Promiscuous
4 Capítulo 3 - Boom, Boom, Pow!
Notas iniciais
Promiscuous
Capítulo 3 — Boom, Boom, Boom!
Revisado por Blanxe
Sasuke estava deitado no sofá da sala de sua casa, com os pés descalços sobre uma almofada, o copo de uísque repousado em cima da barriga e a garrafa de álcool ao pé do sofá, certamente para tornar a reposição mais rápida.
No aparelho de som era reproduzida, em alto volume, a música em inglês do grupo norte-americano Black Eyed Peas, uma das que Sasuke gostava de ouvir em seu carro.
As caixas do aparelho pareciam prestes a estourar quando o trecho “Boom, boom, boom!” da música era propagado.
Itachi entrou na sala e a primeira coisa que fez foi desligar o som, sentindo um zumbido incômodo no ouvido pela ausência repentina do alto volume.
Sasuke não se moveu.
Itachi se aproximou do irmão, apanhou o copo de bebida, arrancou a bolsa de gelo do seu rosto e despejou o líquido do copo sobre ele.
Sasuke pulou do sofá, tentando se limpar.
— O que pensa que está fazendo, Itachi? Que merda!
— Eu é que pergunto: Que merda você pensa que está fazendo, irmão? Quantos dias a mais você pretende ficar enchendo a cara em pleno dia, ouvindo a merda dessa música barulhenta e não fazendo nada da vida? Quer que a polícia bata na nossa porta por estarmos importunando os vizinhos?
— Não enche — Sasuke resmungou, voltando a sentar no sofá e cobrir os olhos com o antebraço.
— Não te encher? — Itachi subiu no colo do caçula, tirou a mão da posição em que ele colocara, segurou o queixo dele e o puxou para que o encarasse. Notou os olhos dele levemente vermelhos, mas não soube identificar se era por causa das drogas, das noites mal dormidas ou se esteve chorando. — Coloque uma pedra nas merdas que fez e siga em frente.
— Como?
— Trabalhando. Precisamos de dinheiro. Ficar destruindo seu fígado dentro de casa não vai pagar a fatura dos nossos cartões, muito menos a gasolina do seu carrinho de luxo.
— Eu não vou dormir com aquele cara doente — respondeu enfático. — Sinto ânsias só de pensar.
— “Ânsias” é o que irá sentir quando estiver tomando uísque de quinta — Itachi soltou do rosto dele e saiu do colo do mais novo para ter espaço para gesticular com os braços. — Não tem outro jeito. Ou é isso, ou vendemos seu carro.
— Meu carro? Por que não essa casa velha?
— Vender a casa e enterrar as lembranças dos nossos pais?
— Você não tem sentimentos, Itachi. O que quer é manter a casa para continuarmos fingindo sermos ricos.
— Não vamos vender a casa e ponto. É preciso que nós dois concordemos com a venda e eu nunca vou estar de acordo.
— Então por que eu que tenho que me vender? Faça você!
— Eu faria se ele me quisesse. Mas ele quer brincar de papai e filhinho, ele quer você por ter essa cara bonitinha de garotinha.
— Vai para o inferno.
— Está em suas mãos. Ou é isso, ou seu carro roda. Já mandei todas as informações no seu celular.
Sasuke sorriu incrédulo.
— Enquanto isso, o que você irá fazer?
— Meu trabalho. Tenho que elaborar plano de aula, corrigir pilhas de atividades, toda essa merda que me toma um tempão e me rende uma mixaria.
Itachi estava saindo da sala quando Sasuke se levantou, criando coragem para fazer aquela pergunta.
— Itachi?
— Diga.
— Você sabe da Sakura e do Naruto?
Itachi sorriu e Sasuke deduziu que o irmão iria zombar das suas preocupações, chamando-o de fraco como costumava fazer. Tentou se defender antes que aquilo acontecesse.
— Eu só quero saber como eles estão.
