Promiscuous

10 Capítulo 9 - No embalo do flash back


Notas iniciais
Alerta de OOC (Out of Character), “Fora do Personagem”, ou seja, quando um personagem (ou mais deles) não age de acordo de acordo com sua personalidade pré-definida no enredo original. Não tem soundtrack nesse capítulo porque eu pensei em muitos flashbacks e no fim não consegui optar por nenhum. Então, deixo a cargo da imaginação de vocês. Divirtam-se!

Promiscuous

Capítulo 9 – No embalo do flashback

Revisado por Blanxe

Os quatro jovens dentro do carro conversavam animadamente. A paisagem que há algum tempo havia mudado de prédios para pinheiros gigantescos e montanhas, passavam pelas janelas como se fossem elas a correrem e não o veículo.

As duas jovens no banco de trás eram as mais eufóricas com aquele reencontro. Não paravam de conversar sobre assuntos variados como: roupas, músicas, seriados novos da televisão, os livros que levavam para ler e o que iriam preparar para o jantar quando chegassem.

Kushina conheceu Mikoto ainda na infância, quando vinha passar as férias com os avós no Japão. Tornaram-se grandes amigas desde então e sempre que se encontravam viajavam para conhecer lugares novos. Em uma de suas viagens, a ruiva trouxe com ela dos Estados Unidos um amigo de profissão: Minato, que também dizia ser apaixonado pela cultura oriental. Mikoto aproveitou para apresentar seu amigo Fugaku e a química entre os quatros foi imediata.

Porém, entre dois deles a química foi um pouco mais intensa.

O rapaz estrangeiro sorriu discretamente ao observar o oriental sério ao volante: Fugaku Uchiha. Seu coração batia mais forte somente com a simples menção daquele nome. Era mais difícil ainda controlar a alteração hormonal do seu corpo quando vinha em sua mente as lembranças de seus toques, carícias e beijos.

Sim, haviam se tornado muito mais que amigos.

Minato entendeu que havia se apaixonado por Fugaku no primeiro encontro. Guardou esse sentimento por algum tempo, mas sempre foi péssimo com segredos e a cada retorno ao país, seus sentimentos ficavam mais evidentes. Foi Kushina, a primeira a entender o que estava acontecendo e o aconselhou, gentilmente, a se declarar.

Mas, como se declarar para outro homem?

Acabou não sendo preciso. Certo dia, estavam comemorando após assistirem uma partida intensa de beisebol e exageraram na bebida. Chegaram ao hotel que estavam hospedados literalmente caindo de bêbados. Despediram-se das duas garotas que seguiram para o quarto em que elas estavam e assim que eles cruzaram a porta do quarto deles, se desequilibraram ao tentar tirar os calçados para deixar na soleira da porta e tombaram um por cima do outro.

Foi o suficiente.

O primeiro beijo aconteceu.

Aquela noite os dois se amaram ali mesmo onde caíram, no chão de tablado da sala, perto da porta. Desde então, não esconderam mais seus desejos, passando a fincarem juntos sempre que se encontravam.

Para Kushina, que via muito aquilo acontecer no meio em que vivia, não achou nada estranho o sentimento entre os dois rapazes e ainda apoiou o casal. Mikoto, por sua vez, era mais conservadora do grupo e mesmo tendo certeza do que estava acontecendo entre eles, preferia continuar fingindo que nada sabia. Ainda fazia questão de torcer o nariz e criticar a homossexualidade sempre que tinha oportunidade.

Mas a reprovação de Mikoto tinha outro motivo: a paixão secreta que tinha por Fugaku Uchiha desde o colegial. Simplesmente ela não conseguia aceitar que havia sido o pivô para aquela relação, a qual considerava indecente e insana.

A clara rejeição de Mikoto ao relacionamento homossexual fez com que os dois rapazes optassem por não exporem o romance de forma explícita.

Ao estacionarem, o quarteto desceu rapidamente do veículo, admirando o chalé.

— Caramba, Fugaku! — exclamou Minato. — Que lugar incrível é esse chalé. Deveria ter dito antes que sua família era dona de um lugar desses. Tínhamos vindo antes.

— O problema não é esse, e sim ter a autorização dos meus pais para viajar sozinho para cá.

— Nossa, seus velhos parecem ser chatos para caramba, hein.

