Promiscuous
6 Capítulo 5 - Disturbia
Notas iniciais
Promiscuous
Capítulo 5 – Disturbia
Revisado por Blanxe
“O que há de errado comigo?
Por que me sinto assim?
Estou enlouquecendo agora”.
O coração de Sasuke batia tanto, que não o permitia raciocinar direito. A única coisa que conseguia era olhar e, o que via, não era nada agradável: a boca do seu irmão quase engolindo a de Naruto. As mãos dele, que mais pareciam tentáculos, exploravam o corpo nu que era para ser seu.
“Como Itachi ousa a pôr suas mãos imundas no que é meu?”, inquiriu-se em pensamentos; sentindo seus dedos e lábios tremerem, na mesma proporção que as margens dos seus olhos ardiam. Fincou as unhas no carpete e começou a afiná-las como se fosse um felino insano preparando-se para atacar. Tentava, em vão, conter a onda elétrica que aflorava seus nervos.
Itachi prendeu o lábio inferior entre os dentes ao explorar com desejo a entrada de Naruto, e pensou que ele não havia mentido ao alegar inexperiência, o que acabou acendendo ainda mais seu desejo. Há muito não desvirginava ninguém.
Sendo um professor considerado bonito e assumidamente gay, sempre foi procurado por rapazes acadêmicos que alegavam inexperiência, para que ele os ensinasse. Foi assim que acabou sendo encontrado por Sai. No entanto, no momento do sexo, percebia que havia caído em uma cilada.
Sai, como outros, não era nada inexperiente. Não que isso fosse um problema de verdade. Mas sentia que agora estava tendo seu prêmio, e arfou extasiado ao imaginar seu membro forçando para entrar naquele orifício ainda inexplorado.
“Eu vou ter que me esforçar para não gozar antes de satisfazê-lo”, deduziu.
Sasuke trincou os dentes ao ver que Itachi parecia sério. Buscou respirar pelo nariz, mas quando viu o irmão arquear o corpo, desatar o cinto da calça e expor o pênis ereto para Naruto, seu exercício de autocontrole se esvaiu. Foi o estopim para desencadear sua ira.
Itachi estava se preparando para colocar o preservativo quando sentiu seu longo cabelo, preso em um rabo de cavalo, ser agarrado e, com uma força quase sobrenatural, foi puxado para fora da cama. Mal teve tempo de se equilibrar no chão e levou um soco na face direita, que o fez desequilibrar e bater contra a parede. Antes que se recuperasse desse primeiro golpe, levou o segundo e o terceiro.
— Eu vou te matar, Itachi! — urrou Sasuke enfurecido.
Naruto saiu da cama e tentou intervir segurando Sasuke, impedindo-o de continuar a besteira que estava fazendo.
— Pare, Sasuke. O que pensa que está fazendo? Ele é seu irmão!
— Foda-se! — esbravejou, soltando-se dos braços de Naruto e desferindo o quarto soco contra a face do irmão.
Um filete de sangue escorreu pelo canto da boca de Itachi, que abriu um sorriso manchado de rubro para o caçula atormentado à sua frente. Achou graça em ver Sasuke todo envolto em fúria por causa de alguém; parecia completamente perturbado.
— Tá achando graça do quê? — perguntou raivoso. — Eu disse pra não tocar no que é meu, não disse? — ele segurou Itachi pelos cabelos mais uma vez e o bateu de novo contra a parede.
— Sasuke, quer parar? — pediu Naruto.
A face preocupada de Naruto que agarrava seu braço e tentava afastá-lo de Itachi, o fez se deter por algum tempo. Sua cabeça ainda não funcionava direito, a adrenalina era tanta que se afastou de Itachi, com as mãos trêmulas. Se tivesse uma arma ao seu alcance teria sido capaz de cometer um crime.
— Por favor, sensei, saia! — Naruto pediu, de forma urgente, aproveitando-se da pausa de Sasuke.
Itachi, ao ver-se livre do ataque do irmão e daqueles olhos que pareciam querer extingui-lo da face da Terra, cuspiu sangue no carpete do quarto, e elevou a mão até o queixo, segurando-o e movendo-o de um lado a outro, conferindo se algo estava fora do lugar.