— Seu, sei. O estado da Sakura é estável, mas ainda não acordou dos sedativos. Naruto certamente melhorou da “gripe forte” da semana passada, mesmo assim não está indo assistir as aulas. Então, não tenho como saber dele.
— Você é o professor dele, deve ter ouvido alguma justificativa.
— Mas não ouvi.
Itachi viu o caçula inspirar profundamente e contorcer os lábios em um bico. Era a mesma cara que ele fazia quando criança para tentar segurar o choro. Comoveu-se. Não ao ponto de poupá-lo da oportunidade que somente ele tinha de tirá-los da miséria. Retornou até ele e sugeriu:
— Faça o trabalho e eu vou ajudá-lo a reatar a amizade com Naruto.
— Você disse que ele nunca me perdoaria.
— Eu disse que teria muita sorte se ele o perdoasse.
— Não ando nos meus melhores dias de sorte.
— Ouça seu onii-chan uma única vez, otouto. Eu consigo trazer ele de volta para você.
— Como fará isso?
— Terá que confiar em mim.
Sasuke relutou. Mas não aguentava mais todo aquele sentimento de culpa que vinha tirando seu sono, estava desesperado, apenas assentiu.
— Hm.
Itachi sorriu discretamente e apertou o ombro do irmão, era exatamente o que queria ouvir.
...
Sakura havia deixado a Unidade de Terapia Intensiva no Hospital de Tóquio, mas permanecia sedada.
Agora que os médicos haviam garantido à senhora Mebuki Haruno que a situação da filha era estável e que a mesma não corria mais risco de vida, ela tentava entender o ocorrido.
Ino, a melhor amiga da filha, se recusava a ir visitá-la. De acordo com a governanta dos Yamanaka, Ino havia ficado em estado de choque por ter presenciado o acidente e a recomendação do médico da família era que a jovem evitasse reviver o trauma até apresentar melhoras.
Mebuki sabia que sua filha jamais estaria em um bairro perigoso como aquele se não fosse pelo namorado. Ao entrar em contato com o rapaz, ele foi frio ao responder que tinham terminado naquele dia e que a filha saiu correndo sem dar explicações. Mas que ele não viu o acidente, por que não foi atrás dela. Só soube quando os comentários chegaram dentro do estabelecimento, informando que a ambulância havia a levado.
No momento ficou tão em choque com a frieza dele, que não conseguiu respondê-lo como queria. Desde o início do namoro da filha com Sasuke Uchiha que Sakura vinha tendo atitudes estranhas e que não condizia com seu comportamento habitual.
Através do vidro do quarto, a mulher viu Naruto, que vigiava o leito da filha.
Diferente do “ex-namorado”, Naruto vinha visitar Sakura todos os dias e passava horas no hospital mesmo não podendo ver a filha. Era o primeiro dia em que ele pôde entrar no quarto.
Sentiu algo apertar seu peito. Sempre quis que a filha namorasse Naruto. O menino pertencia a uma família de boa índole. Não conseguia entender o que a filha viu no Uchiha, um rapaz de feição andrógina e obviamente problemático.
A senhora Haruno deteve seus pensamentos ao perceber que Naruto se levantou e tocou o rosto da filha, sussurrando algo. Ele estava se despedindo. Engoliu aquele aperto que queria fazê-la chorar e sorriu para o rapaz quando ele saiu do quarto e veio em sua direção.
— Está indo, Naruto-kun?
— Sim, Haruno-san.
— Você parece tão abatido. Tem certeza que está dormindo e se alimentando direito?
— Estou tentando.
— Ela vai ficar bem, querido. Fique bem também. Ela com certeza irá querer vê-lo radiante como sempre foi quando acordar.
— Sim.
— Você pode, por favor...
— Tentar falar com a Ino? — ele a interrompeu, completando o pedido que ela vinha fazendo todos os dias.
— Se eu estiver sobrecarregando você...
— Jamais, Haruno-san. Vou passar na casa da Ino e tentar falar com ela.
