Promiscuous

3 Capítulo 2 - Bad Romance


Notas iniciais
Capítulo inspirado na música “Bad Romance” da Lady Gaga. Haverá trechos da letra no enredo.

Promiscuous

Capítulo 2 — Bad Romance

Revisado por Blanxe

Minato Namikaze era um grande executivo da moda. Conheceu a esposa Kushina quando desfilava para grifes importantes nos Estados Unidos. Ambos foram rostos de capas famosas durante muito tempo. Fizeram inúmeras campanhas, mesmo depois de casados.

Contudo, a vida de ambos mudou completamente com a gravidez. Kushina não queria ter o filho em meio aos holofotes, partindo dela a ideia de se mudarem para a terra natal do seu pai, onde eram menos conhecidos: o Japão. Um país de cultura diferente, mas que os dois conheciam muito bem.

O marido então ficou responsável por administrar o dinheiro que os dois tinham arrecadado durante a carreira. Ao chegar no Japão, ele reuniu um time de estilistas, decidido a trabalhar com aquilo que conhecia muito bem: moda.

Assim deu vida a marca de roupas Uzu; abreviação do sobrenome de solteira da esposa: “Uzumaki”.

A ideia inicial era lançar uma tendência de roupas de grife “alegres”, em tons quentes e coloridos, como Kushina gostava.

Só não imaginava que em dezoito anos de história a marca se tornaria tão reconhecida.

Além da grife de roupas, abriram também a Uzu Acessórios, focada em semijoias, óculos escuros, bolsas, calçados, cintos e vários tipos de acessórios que seguiam a mesma tendência inicial da marca.

Minato recebeu uma proposta para expandir a marca para uma linha de cosméticos e maquiagem, mas o empresário preferiu deixá-la em espera, pois havia perdido seu propósito de fugir dos holofotes, para dedicar mais tempo à família.

Gerenciar a Uzu tomava muito do seu tempo e acabou deixando todo peso de cuidar de Naruto com a esposa.

Ouviu a voz de Yamato no hall da casa e ao sair do quarto para averiguar o que acontecia viu o filho, subindo as escadas. Naruto se deteve na metade dos degraus ao vê-lo.

— Você não ia passar a noite na casa de Sasuke? Aconteceu alguma coisa? — Minato perguntou.

— Não — respondeu o rapaz, evitando olhar o pai nos olhos. — Só quis vir cedo para casa.

— Não são seis da manhã, Naruto. De um domingo. Por que você veio para casa tão cedo? O que aconteceu?

Ficou em silêncio.

— Podemos conversar depois? — pediu o jovem.

— Você e Sasuke brigaram?

Naruto suspirou.

— Sim, discutimos. Agora posso ir para o meu quarto?

Minato observou os olhos vermelhos do filho, as olheiras escuras e fundas, e a feição extremamente abatida. Suspirou e repousou as mãos na cintura.

— Tudo bem, por enquanto. Mas você não vai fugir de uma explicação. Eu consigo sentir cheiro de álcool e cigarros daqui. Vamos jantar juntos hoje e teremos uma conversa de pai para filho.

Naruto assentiu e voltou a subir as escadas, tentando passar o mais longe do pai que conseguiu. Seguiu em direção ao seu quarto e trancou-se ao entrar.

Minato entrou na suíte de casal e amenizou a expressão contraída ao ver sua linda esposa se espreguiçando entre os lençóis da cama. Seus fios ruivos destacavam-se entre o branco da roupa de cama. Kushina sentou-se e soltou um grande bocejo.

— Bom dia, querida — ele desejou e seguiu para o closet, acionando a abertura das portas de vidro com um controle que estava preso na parede.

— Por quê está tão sério? — ela quis saber.

— Sasuke Uchiha — respondeu, saindo do closet com um cabide que continha o terno na cor amarela, obviamente, produto da sua marca.

A mulher massageou os próprios ombros e abriu um sorriso. Kushina e Naruto tinham o mesmo sorriso, os mesmos olhos, as mesmas expressões e até a mesma personalidade. A única coisa que Minato conseguia ver sua em seu filho eram os cabelos loiros e rebeldes.

