Promiscuous
9 Capítulo 8 - Day N Night
Notas iniciais
Promiscuous
Capítulo 8 – Day N’ Night
Revisado por Blanxe
“Dia e noite eu me reviro e estresso a minha mente à procura de paz. Eu não tenho o que é preciso para manter esse jogo”
Localizada em uma área afastada do centro urbano, em uma reserva ecológica, a construção escolhida para cativeiro, havia sido no passado o ponto de encontro e descanso dos visitantes do local.
A velha cabana de madeira fedia a mofo, denotando em seu estado o tempo de abandono.
Shikamaru foi quem indicou o lugar, após explicar que o pai o levava ali quando mais jovem para explorarem juntos a mata. E que muitas vezes se abrigaram de chuvas no local.
A algema, que utilizaram para prender os braços de Sasuke em volta de uma das colunas de madeira que sustentava o teto, foi conseguida por Gaara em um Sex Shop.
Sasuke estava desacordado, com uma fita adesiva metálica cobrindo a boca e alheio a discussão abrasada que se formava entre os integrantes do seu grupo de sequestradores.
— Cara, nem pensar eu vou meter meu pau nesse daí. O cara confessou diante de todos do time que está fazendo programa! Vai saber quantas doenças ele tem?
— E existe preservativo para quê, Kiba? — Shikamaru resmungou a resposta, adicionando seu característico revirar de olhos.
— Então bota você o preservativo e fode ele!
— Nem pensar. Não fui eu quem começou com essa palhaçada de retaliação ao Uchiha — respondeu e desencostou-se da parede para cruzar os braços na frente do rosto em um sinal maior de negação. — Eu tenho namorada e mesmo se não tivesse, eu não faria isso com ninguém.
— Gaara, você é o gay aqui — Kiba apontou para o ruivo, que antes de ser apontado tinha uma pose pensativa, a mão no queixo e o olhar distante.
— Está falando para eu fazer isso porque sou gay? — questionou, ainda em dúvida daquilo que havia ouvido.
Claramente sem escolhas, os três olhares se voltaram para a única esperança deles: o rapaz gordinho que vasculhava o fundo do saco de salgadinhos, à procura de alguma batata seca sobrevivente. Ao perceber-se observado, ele ergueu os olhos para os amigos, e não deixou de achar graça do que estes estavam propondo.
— Sério mesmo, pessoal? Esqueçam. Nem precisam olhar para mim. Eu ainda sou virgem e não vou perder minha virgindade fazendo isso com outro cara.
— Virgem? — Kiba duvidou, surpreso. Mas recebeu um assentimento indiferente de Chouji.
Frustrados, todos suspiraram ao mesmo tempo.
— Para que tivemos todo esse trabalho para raptar ele então? — perguntou Kiba.
— Não precisamos fazer o mesmo que ele — ponderou Shikamaru. — Vamos deixá-lo preso aí, amarrado, passando fome, sede e frio. Esse será um castigo de bom tamanho; o suficiente para que ele pense nas merdas que fez. Depois a gente informa, de forma anônima, a localização dele para quem estiver a sua procura.
— Gostei da ideia — Gaara concorda com a proposta.
— Mas, pessoal, e se ele não aguentar e morrer de fome ou de sede?
— Ah, Chouji! Não seja ingênuo! — respondeu o Inuzuka. — Não vamos deixar ele aqui durante um mês, no máximo duas semanas!
— Está louco, Kiba? — Shikamaru chamou atenção dele. — Ele pode não morrer de fome, mas nenhum ser humano aguenta muito tempo sem água. Três dias é o máximo. Vamos deixá-lo passar essa noite, ele está entregue mesmo, e mais amanhã. No terceiro dia damos um jeito de alguém saber do paradeiro dele, pode ser o próprio irmão. Não é necessário envolvermos a polícia.
— É por isso que é o cabeça aqui — concordou Kiba.