— Obrigada. Você está sendo um verdadeiro anjo.
Mebuki acabou abraçando Naruto, que pego de surpresa, ficou sem reação por alguns segundos, mas logo correspondeu ao abraço. Quando a mulher se afastou ele a viu tentando afastar as lágrimas. Sabia que não deveria ser nada fácil para uma mãe ver sua amada filha naquele estado e tudo aquilo apenas somava para aumentar o ódio que vinha sentindo do Uchiha.
Naruto se despediu com um aceno de mão e se afastou da mulher que certamente voltaria para o lado da filha.
Desceu do elevador, saiu do hospital e na rua chamou um táxi. Em poucos minutos estava na frente da casa de Ino. Tirou uma nota alta da carteira, pagou a corrida, agradeceu ao motorista e saiu sem esperar pelo troco.
Tocou o interfone algumas vezes e, como nos dias anteriores, não foi atendido. Ino continuava fugindo e se questionava por quanto tempo ela fugiria? Será que ela estava esperando Sakura acordar para ir visitá-la? E se ela nunca mais voltasse? O coma sendo um dos piores estados clínicos, era o único que os médicos não podiam dizer quando o paciente retornaria.
— Eu sabia que você a machucaria, Teme — respondeu aquilo que vinha guardando dentro de si e que vinha destruindo-o por dentro. — Você poderia ter me machucado o quanto quisesse, mas por que fez isso com a Sakura? Por quê? — resmungou e as lágrimas vieram; bateu o punho fechado no muro da residência de Ino, quando foi surpreendido por uma pergunta.
— Naruto-kun?
O chamado vindo de suas costas o fez cessar o lamento. O loiro sabia a quem pertencia aquela voz e, após limpar o rosto esfregando-o com as costas das mãos, voltou-se para ver seu professor, treinador e o mais agravante no momento: irmão mais velho do motivo de todo seu tormento.
— S- sensei?
— Por que não está indo para as aulas? — Itachi foi direto, procurando ignorar o rosto vermelho do rapaz.
Naruto tentou sorrir e levou a mão à nuca, em seu gesto corriqueiro de constrangimento.
— Eu não estava muito bem de saúde.
— É algo grave?
Itachi notou que sua pergunta havia sido invasiva no momento em que Naruto arregalou os olhos diante da questão.
— Desculpe? Isso não é da minha conta.
— Não é isso. É que não é nada grave. Já estou bem.
— Se está bem então volte a frequentar as aulas. Está perdendo conteúdo.
— Sim, eu vou.
— Na verdade, eu vim atrás da Yamanaka e acabei topando com você, dois coelhos com uma mesma cajadada.
— Pois é... Eu também estava atrás dela, mas ela não está — avisou, querendo que ele fosse embora logo.
Gostava de Itachi, mas o fato dele ter uma ligação sanguínea com Sasuke e até mesmo por ter as características dele, fazia o ódio que ele estava sentindo latejar. E reter aquela sensação, para que o professor não percebesse, estava causando um grande desconforto.
— Bom, é uma pena que ela não esteja. Terei que voltar outro dia. Mas você tem conversado com ela? Sabe se ela está bem?
— Só suponho. Não tenho conseguido falar com ela também.
— É por causa da Haruno-san?
— Quase certeza.
— Eu entendo. As duas eram realmente muito próximas, certamente ela está deprimida.
— Certamente.
— E como está a Haruno-san? — perguntou, e antes que Naruto assimilasse a pergunta ele acrescentou: — Sasuke não sabe me dizer nada — disse em tom de reclamação. — Ele anda mais fechado que uma concha. Nunca imaginei que ele fosse ficar tão mal com o ocorrido com a Haruno. Mesmo sendo esperado que ele se sentisse culpado pelo acidente, ele não foi o causador.
— Diretamente, não — concordou Naruto.
— Também achei estranho que ele não tenha procurado por você. É outro que não está indo para Universidade. Como posso ser um bom tutor, se nem meu próprio irmão eu convenço de retornar às aulas, não é?