— Filho da puta — xingou baixinho. Não esperava que Sasuke tivesse socos tão potentes. Você vai me pagar caro, otouto — ele ameaçou e apontou para o irmão que agora passava as mãos nos cabelos e caminhava de um lado para o outro. — Só não vou revidar na mesma moeda, porque sou contra a violência. Mas você vai me pagar e será em notas altas.
Após dizer isso, Itachi saiu do quarto.
Naruto apanhou a bermuda e sua boxer do chão. Aquilo era demais para ele.
— Onde você vai? — ouviu Sasuke perguntar
— Para mim chega. Estou indo — respondeu, terminando de vestir as duas peças e abaixando-se para apanhar sua polo.
Mas o Uchiha mais novo não o permitiu continuar se vestindo, apanhando um dos seus punhos fortemente.
— O que é? Vai me socar também? Ou vai me violentar de novo? — Naruto puxou seu punho de volta. — Você é totalmente demente, Sasuke. Deveria procurar ajuda médica.
— Eu fiz muita merda, Naruto — Sasuke falou em um tom ainda revolto, porém, menos exaltado. — Mas fiz por não saber lidar com o que eu estava sentindo por você. Nunca consegui controlar, domar, ou alterar essa merda que sinto. Até que tive a “sensacional” ideia de querer te arrastar para o meu mundo promíscuo. Achei que se você fosse como eu, eu conseguiria tê-lo da forma que bem entendesse. Só que eu percebi, quando vi o Itachi pondo as mãos em você como se fosse aqueles moleques nojentos que ele vive comendo por aí, o quanto me enganei.
— Sai da minha frente.
— Me ouve, primeiro — insistiu, umedecendo os lábios que haviam ressecados pela respiração acelerada. — Eu percebi que não quero você assim, Naruto. Eu amo você. Eu nunca vou conseguir enxergá-lo no meio dessa sujeira que eu vivo. Muito ao contrário do que você pensa, eu não estou a fim de sujá-lo porcaria nenhuma! Eu queria... — respirou fundo e concluiu: — namorar com você. É uma ideia idiota, eu sei. Afinal, dois caras namorando? E tem seu pai. Ele me odeia, me acha uma má influência, certamente ele mandaria me matar.
— Se eu quisesse, não seria o meu pai quem iria me impedir. Só que está aí o grande problema: eu não te quero.
Naruto apanhou a camisa do chão e foi em direção da porta, mas antes de alcançar a maçaneta, Sasuke agiu mais rápido e entrou na frente de Naruto, bloqueando a porta.
O loiro, desta vez, se surpreendeu ao ver Sasuke apertando os lábios, não conseguindo mais deter as lágrimas, que agora corriam pelo o rosto dele.
“Sasuke Uchiha chorando?”.
Naruto vasculhou suas lembranças, procurando encontrar um momento qualquer em seu passado que o fizesse lembrar de algo parecido, mas não conseguiu. Acabou encontrando um momento contrário, afinal, era ele quem vivia chorando escondido. Sofreu muito com bullying por causa da sua etnia. As crianças puramente japonesas não eram boas com as descendentes de estrangeiros, e sempre foi alvo de sarro por causa de sua aparência, principalmente pelos seus cabelos loiros.
Mas, Sasuke, com seu jeito frio e pouco paciente, intervinha a seu favor. Por ele ser o seu oposto, o garoto considerado o padrão ideal para as meninas japonesas, acabou por ser respeitado.
Naruto estava se comovendo, quando seu celular começou a tocar. Não parecia adequado atender naquele momento, mas sentiu um ímpeto de fazê-lo. Assim, retirou o aparelho do bolso e, após franzir o cenho para o número no display, direcionou este ao ouvido e, com certo receio, atendeu.
A voz eufórica que falava do outro lado da linha fez as entranhas de Naruto se embolar. Era uma mistura de angústia e felicidade que nunca sentiu antes. Agora parecia que era ele quem iria chorar. Contudo, depois da voz explicar o que havia acontecido de forma atropelada, ouviu dela uma pergunta que não esperava ouvir naquela hora: “Você consegue vir agora para cá?”.