— Você é essa sua desconfiança com pobre Sasuke-chan.

— Não é “Sasuke-chan”, Kushina-san. Não trate esse delinquente como uma criança. Ele está bem crescido e tem uma personalidade perturbada e obscura por ter crescido sem as rédeas dos pais.

— Ele não teve culpa de ter perdido os pais, querido — a ruiva argumentou, acompanhando os movimentos do marido, que agora colocava uma gravata na cor grafite enquanto se olhava no espelho da porta do closet. — E ele não foi criado sozinho. Sasuke foi educado pelo irmão mais velho, que é professor universitário do nosso filho, um rapaz de boa índole. Muito elogiado por sua inteligência.

Minato arrumou os cabelos para trás com gel, colocou alguns acessórios e apanhou sua maleta.

— Irmãos não são pais. São amigos, cúmplices.

— Quer dizer que pais não podem ser amigos dos filhos?

— Não é isso que eu disse.

— É o que parece.

O homem loiro suspirou, olhou no relógio, se aproximou da esposa e deu um selinho em sua boca.

— Eu tenho que ir. Tenho uma reunião importante agora de manhã. Falei para Naruto que teríamos uma conversa séria durante o jantar. Fique de olho nele.

— Você não confia no seu filho?

— Claro que eu confio, Kushina-san. Em quem não confio é nesse Uchiha. Eu te amo. Até mais tarde.

— Também te amo — ela respondeu e ele se foi.

...

A mansão dos Uchiha era a mais distante do quarteto de amigos. Diferente de Ino e Naruto, Sakura e Sasuke eram os menos abastados do grupo. Sasuke não tinha um mordomo carrancudo, motorista, arrumadeira, nem uma conta bancária estufada. A casa em que ele vivia com o irmão há muito tempo não passava por reforma e muitas mobílias, utensílios, estavam ficando velhos ou obsoletos.

O dinheiro que o irmão ganhava como professor universitário não dava para arcar com as despesas geradas por aquele lugar imenso e velho. Cansou de tentar convencer Itachi a vender a casa e irem morar em um apartamento mais sofisticado. Mas ele se negava. Depois dizia que a culpa era sua, que queria manter a aparência de rico. Mas era o irmão quem se negava a aceitar a falência.

Os Uchiha sempre trabalharam como guarda especial do imperador. Com os anos de dedicação conseguiram juntar uma pequena fortuna em propriedades. Mas após a morte dos pais as propriedades foram vendidas e o valor dividido igualmente entre todos os membros da família, incluindo tios e avôs.

Itachi era jovem na época e não se preocupou em investir o dinheiro recebido, apenas em gastar com todos luxos que pôde. O óbvio aconteceu: o dinheiro acabou. Agora precisavam se virar para manterem a única coisa que restou: aquela mansão, que estava se desvalorizando pelo estado em que se encontrava.

Sasuke entrou em sua casa e bateu a porta ao fechar, estava visivelmente irritado. Jogou a chave do carro na mesinha perto da porta, onde também tinha um espelho e encarou sua face destruída; passou as mãos nas franjas que caíam nos olhos, em seguida as depositou na cintura. Não acreditava que havia estragado tudo.

Chutou o pé da mesa, tentando extravasar um pouco da sua raiva.

Tirou os tênis, deixou-os na soleira, e ao observar um par extra de calçados ali imaginou que Itachi estava acompanhado.

Entrou na sala e ao acionar o interruptor ouviu o irmão soltar um gemido chiado e alto de prazer. Ele estava sentado no sofá da sala, aparentemente bem relaxado. O cabelo comprido preso em uma única amarra.

— Isso foi muito bom. Muito bom mesmo.

— Fico feliz que tenha gostado, sensei.

O rapaz que estava fazendo sexo oral no irmão mostrou o rosto lambuzado pelo gozo.

Sasuke conhecia aquele garoto de cabelos negros, curtos, e de pele muito pálida. Eram do mesmo curso. Revirou os olhos para cima. Não acreditou no que estava vendo.

