Notas iniciais
Olá, amores :) Hoje o capítulo não tem praticamente nada de Delena, me desculpem por isso :( Mas o próximo vai só ser relacionado aos dois, okay? No capítulo passado eu esqueci completamente de agradecer a Nick Salvatore pela recomendação maravilhosa! Muitoooooooooo obrigada (de novo, porque já agradeci no grupo, mas nunca é demais), você fez com que meu coração pulasse de alegria! Enfim, lindos e lindas. Beijos e boa leitura!

Fechei o último botão do meu short jeans, calçando sapatilhas confortáveis e olhando-me no espelho do quarto logo em seguida. Joguei os meus cabelos de um lado para o outro, tentando deixá-los da maneira que eu gostava. Abri minha gaveta de maquiagens e retirei um rímel, passando-o sob meus cílios, que emolduravam o batom claro que estava posto em minha boca. Um sorriso incansável se fazia presente nela cada vez que a memória de ontem à noite retornava em minha mente.

“Mas eu sei o que você realmente quer, na verdade, o que todos querem. Você quer um amor que a consuma, quer paixão e aventura e até um pouco de perigo. Eu posso ser o caminho para isso.” — essas palavras corriam pela minha cabeça e desciam até o meu coração, onde uma alegria inexplicável se formava. Era incrível em como a voz de Damon me acalmava ao ponto de me trazer esperança. Ele era como uma luz no fim do túnel, algo que o meu inconsciente insistia em confiar. Era como se ele me entendesse por completo, conhecesse todos os meus sonhos sem que eu ao menos o diga. Era como se Damon estivesse pronto para realizar tudo o que eu não tinha coragem de fazer sozinha.

Ainda com esses pensamentos perambulando minha cabeça, desci até a sala de estar e encontrei Rose recolhendo os pratos do café da manhã. A senhora cantarolava tranquilamente uma canção simples, deixando o ambiente muito mais agradável.

— Bom dia, Rose — falei sorrindo, aproximando-me dela e depositando um beijo em sua cabela. Ela olhou-me assustada com o repentino susto, mas logo se suavizou ao ver que era eu.

— Bom dia, minha linda — respondeu alegre — Seus pais acabaram de sair para o trabalho, assim como Katherine para o estágio.

— É, percebi — sentei-me na ponta da mesa e peguei uma jarra com suco, despejando um pouco em um copo vazio — Jer foi para o colégio também?

— Não, ele entrou de férias ontem — Rose me entregou a cesta com os pães — Está dormindo até agora.

— Ah, então ok — retruquei as palavras enquanto repartia o pão e comia pedaços pequenos melados com geleia de frutas — Rose, se eu perguntar algo, você promete que não comenta nada com ninguém sobre isso?

— Claro, Elena. Você sabe que pode confiar em mim sempre que precisar... Eu te vi nascer, menina.

— Eu sei, Rose. E te agradeço por isso — segurei em suas mãos e as beijei rapidamente — Bem, você soube de tudo o que aconteceu ontem, não é mesmo?

— Sei sim, infelizmente.

— Então, meus pais comentaram sobre isso enquanto comiam? — perguntei receosa, recebendo um olhar de desaprovação dela — Por favor, Rose. Não vou contar a ninguém que você comentou algo...

— Tudo bem, Elena, tudo bem... — ela suspirou pesadamente e fixou os olhos claros nos meus — Eles comentaram em enviar você para um intercâmbio, porque assim você esquecia essa nova amizade. Também comentaram que você estava rebelde, sendo arrebitada e não mais doce como antes.

— Intercâmbio? — perguntei afoita, levantando-me rapidamente da cadeira — Eles estão achando realmente que isso cortará o meu contato por completo com Damon? Esqueceram-se de que existe internet e telefone para isso? Ah, façam-me o favor.

— Elena, querida, se acalme, por favor. Seus pais só estão preocupados e tensos porque você finalmente está saindo da zona de conforto deles. É apenas isso. É doloroso para eles perceberem que você cresceu e que agora é uma adulta independente, capaz de fazer suas próprias escolhas e arcar com as consequências.

