Promiscuous

12 Capítulo Final - Promiscuous


Notas iniciais
O hit que embala esse último capítulo é nada mais, nada menos, que o som que deu origem a fanfic: “Promiscuous” da Nelly Furtado e Timbaland. Garotas e garotos promíscuos, entre no ritmo da batida.

Promiscuous

Capítulo Final — Promiscuous

Revisado por Blanxe

“Menina Promiscua, aonde quer que esteja, eu estou sozinho, e é você quem eu desejo.

Menino Promiscuo, você já sabe que sou toda sua, o que está esperando?”

A fumaça começou a se juntar com nuvens de chuva que se formavam no céu, antecipando o anoitecer.

A polícia acionou o grupo especial de busca, que iniciou os trabalhos pelos escombros do incêndio. Um dos policiais dispensou a maior parte dos rapazes aglomerados no local, colegas de faculdade do desaparecido, deixando apenas o irmão e o jovem loiro, que insistiam irritantemente em ficar.

Concordaram que Naruto ficasse com a condição de que algum familiar dele fosse acionado e assim que este chegasse, iriam pedir para que o levasse dali.

Itachi estava sentado na porta aberta da ambulância, lutando contra o sono que se tornou insuportável após ser medicado.

Naruto estava em pé, impaciente, olhando fixamente para a floresta. Queria participar das buscas, mas os policiais informaram que não permitiriam intromissão de civis para não aumentar o número de desaparecidos.

Sabia como encontrar Sasuke, mas não podia explicar aos policiais como, por não ser um meio lícito. Tanto ele quanto Sasuke tinham instalado em seus celulares uma espécie de localizador GPS (Global Positioning System). A intenção era testar o rastreador elaborado pelos caras do clube de informática, que tinham como intenção identificar movimentos estranhos de suas namoradas ou até mesmo descobrir possíveis traições.

Tinha quase certeza que o aplicativo estava funcionando e mostraria a localização de Sasuke, só não podia usá-lo perto dos policiais.

— Sente-se, Naruto — Itachi pediu, forçando os olhos ficarem abertos.

— Desculpe, mas eu não consigo ficar parado, sensei.

— Não adianta. Você não tem o preparo necessário para ajudar nas buscas.

— Sasuke não está naqueles escombros. Ele não está morto.

Itachi inspirou, fechou os olhos e começou a respirar fundo, queria argumentar, mas estava sendo vencido pelo sono.

Ao notar que o professor havia entrado em estado de letargia, voltou sua atenção para o policial que os vigiava.

— Eu vou procurar um lugar para mijar — Naruto o avisou.

O policial balançou a cabeça concordando.

— Não vai muito longe, rapaz.

— Sim, senhor.

Seguiu para trás da ambulância e dali correu para a cerca de arame que ladeava a reserva, passou por ela e foi em direção da floresta somente com o celular. Abriu o aplicativo com o coração quase saindo pela boca de tanta ansiedade, orando para que a localização de Sasuke surgisse no display. A informação de “carregando” piscava incessantemente.

De repente, um estrondo de um relâmpago no céu fez seu coração disparar. Ao longe viu faróis na estrada. Decidiu adentrar mais a mata para não ser visto, ao imaginar que era o pai chegando e que certamente ele o impediria de tentar fazer algo.

Estava escuro e a pouca luz do display do aparelho parecia insuficiente para norteá-lo. Mesmo assim, o faria. Enquanto orava para que sua bateria, que dava sinal de carga baixa, aguentasse.

“Naruto!”, ouviu um grito ao longe. Era seu pai. Tinha sido descoberto.

Passou a se movimentar mais rápido, atravessando arbustos e arranhando os braços nos galhos secos.

Quando se afastou o suficiente para que não fosse encontrado, resolveu consultar o aplicativo e um grande sorriso tomou conta do seu rosto.

— Eu sabia!

O ponto chamado “Sasuke-teme” não estava tão longe do ponto chamado "Usuratonkachi". Seguiu na direção que este apontava, enquanto ouvia os gritos a sua procura aumentando.

Pingos grossos começaram a trepidar nas folhagens, a chuva havia chegado. Precisava andar rápido.

Minato gritava desesperado pelo nome do filho, precisou ser segurado para não entrar na mata.