— Eu vou — foi sua resposta e, na sequência, encerrou a chamada.
Encarou o rosto sério de Sasuke. Ele havia parado de chorar e o olhava preocupado. Era quase como se soubesse do que se tratava.
— É sobre a Sakura?
— Ela acordou do coma.
Sasuke se desarmou completamente. Sabia que não poderia impedi-lo, muito menos competir com Sakura. Estava cansado daquela batalha. Precisava aceitar sua derrota. Suspirou fundo, sentindo a dor da derrota. Então, saiu da frente da porta, abriu e expôs a passagem para Naruto.
— Ela precisa de você. É sua grande chance, não deve desperdiçá-la. Os dois agora têm algo em comum: o ódio por mim. É o pretexto ideal para que se aproximem. Boa sorte.
Naruto preferiu sair sem responder o que considerou irônico. Desceu as escadas da casa dos Uchiha pesadamente, e adentrou na sala a procura do professor, o encontrando deitado no sofá, com uma bolsa de gelo na face.
— Já vai? — o homem perguntou, ao notar sua presença.
— Sinto muito pelo que ele fez com seu rosto.
— Não se preocupe — respondeu sorrindo. — Mas se quiser, podemos marcar para continuarmos sua vingança. Sabe que será um prazer de verdade.
O rapaz sorriu. Itachi e Sasuke apesar de terem traços parecidos e serem bonitos, eram totalmente diferentes. Conversou muito com o professor ao chegar. Acabou se abrindo e falando tudo que estava sentindo com relação à ele, principalmente sobre sua raiva pelo que havia feito e por ter sido o causador indireto do acidente de Sakura. Foi Itachi quem sugeriu uma pequena vingança e o orientou como proceder.
Mas não esperava que Itachi fosse tão longe. Se surpreendeu quando foi beijado e acariciado, tão intimamente, por ele. Ficou ainda mais sem jeito quando ele se expôs daquela forma explícita. Estava quase acreditando que chegariam “aos finalmentes”.
Mas nenhum dos dois esperava a reação violenta de Sasuke. Sentia-se um pouco culpado.
— Vai ficar tudo bem. Vou sobreviver. Mas diga pelo menos que os socos que eu levei valeram de algo, vocês se acertaram?
— Não rolou, sensei. Desculpe.
— Por que, não?
— Quando íamos começar a conversar de forma mais civilizada, eu recebi um telefonema do hospital. Era a Ino. Ela disse que a Sakura acordou e quer me ver. Quando eu falei isso para o Sasuke, ele ficou petrificado por um tempo. Depois disse que eu deveria ir vê-la, que era minha grande chance porque agora nós teríamos algo em comum.
— Raiva dele?
— Isso.
Itachi revirou os olhos.
— Esse é o meu tolo otouto.
— Pois é. Mas eu agradeço por ter tentado nos ajudar a manter nossa amizade. Dentro de mim, eu sei que não vou conseguir. Não agora.
— Ele te ama de verdade. Você sabe, não é?
— Parece que sim, apesar de eu não entender como isso aconteceu.
— Essas coisas só acontecem. Não é algo do qual temos controle.
— É.
— Mas não pense que estou dizendo isso para que aceite ou retribua os sentimentos dele. Ele realmente não merece você.
Naruto sorriu novamente.
— Obrigado, sensei.
— Estou te prendendo aqui, não é? Vai lá, campeão. Você quer ver a Haruno.
— Sim, eu vou. Só uma dúvida: o senhor falou sério quando disse que faria o Sasuke pagar pela surra que te deu?
Itachi sorriu, ao pensar que a preocupação do rapaz loiro com relação ao seu irmão, era um forte indício que aquela história não estava terminando ali como ele pretendia.
— Somos irmãos. E, apesar de termos nossas diferenças e desavenças, nós nos amamos. Eu não vou fazer nada de tão mal.
Naruto agradeceu de novo e se despediu do professor, sentindo-se mais aliviado.
Calçou seus tênis na soleira da porta e saiu da casa. Do lado de fora, enquanto esperava pelo táxi, encarou a janela do quarto de Sasuke. Algo estranho apertou em seu peito. Uma sensação de que ele estava deixando algo muito importante para trás.
