Notas iniciais
Olá, meus amores! Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar por essas três semanas que a fic não foi atualizada. Mas, eu tenho dois motivos. O primeiro foram as recuperações do meu colégio, que consumiram o resto de sanidade que ainda existia em minha mente, deixando-me esgotada depois que elas se foram. O segundo foi a minha falta de inspiração... Eu simplesmente não conseguia continuar com a história, cogitei até um Hiatus, mas depois de tentar inúmeras vezes, consegui finalizar esse capítulo. Então, se ele não estiver lá essas coisas, peço desculpas... Estou tentando passar dessa fase difícil. Bom, é isso. Espero que vocês gostem ♥

Retirei o babyliss da tomada, guardando-o em uma gaveta para que não houvesse riscos de queimaduras. Voltei meu olhar para o espelho e levei os dedos até os meus cabelos, onde modelei os cachos nas pontas da maneira que eu gostava. Destampei o batom caramelo e o deslizei pelos meus lábios, finalizando assim, a maquiagem recém-posta em minha face. Apesar do pequeno corte no canto da minha boca — devido aos acontecimentos da noite anterior —, meu rosto estava impecável.

Sorri presunçosa e gostei do resultado que era mostrado. Coloquei os brincos grandes em minhas orelhas e fui até o closet, onde vesti o vestido vinho que combinava perfeitamente com o meu tom de pele. Ele possuía um "x" na parte do busto e seguia em uma saia leve até meio palmo acima do joelho. As costas eram nuas e permitiam um acesso automático para o meu corpo.

Voltei ao quarto e calcei os saltos finos pretos, terminando por completo toda a minha produção. Respirei nervosa e fechei os olhos, tentando lutar contra o impulso de gritar, chorar e rir ao mesmo tempo. Desde que havíamos combinado esse jantar, meus pensamentos só se dirigiam a ele: Damon Salvatore.

Abri a porta do meu quarto e desci o lance de escadas, chegando à sala de estar logo em seguida e observando todos os preparativos para o evento. Os empregados estavam preocupados em limpar objetos, ajeitar almofadas e pratarias na mesa principal.

— Boa noite — falei satisfeita, aproximando-me de Rose que organizava afoita as flores do buffet.

— Boa noite — ela respondeu calmamente, sem olhar-me por um tempo. Quando finalmente finalizou sua tarefa e se permitiu me ver, sua boca se abriu em profunda admiração — Lena, por Deus, você está maravilhosa!

— Obrigada, Rose — agradeci envergonhada, cruzando meus dedos entre eles — Onde estão os outros?

— Seus pais estão conversando no escritório, Katherine está na cozinha metendo-se nas tarefas e Jeremy apenas observa rindo.

— Como sempre, não é?

— Sim, como sempre.

Revirei os meus olhos e segui para a cozinha, onde encontrei meus irmãos se divertindo com as comidas que seriam servidas naquela noite. Uma angustia cresceu dentro de mim, um sentimento que eu não sabia explicar como havia surgido. Apenas era algo horrível de se sentir.

— O que vocês estão fazendo? — perguntei quase gritando.

— Hey... Lena! Você está linda! — Jer disse animado assim que me viu no local, mas minha reação não poderia se explicada da mesma maneira.

— Está mesmo! — Katherine saiu de perto da pia e se aproximou de mim com um sorriso nos lábios — Que cara é essa, irmã?

— Cara de quem está vendo diante dos próprios olhos o jantar da sua vida se arruinando! — bufei irritada, semicerrando os olhos.

— Ei, vamos com calma! — Kath sorriu amarga e segurou em minha mão — Eu sei que Damon é importante para você, Elena, mas isso não quer dizer que você precisa se transformar em uma boneca perfeita para recebê-lo. Ele se interessou por você por causa desse jeito meigo e maravilhoso de ser. Agora relaxe e se divirta, morena.

As palavras da minha irmã invadiram meus pensamentos e lavaram minha alma rapidamente, onde um sorriso sincero logo era brotado em meus lábios. Fechei os olhos por um longo tempo, respirei profundamente e por fim falei:

— Você está certa... Vou apenas aproveitar essa noite, como tem que ser.

