Notas iniciais
Oi, minhas flores! Muitooooooo obrigada por todos os comentários, favoritos e acompanhamentos que recebi! VOCÊS SÃO INCRÍVEIS! Bom... Aqui vai o capítulo 1 e espero que vocês gostem!

Corri os meus olhos pelo amplo escritório de Caroline, minha melhor amiga, tentando focar em algum objeto ou qualquer coisa do tipo. Minha visão estava embaçada, minhas mãos e pés suavam de uma maneira que eu nunca havia visto igual, minha cabeça parecia uma própria panela de pressão e eu mal conseguia mexer os meus membros inferiores. Os sintomas foram piorando ao passar dos segundos, fazendo com que os meus músculos amolecessem entre os braços da cadeira e o meu corpo atingisse o chão em frações de milésimos.

Alguns minutos depois, Care entrou em sua sala e me viu jogada no assoalho de madeira, completamente desacordada. A loira se desesperou e fez todos os procedimentos possíveis para que eu me recuperasse do desmaio. E, felizmente, todas as suas ações foram funcionais, pois eu estava reagindo logo em seguida.

— Elena, você desmaiou! — ela constatou nervosa, correndo em direção às janelas para que o ar fresco percorresse o ambiente — Você está bem?

— Só me lembro de estar me sentindo enjoada e tonta — sussurrei confusa tentando recobrar a consciência, enquanto Caroline me ajudava a levantar — Mas posso afirmar que estou bem, na medida do possível.

— Vou levá-la ao hospital.

— Não precisa disso, Care — rolei os olhos enquanto prendia o meu cabelo em rabo de cavalo alto. Passei as mãos pelo meu rosto, tentando retirar boa parte do suor presente em minha face — Foi uma queda de pressão porque nós ainda não almoçamos.

— Eu falei para irmos comer algo logo! Mas você ficou adiando toda hora! — Caroline resmungava as palavras enquanto pegava sua bolsa e a colocava sob os ombros — A propósito, vou levá-la ao hospital e ponto final. Precisamos saber se está tudo certo com a sua saúde, Lena.

— Certo — suspirei vencida, não havia nada que eu falasse para que minha amiga desistisse daquela ideia de check-up — Só não vamos avisar nada aos meus pais, por favor.

— Por quê? Eles precisam saber que a filha passou mal, Elena.

— Não irá adiantar de nada. Os dois estão em uma sessão do Tribunal, só irão ficar preocupados demais e não poderão fazer nada. Você sabe como eles são com essas coisas...

— Verdade — ela finalmente pareceu concordar com algo que eu falasse naquele momento — Então, vamos indo. Compramos um sanduíche natural na lanchonete para você comer.

— Tudo bem.

Pegamos nossas bolsas e seguimos para onde o meu carro estava estacionado, mas minha amiga acabou assumindo a direção, não permitindo que eu sequer tocasse no volante. Não estava reclamando, é claro. Dirigir não era uma das minhas atividades favoritas, eu possuía alguma parcela de medo em realizar tal ação e acabava pilotando o mais devagar possível. Já com Caroline, aquilo era totalmente oposto, e em questão de poucos minutos já estávamos avistando a entrada do centro clínico.

Assim que entramos na recepção e eu expliquei o ocorrido, encaminharam-me para uma bateria de exames, onde fui fazer sem reclamar, antes que eu acabasse recebendo uma lição de moral de Caroline. Depois que realizei toda a averiguação da minha saúde, fui dirigida para uma sala com algumas macas, para que um médico pudesse ler os resultados e dar novas orientações.

— Srta. Gilbert, o médico já vem atendê-la — uma enfermeira alta e loira falou comigo, levando-me para uma maca perto da porta — Deseja algum suco, café ou água?

— Não, obrigada.

— Tudo bem.

A moça abandonou o local, deixando-me sozinha naquela sala, junto com outro paciente que estava deitado em uma maca ao lado da minha. Ele estava com alguns arranhões no rosto e em uma das pernas, um corte ponteado era facilmente percebido. Seus olhos pareciam um oceano de tão azuis, os fios dos cabelos eram negros como uma noite sem estrelas e o sorriso torto em seus lábios vermelhos, davam um toque de sensualidade. Apesar da camiseta rasgada e de alguns hematomas roxos, aquele homem era lindo.

