que não entende. Não pode simplesmente sacrificar um animal como se fosse nada! Algum veterinário deu aval a isso? Você por acaso sabe realmente o que ela tem?
Não parecendo abalado com as palavras de Bella, Jacob respondeu.
— Não. Mas como disse, a decisão cabe a mim. Essa égua só tem me dado trabalho e aquilo que não me serve é imediatamente descartado.
— Meu Deus do céu. Não posso estar ouvindo um despautério desses! Como pode ser tão asqueroso? Você consegue passar o nível do suportável. Já não basta ser um cafajeste ridículo com as pessoas? Ainda tem esse tipo de atitude também com os animais? Simplesmente não consigo entender como alguém assim pode ser dono de uma fazenda.
Vendo o quão consternada Bella está, me aproximei mais até tocar seus ombros.
— Bella, tente ficar calma, vamos embora, por favor. Esse assunto não nos diz respeito.
— O que? Como assim não nos diz respeito? Você está cego? Porque só assim para não enxergar o mesmo que eu. Ele está dizendo que irá sacrificar essa égua. Isso se puder usar esse nome, pois tenho certeza que o que pretende fazer extrapola os níveis de dignidade. E não posso deixar isso acontecer. Aliás, não vou deixar!
— Bella. – Mais uma vez Emm tentou intervir. – Nunca pensei que diria essas palavras na vida, mas o Black tem razão. A égua pertence a ele, portanto não cabe a nós decidir como lida com a mesma. E olhe o estado dela, é nítido que não está mais tão bem, talvez o melhor seja realmente sacrificá-la. Você como veterinária sabe que em alguns casos é inevitável.
Quando Emm terminou observei os olhos de Bella encherem de água e pensei que com isso ela cederia.
Mas o pensamento não durou mais que alguns segundos.
Como se já não conhecesse Isabella Swan...
Engolindo o choro ergueu a cabeça assumindo uma nova postura.
— Não. Não vou simplesmente aceitar isso. Não irei embora e tão pouco deixarei essa égua aqui, não com ele, não para ser maltratada sem um pingo de humanidade.
— Querida. Você não pode fazer nada, essa decisão não cabe a você. – Bella encarou o energúmeno com fúria nos olhos, porém seu deboche ainda não acabou. – Realmente mulheres são criaturinhas que gostam de se meter em assuntos que não lhe dizem respeito.
Meu sangue que já estava no limite eclodiu ao ouvi-lo.
Realmente não vejo alternativa a não ser descer o imbecil de cima do cavalo e mostrar-lhe uma lição ou duas.
Porém antes de dar ao menos um passo, Bella respondeu.
— Pois bem, desde que chegou a única coisa que tem feito é cantar de galo que a égua é sua, que pertence a sua fazenda e outras idiotices. Para encerrarmos o caso tenho a solução. Venda-me à égua.
— O que?
O questionamento veio de ambos os lados.
— É isso mesmo que ouviu. Se ela tem dado tanto prejuízo, você não verá problema algum em vendê-la, não é mesmo? Venda-a, que comprarei. Porque não irei embora deixando-a com você de forma alguma.
— Você deve ter pirado garota. Como acha que vai comprar minha égua?
— Deixe de sandices e aceite logo a proposta. Você não terá mais que se preocupar com a égua, enquanto tomarei conta dela, examinarei devidamente e caso fique comprovado que não há outra solução além do sacrifício, o farei, mas não deixarei que fique um minuto a mais em sua posse.
Sem esperar resposta de ninguém virou em minha direção, segurou em meus braços e olhando no fundo dos meus olhos, prosseguiu.
— Edward, por favor, eu preciso comprar essa égua. Ao voltarmos para casa ligarei para o meu pai e ele transferirá o dinheiro para a conta da Silver Horse, mas nesse momento não posso fazê-lo sem você. Também preciso da sua permissão para que ela seja tratada aqui na fazenda, arcarei com todos os custos, mas não poderei fazer nada sem o seu apoio. Posso contar contigo?
