Projeto Genoma
18 (Lyrian)-Capítulo 17-200 mil anos de historia
Notas iniciais
boa leitura.
-Lyrian, por acaso você já ouviu alguma historia sobre um planeta sem esses monstros, sem ter que lutar pela sobrevivência todos os dias? – Começou Om me enrolando o que me irritou. Eu já queria respostas, e agora vinha com essas historias para crianças.
— Pare de me enrolar com essas historias para crianças e me diga o que aconteceu aqui!
— É o que estou tentando fazer. – Disse ele serio me encarando nos olhos. –Lyrian elas não são historias para conforta crianças ou coisa do tipo. Elas são reais, a Terra foi um lugar “seguro” de se viver.
Nunca acreditei nesses contos infantis, mas algo em como ele contava tudo isso me fazia começar a ter duvidas meio que sem perceber me sentei de frente para ele enquanto ele desenrolava sua narração, me contou como era a vida humana há 200 mil anos atrás. Já ouvi essas historias até mesmo do senhor que havia me encontrada desacordada do lado de fora da cidade, como ouvi também de soldados mais velhos e de bêbados das tabernas da cidade, mas nunca acreditei em uma vírgula do que falavam. Porém Om falava de tal forma, a sua historia era rica de detalhes e informações, era como se eu pudesse visualizar aquele mundo distante só com sua narração. Então quando ele começou a descrever o tal do laboratório foi então que senti tudo que eu acreditava ser jogado pela janela.
-Certo... Existiu mesmo uma “Terra” sem monstros e luta pela sobrevivência. –Comecei a ordenar as informações na minha cabeça
era incrível o quanto de informação ele descarregava em mim. – Mas como você pode saber tanto? E o que tudo isso tem a haver com o tal do laboratório, seu irmão maluco ou melhor haver com você.
Ele respirou fundo, então me encarou
com uma expressão a qual pensei ele não possuir, era uma mistura de tristeza e
remorsos, uma cara de cachorrinho pidão sem dono, aquela que criança geralmente
faz quando esta prestes a contar algo que não queria contar aos pais.
— Há muito tempo os governos dos países... imagine grande cidades. –Completou ele, provavelmente depois de ver minha cara quando ele usou a palavra “países” . –Então os que estavam no poder de cada uma dessas gigantes “cidades” se aliavam aos poucos para em parceria buscar formas de melhorar a condição humana. Assim começaram a nascer vários projetos, pesquisas e grupos no intuito de promover essa
melhoria. Foi assim que nasceu o último desses projetos... O projeto genoma. A princípio era no intuito de mapear o DNA genoma humano...
“Err... Isso é tipo uma “receita” que está em seu sangue que vai dizer suas características... bem é melhor que posso fazer para você entender Lyrian (explicou ele novamente. Sabe eu realmente não entendo essas coisas, mas quando ele fala assim me sinto uma burra.) Com isso poderiam descobrir doença, manipular a cadeia genética entre outras coisas, se conseguisse mapear o DNA humano por completo, porém não era o interesse usar esse conhecimento para fins... digamos em prol da
humanidade.”
-Então qual era o verdadeiro objetivo deles? –Perguntei curiosa, a historia apesar de confusa estava me interessando.
-Criar os super-humanos. Apesar de sempre divulgarem que ainda não tinham total conhecimento do que buscavam, a verdade é que conseguiram isso em questão de poucos anos. Foi então que no ano de 1997 começaram os experimentos. Começaram a brincar de Deus...
“Com o tempo começaram a tirar crianças de seus pais em segredo e começaram a manipular a cadeia genética delas. Inseriam no DNA dessas crianças informações genéticas de animais, vegetais, bactérias e até mesmo vírus. Na verdade foram feitas tantas experiências, que chegaram a matar 100 crianças em 1 ano por falhas. Foram precisos matar 100 crianças para chegarem ao “refinamento” da técnica de manipulação e fazer o experimento no grupo de 27 crianças. Eles as chamaram de “Filii Prometheus”. Filhos de Prometeu. Essas 27 crianças receberam um nome referente a uma letra de um alfabeto que já era antigo naquela época. A ordem era dada conforme cada um era modificado. Eu foi uma dessas 27 crianças, fui o último a ser modificado. Por isso recebi a ultima letra desse alfabeto como nome.”
Me espantei na hora, pulei e o encarei incrédula. Que historia era essa que ele estava me contando.
-Om, mas isso não é possível... Para de mentir para mim,
não tem como...