— O senhor não tem culpa de nada, sensei.
Itachi sorriu um pouco sem graça.
— É, pode ser. Enfim, vou continuar tentando reanimá-los. Incidentes ocorrem. O importante é manter os laços. Assim que puder, venha nos fazer uma visita. Tenho certeza que Sasuke se sentirá menos culpado se os dois conversarem.
Naruto encarou seu professor. Considerava o professor uma pessoa boa; muito inteligente. Sempre o auxiliava nas matérias nas quais mais tinha dificuldade e principalmente o motivava a ter disciplina com o esporte.
O clube de basquete na faculdade foi fundado por ele, motivado pela paixão dele e do irmão pelo esporte. Paixão que aprendeu a dividir com eles. O time amador havia se tornado tão bom e popular que disputavam campeonatos sérios.
Após o ocorrido na casa de Ino há duas semanas, não queria ver Sasuke. Porém, sentia que precisava.
— Sensei, se importa se eu for visitá-lo hoje à noite?
Itachi sorriu, ao pensar que havia sido mais fácil do que imaginara. Precisou interpretar confusão.
— Desde quando precisa de permissão para visitar nossa casa?
— Obrigado, sensei.
— Vou aguardá-lo para jantar. Eu irei cozinhar.
— Não precisa se incomodar a esse ponto.
— Não. Faço questão. Até mais tarde.
— Obrigado novamente.
Itachi entrou no carro que estava estacionado na rua e Naruto suspirou fundo, sentindo um frio na barriga ao pensar que reveria Sasuke após o estranho ocorrido daquela noite.
— Sasuke... — murmurou, cerrando os punhos.
...
Sasuke encarava o teto, enquanto fazia caretas, incomodado com aquilo que o homem debruçado entre suas pernas introduziu dentro de si.
Estava em uma cobertura de alto-luxo, no complexo de Ginza, deitado, despido de suas roupas e da sua dignidade.
Sentia-se estranho. Estava completamente sóbrio. Foi uma exigência daquele homem, que não ingerisse bebida ou drogas. Além de ser usado por ele como um brinquedo, precisava estar consciente.
— Você não está relaxado, Sasuke-kun.
— Você também não estaria se estivesse na minha posição... Ai! — trincou os dentes ao sentir o vibrador ser empurrado com mais força. — A sua coisa não sobe mais, precisa mesmo enfiar essa merda em mim?
— Você se tornou uma criança malcriada — o homem comentou, passando a língua na parte interna das coxas do rapaz. — Eu estou ficando velho, Sasuke-kun. Não disponho de vigor para ter o desempenho necessário para saciar um jovem como você, por isso preciso prepará-lo com esse brinquedinho — explicou e em seguida cobriu o membro do rapaz com sua boca.
Sasuke fechou os olhos, tentando desprender sua mente daquele momento.
Orochimaru negava fazer parte da máfia japonesa, mas trabalhava ilicitamente para políticos influentes do país. Também possuía seus próprios investimentos e uma fortuna que não conseguiam medir. Ele era rico ao ponto de andar com seguranças.
O irmão de Sasuke o conheceu por intermédio de um olheiro de uma agência de modelos na qual Sasuke trabalhou.
Como ainda era um pré-adolescente na época, com pouco mais de treze anos, o olheiro entrou em contato com seu responsável e fez a ele uma proposta de trabalho irresistível. Uma pequena fortuna para que Sasuke fizesse uma sessão de fotos particulares, no estúdio próprio que o homem tinha montado somente para essa finalidade.
De início, Sasuke não entendeu o trabalho, não seria fotografado para nenhuma campanha publicitária, era somente para o prazer do homem que assistia todas as sessões, inclusive suas trocas de roupas.
Com o passar do tempo, Orochimaru foi refinando suas exigências com relação ao trabalho, pedia fotos em lugares inusitados, outros cômodos da casa, incluindo em seu próprio quarto, com roupas íntimas.