— São apenas cuidadosos — explicou Fugaku abrindo o porta-malas do carro. — Não liberais como pais americanos que permitem o filho viajar pelo mundo desfilando sem roupa.

— Ei! Quem disse que desfilo sem roupas?

— Chega de conversa, vamos descer as malas.

— Ah, não. Vamos deixar isso para depois. Vem. Venham, meninas. Vamos tirar uma foto primeiro.

O rapaz posicionou a câmera, que havia retirado da sua mochila e a montou em um tripé de frente para o chalé, programou o disparo automático e foi para frente dela.

— Venham rápido.

As duas se posicionaram rapidamente, uma do lado da outra, mas Fugaku não se moveu, o que fez Minato buscar o amigo, puxando-o pela mão.

— Eu detesto fotos, Minato. Por favor, não.

— Não seja tão ranzinza. Viemos aqui justamente para fazermos recordações — ele sorriu, apertando a mão dele entre as suas e posicionando-se ao lado das meninas. Fez um “V” com os dedos e pediu: — Sorriam!

O disparo do flash iluminou os rostos sorridentes do grupo e em seguida Fugaku puxou sua mão de volta, desvencilhando-a do rapaz loiro, para apanhar as malas as quais havia largado no chão.

— Chega de fotos, temos muito o que fazer.

Pode não ter parecido, mas aquele separar brusco de mãos fez Minato sentir uma pontada estranha no peito. Era sempre assim. Mesmo em lugares não-públicos, Fugaku nunca relaxava o suficiente para deixar se embalar por um pouco de romantismo.

— Ele parece um pouco mais mal-humorado que o normal, não é? — a ruiva comentou, parando ao lado do loiro ao perceber que este ficou chateado com a grosseria do namorado.

— Não, minha amiga — Minato negou rapidamente, mudando sua feição de preocupação e abrindo um grande sorriso. Não tinha nenhuma intenção de estragar o clima daquela viagem. — Ele só deve estar cansado por ter dirigido a viagem toda.

A ruiva não deixou de corresponder ao sorriso tão grande do amigo. Mas no fundo, sentia-se entristecida, pois sabia que sorrir era a forma de Minato esconder suas frustrações e não preocupar mais ninguém com aquilo.

— Deve ser isso mesmo. — Ela mostrou a língua entre os dentes, fingindo engolir a justificativa. — Agora seja cavalheiro e venha me ajudar com minhas malas.

Minato revirou os olhos quando viu as malas que a colega apontava: uma grande, duas pequenas e mais um bolsa.

— Você veio de mudança e não me avisou?!

— Bem que eu gostaria de morar nesse lugar tão lindo.

— É verdade.

O rapaz loiro cerrou suas orbes, tão azuis quanto o céu daquele dia claro, e deixou o vento frio do final de outono e início de inverno, roçar sua pele.

Estava verdadeiramente feliz por estar ali com os amigos que tanto amava, mas principalmente, por estar ao lado daquele com quem desejava viver uma vida.

...

Dentro do chalé.

— Você disse que falaria com ele — Mikoto cochichou a cobrança, parando ao lado do rapaz alto e de cabelos negros, que acabava de entrar com suas malas.

— Eu vou contar, me dê mais um tempo — esse pediu, parecendo pouco paciente.

— É difícil, não é, Fugaku? Ele é tão lindo. Modelo de capa de revista. Parece um príncipe; sorridente, simpático, rico, simplesmente perfeito — enumerou as qualidades de Minato, enquanto apertava mais os braços cruzados sobre o busto, em um gesto de evidente ironia. — Será que você vai mesmo conseguir fazer isso?

— Não seja tão irritante — o tom de voz do rapaz mudou e seus punhos se crisparam, mostrando uma clara irritação com a pressão da bela garota ao seu lado. — Eu te dei minha resposta: eu vou fazer. Temos cinco dias para isso. Não fique me atormentando.

— Tudo bem — ela se conformou momentaneamente e, descruzando os braços, encarou o alto da escada. — Só quero que saiba que se não o fizer antes de voltarmos para cidade, eu mesma farei — concluiu, para em seguida subir as escadas que levavam aos quartos.

...

O rapaz de cabelos loiros se movimentava sobre o membro enrijecido do outro de cabelos negros. Mesmo com a temperatura amena, sentia o efeito dos seus impulsos em forma de suor que escorria pelo meio de suas costas. A face contraída abaixo da sua, as mãos firmes que segurava seu quadril, ajudava-o nos movimentos, tornando aquele momento ainda mais excitante.

