Notas iniciais
Boa leitura (=

POV. LISA



Acordei com um barulho irritante, meu despertador, claro. Levantei da cama com um pouco de dificuldades e caminhei até o banheiro. Encarei-me no espelho por alguns minutos, reparando as olheiras formadas, devido à noite mal dormida.


Liguei o chuveiro e esperei até que a água esquentasse para eu entrar. Deixei que a água entrasse em contato com a minha pele, trazendo uma sensação de alívio. Quando terminei, fui até o closet e escolhi uma roupa para a faculdade.

Coloquei uma calça jeans capri, em um modelo preto e colado. Uma blusa branca, com alguns detalhes de renda e um colete de couro, cavado e preto. Calcei meu all star – também preto – de cano médio, dei uma leve bagunçada nos cabelos os deixando solto e desci para a cozinha.

Chequei o relógio, confirmando que tinha só mais vinte minutos para chegar á faculdade. Desisti de fazer um café da manhã elaborado, peguei uma maçã na fruteira que continha em cima da mesa e avistei minhas correspondências, que já estavam ali á um tempo.

As peguei, e antes que eu abrisse, observei que não tinha meu nome e nem meu endereço, mas sim de algum vizinho meu. Suspirei pegando minha bolsa e as correspondências. Saí do apartamento, o trancando logo em seguida. Peguei o elevador até na portaria, avistando Billy, lendo seu jornal como sempre.

– Oi Billy. – o cumprimentei. Fazendo ele, dobrar o jornal e se ajeitar na poltrona.

– Bom dia Lisa, em que posso ser útil?

– Me entregaram essas correspondências errado. Será que você poderia entregar para a pessoa certa? Estou meio atrasada. – estiquei a mão com as cartas pra ele.

– Claro. – ele as pegou.

– Obrigada. Ate mais tarde Billy. – sorri me virando para a saída.

– Até mais tarde. – o ouvi responder ao fundo.

A faculdade ficava apenas á três quarteirões do prédio. Então optei em ir a pé. Apressei um pouco os passos e em exatamente quinze minutos eu me encontrava na entrada da mesma.

– AI MEU DEUS, LISA! – ouvi Anne me gritar e em poucos segundos ela estava na minha frente pulando que nem uma louca. – Você não vai acreditar quem me convidou pra uma festa hoje à noite, nada mais e nada menos que Collin Finingan.

Anne Catter é minha melhor amiga desde que eu me entendo por gente. E desde então ela é doida pelo Collin, um dos meninos mais legais e populares da escola.

– E não é só isso, parece que o Matt vai te convidar também. – continuou – ISSO NÃO É O MÁXIMO?

– Matt Castillian? O namorado da Cece? – perguntei.

– Isso é passado Lisa, agora você é o futuro. Ou melhor, você já está sendo o presente. – disse me fazendo rir.

– Não vamos comemorar antes da hora, ele ainda nem me convidou.

– Ainda.

– Vamos logo, você sabe como os professores daqui são. – disse enquanto a puxava pra dentro da nossa sala.

As horas seguintes se resumiram em explicação e muito tédio. O intervalo para o almoço chegou, Anne e eu nos servimos e sentamos na nossa mesa de costume.

– Ei Lisa, vem aqui um momentinho? – olhei para o lado e vi Matt me chamando com o dedo. Virei à cabeça automaticamente para Anne, que praticamente quicava na cadeira.

– Vai lá, rápido. – sussurrou. Fiz sinal positivo com a cabeça e levantei, indo em direção até ele e os outros garotos.

– É... oi. — falei, tirando as mãos dos bolsos de trás da calça, as levantando como, em um aceno.

– Então, vai rolar uma festa hoje á noite. Quer ir comigo? – perguntou tranquilamente.

– Ah... claro? – respondi, soando mais como outra pergunta.

– Tá bom, te pego ás oito. – sorriu.

– Tudo bem, então... tchau. – acenei mais uma vez, sem jeito. Coloquei as mãos nos bolsos e voltei para a mesa.

– E aí, como foi? — perguntou Anne, quase não se aguentando.

– Eu tenho que ficar pronta até ás oito. – respondi, mordendo os lábios. Ela me olhou pasma, ficando paralisada por algum tempo. Piscou algumas vezes, como se voltasse na real e me puxou da mesa, dando a volta no refeitório. – Posso saber onde está me levando?

