Proibido Para Mim
7 My angel.
Notas iniciais
Damon segurou em meus braços e me ajudou a levantar, onde rapidamente uma dor latejante se imortalizou em minha perna. Os cortes ardiam de uma forma que eu não sabia explicar, junto com uma enxaqueca que invadiu os meus neurônios depois de toda a adrenalina ter passado. Confesso que o medo ainda estava presente em mim, mas assim que o Salvatore se aproximou do meu corpo e me pôs em seu colo, uma paz se instalou em cada célula do meu ser.
— Damon... — sussurrei perto do seu ouvido, enquanto minha cabeça se encostava em seu ombro firme.
— Não diga nada, Elena — sua voz grossa quebrou o silêncio tenebroso do local enquanto nos aproximávamos da entrada do apartamento — Você precisa se acalmar primeiro.
Apenas assenti em afirmativa, me encolhendo mais em volta dos seus braços que me carregavam até o último andar, onde constava o seu apartamento. Damon retirou a chave do seu bolso traseiro com uma habilidade implacável, enfiando-a na fechadura e abrindo espaço para a sua casa.
Seu ombro esquerdo se encostou no interruptor do cômodo, onde a luz artificial pôde iluminar por completa a sala. Ainda em seu colo, Damon caminhou em direção ao sofá e me colocou devidamente sentada no mesmo. Um sorriso carinhoso cresceu em seus lábios, o qual era completado por um olhar de compaixão.
— Fique quietinha aí, sim? Vou trazer algumas coisas para que você possa melhorar.
Mais uma vez, apenas confirmei suas palavras com a minha cabeça, abraçando meu corpo com os meus próprios braços e observando Damon que se movia rapidamente em sua cozinha. Quando ele voltou para onde eu estava, trazia um copo d'água em uma mão e na outra, uma caixa que se dizia escrito "Primeiros Socorros".
— Primeiro tome esse comprimido. Vai te acalmar e dar um pouquinho de sono também — ele colocou em minhas mãos o remédio, o qual eu depositei imediatamente na boca e tomei um grande golo da água presente no copo.
— Obrigada — agradeci um pouco pesarosa, entregando à ele o objeto logo em seguida.
— Agora vamos cuidar desses cortes, antes que infeccionem.
O Salvatore abriu a caixa e retirou dela um pacote de gases e uma solução aquosa em um pequeno pote. Pegou um algodão e o melou no líquido, esticando minha perna mais machucada e passando-o sobre todos os cortes.
— Está ardendo? — Damon perguntou preocupado, erguendo o olhar em minha direção.
— Não — sussurrei, esboçando um pequeno sorriso, afinal, o corte no canto dos meus lábios era o que mais machucava — Por que você tem uma caixa de primeiros socorros tão completa?
— Você sabe que minha vida é cheia de aventuras, não? — Damon respondeu sorrindo, enquanto transmitia um novo algodão molhado para outro corte — Preciso desses utensílios quando me acidento, ou seja, fato que ocorre diariamente. Com o tempo já aprendi a me cuidar.
— Eu fico impressionada com você, sério.
— Posso saber o por quê, Elena Gilbert? — Damon ergueu o seu corpo e sentou-se ao meu lado, colocando uma gaze sobre o corte mais profundo que havia em meu joelho.
— Você têm uma personalidade incrível, um bom gosto, um bom olhar, uma boa lábia... — iniciei minhas palavras com cautela, mas sem abandonar o sorriso e a sensação de tranquilidade que ele me trazia — Fico impressionada com isso. Não é possível que você não tenha nenhum defeito...
— Ah, eu tenho alguns defeitos, pode ter certeza.
— É claro que tem, todos nós temos. Mas me parece que não é nada grave...
— Eu sou muito impulsivo, muito mesmo — Damon ergueu o olhar e o corpo ao mesmo tempo, sentando-se ao meu lado e abrindo um discreto sorriso— Sou muito meticuloso, organizado ao extremo e preocupado com as pessoas.
— O último não é defeito, ué. É uma qualidade. Onde é que se importar com as pessoas que você gosta é errado?
— Depende da intensidade dos seus sentimentos, Elena. Eu já me ferrei por sentir demais com as pessoas erradas. Isso é uma qualidade e um defeito ao mesmo tempo. Mas parece que nos últimos anos, essa característica só me trouxe más recordações.
— Espero que eu não seja uma dessas pessoas — as palavras pularam da minha boca sem que eu percebesse, fazendo com que meus dedos fossem levados automaticamente até meu rosto — Desculpe... Eu só pensei alto. É, foi isso. Eu pensei muito alto.
