Proibido
12 Capitulo 12
Me encaminhei ao corredor, pensando como reagiria quando chegasse na sala. Talvez, se eu agisse normalmente, eles nem notariam. Respirei fundo e conti um grito, ao sentir os toques de quem ? Me viro, era o Fernando com uma mão me segurou pela cintura e com a outra, puxou o meu cabelo, me prendendo junto a ele. Ao pé do meu ouvido sussurrou bem baixinho: “Eu quero você”
– Fernando. Perdeu a noção foi ? — Não sei como consegui responder, meu corpo estava como um pisca- pisca elétrico. Como se meu cérebro dissesse Não acredite Camila! Não acredite! E meu coração sussurrasse " Eu também te quero, Fernando"
– Noção ? — ele pareceu perguntar pra si mesmo — Esqueço isso, quando estou com você Cami. Você me causa uma sensação diferente, não sei explicar — ele suspirou lamentando, fiquei tentando entender seu olhar frustado. Mas estávamos em pleno corredor, eu até podia estar afim de discutir, sei lá, saber mais um pouco sobre sua vida e seu relacionamento de Raquel.
Barulhos de passos
Fernando e eu nos entreolhamos, e eu me virei rapidamente enquanto ouvi o barulho dele aparentemente correndo para cozinha
– Camiii — minha irmã arregalou os olhos, eu olhei pra trás, pra ter certeza se Fernando tinha sumido. — Que demora !
Engoli a seco, me aproximando dela, pensando em alguma desculpa! Optei em não dar desculpas.
– O pai do Matheus estava na cozinha, ai eu estava conversando com ele. Nada demais. Ué, estava cansada de ficar chupando dedo! — mudei o assunto — Aproposito, você prometeu ....
– Shhh, desculpa — ela me interrompeu, me abraçando.
– Notaram que eu demorei ? — perguntei hesitante
– Na verdade não. Eu percebi, e vim atrás de você. A gente estava querendo sair. Vem — ela puxou meu braço, retornando para sala.
– Pra onde a gente vai ? — Larissa perguntou animada
– Caraca, vocês não cansam não ? — franzi o cenho.
– Vai ou, Morta!! — Matheus me zombou, beliscando minha barriga
Me afastei fazendo cara feia. Notei a Loira do outro dia sentada no sofá conversando com Raquel, quando nossos olhares se cruzaram, a loira ficou me medindo, como se estivesse me reconhecendo. Rodopiei rapidamente, vagando para perto de Larissa. Retornei a olhar, e percebi que ela já havia desviado sua atenção de mim. Gloria! Ela podia contar que me viu falando com Fernando ou algo do tipo, e eu que já não estou com a consciência muito limpa, tenho meu receio de algo dar errado.
Todos estavam em uma constante discussão para onde iriam. Notei Fernando comparecer na sala, estava vestido agora, com uma camisa polo preta, e uma lata de cerveja na mão.
– Boa tarde — deu um aceno esparramado no ar pra todos. Ele e Raquel se entreolharam, e ele se sentou ao seu lado, cumprimentando a loira.
– Eai, que furdúncio é esse gente ? — Raquel exclamou risonha
– Estamos indecisos — Matheus bufou.
– Sorveteria que tal ? Nesse calor é ótimo.
– Tem razão. Decidido e já era — exclamou. Todos riram
– Matheus! — Foi a vez de Fernando se pronunciar — Porque não chama seus amigos para passar o fim de semana conosco ? — Fernando olhou pra mim, e eu revirei os olhos.
– Boa Pai — ele se animou — Eai galera, vamos para chácara esse fim de semana ? — Abraçou Isa por trás, que gesticulou a boca como um " Vamos por favor" Neguei com a cabeça disfarçadamente
– Eai, vamos ? — Matheus perguntou pra mim, depois de Daniel e Larissa toparem
Todos silenciaram esperando minha resposta.
– Não sei, até o fim da semana eu te aviso — pisquei — Vamos logo, que agora eu quero comer esse sorvete!
E assim seguimos nossa jornada, fui umas das primeiras a passar na frente, fomos para a sorveteria. Ficamos conversando por um bom tempo e eu particularmente, comendo muito. Já que eu não tinha ninguém pra deleitar os labios, vamos deleitar dos sabores expostos na sorveteria.
– Estou cheia — indaguei, passando a mão na barriga
– Você comeu um pouco de cada sabor. Quer o que ? — Daniel disse rindo
– Gooorda — Matheus zombou, passando o sorvete de creme sobre a maça do meu rosto.
– Vai a merda — exclamei, passando um guardanapo no rosto.
– Vamos pra casa, Isa ? — olhei manhosa.
– Não mesmo. Vocês vão ficar aqui, ou então vá e deixe ela — abraçou Isa forte.
– Ah, Vai se fuder Matheus. Já aproveitou bastante — disse puxando minha irmã, enquanto ela se formava um cabo de guerra.
– Só porque vai me ver a semana inteira né Cami. Mas eu não vou ver a Isa a semana inteira — protestou
– Como se eu fizesse questão de te ver. Iludido — risos — Vai, se despeçam, eu viro pra vocês — pausa, todos riram- Vocês sabem — pisquei, me virando e indo devagarinho pagar a minha quantia.