— E o que faremos com o carro? — lembrou Chouji.
— Melhor deixarmos o carro aqui — Gaara sugeriu. — Naquela avenida por onde viemos tem um ponto de lotação, é melhor irmos andando até lá e pegarmos um ônibus.
— Fechou então. Vamos nessa, antes que fique tarde.
O grupo começou a deixar o lugar. Gaara ficou por último, deu uma última olhada para o jovem que estava preso, recordando-se do que Naruto havia dito poucas horas antes: “Eu gosto do Sasuke. E é esse sentimento que me faz querer perdoá-lo e tentar resgatá-lo, antes que ele afunde mais nesse mundo em que ele escolheu viver”.
O rapaz suspirou fundo e retirou a chave das algemas do bolso e lançou-a a uma distância que se Sasuke se esforçasse, conseguiria alcançar com os pés.
— Agradeça ao Naruto por você não sofrer mais do que merece, Uchiha.
“Vamos, Gaara!”, ouviu o grito esganiçado de Kiba do lado de fora.
— Estou indo — respondeu e saiu, levando consigo a última luz do lugar, afundando o corpo amarrado e desacordado, em total penumbra.
...
Ino terminava de armazenar os pertences de Sakura dentro da mala, a melhor amiga iria receber alta na manhã do dia seguinte e a senhora Haruno, mais aliviada com o estado da filha, disse que iria passar a noite em casa e assim preparar o quarto dela para sua volta.
A loira ficou ainda mais contente quando Mebuki pediu que fizesse companhia para Sakura naquela noite. Concordou sem pestanejar e nem esconder o timbre de euforia. O que deixou a mãe da amiga levemente surpresa, porém, satisfeita.
Aproveitando-se do momento de visita de Naruto e Gaara, Ino pediu licença ao trio e foi até sua residência de táxi para apanhar roupas de dormir, escova de dente e de cabelo, e tudo mais que julgou necessário para passar uma noite fora de casa.
Por estar em uma ala particular, Sakura desfrutava de um apartamento que mais lembrava a suíte de um hotel cinco estrelas, havia banheiro, armários, televisão com programação paga, frigobar e uma cama sobressalente para visitas, onde a mãe estava dormindo desde que ela fora liberada da UTI.
Ao retornar ao hospital com seus pertences, Ino não deixou de ficar contente pelo loiro e o ruivo não estarem mais lá, e assim, atrapalharem sua primeira noite a sós com Sakura.
Enquanto a de cabelos rosa tomava banho, a de cabelos loiros se mantinha firme na tarefa de fazer as malas. A mãe de Sakura havia trazido para o hospital vários pertences pessoais da filha, mesmo o hospital fornecendo tudo que ela precisava. Peças até desnecessárias, tais como a lingerie de renda preta a qual retirou de uma das gavetas.
Ino corou ao apanhar aquela peça. Jamais imaginou que se sentiria excitada por ter em mãos um elemento comum do seu guarda-roupa. Apesar de que, tinha ciência que sua perturbação não se dera exatamente por ter a calcinha em suas mãos e sim pela imagem que sua mente pervertida desenhou da dona dela vestida somente com ela.
A loira sorriu, sentindo a textura da renda entre seus dedos, enquanto sua imaginação continuava fluindo.
Sakura deixou o banheiro de roupão e com uma toalha enrolada nos cabelos, viu Ino de costas. Ela retirava as suas coisas da cômoda e organizava-as na mala que a mãe trouxe. Sentou-se na beira da cama e desenrolou a toalha dos cabelos para terminar de enxugá-los. Estava muito chateada com tudo que havia acontecido, por outro lado, estava extremamente feliz com a amiga; que vinha se dedicando tanto que a constrangia.
— Obrigada, Ino.
Seu agradecimento repentino fez com que Ino se assustasse e virasse para ela com a mão no peito.
— Que susto! — gritou a loira.