— Isso!

Ficamos mais um tempo por ali, ajudando os restos dos empregados a organizarem as coisas do jantar. Mas, assim que ouvimos a campainha sendo anunciada, uma onda de tremor passou a se propagar pelo meu corpo, como se eu estivesse no meio de um ataque epilético. Claro que isso era mais uma vaidade sentimental, contudo, eu não havia abandonado a característica de transformar algo simples em um aspecto mais grandioso.

— Meu Senhor amado, o que eu faço? — gritei desesperada, correndo em direção ao maior espelho da sala e passando a arrumar meus cabelos quase que freneticamente.

— Seja você, ué — Jer apareceu por trás do meu corpo e me abraçou carinhosamente.

— Lena, você quer abrir à porta? — Rose perguntou baixinho, com medo que Damon pudesse ouvir nossas conversas cômicas.

— Claro que ela quer! — Kath empurrou-me em direção à sala de estar, fazendo com que eu tropeçasse ligeiramente — Atende logo essa porta, Elena!

Respirei profundamente e me aproximei do local, fazendo uma nota mental para não parecer desesperada demais ou desanimada demais. Toquei na maçaneta de prata e a girei rapidamente, fazendo com que o móvel começasse a abrir mais espaço para uma figura que eu esperava a cada segundo que se passava.

Em questão de milésimos, pude sentir meu coração começar a bater descontroladamente e meus olhos brilharem em consequência da pessoa que estava posta em minha frente. Seus olhos azuis estavam mais claros do que nunca, assim como os cabelos negros que pareciam mais escuros com o recente banho. Vestia uma jaqueta de couro preta, assim como a blusa, a calça e os coturnos. Em sua mão esquerda, encontrava-se um buquê médio de rosas vermelhas, as quais eram completadas por um sorriso discreto.

— Boa noite, Elena Gilbert — sua voz grossa inundou os meus tímpanos em profundo transe.

— Boa noite, Damon Salvatore — sorri satisfeita, aproximando-me dele e depositando um beijo casto em sua bochecha — Você está lindo!

— Não preciso comentar de você, não é mesmo? — ele segurou em meu pulso com a mão livre e me incentivou a rodopiar rapidamente — Perfeita, como sempre — ele alargou o sorriso e me estendeu o buquê — Ó, é pra você. Sei que ama rosas.

— Atencioso, como sempre — peguei no cabo das flores e as cheirei logo em seguida — Elas são maravilhosas. Obrigada, Damon, de verdade.

Abri espaço para que ele pudesse adentrar na casa, segurando na porta e fechando-a depois que entramos por completo no cômodo. Katherine e Jeremy se mantinham próximos a nós, os quais eu não sabia que possuía o sorriso maior. Mas não era por menos, eu nunca levava garotos para casa, então o acontecimento era algo raro e novo.

— Damon, essa é a minha irmã mais velha, Katherine — apontei para Kath, a qual o sorriso poderia rasgar sua pele de tão escancarado e exagerado — Kath, esse é Damon Salvatore, meu amigo.

— Amigo, é? — Kath retrucou com um olhar malicioso assim que se desfez do abraço com o Salvatore, o qual ficou ligeiramente corado. Eu a olhei feio e a mesma deu um riso baixinho — Ok, então. É um prazer conhecê-lo, Damon. Afinal, eu estava doida para conhecer o cara que minha irmã não parava de falar um segundo sequer.

— Katherine! — grunhi o seu nome, ocasionando risos em todos eles.

— Relaxa, Leninha! Já vi que Damon é dos meus... — Kath falou alegremente e estendeu a mão fechada em direção a Damon, como um cumprimento descontraído. O mesmo fez sem hesitar.

— E esse é o meu irmão caçula, Jeremy — apontei para um Jer também sorridente, depois de me recuperar da vergonha alheia que Katherine sempre me fazia passar.

— Fala, cara! — Damon cumprimentou o meu irmão com dois tapinhas nas costas e um bagunçado de cabelos. Coisas de homem, vai saber...