Ainda meio atordoado com o pedido, respondi.
— Bella, uma coisa você precisa ter em mente. Essa pode não ser a única égua ferida nas terras da Black Horse. Pode não ser o único animal precisando de ajuda e infelizmente não podemos salvar todos. Você consegue entender isso?
— Eu sei Edward. Vendo o estado desse animal e o jeito daquele homem, não paro de pensar em como essa fazenda é. E em como estão os animais do outro lado. No fundo terei que confiar que esse é um caso isolado e que somente essa égua apresentou dificuldades. Terei que ter isso em mente para poder a dormir a noite, mas no que pode confiar é que jamais conseguirei deitar a cabeça no travesseiro com a mente tranquila se deixar essa égua aqui, sabendo o que pode ser feito. Então nesse momento só preciso da sua permissão para trazê-la. Como já disse, com dinheiro não se preocupe, assim que entrarmos em casa ligo para o meu pai e ele transfere a quantia que for. Mas agora preciso da sua resposta. Posso contar com você?
Vendo seu estado, sabendo da sua determinação, tendo ciência de que jamais abandonará essa égua a própria sorte, refleti.
Olhei mais uma vez para o animal, mesmo não possuindo os conhecimentos clínicos de Bella, notei que ele realmente não está nas melhores condições.
Mas no fim só constatei que Bella está coberta de razão, essa égua não merece ser tratada como lixo, nenhum animal merece.
Mesmo que o pior aconteça, ela ainda será mais bem atendida aqui e não no ninho de cobras que é a fazenda dos Black.
Finalmente voltei meu olhar para Bella.
— Tudo bem, você está coberta de razão. Vamos comprá-la.
Um sorriso imediatamente cobriu seu rosto, porém sabendo que não posso desfrutar do mesmo por enquanto, virei para Jacob.
— Você ouviu, compraremos a égua.
— O que? – Soltou um riso de escárnio. – Veja só o que se desenvolveu aqui. Bastou meia dúzia de palavras da Swan, para que ceda como um cordeirinho. Quem diria Cullen, confesso que esperava mais de você.
— Poupe-me dos seus deboches Black. Ao menos uma vez na vida haja como homem para que resolvamos logo essa situação. Dê seu preço para fecharmos o contrato.
— Pois bem, realmente sairei em vantagem me livrando da égua e ainda lucrarei com isso. Mas deixe-me pensar, vendo o empenho de vocês, especialmente da nossa querida Swan, sei que posso pedir o que quiser que não hesitarão em pagar.
Enquanto pensa, Emm apareceu ao meu lado me cutucando, trocamos olhares cientes de que ele nos massacrará, mas minha decisão já está tomada, não importa quanto o imbecil peça, não sairemos daqui sem a égua.
E no fundo sei que estou fazendo o certo, não só pelo que Bella disse ou por saber que a égua precisa de um bom tratamento, mas também pelos meus princípios.
— Então Black já decidiu? – Pressionei.
— Sim. Quero 25 mil dólares.
Ouvi um palavrão de Emmett e o ofego de Bella.
Até ela que não deve ter tanta noção do valor de mercado equino, percebeu o quão exorbitante foi à proposta.
Porém diferentemente deles, não me abalei.
— Tudo bem, a compra está de pé. Agora vá até sua casa, trate da papelada com legalidade que lhe entregaremos o dinheiro ao receber a égua.
— Fique tranquilo Cullen, agora também é do meu interesse fechar essa compra. Com o dinheiro que ganharei comprarei novos potros da melhor raça puro sangue que me servirão muito mais do que essa égua velha jamais conseguiu.
Simplesmente cansado de ouvi-lo, revidei.
— Não me interessa o que fará com o dinheiro. Queime, gaste, enfie onde bem entender! Contanto que tudo seja feito direito, pouco importam suas intenções.
