Promise you
28 Queria estar ao seu lado
Notas iniciais
Levy acordou tarde e sentiu sua cabeça girar, se levantou, escovou os dentes e caminhou com calma até a sala, já que teria que passar por ela para chegar até a cozinha, um forte cheiro de tinta estava inundando o ambiente, já que Juvia nem sempre podia estar presente em seu ateliê e com certa freqüência, recebia materiais em casa.
A pequena deu mais uns passos e não podendo mais se manter em pé, deslizou as mãos pela parede na qual se apoiava indo ao chão. Horas depois acordou no hospital, olhou para os lados e com a vista ainda turva pôde ver pelo menos um rosto conhecido...
_Laxus... Onde estamos? – Perguntou ela com a voz fraca, sentindo no braço o acesso do soro que lhe era ministrado.
_Quando eu cheguei a sua casa, te encontrei desmaiada na sala, te trouxe então o mais rápido que pude e agora a Doutora Strauss, chegou com os resultados dos exames. – Informou ele colocando uma das mãos na testa da menor, a fim de saber se ela estava com febre.
_Tenho uma boa notícia e outra não tão boa... A que eu considero ruim é que a nossa paciente está com um quadro sério de anemia e também apresenta um estágio crítico de stress, o que é preocupante devido à boa notícia: Você vai ser mamãe. – Disse a bela médica de longos cabelos prateados.
_Como?! – Perguntou Levy assombrada.
_Isso mesmo o que ouviu, em cerca de oito meses, você terá um bebê. – Disse a doutora que em seguida se virou para Laxus – Você é o pai?
_Na verdade sou o tio, mas isso me pegou de surpresa. – Respondeu ele e depois se voltou para Levy – Meus parabéns! Espero que o bebê seja tão lindo e doce quanto você. – Completou ele sorrindo, beijando-a na testa e segurando sua mão, enquanto a doutora deixava a sala.
Nesse momento Gajeel invadiu o quarto de Levy totalmente preocupado, mas ao entrar deu de cara com a cena dos dois abraçados e sorrindo alegremente, o que o fez quase surtar de ódio pelo loiro alto que tocava sua garota despreocupadamente, mas se controlou por não saber o que Levy tinha.
_Levy. O que houve? – Perguntou o moreno pegando a mão dela.
_Gajeel?! – Perguntou ela de volta sem saber como ele tinha ficado sabendo sobre sua situação.
_Eu liguei para Juvia, afim de não preocupá-la, ela deve tê-lo avisado. – Explicou Laxus recebendo os olhares desconfiados de Gajeel.
_Quem é ele? – Perguntou o moreno, tentando disfarçar seus ciúmes.
_Esse é o Laxus, eu te falei sobre ele ontem. Ele iria me visitar, mas ao que parece eu acabei desmaiando, então ele me encontrou e me trouxe para cá. – Explicou ela rapidamente.
_Mas o que houve? Você está bem? – Perguntava ele preocupado e o mais próximo dela possível.
_Ahn... Isso... Na verdade é algo bem difícil de dizer... – Tentava ela explicar, mas não sabia como dar a ele a notícia.
_Você vai ser pai. Meus parabéns! – Disse Laxus na tentativa de acabar com aquela enrolação.
_Isso é uma brincadeira né? – Perguntou o moreno rindo soprado.
_Não, não é uma brincadeira, eu estou grávida. – Disse Levy baixando o olhar.
_Mas não tem como isso ter acontecido, eu sempre fui cuidadoso. – Dizia ele encarando Laxus seriamente e já soltando as mãos de Levy.
_Hey, não olhe para mim. Eu só a socorri, o pai é você. – Disse Laxus já se irritando com a não aceitação do menor.
_Fui eu Gajeel, foi um descuido meu. – Afirmou Levy lembrando-se do dia em que ela o dominou e acabou não se prevenindo.
_Uma única vez... O que vamos fazer? – Perguntou ele abalado.
_Em nenhum momento você pensou em simplesmente aceitar o fato e ser o pai? – Perguntou ela inconformada.
_Você sabe que eu não queria isso, então me dê mais tempo pra pensar no que fazer. – Respondeu ele dando um passo para trás.
_Olha, eu não queria mesmo interferir nisso, mas você chegou aqui e descobriu que vai ter um filho e eu não o vi parabenizar a sua mulher, não deu um sorriso sequer. Você tem noção do quanto um filho pode ser o bem mais precioso que alguém pode ter? – Perguntou Laxus perplexo pela reação totalmente contrária de Gajeel.