— Senhor, espere aqui, por favor. É perigoso.

— Como deixaram meu filho sair daqui?! É claro que vou com vocês.

— Se ele não fosse tão desobediente quanto o senhor está querendo ser, nossos problemas não teriam dobrado. Agora fique aqui ou pai e filho responderam por desacato.

Inconformado, Minato concordou, vendo os policiais entrarem equipados com capas de chuvas, botas e lanternas potentes na floresta.

— O que você pensa que está fazendo, meu filho?

...

Naruto se afastou tanto que não conseguia mais distinguir onde estava. À medida que a chuva engrossava, era mais difícil se locomover. Acabou tropeçando na raiz de uma árvore e na tentativa de amparar a queda com as mãos, deixou o celular cair e o perdeu entre as folhagens no chão.

— Merda, merda, merda! — gritou, tentando encontrar o aparelho. — Eu estava tão perto — socou o chão. — Aonde você está Sasukeee?! — gritou.

O desespero o tomou, não suportava mais e o choro veio. Ficou por alguns segundos assim e quando parou, ouviu um som que parecia um chamado em meio ao trepidar da chuva. Pensou que fosse a equipe de busca chamando seu nome, mas o som não vinha de onde tinha acabado de vir, parecia vir de mais a frente.

— Sasuke? Sasuke, é você? Está me ouvindo?!

Ouviu um “quii” ao longe e teve certeza que era Sasuke.

Levantou-se e tentou continuar indo para frente.

— Sasukeeee!

“Aqui!”, ouviu novamente, desta vez, mais nítido.

Tentou seguir o som na escuridão, mas não conseguia identificar de onde vinha.

— Continue falando, Sasuke!

“Aqui! Estou aqui!”

Naruto olhou a sua volta com cuidado e viu algo brilhando entre os arbustos.

— Acho que te encontrei. Continue falando!

Ouviu mais alguma coisa, mas não era nítida, pareceu algo com “tenha cuidado”.

— Ter cuidado com o quê? O que é essa luz que estou vendo? É você?!

“Hmm araco nhão”.

— Eu não estou conseguindo enten... Ahh!

O chão fugiu dos pés de Naruto e ele simplesmente despencou em um buraco escondido pelas folhagens. Foi amortecido por algo.

— Naruto? Naruto?! Você está bem? Eu disse para ter cuidado com o buraco, idiota!

Naruto tentava se desvencilhar das folhas e arbustos que vieram com ele na queda, havia uma mão o ajudando enquanto outra mão apontava a luz da lanterna do celular na sua cara.

— Está me cegando, tira essa luz da minha cara.

— Ah, sim. Espera. Sasuke prendeu o celular em um ramo de arbustos e ajudou Naruto a se desvencilhar dos cipós que enrolaram em torno do seu pescoço, o rosto dele tinha sido coberto pela lama que escorria pelas laterais da cratera.

— Meu Deus, só dá para ver seus olhos — Sasuke riu.

Naruto ao ver o amigo, que também tinha o rosto todo coberto por lama, sorriu abertamente.

— Ah, Sasuke-teme — exclamou e o abraçou. — Você não imagina o quanto medo senti, merda! Você está vivo!

— E você não imagina o quanto aliviado estou em vê-lo. Faz horas que percebi que estava por perto. Mas, você não se mexia. E eu estava rezando para que conseguisse lembrar do nosso localizador.

— Eu tinha esquecido dele completamente. Lembrei quando a equipe de busca chegou. Mas fiquei com receio de avisá-los sobre esse aplicativo, e eles questionassem sobre a procedência. Então decidi vir atrás de você por mim mesmo.

— Agindo por impulso como sempre.

— Você sabe o quanto sou impaciente.

Sasuke sorriu.

— Um defeito que veio para o bem, nem vou reclamar. Mas, me conta uma coisa, como descobriu então que eu fui deixado nesta região?

— Foram os caras do time. Eles queriam te dar um corretivo.

— Filhos da puta.

— Pois é. Aí quando viram que Itachi e eu estávamos desesperados, decidiram abrir o jogo. Mas não se preocupe, eles tiveram o susto que mereciam. Quando descobriram que a casa onde prenderam você havia pegado fogo, eles tiveram certeza que responderiam na justiça.

