Projeto Apocalipse
2 Pequeno anjo
Notas iniciais
“Tenho aprendido com o tempo que a alegria vibra na frequência das coisas mais simples”
Os sons dos passos rápidos de Luke podiam ser ouvidos a metros de sua localização. Virando em um corredor ele franziu o cenho. Estava tudo quieto de mais, normalmente, Tsunayoshi estaria acordado a essa hora e era quase impossível manter aquele menino quieto, principalmente quando ele estivesse com Natsu, seu leão de pelúcia.
Aumentando o ritmo de sua corrida ele finalmente chegou a porta branca que levava ao quarto do pequeno moreno. Rapidamente ele abriu a porta apenas para encontrar o quarto vazio.
O guarda roupa estava com as portas completamente escancaradas e terrivelmente vazio. O quarto completamente revirado como se um furacão havia passado por ali. Mas apenas uma coisa havia permanecido na mente de Luke. Tsunayoshi havia desaparecido.
– Maldito seja Johan – ele vociferou correndo para fora do quarto em uma velocidade avassaladora. Explodindo dentro da sala de controle ele gritou – Quero que encontrem o Johan, quero que encontrem ele, vivo ou morto e quanto o menino, Tsunayoshi, quero vivo.
Oito anos depois
Johan suspirou antes de voltar a observar um certo menino moreno pela janela do segundo andar. Paz e tranquilidade eram apenas memórias distantes como eles fugiram há oito anos atrás.
Ele refletiu sobre o quão rápido Tsuna havia crescido. O menino era um terror, uma bola de energia incontrolável. Isso combinado ao constante falatório levou a maior parte do tempo em uma distração constante.
Particularmente, Johan se perguntou se as crianças foram normalmente adoráveis, ou se era quase impossível se ter sentimentos de raiva em relação a eles. Lembrando-se, ele deveria ser irritado, quando, por vezes, ele havia perseguido o pequeno em torno da casa por quase uma hora, mas em vez disso, ele se viu querer sorrir na expressão culpada do menino.
Sua pequena trupe havia crescido também, agora com Leonardo e Alicia, dois irmãos que trabalhavam para Luke e se cansaram de seus abusos de poder. Havia Enzo também, um médico que por várias vezes havia tomado papel de guarda costas de Tsuna – que tinha um incrível dom de se machucar a partir do nada.
Eles rapidamente aprenderam que Tsuna estava dotado de poderes espetacularmente fantásticos e ele era incrivelmente poderoso. Nenhum deles se atreveu a mencioná-lo em sua presença, mas Johan por vezes pensou que o pequeno moreno era mais forte do que qualquer outro paranormal.
Em todos os meios, as birras de Tsuna eram raras. Mas quando acontecia era um espetáculo para ser visto, por seu temperamento que rivalizava tanto com Isabelle como, eles acreditam, seu pai, mas apesar de tudo, ele era uma criança tranquila. Ele sempre amou brincar ao ar livre, perto da natureza, essencialmente pois lá ele poderia exercer seus poderes em paz.
Sorrindo, Johan desceu as escadas e entrou no enorme jardim cheio de flores e arvores verdes. Em um canto mais afastado Leonardo observava a irmã brincar com o pequeno moreno. Leo, como preferia ser chamado, tinha cabelos castanhos e olhos tão verdes que quase chegavam a serem negros, a única diferença com a irmã, na verdade, já que a mesma tinha olhos verdes mais claros e cabelos castanho escuro.
– Johan – a voz melodiosa do moreno chegou a seus ouvidos ao mesmo tempo em que ele avistava o pequeno garoto moreno correr até si.
Ele havia mudado muito nesses anos. Seu cabelo castanho mel havia crescido e se tornado cada vez mais confuso mas delicadamente arrumado o que o deixava cada vez mais bonito. Seus olhos eram uma mistura de dourado e mel brincando em volta de uma piscina negra, sem contar que seus olhos passavam uma mensagem explícita de inocência. Ele estava vestindo uma calça jeans azul marinho e uma camisa social branca com os dois últimos botões abertos e um colar em seu pescoço. O colar tinha um pequeno medalhão que continha uma foto de Isabelle. Em seus pés um par de tênia vans cinza.
