Ressaca e seu danos né? Minha cabeça latejava horrores, me girei sobre a cama e vi que eram duas da tarde, minha mãe foi boazinha. Realmente? acho que precisava dormir mais, porem, não ia criar sono aonde não tinha!

Me levantei, fiz minhas higienes e fui caçar algo pra comer,meus pais não estavam em casa. Tinham ido passear, segundo o bilhetinho na geladeira " Fomos pescar" . Eles nem insistem para que a gente vá, porque sabem que a gente não gosta disso. Detesto pescar, entretanto eles adoram.

Voltei para o meu quarto, e ao passar pelo corredor, percebo a porta de minha irmã aberta.

– Esta acordada ? — vou abrindo a porta e entrando

– Boa tarde — ela sorriu. Estava sentada em sua cama, com o nootbook sobre as pernas.

– Esta de bom humor hoje. Por que sera né ? — esbocei um sorriso malicioso.

– Não devia, mas estou encantada por aquele garoto!

– Credo Isa, está se apegando rápido demais — Oh quem fala né Camila Cardoso.

– Não me apeguei, só achei ele legal — bufou — E você ontem ...

Meu coração disparou, engoli a seco sentindo minhas pernas bambearem, sentindo minha boca seca e meu corpo formigar.

– Pegou alguem ?

Ufa. Ela não tinha visto. Não sabia muito bem como contar pra minha irmã, que bem... "É, eu peguei sim, o Pai do Matheus" Não é todo dia que se ve algo do tipo.

– Aquele gostosinho quando estávamos dançando, você não viu ? — Revirei os olhos me levantando e me olhando no espelho, enquanto prendi o mesmo em um rabo de cavalo.

– Ah, é — ela ficou em silencio, acho que pensando — Ai, o Matheus me puxou e me beijou, ainnn — ela suspirou, relembrando o momento, me virei olhando enojada pra ela.

– Ai Cami, larga de ser chata — ela atacou um travesseiro em minha direção.

Eu ri dando de ombros.

– Falando nele — ela pegou o celular, eu encaminhei até a ponta da cama, esperando curiosa, pra saber o que o Matheus havia lhe mandado. Ainda mais, quando ela abriu aquele sorriso largo.

– E então ? ... — perguntei inquieta, mexendo as mãos, gesticulando que ela desbuchasse logo.

– Ele esta chamando a gente pra ir lá.

– A gente ? — bufei — Olha minha cara de quem vai ir pra lá, ficar de vela — fechei a cara

Ela riu — Vamosss Cami, eu fico sem graça de ir sozinha

– Fica é ? — gargalhei — Tenho certeza, que isso é a ultima coisa que você fica sem graça. Te conheço Isabela — pisquei.

– Vamos, vamos ! — começou a insistir, enquanto eu negava respectivamente com a cabeça.

–Olha! Ele disse que o Dan e a Lari, estão lá.

– Uh, estão íntimos assim ?

– Eu vou sozinha. Sua insuportável — mostrou a lingua.

– Papai e mamãe saíram. Vai me deixar só ? — fiz um bico

– A gente não vai ficar se agarrando, é uma tarde entre amigos — deu de ombros, enquanto se levantava e se guiava em direção ao guarda — roupa

– Tudo bem eu vou. Porque vão achar que eu sou a chata!Mas vai prometer que não vai ficar de graça, se agarrando diariamente com o Matheus.

Eu não ligo muito de ficar de vela, mas dois casaizinhos por lá, e eu chupando dedo é chato né. Não que eu tenha me esquecido, eu estava completamente certa que Fernando ia estar lá, junto com sua mulher. Era isso que estava mais me privando de querer ir lá, e ao mesmo eu estava com vontade de ir e ve-lo mais uma vez.

– Cami ? — Minha irmã me chamou, estralando dedos na altura do meu rosto

Me despertei dos meus pensamentos, me levantando e me guiando para fora do quarto.

– Vou trocar de roupa! — exclamei.

Como já havia tomado banho, apenas troquei a roupa, fazia muito calor, então optei em usar um shortinho preto rasgadinho, e uma t-shirt do Imagine Dragons, calcei meu vans preto, e soltei os cabelos.