-Meu nome verdadeiro é Ômega, sou a última experiência
gerada pelo projeto genoma. Criado para ser o humano perfeito. Lyrian no ano de 2012 houve um evento que muitos chamaram de fim do mundo, mas não passava de a Terra mudando todo seu ecossistema após vários efeitos “externos”... O laboratório onde fui criado iniciou, junto com todos os outros laboratórios do Projeto, o Protocolo de Segurança 20, que era proteger, preservar e aprimorar se possível todas as pesquisas, e é isso que eu sou. Eu era uma pesquisa, sou um experimento.
“Para preserva a mim, e os outros 26 o computador central nos colocou em processo de hibernação criogênica, ficamos congelados enquanto por meio de pequenos tubos nos preservava, nos dava conhecimento e continuava a nos aprimorar com as novas informações genéticas que aparecia na Terra, Isso aconteceu quando eu tinha 17 anos. Lyrian eu tenho 217 mil anos de idade.”
Ouvi cada palavra, mas era como se meu cérebro se
recusasse a aceitar as informações que ele estava me falando, o que me causou alguns segundos de silencio inexpressivo, tentando entender o que acabei de ouvir, quando finalmente meu cérebro aceitou simplesmente gritei espantada.
-Como assim? Om... Ômega, você só pode estar brincando
comigo... 217 mil anos... por favor diz que isso é brincadeira...
Ômega apenas me encarou sério com um leve tom de
tristeza, cai de joelhos, encarando-o espantada. Que ele não era humano isso eu já sabia, mas isso... Minha cabeça doía, além de um bando de termos e palavras que nunca ouvi na vida, ainda tinha a questão de que as historias da Terra do passado serem reais e só para completar Om, digo Ômega era daquela época e tinha 217 mil... e era tão jovem quanto eu. Simplesmente fiquei o encarando perplexa, confusa e confesso um pouco assustada, tanto quanto Ômega tentou fazer um movimento sutil em minha direção, mas tomei um susto em instintivamente me joguei para trás. Não queria fazer isso, a verdade é que isso tudo era novo, estranho e difícil de digerir, mas não é motivo para ficar com medo dele, não agora depois de tudo, eu realmente não queria fazer isso.
O problema foi que com a minha reação involuntária, Ômega
faz uma expressão desolada e conformada. Não eu não queria magoá-lo de nenhuma forma, e não tinha medo dele, foi só que tudo aconteceu de repente. Quando tentei me aproximar dele e pedir desculpas, me explicar, Ômega levantou bateu a poeira da sua roupa e sorriu para mim. Mas esse sorriso me machucou, era o sorriso mais forçado que eu já vi na minha vida, sabia que ele tentava se mostrar forte e não queria que eu pensasse que aquela minha reação o magoara. Senti um aperto no peito, meu coração batia forte e de forma incomoda aquilo realmente me machucou.
— Bem vamos? –Disse ele, me dando as costas ao passar por mim e ir em direção do Trimotor. Estava querendo mudar o assunto. –Como Psi acabou com o Trimotor teremos que seguir o resto da viajem a pé...
Levanto-me devagar, depois da noite em que matei Hojyn pensei que estávamos nos aproximando, estávamos ficando mais amigos, mas depois disso era como se um enorme desfiladeiro tivesse se aberto entre nós.
-Lyrian... – Me virei devagar para ele, ainda estava de costas para mim e de cabeça baixa. –Vou entender se quiser seguir seu próprio caminho quando chegarmos a uma cidade. Não se preocupe posso te proteger até encontrarmos uma.
Não. Tudo menos isso, eu não queria sair de perto dele.
Não tenho medo dele, não quero ficar distante dele, quero continuar a viajar com ele seja para onde for, não me importo com o que ele é ou deixa de ser. Para mim ele é Om, o estranho adolescente que pode enfrentar de igual para igual hordas e exércitos de vampiros, zumbis, lobisomens ou qualquer outro tipo de monstro. E estarei do lado dele para o que der e vier.
Simplesmente agi sem pensar novamente, quando dei por mim estava abraçando as costas do Ômega, apoiei minha testa em suas costas e comecei a falar com uma calma que surpreendeu até eu mesma.
— Ômega, quando falei que queria viajar com você estava
séria, não vou te abandonar por nada. Não me interessa o que você foi. Para mim você é tão humano quanto eu, não importa o que fizeram com você. Vou continuar por esse caminho que você me deixou escolher na cidade, até o fim.
Senti Ômega se estremecer, ele estava todo rígido, ficamos um tempo assim, nós dois em silêncio até que ele disse.
— Você pode continuar me chamando de Om se quiser...
Um sorriso brotou em meu rosto, o soltei pegamos nossas
coisas no trimotor e continuamos a viajem. Senti que mesmo com tudo aquilo, mesmo que houvesse um precipício entre nós, começava a se construir uma firme e resistente ponte que nos ligaria para sempre.
Notas finais
ps: detesto escrever caps desse jeito, mas são necessarios.
flws ae galera
e lembrem de comentar
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