Seu coração não conseguia negar o quanto amava aquele homem e batia tanto que parecia que deixaria seu peito. Ao sentir o membro do amante atingir a parte mais profunda em seu interior, foi tomado por um arrepio. Deteve a subida e a descida para concentrar-se nas contrações que aconteciam. Guiado pelo desespero do orgasmo, contraiu o membro alojado em seu interior com tanta força que fez aquele que o estava possuindo soltar um gemido alto de dor e cravar as unhas na carne da sua bunda.

Os dois tentaram abafar em vão os gemidos.

Minato sentia o sêmen quente do seu amado escorrendo de dentro dele e ele próprio acabou se derramando no peito de Fugaku, que o estava masturbando antes de se perder no próprio enlevo. Todo aquele êxtase durou alguns segundos e logo o corpo do loiro caiu e se aninhou sobre o peito do moreno.

Minato não entendeu muito bem, mas depois de algum tempo, percebeu que o Uchiha se desvencilhou dos seus braços e saiu do quarto, não voltando mais; pelo menos não, até que estivesse dormindo. Quando acordou pela manhã, todos estavam de pé, preparando o café, para aproveitarem o dia explorando a beleza exótica das redondezas.

Assim, os dias de folga do grupo se passaram. Na última noite, depois que fizeram amor, Minato decidiu que não iria dormir enquanto Fugaku não voltasse para o quarto. Contudo, ele demorou, fazendo o rapaz loiro sair da cama e ir a sua procura. Primeiro, procurou no banheiro do piso superior: estava vazio. Entreabriu uma pequena fenda na porta do quarto feminino e, mesmo com a fraca luz do corredor, pôde constatar que as duas mulheres estavam dormindo profundamente.

Desceu para o piso inferior e a primeira coisa que viu foi um futon desarrumado no chão da sala, notou também, a porta da saída do chalé entreaberta, de onde vinha uma corrente de ar frio e um cheiro peculiar de cigarro.

Caminhou de pés descalços para a área que ladeava o chalé e viu o namorado sentado no cercado. Ele estava de olhos fechados, a cabeça inclinada para trás e os joelhos juntos, enquanto o cigarro, preso entre seus dedos, queimava exalando fumaça.

A cena parecia digna dos cenários que montavam para as fotos das campanhas mais bem elaboradas que participava. Mas não queria desviar seu foco para a beleza do Uchiha, o que desejava era entender o motivo do isolamento dele. Aproximou-se e sua presença foi notada, pois o homem saiu da pose de meditação, reabriu os olhos e repôs o cigarro na boca.

— Achei que tivesse parado — Minato comentou, referindo-se ao cigarro, enquanto se encostava na cerca.

— Parei — confirmou ele, dando uma última tragada para em seguida, apagar a bituca e a lançar no pequeno recipiente metálico no chão ao seu lado. — Mas quando estou ansioso não consigo controlar.

— Ansioso?

— É.

— Pelo quê?

Fugaku ficou sério por alguns segundos, o que incomodou ainda mais Minato.

— É algo que eu fiz? Afinal de contas, você veio dormir na sala.

— Estou dormindo na sala desde que chegamos.

A informação fez Minato sentir uma pontada dolorida no peito. Estava desconfiado, mas ter a certeza daquilo foi incômodo.

— Então, é algo, realmente, comigo?

— Com a gente — o Uchiha o corrigiu, descendo do cercado para ficar diante do rapaz loiro. “Esse é o momento”, pensou ele, tentando não vacilar. — Eu vou terminar a faculdade no fim deste ano, Minato. Eu estou estagiando na empresa da família e meu pai quer que eu seja admitido como diretor assim que eu pegar o diploma. Conforme eu o havia informado por cartas. Então, será complicado... manter esse relacionamento. Nós dois estamos em lados extremos do globo, temos carreiras e propósitos totalmente opostos. Esse é o nosso fim de linha. É o momento de terminarmos.

Minato abriu a boca, mas logo voltou a fechá-la, forçando-se para engolir toda aquela informação. Respirou fundo, tentando conter todo o turbilhão de sensações agonizantes que o invadiu em uma única tacada. Sentiu as narinas e a margem dos olhos arderem, os lábios tremerem…

Fungou algumas vezes tentando evitar o choro, antes de ter certeza daquilo que estava acontecendo.