Àquela altura, Sasuke não era tão inocente ao ponto de não entender o que aquele homem queria. Por isso começou a recusar os convites para novos trabalhos, inventando desculpas.
Com a redução do trabalho, o alto cachê que ele pagava foi minguando. Até parar definitivamente de entrar na conta de Itachi, foi quando o irmão mais velho foi tirar satisfação com o mais novo.
Estava com dezesseis anos, rebelde e se impôs diante do mais velho, após uma discussão calorosa onde colocou um ponto final naquele trabalho.
Desesperado com a falta do salário que Orochimaru pagava, Itachi encontrou outro meio de manter a renda. Ele passou a oferecer aulas particulares gratuitas para jovens problemáticos. Algum tempo depois, os convencia a fazer o trabalho que Sasuke não se prestou.
Para tornar a proposta para aqueles rapazes atraente, Itachi passou a promover festas em uma das mansões de Orochimaru. Tudo bancado pelo próprio empresário. Festas animadas, regadas a bebidas, drogas e música. O resultado não foi diferente do esperado, os jovens embriagados ou dopados eram facilmente convencidos a dormirem com Orochimaru, que passou a pagar Itachi ainda melhor pelos resultados.
Mas a obsessão de Orochimaru por Sasuke não se aplacou, e o homem insistiu para que Itachi convidasse o irmão caçula para as festas, convite que Sasuke recusou o máximo que pôde.
Porém, certo dia, Sasuke havia discutido com Naruto no final de uma partida de basquete a qual perderam, e sentiu necessidade de aliviar seu estresse. Acabou se arrumando e acompanhando o irmão. Aquele foi o início do seu declínio.
Experimentou álcool pela primeira vez, não foi muito, mas o suficiente para fazê-lo desabafar com um dos convidados, com quem acabou passando a noite. Tinha recém feito dezessete anos e foi a primeira vez que beijou e transou com alguém do mesmo sexo.
Depois daquele acontecido, passou a interpretar melhor o que vinha sentindo por Naruto e finalmente se deparou com aquela realidade a qual vinha tentando fugir: sua bissexualidade e a paixão por seu melhor amigo.
Após aquela constatação nunca mais foi o mesmo, passou a frequentar não somente as festas promovidas pelo irmão, como qualquer outra festa para qual era convidado. Ficava com um cara diferente a cada noite, aceitou ménage entre homens e mulheres. Realizou vários fetiches, dentre eles, transar em lugares públicos. O sexo arriscado passou ser sua válvula de escape para lidar com seus conturbados sentimentos. Perdeu-se tanto naquele mundo promíscuo, que acabou onde estava naquele instante, o local o qual tanto recusou estar, cedendo aos caprichos e a obsessão daquele homem que tinha o triplo da sua idade.
— An...
Soltou um gemido contido, mas não foi capaz de suportar tanto estímulo, o vibrador ligado e a sucção em seu membro o fizeram arquear-se da cama e ejacular dentro da boca de Orochimaru. Passou alguns segundos de olhos fechados, até sentir que o brinquedo foi removido do seu interior. Soltou mais um resmungo de incômodo e Orochimaru se pronunciou.
— Sei que está gostando, mas agora que está preparado, consigo fazer eu mesmo, Sasuke-kun.
— Então faça. Depressa.
— Está afoito para que eu o possua? — o homem sorriu com malícia.
Sasuke não respondeu, cobriu os olhos com o antebraço direito. Não tinha intenção de dar suas respostas sinceras e desestimulá-lo e assim prolongar aquela tortura.
Foi sentindo a penetração acontecer lentamente. Não desgostava de ser o passivo, apesar de ser dolorido. O problema era quem o estava dominando. Tentou esquecer aquela pessoa. Sentiu os movimentos ganharem velocidade, decidiu fazer seu trabalho: moveu-se, gemeu, se contraiu e, quando o jorro tépido do outro o preencheu, o apertou dentro de si e acabou sendo dominado pela pulsação do orgasmo também.