– O que foi, Tsuna? – Johan pergunta olhando divertido para o menino animado em sua frente.
– Olha – ele fala estendendo as mãos para mostrar uma pequena semente.
Sorrindo, Tsuna fechou os olhos e lentamente a semente começou a quebrar. Primeiro, aparecendo uma pequena plantinha e em seguida ela se esticou e apareceram pequenas folhas até que um pequeno botão surgisse. Abrindo os olhos o moreno observou o botão se abrir lentamente para que no fim uma bela flor vermelha aparecesse. Levantando o olhar para o mais velho, sem deixar o sorriso desaparecer nem por um segundo, Tsuna levantou ainda mais as mãos, orgulhoso de seu feito.
– Muito bem – Johan riu afagando o moreno suavemente, este que ria alto – É muito lindo, Tsuna.
Observando o pequeno moreno sair correndo novamente até Leonardo para fazer de novo o pequeno milagre para ele, Johan não pode deixar de rir suavemente.
– Ele está ficando mais forte – Alicia fala atrás de si, virando para encará-la encontra-a olhando para o irmão com um sorriso. Finalmente quando ela resolve olhar para si seu olhar escurece – Enquanto eu estava com ele perto das árvores encontramos um passarinho morto, ele o pegou com o maior cuidado e quando dei por mim o canário estava cantando em sua mão, totalmente vivo.
– É incrível, um pouco assustador, sim, mas incrível – resmungou Johan – Ontem ele fez os talheres flutuarem apenas por olhar para eles e na semana passada eu o peguei fazendo a água do banho flutuar e tomar a forma de animais.
Um silêncio calmo se restaurou entre eles com cada um em seus pensamentos, mas foi novamente cortado quando Enzo se aproximou parecendo estar atribulado.
– Johan – ele sussurrou – Temos que nos mover, rápido.
– Eles nos encontraram? – questionou o ruivo seriamente.
– Mais rápido do que esperávamos – retrucou o médico – Estamos aqui por somente duas semanas.
– Vou pegar o Tsuna – exclamou Alicia andando rapidamente até o moreno.
– Muito mais cedo do que esperávamos – sussurrou Johan para si mesmo – o que você está pensando, Luke?
Vongola Mansão
A manhã na mansão Vongola transcorria tranquilamente. Os passarinhos cantavam. A água da fonte jorrava. Uma explosão quase destruiu toda a parte leste.
É, nem tão tranquila.
– É você, seu velho idiota! – grita um menino com cabelo grisalho sendo contido por um homem japonês.
– O que você disse, pirralho maldito? – vocifera o outro homem, desta vez sendo contido por um homem moreno com aparência religiosa.
– Vocês querem parar com isso? – ordena Giotto, o chefe daquela família, na verdade, o chefe de todos os chefes, sendo a Vongola quem era – Alguém quer fazer o favor de me explicar o que houve? – exclama passando a mão pelos cabelos loiros.
– O gato daquele garoto estragou metade da papelada que estava no meu quarto – falou G com uma expressão acusadora – Isso por que aquele pirralho não sabe cuidar de um animal.
– Eu sei cuidar muito bem de Uri seu velho – vocifera o grisalho novamente, perdendo o controle de seu temperamento.
– Vocês dois, fiquem quietos – ordena novamente o loiro fitando o braço direito e seu irmão. Não aera mistério para ninguém que um era a cópia do outro, mesmo em temperamento, o que fazia com que eles se estranhassem diariamente, se não mais vezes por dia – G preciso que você imprima o relatório de Daemon até o almoço e você Hayato, não devia estar estudando como os outros?
– Eles estão aprendendo coisas que eu já sei – explica o grisalho vendo de canto de olho o irmão sair resmungando algo sobre abacaxis – Uri havia desaparecido da minha vista então pedi licença para a tia Elena e vim procura-lo.
– Entendo – resmungou Giotto guiando o menino para longe de todo aquele escombro e de volta para a sala onde as outras crianças estavam – Mas lembre-se que Uri é um gato e é normal que ela suma da sua vista de vez em quando. Além disso Hayato, você já tem nove anos, devia ser um exemplo para os menores como Chrome ou Lambo.
– Para Chrome talvez mas a vaca estúpida não – retruca o menino cruzando os braços fazendo com que o loiro tenha um momento difícil para segurar o riso.