— Minha nossa. Até parece que foi flagrada cometendo um crime.
— É que... você saiu tão de mansinho do banheiro que... — tentava se explicar enquanto sacolejava a calcinha da amiga nas mãos. E ao se dar conta do que estava fazendo, tentou esconder as peças atrás das costas.
Sakura crispou as sobrancelhas.
— O que está escondendo aí?
Sakura enlaçou Ino com seus braços, tentando apanhar as mãos dela. Aquela aproximação fez a loira corar ainda mais. Acabou perdendo para sua própria distração e Sakura conseguiu apanhar a mão dela.
Vencida, Ino abriu o punho e mostrou a peça.
— Sakura, eu só...
— Estava pensando que eu não usaria algo do tipo, não é?
A desculpa dada pela própria amiga aliviou Ino, que concordou com um assentir.
— Foi o Sasuke quem me deu — justificou, acrescentando um suspiro. — Mas eu não preciso mais disso, posso jogar fora.
Antes que Sakura alcançasse a lixeira, Ino a impediu, segurando-a pelo pulso.
— Ino?
— Se você quiser jogar fora por que não gosta ou por não combinar com você, ok, legal. Faça. Mas não faça isso pensando somente naquele canalha.
Sakura sorriu docemente, entendendo a preocupação da amiga. Assentiu e devolveu a calcinha para que Ino guardasse na mala.
— Desde quando você ficou tão legal?
Ino sorriu, encabulada.
— Idiota. Eu só estou falando a verdade. Você é gata, cara. Tem um lindo corpo. Precisa apenas se amar mais, se aceitar.
— Sabe, Ino — Sakura passou a mão nos olhos, afastando as pequenas lágrimas que ameaçavam nascer nas margens dos seus olhos. — Eu andei pensando muito sobre tudo que aconteceu. Esse meu “nascer de novo” me fez repensar as minhas atitudes também. E tenho que confessar: eu errei muito.
— Está falando do quê exatamente? Porque "errar" todos nós erramos e ainda passamos de todos os limites aquela noite.
— Não só aquela noite, Ino. Na verdade, eu percebi o quanto venho sendo egoísta. Até hoje eu só pensei em mim e no que eu sentia pelo Sasuke. Eu o amava tanto, o desejava tanto, que deixei esse desejo de tê-lo me consumir e me cegar sem levar em consideração os próprios sentimentos dele. No fundo, eu sempre soube que ele não me amava, mesmo assim, eu quis forçá-lo a ficar comigo, usando dos meios que fossem necessários.
A loira desviou os olhos do rosto da amiga, abaixando-os e repousando-os nas pernas dela e nas mãos que se apertava nervosamente. Sentiu uma pontada dolorida no peito ao imaginar o quanto deveria ser complicado para Sakura ter que confessar aquilo.
— Também não posso me enganar dizendo que fui iludida — continuou a rosada. — Sasuke sempre deixou claro que não me amava do mesmo jeito que eu queria. Muito pelo contrário, ele tentava, em vão, esconder os ciúmes que sentia de mim com o Naruto.
— De qualquer forma, ele não tinha o direito de te usar para tentar se aproximar do Naruto e fazer o que fez.
— Isso não me exime de culpa, Ino. Se eu não tivesse me intrometido no meio deles, o Sasuke poderia ter agido diferente. Ele se enfiou na droga desse mundo promíscuo para tentar sufocar o que sentia pelo Naruto. Só que eu, ao invés de ter percebido e ter tentado resgatá-lo, não. Eu o incentivei a manter-se nele, e ainda, para ter uma oportunidade de tê-lo, me afundei nesse mundo também.
Sakura não conseguiu segurar a ânsia do choro, e mesmo tentando, dois fios de lágrimas, um de cada lado da face, romperam por suas bochechas.
— Eu fui tão idiota, Ino. Tão burra! Tão egoísta! Com isso eu acabei fazendo mais pessoas sofrerem. Veja o que houve com o Naruto.