– Vamos ? — perguntei me infiltrando novamente no quarto de Isa, e passando um de seus perfumes

– Cami, olhe aqui — ela me chamou com uma cara de espanto — Estou muito exagerada ? e meu cabelo esta bom assim ? Sei lá, essa roupa esta me favorecendo, e meu cheiro ? — se aproximou, e eu funguei seu pescoço

– Está Otima. Para de frescura ok ? — arquei a sobrancelha segurando em sua mão e a retirando para fora.

Fomos caminhando, Isa falando abobrinhas do Matheus, e eu meia desligada em tudo. Me vi torcendo que Fernando não estivesse mais lá, não sabia como reagir, parando pra pensar o que a gente fez ontem, foi algo super não pensado, ele tem um filho quase da minha idade, é bem mais velho que eu, tem uma familia. Onde eu estava me metendo? Preciso parar e me afastar de qualquer aproximação do Fernando antes que eu acabe me arrependendo. Mas continuei caminhando, e quando nossos passos foram se aproximando da entrada de sua casa, senti toda extremidade de meu corpo suar, inspirei e expirei.

– Esta bem, Cami ? — Perguntou Isa, com um bico no rosto, após, tocar a campainha

Fiz que sim a cabeça engolindo em seco, ao ouvir os passos se aproximando, assim como eu, podia notar Isabela nervosa.

– Oi meninasss — Era o Daniel — Entrem — sorrio de lado

Cumprimentamos o mesmo com um beijo no rosto, e caminhamos pelo corredor, eu queria sair correndo, ao estacionarmos na porta, respirei fundo mais uma vez. Entramos.

Larissa estava com um balde de pipoca na mão, rindo de alguma coisa com Matheus, que se levantou para nos receber.

– Oi linda — ele envolveu Isa para um abraço sufocante.

Eu estava dispersa, com os olhos rodeando o comodo, a procura de vocês sabem quem. Ele não estava lá. E eu me aliviei.

– Camiiii — Matheus parecia animado, me abraçou tambem

– E então, a ressaca, já esta bem ?

– Eu bebi ontem ? — Perguntou retoricamente.

Eu lhe dei o dedo, indo até a Lari, e lhe dando um beijo no rosto, aproveitando para pegar uma porção de pipoca e comer vagarosamente. E notar o que eu esperava acontecer em ação ....

Daniel se sentou ao lado de Larissa, e Matheus ao lado de Isa. Não olhei com reprovação para Isa, deixei ela curtir seu momento. Fui até o outro sofá, e me sentei.

– Certo. A gente vai fazer o que mesmo ? — perguntei entediada.

– Vamos assistir um filme ? — propôs Daniel.

Todos concordaram, e escolhemos um de terror. Ninguém hesitou, minha irmã ficou com uma cara amedrontada, por que ela é medrosa, mas não se manifestou.

Matheus colocou o filme escolhido, e fechou as cortinas do ambiente.

– Buuuh — Todos saltaram, assustados. Era a morena da pizzaria.

Todos riram, e ela mais ainda.

– Olá crianças

– Mãe, vai cagar, que susto! — Matheus exclamou rindo.

– Estão assistindo o que ? — ela se sentou bem ao meu lado. Eu comecei a fita-la. Ela tinha que ser tão simpatica ? Seus cabelos eram tão negros e lisos beirando até seus ombros, ela tinha um olhar mel e meigo, tinha um biotipo mais cheio, mas não exagerado. Ou seja, a loira do parque não era a mulher de Fernando.

Fiquei lá a observando, imaginando ela e Fernando juntos. Era estranho pensar, revirei o olhar me concentrando no filme. Embora, ainda não conseguisse parar de pensar na vida perfeita que eles aparentavam ter. Tirando que ela já não deve mais passar na porta, pelo marido cafajeste que tem... e muito gostoso!

– Dona Raquel — Ouvi Daniel murmurar alguma coisa.

Fernando e Raquel. Que meigo, parece nome de dupla dinâmica em desenhos animados.Grrrh

– Licença. Eu queria um copo d'água — pedi sentindo minha boca seca. Naquela calorão.

– Claro querida, é só seguir aquele corredor — ela me respondeu com um sorrisinho gentil, eu sorri de volta com os dentes trincados.

