Projeto Apocalipse
1 Um estranho na noite
Notas iniciais
Esta é menos uma nota e mais um lembrete do autor sobre o que aparecerá aqui digitado.
O projeto Apocalipse é apenas uma invenção minha e se trata de, como o nome diz, um projeto que visa agrupar o maior número de pessoas especiais possíveis e usa-las para ajudar o mundo, mas com interesses pessoais do criador, citado mais abaixo.
Alguns dos personagens são de minha criação e outros eu estarei emprestando de Akira Amano (khr) com leve mudança de postura (OOC).
Lembrando que Katekyo Hitman Reborn (khr) não me pertence mas sim a acima citada makangá.
Prólogo:
Um estranho na noite
“Monstros são mera criação humana para disfarçar seus medos”
Chovia naquela noite, uma chuvinha fina e murmurante. Mas não importava o quão calmante era, ou o quanto virasse de um lado para o outro na cama, Isabelle – ou Belle como gostava de ser chamada — não conseguia dormir. O livro que ela começara a ler estava debaixo do travesseiro lhe sussurrando histórias.
Como a chuva não a deixava dormir ela se sentou na cama, esfregou os olhos e pegou o livro. As páginas farfalharam cheias de promessas de boas aventuras. A cortina se fechou e as luzes se acenderam em um estralar de dedos. O copo de água veio flutuando pelo quarto, conforme ela ordenara e foi nesse exato instante em que ele apareceu. Primeiro foram seus passos, sussurros abafados contra o concreto e em seguida três batidas contra a porta da frente do imenso casarão. Isabelle levantou-se, hesitante ela depositou o copo vazio na escrivaninha. No relógio da cozinha reconheceu que já se passavam das onze da noite.
Calmamente caminhou até a porta frontal passando pela mesinha de mogno que era de sua mãe, onde, por coincidência havia deixado um porta-retratos. Uma foto sua e de seu noivo. Um homem alegre em seus dezoito anos.
As paredes também estavam forradas de fotos. Fotografias antigas de si mesma, sendo uma criança feliz ao lado dos pais. Seu pai aparecia em poucas delas, ele havia falecido quando tinha dez anos, uma trágica perda para um caminhão desgovernado. Sua mãe tivera que trabalhar como empregada em várias casas e ela também, mesmo com sua pouca idade. Agradecia por isso, pelo menos, pois foi numa dessas casas que conheceu seu amado loiro.
Finalmente alcançou a porta e abrindo-a a mesma soltou um rangido calmo e abafado. O homem que estava nas escadas da varanda olhou para si antes de sorrir e se adiantar. Não parecia muito mais velho do que si, talvez uns vinte e cinco anos. Ele era moreno mas com a pele branca como neve, seus olhos verdes brilhavam com emoção na escuridão do céu noturno. Sua roupa social estava molhada mas por trás dele, Isabelle viu o carro importado elegante estacionado perto da guia.
— Senhorita Cooper, creio eu – sua voz, por mais que ela odiasse admitir, lhe causava arrepios e uma bela primeira impressão de que ele não era o que aparentava ser – Meu nome é Luke Mantovani, chefe da empresa Mantovani.
— O que quer, senhor Mantovani, pois vejo que não veio pelos meus serviços – afirmou séria cruzando os braços na região abdominal, afinal as únicas pessoas que a visitavam ou eram conhecidas (o qual não era este o caso pois elas sempre vinham quando havia luz solar) ou eram clientes dos mais variados possíveis.
— Certamente não desejo saber o futuro, não hoje pelo menos, mas de qualquer modo, posso entrar? – perguntou ele, com a voz sem um pingo de emoção.
Isabelle abriu espaço para que ele entrasse e após isso fechou a porta de madeira negra esculpida. Luke a seguiu até a sala e sentou-se em uma das poltronas brancas ao lado da lareira.
Um arrepio involuntário seguiu pela espinha de Belle quando ela viu o seu sorriso, era calmo mas ainda havia algo diferente nele. As mãos cruzadas sobre o colo e o semblante sereno pareciam esconder algo a mais do que apenas cavalheirismo.
— Antes de qualquer coisa – ele exclamou – Quero que saiba que sou especialista em seres paranormais. Gosto dessa área e vejo muitas coisas que poderiam ajudar o mundo e também, por acaso do destino acabei me envolvendo com a máfia italiana.
A garganta de Isabelle secou antes mesmo que ele terminasse aquela frase. Como ele sabia sobre ela? Como havia descoberto sobre seu noivo?