– Primeiro em uma loja de roupas, depois em uma de sapatos e por fim no salão, da uma geral no visual.

– Anne, agora que é uma hora da tarde. – franzi o cenho.

– E quanto tempo você acha que leva pra ficar lindona, hein? – suspirei, e a deixei acabar de me levar ate seu carro.

[..]

Depois de quase sete horas comprando roupas, sapatos e ficando sentada em frente ao espelho, enquanto um profissional puxava meus cabelos de um lado para o outro. Gostei do resultado.

Meu vestido era de uma malha solta, branco e com um pequeno decote V de preto, com alguns detalhes dourados. A sandália que escolhi, era de salto – apesar de eu não ter muita habilidade em saltos – preta, e aonde eu a fechava tinha duas fivelas douradas. Meus cabelos estavam soltos com alguns cachos nas pontas e minha maquiagem era leve. Coloquei um anel em cada mão, peguei minha bolsa e dei mais uma conferida no espelho. Aprovando mais uma vez o resultado.

O interfone tocou e eu fui informada por Billy, que Matt estava me esperando. Mandei uma mensagem pra Anne, dizendo que já estava indo e segundos depois fui respondida com um: “Daqui a pouco o Collin vai passar aqui, aproveita amiga”. Revirei os olhos, guardando o celular dentro da bolsa e sai do apartamento. Peguei o elevador, mandei um “tchauzinho” com a mão para Billy, sendo retribuída.

Avistei Matt encostado no seu Civic preto. O que não é muita coisa para ele, já que seu pai é dono de uma concessionária de carros cobiçada. Quando me viu, deu seu famoso sorriso de lado me fazendo derreter, passou a mão de leve em seus cabelos pretos, os bagunçando ainda mais e veio de encontro a mim. Recebeu-me com um beijo na bochecha, me fazendo abrir um sorriso tímido.

– Você está linda! – falou pegando a minha mão e me rodando.

– Obrigada. – respondi assim que voltei ao normal.

– Vamos? – apontou a mão para o carro. Assenti com a cabeça, ele abriu a porta e me ajudou a entrar. Fechou a porta, rodeando o carro logo em seguida, se acomodando no banco do motorista.

O caminho até a festa foi silencioso, um silencio confortável. Matt estacionou e mais uma vez rodeou o carro, abrindo a porta para eu descer. Caminhamos até a entrada da festa – que por sinal, ate agora eu não sabia quem era o responsável por ela – a música estava alta o suficiente para se ouvir ao longe, a casa estava lotada de adolescentes que pareciam estar bêbados.

Matt encarou a multidão com o cenho franzindo, não demorou muito para que sua expressão suavizasse e um sorriso malicioso brotasse em seus lábios. Automaticamente eu me relaxei ao seu lado e o segui, entrando no meio das pessoas. Caminhamos direto para um bar improvisado que tinha ali, mas ainda assim, com direto a barman.

– Vão querer o que? – o barman perguntou, quando nos viu.

– Uma vodka. – falou Matt, e se virou pra mim.

– Um Ice está de bom tamanho. – sorri, sendo acompanhada por Matt.

Minutos depois as bebidas foram colocadas na nossa frente. Matt deu um gole grande na sua vodka, balançando a cabeça logo em seguida. Peguei a garrafa de Ice, e dei alguns goles nele. Matt me olhou com cara de deboche, ergui a sobrancelha como se perguntasse o que ele estava querendo dizer.

– Só isso? – disse apontando pra garrafa que eu segurava. Revirei os olhos e levei a garrafa mais uma vez na boca, engolindo quase metade do líquido. – É assim que eu gosto. Barman, ela vai querer uma vodka. — se virou para o cara mais uma vez, o olhei confusa, mas logo entendi o desafio.

– Duas doses, por favor – falei antes que ele fosse trazer meu pedido, o barman sorriu e se virou.

– Duas doses? Essa eu quero ver. – Falou Matt enquanto meu pedido era posto na bancada, sorri maliciosa pra ele e levantei copo na minha mão. – Saúde. – disse, levantando seu copo e batendo no meu.

– Saúde. – repeti. Virou o restante de sua bebida e eu o acompanhei, fazendo minha garganta queimar. Sacudi um pouco a cabeça, fazendo-o rir.