— A carruagem virou abóbora, irmão? — Itachi perguntou debochado.

— Você vai acabar sendo preso por ficar comendo seus alunos.

Disse aquilo e seguiu em direção às escadas.

— O que deu dele, sensei?

Itachi deu de ombros.

— Vem, Sai-kun. Vamos para o quarto — Itachi apanhou a mão do rapaz e os dois também subiram as escadas.

Itachi apontou a porta onde ficava seu quarto e pediu para que Sai o aguardasse na cama.

— Vou trocar duas palavrinhas com meu irmãozinho malcriado, depois volto para brincar com você. Pode ir tirando a roupa.

— Sim, senhor. Não demore, sensei.

— Não demoro.

O Uchiha mais velho entrou no quarto do irmão após dar duas batidas de leve na porta.

— E aí? Vai me contar o que aconteceu?

Sasuke terminou de se desfazer da calça. Não estava a fim de conversas. Só queria tomar um rápido banho frio, dormir e colocar as ideias no lugar quando acordasse. Mesmo assim, respondeu a pergunta de Itachi.

— O plano deu errado.

— Não pode.

— Mas estou falando que deu.

— Como? O que deu errado? Em que ponto?

— Olha, Itachi, estou cansado. Dá para adiar o interrogatório para depois? Vai lá comer aquele puto e me deixa em paz.

— Você começou, agora quero saber. Esse encontro era o momento ideal para ensinar ao Naruto-kun o que é sentir prazer.

Sasuke sentou na beirada da cama e como Itachi não iria sossegar enquanto não soubesse dos detalhes, pediu para ele sentar e tentou narrar de maneira resumida tudo que tinha acontecido. Quando terminou de contar, o irmão, que estava sentado no tapete para ouvir, balançou a cabeça incrédulo.

— Você estragou tudo — Itachi concluiu. — Você não força a parada. Nunca. Ele vai te odiar. Acabou.

— Mas ele sentiu prazer — ele tentou justificar.

Itachi balançou a cabeça negativamente.

— Como tem tanta certeza?

— Eu senti.

— Não importa. Você seduz, convida com jeito, faz a pessoa desejar aquilo. Mas forçar jamais. Mesmo que o Naruto-kun tenha sentido prazer, ele ainda vai acreditar que o prazer foi forçado. Que ele não queria sentir aquilo. Que foi induzido pelo ambiente, as drogas, as bebidas, mas que ainda assim foi algo que ele não quis sentir. Sinto muito, irmão. Você perdeu a parada. Vai ter muita sorte se ele te perdoar.

— E agora? O que eu faço?

Itachi se ergueu e esticou os braços para o alto.

— Se você tivesse deixado comigo, eu tinha preparado o terreno para você. Mas você ficou todo putinho quando te fiz a proposta, gritando que “ele é meu e ninguém toca”.

— Por que você acha que ele aceitaria suas investidas se não aceitou as minhas?

— Porque eu sei chegar. Eu sei como fazer. Eu faria do jeito certo. Quantas virgindades eu tirei nessa casa?

— Você acha que fico contando seus momentos de perversão.

Itachi riu.

— Você foi muito inocente e quebrou a cara, irmãozinho. Quer um conselho do seu mais velho? Deixa a rosadinha de prêmio de consolação para o Naruto-kun. Larga mão desse grupo e entra de cara no trabalho. Aquele cara ligou atrás de você de novo. Eu já te falei que ele é a solução para os nossos problemas.

Itachi apertou o ombro de Sasuke e saiu do quarto fechando a porta, deixando-o pensativo.

...

Uma semana se passou.

Era domingo, por volta das 17h da tarde.

— Tem certeza que ele vai estar nesse lugar, Sakura? — Ino andava rápido para alcançar os passos apressados da colega.

— Não tem outro lugar, Ino. Já procurei em toda parte. Ele não vai para faculdade faz uma semana. Liguei uma centena de vezes; simplesmente não me atende. Nunca está em casa. Mas sei que vou encontrá-lo aqui.

— Mas, Sakura, esse lugar é horrível.