Aproximei-me de Rose que se encontrava também na sala e pedi que ela colocasse as flores em um vaso com água, enfeitando o meu quarto. Ela assentiu com a cabeça e rapidamente se retirou do local para realizar o que eu havia pedido. E assim que foquei os meus olhos em direção à sala de jantar, encontrei os meus pais impecavelmente rígidos e tensos, olhando diretamente para o homem maravilhoso ao meu lado.

Pude perceber pelo canto do olho, que Damon ficou visualmente desconfortável com a presença dos dois, não que aquilo fosse uma surpresa. Meus pais possuíam o dom de serem intimadores ao extremo quando queriam, o que os tornava incapazes de serem simpáticos e acolhedores. Eu, sinceramente, não tinha a mínima noção de como eles conseguiram criar filhos tão diferentes.

— Pai, mãe... Esse é Damon Salvatore — sorri nervosa, levando minha mão para as costas de Damon e fazendo um carinho rápido — Damon, esses são meus pais... Miranda e Grayson.

Damon encheu o peito discretamente e seguiu até onde os meus pais se encontravam, estendendo a mão direita para o meu pai primeiramente. Logo depois, ele segurou delicadamente na mão da minha mãe e depositou um beijo casto na sua pele reluzente. Um esboço de sorriso surgiu em seus lábios e ela o fitou de maneira crítica.

— É um prazer recebê-lo em nossa residência, Sr. Salvatore — Miranda anunciou as palavras de maneira importante. Rolei os olhos com o ato imponente.

— Eu que agradeço o convite — ele respondeu simpático, mas pude notar que existia um tom de ironia em sua voz. Apesar de Damon ter sido simpático, educado e cavalheiro como sempre, ele estava possuindo uma postura diferente do habitual comigo, o que acarretou um grande estranhamento de minha parte.

Ficou um certo clima esquisito sobre a sala, fazendo com que vários pigarros da garganta de Jeremy fossem evidenciados, pois ele sempre fazia o ato quando estava nervoso ou intrigado. Mas graças à Katherine, minha salvadora desde sempre, ela quebrou o gelo com as palavras que pareciam músicas para o meu ouvido... Ou melhor, para o meu estomago:

— Ei galera, vamos comer? Eu estou morrendo de fome — ela desabafou com um sorriso brincalhão nos lábios — E eu tenho certeza de que Damon também está! Olhem para a carinha dele, está até meio verde.

— Katherine! — mamãe a reprendeu com seus olhos que soltavam faíscas invisíveis.

— O que foi? — Kath se assustou teatralmente, ainda sorrindo.

— Poupe-me de suas gracinhas — papai interviu meticuloso.

Miranda e Grayson seguiram para a mesa de jantar, deixando nós quatro sozinhos e parados na sala. Olhei discretamente para minha irmã mais velha e soltei em palavras mudas um “obrigada”. Katherine sorriu sorrateiramente e fomos andando calmamente em direção ao local onde o jantar seria servido. Pude notar de relance que a postura de Damon estava completamente tensa, o que me fez segurar em sua mão e entrelaçar os nossos dedos carinhosamente.

— Eu estou aqui com você — sussurrei perto do seu ouvido, recebendo um sorriso maravilhoso em troca.

— Eu sei que sim — Damon levou nossas mãos unidas até os seus lábios e beijou minha pele delicadamente, deixando espaço para que tremores propagassem até o meu último fio de cabelo.

Chegando à mesa principal, sentamos nos lugares mais apropriados. Meus pais ocupavam as cabeceiras, onde ao lado direito encontravam-se meus irmãos e no lado oposto, eu e Damon. Respirei profundamente e fechei os olhos rapidamente, lutando contra a ansiedade que apertava cada vez mais o meu coração. Não queria que aquele jantar fosse um momento cansativo e desconfortável para o Salvatore, mas isso, infelizmente, não poderia ser um fator determinante apenas por mim.

— Rose, por favor, traga a entrada — mamãe rompeu o silêncio do local assim que todos nós ocupamos nossos devidos locais.