Balançou a cabeça negativamente, tentando afastar aqueles pensamentos. Naquele momento precisava apenas focar na Sakura.
...
Itachi bateu na porta do quarto de Sasuke e entrou antes mesmo que ele o autorizasse. Viu o irmão debruçado na cama. Aproximou-se, puxando um dos pufes e sentou-se perto do leito.
— Só vim te dizer que Deus não vai te perdoar por arrancar sangue e deformar a cara do seu onii-san.
— Eu o perdi, Itachi — o irmão mais novo reclamou, com uma voz manhosa e abafada, por estar com o rosto no travesseiro.
Não era o que Itachi acreditava. Porém, contradizê-lo naquele momento daria a Sasuke esperança e motivos para continuar fazendo besteiras.
— Sinto ter que confirmar.
— Quero ficar sozinho.
— Eu vou deixá-lo com suas dores de cotovelo — o mais velho concordou, apoiou as mãos nos joelhos e se levantou. — Mas acho que deveríamos pegar firme nos negócios. O que acha? Tenho uma pequena lista de clientes, com bolsos bem gordos, esperando uma oportunidade com você.
— Você que vai para o inferno por fazer seu irmão mais novo se prostituir.
— Eu acho que iria se eu tivesse aliciado o meu irmão quando ele era menor. Mas não aconteceu. Agora ele é adulto e dono das suas próprias decisões. Estou te fazendo uma proposta de sociedade. Eu arrumo os clientes bons da grana e você faz o trabalho.
Sasuke virou o rosto para o lado contrário ao qual o irmão estava e suspirou fundo, apertando com força o travesseiro.
— Marque quantos clientes quiser. Eu vou fazer. Eu vou arrancar de mim tudo que estou sentindo.
O mais velho sorriu vitorioso e seguiu em direção a porta.
— Melhor escolha até agora — comentou, e deixou o quarto.
...
Fazia algum tempo que Naruto estava sentado na cadeira do lado do leito da amiga. O buquê de flores que trouxe fora cuidadosamente colocado em um vaso de água por Ino; que os deixou sozinhos logo em seguida.
Naruto nunca foi de poucas palavras, mas se existia algo que o fazia ficar sem estas, era o ambiente onde estava. Sakura apesar de ter dito que estava bem, de vez em quando ela fechava os olhos e ficava assim por um tempo. Como se o mero fato de respirar, sem a ajuda dos aparelhos, causasse dores. Ainda tinha alguns conectores que mediam seus batimentos, sua pressão. Além do soro na mão direita.
Algo também era certo: Naruto estava muito constrangido, por ter se recordado, que os dois ainda não tinham se falado após o acontecido daquela noite.
— Você está tão quietinho — ela sussurrou, movendo os dedos que descansavam do lado onde Naruto estava, como se fizesse um convite para ele segurar sua mão.
E foi o que Naruto fez. Segurou a mão dela delicadamente entre as suas e sorriu, procurando entrar em algum assunto para quebrar aquele estranho gelo.
— Quanto tempo terá que ficar aqui?
— O médico disse que, no mínimo, mais cinco dias.
— Hm.
— Mas depende de alguns exames também.
— Hm.
Naruto resmungou, não sabendo mais o que responder ou falar. Sentia-se estranho, acuado. Afinal, há algumas semanas atrás, daria o mundo para ficar sozinho ao lado da amiga, ou ainda, ser chamado para uma conversa a sós com ela. Porém, estavam ali, e não estava sentindo nada daquilo que esperava.
— Oi? Você está aqui ainda?
Naruto arregalou os olhos ao ouvir aquele comentário dito em um sussurro debochado. Sentiu os dedos dela brincando com os seus e só então conseguiu, pela primeira vez na noite, admirar aquela face tão serena, dócil e bela diante de si. Sakura, mesmo com aquelas cicatrizes e manchas roxas no rosto, ainda era a garota mais linda que conhecia. Não compreendia como seu coração podia ousar pôr em dúvida o sentimento que sempre teve por ela.
— Sakura...
— Naruto...
Os dois pronunciaram-se quase ao mesmo tempo, então, Naruto fez um sinal com a mão, dando permissão para que ela falasse primeiro.