Sasuke riu.

— Bem feito para eles.

— Agora me conta, se te prenderam na casa, como veio parar aqui?

— Eu dormi e acordei várias vezes. Da última vez, senti o cheiro da fumaça e percebi que tinha fogo por perto. Tentei tirar as mãos das algemas de todo jeito, mas não consegui. Quando o fogo estava chegando na cabana, eu vi a bosta da chave.

— Foi o Gaara quem a deixou.

— Engraçado, o que menos ia com a minha cara é o responsável por salvar meu traseiro.

— Para você ver.

— Quando saí do casebre o fogo estava tão alto e tão próximo que eu apenas corri para longe o mais rápido que pude. Acabei me esbarrocando na bosta desse buraco. Tentei subir, mas acho que torci meu tornozelo. Tá doendo para burro. Eu tinha certeza que não me encontrariam tão cedo. Aí começou a chover, para completar a merda. Então olhei para o céu e disse: “Ok, Deus, eu mereço ser castigado”.

Naruto riu.

— Mas Deus foi bom na verdade, porque um anjo dele despencou do céu direto no meu colo.

— Cala a boca!

Os dois riram.

— Temos que pensar em como vamos sair.

— Vamos esperar alguém aparecer — respondeu Sasuke.

— É verdade, seu pé.

— Estou feliz — anunciou o rapaz moreno de repente, tocando no rosto embarrado de Naruto. — Você foi a pessoa que mais pedi para Deus para ver antes de morrer, e eu tinha certeza que era a última que eu veria. No entanto, você está aqui. Você veio por mim.

— Não foi esse o momento que planejei para te dizer isso, Sasuke. Mas, eu quero que saiba, antes que você faça outra merda. Eu o perdoo. Eu tive muito medo de que estivesse morto e que sua alma ficasse vagando perdida por aí por minha causa.

— Nossa. Obrigado por pensar na minha alma.

Naruto sentiu aquele misto de alívio e satisfação, e aquele algo inusitado aconteceu: beijou Sasuke.

Pego de surpresa, Sasuke ficou sem reação nos primeiros segundos, mas assim que entendeu o que estava acontecendo, tratou de corresponder o beijo, esquecendo de todas as dores que sentia. O beijo foi apartado após algum tempo e os dois se encararam.

Sasuke engoliu em seco, tentando acalmar as batidas fortes que seu coração dava e acreditar que não estava sonhando.

— Diga alguma coisa — Naruto pediu.

— Gosto de barro.

— Idiota.

Os dois riram mais uma vez.

— Você está me dando uma chance?

— Eu ainda não tenho certeza.

— Se me der uma chance, eu prometo que irei me redimir de toda merda que fiz.

— Não prometa nada. Apenas seja sincero e nunca mais force as coisas. Deixa acontecer de forma natural, ok?

— Ok — Sasuke concordou e envolveu a cintura de Naruto, fixando seus olhos naqueles orbes tão azuis diante dele. — Eu quero muito te amar do jeito certo, Naruto.

O rapaz loiro estremeceu, ao sentir as mãos firmes de Sasuke em seu corpo, a voz sussurrada, aquele olhar intenso e, principalmente, aquela frase. Seu corpo rapidamente reagiu.

— Quer fazer isso aqui? Agora?

Sasuke não tinha pensado exatamente em fazer naquele momento, mas não achou uma má ideia tentar, se Naruto estivesse disposto também.

— Você sabe do meu fetiche por lugares exóticos?

— E seu pé?

— Está adormecido, estamos em uma boa posição, apenas erga-se e tente tirar a roupa e acredito que conseguiremos fazer. Eu estou excitado, você está?

Naruto sentiu o rosto esquentar, ficou excitado desde a sua iniciativa de beijá-lo. E aquela sugestão era tão absurda e perigosa, que Naruto não pôde negar: seu desejo havia dobrado.

Começou a se despir em resposta. Tirou primeiro a camisa molhada e suja de barro que vestia. Sasuke estava sentado em um barranco que certamente fora formado pelo tempo ali dentro, uma das pernas, a machucada, esticada e a outra dobrada. Afastou-se e desceu as calças, tirou o tênis, as meias e a roupa íntima. Ficou completamente nu.