Seguintes depois, de eu ter engolido o líquido por completo, uma corrente elétrica subiu pelo meu sangue, como se fervesse. Sai do bar e fui pra pista, me misturando com os outros adolescentes que não estavam diferentes de mim. Matt deu seu famoso sorriso torto e veio ate mim. Segurou minha cintura e começou a me acompanhar nos movimentos.

Dançávamos elétricos, no ritmo da música. Cada vez ficava mais perto dele, até que ele me puxou pela cintura nos colando por completo. Sentia cada músculo dele, até seu membro que já estava ereto. Ignorei esse fato, não estava me importando. Afinal, eu esperei tanto por isso e agora ele estava tão perto... seu hálito frio batia contra meu rosto.. sem prensar duas vezes, juntei nossos lábios.

Uma onda de prazer subiu pelo meu corpo, nossas bocas se encaixavam perfeitamente e nossas línguas travavam uma batalha deliciosa. Ele explorava cada canto da minha boca, me levando ao delírio e eu fiz o mesmo, sentindo o seu gosto tão bom quanto o hálito. Suas mãos me levaram pra mais perto – se possível – e depois apertaram minha cintura, me fazendo arfar.

O ar faltou e nos separamos. Matt começou a me puxar para um canto afastado, as coisas a minha volta rodavam e as imagens estavam embaralhadas. Senti alguém me puxar do lado oposto que Matt estava me levando.

– Lisa, o que pensa que está fazendo? – falou a pessoa que me puxou, deduzi ser Anne.

– Larga ela Anne. – falou Matt.

– Não largo não, você não tem vergonha? Ela está bêbada. – disse e me puxou mais pra ela.

– Depois eu te ligo gata. – falou e se virou pra ir embora.

– Tá bom. – suspirei.

– Lisa, o que te deu na cabeça? – reprovou-me Anne. – Vamos, vou te levar pra casa.

– Qual é Anne, ainda está cedo e... – minhas pálpebras fizeram menção de fechar, mas recebi um tapa que fez eu abri-las de novo.

– Vamos embora, agora. – repetiu e me puxou até o lado de fora.

Entramos em um carro que deduzi ser um táxi e fechei os olhos. Só os abri com uma sacudida de Anne, avistei o meu prédio. Ela me arrastou até o elevador e com muitas dificuldades chegamos ao meu apartamento.

Depois disso senti apenas algumas sensações. Minhas roupas foram arrancadas com delicadeza e depois senti uma água fria pelo meu corpo, me fazendo senti calafrios. O suposto banho não demorou muito, fui vestida com algo, e logo estava deitada na minha cama, sendo tampada por algumas cobertas. Só o que eu fiz foi cair em um sono profundo, sem me preocupar com mais nada.

[..]

Acordei com um barulho vindo do andar de cima, certamente dessa vez não era meu despertador. Levantei da cama, minha cabeça ainda girava. Olhei no relógio que tinha no criado e era exatamente duas horas da manhã, eu tinha dormido umas quatro horas desde que eu cheguei da festa. Respirei fundo tentando esconder a raiva, impossível.

Desci até a cozinha, bebi um copo d'água, mas a minha raiva ainda estava ali e os gemidos do apartamento de cima também. Destranquei o apartamento e peguei o elevador até o próximo andar. Tinha apenas três apartamentos em cada andar, então não foi difícil deduzir de qual vinha os gemidos, até por que dava pra se escutar ao longe.

Bati a mão na porta do apartamento com força e os gemidos pararam, quase que instantaneamente. Sorri com isso. Ouvi alguns barulhos e uns cochichos, escorei na parede ao lado da porta. Meu estômago estava embrulhando e minha cabeça rodava. O efeito das bebidas ainda não tinha cessado completamente. Escutei o som da fechadura se destrancando e logo em seguida a porta foi aberta.


– Cece? – segurei o riso. – Vai me dizer que você é a vadia da vez?! – falei, notando que minha voz ainda estava alterada.

– O que faz aqui Lisa? – perguntou cruzando os braços abaixo dos seios.

– Esquece, pode continuar com o que estavam fazendo. – coloquei a mão na boca abafando um riso e me virei.

– Volta aqui, você está bêbada? – Cece me chamou, quando fiz menção de ir embora.

– É da sua conta? – perguntei me virando pra ela, ainda um pouco sem equilíbrio.

– Talvez seja apenas pelo fato que você estava com o meu namorado.

– Ex, ex-namorado querida. – a corrigi, fazendo ela bufar.