— É sobre o dia do acidente.
— Se você não quiser falar sobre isso agora, Sakura-chan. Eu vou entender.
— Não, Naruto. Eu quero. Eu preciso te contar o que aconteceu aquele dia.
Sakura sentiu dor ao lembrar de tudo. Apesar dos médicos terem dito que sua memória seria afetada, estava completamente lúcida e recordava-se com clareza de cada palavra horrível que saiu da boca de Sasuke.
— No domingo que aconteceu o acidente, eu fui atrás do Sasuke naquele bar, onde ele gosta de jogar bilhar com a Karin, a dona. Fui atrás de uma satisfação pelo que ele tinha feito com você. Quero deixar claro que não concordei com a forma que ele agiu.
Naruto manteve os olhos fixos nos dedos entrelaçados dos dois.
— Eu nunca pensei em ouvir de Sasuke as coisas horríveis que ele me disse, Naruto. Ele não parecia arrependido de nada do que tinha feito e ainda deixou a entender que me usou para chegar em você. No final da conversa ainda desejou que eu morresse.
Naruto não sabia o que responder e ficou sério. Depois agradeceu mentalmente quando um enfermeiro bateu na porta e entrou pedindo licença. O rapaz se aproximou com uma prancheta, o cumprimentou com um apertar no ombro, em seguida voltou-se sorrindo para a paciente, fazendo perguntas de rotina, checando as medicações, após uns cinco minutos, ele saiu dizendo algo que ouviu, mas Naruto não assimilou.
— Diga alguma coisa, Naruto. Como vocês estão?
— Eu não quero preocupá-la desnecessariamente, Sakura-chan. Eu acho que você precisa descansar, se recuperar. Não precisamos falar do Sasuke agora.
— Mas eu preciso, eu sinto... eu sinto tanta raiva quando lembro de tudo...
Ela começou a chorar e para Naruto aquilo pareceu o fim.
— Era isso que eu não queria. Você está fraca. Precisa se recuperar primeiro.
— Mas eu preciso saber, Naruto. Eu fiquei dias desacordada. Ele foi atrás de você naquela noite? O que ele disse?
— Ele tentou justificar o que aconteceu.
— Como?
— Dizendo que me amava.
— O amava?
— É.
— Você acredita nesse amor que ele diz sentir por você?
— Eu não sei ainda. É muita coisa para que eu consiga assimilar assim.
— Naruto...
Naruto soltou da mão dela e se levantou.
— Está tarde e você precisa descansar. Eu estou bem. Agora é você quem deve ficar. Quanto ao Sasuke... vamos pensar sobre ele quando sair daqui.
— Na verdade, Naruto. Eu só queria esquecer que ele um dia existiu na minha vida.
— Então faça isso, Sakura-chan. Eu vou para casa.
— Naruto?
— Sim?
— Chega desse “Sakura-chan”. Somos adultos. E nós transamos. Gostaria que você me chamasse só pelo meu primeiro nome.
Aquela informação foi repentina demais para Naruto. Não era bem que não se recordava daquele acontecido. Mas não esperava reavivá-lo daquela forma. Sentiu seu rosto esquentar e tinha certeza que havia ficado vermelho. Além disso, não era tradicional do japonês chamar outras pessoas pelo primeiro nome. Aquilo só ocorria quando eram muito íntimos.
— Eu não sei se eu consigo.
— Tente, por mim, por favor.
O sorriso doce que ela deu o convenceu.
— Eu vou tentar. Boa noite, Sakura.
Ela sorriu em agradecimento.
— Boa noite, Naruto.
Ao sair do quarto, Naruto foi fuzilado pelo olhar revolto de Ino.
— O que foi?
— Espera eu me despedir dela e pegar minha bolsa. Eu vou com você — ela anunciou, abrindo a porta do quarto.
— Vou esperar lá fora — informou e seguiu no longo corredor.
Do lado de fora, Naruto inspirou o ar da noite, tentando afugentar o cheiro forte do lugar, que parecia estar impregnado em sua roupa, na sua pele. O pai havia ligado dizendo que mandaria o motorista. Ele certamente estava esperando no estacionamento.