Sasuke, ao ver Naruto se despindo, tirou a camisa por cima da cabeça, só não iria tirar a calça, para não forçar o pé machucado. Mas abriu o zíper da calça e tirou o sexo ereto para fora.

As mãos sujas de Sasuke alcançaram a cintura de Naruto e o puxaram para perto, fazendo-o sentar de novo em seu colo, de frente para ele e os dois passaram a se beijar novamente.

A chuva havia se acalmado, mas ainda corria água barrenta pelas paredes da cratera, conseguiam ouvir o trepidar das gotas nas folhas, do vento, misturando-se a respiração ofegante dos dois.

Não era o momento adequado, mas seus corpos, adrenalizados, pediam.

Havia o medo de serem encontrados a qualquer momento misturando-se com o anseio de sentir alívio de todo aquele desejo que os consumia. Naruto compreendeu que era exatamente aquele fator que estava adensando a sensibilidade em seus corpos.

Sentiu as mãos de Sasuke em suas nádegas. Ele o estava estimulando. Sentia também o membro dele ereto roçando aquela região.

— Sasuke... — Naruto sussurrou entre dentes trincados ao sentir o membro de Sasuke roçando sua entrada.

— Meus dedos estão sujos, não vou conseguir prepará-lo como devia. Mas se doer muito eu paro.

— Ok. Continue. Eu estou muito excitado, não sei quanto tempo vou suportar.

— Eu vou tentar colocar devagar. Se não aguentar, me avise.

Naruto balançou a cabeça afirmando e Sasuke sentiu o respirar pesado e quente dele em seu rosto.

Segurou seu membro, direcionou na entrada dele e tentou fazer com que ele sentasse.

— Oh, merda — Sasuke reclamou. — Encaixou. Agora é com você, Naruto. Tente se mover, descendo devagar.

Naruto concordou, apertando os olhos e descendo seu quadril. Sentiu dor no começo, mas forçou a ereção de Sasuke a afundar-se dentro dele, parou quando sentiu que não podia mais.

— Não consigo mais.

— Apenas relaxe e irá conseguir.

— Não dá, não dá. Dói. Mas não é uma dor ruim. É uma dor de que "seu eu me mexer"... eu... vou... gozar.

Naruto jogou o corpo para trás e o peso fez com que o membro de Sasuke terminasse de se entrar nele, atingindo um ponto que causou uma sensação quase enlouquecedora. Ele arqueou as costas, apertou os ombros de Sasuke, jogou a cabeça para trás e gemeu, dominado pelas contrações involuntárias do seu interior. Sentiu os pingos gelados da chuva no rosto febril. Ouvia seu coração disparado e o gemido de Sasuke. Algo quente o invadia.

Nem havia percebido que Sasuke também tinha chegado ao orgasmo, o líquido quente que ele derramou em seu interior escorria entre suas pernas.

Os dois se abraçaram. Ficaram assim por um bom tempo, sem dizer nada. Apenas embalados pela respiração e o compasso do coração um do outro.

Porém, antes que fossem dominados pelo sono, colocaram as roupas, ainda mais molhadas e enlameadas, e esperaram.

Ouviram vozes. Vozes que chamavam por seus nomes. O socorro havia chegado. Gritaram para chamarem atenção e enfim, luzes de lanternas invadiram o buraco, ofuscando suas visões.

— Eles estão aqui. Venham rápido. Fiquem tranquilos, vamos tirá-los daí.

Era o fim.

...

Um ano se passou.

Sasuke saiu do quarto bocejando, vestindo somente uma boxer, quando se deparou com o Senhor Minato, que saía da outra suíte com o telefone no ouvido. Tentou voltar imediatamente para o quarto de onde saiu, mas ele o impediu, fazendo um gesto para que esperasse.

— Não se preocupem, chegarei no horário marcado, estou saindo de casa.

Sasuke revirou os olhos, imaginando o que iria acontecer.

O homem desligou o telefone e o encarou de forma ferina.

— O que eu disse sobre andar seminu dentro dessa casa, rapaz?

— Perdão, Minato-san. Estava apertado e o Naruto está usando o banheiro do quarto.