— Sei muito bem que você é alguém especial, Isabelle, caso contrário nem me daria ao trabalho de vir pessoalmente e a essa hora da noite a sua casa – a voz dele a fazia se sentir assustada mas ela não demostrava nenhuma expressão – Mas, antes de qualquer coisa, vim lhe fazer uma proposta.
— Uma proposta? – ela perguntou hesitante, suas mãos tremiam e ela as escondeu no tecido branco de seu vestido.
— A senhorita gostaria de participar de um projeto? – a expressão dela devia ter denunciado seu espanto pois Luke apenas sorriu e continuou calmamente – Ele irá se chamar ‘Apocalipse’ e tem o objetivo de juntar pessoas como você para mudar o mundo.
Duas semanas depois
Johan Grace nunca esteve mais nervoso do que no minuto em que atravessou aquele emaranhado de corredores. Sobre seu braço esquerdo estava inocentemente uma pasta bege presa com um elástico. Estava irritado por Luke, seu melhor amigo tê-lo metido naquilo tudo.
- Johan – cumprimentou alegremente Luke assim que ele adentrou pela porta de seu escritório, o mesmo deliciava-se com um cappuccino enquanto observava a cidade pela parede de vidro do décimo oitavo andar – Pelo visto terminou de ler as informações sobre ela.
- Sim, e não gostei muito do rumo que as coisas estão tomando – Johan resmungou – Pelo amor de Deus, o mundo não anda por sua causa, Luke.
- Mas deveria – resmungou ele direcionando seu olhar para o ruivo – Gosto das coisas que estão acontecendo e Isabelle está feliz também.
- Não, ela não está – ele colocou a pasta em cima da mesa, sem deixar o olhar do moreno – Conversei com ela, você a forçou a deixar seu noivo, deixar sua casa apenas para seus proveitos gananciosos Luke – ele estava se irritando pouco a pouco com as estripulias do amigo.
- Ela aceitou participar do projeto, o resto foi necessário.
- Não foi – Johan vociferou – Não é apenas ela Luke, há uma criança envolvida nisso tudo.
O olhar no rosto dele foi apenas o que Johan precisou para descobrir que Luke não havia tido essa informação antecipadamente. Isabelle havia conseguido dribla-lo de alguma forma até agora.
- Uma criança? – ele questionou hesitante levantando-se do parapeito da janela.
- Isabelle está grávida e é bem provável que a criança seja um sobrenatural, também – ele informou jogando-se em sua poltrona e passando as mãos por seu cabelo meio encaracolado ruivo.
- O pai é o.... – ele não precisou terminar sua frase pois o outro já havia entendido.
- O pai é o noivo de Isabelle – completou Johan – É o Vongola Primo.
Três meses depois
Ela suspirou. O dia custou a passar. Isabelle apenas viu Luke rapidamente na hora do almoço, quando, meia hora depois de uma de suas reuniões acabar ele veio comer consigo um pouco de macarrão com molho pronto. Agora ela havia acabado de tomar um belo banho e tentava remover os nós de seu cabelo castanho mel.
Depois de duas batidas na porta Johan entrou em seu quarto. Sorrindo ele fitou-a por algum tempo. Talvez ele havia ficado um pouco surpreso de vê-la vestindo um vestido já que ela custava a usa-los. Mas hoje ela havia sentido uma incrível vontade de colocar aquele vestido azul claro.
- Você está linda – ele afirmou após sair de seu estupor – Mais linda do que já é Belle – a jovem apenas sorriu jogando o cabelo por cima dos ombros desnudos e depois colocou o pente marrom em cima da mesa.
- Está com fome? – ela perguntou enquanto levantava-se – já passou da hora de você vir me ver – suspirando ela abriu as portas do armário de panelas.
- Luke inventou de uma reunião de última hora com os outros – o ruivo resmungou levantando-se – Amália conseguiu um bom progresso – ele observou duas panelas flutuarem do armário até o fogão.
- Isso é bom – Belle sorriu enquanto colocava os pratos na mesa. Atrás de si os ingredientes do macarrão flutuavam em fila para dentro da panela. Se Johan não soubesse, ele diria que estava dentro de um filme da Disney.
Desviando o olhar da comida para Isabelle ele sorriu. A barriga dela já estava começando a crescer e agora tomava uma forma arredondada. Sorrindo ainda mais ele lembrou-se da primeira vez em que viu Isabelle. Ela estava assustada com tanta gente e não confiou em si de primeira, mas acabou confiando com o passar do tempo.