— Então, Damon... Primeiramente, gostaria de agradecer por você ter salvado minha filha do perigo em que ela se encontrava na noite anterior — meu pai sorriu pela primeira vez naquele dia, causando uma felicidade instantânea que percorreu meus nervos.

— Não precisa agradecer, Sr. Gilbert — Damon falou educadamente, segurando discretamente na minha mão por debaixo da mesa — Eu faria isso por qualquer um... Mas, fico muito feliz por ter ajudado essa garota incrível.

Ao ouvir suas palavras, apertei os seus dedos em sinal de agradecimento e aprovação. Apesar de estar nervosa com toda a situação constrangedora que estava fazendo-o passar, Damon transbordava calmaria e segurança mediante suas ações. Meu Deus, como eu estava apaixonada por aquele homem... Sim, isso mesmo, eu estava apaixonada por Damon Salvatore. Não havia mais como negar aquele sentimento.

— Em segundo lugar, gostaria de gratificá-lo de uma maneira mais sólida — Grayson soltou as palavras com delicadeza, mas eu sabia o que ele estava querendo ocultar. E, sinceramente, não conseguia acreditar que ele poderia ser tão baixo.

— Desculpe, senhor. Mas não compreendi o que quis dizer... — Damon estreitou os olhos quando ouviu as palavras pularem da boca do meu pai. Merda, o Salvatore havia entendido tudo...

— Ah, rapaz, você salvou a minha filha... Merece uma recompensa — o meu pai sorriu satisfeito para Damon e tomou um grande gole do vinho posto em sua taça — Vamos... Nada mais justo do que lhe ajudar financeiramente.

Meu coração gelou, meus olhos se arregalaram e minhas pernas seguiram inquietas. Droga! Meu pai havia tornado real o que eu mais temia naquela noite: rebaixar Damon com nossa questão financeira. Olhei para Katherine e Jeremy desesperada, mas o que encontrei foram as mesmas expressões perturbadas em suas faces.

— Desculpe, Sr. Gilbert, mas acho que não compreendeu muito bem o motivo de eu ter ajudado sua filha — Damon sorriu ao falar, mas notei que ele estava explodindo de ódio por dentro — Eu cuidei de Elena por amor à ela... Não em troca de algo. Eu cuidei de sua filha porque me importo com ela, porque quero que ela seja sempre feliz, independente de qualquer coisa. Ela é muito importante para mim, e o que estiver em meu alcance para deixá-la bem, eu farei.

Meu sorriso se alargou de uma maneira que eu não conseguiria explicar diante da resposta de Damon. Olhei abobalhadamente para o moreno ao meu lado e sussurrei um “obrigada” novamente, recebendo em troca um sorriso encantador e uma piscadela com seu olho esquerdo. Voltei meu olhar para a salada posta em meu prato e comecei a degusta-la um pouco mais aliviada, enquanto um silêncio dominava o local.

— Damon, você é fotografo, não é? — ouvi a voz de Jeremy, o que me levou a erguer a cabeça rapidamente e aliviadamente.

— Sou sim — Damon sorriu simpaticamente. O meu irmão havia tocado no assunto que o moreno mais amava falar: fotos. Sua paixão mais pura e completa.

— Depois gostaria de ver suas fotos — Jer sorriu presunçosamente — Eu gosto muito de ver fotografias... Sério mesmo.

— Eu estou com Jer — Kath sorriu animada — Acho uma profissão fascinante.

— Claro que mostro... Ficarei muito feliz em fazer isso — ele sorriu animadamente enquanto finalizava sua salada.

Terminamos a entrada e mamãe pediu que trouxessem o prato principal, o qual eu não sabia o que era. Por algum motivo, os empregados não permitiram que espiássemos o que eles estavam preparando, segundo eles, por ordem da minha mãe. Claro que isso me deixou completamente intrigada, mas dei um voto de confiança a minha progenitora e pedi a Deus que Ele não permitisse que algo de ruim acontecesse ao convidado da noite.