— Você acha? — perguntei insegura enquanto suas mãos calejadas descansavam em meu rosto trêmulo — Você tem certeza que é apenas isso?

— Confie em mim, meu amor — seus lábios alcançaram minha testa assim que uma buzina estridente ecoou pelo cômodo — Veja! Caroline acabou de chegar! Agora vá, esfrie a cabeça e se divirta com a sua melhor amiga.

— Vou fazer isso — sorri satisfeita assim que nos distanciamos, ajeitando a bolsa em meus ombros logo em seguida — Obrigada, mais uma vez, Rose.

— Vá com Deus, querida.

Saí da casa, atravessei o jardim, os portões e entrei rapidamente no carro de Caroline, onde a mesma me olhava de forma ansiosa, provavelmente ainda tensa com a suposição de que eu estivesse com raiva por tudo o que acontecera na noite anterior. Em favor disso, a tranquilizei rapidamente, alegando que ela não tinha culpa de nada. E isso era uma verdade. Care havia sido vítima de toda a minha confusão diante de tudo, e se existia algum culpado, esse alguém era eu.

— Como você está com Klaus, loira? — perguntei curiosa, afinal, fazia um bom tempo que Care não me contava nada sobre Klaus, o que causou certo estranhamento de minha parte. Os dois não se desgrudavam desde pequenos, começaram a namorar na adolescência e estão juntos até hoje.

— Tudo bem, amor — ela respondeu com um sorriso nos lábios, sem desgrudar a visão da estrada, assim que ouviu o nome do namorado — Mas não vamos falar do Klaus, vamos falar do Damon...

Ao ouvir o nome do rapaz que ultimamente dominava todos os meus pensamentos, não pude evitar sorrir também. Virei o meu rosto em direção à janela, completamente envergonhada, tentando disfarçar a vermelhidão que o meu rosto se tornara.

— Ele é incrível, Care... — sussurrei feliz, fechando os olhos por alguns segundos e visualizando em minha mente os seus olhos azuis penetrantes.

— Você está apaixonada, Elena! — Care soltou gritinhos de excitação, fazendo com que eu olhasse rapidamente para ela.

— Lógico que não! — arregalei os olhos, apertando minhas mãos umas nas outras — Não seja boba, Care! Como posso estar apaixonada por alguém que eu nunca beijei, nunca... Você sabe! Essas coisas vêm com o tempo!

— Lógico que não digo eu, Elena Gilbert — ela respondeu afoita, apertando os dedos em volta da direção até ficarem esbranquiçados — Você está se apaixonando por Damon... Consigo ver isso de longe!

— Não pode acontecer isso, Caroline... — sorri tristemente, sussurrando as palavras com medo de dizê-las em alto e bom som — E se ele não apresentar os mesmos sentimentos em relação a mim? E se ele quiser apenas uma amizade mesmo? Não posso me permitir gostar de alguém dessa maneira antes que eu me machuque.

— Elena, você precisa parar com esses pensamentos diminutivos em relação a você. Primeiro que imaginar coisas negativas não irá ajudar em nada, apenas trará mais medo, algo que você já esta sentindo. Segundo e mais importante: você precisa entender que homens bons também existem na vida real, não só nos livros.

— Mas, Care, eu nunca senti isso na minha vida... Como posso afirmar um sentimento que nem ao menos eu o conheço — indaguei suplicante, escondendo o meu rosto entre as mãos.

— Nós não nascemos sabendo de tudo, Lena. Nós vamos aprendendo... E a partir disso vamos descobrindo novas coisas. Isso se resume a todos os aspectos, desde amizades, famílias, romances.

— Care, posso te fazer uma pergunta?

— Claro, meu amor. Qual é?

— Quando e como você percebeu que estava apaixonada por Klaus? — perguntei de supetão, querendo saber avidamente a resposta.