_Não se preocupe Laxus, ele não tem uma boa experiência com isso... Gajeel, eu vou te dar o tempo que pediu, aliás, fique com todo o tempo que tem, nós terminamos por aqui. Eu não quero ter que passar por isso mais uma vez, nunca pedi que dissesse que me amava, eu podia sentir isso, mas agora eu não tenho por que exigir mais amor de você, para mim e para meu filho, então decidi agora mesmo que vou fazer isso sozinha... Só vá embora, por favor. – Disse ela com a voz trêmula.
_Levy, me ouça, isso não é brincadeira, nós poderia– Dizia ele quando ela o interrompeu:
_Chega Gajeel! – Bradou ela dando uma pequena pausa a seguir – Até agora eu tenho tentado ser paciente com sua amnésia e seus problemas, mas estou disposta a seguir em frente sem você ao meu lado... Podemos ser amigos e esquecer tudo o que passou, mas se abrir essa boca para falar em interromper a gravidez... Eu nunca vou te perdoar. – Esclareceu ela em lágrimas.
_Então você fez a sua escolha? – Perguntou o moreno com os olhos igualmente marejados.
_Entre você e meu filho? – Riu ela em um suspiro – Você nunca teve chances... Vamos tentar nos dar bem, eu vou me mudar e começar de novo.
_Amanhã eu vou até a casa de Juvia pegar minhas coisas. – Disse ele enxugando algumas lágrimas e em seguida saiu do quarto.
Laxus assistiu àquela cena com o coração partido, mas tinha que ser o apoio de sua irmãzinha, então a abraçou e deixou que ela chorasse até que pegou no sono. No dia seguinte estavam na casa de Juvia, Levy não poderia continuar a morar lá por causa do trabalho da amiga, mas tinha sua casa, a que sua mãe tinha deixado para ela, porém Laxus achou melhor que ela não fosse morar sozinha na situação em que se encontrava.
_Eu já separei as coisas de Gajeel, assim que ele vier, entregue para ele. – Dizia Levy quando ouviu as batidas na porta, ao atender constatou que era ele – Suas coisas estão naquela caixa. – Apontou a pequena sem olhá-lo nos olhos.
_E o Lily? Não acha que ele deveria escolher com quem ficar? – Perguntou Gajeel se abaixando próximo ao gatinho preto que considerava como filho, mas o peludinho lhe deu as costas e foi se esconder atrás das pernas de Levy.
_Você já tem sua resposta. E sobre o trabalho... Eu recebi três dias de afastamento, então pedirei que Wendy leve meu atestado amanhã. – Disse a pequena antes de voltar para seu quarto.
_Use o tempo que precisar. – Disse Gajeel envolvido em profunda tristeza.
Passados os dias em que Levy deveria descansar, ela voltou ao trabalho, como se nada tivesse acontecido. A única diferença de tempos anteriores era que sempre que precisava ficar a sós com Gajeel, se certificava de levar Wendy consigo, o que nunca permitia que ele pudesse entrar em assuntos particulares.
No final do primeiro dia de trabalho, Gajeel pensava em tentar argumentar a situação dos dois, mas quando percebeu que Levy saía de sua sala, foi ao seu encontro e se deparou com Laxus que a tinha ido buscar no final do expediente.
_Como está a minha pequena? – Perguntava o loiro a abraçá-la e beijar sua testa.
_Muito bem, eu posso até dirigir, sabia disso? – Perguntava ela rindo da preocupação do “irmão”.
_Nem pense nisso, assim que voltarmos para casa vai descansar em dobro. – Dizia ele bagunçando os cabelos da miúda.
_Vocês moram juntos?! – Perguntou Wendy admirando a beleza do maior.
_Sim. – Respondeu Levy sem dar mais detalhes, nem tinha percebido que Gajeel estava logo atrás deles.
Ao ouvir aquela conversa, Gajeel voltou rapidamente para sua sala, já tinha sido terrível passar o dia com ela agindo como se nada tivesse acontecido, sorrindo e trabalhando de forma feliz e despreocupada, enquanto que ele estava um caco por dentro e pra variar, seu pai tinha dado de passar por lá de manhã, orientá-lo e sumir no mundo, tinha deixado a empresa totalmente por sua conta, as responsabilidades somadas à falta que Levy estava fazendo o deixava com um pé na realidade e o outro na total loucura.