Depois de algum tempo, Rose e mais duas empregadas começaram a trazer o prato principal, o que me fez bloquear a respiração devido ao nervosismo. Eu necessitava confiar na minha mãe, mas isso era quase impossível diante de suas atividades recentes. E assim que o meu prato foi posto diante dos meus olhos, senti que todo o mundo havia parado de girar e o que restara fora a sensação mais apavorante que já presenciei. Simplesmente seriam servidas lagostas inteiras e com cascas, uma das comidas mais difíceis de saboreá-las de maneira correta.

— Olha só! Um dos meus pratos preferidos! — o meu transe desesperador foi interrompido por essas palavras vindas da pessoa ao meu lado.

— Você gosta de lagostas? — mamãe perguntou tentando disfarçar o desapontamento.

— Sim! Eu simplesmente sou apaixonado por lagostas — Damon sorriu animadamente, mas pude notar telepaticamente que ele havia entendido a pegadinha que minha mãe havia articulado — O meu irmão é chefe de um restaurante na Itália, onde eu morei por algum tempo, e sua especialidade são lagostas. Ele me ensinou tudo sobre elas... Desde sua preparação até a hora de comê-las.

Voltei a respirar completamente aliviada e feliz, mas lembrando-me de ter uma conversinha nada amigável com Miranda. Eu notei a situação que ela estava querendo causar com a escolha desse prato, mas graças às minhas orações incansáveis, Damon conseguiu reverter da melhor forma possível. Não conseguia aguentar a felicidade que havia surgido em mim, porém, não poderia deixar transparecê-la por muito tempo e de uma maneira muito intensa.

O restante do jantar ocorreu de forma tranquila, já que os meus pais fizeram o favor de permaneceram calados, apenas terminando suas refeições. As conversas na mesa ficaram por minha conta, dos meus irmãos e do Salvatore, o que deixou o ambiente muito mais leve. Quando finalizamos a sobremesa, meus pais seguiram para o quarto e pudemos ficar muito mais tranquilos e felizes.

— Jer, acho que já está na hora de irmos para os nossos quartos... — Kath falou calmamente enquanto estávamos esparramados nos sofás da sala.

— Mas já? Eu não estou com um pingo de sono... — Jer murmurou a contra gosto.

— Você está morrendo de sono sim e ponto final — a morena falou rapidamente, olhando para mim e para Damon o mais discretamente possível, em um sinal mudo para nos deixar a sós.

— Ah sim, eu estou morrendo de sono mesmo... — Jer forçou um bocejo, o que nos fez rir automaticamente — Boa noite para vocês. E Damon, foi um prazer conhecê-lo.

— O prazer foi meu — Damon sorriu verdadeiramente, mas ao mesmo tempo, parecia um pouco tenso.

— Boa noite, meus amores — Kath levantou-se do sofá juntamente com nosso irmão e soprou beijinhos em direção a nós dois — Não se esqueçam da camisinha, por favor.

— Katherine! — gritei o seu nome, sentindo cada milímetro meu de pele queimar. Que merda... Por que ela sempre precisava me deixar em situações completamente conturbadas e constrangedoras?

Meus irmãos seguiram rindo para o primeiro andar e deixaram-me sozinha com o Salvatore de olhos azuis, enquanto nos olhávamos sem descrições e ressentimentos. Meus olhos seguiam cada detalhe do seu rosto, desde a sua boca convidativa até as suas sobrancelhas intimidadoras. Ele era perfeito... Eu não conseguia explicar em palavras o quanto Damon Salvatore era lindo.

— Damon? — minha voz saiu rouca, mas não foi intencional.

— Sim?

— Quer conhecer o jardim dos fundos? Lá é bem legal...

— Claro que sim.

Levantamos-nos ao mesmo tempo e entrelaçamos nossas mãos automaticamente, como se o ato fosse algo cotidiano. Uma sensação estranha e avassaladora percorreu minhas entranhas, algo que eu não sabia explicar com muita clareza. Damon tinha o poder de criar novas sensações em meu corpo, coisas que eu não imaginava que poderiam acontecer... Coisas que não tinha explicações e nem razões, elas simplesmente surgiam inesperadamente e pegavam-me de surpresa.