— Ah, Lena... Não foi algo do tipo: olhei para ele, o beijei e soube que estava apaixonada. Foi algo que eu soube com o tempo, com os carinhos, com a atenção... Eu simplesmente não parava de pensar nele, queria a todo o momento estar perto, descobrindo mais e mais coisas sobre a sua vida. Era como se o tempo em que passássemos juntos não fosse o suficiente.

— Care... — resmunguei a contragosto, sentindo uma sensação esquisita apertar o meu peito.

— Sim?

— Eu sinto isso por ele — retruquei as palavras de forma rápida — Tudo o que você falou, eu também sinto. Isso me assusta.

— Isso é normal, Elena — minha amiga respondeu rindo, enquanto nos aproximávamos do seu apartamento — Vocês simplesmente têm uma atração muito especial. E não é porque se conhecem há pouco tempo que isso não pode existir. Pelo contrário, isso apenas é a prova de que o que vocês sentem é real.

— E se ele não gostar de mim como eu gosto? — perguntei rapidamente, recebendo um olhar de desaprovação da loira — É porque você não o conhece pessoalmente, mas se conhecesse iria entender o meu medo. Damon é do mundo, Caroline.

— Ok, ele pode até ser do mundo — ela estacionou o carro em uma vaga disponível e desligou o veículo, olhando para mim logo em seguida — Mas o que impede de você fazer parte do mundo dele também?

Eu a olhei assustada, recebendo aquela frase como um empurrão em minha mente. Ela tinha razão, como sempre. Eu nunca iria descobrir os sentimentos de Damon por mim se não tentasse. Não adiantaria encher meus pensamentos e meu coração de dúvidas e angústias, me martirizando a cada segundo que se passasse. Eu precisava enfrentar todos os meus medos e as minhas vergonhas, pelo menos uma vez na vida.

Descemos do carro e entramos no apartamento, onde seguimos até o último andar e passamos uma das melhores tardes de nossas vidas. Cozinhamos juntas, assistimos vários filmes enquanto nos empanturrávamos de pipoca, chocolate e refrigerante. Por um momento, me permiti esquecer todos os dilemas que rodeavam o meu cotidiano, afinal, eu merecia algo do tipo.

Quando a noite chegou, Klaus convidou Caroline para jantar em um restaurante que havia sido inaugurado naquela semana. Como acompanhá-los nesse programa não era o meu plano, pedi que a mesma me deixasse em casa. Mas assim que a loira deu partida no carro, um novo pensamento surgiu em minha mente: E se eu fizesse uma surpresa para Damon em seu apartamento? Não nos falamos o dia inteiro, provavelmente ele estava trabalhando em algum canto. Confesso que a falta das suas frases inspiradoras e carinhosas reproduziam um grande vazio, como se eu estivesse necessitando sempre daquele contato.

Informei o endereço correto à Care e chegamos em frente ao apartamento rapidamente, já que a loira fazia questão de correr o máximo que pudesse. Uma parte de mim não estava acostumada com a adrenalina que era ser passageira de uma Forbes, mas a outra parte fica extasiada com toda a coragem que emanava de uma mulher tão doce e delicada.

— Obrigada por tudo, Care — falei assim que nos desvencilhamos do abraço, lançando um sorriso carinhoso para minha amiga — O dia foi incrível.

— Por nada, Lena — a loira segurou em minhas mãos e depositou um beijo simples nos nós dos meus dedos — Ah, tem certeza de que eu posso ir embora ao invés de ficar com você por enquanto? Sei que estou atrasada, mas o Klaus pode esperar.

— Não, amiga. Ele já esperou demais e você sabe que esses restaurantes com reservas são muito chatos, apesar dos clientes serem um Mikaelson e uma Forbes...

— Como se uma Gilbert ficasse atrás disso.

— Eu não falei isso! — ri desconcertada — Mas enfim, deixe-me ir encontrar com o meu Damon e você encontrar com o seu namorado.

— Hum... Já está toda possessiva! — Caroline gargalhou diante das minhas palavras, nos atrasando cada vez mais — Não é mais Damon Salvatore, é o meu Damon...