— Vendo por esse lado, mesmo não querendo, tenho que concordar que você é uma burra — Ino afirmou, sorrindo, notando a amiga também sorrir em meio às lágrimas. — Mas se for assim, eu também sou uma anêmona, o Naruto um jumento e o Sasuke o pai de todos nós.
— Ino... não me faz rir.
— Boba, você fica mais linda rindo do que chorando.
— Mas pareço idiota ao rir e chorar ao mesmo tempo. E você é a mais transparente do grupo.
— Não mesmo — Ino negou, balançando a cabeça. — Há muito tempo estou esperando uma oportunidade para declarar meus sentimentos omitidos por uma pessoa. Mas, como essa pessoa gostava de outra... Eu resolvi fazer como o Uchiha, manter esse sentimento guardado. Porém, eu percebi o quanto mal isso faz. E, antes que eu violente alguém por aí, ou me jogue na frente de um carro, vou me declarar, mesmo sabendo que não tenho chances. Acho que se essa pessoa entender meus sentimentos e me deixar ficar ao lado dela como amiga, será suficiente para mim.
— Sério, Ino? Você está apaixonada? Quem é esse sortudo? Não me diga que é o Naruto? Já que você parece não gostar nada do Sasuke...
— É você, anta! — Ino foi direta.
Sakura entreabriu os lábios e antes que tentasse esboçar alguma reação, Ino continuou.
— Eu amo você — reafirmou a declaração; olhando dentro dos olhos verdes da amiga. — Eu nunca vou ser um cara sexy como Sasuke Uchiha, nem fofo e ingênuo como Naruto Namikaze, mas... Eu sou eu. Essa que vos fala. Além de tudo, uma garota também. Por isso tenho a vantagem de saber bem o que nos satisfaz. Mas, não pense que quero retribuição. Só queria que soubesse o quanto é importante para mim.
— Você não pode estar falando sério, não é?
— Nunca estive mais certa de algo em minha vida todinha.
— Ino... isso é tão...
Sakura não soube exatamente o que responder; cerrou o tecido do roupão entre os dedos. Era estranho ouvir uma declaração vinda de alguém do mesmo sexo, ainda mais sendo sua amiga. Mas, algo quente brotou em seu interior. Lembrou-se da dedicação de Ino e de como ela sempre foi carinhosa; dos momentos em que riram e se divertiram juntas.
Um rubor aqueceu a face da jovem de cabelos róseos, fazendo-a corar. A vontade de chorar cessou. Algo idiota passou por sua cabeça: imaginou-se o próprio Naruto ouvindo a declaração vinda do Sasuke, e aquilo a fez sorrir mais abertamente.
— Ótimo. Você não está me levando a sério — Ino indignou-se. — Por que ninguém acredita em mim?
— Boba. Não é isso — Sakura balançou as madeixas úmidas de um lado a outro, e ainda sorrindo docemente, pegou a mão da amiga entre as suas e depositou um beijo carinhoso no dorso desta. Voltando a olhá-la nos olhos, disse sinceramente: — Muito obrigada, Ino.
— Não vai me rejeitar? Me chutar? Me esmurrar? Sentir nojo? Vomitar?
— Ah... bem... — Sakura franziu o cenho ao lembrar-se da amiga com a sua lingerie sensual nas mãos. — Er... Acho que teremos que ir por partes, para que eu me acostume com a ideia.
Ino que estava com as bochechas avermelhadas, ficou mais séria.
— Quê?
— Eu estou solteira no momento. Então, se tiver afim, a gente pode tentar ficar juntas, né? Tentar. Se você quiser.
— Sakura, pensa primeiro antes de falar, cara.
A de cabelos rosa aproximou-se do rosto da loira.