— Acredite, é o tipo de lugar que ele gosta de frequentar.

— Ainda bem que está claro ainda. Eu não viria nessa parte da cidade durante a noite nem com escolta policial.

— É só andar rápido e não ficar olhando para os lados.

— Estou tentando — Ino respondeu, enquanto abraçava os próprios braços. — E o Naruto? Conseguiu falar com ele?

— Também não. O pai dele disse que ele pegou uma gripe forte.

— Você vai mesmo terminar com o Sasuke por causa daquilo?

Sakura respirou fundo. Havia uma semana que estava evitando tocar no assunto. Sabia que Ino estava se culpando por tudo ter acontecido em sua casa. Mas se tinha certeza de algo, era que a culpa não era dela.

Apesar do jeito pervertido de levar a vida, Ino e a família eram pessoas bondosas. A amiga era a segunda mais rica depois de Naruto. Filha de pais separados, ela optou por morar com o pai.

O senhor Yamanaka, pai de Ino, era sócio majoritário da maior frota de transporte fluvial do Japão. Um empresário ocupado, que vivia viajando mundo afora para tratar de negócios. Exatamente por esse motivo, Ino, desde muito pequena, aprendeu a se virar sozinha.

Com a mãe a amiga não mantinha contato. Sabia que ela se casou de novo com um primo do imperador japonês e teve dois filhos, os quais Ino não conhecia. Agora a mulher morava em Ginza, um dos bairros mais nobres da cidade, onde se encontrava todos os templos, residências e palacetes da nobreza.

Ino podia fingir não se importar com a indiferença da mãe, mas Sakura sabia que era apenas isso: fingimento. Na verdade, acreditava que a libido aguçada da amiga e seus relacionamentos fúteis, foi uma forma que ela encontrou para suprir a carência deixada pela ausência dos pais. E, no fundo, Sakura sentia pena.

Ao concluir seus pensamentos, Sakura puxou a mão da amiga e ambas atravessaram a rua, parando em frente ao que parecia a entrada de um bar.

Ino sentiu um arrepio. Ela certamente gostava de jogos de sedução. Mas, acima de tudo, gostava de segurança. Sentia verdadeiro horror quando pensava em assaltos, sequestros e abuso sexual. Tudo culpa dos benditos noticiários que sempre mostravam casos criminais horrendos, onde as vítimas terminavam assassinadas, violentadas e muitas vezes esquartejadas.

Então ouviu a amiga afirmar aquilo que não queria ouvir:

— É aqui.

— Ah, Sakura — Ino resmungou, sentindo os arrepios aumentarem. — Desculpa? — pediu, esfregando os braços com mais força. — Mas eu não entro aí nem que me pague.

— Tudo bem, Ino. Não precisa. Eu sei que você não gosta de lugares desse tipo. Me espera aqui fora, eu não vou demorar.

— Será que o Sasuke-kun está mesmo nesse lugar? — a loira ainda tinha esperança de fazer a amiga desistir daquela caçada arriscada ao namorado.

— Tenho certeza que sim.

— E não é perigoso entrar aí sozinha?

— Eu conheço o Taka muito bem, Ino. Relaxa. Esse lugar não é perigoso. Não nesse horário. Eu já vim aqui com Sasuke algumas vezes. E também, veja daquele lado — Sakura apontou para o outro lado da rua, onde estava estacionado um carro prata com um adesivo refletivo com o símbolo do que fora o Clã Uchiha.

— Com certeza é o carro dele. Ninguém manda fazer um adesivo com o símbolo da família para grudar no carro.

Sakura sorriu para a amiga.

— Vou entrar, me espera aqui.

— Certo — Ino concordou. — Mas se você demorar, eu chamo a polícia.

A garota de cabelos rosa riu do exagero da amiga.

— Não se preocupe, meu bem — Sakura tocou o rosto de Ino e deu um selinho em sua boca. — Não vou demorar, eu prometo.

Ino assentiu e viu a colega passar pela pequena portinhola de madeira e sumir.