Fomos andando calmamente até o jardim, onde nos sentamos em um banco perto da fonte que jorrava calmamente as águas, as quais eram iluminadas pelas luzes coloridas. A Lua estava completamente cheia, sendo completada pelas estrelas brilhantes ao seu redor. O clima estava perfeito, puxado para o frio, mas ainda sim perfeito. Era como se o mundo houvesse parado apenas para aquele momento a sós de nós dois, onde poderia acontecer tudo.

— Sua perna já está cicatrizando — Damon apontou para o machucado em meu joelho.

— Sim — sorri ao olhar também — Você cuidou muito bem de mim... Eu sozinha não conseguiria fazer a metade do que você fez.

— Não fala isso que eu fico me achando o máximo... — Damon respondeu brincalhão, empurrando-me devagar.

— E você deveria se achar mesmo! — rimos diante de minhas palavras, mas logo depois um silêncio curioso preencheu o local — Damon, eu gostaria de te pedir desculpas pelas atitudes dos meus pais... Eles não representam meus irmãos e muito menos eu.

— Eu sei disso, Elena... Não precisa se preocupar — Damon sorriu tranquilamente e fixou o seu olhar no meu — Eu sei quem você é.

— Fico feliz por isso — segurei em suas mãos e abaixei o meu olhar para esconder o meu nervosismo por ficar completamente sozinha com ele.

— Ei... O que foi? — senti os seus dedos macios tocarem o meu queixo e levantarem minha face rapidamente.

— É que você está um pouco estranho... Meio tenso — tremi as palavras enquanto olhava em seus olhos encantadores — Parece que você está tentando me falar algo, mas não consegue.

— É, mesmo com apenas um mês de convivência, você já me conhece — ele riu de soslaio, mas notei que sua voz possuía um pouco de culpa — Mas sim, você está certa.

— O que você está querendo me dizer, então? — perguntei aflita.

— Elena, desde ontem à noite que eu venho procurando maneiras para falar sobre isso com você, mas simplesmente não consigo achar — o moreno começou a falar de maneira retesada — Então, vou falar da forma mais simples possível.

— Ficarei agradecida...

— Ontem quando você foi ao banheiro e eu fiquei só com a sua mãe, ela me falou certas coisas... Palavras que você provavelmente não concorda, mas que mesmo assim não deixa de ser um fator preocupante.

— Que merda minha mãe falou? — alarmei meu tom de voz, arregalando os meus olhos involuntariamente.

— Ela pediu que eu não voltasse a te procurar... Que eu estava estragando o seu futuro, tudo o que sua família havia construído para que você pudesse vencer na vida — enquanto Damon falava, um aperto insistente em meu peito impedia que o oxigênio transitasse perfeitamente dentro do meu corpo — Apesar de não concordar com o que ela estava falando, eu não pude deixar de pensar a respeito. Será mesmo que eu estando com você é a coisa certa a se fazer? Você já tem uma vida planejada, havia aceitado isso... Mas aí eu cheguei, a baguncei por completo e fiz você rever seus conceitos que já estavam formados.

— Mas essa é a questão, Damon... Você me fez rever tudo o que eu estava fazendo com a minha própria vida. Eu só tenho a te agradecer por isso.

— E se isso não for o certo a se fazer? — ele murmurou aflito — Isso pode funcionar para mim, para outras pessoas... Mas se não funcionar para você? E se eu mudar sua vida completamente e você não se adaptar? Eu não quero ser o responsável por isso.

— Você não quer ser o responsável pelo melhor momento da minha vida? — levantei-me depressa, olhando-o incrédula — Porque é isso que você está me proporcionando, Damon! Você simplesmente está sendo a melhor coisa que já me aconteceu!

— Você também! — o moreno levantou-se e ficou de frente para mim — Mas que droga! Eu não consigo não pensar em você! É como se você estivesse encravada em minha vida e em meus pensamentos... Desde que te vi naquele hospital, não há um dia que o meu primeiro e último pensamento do dia não seja você! Mas isso não apaga o fato de ser algo perigoso de se sentir...