— Silêncio, Caroline! Agora me deixa ir embora, antes que amanheça o dia e nós fiquemos aqui falando asneiras.

— Elena Gilbert e suas palavras difíceis...

— Você sabe que esse é o meu charme — pisquei o meu olho esquerdo assim que fechei a porta do carro e me escorei na janela aberta.

— E eu conheço uma pessoa que adora esse seu charme...

— Eu também.

Antes que eu pudesse me afastar direito, Caroline arrancou o carro e saiu em disparada na direção de Manhattan, onde se situava o novo restaurante em que conheceria. Como não me restava mais nada a não ser seguir minha nova intuição feminina, decidi me aproximar da entrada do prédio de Damon e descobrir se o mesmo estava em casa.

Atravessei a rua olhando para as janelas do seu andar, mas notei que todas estavam apagadas, o que evidenciava que o Salvatore dos olhos azuis não se encontrava em casa. Suspirei pesadamente e com a visão ainda comprometida, senti dedos rodearem meu braço com uma força fora do normal e um movimento brusco me empurrarem contra a parede fria e escura de um beco ao lado da residência.

Um grito agonizante tentou escapar avidamente dos meus lábios, mas rapidamente uma mão com textura suja cobriu por completo a minha boca. Meus olhos se arregalaram em puro desespero e minha visão focalizou o rosto de um homem desconhecido, mas de aparência sombria e temerosa. Meu coração pulava em batidas frenéticas e o sangue em minhas veias corria de forma violenta ao visualizar um sorriso grotesco e maníaco do homem que me imobilizava.

— Olá, docinho... — sua voz gélida cortou o ambiente e um arrepio cortante se fez em minha espinha, imortalizando cada movimento que ele fazia — O que mulher tão inocente como você está fazendo sozinha há essa hora nas ruas do Brooklyn?

Era uma pergunta retórica, afinal, seus dedos imundos faziam questão de bloquear qualquer som que insistisse em sair das minhas cordas vocais. Um medo sem igual dominava qualquer vestígio de vida em meu corpo e naquele momento, eu podia sentir que seria abusada de uma maneira ou de outra.

— Acho que você está impossibilitada de falar algo, não? — apesar da escuridão presente no local, consegui perceber que sua íris castanha se escureceu até se tornar completamente preta — Então deixa que eu respondo por você.

Fechei os olhos em profunda agonia, mas antes que eu pudesse sentir qualquer toque, ouvi vários passos apressados se aproximando do local onde estávamos e de alguma forma o corpo masculino que me imprensava contra a parede se afastou do meu, fazendo com que eu tombasse no chão e um ardor consumisse algumas partes da minha pele.

Com a visão comprometida, apenas consegui visualizar uma nova figura doando socos, puxões e tapas no homem nojento que tentara há poucos segundos me violentar. Uma dor latejante se fez em minha cabeça e notei que minha boca estava cortada, assim como em algumas partes de minha perna. Antes que eu pudesse me desesperar ou algo do tipo, notei que os sons próximos a mim se calaram e uma nova pessoa se aproximara de mim.

Senti braços firmes me rodearem de forma protetora e um cheiro conhecido dominar minhas narinas, fazendo com que uma onda de tranquilidade percorresse o meu corpo. Era ele, só podia ser. O seu toque eu poderia conhecer de longe, junto com aquele carinho que o fazia único.

— Da-Damon... Eu... Eu... Estou com muito medo. Eu... Eu... Precis... — as palavras pulavam da minha boca descontroladamente, deixando transparecer todo o nervosismo presente em mim naquele momento.

Ergui o meu rosto de forma retraída e visualizei os seus olhos claros tão acolhedores, junto com o sorriso que poderia transformar uma guerra mundial em completa paz.

— Vem, baby. Eu vou cuidar de você.

Notas finais
O que acharam, galera? Já pensou se o Dam não tivesse aparecido na hora? Ia dar merda, certeza. O próximo tem muito Delena, PROMETO!