— Pode ficar sossegado Cullen, não farei nada indevido. Afinal, a única pessoa que literalmente sairá no lucro, serei eu.
— Ótimo. – Cansado de lidar com ele, virei para Emmett. – Emm, vá até em casa, fale com a Rose e peça para que faça um cheque no valor que foi combinado. Depois pegue o caminhão e chame alguns homens para ir até a entrada da Black Horse. Bella e eu estaremos lá esperando.
— Pode deixar Edward.
— Emm, mais uma coisa. Você pode tentar localizar o Harry e pedir que venha até a Silver Horse? Não sei se estou apta para fazer tudo que a égua precisa sozinha.
— Não se preocupe Bella, o chamarei sim.
— Obrigada.
Ele montou em Thor e saiu a puro galope.
— Vou mandar meus homens virem pegar a égua e levar até a entrada. Lá trocamos o contrato e o cheque. – Jacob falou.
Bella e eu viramos em sua direção.
— Que assim seja.
— Posso dizer que foi um prazer fazer negócios com você Cullen.
— Vá para o inferno Black.
— Posso até ir, mas estarei lá esbanjando seu precioso dinheirinho. E Bella? – Estranhamos seu jeito de falar, já que desde que chegou só a tratou por Swan. — Obrigado pelo favorzinho hoje. Quando quiser uma retribuição, já sabe onde me encontrar.
— Vá á merda seu imbecil.
Ele soltou uma estrondosa gargalhada e deu galope em seu cavalo saindo finalmente de nossas vistas.
Caminhei até Bella disposto a continuar nossa conversa, porém me pegando totalmente desprevenido, se lançou em meus braços e por puro reflexo consegui segurá-la, ficamos abraçados por um tempo.
— Edward, muito obrigada. Sei que não era algo que queria, que dará trabalho para a Silver Horse, não consigo mensurar o valor dos gastos que ainda teremos, além de todo trabalho manual. Mas como já disse, assim que tratarmos da saúde dela, ligarei para o meu pai e ele transferirá o dinheiro.
No instante que parou para respirar, nos separei um pouco para responder.
— Bella, respire, por favor. Pode ficar tranquila, não tem nada o que agradecer, simplesmente fiz o que era certo. Aliás, eu mesmo deveria ter proposto algo assim desde o início. Mas volto a pontuar, podem ter outros animais em estado de risco na fazenda dos Black, porém não poderemos salvar todos.
— Eu sei Edward, eu sei. E o que está fazendo já é mais do que suficiente, não teria como pedir por mais, realmente estou muito agradecida.
— Não tem o que agradecer. Sua atitude foi à correta e apenas fiz o esperado. Quanto à questão de dinheiro, não conversaremos mais sobre isso. Está tudo certo, ela é uma nova aquisição da Silver Horse e a trataremos como tal.
— Não Edward, não posso deixar isso passar. Como Jacob disse, o preço cobrado foi exorbitante, com esse dinheiro ele com certeza poderá comprar três potros raça pura. E se não fosse por minha causa, não teriam esse gasto fora do orçamento. Por isso faço questão de pagar tudo, não só referente à compra, mas com os próximos gastos também.
— Bella, vamos encerrar esse assunto. – Ela tentou me cortar, mas a impedi. – Ao menos por enquanto, nosso foco agora é tratar da égua, saber o que há e como podemos ajudá-la, tudo bem?
— Tudo bem, você tem razão, deixaremos essas questões de lado por enquanto, mas não esquecerei.
Assenti e continuamos observando a égua até que os funcionários do Black vieram buscá-la, monitoramos os mesmos a conduzindo ao caminhão deles e depois de apostos Bella e eu montamos novamente em nossos cavalos seguindo até a saída da Silver Horse em direção á entrada da Black Horse.
Ao chegar encontramos Emm juntamente a alguns empregados da fazenda transferindo a égua entre os caminhões.