Damon me olhou de forma sugestiva e levou um novo algodão até o corte da minha boca, tomando um cuidado redobrado pois visualmente era o mais machucado. Seus lábios se abriram várias vezes para sair a fala, mas foi sufocada pelo silêncio comodante do local. Por fim, ele apenas disse:
— Você não é.
Meu coração acalmou e acelerou em questão de milésimos, reproduzindo um sorriso idiota em meu rosto. Meus olhos se fecharam por alguns segundos e a única coisa que passava em minha mente era a gostosa respiração controlada de Damon perto do meu rosto. Era inevitável me sentir assim, simplesmente. Os sentimentos que se propagavam em meu corpo eram a resposta que eu tinha para todos os meus dilemas. Pela primeira vez na vida eu estava me apaixonando por uma pessoa, e isso me deixava completamente feliz.
Meus olhos se abriram novamente e visualizei o rosto do Salvatore bem perto do meu, onde o mesmo depositou calmamente um beijo casto na ponta do meu nariz. Rimos com o gesto, quebrando um certo clima tenso e até romântico que pairava sobre nós.
— Você está se sentindo melhor, Lena? — ele perguntou trazendo a preocupação novamente, levando sua mão até o meu cabelo, depositando alguns fios para atrás da minha orelha.
— Sim — confirmei sorridente, aliviada por estar mais tranquila — Obrigada por ter cuidado de mim. Você é incrível.
— Não fiz mais do que minha obrigação, Gilbert. Aliás, o que a senhorita estava fazendo à essa hora da noite aqui no Brooklyn completamente sozinha?
— Eu passei o dia na casa da Caroline, mas Klaus, o namorado dela, decidiu que os dois iriam jantar em um restaurante que foi inaugurado lá em Manhattan — comecei a explicação, enquanto me apoiava melhor no sofá — Como não nos falamos hoje, decidi vir até aqui para te ver. Mas aí deu no que deu e...
— Ok, já entendi. Não precisa mais ficar lembrando todos os detalhes desse fato, certo? — Damon segurou rapidamente em meu braço e uma sensação de choque percorreu nossas peles — Primeiramente, você quer denunciar o cara que te abusou?
Ergui meus ombros em completa dúvida, mordendo o meu lábio inferior em seguida e olhando complacente para Damon.
— Acho que não... É melhor abafar esse caso, para o meu bem e para toda a minha família. Claro que eu estou com medo de andar na rua depois desse acontecimento, mas nada que a minha psicóloga não possa me ajudar.
— Você tem certeza, Elena? Isso foi um abuso, mesmo que o ato não tenha sido completado. Fora que isso ajudaria na punição de caras imundos como esse... Mas você que sabe, linda.
"Linda". A palavra repercutiu uma sensação de felicidade por cada nervo do meu corpo, fazendo com que o meu sorriso não desgrudasse da boca. Estiquei minha mão até onde o braço de Damon estava apoiado, arranhando a pele coberta de pelos finos com as minhas unhas grandes.
— Não se preocupe com isso, sério — entrelacei nossos dedos e beijei cada ponta deles — Você já foi incrível em ter me salvado... Agora só me resta agradecer por tudo. Por estar transformando minhas férias em algo diferente e maravilhoso.
— Não precisa agradecer, Elena. Eu já falei e vou repetir: é um prazer estar com você. Desde aquele dia no hospital eu soube que você era uma garota incrível e que eu precisava conquistar.
— Conquistar? — perguntei tentando disfarçar uma ligeira felicidade interna.
— Sim.
— Acho que você já conquistou... — sorri marota, tomando cuidado com o machucado presente no canto dos meus lábios.
— Fico feliz por isso — Damon também sorriu presunçoso, levantando-se do sofá e me encarando logo em seguida — Saiba que a recíproca é verdadeira.
Damon finalizou as palavras ainda sorrindo, enquanto se dirigia até a cozinha do apartamento. Abriu alguns armários, a geladeira e distribuiu copos pela bancada alta. Seus movimentos eram ágeis e habilidosos, fazendo com que um lanche para nós fosse preparado em poucos minutos.
— Elena Gilbert, você está preparada para o momento que acontecerá nessa sala de jantar?
— Como assim? — perguntei rindo, enquanto me sentava com cuidado no banco super alto.
— Você está prestes a provar o melhor sanduíche de queijo e tomates de Nova York por inteira! — Damon se vangloriou alto, enchendo o peito de orgulho.
— Quer dizer que você cozinha também? — perguntei curiosa, pegando um sanduíche com as minhas próprias mãos e depositando uma mordida no pão logo em seguida.