— Não me interessa! — esbravejou ele. — Agora vai colocar uma roupa.

— Mas eu estou quase me mijando...

— Não quero saber. Volte.

“Porra”, sussurrou.

— E o que falei sobre palavrões também?!

Entrou e fechou a porta do quarto em um baque, seguindo direto para a porta do banheiro.

— Naruto, tá saindo?

— O que foi? — perguntou o loiro, abrindo a porta, tirando a escova de dente da boca.

— “O que foi”? Você sabe — ele respondeu, passando pelo namorado na porta e entrando no banheiro. — Puta merda, que fedor.

— Você caga perfume importado por acaso?

— Ah. Tentei ir em outro banheiro da casa e dei de cara com o chato do seu velho.

— Saiu sem roupas de novo?

— Eu só ia cruzar o corredor. Ele é muito chato. Como você aguenta?

Naruto cuspiu na pia.

— Ele é meu pai, não tenho escolha.

— Quando vamos sair daqui?

— Quando eu tiver um emprego e puder ajudar nas despesas.

Sasuke suspirou, baixando a tampa do vaso e dando descarga.

— Temos a opção de morarmos com seu irmão — Naruto sugeriu.

— Nem morto — rebateu sem pensar.

— Seu irmão mudou, Sasuke. Ele está praticamente casado com o Sai.

Sasuke esturrou.

— Prefiro enfrentar a fúria Namikaze do que confiar no Itachi perto de você.

— Você e esse ciúmes sem fundamento.

— Sem fundamento uma ova — Sasuke abraçou Naruto por trás, dando um beijo no pescoço dele. — Ele beijou você e tenho certeza que ele daria um rim para te comer.

— Sei.

— Fora que aquele apartamento onde os dois estão morando é minúsculo.

— Não é minúsculo. Você está acostumado a morar em lugares enormes. Se for assim, nunca vamos nos casar.

— Para quê falar em casamento uma hora dessas e estragar o clima, estava começando a ficar excitado.

— Pode aquietar esse pinto aí. Nós transamos agora de manhã. Vai logo tomar banho, você tem uma agenda cheia hoje e temos aquele compromisso a noite.

— Nem me fale. Graças ao meu sogrinho querido eu não tenho paz.

— Quer voltar a cumprir as agendas do seu nii-san?

Sasuke ignorou a alfinetada, acompanhada do erguer de sobrancelha de Naruto e arrancou a toalha da cintura dele, dando uma lapada nele com a mesma.

— O que está fazendo, teme?!

— Vai, vai. Coloca uma roupa e para de me provocar com essa bunda gostosa pelada.

Naruto mostrou o dedo do meio para ele e bateu a porta do banheiro.

— Palhaço!

— Delícia!

...

Os dois rapazes tomaram café com Kushina, e para sorte de Sasuke, Minato tinha saído para o compromisso daquela manhã. Mas a mãe de Naruto teve que repetir todo discurso raivoso que o marido despejou sobre ela antes de sair.

Sasuke desculpou-se com Kushina, depositando um beijo em sua fronte, prometendo um jantar para se redimir.

— Você promete coisas demais — implicou Naruto assim que entraram no carro novo dele.

Naruto aceitou o carro com que o pai queria tanto presenteá-lo, apenas porque tinha Sasuke para dirigi-lo, continuava não se achando preparado para assumir o volante. Quanto ao veículo do rapaz moreno, esse havia sido vendido junto com a mansão Uchiha, para que os irmãos quitassem as dívidas que tinham. O dinheiro que sobrou foi dividido entre eles, como não foi muito, Sasuke cedeu sua parte para que Itachi conseguisse comprar um apartamento para ele.

Agora, o que o irmão mais velho dele ganhava como professor universitário era suficiente para pagar as despesas onde vivia com Sai. Sai também tinha arrumado um emprego como ilustrador em uma editora de mangás e conseguia ajudar com os gastos. Os dois haviam mudado muito e se tornaram tão casal, que tinham até adotado um cachorro, o qual tratavam como filho.

— Direto para faculdade?

— Sim.