Infelizmente ainda tive o desprazer de rever Jacob, o mesmo trouxe o contrato, dei uma olhada por cima, acreditando que tudo está bem, o assinamos. Entreguei o cheque, mas não o deixei dizer mais impropérios antes de sair de perto do imbecil e suas terras.
Não me lembro de ter testado minha paciência tanto quanto hoje, deveria receber um prêmio, por mesmo depois de tudo não ter dado ao menos um soco no imbecil do Black.
De volta a Silver Horse, tiramos a égua do caminhão, mas não a colocamos nos estábulos com os outros cavalos, por não termos certeza de seu problema, preferimos não arriscar a saúde dos outros animais.
Emmett falou que Harry já está a caminho, porém mesmo assim Bella pegou seus instrumentos, se equipou com o jaleco, máscara, luvas e começou a fazer a checagem prévia.
No meio da inspeção meus pais e Rose apareceram, expliquei-lhes o que aconteceu, papai ficou furioso com a atitude de Jacob, mas aprovou nossa escolha pela compra.
Mamãe e Rose ficaram preocupadas com a égua, mas também com Bella, pois sabemos que se não tiver jeito, ela sofrerá muito e internamente rezei para que nada de mal aconteça.
Quando Harry chegou, Bella explicou toda a situação, então iniciaram mais uma bateria de análises para diagnosticar o que a égua tem.
O horário do expediente terminou, os funcionários foram embora, deixando apenas, Harry, Bella, Emmett, papai e eu observando o trabalho.
Mamãe e Rose voltaram para casa, à primeira para providenciar o jantar e a segunda para resolver umas questões burocráticas que estava lidando durante o dia.
Depois de um bom tempo, aplicaram algumas injeções na égua e a colocaram no soro.
Ao se aproximarem, perguntei.
— E ai? O que houve?
— A égua não precisará ser sacrificada, mas foi por pouco. – Harry informou.
— Por quê? O que ela tinha? – Papai questionou.
— Ela contraiu encefalite equina. – Bella respondeu.
— Vocês terão que responder mais do que isso para que possamos entender.
Emm disse e concordei com um aceno.
— A encefalite equina, também pode ser conhecida como falsa raiva. É uma doença que atinge cavalos em qualquer idade e é causada por um tipo de vírus que ataca o sistema nervoso produzindo perturbações e outros sintomas graves, como visão comprometida, febre, apatia, quedas frequentes e perda de peso. – Harry começou.
— É por isso que o potro que esperava nasceu morto, a partir dai ela estava só definhando. Acreditamos que se não a tratássemos agora, suas chances de sobrevivência não passariam de 40%. – Bella completou.
— Meu Deus. Mas ela vai se recuperar? – Questionei.
— Esperamos que sim, aplicamos injeções com dosagens de alphavírus para combater a proliferação da doença. Os próximos sete dias serão críticos, ela ficará no soro com antiencefalomielítico, como também isolada dos outros cavalos, a manteremos em um lugar calmo, escuro e limpo. Agora só nos resta rezar e torcer para que tudo acabe bem.
— É isso, caso notem alguma mudança brusca podem me chamar, mas acredito que Bella conseguirá ligar com tudo muito bem. Hoje já tinha prescrito a doença antes mesmo da minha chegada, somente confirmei e juntos executamos os procedimentos. – Harry falou e vi Bella ficar tímida com os elogios. – Agora vou para casa, tenham todos uma boa noite.
— Obrigada Harry, boa noite.
Papai agradeceu e nos despedimos.
Emm e eu tomamos as devidas providências para acomodar a égua, Bella supervisionou tudo, aplicou uma nova dose do soro que deve durar pela noite e seguimos para casa.
Emmett ficou para jantar conosco, porém antes do mesmo Bella e eu subimos para tomar banho, depois de tudo pelo que passamos era o mínimo que merecíamos.