— Eu tento... Na verdade, quem cozinha lá em casa é o meu irmão Stefan, ele é até chefe de um restaurante bem famoso lá na Itália — Damon respondeu rapidamente enquanto comíamos — Eu só aprendi algumas coisas básicas para sobreviver... Não gosto de depender muito das pessoas.
— Bem, você aprendeu muito bem... Isso aqui está maravilhoso. Sério.
— Fico feliz por isso, linda.
Ficamos conversando sobre coisas bobas enquanto comíamos. Trocar ideias com Damon era como pensar em voz alta, simplesmente ele soltava em palavras todos os meus sonhos e indagações. Era como se ele fosse a chave para todos os meus problemas. Era como se Damon fosse feito realmente para mim. A pequena suposição repercutiu uma felicidade estanha e nova.
Depois que jantamos, liguei para minha mãe e expliquei o que havia acontecido e onde estava. Miranda simplesmente teve um ataque via celular e prometeu que chegaria no apartamento de Damon em quinze minutos, o que era algo praticamente impossível. Suspirei pesadamente assim que desliguei a chamada e fui me deitar no sofá ao lado de Damon, onde o mesmo me envolveu em seus braços musculosos e passou a fazer cafuné em meus cabelos.
Exatamente quinze minutos depois, Miranda Gilbert apareceu no apartamento completamente transtornada, gritando aos quatro cantos do mundo que esse acontecimento foi por causa do local em que eu me encontrava.
— Mãe, pare com isso — a olhei envergonhada, tentando tornar aquela situação o menos constrangedora possível — Você vai ofender Damon dessa maneira.
— Tudo bem, Elena — Damon respondeu de forma doce, mas não sorrio.
— Damon, não é nada pessoal, espero que você possa compreender isso — mamãe se esclareceu rapidamente, mas não amenizou nada — Agradeço por ter cuidado da minha filha, mas isso não esconde a situação que ocorreu há uma hora atrás. Elena passou o dia na casa da amiga, lugar seguro e que nós conhecemos. Mas depois veio para cá e aconteceu tudo isso...
— Mãe, isso podia acontecer em qualquer canto, não só aqui no Brooklyn — indaguei irritada — Acho que você deveria se esquecer das classes sociais e agradecer Damon de forma oficial, como deve ser.
— O que você pretende, Elena? — ela perguntou estreitando os olhos.
— Marque um jantar amanhã lá em casa, para agradecer à Damon por tudo o que ele fez — sorri satisfeita, cruzando os meus braços em frente ao peito — Afinal, ele merece.
— Não há necessidade, Elena... — Damon abriu um sorrio de soslaio.
— Elena está certa, Damon — Miranda sorriu também, fazendo com que eu me assustasse com a sua aceitação tão bem-vinda — Amanhã às 8 da noite. Elena manda uma mensagem com o endereço... Espero que você apareça.
— Eu irei, Sra. Gilbert — Damon confirmou convicto, porém, não parecia muito feliz.
Pedi licença e fui até o banheiro, onde lavei as mãos e ajeitei um pouco o meu cabelo que estava completamente bagunçado. Saí do cômodo e fui até a sala, encontrando minha mãe com um sorriso não tão inocente nos lábios e o Salvatore com os olhos azuis semicerrados. Acho que eu havia perdido alguma coisa...
— Está tudo bem? — perguntei insegura me aproximando dos dois.
— Está. Está tudo ótimo — Damon respondeu contrariado, olhando-me rapidamente e esboçando um projeto de meio sorriso — Acho melhor você ir pra casa descansar, Lena.
— Ok, então...
Ainda confusa com toda a tensão do local, me aproximei de Damon completamente retesada e o abracei calmamente, onde o mesmo depositou um beijo no topo da minha cabeça. Me afastei do seu corpo logo em seguida e olhei em seus olhos maravilhosos.
— Estarei te esperando amanhã, okay? — sorri completamente realizada — Obrigada por hoje, anjo.
— Anjo? — Damon perguntou rindo, ignorando a minha primeira frase.
— Isso... Você me salvou. Vai ser meu anjo da guarda de hoje em diante.
— Faço isso com todo o prazer — ele piscou o olho esquerdo, sorrindo verdadeiramente pela primeira vez desde que Miranda havia chegado.
Minha mãe soltou um boa noite alegre, o que causou um estranhamento de minha parte. Ignorei esses pensamentos e fiquei idealizando o jantar do dia seguinte, onde apenas uma frase podia resumir todo o meu nervosismo: de amanhã não passava.
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