O telefone de Sasuke tocou, e como estava conectado ao carro, ele atendeu ao acionar um botão no volante, enquanto manobrava. Agora dirigia um carro completamente diferente do seu, escolhido pelo pai de Naruto, era alto, estilo jipe, de luxo, na cor preta. Estranhou ao ver o nome de Sakura aparecer na tela de bordo do veículo. Apesar de terem se acertado, ela não costumava ligar direto para ele.

— E aí, garota? Tudo bem?

— E aí, garoto? — respondeu ela não muito animada. — Desculpa estar te ligando, mas Naruto está com você? Tentei ligar no celular dele e está desligado.

— Ah, esqueci de colocar no carregador ontem à noite — Naruto entrou na conversa, procurando o aparelho no bolso da mochila e constatando que estava desligado.

Tanto Sakura quanto Sasuke suspiraram ao mesmo tempo.

— Naruto-baka, sendo Naruto-baka — ela observou. — Mas ok. Só queria confirmar com vocês se está tudo certo para hoje a noite?

Os dois se olharam e Sasuke ergueu os ombros.

— Está confirmado — foi Naruto quem respondeu. — Por que? Vocês não podem ir?

— Ino conseguiu convites para o beisebol de hoje a noite e ela queria ir com meu pai, vocês sabem, né? Os dois estão parecendo uma dupla de melhores amigos.

— Quer remarcar?

— De forma alguma. Eu a lembrei do nosso compromisso e ela vai remarcar com meu pai.

— Elas que mandam — comentou Sasuke.

— Sempre, garoto.

Eles riram e ela se despediu.

— Encontro com vocês lá.

— Até mais tarde — disse Naruto.

Sakura encerrou a chamada e o som do veículo foi acionado na sequência, com a batida de um som que estava bombando nas rádios.

Em poucos minutos, estavam na porta da universidade. Os dois trocaram um selinho.

— Vou ter sessão de fotos o dia todo, vou te mandando mensagem nos intervalos.

— Não precisa ficar mandando mensagem, vou estar ocupado estudando. Foque no seu serviço. Sabe que a indicação do meu pai não vai te segurar na agência, você precisa fazer sua parte.

— Eu estou fazendo minha parte.

— Faça um pouco mais.

— Tá, tá, querida, como quiser.

Os dois mostraram língua um para o outro e Naruto desceu. Sasuke esperou o namorado entrar no campus. Viu ele se encontrando com os amigos, os mesmos que foram responsáveis pelos piores instantes da sua vida, porém, os melhores também.

Por esse motivo, decidiram apenas colocar uma pedra no ocorrido. Sasuke explicou à polícia que foi vítima de uma tentativa de sequestro, mas que não tinha como identificar seus sequestradores por eles estarem encapuzados.

Mesmo depois de tudo resolvido, decidiu que não queria retornar para faculdade de Educação Física. Por enquanto, o trabalho como modelo, arranjado por seu sogro, gerava uma boa renda e pensava em seguir carreira naquela área. Finalmente sua cara bonitinha serviria para algo produtivo de verdade.

Graças àquele ocorrido, conseguiu o que mais pediu para Deus: o perdão de Naruto e uma chance de tê-lo ao seu lado. Por isso valorizava a todo instante aquele milagre.

Apanhou o celular do suporte e digitou uma mensagem, para quando ele carregasse o celular: “Doze meses de felicidade plena. Te amo. Cada dia um pouco mais que o outro. Feliz aniversário de um ano”.

...

A casa noturna estava lotada. Do lado de fora, a fila de espera ainda era grande. A lotação aconteceu duas horas antes de o show começar.

Uma vez por mês a casa apresentava o show do quarteto Promiscuous. Ao redor do palco montado no centro do grande salão, os poucos espaços eram disputados por homens e mulheres aos empurrões. Todos desejando uma chance, nem que fosse pequena, de chegar perto de um daqueles seres fascinantes e sedutores.

As luzes do local se apagaram, anunciando o início do show. Os holofotes foram acionados e apontavam para o palco. A voz do locutor ecoou anunciando a atração mais esperada da noite.

— Senhoras e senhores, a The Night apresenta o... Quarteto Promiscuous!

A batida forte da música da cantora Nelly Furtado e do Timbaland invadiu o ambiente. Uma fenda no centro do palco se abriu e uma mulher emergiu dela. Cabelos rosa presos em um rabo de cavalo, máscara nos olhos, belas pernas, vestida com shorts curto, top e botas na altura dos joelhos, todos pretos e cravejados de lantejoulas, a bela mulher arrancou assobios.