– Bem, de qualquer modo, está quase na hora do almoço e eu odiaria que nossas visitas ficassem esperando – resmunga Giotto passando a mão pelo cabelo novamente, um antigo abito que ele não conseguia se desfazer.
– Visitas? – questiona o menor franzindo o cenho.
– Ah, é mesmo, você não estava com Elena, então ela não te avisou. Yuni estará vindo almoçar conosco hoje e tenho quase certeza que os Shimon também nos darão a honra de sua presença.
– Um monte de gente que só aparece na hora do almoço – resmunga Hayato estalando a língua contra o céu da boca e Giotto não pode deixar de sorrir com essa afirmação, por que afinal, ela estava totalmente correta. Na maioria das vezes que eles vinham lhe visitar por vontade própria, era na hora do almoço, mas o loiro não os culpava pois a comida da mansão era mesmo deliciosa.
– De qualquer modo, vamos nos apreçar – falou Vongola Primo abrindo a porta da sala de jantar e encontrando uma terceira guerra mundial lá dentro. Suspirando ele se acalmou o suficiente para não matar ninguém e entrou junto com o menino grisalho.
Com Tsunayoshi e os outros...
A correria havia se instalado na casa de campo onde eles estavam hospedados. Todos corriam para pegar suas coisas apesar de tudo já estar meio arrumado.
– Johan – chamou Tsuna correndo atrás do mesmo até o quarto principal, onde o moreno estava dormindo até poucas horas atrás – Para onde nós vamos agora?
– Eu não sei Tsuna – falou Johan apressadamente enquanto pegava uma blusa laranja e colocava no menino – Para algum lugar bem longe daqui.
– É o Luke novamente? – questionou o moreno enquanto colocava uma jaqueta laranja e branca.
– Sim, é ele novamente – respondeu o ruivo ajudando o menino a colocar sua mochila – Eu coloquei tudo o que você precisa ai dentro – informou-o pegando sua pequena mão e o puxando até a sala onde os outros já esperavam. Enzo se adiantou, entregando as coisas de Johan e pegando Tsuna no colo.
– Você vai ficar com o Enzo, entendeu Tsuna? – perguntou Johan seriamente ganhando um aceno com o mesmo tom do menor.
Os dois carros já estavam prontos na frente da casa. Dois modelos populares, um branco e outro preto, pois sendo assim não chamariam atenção. Os grupos já estavam definidos a muito tempo. Leo e Johan sairiam com o negro. Eles seriam a distração enquanto Alicia, Enzo e Tsuna fugiam com o veículo branco.
– Vamos — chamou Alicia pegando o menino do colo de Enzo e entrando no caro. Com o canto dos olhos ela viu Johan entregar uma pistola a Enzo. Ela mesma já havia recebido uma, para emergências – Coloque a touca, Tsu – alertou o menino que já estava colocando o cinto de segurança.
– Tá – concordou o pequeno puxando o tecido por cima da cabeça e apertando o leão de pelúcia inseparável de si contra seu peito. Era uma pelúcia bem cuidada mas já um pouco velha de um filhote de leão alaranjado.
Enzo entrou no carro e em pouco tempo eles já estavam na avenida que levaria a pista. O médico olhava a cada cinco segundos pelo retrovisor para conferir se não estavam sendo seguidos e sem querer, Alicia acabou fazendo a mesma coisa, sempre mantendo a mão direita na perna de Tsunayoshi, este que olhava nervosamente para a estrada a frente. De tempos em tempos, Enzo sussurrava algo contra o comunicador, tomando nota do que os outros dois estavam fazendo. De repente Tsuna franziu o cenho e apertou o pequeno leão.
– Vire para a direita – ele ordenou seriamente e Alicia teve somente tempo de avistar um borrão de um caro negro antes que Enzo virasse a direita em um cruzamento falando algo em seu comunicador.
Novamente o silêncio reinou no carro enquanto Enzo serpenteava por entre as várias ruas de terra.
– Enzo – chamou o pequeno moreno – pare o caro.
O maior somente teve tempo de frear antes que uma moto caísse derrapando pelo asfalto, seu motorista longe de ser visto. Antes que Alicia percebesse eles já estavam fora do carro, correndo por entre as árvores da pequena floresta.