— Estamos vivendo esse relacionamento há quatro anos. Eu não consigo entender... O que vai mudar exatamente você terminar a faculdade e assumir esse cargo de diretor?

— O que vai mudar é que terei mais responsabilidades perante a minha família.

— Ah, entendo... Um homem de negócios, adulto, não pode anunciar para família e os colegas empresários que mantém um relacionamento a distância com outro cara, é isso?

— Minato... — Foi a vez de Fugaku engolir em seco, respirar fundo, encontrar um ponto de equilíbrio, que não fosse o belo rosto diante dele. Não tinha como dar outra resposta ou todos seus argumentos cairiam por terra, afirmou por fim. — É isso.

A dor que Minato sentiu em seu peito ao pensar que não passou de uma mera distração para o amigo era quase insuportável. Não passou de sexo fácil. Para mantê-lo livre de relacionamentos sérios enquanto estudasse, evitando assim, deslocar sua atenção dos estudos.

O maxilar de Minato passou a tremer incontrolavelmente. Não conseguiu conter os flashes das lembranças de tudo que viveram. Simplesmente não conseguia aceitar.

— Se tudo isso estava decidido na sua cabeça, porque me trouxe para cá? Por que não terminou comigo assim que cheguei? — Minato perguntou com uma voz rouca, que começava a ser embalada por alguns soluços. — Por que continuou transando comigo?

O término da última pergunta fez as lágrimas correrem pelo rosto bonito do rapaz na frente de Fugaku. Por mais que tentasse evitar, Minato o enlouquecia, mexia com sua sanidade e o tirava da realidade de pessoa comum: construir uma família e uma carreira. Mesmo naquele momento, o modelo continuava sendo uma visão perturbadora para o oriental e teve que buscar forças internas para não hesitar na resposta, para não puxar ele para junto do seu peito e apertá-lo afirmando que não desejava deixá-lo jamais.

Mas havia feito uma enorme besteira e agora precisava assumir as consequências.

Respirou, sorriu discretamente, algo que quase não fazia, e tentou dar a resposta mais cretina que conseguiu.

— Concordemos, Minato. Você é quente na cama. Fazer sexo com você é algo... fora do real. Não podia perder a oportunidade de ter seus quadris balançando sobre mim uma última vez. Porém, nunca passou pela minha cabeça assumir um relacionamento gay diante da minha família. Isso é tão ridículo que não consigo entender como você não percebeu isso antes. Um homem precisa ter uma mulher, ter filhos, constituir família. A vida não é só sexo e diversão. Você também deveria parar de pensar só nisso e começar amadurecer, procurar uma garota legal. A Kushina, por exemplo, é linda, inteligente e há muito está apaixonada. Só você não foi capaz de perceber isso ainda. Por que não dá uma chance a ela?

Quando concluiu aquela resposta, da qual ele próprio sentiu enjoo de tão nojenta havia sido, procurou segurar-se naquela pose de deboche por um tempo, para que surtisse o efeito desejado. Apenas desfez sua postura quando Minato virou as costas, passou pela saída da varanda e saiu, aparentemente sem rumo.

Como queria gritar, pedir para que ele voltasse, afirmar que o amava, mas sabia que aquela era sua única opção. Não tinha como escolher viver aquele amor e abandonar sua família, sua carreira, Mikoto e o filho que ela esperava.

— Espero que um dia me perdoe, meu amor — o homem desejou, encostando-se na parede e cobrindo o rosto com as mãos, e ali, deixou-se ser consumido pela dor e o choro.

...

Minato correu desesperadamente, enquanto as lágrimas queimavam seu rosto. O peito doía tanto, tanto, que achou que iria morrer. Os galhos secos das árvores o arranhavam conforme ia avançando mata a dentro, o vento frio da madrugada machucando o rosto, as pedras e galhos secos no chão feriam a planta nua dos seus pés. Porém, nada, nada daquilo era mais dolorido que a agonia em seu peito. Entregou-se aquele amor de corpo e alma. Não conseguia perdoar por ter sido tão ingênuo.

A corrida foi findada por um tropeço, seu corpo caiu rastelando o mato, as folhas secas e a terra úmida a qual apertou entre seus dedos. Encolheu-se em uma posição fetal, apertou o estômago e gritou, gritou como jamais havia gritado.