— Não que eu não entenda completamente como tudo funciona. Nós já nos beijamos para excitar o babaca do meu ex-namorado e confesso que sempre gostei do que senti. Nojo é algo que está totalmente descartado. Então, não vejo nada de anormal seguir para a próxima etapa — explicou, apanhando a mão de Ino e direcionando para dentro do hobby que estava semiaberto, fazendo a loira pegar em seu seio. — É assim, não é?
O calor que Ino sentiu entre seus dedos espalhou-se pelo corpo inteiro, fazendo-a arfar.
— Sa- Sa- Sa- Sakura!
O gaguejar de Ino foi encerrado pelos lábios de Sakura.
Por ter sido pega de surpresa, a jovem loira ficou inerte por alguns segundos, mas ao compreender que estava sendo beijada por àquela que amava, decidiu corresponder antes que sua falta de reação fosse compreendida como falta de interesse. Envolveu o pescoço da amiga com seus braços e aprofundou o beijo que durou mais alguns segundos. Ao cessarem o contato, ambas admiraram os rostos corados.
Ino respirou fundo, ainda sentindo-se confusa por Sakura ter aceitado tudo tão plenamente.
— Sakura, você sabe mesmo o que está aceitando?
Ela assentiu.
— Os sentimentos mais puros e verdadeiros que alguém já dedicou a mim. Não quero ficar com mais ninguém que não me deseja.
— Mas você também não é obrigada a ficar com alguém que não deseja.
— Eu sei — ela concordou. — Por isso, estou aceitando ficar do lado de alguém que gosto de verdade. Eu quero dar uma chance para nós, Ino. Sem me preocupar se vai dar certo ou não, apenas curtir um namoro de verdade.
Ino sorriu, estava tão feliz, que em meio a um sorriso escancarado, surgiram lágrimas.
— Ah, Ino, não chore.
— Eu não consigo, estou tão feliz!
— Boba — disse e puxou o rosto da colega para que ficasse rente ao seu. — Obrigada de novo — sussurrou. — Por estar comigo e por continuar comigo.
— Putz... — Ino passou a costa da mão no rosto.
— O que foi?
— Você ainda está cheia de hematomas, se recuperando e eu...
— O que? Você não está se sentindo bem?
— Não, sua tonta. Estou com um baita tesão.
— Que susto, Ino. Mas e aí? Quer transar?
— Aqui? No hospital?
— Removeram as medicações, então, acho que dá.
— Só se for agora então — disse Ino puxando a amiga para cima da cama.
Do lado de fora do quarto, o enfermeiro que havia iniciado as rondas no corredor, se deteve com a mão na maçaneta do quarto com a placa escrita “Haruno” ao ouvir uns gritinhos e uma conversa estranha vindo de dentro do mesmo, aproximou o ouvido e encostou na porta, e seu rosto foi mudando de cor conforme o teor da conversa começou a fazer nexo.
“Por favor, eu não te peço mais nada!".
"Não, Ino. Não vou usar essa calcinha minúscula enquanto eu estiver cheia de marcas! Esquece!”
— É melhor eu voltar mais tarde — comentou para ele mesmo e saiu balançando a cabeça em negação.
...
Na residência Uchiha, mesmo após ter ouvido do professor tudo que ouviu, Naruto sentiu a necessidade de falar com Sasuke aumentar.
“Prostituição?”
Aquela informação ecoava em sua mente, fazendo seu nervosismo aumentar. De acordo com o professor, a herança recebida com a morte dos pais foi dividida entre mais pessoas da família dos pais e o que sobrou para eles durou muito pouco. O salário de Itachi era incompatível com o nível social que viviam e foi por esse motivo que Sasuke se propôs a vender o corpo.
Ao ouvir aquilo, Naruto não deixou de sentir-se culpado. Não conseguia imaginar que se considerava melhor amigo e não tinha conhecimento daquela história. Um melhor amigo teria notado os indícios das dificuldades que ele vinha passando.