Quase um mês se passou assim, Natsu e Gray aconselhavam a Gajeel que tentasse voltar atrás e reatar com Levy, mas ele sempre dizia que ela estava bem sem ele e que o que tinha feito não poderia ser perdoado, passou a freqüentar bares e tinha muita dificuldade em dormir, em seus sonhos, se é que se podia chamar assim, sempre via a morte da pequena. Sua vida que era tão tranqüila tinha virado um eterno pesadelo.
Um mês se passou nessa rotina infernal e ele passava horas admirando Levy pelo monitor do sistema de segurança, já começava a acariciar sua barriga na imagem quando em uma tarde de sexta-feira, pôde ver que Juvia e Lucy vieram vê-la no trabalho.
_Olá princesa! – Disse Juvia ao entrar na sala de Levy.
_Que surpresa boa! Sejam bem vindas. – Disse a menor ao recebê-las.
_Meu Deus como você tá linda! É justo alguém grávida de quase três meses ter uma cintura tão fina? – Perguntava Lucy ao abraçar Levy.
_Isso não vai durar muito tempo. – Respondeu Levy rindo com as amigas enquanto Gajeel as invejava em poder tocá-la.
_Isso não é nada. Olha esses peitões. –Dizia Juvia ao apalpar os seios da amiga pelas costas, Fazendo com que Gajeel se irasse e socasse a mesa.
_Posso tocar?! – Perguntou Lucy com os olhos brilhantes.
_Até pode, mas saibam que me sinto como uma atração turística, além do que, eles nem estão tão grandes assim. – Informou Levy com uma cara de ré.
_Laxus disse que vocês vão ao shopping ver roupas para o bebê amanhã, nós decidimos ir junto. – Disse Juvia animada.
_Ele está com essa idéia, mas eu já disse que não vou comprar nada até fazermos a ultrassonografia, quero saber o sexo antes de comprar qualquer coisa. – Explicou a pequena organizando as pastas.
_Ele parece o pai do bebê, vai a todas as consultas e não a deixa sozinha por nada. – Disse Lucy sorrindo ternamente.
_E vai acabar sendo, essa história de não te deixar ir para sua casa até o fim da gravidez vai acabar se estendendo quando ele ver o rostinho do bebê, ele é muito pegajoso e preocupado, você não vai escapar assim tão fácil. – Avisou Juvia enquanto mexia em algumas canetas na mesa de Levy.
_Não vai ser tão ruim tê-lo por perto. – Disse Levy despreocupada.
_Você diz isso sem nem ter provado das habilidades dele na cama. Pense em um cara que te faz chegar perto do céu... – Dizia Juvia suspirando, enquanto que Gajeel quase tinha um ataque cardíaco na sala ao lado.
_Se ele era tão bom, por que não ficou com ele? – Perguntou Levy guardando alguns livros na estante.
_Não gosto de caras pegajosos. Mas pensando bem agora, você é pequena demais para ele, seria ainda mais estranho do que quando estava com o Gajeel. Imagina aquilo tudo em cima de você. – Dizia Juvia com o rosto mergulhado em estranhamento. Gajeel imaginou o que o fez jogar um copo que estava em sua mesa contra a parede num surto de ira.
_Eu passo, sou uma futura mamãe e não quero pensar em estar na cama com o Laxus. Se bem que as vezes dormimos juntos, sem o fator sexo é claro. – Disse Levy já abrindo a porta de sua sala e parando face a face com o loiro que a esperava.
Levy mal podia olhar para ele depois daquelas conversas estranhas, nunca tinha pensado nele como um homem e agora estava envergonhada. Gajeel abriu a porta para pedir que Wendy avisasse alguém da limpeza que tinha quebrado um copo “sem querer”, mas ao ver Laxus frente a frente, quase teve outro aceso de ódio.
_Yo Gajeel. Tudo bem? – Perguntou o loiro com um sorriso debochado enquanto abraçava Levy.
_Yo. – Respondeu ele e ia voltando para dentro da sala depois de olhar uma última vez para Levy quando, sem perceber fitou seus seios, um reflexo da conversa que tinha visto pelo monitor, mas logo se corrigiu e deixou o ambiente.
Ele não queria pensar no desejo que sentia por ela, mas queria ser perdoado, queria que ela o amasse novamente e o mais importante queria estar com ela e seu filho pelo resto de sua vida. Pela primeira vez, desde que se entendia por gente, decidiu deixar seus medos de lado, o medo de perder Levy da mesma forma que perdeu sua mãe e nessa hora sentiu que queria desesperadamente ser pai.
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