— Foda-se o perigoso! — gritei atordoada e senti as palavras queimarem minha garganta — Você disse que poderia ser o caminho para o que eu realmente queria... E agora é a sua chance! Mostre-me! Mostre-me a paixão que eu tanto procuro, Damon! Mostre-me agora!

Assim que finalizei as palavras, Damon puxou-me pelo braço e colou nossos corpos, não permitindo que um milímetro de distancia separasse nossos troncos. Eu fixei o meu olhar no seu, vendo através da íris clara, a alma do homem por quem eu havia me apaixonado. Um sorriso brotou dos seus lábios, evidenciando os dentes brancos e reluzentes que os acompanhavam. Não pude evitar sorrir também, mas, felizmente, o ato foi interrompido por sua boca se encostando intensamente na minha.

Não consegui distinguir a sensação que estava sendo consumada dentro de mim, mas posso afirmar que era o melhor sentimento que eu já havia experimentado em toda minha vida. Eu finalmente estava beijando por razões convictas, não por simples atração ou desejo físico. Ali havia um misto de sensações e pontos que se interligavam e resultavam naquele momento.

A boca de Damon se alargou mais um pouco, fazendo com que a minha repetisse o ato. Sua língua se introduziu para dentro do local, ocasionando um toque gostoso, delicioso e maravilhoso de se provar. O gosto de Damon era algo que eu não conseguia explicar, mas era maravilhoso de se sentir. Os seus lábios tão macios, acariciavam os meus em sinal de carinho e delicadeza. Suas mãos se ocupavam em tocar as minhas costas nuas e os meus cabelos soltos. Era como se cada toque seu pudesse incendiar uma floresta por completo... Era como se Damon fosse capaz de fazer o mundo parar e esperar para que aquele beijo fosse realizado.

Meu coração batia acelerado e minha cabeça se perdia nas sensações que o seu toque me causava. Minhas mãos corriam por suas costas largas e a cada segundo que se passava, nossas ações ficavam mais urgentes, ansiosas e ameaçadoras. Por fim, só nos separamos quando nenhuma gota de consciência e oxigênio restara de nossas vidas.

— Isso serviu para lhe mostrar? — ele perguntou com a respiração falha, mas ainda sorrindo.

— Sim — sussurrei cansada, contudo, não abandonei o sorriso posto em minha face, assim como ele.

Damon segurou na minha mão e colocou uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha direita, fazendo com que o choque de nossas peles produzisse certo tipo de corrente elétrica. Minha boca continuava entre aberta, uma tentativa um tanto falha para respirar com maior facilidade.

— Elena, eu não me arrependo de nada do que fiz ou falei, quero deixar bem claro isso — Damon falou pausadamente, tentando se recuperar do beijo — Mas eu quero que você pense nessa conversa que tivemos agora, por favor. Se daqui a uma semana você estiver convicta do que quer, poderemos seguir adiante. Porém, eu te peço que você realmente pense nisso... De verdade.

— Uma semana é muito tempo, Damon...

— Eu sei que é. Mas é o tempo que eu vou precisar para realizar uma viajem a trabalho para Los Angeles... Quando eu voltar, te procurarei e conversaremos com mais calma. Eu só quero que você reveja tudo isso, que você tenha certeza do que está fazendo, sim?

— Tudo bem, então — suspirei profundamente, tentando conter a vontade de chorar de alegria e de tristeza ao mesmo tempo.

— Se cuida, minha linda — Damon depositou um selinho em meus lábios e depois outro em minha testa — E pense direitinho em tudo o que conversamos.

— Certo...

Damon sorriu pela última vez naquela noite e andou em direção ao portão principal, para ir embora. Já sozinha, os acontecimentos da noite começaram a passar como um filme em minha mente, desde o estresse passageiro com os meus irmãos, até o beijo avassalador que troquei com o Salvatore há poucos minutos. Questões que martelavam minha mente, pensamentos que eu não sabia se eram sábios de se imaginar. Contudo, eu só conseguia ter certeza de uma única coisa: esses seriam os sete dias mais longos de toda a minha vida.

Notas finais
Ficou muito ruim? Sei que ele não ficou lá essas coisas, mas gostaria de saber a opinião de vocês! Beijos e até mais ♥