“Itachi... Espero que cumpra o que me prometeu”.
...
Sasuke chegou em sua casa e seguiu direto para a área de serviço. Largou a chave e a carteira na mesa da cozinha, ao passar pelo cômodo. No espaço que era uma varanda fechada, arrancou toda a roupa, inclusive a cueca, e as enfiou dentro do incinerador de lixo. Jogou o produto inflamável e ligou o aparelho. Deixou a área, sem se importar em procurar algo para se cobrir.
Foi para a sala e adentrou o espaço do pequeno bar, onde apanhou sua garrafa de uísque e tomou um gole do líquido na boca mesmo. Limpou o excesso que escorreu pelo queixo com as costas da mão e depositou o vidro em cima do balcão. Logo, ouviu passos abafados na escada de madeira e a voz do irmão e de outro rapaz conversando.
— E então, o que você achou da proposta, Sai-kun?
— Posso pensar mais um pouco?
— Só não pense muito.
Sem se importar com o visitante do irmão, Sasuke apanhou um balde de gelo no frigobar, colocou a garrafa embaixo do braço, pegou um copo e seguiu na direção das escadas. O colega de faculdade ao vê-lo naquele estado, arregalou os olhos.
— Boa tarde, Sa... su... ke... kun? — Sai, ao notar o irmão caçula de seu professor como veio ao mundo, sentiu a face esquentar imediatamente, mas não conseguiu desviar o olhar do corpo dele, por mais que tentasse.
Sasuke, por sua vez, sorriu de lado, dada a reação abobalhada do outro, afinal, tinha consciência que seu físico era melhor que do irmão. Parou ao lado dele e, com as costas da mão que segurava o copo, levantou o queixo do garoto para o lugar.
— Se quiser marcar um horário, posso te encaixar na minha agenda. Mas já digo: não sou de graça como meu onii-chan — explicou, piscou um dos olhos e continuou subindo as escadas, sem esperar a reação deles.
Itachi franziu as sobrancelhas e entortou o pescoço para admirar as nádegas brancas do caçula, indo e vindo embaladas pela subida.
— Sasuke?
— O cheque está em minha carteira na mesinha — ele respondeu, sem cessar os passos.
Itachi sorriu satisfeito, pelo que tudo indicava, o irmão realmente havia cedido. Tratou de despachar o acompanhante mais rápido que pôde, justificando que, de vez em quando, o irmão tinha uns surtos e gostava de andar pelado pela casa. Logo depois, o empurrou porta a fora.
Sozinho, Itachi apanhou a carteira de Sasuke, onde ele disse que estava o ordenado, e conferiu o valor do cheque. Beijou a lâmina e a dobrou com cuidado, guardando-a no bolso detrás da calça.
Subiu as escadas correndo e entrou radiante no quarto do caçula que havia se deitado de bruços. Itachi não dispensou a oportunidade de dar um tapa na bunda do irmão e, então, puxou a cadeira da escrivaninha e sentou-se.
— Fez um bom trabalho pelo que vejo. O valor está acima do combinado.
— Apenas fiz a minha parte, faça a sua.
— Está me subestimando, é isso? Logo eu?
— O que quer dizer?
— Estou dizendo para você recuperar as energias. Eu já agi. Ele está vindo.
Foi a vez de Sasuke arregalar os olhos; sentou-se na cama.
— O que você disse? O Naruto está vindo aqui? Agora?
— Não exatamente agora. Ele vem para jantar. Então é melhor largar essa garrafa de uísque e tomar um banho para tirar todo o fedor daquele velho de você. Aliás, como foi? Ele usou brinquedinhos em você como faz com os outros?
— Vai se ferrar, Itachi. Quero saber como conseguiu convencer Naruto de vir aqui tão rápido?
— Eu te disse para confiar em mim, não disse?
Continua...
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