Itachi entrou na sala, vestido apenas com uma calça de pijama preta, uma toalha nos ombros, os pés descalços e os longos cabelos molhados soltos, sentou-se no sofá de três lugares e ligou a televisão com o controle.
— Você quer comer algo, Naruto-kun? Está ficando tarde. Se quiser, eu peço algo pelo telefone.
— Estou sem fome, sensei, eu agradeço. Não precisa se incomodar comigo.
— Certo.
— O Sasuke costuma demorar tanto quando sai pra fazer essas coisas?
O professor passou a mão no rosto recém barbeado, ficando pensativo por um momento.
A verdade era que o programa deveria ter terminado fazia um bom tempo. Conhecia os requisitantes, eram professores como ele, que se esforçavam para manter o ar de homens de respeito. Não imaginava que os dois se empolgaria em um programa com um rapaz com cara de adolescente como Sasuke.
— Na realidade, acho que ele esteja em outro lugar. Você tentou ligar para ele novamente?
— Sim. Mas continua dando sinal como se estivesse desligado ou fora da área de cobertura.
— Isso é estranho. Sasuke nunca desliga o celular. Pode ser que esteja descarregado.
Naruto apoiou as mãos nos joelhos e se levantou.
— Eu queria ficar, mas não consigo mais enrolar meu velho.
— Vou pegar uma camisa e te acompanho — Itachi fez menção de se levantar, mas Naruto o impediu.
— Não precisa, sensei. Eu conheço a saída. Eu o incomodei bastante por hoje. Será que pode avisar que estive aqui e gostaria de falar com ele?
— Claro. Eu aviso.
— Certo, boa noite, Itachi-sensei.
— Boa noite.
Do lado de fora, ao sair, Naruto sentiu uma sensação ruim comprimir o peito. Aquela mesma que parecia dizer que precisava falar com Sasuke ainda naquela noite. Achou estranho seu professor estar tão sério durante a despedida, no habitual ele daria um sorriso e falaria “Até, Campeão”.
Todavia...
Itachi parecia preocupado também.
Naruto deu um breve suspiro, enfiou as mãos dentro do bolso do casaco, tentando aquecê-las. Era comum a temperatura cair durante a noite. De repente, tornou seus olhos para o céu e admirou em vê-lo sem nuvens e repletos de estrelas.
Saiu andando, a passos pesados, como se quisesse atrasar-se ali por mais um instante, foi quando viu o farol de um carro vindo em sua direção. Seu coração aumentou as batidas, tanto, que sentiu o ar no seu peito falhar. No entanto, o veículo que vinha silencioso, tanto no ronco do motor, quanto no aparelho de som, passou direto pela casa e continuou descendo a rua.
Sentiu-se imensamente tolo por ter imaginado que poderia ser ele. Decidindo que poderia conversar com Sasuke no dia seguinte, resolveu ir para casa.
Dentro da residência Uchiha, Itachi fechou a cortina ao perceber que o barulho de carro que ouviu estava longe de ser o do irmão. Tentou ligar novamente para ele e, mais uma vez, ouviu a chamada ser direcionada para a caixa de mensagem. Procurou na lista do aparelho outro número e estranhou ao ouvir a voz sonolenta do colega de profissão.
“O que foi, Itachi? É tarde”.
— Só quero saber que horas meu irmão saiu daí, Kakashi?
“Horas? Nem eu sei”, respondeu sussurrando. “Ele não ficou aqui nem meia hora. O Iruka entrou em crise quando viu ele se despindo. Nem concluímos o programa. E o filho da mãe ainda me cobrou o valor integral antes de sair.”
— Sério?
“Sim. Ele não chegou em casa ainda?”
— Ainda não. Sei que eu não preciso me preocupar, meu irmão sabe se cuidar, o problema é que ele está de carro, aí você já sabe, acidente...
“Ligue para emergência, se aconteceu algum acidente eles vão te informar. Apesar de que ele saiu daqui murmurando que iria a um bar sujo não sei aonde.”