Me levantei, e fui até o corredor avisado por Raquel. Chego na cozinha, e vejo Fernando mexendo em um nootbook em cima da mesa. Ele ainda não havia me visto, me silenciei, disposta a dar meia volta e ir embora. Seus olhos se levantaram percebendo minha presença, eu estava lá parada com uma cara de nada.

– Licença — sorri sem dentes — Vim pegar um copo d'agua.

– Não sabia que estava aqui — Ele me olhou surpreso, se levantando

– É. Estou aqui, o Matheus nos chamou ... — eu parei por ai, sem querer falar mais nada

Mordi meu labio por dentro, sentindo meus batimentos cardíacos acelerarem. Observando ele sem camisa, com uma bermuda jeans azul clara.

– Eu pego pra você — sorriu, pegando um copo e enchendo com água, pela geladeira de duas portas de inox.

Ele se virou me entregando o copo, o segurei firmemente, com medo de demonstrar um tremor sobre as mãos. Comecei a beber, sentindo o liquido gelido escorrer pela minha garganta. Revirei os olhos, porque notei Fernando com as costas grudadas na pia, de braços cruzados me olhando. Desisti de beber toda a água, parecia que não tinha fim.

– Obrigada! — Caminhei até a pia, e deixei o copo.

– Esta calor né — ele bufou — Você gosta de calor ?

Não Fernando. Não converse comigo, ainda mais sobre temperaturas climáticas. Eu engoli seco, ele não podia perceber o efeito que causava em mim, não podia! Alias, não sei porque raios eu fico toda embabacada e sem reação com esse homem.

– Ah, eu gosto do calor. Eu fico mais animada — respondi com firmeza.

– Curtir uma praia né. É bom mesmo por esse lado. Mas eu tenho uma paixão por frio. Cobertas, moletons...

– Detesto frio — o interrompi, ele arqueou a sobrancelha pra mim.

– Eu estava pensando de alugar uma chácara no fim de semana. Você pode ir com a gente se quiser.

Eu ri, e pelo seu olhar,ele ficou procurando a graça.

– Obrigada Fernando. Melhor não né. — suspirei — Eu conheci a Raquel, ela é linda.

– Ah — ele deu de ombros — A gente brigou — ele franziu a testa — Por isso vim pra cá, ficar na minha

– Estava vendo o que ? — olhei pro nootbook. Me odiando, por estar puxando assunto. Camila, você já não estava de partida ? Vão achar que você foi produzir a água.

– Na verdade, estava procurando o que pesquisar. Meu dia ta um saco — desabafou, e eu bati os cílios sem reação — Você foi a melhor coisa até agora.

Precisei rir.

– Qual a graça ? — mordeu o labio, colocando suas mãos em minha cintura — Não acredita ?

Fiz uma careta de desdem.

– Ah, Fernando. Eu não sou essas garotas iludidas, que caem nessas cantadas mal elaboradas. Você deve estar acostumado a lidar com garotas que caiem em seus blefes mal feitos. Mas eu não sou assim — sorri

– E porque me beijou noite passada ? — ele riu apos meu discurso, acariciando meu rosto. Ai eu notei, o quanto estávamos colados, parecia um abraço

Eu ri mais uma vez — Porque eu quis — sorri, colocando minhas mãos em volta da sua nuca, e bem que eu queria lhe beijar de novo.

– Igual você quer agora? — sussurrou, me segurando no colo, e me posicionado na pia, ficou no meio de minhas pernas, e apertou com força meu quadril, dando um beijo suave em meu pescoço, e alisando sua barba em minha pele. Uma onda de calor se alastrou por meu corpo, ele tinha um domínio em me deixar exitada, e isso estava muito errado. Ah é Camila, esqueceu que ele é o Senhor todo errado? Mas eu não sou você Fernando, você não vai deixar eu errar junto com você.

– Quem foi que te iludiu, em achar que eu quero te beijar agora ? — sussurrei, com os nossos lábios em uma proximidade minima, ele abriu aquele sorriso idiota. Aquele sorriso lindo — Esta enganado — pisquei, o afastando levemente com as mãos sobre seus ombros. Pulei de cima da pia, e sorri ao ve-lo me olhando com uma cara de pasmado.

– Tchau Fernando — sorri de lado, lhe dando as costas e voltando para sala.