— Parece um discurso ensaiado, não é mesmo? — ele se pronunciou calmamente, como se já tivéssemos conversado antes ou algo do tipo.

— O quê? — perguntei confusa, erguendo uma das sobrancelhas em sinal de confusão.

— A fala da enfermeira — o homem respondeu erguendo os ombros — É como se fosse um robô e as palavras saíssem de sua boca de forma automática.

— É apenas o trabalho dela — argumentei no mesmo tom sorrateiro — Ela é paga para isso.

— É claro que é — sua risada foi totalmente irônica — Deve ser por isso que existem tantas pessoas frustradas com suas profissões e não veem mais beleza em nada.

Suas palavras me atingiram de uma forma meio impactante, afinal, eu fazia parte daquela grande porcentagem que o homem conversador estava mencionando. Eu fazia faculdade de Direito, mas ser advogada não era o meu sonho. E sim, eu era frustrada por isso. Claro que aquela realidade fazia parte das minhas escolhas do passado, porém, diante de toda a minha imaturidade emocional, acabei sendo levada pela opinião dos meus familiares.

— Eu sou uma dessas — comentei amarga, girando o meu corpo para o lado onde o moço estava.

— Você é o quê? — perguntou ainda com um sorriso nos lábios.

— A faculdade que eu faço não é a dos meus sonhos — respondi em tom de tristeza, abaixando a cabeça em sinal de redenção — Tudo por culpa da minha família que é toda formada em Direito.

— Eles podem gostar da profissão, mas você não, ué — as palavras saíram da sua boca em tom rouco, e quando as escutei, ergui minha cabeça e só consegui fitar o céu que eram os seus olhos — O que tem de errado nisso?

— Foi o que eu tentei falar a dois anos atrás quando estava acabando o colégio. Mas eles não me ouviram e praticamente me induziram a fazer essa escolha. E como eu não fui feita para decepcionar os meus pais, segui os seus conselhos.

— Isso é realmente triste, sabia? — sua voz foi em tom baixo. Eu apenas confirmei com a cabeça — Eu não sofro por esse problema, em compensação tenho alguns extras que a maioria das pessoas não possui.

— Você trabalha com o quê? — indaguei curiosa, afinal, aquele homem era completamente interessante. Era bonito, apesar do estado em que se encontrava, tinha um papo legal e cabeça. Também parecia muito importado com as pessoas que estavam ao seu redor, e isso era realmente muito bom.

— Eu vivo de eternizar momentos — sua resposta foi de um modo apaixonado, pois o seu olhar que eu insistia em fitar, pareceu se iluminar diante da minha pergunta.

— Como assim?

— Eu sou fotografo.

— Ah, sim.

— Ah sim — ele comentou rindo — Todos têm a mesma reação quando conto o que faço...

— Oh, não se sinta ofendido! — alarmei preocupada — Todas as profissões são dignas, desde que você faça com amor. A carreira que em tese eu escolhi para mim não é a mais renomada de todas e nem bem vista em questão financeira pela sociedade, só se você fizer muito sucesso.

— Seria muito curioso em perguntar qual seria? — o sorriso maroto não abandonava os seus lábios... E confesso que eu estava ficando inebriada com tanta beleza e simpatia.

— Lógico que não — esclareci sem graça — Meu sonho é ser escritora.

— Que interessante — o homem cujo eu ainda não sabia o nome, comentou mais interessado ainda — Confesso que acho escritoras uns charmes, se me permite dizer.

Pude sentir que o meu rosto se enrubesceu de uma forma que eu não sabia como explicar. Mas podia perceber que o sangue estava correndo mais rápido em minhas veias e um aquecimento repentino envolveu o meu coração. O que diabos era aquilo que eu estava sentido? Ainda tonta pelo comentário do cara gato em minha frente, tentei recuperar o equilíbrio e encontrar um novo assunto.