– O que está acontecendo aqui? – um cara, muito sexy por sinal, perguntou chegando na porta do apartamento. Apenas de cueca. Sorri e caminhei até ele, esticando minha mão.

– Sou Lisa Cooper, prazer. – disse, ele arqueou uma sobrancelha e pegou minha mão.

– Sou Dean. Posso ajudar em alguma coisa?

– Ah, então você é o famoso "Oh Dean". – questionei, franziu o cenho.

– Como? – perguntou confuso.

– Hmm, acho que você não iria entender. – balancei a cabeça. – Mas acho que você pode me ajudar sim.

– Se eu puder o fazer, adoraria te ajudar. – falou, arqueando uma das sobrancelhas.

– Será que da pra comer essa vadia – apontei com a cabeça em direção á ela –, um pouco mais baixo? – disse tranquilamente, fazendo a boca de Cece formar um "O". Pude ver de canto, que Dean segurava um riso. – É que voltei de uma festa, muito boa alias e agora eu estou tentando dormir.

– Ah... claro. Vou tentar "comer" ela, em silêncio. – fez aspas com os dedos e depois apertou os lábios contra outro, tentando não rir.

– Obrigada. – sorri agradecida. Estiquei o braço, para um aperto de mão. Ele a pegou e me puxou, dando um beijo na minha bochecha.

– Eu gostei de você. – sussurrou no meu ouvido.

– E eu gostei da sua cueca. – falei em um tom normal, fazendo Cece ouvir.

– Vai por mim, você vai gostar mais do que tem em baixo dela. – sussurrou mais uma vez, me fazendo arrepiar.

– Com toda certeza. – me separei dele e sorri maliciosa. – Foi um prazer te conhecer Dean, tenham uma boa noite.

– O prazer ainda vai ser nosso. – o ouvi dizer. – Boa noite pra você também. – sorri e me virei para ir embora, de novo. Mas, Cece me puxou pelo braço tão rápido, que meu estômago entrou em protesto.

– Vai pensar que eu vou deixar barato? Você pega meu namorado, atrapalha minha transa e ainda da em cima do meu pretendente, na minha frente? – perguntou indignada, fiquei olhando para a sua cara enquanto tudo em volta ia rodando.

Meu estômago embrulhou de novo e dessa vez eu não o impedi, vomitando tudo o que tinha bebido algumas horas atrás, no pé da vadia. Cece fez uma cara de nojo e segurou a boca, fazendo menção de também vomitar.

– Ai que nojo. – disse, quando eu terminei. Levantei a cabeça e limpei a boca.

– Tá reclamando do que? Seu pé era bem pior sem isso dai, eu só te ajudei. – debochei, fazendo ela espumar de raiva.

– Você ainda me paga Lisa, você vai ver. – se virou e tentou entrar no apartamento, mas foi impedida por Dean.

– Vai lavar isso aí primeiro, depois você entra. – falou apontando para os pés dela, ela bufou e se virou pra mim, dei de ombros.

– Agora sim, tenham uma boa noite. – sorri sínica e caminhei até o elevador.

Abri a porta do apartamento dando de cara com Anne, batendo os pés no chão impaciente.

– Onde você estava e o que foi aquela gritaria lá em cima? – perguntou.

– Só estava resolvendo umas coisas, mas agora eu vou dormir por que estou exausta.

– Amanhã quero o relatório completo. – sua expressão de brava se suavizou, começou a rir. – Lisa, você é doida.

– Sou muito doida. – concordei. Caminhei até o banheiro do meu quarto e lavei a boca, pra tirar o gosto ruim dela.

Voltei para cama e me aconcheguei para dormir. O apartamento de cima estava em total silêncio, então deduzi que a vadia ainda não tinha conseguido lavar seus pés. Sorri com isso, deixando meus pensamentos de lado. E logo eu estava em um sono profundo e silencioso, muito silencioso.


Notas finais
N/A (Nota Autora): Então, gostaram? Eu amei escrever esse cáp, principalmente na hora do "OH DEAN" AUSHUASH' Espero vocês nos comentários babys u.u Beijos e ate a próxima. #Obrigada a todas que comentaram no cáp. anterior ♥ DIVAAAS *--*
N/B (Nota Beta): Cara é muito bom ser beta, eu sou sempre a primeira a ler haha. Comentem pq eu também quero saber a opinião de vocês e falem se encontrar algum erro de ortografia u.u