Sakura seguiu por um corredor estreito e abafado que tinha um odor forte de urina. Tampou o nariz para evitar sentir enjoo. Chegou na entrada, que estava vigiada por aquele rapaz de aparência estranha: alto, muito magro, cabelos prateados e com todos os dentes tão pontudos como caninos.

— Oi, Sakura-chan — ele a cumprimentou como se fossem íntimos. — Há quanto tempo.

— Onde o Sasuke está? — ela perguntou séria, sem mesmo responder ao cumprimento.

— Ué? Como vou saber do bonitão Uchiha? Que eu saiba ele é seu namorado, boneca. Não meu.

— Só quero saber onde o encontro aí dentro.

— Ui. Tom de patroa.

— Não se faça de desentendido, Suigetsu. Eu preciso falar com ele. Agora.

— E o que eu tenho a ver com isso?

Sakura franziu a face, cruzou os braços no peito e começou a bater os pés, demonstrando impaciência.

— Será que você consegue responder uma simples pergunta, ou eu terei que chamar a polícia para fechar essa espelunca? — ameaçou ela, mexendo na bolsa que trazia atravessada no peito com intuito de encontrar o celular.

O rapaz desceu do banco onde estava sentado e destrancou a porta.

— Você é chata, hein, garota. Vai lá. Ele está na área dos fundos.

Ela sorriu de lado, agradeceu com um assentir e passou por ele, esbarrando seu ombro com o dele.

— Abusada.

— Tarado.

— Gostosa! — Suigetsu riu e antes de fechar a porta complementou a informação. — E só para que saiba, ele está com a patroa.

Sakura não se deixou cair na provocação e ignorou a informação. A porta que Suigetsu abriu dava em outra porta dupla de madeira, a qual empurrou e entrou. Seus ouvidos foram inundados então com o som alto do lugar.

Aquela era a área do bar. Ventiladores no teto tentavam expurgar o calor e o cheiro forte do ambiente, mas parecia impossível. Não estava lotado como tinha visto outras vezes. Havia apenas uns gatos pingados nas pequenas mesas espalhadas pelo salão. Porém, ainda era cedo, sabia que o público do lugar começava a chegar com o cair da noite.

No pequeno palco, no fim do salão, uma banda preparava os instrumentos para o que seria o show da noite. Suspirou fundo e passou pela porta de cortina de contas, adentrando um corredor onde tinha várias portas. Este, por sua vez, era mais limpo. Ouvia o barulho abafado de gritos, conversas e risadas que se miscigenaram com a batida eletrônica no andar de cima.

Passou por algumas portas entreabertas, e ouviu gemidos. Ela riu. Karin ainda fazia questão de dizer que aquele lugar não era um motel e que apenas “emprestava” alguns quartos aos amigos.

Não podia nem censurar os que ocupavam aqueles quartos, foi em um deles que ela perdeu a virgindade com Sasuke, e se não fosse Karin ter dado um empurrão não teria acontecido.

Contudo, sabia da obsessão daquela mulher por seu namorado, ela apenas fazia o que Sasuke pedia para satisfazer seus caprichos e mantê-lo próximo.

Pensar naquilo fez com que sentisse um leve aperto no peito. Na verdade, não era tão diferente de Karin para julgá-la. Fazia todos os caprichos de Sasuke para nunca o contrariar e acabou culminando no acontecido absurdo de uma semana atrás. Por isso estava disposta a pôr um fim naquilo.

Chegou na parte considerada “luxuosa e reservada” do lugar e, após inspirar fundo, tomando coragem, abriu a porta e entrou no salão que, apesar de refrigerado por ar-condicionado, ainda estava abafado. Fechou a porta atrás dela e correu os olhos rapidamente pelos ocupantes dali, tentando avistar Sasuke. O ambiente era iluminado apenas pelo globo de luzes no teto. Diferente do primeiro ambiente do bar, havia muitos clientes naquela ala. Alguns, entorno das quatro mesas de bilhar. Outros, sentados no balcão do bar bebendo.