— Você acha interessante ser escritora? — perguntei me importando realmente com a resposta.

— Claro que sim — ele respondeu surpreso, como se a minha pergunta fosse algo muito óbvio — Vocês, escritores, eternizam momentos também. Na verdade, vocês têm o poder de criar momentos, o que é mais maravilhoso ainda. Algumas coisas precisam ser escritas para serem entendidas.

— Isso! — exclamei impressionada com as palavras dele, pois era a tradução do que era ser uma escritora — Você é um cara muito interessante, sua inteligência diante das coisas é de se impressionar.

— Obrigado — o homem pareceu se envergonhar pela primeira vez naquele diálogo — Você também é muito interessante.

Corei mais uma vez, mas dessa vez, fui interrompida pela enfermeira que entrou na sala acompanhada pelo médico de plantão. Retomei a posição em que eu estava e o doutor baixo e gordo sorriu para mim.

— Já dei uma olhada nos seus exames e está tudo bem com a senhorita — suas mãos se cruzaram diante da barriga exagerada — Você sofre de pressão baixa e é importante que se alimente nos horários corretos, além de estar bebendo sempre líquidos. Sugiro que procure uma nutricionista para uma dieta equilibrada, assim você terá uma noção melhor de quando e como você está comendo.

— Certo. Muito obrigada, Dr.

— Por nada. Você está liberada, ok? — ele tocou no meu braço e em seguida levou o olhar para o moreno ao meu lado — O raio-x do senhor já está sendo encaminhado para mim também.

— Tudo bem — o cara abriu aquele sorriso e em seguida fixou os olhos azuis em mim.

O médico e a enfermeira saíram do local, deixando-me novamente sozinha com o homem bonito. Levantei-me da maca e peguei minha bolsa de alças, colocando-a sob meu ombro. Quando olhei para ele, o mesmo continuava com o maldito sorriso sedutor. Não pude evitar sorrir também.

— Foi um prazer conhecê-lo — aproximei-me da sua maca, percebendo que de perto ele era mais perfeito e misterioso ainda.

— O prazer foi todo meu — seu sorriso se alargou mais — Se me permite, adoraria conhecer mais um pouco sobre as suas histórias...

— Claro — afirmei animada, retirando da minha bolsa uma caneta e um pedaço de papel, anotando o número do meu celular em seguida. Entreguei a ele e virei o meu corpo em direção à porta.

— Espere! — ouvi sua voz e olhei para trás automaticamente — Meu nome é Damon Salvatore. Qual é o seu?

— Elena Gilbert — sorri tranquila ao anunciar o meu nome, jogando os meus cabelos para trás de forma sedutora.

Assim que cruzei a porta e entrei no corredor amplo e claro, ainda consegui ouvir o meu nome em sussurros do homem com quem eu conversara segundos atrás. Um sorriso tímido cresceu em meus lábios e eu não consegui evitá-lo. Uma sensação gostosa aflorava pelo meu corpo, algo que eu não sentia há muito tempo.

Pouco tempo depois, cheguei à recepção e para a minha surpresa, meus pais se encontravam sentados ao lado de Caroline. Quando me viram, ambos correram em minha direção e passaram a me analisar de uma maneira sufocante. Qual é... Eu estava viva, o que já era bom.

— Querida, Caroline nos contou que você passou mal por não se alimentar! — os olhos de mamãe se arregalaram em puro desespero, tomando-me em um abraço logo em seguida — Não faça mais isso consigo mesmo, Elena. Sua saúde é mais importante do que o seu físico.

— Mãe, eu não estou deixando de comer porque acho que engordei — revirei os olhos ao ouvir suas palavras, tentando-me soltar dos seus braços — Foi só porque estávamos muito atarefadas e fomos deixando o almoço para última hora. Só isso.

Miranda finalmente se afastou de mim e olhou-me como se não estivesse acreditando no que eu disse. Droga, por que todos precisavam ficar desconfiando de cada passou meu? Eu já tinha vinte anos, não era mais uma garotinha adolescente que não sabia me cuidar nas coisas mais simples.