Enzo puxou Tsuna. Alicia já estava bastante ocupada consigo mesma. Toda a encosta estava coberta de plantas rasteiras dificultando muito a corrida dos três.
O coração de Tsuna parecia querer sair pela boca quando eles entraram ainda mais na mata. Em algum momento eles deixaram de ver a estrada. Mesmo assim, o medo não os abandonou.
A cada passo que eles davam era um barulho os fazendo saltar. Algumas vezes ele pensou ter ouvido gritos e sussurros atrás de si mas não sabia ao certo se era sua mente lhe pregando uma peça ou se eram realmente vozes.
Eles já haviam atravessado metade da mata quando os homens finalmente apareceram. Vestiam roupas negras e facilmente se camuflavam nas folhagens.
Tsuna não pode deixar de soltar um gemido assustado quando o primeiro apareceu com uma arma na mão. Felizmente ou infelizmente, Alicia já estava pronta e antes que ele atirasse, ela o fez. Seu coração pulou uma batida ao ver o sangue nublar a camisa do rapaz.
– Vamos Tsu – chamou Alicia o puxando para si, ainda com a arma na mão – Não se preocupe, ele não vai morrer – ela o tranquilizou enquanto atravessavam uma pequena encruzilhada, seguindo para o norte. O comunicador de Enzo havia parado de funcionar a minutos atrás e Tsuna jurou ouvi-lo xingar o aparelho. Alicia o ajudou a subir em um pequeno barranco e no momento em que ela chegou em cima dele foi que ouviram. Um tiro.
– Enzo – ele ouviu Alicia gritar em tom moderado vendo o médico estancar o ferimento no braço direito.
– Tudo bem – o outro lhe respondeu parando de correr – Vão na frente, eu vou atrasa-los – ele resmungou virando de costas para os dois que simplesmente voltaram a correr.
Os tiros continuaram e chegou um momento em que eles quase foram atingidos por alguns mas conseguiram tomar distância do local do tiroteio. Mas o destino não gostava realmente de ajudar nossa pequena trupe e logo, mais homens de preto eram vistos.
– Tsuna – chamou Alicia enquanto eles se escondiam atrás de um velho salgueiro – Eu vou atrasa-los, você precisa correr quando eu pedir, Ok?
Um aceno foi tudo o que Alicia conseguiu e antes que ela percebesse estava sendo puxada para um abraço pelo moreno.
– Viva – foi tudo o que saiu de sua boca antes de depositar um beijo castro no topo de sua cabeça.
Cinco sujeitos haviam aparecido e agora se esgueiravam pelo local. Alicia respirou fundo antes de atirar no primeiro e gritar do topo de seus pulmões:
– Corre.
Tsuna não ouviu muito bem o que ela havia dito depois. Suas pernas curtas correndo o mais rápido que lhes era possível. Ele sabia do plano tão bem como conhecia a si mesmo. Corra, se esconda e não seja capturado, não importa o que aconteça. Johan iria aparecer e Enzo iria repreende-lo por não ter prestado atenção nos homens de Luke. Leo iria lhe olhar com aquele olhar aliviado e Alicia iria lhe abraçar tão apertado que faria suas costelas pedirem socorro. Mas ele também sabia.
Desta vez não seria assim.
Ele correu o mais rápido que lhe era possível, vez ou outra usando a super velocidade. Finalmente, um velho acampamento se fez presente em sua linha de visão.
Tsuna suspirou enquanto entrava pelo portão do acampamento abandonado. Haviam muitas cabanas e seria um belo lugar para se esconder. Entrando na construção principal ele não pode deixar de espirrar com a poeira. Correndo até o segundo andar ele entrou em um dos quartos mais afastados mas que tinham vista para a entrada.
Gemendo baixinho, o moreno sentou-se na velha cama de madeira de carvalho que estava no local. Vasculhado a mochila ele sorriu. Ainda estava no lugar em que ele havia deixado. O telefone de Isabelle. O celular de sua mãe.
Se encolhendo contra a parede ele rolou a lista de chamadas. Finalmente encontrando o nome, Tsuna levou o aparelho a orelha. Depois de alguns toques uma voz grossa atendeu falando apenas uma palavra. Um nome.
– Isabelle?
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