Marchou meticulosamente ao compasso da batida da música e parou na marcação devida, na margem do palco, próximo aos frequentadores. Os homens ali perto, esticaram suas mãos tentando tocá-la. Ela sorriu, jogou o rabo de cavalo para trás e parada, mas mantendo o requebrar do corpo, apontou a direção de onde viera.

De lá, o elevador subiu com outro jovem, cabelos loiros, boina, máscara, colete, shorts e botina camuflados estilo “exército”. Gritos femininos invadiram o ambiente. O loiro marchou, com a mão em continência e alcançou a jovem de cabelos rosa.

Os dois se encararam, sorriram de lado e grudaram um no outro. Dançaram juntos, ao compasso somente da batida da música. Gestos, palavras, toques ousados, compunham o jogo de sedução de ambos no palco. O homem loiro tentava ganhar a mulher de cabelos rosa, tocando seus lábios, puxando-a pelo queixo, apertando sua cintura, encostando seus corpos tudo ao ritmo da música. Mas ela resistia, mordia os lábios, friccionava as pernas, soltava chiado entre os lábios; como se fosse uma árdua tarefa resistir às investidas dele.

O refrão da música foi solto. Este falava sobre o jogo de sedução entre garotas e garotos promíscuos, e era cantado por quem estava assistindo.

Logo, a música retomou somente a batida. Os holofotes apontaram mais uma vez o centro do palco e da fenda no palco surgia uma loira, cabelos curtos, quepe na cabeça, macacão de couro justo ao corpo, no melhor estilo mulher gato; botas de salto fino e chicote em uma das mãos, o qual ela estalou no meio do palco.

Novos gritos de euforia.

A loira se pôs entre o outro casal e foi abraçada pelos outros dois. Convidando-a a fazer parte daquele jogo. Mas foi no rosto da bela mulher de cabelos rosa que os dedos da loira passearam, como dominado pelo desejo de tomar seus lábios rosa.

De repente: um estrondo como um relâmpago se fez, fazendo a música parar e os três se separaram assustados. Todos atentos ao centro do palco mais uma vez. E, sentado em uma cadeira, surgia o quarto elemento: sem camisa, coleira de couro no pescoço, calça e máscara de um couro vermelho, o rapaz de cabelos negro estalava os dedos e movia um dos pés, que estavam descalços, ao ritmo de uma música imaginária. Cada coração que assistia, compassava ao som de sua batida.

Ele se levantou, bateu o pé no assento onde estava e, após correr os dedos pelas franjas que caíam no rosto e jogá-las para trás, chutou a cadeira para o lado.

Cada pessoa dentro do salão pareceu prender a respiração.

Ele caminhou altivo e parou na margem do palco onde os outros três se encontravam. Com um gesto de dedo, chamou as duas garotas.

— Promiscuous girls? — disse ele.

As mulheres atenderam ao chamado, cada uma apanhou uma das mãos do rapaz moreno e foram puxadas por ele, fazendo com que se encontrassem. Os três passaram a dançar juntos em um único movimento sinuoso. Sasuke tocou a boca da de cabelos rosa, mas teve sua mão puxada pela de cabelos loiros. Voltou para boca da loira e tentou alcançá-la, mas foi rejeitado pelo girar do rosto dela. Logo as duas deram as mãos e fugiram juntas, deixando-o sozinho.

O moreno pareceu perdido, olhou de um lado para outro à procura das garotas, então sorriu de lado e aproximou-se do rapaz loiro, chamando-o.

— Ei, Promiscuous boy.

O jovem fingiu não estar ouvindo e o moreno bateu as mãos ao longo do corpo, mostrando-se impaciente. Marchou até o outro e o abraçou por trás, descendo as mãos por seu tórax nu. O rapaz loiro encostou-se ao corpo do outro, tocando em seus braços e retribuindo a carícia. Ficaram de frente um para o outro, encaram-se. A dupla de meninas retornou e se posicionou igual aos outros dois.