Novamente, sentiu aquela dor de cabeça incômoda por estar perdido. Achou que quando visse Sakura saberia o que estava sentindo. Mas, novamente, não aconteceu o esperado.
— Naruto? — Ino passou pela porta automática e, afoita, foi de encontro ao loiro.
— O motorista do meu pai deve estar no estacionamento, vamos?
— Eu a amo — a garota declarou, de súbito.
— Quê?
Naruto exclamou, deixando um vinco se formar em sua testa.
— Eu amo a Sakura — ela reafirmou e disparou a falar. — E sei que você também a ama. Os dois são bons amigos. Só que eu não vou perder ela para você. Pelo menos, não sem antes lutar. Eu sei que o Sasuke agora é carta fora do baralho. Sakura não quer ver ele nem pintado. Mas você tem mais chances que qualquer um por causa do que você sente e por essa coisa de amizade de infância. Mas eu, mesmo chegando depois, também sou amiga dela desde criança, e eu também sempre a amei. Apesar de ter feito de tudo para camuflar esse amor esquisito. Enfim. É o coração quem faz as escolhas. Ele manda a gente acata. Ou não. Quebramos a cara.
Naruto tentava acompanhar Ino, mas ela falava de forma tão atropelada, que não conseguiu compreender metade do que disse.
— Ino, vai devagar, droga!
Ela parou, respirou fundo e encarou Naruto, enquanto agarrava com mais força a bolsa junto do peito, como se esse gesto pudesse transmitir algum equilíbrio.
— Eu estou decidida a tentar conquistá-la, Naruto.
— Você... ao menos disse isso para ela?
— Claro que não — a loira esbravejou. — Não é uma boa hora. Ela está se recuperando. Mas eu achei que você deveria saber que eu estou na disputa.
Naruto, de repente, sentiu vontade de rir. Uma coisa era ouvir de um garoto que seriam rivais no amor, outra bem diferente, era ouvir isso de uma garota. Acabou não aguentando a vontade e riu.
— Pronto — ela exclamou, batendo os braços ao longo do corpo. — Está rindo da minha cara? Você acha que não estou falando sério?
— Não é isso, Ino. Espera. É outra coisa, que nem vem ao caso. Mas, eu nunca vou impedi-la de seguir em busca do que quer. Acho legal assumir isso... que...
— Ama alguém do mesmo sexo?
— Também. Além do que, você está querendo jogar limpo. Diferente de outros que conhecemos.
— Naruto, não é que eu esteja querendo me livrar de um rival; não. Longe de mim. Apesar de que, se acontecesse, viria bem calhar. Mas o caso é o seguinte, quando o Sasuke estava te fodendo...
Naruto tampou a boca de Ino.
— Eu me arrependi de deixar você falar. Não se deve dizer certas coisas em lugares públicos, ainda mais na frente de um hospital — falou ele, com o rosto em brasa.
A menina resmungou, com a mão dele abafando sua voz, então, ele se afastou.
— Vamos andar, mas nada de falar besteira, Ino. Estou te avisando. Principalmente quando entrarmos no carro.
— Certo, certo. Não está mais aqui quem falou — ela começou a andar atrás dele. — Mas, desde quando você ficou tão sensível a certas expressões, Naruto? Acho que essa coisa de ser gay está mexendo com você, né?
— Ino... Eu? Gay? — Naruto se virou e disse tão alto, que um trio de duas enfermeiras e um enfermeiro que passavam por perto, caiu na risada.
Ino também riu, achando graça do tom vermelho que ganhava todo o rosto dele, incluindo as orelhas e parte do pescoço.
— Viu o que me fez fazer? — ele resmungou, entre os dentes cerrados.
— Veja o lado bom: aquele enfermeiro ficou te olhando. Ele te pagaria, certeza.
— Inoo! Dá para calar a boca?
— Naruto, relaxa. Eu também descobri que sou gay e não estou tendo tique nervoso por aí.
— Mas eu não descobri nada.
— Você não me engana.
— Inoo!
Os dois seguiram discutindo. Apesar de constrangido, Naruto sentiu que aquela conversa mais descontraída com Ino, de alguma forma, havia melhorado seu humor.
Continua...
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