Haviam casais se agarrando nos sofás dispostos próximos às paredes. O barulho de gente conversando ao mesmo tempo não a permitia pensar direito. Foi andando devagar quando o som alto de uma melodia dançante em inglês rompeu a atmosfera, fazendo as pessoas se aglomerarem nos poucos espaços vazios da sala, passando a movimentarem seus corpos de forma sinuosa ao ritmo da batida.

“Oh! Oh-oh-oh-Ohhh! Oh! Oh-oh-oh-Ohhh! Oh! Oh-oh-oh-Ohhh! Caught in a bad romance (Presa em um romance ruim)”

Apesar da dificuldade para atravessar o amontoado de dançarinos que se aglomeraram no meio do salão. Sakura prosseguiu, enquanto repelia as mãos que tentavam tocá-la ousadamente, da mesma forma que gesticulava: “Eu não estou a fim de dançar, com licença” quando alguém entrava se balançando em sua frente.

Conseguiu chegar ao fim do salão e lá encontrou o namorado, na última mesa de bilhar, jogando com Karin.

A ruiva, dona daquele estabelecimento, estava vestida com um short preto muito curto, meias da mesma cor que iam até a metade das coxas e um top branco.

Sakura viu Sasuke errar a tacada e praguejar alto. Karin entregou para ele o copo de bebida e bateu no peito dele dizendo algo que não conseguiu ouvir devido ao som alto. Em seguida viu a mulher se debruçar sobre a mesa, empinando o traseiro na direção do rapaz de forma evidentemente oferecida, enquanto preparava sua jogada. Sakura não se surpreendeu ao perceber que o namorado não deteve o impulso de acariciar as nádegas da ruiva de forma vulgar.

“I want your drama (Eu quero o seu drama). The touch of your hand (O toque da sua mão). I want your leather-studded kiss in the sand (Eu quero o seu beijo sujo de couro na areia). I want your love (Eu quero o seu amor). Love, love, love I want your love (Amor, amor, amor, eu quero o seu amor)”.

“You know that I want you (Você sabe que eu quero você). And you know that I need you (E você sabe que eu preciso de você). I want it bad, your bad romance (Eu quero seu ruim, seu romance ruim).

Como não havia sido notada, Sakura decidiu observá-los por algum tempo. A letra da música em inglês encaixando-se perfeitamente naquele momento. Sasuke era o romance ruim de qualquer garota.

Ouviu Karin comemorar quando a bola preta entrou na caçapa em um dos cantos da mesa. Sabia que, de acordo com as regras do bilhar, aquilo findava a partida fazendo da ruiva a vencedora. Ouviu Sasuke praguejar de novo e pôde notar pelo tom de sua voz que ele estava bêbado.

O namorado tomou mais um grande gole da bebida, jogou o copo no chão, apanhou Karin pela cintura e a sentou na mesa de bilhar; encaixando-se entre as pernas dela. Correspondendo aquele avanço a mulher passou os braços em torno do pescoço do rapaz e antes que os dois concluíssem o que queriam, Sakura aproximou-se dos dois e cumprimentou o namorado.

— Boa tarde, Sasuke.

Sasuke não se moveu da posição em que estava, apenas sorriu de lado.

— Sakura?

A ruiva ajeitou os óculos de aros negros no rosto e, não se intimidando com a chegada da namorada do cara a quem estava agarrada, a cumprimentou.

— Olha quem resolveu aparecer. Tudo bem, Sakura?

— Precisamos conversar — Sakura direcionou sua fala somente para Sasuke, ignorando o cumprimento da outra mulher.

— Não, não precisamos — ele respondeu convicto e desencostou-se da mulher na mesa. Apanhou um copo, nos dispostos em uma pequena mesa próxima deles, e o encheu de bebida.

Mas no momento em que estava prestes a tomar a bebida, Sakura o interrompeu, tirando o copo da mão dele.

— Que merda está fazendo?

— Eu disse que precisamos conversar — ela bateu o copo ao devolvê-lo para a mesa.

— Foda-se.

— Você acha que é assim que resolve as coisas, Sasuke? Se escondendo nessa espelunca? Enchendo a cara e se agarrando com essa vagabunda?