— Ah! — Itachi exclamou junto com um respiro de alívio. — O Taka. Obrigado, Kakashi. Desculpe incomodar.
“Não foi nada, Itachi. Agora deixa eu voltar para cama, o Iruka ainda está emburrado, até dormiu de calça. Boa noite”.
— Boa noite — desejou e desligou a chamada. — O duro é que não tenho o contato de ninguém daquela merda de bar. Vou ter que ir até lá. Se você estiver vivo eu vou te matar, Sasuke. Deve estar torrando a grana da gente enchendo a cara e jogando bilhar.
...
Na residência Namikaze.
Naruto abriu a porta com a sua cópia da chave. Viu um facho de luz que vinha da sala e deduziu que alguém estava esperando acordado; sabia quem era.
Era hora de abrir o jogo com seu pai.
Não queria fazê-lo antes de conversar com Sasuke, tinha medo da reação do seu velho, principalmente que ele denunciasse o amigo para polícia.
— Onde estava meu filho? — a voz que veio da sala, fez um arrepio percorrer suas costas.
— Acordado ainda, pai? — perguntou de onde estava.
— Entra aqui, quero conversar com você.
Aquele pedido causou um revirar em todo o interior de Naruto. Mas, tentou manter-se calmo, enquanto adentrava a sala. Viu seu pai sentado na poltrona de descanso, vestido com um hobby, e com algo que parecia um livro, repousado sobre as pernas.
— Oyaji?
— Senta aqui perto de mim — o mais velho pediu, em tom de ordem.
Naruto obedeceu em silêncio e sentou no sofá apontado por ele. Respeitava muito o pai. Era um homem imponente, de status. Quando ele dizia algo, cumpria. Entendia o porquê de Gaara pensar que o pai não gostava de gays, ele sempre pareceu um homem bem machista. Por isso foi difícil acreditar quando a mãe contou sobre aquele detalhe da adolescência deles.
O rapaz loiro se acomodou diante do pai e fixou seus olhos naquele semblante sério.
— Escute, Naruto — o pai de repente falou, debruçando-se para frente e colocando em seu colo o livro que tinha em mãos. — As duas moças nessa foto são: sua mãe, a amiga dela Mikoto, e esse aqui, com a cara emburrada, o meu melhor amigo, Fugaku. Esse outro aqui, com um sorriso idiota no rosto, sou eu.
Naruto percebeu que a voz do seu pai se engasgou ao concluir as apresentações. Estava vendo coisas, ou viu os olhos do seu velho brilhando? Porém, a curiosidade do motivo da comoção dele foi maior, assim, voltou seus olhos rapidamente para o impresso fotográfico que ele mostrava e então, algo o chocou.
O grupo estava diante de uma bela paisagem, todos com roupas de frio, elegantemente vestidos, diante de um chalé, havia folhas secas que despencavam das árvores. A mãe estava linda, sorridente, com sua longa cabeleira vermelha presa em um rabo de cavalo, a cabeça reclinada para o lado, apoiando-se no ombro da jovem morena, um sorriso singelo, a face levemente corada. Tão linda.
Mas o que chamou atenção do mais novo, na verdade, foram os dois homens. O primeiro estava de lado, com o rosto bastante vermelho, a cara emburrada como se não quisesse ter tirado a foto. Ele tinha o rosto parecido com o de Itachi e os cabelos de Sasuke. Ao lado deste, encontrava-se o pai. Notou então semelhança entre então. Ele não era parecido com seu pai mais velho, era parecido com o Minato mais novo. Se a foto não estivesse um pouco envelhecida poderia ser confundida com uma sua facilmente. O loiro pai tinha um sorriso aberto, sinal de vitória em uma das mãos e a outra, na outra mão...
O adolescente sentiu seu âmago contrair-se, ao notar a mão do pai entrelaçada firmemente a do amigo.
Continua...
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