– Já podemos ir ? — disse de braços cruzados, enquanto voltava
– Fazer o que né — Matheus estremeceu, depositando um beijinho na bochecha de Isa. Me preocupa, a intensidade dos dois, talvez eles realmente tivessem se gostando, eu não conheço o Matheus suficientemente para saber. Mas temia que ele fizesse minha irmã sofrer. Homens são atores, e se ele for cínico e cara de pau igual o pai.... Mas estava na cara que esse domínio, e a forma como eles fazem uma garota se derreter facilmente, era de familia. Mas comigo não ia ser assim.
Se despedimos de todos, com moléstia, resolvemos pegar um ônibus pra chegarmos mais rápido em casa. Porra, até pegar o maldito ônibus tem que me fazer lembrar o Fernando. Pensei que tivesse conseguido enganar minha irmã, só pensei ...
– Cami — ela murmurou meu nome, enquanto caminhávamos para casa, eu fiz um barulho com a boca, pra que ela continuasse — O que exatamente você e o pai do Matheus conversavam ?
– Por que ? — perguntei com um apavoro na voz. Me xingando mentalmente. Ela me olhou arqueando a sobrancelha — Conversamos de ... seilá coisas normais. Não entendi a pergunta — Eu sou uma pés-si-ma mentirosa!
– Estranho. Você ficou lá um bom tempo e eu notei. Vocês mal se conhecem e já tem tantos assuntos. Ele é bem gato né.
– Ele é velho Bela, tem seus trinta e poucos anos ou mais
– Eu só disse que ele é gato. Não disse mais nada.
– É, ele é bonito mesmo — acalmei minha voz.
– Por acaso, ele não estava se aproximando de você estava ?
Fiquei em silencio — Ele parece ser safadinho sei lá — ela riu consigo mesma
Instinto de irmã ou o que ?
– Que ideia, Bella. Ele é casado, nada a ver — disse um pouco irritada — Está achando que eu dei bola pra ele ? — Nem eu entendo o porque da minha mentira, acho que insegurança daquela nossa noite no carro, apesar de ter sido um beijo quando eu estava bêbada, foi errado.Fiquei receosa, de Isa ter visto algo, mas ela teria comentando antes não teria ?
– Calmaaa — ela exclamou levantando as mãos pra cima na altura da cabeça — Relaxa, Cami... só achei que
– Achou o que ? — Rebati
– Que você esta se estressando a toa com isso. E essa historia esta me deixando intrigada porque te conheço. Mas não consigo te imaginar pegando aquele cara, nada a ver. Por isso estou confusa, e quero que você seja franca comigo. — ela disse olhando em meus olhos, eu desviei pegando a chave em minha bolsa, e abrindo o portão de nossa casa.
– Bela, você esta vendo coisa onde não tem — pisquei, entrando dentro de casa e indo correndo para o quarto, meus pais não haviam chegado. Liguei pra eles, disseram que chegariam um pouco tarde por conta de um transito na metrópole.
Tomei um banho e fiquei pensando na conversa que tive com Bela, na minha conversa com o Fernando, dele dizendo "Quero você" Da minha guerra entre coração e cérebro, da Loira parecendo me reconhecer, e do quanto eu me arrependia de ter conhecido o Fernando e pior, de não me afastar de vez como devia, ai lembrei-me da tal chácara. Caramba!, eu sabia que se eu estava disposta a não enfrentar o problema EU NÃO PODERIA ir pra essa chácara. Mas no entanto, algo dentro de mim despertava uma vontade de querer errar, de fazer o proibido, me causando indescritíveis sensações que eu nunca senti. Cade a Camila certinha ? Acho que perdi ela em algum lugar. Sinto meu celular vibrar, era o Fernando me mandando uma mensagem de " Boa noite" Eu o odiei tanto nesse momento, porque obviamente que ele era fingindo, ele ainda não estava convicto que eu era diferente. Decidido! Irei ignorar Fernando durante toda semana, sem responder mensagens, sem pegar onibus com ele ( por que não sabia como ia evitar isso, ainda) Contando com a sorte. Mas, claro! se ele me procurar!
Estava com saudades do Paulo, não via a hora de chegar o dia do curso, e desabafar com ele, eu sei que com ele eu me sinto bem em contar qualquer coisa. No entanto, estava querendo esquecer, e não alimentar essa confusão dentro de mim, talvez eu preciso de outra pessoa na minha vida. Mas eu odeio entradas repentinas, na verdade, odeio entradas de pessoas na minha vida, porque geralmente nunca não certo, vão embora sem dizer adeus, ou chegam assim , me deixando boba. Paulo, era uma pessoa que poderíamos nos definir como um par ideal, mas a gente tem essa ligação harmônica, e de irmãos. Eu só precisava esquecer tudo. Mas a semana de provas estavam começando, minha solução era me focar nos estudos. Não tem como isso fazer mal pra mim. Então é isso. Amanhã é outro dia Camila.
E que venha a semana.
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