...

O último dia daquelas férias amanheceu nublado e chuvoso. Fugaku terminou de fazer as malas e tentava tirar um cochilo dentro do carro. Não conseguiu pregar os olhos depois da conversa com Minato, menos ainda quando começou a chover e foi procurá-lo, o encontrou deitado em meio às folhagens do bosque. Sujo, arranhado. Insistiu em ajudá-lo a se levantar, mas Minato não permitiu, ergueu-se sozinho, cambaleante e sem dizer uma palavra voltou para o chalé.

Minato saiu da cama quando o dia clareou, não tinha conseguido dormir e precisava fazer as malas. Guardou seus pertences de formas desalinhadas, estava sem paciência, a única coisa que queria era sair daquele lugar imediatamente.

Foi quando arrastava sua mala para fora do quarto que ouviu Kushina e Mikoto conversando.

— Tem certeza que você está melhor, Mikoto? — a ruiva amparava a morena pelos ombros.

— Sim, foi só um enjoo leve. O médico disse que é normal no começo da gravidez.

— E suas malas?

— O Uchiha desceu com as dele. Eu vou esperar lá embaixo — a morena avisou a ruiva, desencostando-se do corpo dela e saiu para o corredor, deparando-se com Minato, que tinha uma expressão destruída.

Ela desvencilhou do olhar assustado dele e saiu após cumprimentar com um “bom dia” quase inaudível, para o qual não obteve resposta.

Minato deixou a mala onde estava e entrou no quarto que Mikoto dividiu com Kushina. A ruiva estava sentada na beira na cama, com uma das mãos na boca e um ar de incredibilidade.

— Ela está grávida? — a pergunta repentina do amigo, fez a ruiva sobressaltar e levantar da cama.

— Minato? O que houve com seu rosto? Está todo arranhado.

— Responde minha pergunta, Kushi.

— Mikoto acabou de me contar.

— Eles: Mikoto e Fugaku, estão juntos, não estão? É dele que ela está grávida?

O silêncio da amiga e o semblante abalado desta, deram a Minato a certeza que precisava saber e sem esperar ouvir as respostas, fez novas perguntas.

— Quando começou? Como aconteceu?

— Ela... não me disse — Kushina respondeu vacilante. — Ah, que droga! Estou tão arrasada quanto você. Estou me sentindo tão culpada. Eu o trouxe para cá. Eu o encorajei a viver esse amor.

— Kushi?

— Oi?

— Lá fora... Se eu vacilar, se eu tremer, fraquejar, se eu cair diante dele, dessa dor... Você segura a minha mão?

Os olhos azuis escuros da ruiva dobraram de tamanho e, mesmo com os seus próprios ardendo em ânsia de chorar, ela aproximou-se dele, apanhou uma das mãos que apertava o edredom na sua e sorriu, como na maioria das vezes ele mesmo fazia, e garantiu:

— Ficarei ao seu lado, de mãos dadas ou não, o tempo que você precisar.

...

Naquele dia eu voltei no banco de trás com a Kushina, dando a desculpa que não estava me sentindo fisicamente bem. Fugaku nos deixou na frente da casa dos avós de Kushina e não nos vimos por um bom período.

De volta à América, continuamos recebendo notícias do agora casal. Fugaku e Mikoto casaram-se no início do ano seguinte, ele foi nomeado presidente da empresa do pai e ela deu à luz ao primeiro filho deles, um menino de nome Itachi.

Enquanto eu e sua mãe continuávamos amigos, mergulhamos de cabeça em nossas carreiras como modelo. Recebemos os convites para tudo de nossos amigos, desde o noivado, ao casamento, batizado do primogênito. Contudo, eu simplesmente não conseguia encará-los.

Eu, realmente, cheguei a desejar que os dois sentissem a mesma dor que eu sentia e só assim consegui combater a depressão e sentir um pouco de paz.

Uns dois anos se passaram, quando eu finalmente percebi que eu precisava esquecer Fugaku e dar uma chance novamente para o amor. Foi nesse instante que olhei para o lado e, finalmente, consegui enxergá-la: a mulher que sempre me apoiou, sempre me amou e jamais desejou ter nada em troca, a não ser, permanecer do meu lado, segurando ou não a minha mão.