Ao descer encontrei a todos já a espera, desfrutei de um jantar aconchegante e acolhedor ao lado da minha família, depois que terminamos de comer permanecemos na sala conversando sobre questões amenas e assim minha cabeça foi ficando mais tranquila, ainda consegui provocar Emmett mais um pouco, apesar dos protestos de Rose e a mamãe, no entanto, ainda sim me diverti.
Ouvindo meu pai falar sobre uma questão política que viu no jornal, virei para o lado vendo Bella já dando indícios de cansaço extremo e sono, a cutuquei discretamente.
— Vá para o quarto, você está muito cansada.
— Não, está tudo bem.
— Bella, tente não ser teimosa ao menos uma vez na vida. Anda, vamos, aproveitarei para subir também.
Inacreditavelmente ela não refutou.
Nos despedimos da minha família, Emm também disse que irá para sua casa, Rose o acompanhou até a varanda, enquanto meus pais disseram que ficarão na sala por mais um tempo.
Subimos as escadas lado a lado em um silêncio confortável, a acompanhei até a porta do seu quarto, pensei em lhe desejar boa noite, mas ela comentou primeiro.
— Quem poderia imaginar que um dia que tinha tudo para ser completamente comum terminaria assim, não é?
— Eu com certeza não. Mas assim é a vida, não é mesmo? Sempre nos surpreendendo. – Ela assentiu e sorriu.
Sorri de volta contente por ver um sorriso em seu rosto.
Depois de tudo que passou hoje, vê-la demonstrando uma emoção tão leve me deixou verdadeiramente feliz.
— Edward, agora que tudo já está mais calmo podemos voltar a conversar.
— Sobre? – Me fiz de desentendido.
— Não venha com essa para cima de mim. Quero falar sobre o dinheiro.
— Meu Deus. Bella. Mulher. Por que tem que ser tão teimosa?
— Meu Deus. Edward. Homem. Por que não pode entender que quero arcar com isso? Sei que o que fizemos hoje não foi um procedimento corriqueiro ou planejado. E a situação toda só aconteceu por minha causa. Então, se posso e quero arcar, por que está tão relutante em aceitar?
— Bella, saiba que estamos muito bem, a fazenda está estável, mais do que estável na verdade. Portanto, não precisamos do seu dinheiro. A égua agora faz parte da fazenda. O Harry tem um contrato com a Silver Horse. Então entenda que podemos arcar com todos os procedimentos. E se não me engano, você já está aqui há quase um mês e até hoje tem trabalhado para nós como qualquer outro funcionário ou quem sabe mais e não tem uma questão salarial envolvida.
— Edward, não bagunce as histórias. Meu estágio aqui tem financiamento pela universidade. Além do mais, como poderia falar em receber algo sendo que estou hospedada de graça, desfruto de todos os lazeres da casa como alimentação. Meu Deus, sua mãe cuida das minhas roupas como se eu fosse alguém...
— Da família... – A interrompi. – Sim a tratamos como da família, para o bem ou para o mal você já está interligada ao clã Cullen. E nessa família fomos ensinados a cuidar uns dos outros e é isso que quero que entenda. Não estou querendo ser o maioral ou diminui-la. Sei que tem condições de arcar com as coisas, mas nós realmente não precisamos. Consegue entender o que quero dizer ou terei que começar a trabalhar com desenhos?
— Mas Edward...
— Caramba mulher. Tudo bem, façamos um trato. Se algum dia no futuro a Silver Horse ficar mal das pernas, recordarei dessa cortesia, então irei até a Califórnia atrás da melhor veterinária do estado e ao te encontrar falarei. Lembra-se Bella, daquela vez que tratamos da égua e usamos um bom dinheiro para isso? Pois então, será que você poderia nos reaver o mesmo? — Enquanto falei ela começou a rir da minha interpretação. – Então você responderá. Oh, sim. É claro que lembro Edward. Como poderia esquecer o melhor verão que passei na vida? Em sua companhia na Silver Horse?