Johan foi tirado de seu estupor pelo toque alegre de um celular. Levando o olhar para Isabelle ele viu-a franzir o cenho e ignorar o toque. O telefone tocou mais algumas vezes até parar e começar novamente. Depois de mais duas vezes o toque parou e não voltou mais a tocar. Belle andou até o telefone deixando a louça se lavando sozinha. Sorrindo para ele, ela pegou o celular e o desligou, sem antes olhar para a tela do celular.
- Era ele? – Johan questionou olhando preocupado para a jovem que depositava o telefone desligado em cima da mesa – Você sabe que pode atender.
- Eu não consigo – a voz dela tremia – Não conseguiria explicar para ele tudo o que está acontecendo comigo.
- Ele sabe? – ele sussurrou levantando-se da cadeira e caminhando até ela – Você contou para ele que você está grávida?
Belle balançou a cabeça com um olhar culpado. Cruzando os braços acima da barriga ela suspirou. Grossas lágrimas já desciam pelo seu rosto delicado.
- Johan – ela chamou olhando para o amigo que devolveu o olhar preocupado – Quero que me prometa uma coisa.
- Claro – ele disse imediatamente – O que?
- Que, se algo acontecer comigo, você vai cuidar do meu menino — A expressão que o ruivo fizera era uma mistura confusa. Alegria e espanto. Medo e assombro.
- Menino? – era uma pergunta boba, levando pelo contesto mas ele precisava tirar aquela dúvida. Belle riu enquanto enxugava as lágrimas e assentiu meramente.
- Eu vi – foi tudo o que ela respondeu e o ruivo não pode deixar de rir junto com ela. Os poderes de Belle estavam ficando cada vez mais poderoso. ‘É por causa do bebê’ ela lhe havia explicado ‘O poder que eu estou ganhando pertence a ele’. E era verdade. Apenas naqueles poucos meses ela já havia adquirido três novos poderes.
O poder de levitação, de controlar a natureza e até mesmo de prever o futuro.
- Você acha que vai conseguir controlar os novos poderes? – a pergunta saiu antes mesmo que Johan conseguisse pensar nela.
- Não sei – Belle sorria tristemente – Eu vou tentar.
Cinco meses depois
Um grito estridente foi ouvido a partir da ala médica do prédio onde o projeto Apocalipse acontecia. O choro de uma criança recém nascida foi ouvido porém, logo em seguida.
Luke soltou um suspiro aliviado ao ver a enfermeira carregar o menino, lindo e saldável, para fora da sala. Mas para tudo havia um preço e o dele havia sido sua mãe. Johan olhava para o teto com o olhar em branco enquanto os médicos retiravam Isabelle, já sem vida, da cama.
- Luke – veio a voz calma de Johan o acordando de seu devaneio.
- Estou bem – ele respondeu sem poupar-lhe um olhar – O garoto, como vai ser seu nome?
- Isabelle escolheu um – ele disse suspirando, parou e passou a mão direita pelos cabelos ruivos – Tsunayoshi.
- Corda de sorte, hein? – Luke resmungou, sorrindo – É um belo nome.
A enfermeira voltou com o menino nos braços vestido com um macacão azul claro. Sorrindo ela passou ele para o colo de Johan que arrumou-o cuidadosamente em seus braços. Fitando o menino por alguns instantes, Luke sorriu. Ele era incrivelmente lindo. Era pequeno e frágil mas havia algo nele. Um potencial escondido na inocência.
Tsunayoshi havia saído uma cópia do pai, isso era inegável. A diferença era apenas a cor do cabelo castanho mel que ele havia herdado da mãe e os olhos da mesma cor, mas em um tom mais dourado. Enquanto eles o observavam, Tsuna acordou e agora fitava Johan com olhinhos curiosos, suas mãozinhas tentando alcançar seu rosto.
- Ele irá ser poderoso – sussurrou Johan para Luke – A aura dele é ainda mais forte que a da mãe e mesmo a dela era a maior que encontramos em cinco anos.
- O plano finalmente poderá ser iniciado, então – Luke sorriu.
- Plano? – perguntou o ruivo apertando seu controle sobre a criança – Luke, o que você está planejando?
- Nada demais – foi a única resposta que conseguiu do homem sorridente.
Se Johan soubesse, ele teria levado Tsunayoshi dali naquele instante, mas foi necessário o pior acontecer primeiramente para que ele entendesse a idiotice que Luke estava planejando.
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