— Olha, eu ainda estou presente — reclamou Karin.

— Não se meta — ela pediu.

— Você me xinga e não quer que eu me meta?

— Você estava se esfregando em um cara que sabe ser comprometido, como quer ser tratada?

— Ele quem veio me procurar, querida.

— Calem-se — Sasuke pediu para as duas. Então se voltou para a namorada e anunciou: — Acabou, Sakura.

— O quê?

— Você ouviu. Eu disse: acabou.

Sakura juntou as sobrancelhas claras. Não acreditou no que estava ouvindo. Ele estava terminando ali? Naquele lugar? Daquele jeito? Na frente daquela mulher?

— Sasuke, você está bêbado. Eu não quero conversar aqui.

— Esse copo de uísque aí que você tirou de mim, é só o terceiro do dia. Estou bem o suficiente para ter certeza do que estou dizendo.

— Vamos conversar lá fora — ela pediu mais uma vez. A voz começando a ficar trêmula.

Sasuke coçou o nariz, suspirou e sorriu.

— Eu vou falar isso apenas uma vez, Sakura. Eu decidi ficar com você para provar para o Naruto que você não era diferente das outras garotas. Meu foco sempre foi o Naruto. Mas o trouxa, apaixonado por você, não me dava abertura para agir. Então, pensei comigo — Sasuke fez uma pausa, tomou um gole da bebida direto da garrafa, visto que não conseguia um copo e voltou a encarar a expressão de espanto de Sakura. — Se eu desconstruísse a imagem de garota pura que ele tinha de você, quem sabe, conseguiria me aproximar dele. Mas isso não aconteceu, porque nossa noite de brincadeira acabou no momento em que você entrou e fez toda aquela cena.

Sakura abriu a boca, incrédula. Jamais, em seus piores pesadelos, pensou que ouviria aqueles absurdos da boca de Sasuke.

— Você não pode estar falando sério.

— Mas estou.

— V- você é um monstro.

— Não sou diferente de você e nem de outro ser humano qualquer. Somos todos egoístas. Buscamos a realização daquilo que nos satisfaz. Como você, que veio atrás de mim somente para ter o status de namorada do cara mais popular da universidade.

— Eu te amo, Sasuke. Desde quando éramos crianças! — ela justificou entre os dentes trincados, fazendo um esforço descomunal para segurar o choro. Mas não conseguiu fazer o mesmo com as lágrimas que escorreram dos seus olhos. — Como pode falar essas coisas horríveis?

Sasuke levantou-se, apanhou a mão de Karin e a puxou para perto dele. Jogou o braço sobre os ombros dela e perguntou, após apontar para a agora então ex-namorada.

— Você está vendo isso, Karin? Eu te disse que gosto de mulheres maduras, e veja o que me arrumou? Uma garotinha chorona. Você apostou comigo que ela seria a melhor mulher que eu teria.

— Ops. Erro de cálculo, querido — comentou a ruiva, debochada.

Sakura limpou o rosto com ambas as mãos, borrando parte da maquiagem, engoliu o nó que se formou em sua garganta e deu as costas para a dupla.

A única coisa que ela queria naquele instante era sair dali o mais rápido possível. Sua mente dava voltas. Saiu esbarrando nos frequentadores do bar, tropeçou, caiu, se levantou e continuou, sem olhar para trás. Parecia que todos estavam rindo nas suas costas. Não soube como conseguiu chegar à saída, mas chegou.

Fora de si, não pensou direito ao atravessar a rua para ir ao encontro de Ino que estava do outro lado e não percebeu o carro que vinha em alta velocidade.

O motorista freou ao ver a garota entrando na via, mas não conseguiu evitar o impacto, ouve o barulho de pneus cantando, o cheiro da borracha dos pneus queimando o asfalto, o estrondo do baque e a jovem de cabelos rosa rolou por cima do capô e caiu no asfalto.

Ino que assistia tudo do outro da calçada, levou as mãos à cabeça e a única coisa que conseguiu fazer foi gritar.

— Sakuraaaaaaaaa!

Continua…