Fiz uma imitação de voz fina que ocasionou mais risos.
— Ok, se no futuro ficar com essa voz, podemos cancelar a ideia desde agora.
— Tudo bem, sem imitação de voz, mas voltando ao acordo. Você como a melhor veterinária do estado, reembolsará esse dinheiro e ajudará a salvar a Silver Horse, então viveremos felizes para sempre, sim?
Quando parou de rir, respondeu.
— Tudo bem. Não quero mais discutir, já houve estresse demais por um dia. Voltarei apenas a agradecer por tudo que fez, o apoio em todos os momentos e agora ainda me incluir nas questões da família, isso é realmente muito importante. E aceito o acordo, caso um dia a Silver Horse precise do reembolso, algo que esperamos verdadeiramente que não ocorra, você pode ir me procurar no meu consultório na Califórnia, provavelmente não o melhor do estado, mas contanto que continue exercendo o que gosto, já estará de bom tamanho.
— Ótimo, estamos combinados.
Estiquei a mão para selarmos o acordo, ela fez o mesmo e no momento que nossas mãos se tocaram senti a característica faísca sempre presente entre nós.
Por conta de todo o riso durante meu monólogo seu cabelo bagunçou, então aproveitando a proximidade tirei um fio que cobriu seu rosto o colocando atrás da orelha.
Porém não tirei a mão, ao invés disso fiz um leve carinho em sua bochecha e pude perceber o subir e descer do seu peito indicando um aceleramento na respiração.
— Edward, Bella. Achei que já tinham ido dormir.
Nos afastamos ao ser interrompidos pela presença de Rose.
— Já estou indo. Obrigada mais uma vez Edward e boa noite ao dois, até amanhã.
Ela rapidamente entrou em seu quarto, enquanto Rose e eu permanecemos no corredor.
— Desculpe, acho que interrompi vocês, não é? – Comentou.
— Não, já tínhamos terminado o assunto e estamos realmente cansados, também já vou dormir.
— Edward, está tudo bem? Você sabe que pode falar comigo sobre o que quiser, não sabe?
— É claro que sei loira, mas não se preocupe. Tirando a agitação do dia, não tem mais nada acontecendo. Agora vou dormir, boa noite.
Lhe dei um beijo na testa e me afastei.
— Boa noite.
Entrei no quarto, passei no banheiro e ao voltar deitei em minha cama realmente cansado de tudo e sem um pingo de vontade de tentar entender mais nada, se em dias normais já não consigo, imagina depois de uma carga tão pesada quanto a de hoje.
Por sorte o sono logo veio e com ele questões mais fáceis de lidar...
— Carlisle falou ontem que não precisavam sair cedo hoje, que poderiam descansar um pouco mais.
Emm falou, enquanto Bella, ele e eu saímos da minha casa em direção aos estábulos.
— E eu respondi que não é preciso, tenho coisas demais a fazer e tempo de menos.
— E eu tenho que ver como a égua passou a noite, além do que, o sono que tive já foi suficiente. – Bella completou.
— Se vocês dizem. – Emm deu de ombros.
— Agora você que não deveria estar tão cedo na minha casa, não é? Se não tivesse visto quando Rose subiu sozinha, poderia falar ao meu pai que talvez tivesse dormido lá em casa. – O provoquei.
— Estou vendo que hoje vão começar cedo. Às vezes acho que são garotos de nove anos, não homens de vinte e nove.
— Alto lá, o único ancião de 29 anos aqui é o Edward. Ainda sou um belo jovem na flor da idade com meus 28 anos. – Emm respondeu todo cheio de si e Bella riu.
Aprontei-me para lhe dar uma resposta, mas fui interrompido por um funcionário que chegou exaltado até nós.
— Edward, você não vai acreditar!
— Calma Amun o que houve? Por que está assim?
— A produção Edward. As sacas de milho estão arruinadas. Perdemos tudo!
— O que?!
CONTINUA.
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