A música voltou a tocar alta e embalados por ela os dois casais dançaram praticamente colados. Sem se preocuparem se eram assistidos ou não. Mãos percorreram pernas, bundas, tórax, seios; as roupas eram erguidas, os corpos suados se colavam e se friccionavam de forma sensual, quase uma dança do acasalamento. Bocas passearam por pescoços, faces, ouvidos, lábios e se encontraram em beijos ferozes e famintos.

A gritaria dos espectadores foi imensa. Todos ali desejavam fazer parte daquele jogo pervertido, com demônios de corpos e olhares sedutores, que deveria levar, com sua promiscuidade, qualquer ser humano ao paraíso dos prazeres.

Por mais que aquilo fosse uma mera apresentação, Sakura e Ino, Naruto e Sasuke, se esbaldavam em compartilhar o amor e o desejo que sentiam de verdade com o público.

No fim da música e da apresentação, em meio a gritos, assobios e muitas palmas, eles davam as mãos e se curvavam agradecendo aos que assistiram.

...

— Estamos indo — Sakura anunciou.

As duas haviam trocado as roupas da apresentação por calças jeans não tão justas, camisetas, jeans, tênis e bonés na cabeça.

— Tá cedo, garota — disse Sasuke, rodando na cadeira. — Vamos aproveitar a boate cheia.

— Ino não quer ficar.

— Quero me redimir com meu sogro por ter furado com ele na noite do beisebol, e entregar minha garota cedo em casa — a loira explicou.

Sakura encarou Ino com uma cara de reprovação.

— Escuta aqui, a “sua garota” vai dormir com você hoje. Eu avisei a mamãe; esqueça meu pai.

Ino levantou como se tivesse recebido uma injeção de ânimo, se posicionou ao lado de Sakura e jogou seus braços sobre os ombros dela.

— Jura? Estamos esperando o quê então?

Sakura revirou os olhos e voltou para os rapazes.

— Vamos continuar fazendo isso uma vez por mês?

— Enquanto estiver dando dinheiro — Sasuke analisou. — Por que? Não estão querendo mais participar? — quis saber das duas.

Elas deram de ombro.

— Só acho que devemos mudar um pouco o repertório.

— No próximo ensaio podemos discutir isso — Sasuke respondeu.

— Perfeito então. Tchauzinho boys.

— Tchau girls — eles responderam.

Sasuke aproximou-se de Naruto, que parecia enfadado.

— E aí? Parece desanimado. Quer curtir um pouco lá embaixo?

— Sinceramente, não estou a fim de lidar com tanta gente te assediando hoje não.

— Como se eu fosse o único a ser assediado.

— Não, do jeito que você é.

— Naruto Namikaze está sentindo ciúmes?

— Só estou cansado.

— Você fica lindo com essa cara emburrada. Porém, eu faço qualquer coisa para te ver sorrindo. Então, me diga, o que quer fazer?

Sasuke apanhou a mochila com as roupas que estava no chão e Naruto acabou admirando as nádegas bem delineadas que ele tinha, ajustadas na calça de couro.

— Qualquer coisa? — perguntou o loiro, elevando as pontas dos dedos nos lábios.

Sasuke voltou-se para Naruto, preocupado com o olhar dele.

— Eu tenho a opção de voltar atrás?

Naruto sorriu finalmente, levantou-se e aproximou-se de Sasuke com um olhar malicioso; suas mãos escorregaram para a bunda de Sasuke e as apertou.

Sasuke sorriu tenso, tendo uma vaga ideia do que Naruto iria propor.

— Você quer o que estou pensando?

Naruto assentiu e Sasuke arqueou uma das sobrancelhas. Não que não gostasse de ser tomado, apenas não colocava muita fé que Naruto fosse se sair bem naquela tarefa, mas a ideia pareceu convidativa. Sorriu, achando a opção divertida.

— Hoje?

— Está dizendo sim?

— Claro. Se você realmente quiser, eu vou te dar. Vamos para casa.

— Não, não, calma. Não dá para ser lá em casa. Eu não ficaria à vontade. Que tal um motel?

“Que gracinha”, Sasuke sorriu da insegurança de Naruto.

— Qualquer coisa é melhor que encarar seu velho.

Eles sorriram, se beijaram, pegaram as mochilas e saíram. A noite só estava começando.

Fim.