— Filha, fiquei muito preocupado com você — meu pai me abraçou mais delicadamente do que minha mãe — Não faça mais isso, Leninha. É a única coisa que te peço.

— Certo, pai — apenas consenti o que ele pediu, já estava cansada de toda aquela conversa — Vocês podem me deixar em casa agora? Preciso de repouso.

— Claro — minha mãe tocou no meu ombro calmamente e pegou minha bolsa — Caroline, querida, obrigada por ter insistido em trazer Elena para o hospital. Sei como essa garota é... Poderia estar com um braço quebrado e acreditaria que o tempo a curaria.

— Por nada, tia Miranda — Caroline riu da comparação da minha mãe e a abraçou em seguida. Cumprimentou depois o meu pai e fez um carinho em mim — Se cuida, meu amor. Mais tarde ligo para você perguntando como está.

— Tudo bem, loira. Obrigada por hoje.

Despedimos-nos mais uma vez e seguimos para o estacionamento. Em questão de pouco tempo, já estávamos avistando a entrada da nossa grandiosa casa, o que me animou um pouco, pois eu estava louca para tomar um banho e dormir o resto da tarde. Mas duvidava que conseguisse adormecer assim que deitasse, pois a visão de um homem curioso e bonito estava rondando os meus pensamentos desde que saí daquela sala... E, por algum motivo, eu me sentia muito feliz.

Meus pais deixaram-me em casa e seguiram para o trabalho. Katherine estava no estágio e Jeremy no colégio, ou seja, a casa era completamente minha, sem contar com os empregados que estavam trabalhando, mas que não incomodavam nem um pouco. Pedi à Rose, cozinheira que frequentava nossa casa desde que nasci, para preparar um suco de laranja e um sanduíche natural simples. Comi o meu lanche e segui para o meu quarto logo em seguida, tomando um demorado banho morno e deitando depois para sonhar com um tal de Damon Salvatore...

*

Naquele dia, despertei novamente depois de cinco horas seguidas de um sono muito gostoso e cheio de sonhos encantadores. Cocei os meus olhos e liguei o abajur que estava acima do criado mudo, iluminando o quarto que antes estava totalmente escuro. Em seguida, peguei o meu celular e resolvi visualizar as mensagens não lidas. Passei os olhos pelas conversas, tentando achar alguma que realmente fosse interessante. Mas algo me chamou atenção ali, pois havia um chat de um número desconhecido. Minha testa enrugou em confusão e resolvi abrir logo a mesma:

“Boa noite, Elena. Espero que você já esteja em casa e descansando depois do ocorrido de hoje. Foi um prazer conhecê-la e conversar sobre a vida. Espero que nos encontremos novamente. Ah, tomara que esse número seja realmente o seu.

— Damon Salvatore.”

Meu coração simplesmente pulou em profunda adrenalina diante daquelas palavras, eu estava me sentindo como uma adolescente flertando com o primeiro garoto. Tudo bem que eu não possuía muita experiência nesse aspecto, mas noção sempre era importante na vida de qualquer um. E, ainda um pouco trêmula, respondi a sua mensagem com as seguintes frases:

“Olá, Damon Salvatore. Sim, sou eu mesma. Fico feliz que você tenha gostado de conversar comigo, pois a recíproca é verdadeira. Estou bem, obrigada pela preocupação. Ainda embalada pelo nosso diálogo interessante, esqueci-me de perguntar o que aconteceu com você... Espero que esteja bem também. E claro, espero que esse encontro seja o mais rápido possível.

— Elena Gilbert.”

Fiquei esperando a resposta de forma nervosa, afinal, fiquei com medo de ter sido atirada demais e mostrado o quanto eu estava interessada em conhecê-lo melhor. E a resposta veio nos minutos seguintes:

“Escritores e suas palavras difíceis... Tão encantadores! Mal posso esperar por isso.

Damon Salvatore.”

E, mais uma vez, Damon invadiu os meus pensamentos de uma forma inovadora, curiosa e maravilhosa.

Notas finais
E aí, gente? O que acharam? Me contem tudoooooo! Um beijão ♥