Voltei a me sentir vivo novamente, passamos a sair juntos, a nos distrair, não demorou muito e me percebi apaixonado novamente. Fiz o pedido de casamento e Kushina aceitou. Nos casamos em uma das nossas campanhas em Paris.

Pouco tempo depois que nos casamos, Kushina anunciou que era hora dela abandonar o trabalho para dedicar-se apenas aos dois seres mais importantes da vida dela. Quando perguntei quem era o segundo. Ela pôs as mãos sobre a barriga e sorrindo anunciou: “o nosso filho que está crescendo em mim”.

Eu entrei em êxtase.

Nunca imaginei que o anúncio da chegada de um filho poderia causar tanta felicidade. Mas Kushina não apenas anunciou o fim da carreira para cuidar do filho, como ela declarou seu desejo de criá-lo longe dos holofotes em que vivíamos e anunciou seu desejo de morar no Japão.

Mesmo ela achando que eu não aceitaria, devido a minha desilusão amorosa, eu concordei com a mudança. Afirmando ter vencido totalmente aquela dor.

Viemos para o Japão, desta vez, definitivamente. Naquele mesmo ano, no final do outono em que você nasceu, exatamente sete anos depois daquele último no chalé, aconteceu algo inesperado: recebemos a visita deles, a família Uchiha.

Havia sido por insistência de Mikoto, que desejava conhecer o filho da amiga e também, apresentar à ela o filho mais velho de seis anos e o caçula, que havia chegado recentemente, dois meses antes do nosso.

Era a primeira vez, em exatos sete anos, que eu estava revendo Fugaku. A minha primeira reação foi de choque. Impressionei-me de forma não discreta ao perceber o quanto ele havia envelhecido. Ao contrário de mim, que ele mesmo elogiou dizendo que eu ainda tinha o belo rosto do qual se recordava bem, e ainda havia ganhado um ar mais adulto, mais elegante.

Ignorei totalmente os elogios e, agindo impassivelmente, tentei levar a conversa só na perspectiva de dois pais de família e não dos jovens apaixonados que um dia fomos. Precisava de toda forma acreditar que aquele passado tinha mesmo sido enterrado dentro de mim. E fiquei feliz ao perceber que ao longo da nossa conversa, realmente, não sentia mais nada por ele.

Enquanto as mulheres conversavam e falavam dos filhos. Eu o ouvi reclamar de tudo da sua vida. A empresa que estava falindo, a mulher que cobrava o tempo inteiro uma melhoria de vida, e, também, a vinda do segundo filho, em um momento em que estavam financeiramente péssimos.

No fim, aquela noite terminou e nos despedimos. Ao apertarmos as mãos, ele me entregou seu telefone e cochichou que eu ligasse para marcarmos de passar um final de semana no chalé.

Sorri incrédulo, mas assenti.

Naruto percebeu que o pai detivera a narração por um minuto, como se tivesse se engasgado com a comoção, mas depois dele respirar profundamente, conseguiu concluir.

— "Vamos resgatar nossa amizade do passado”, foi minha resposta irônica, mas, que por algum motivo, Fugaku pareceu ter levado a sério.

Mas assim que eles foram embora, eu rasguei o número e joguei na lixeira. Era a última vez que eu o estava vendo vivo.

Naruto apertou a foto que havia retirado do álbum e apertava nas mãos, esforçando-se para não demonstrar o tremor que o assolava. Nunca, em sua existência, quando a mãe disse que o pai teve “uma paixão gay” na juventude, achou que ouviria uma história daquela intensidade. Seu coração batia forte, o rosto do pai estava transtornado.

— Alguns anos depois... — o pai continuou. — Eu vi a notícia da morte deles ser televisionada nos jornais. O casal havia deixado os filhos sob os cuidados de um parente e viajaram para passar um fim de semana no chalé da família. Um animal atravessou a estrada e fez com que o motorista fizesse uma manobra mortal, jogando o carro na contramão e o veículo colidiu de frente com um caminhão. Eles morreram na hora.

O homem encarou o filho.

— Eu sofri mais uma vez. Por acreditar que havia sido o meu desejo de que eles sofressem que os levou à morte.

— Mas não foi culpa do senhor.

— Talvez não tenha sido, não diretamente.

Naruto respirou fundo.

— Por que o senhor decidiu me contar essa história?

— Eu não sou ingênuo, meu filho. Há muito eu percebi os olhares de cobiça de Sasuke em você. Há muito venho alertando sua mãe sobre ele. Eu jamais vou desejar que passe pelo que passei.

Naruto ficou em silêncio por um tempo, analisar aquela quantidade de informações de uma única vez fez sua cabeça doer.

— Eu acredito que o amor que o senhor Uchiha e o senhor viveu foi verdadeiro. Assim como eu acredito que… os sentimentos de Sasuke por mim são verdadeiros.

— Eu sabia. Vocês estão juntos, não estão? Ele se declarou naquela noite em que voltou para casa todo atordoado, não foi?

— Pai, uma pergunta de cada vez, por favor. E não, não estamos juntos. E sim, ele realmente se declarou. Mas antes disso ele fez uma tremenda de uma merda na qual eu ainda não consegui perdoá-lo.

Minato arregalou os olhos.

— Que merda ele fez?

— Agora não vem ao caso.

— Naruto, o que o Sasuke fez?

— Pai, eu estou cansado...

— Eu acabei de me abrir com você. Contar um lado obscuro da minha juventude, que qualquer pai levaria para o caixão. Eu fiz porque quero que confie em mim.

— Eu confio em você, pai. Mas o senhor não pode me prender em uma bolha para evitar que eu sofra. A história que me contou é do senhor e do pai do meu melhor amigo. Sasuke e eu não viemos ao mundo para dar continuidade ou reviver a história de vocês. Às vezes precisamos seguir por determinados caminhos para chegar a algum lugar, mesmo que no caminho existam provações. O senhor talvez não tivesse se apaixonado por minha mãe, talvez eu nem tivesse aqui, se não tivesse vivido a desilusão que viveu.

Minato sentiu-se desarmado.

— Quer dizer que Sasuke e você pretendem...

— Sasuke e eu não temos nada. Nem sei se ainda somos amigos. Ele apenas despejou tudo o que sentia em cima de mim, depois de me agarrar. Ele estava completamente chapado! Desde então estou passando por uma barra e tentando entender o que aconteceu naquela noite. Eu duvidei dele e desse sentimento que ele dizia sentir, achei que ele tinha feito aquilo para tentar me humilhar diante da garota que eu estava interessado. Mas, não. Ele realmente é louco por mim e está fazendo uma merda atrás da outra por causa desse sentimento. O Sasuke está perdido, pai. E a única coisa que quero fazer nesse instante é resgatá-lo antes que ele tenha o mesmo fim que o pai dele.

Minato levantou do sofá e começou a andar na sala com uma das mãos no queixo e a outra na cintura.

— Você acabou de me dizer que ele...

— Quero resgatar o Sasuke.

— Ele o agarrou como? Ele te forçou? E você ainda pretende perdoá-lo? Esse delinquente deveria estar na cadeia!

— Não tem conversa com o senhor, eu vou deitar.

— Espere, Naruto. Tudo bem. Eu entendi. Você é um homem adulto, maduro e dono das suas decisões. Vamos discutir essa questão em outra ocasião. Faça o que quiser fazer. Eu vou apoiá-lo. Mas quero apenas que me deixe a par de tudo que estiver acontecendo.

— Obrigado. Posso ir?

— Claro, meu filho. Você tem aula amanhã.

Naruto seguiu em direção das escadas, mas antes de deixar o recinto, disse.

— Obrigado por essa conversa e principalmente por confiar a mim seu passado.

O homem se esforçou e deu um sorriso.

— Boa noite, meu filho.

— Boa noite, pai. E boa noite, mamãe. Não fique assim, por favor. Eu estou bem. Juro. — Naruto depositou um beijo na bochecha da mãe, que estava escondida no corredor e tinha o rosto molhado por lágrimas.

— Boa noite, meu amor — ela acariciou a face dele. — Eu te amo.

O rapaz loiro assentiu para ela e em seguida subiu as escadas que levavam para o seu quarto. Kushina entrou na sala, aproximou-se do homem sentado na poltrona e o abraçou por trás.

— Ai, meu bem.

— Eu quero matar aquele, filho da puta, Kushi.

— A decisão não cabe mais a você, querido. Nosso filho é um homem e incrivelmente maduro. Deixe que ele tome suas próprias decisões e como você mesmo disse: vamos apenas apoiá-lo.

O marido abraçou os braços da esposa em torno do seu pescoço e mesmo inconformado, concordou.

Continua...

Notas finais
Meu capítulo favorito ❤️