Problemas no Paraíso
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Divirtam-se com essa loucura!!
Um ano... um ano desde que fizemos nosso votos. E toda a cerimônia, hoje, tão clara em minha memória, passou como um flash quando acordei e, posso dizer com toda certeza, eu ainda não o agradeci o suficiente por tudo aquilo. Eu ainda não o agradeci por ser ele. Até hoje! Contudo, esperava que ele gostasse do presente que iria receber.
Os últimos dias foram relativamente tranquilos, nada de casos longos ou complicados, alguns dias até mesmo não fomos chamados. Após tudo o que aconteceu, tudo finalmente entrou nos eixos e nossas vidas estavam perfeitas. Tão perfeitas quanto Leroy Jethro Gibbs e Jennifer Shepard podem ser quando ficam muito tempo juntos e em um mesmo espaço.
Posso jurar que o casamento não nos mudou, em nada. Ainda somos os mesmos teimosos, cabeças duras, mandões de sempre que, às vezes saem do controle e começam a discutir. Mas que casal não briga e depois não faz as pazes? Tudo bem que uma vez ele acabou no sofá, ou pelo menos eu o mandei para lá, mas ele amanheceu do meu lado. Contudo, ainda somos os mesmos apaixonados um pelo outro, da mesma forma em que fomos em Paris. Somos simplesmente nós dois vivendo nossas vidas juntos.
Nesta manhã em especial foi mais complicado sair da cama, mas quando pensamos que poderíamos tirar o dia de folga alegando doença, o telefone toca. Um caso. Comandante da Marinha sequestrada, seu marido morto, e seus dois filhos, desaparecidos. Prioridades. Levantamos e fomos fazer a segunda coisa em que somos bons.
Encontramos a equipe já na cena do crime. Ducky e Palmer já estavam trabalhando no corpo, e após um breve resumo vindo de Timmy sobre a Comandante Williams, começamos nossa caça às evidências.
Tudo ia às mil maravilhas quando McGee recebeu a confirmação da identidade do morto. Um Sargento do Exército. Só podia ser brincadeira. Teríamos que dividir a cena com o CDI do Exército, e eles são insuportáveis. Não tardou que os jipes nada discretos dos “nossos amiguinhos de cena de crime” parassem atrás de nossos carros. E para a total surpresa de todos, e principalmente a minha, do primeiro carro desce, ninguém mais, ninguém menos que a Tenente-Coronel Hollis Mann.
— Mas que diabos! Essa mulher não tinha aposentado e ido para o Hawaii? – sibilei.
— Mas quem? Tony me perguntou.
— Mann.
— A Mann está aqui?! – Ele oscilou do assustado para uma expressão de quem iria gostar do que estava prestes a ver.
— Vire-se e verá.
Eu não estava nada feliz, nos meus tempos de Diretora, lembro muito bem que a MCRT dividiu algumas cenas com o ECDI. E Hollis era a chefe da equipe de investigação. Até aí tudo bem, o problema era que, ela tanto deu de cima de Jethro que ele acabou por aceitá-la em sua vida. À época eu tinha plena certeza de que ele até podia gostar da companhia noturna dela, mas ele só estava me testando. Vendo até onde o meu ciúme por ele ia. Não me leve à mal, ela até parecia ser boa pessoa, e tenho certeza de que até poderíamos nos dar bem, se nós duas não estivéssemos interessadas no mesmo homem. Mas lembro-me muito bem quando li no Diário da Marinha que ela havia se aposentado e mudado para o Hawaii. Foi a melhor notícia que recebi naquele ano. E agora ela estava de volta.
— Não é engraçado? – Tony chamou minha atenção.
— O que é engraçado? – Eu não via graça nenhuma na reaparição da Coronel.
— Vocês duas terem retornado mais ou menos no mesmo tempo. Quero dizer, ela tinha aposentado e agora está aqui, e bem, você, fingiu a própria morte e também está aqui... sem contar...
— Sem contar...
— Que tenho certeza que o Chefe teve um caso com ela. – ele falou sem pensar, tenho certeza, mas na hora que viu o modo como eu o olhava, completou. – Mas a situação é completamente diferente agora. Você e o Chefe estão casados.
— Tony, por favor, apenas fique quieto.
— Pode deixar!
Nossa conversa durou pouco, o suficiente para a Coronel e sua trupe de uniforme entrarem na casa e bradarem pelo responsável pela investigação, Tim em um instante chamou por Jethro que estava no segundo andar.
— Chefe, temos companhia, o ECDI, chegou.
Todos ouvimos Gibbs reclamar do segundo andar, algo como, chegaram esses malditos para atrapalhar a nossa cena. Nessa hora, notei pelo canto do olho que Hollis havia reconhecido a voz, e abriu o mais feliz dos sorrisos. E eu trinquei minha mandíbula para segurar qualquer palavra que pudesse sair, sem querer.
— Jethro, que bom te ver! – Ela era puro açúcar, e me deu vontade de vomitar.
— Coronel Mann. É você quem vai trabalhar conosco?
— Sim. Isso não é ótimo? Depois de tanto tempo! – Ela deu um passo em claro sinal de que iria abraçá-lo.
Gibbs deu um passo atrás e apenas ofereceu a mão. Mas ela não se conteve.
— Que isso, Jethro, já partilhamos mais do que abraços.
Eu pude sentir meu rosto esquentar e não precisava de espelho para saber que estava tão vermelho quanto meu cabelo. Mas que mulher...
E bem na minha frente, ajoelhado a poucos centímetros de mim, tinha DiNozzo que observava a cena com muito interesse, seus olhos passeavam entre Gibbs e Mann e depois de volta para mim, analisando cada uma de nossas reações. E ele estava adorando o meu ataque de ciúmes silencioso.
— É Jenny, você tem concorrência. Parece que a Mann está querendo alguém de volta. – Ele sussurrou.
— Foca no que você tem que fazer, Tony. E me deixe em paz! – Sibilei de volta.
Nessa hora, Ziva apareceu na sala. Olhou para a Coronel e depois para Gibbs para então dizer:
— Gibbs, — ela deliberadamente excluiu a Mann, achamos uma pista no quarto da menina. Parece que houve uma luta e tem cabelo e algumas gotas de sangue. Vou levar imediatamente para Abby.
— Não tão rápido, Agente David. Tem que passar pela minha autorização também. – Coronel interveio.
Nisso, eu e Tony acabamos nossa parte e ficamos olhando o que Ziva responderia. Nem precisamos apostar que ela seria curta e grossa.
— Com todo respeito, Coronel, temos duas crianças desaparecidas, portanto, qualquer minuto conta. Se eu for esperar a autorização de cada um na cadeia de comando, elas podem morrer. Assim, com licença. – A israelense virou as costas e rumou para o carro.
Foi quando Tony resolveu avisar que já tínhamos terminado a nossa parte.
— Chefe, Shepard e eu já terminamos aqui também, e estamos à caminho do estaleiro. Você vem?
Com a menção ao meu nome, vi a cabeça loira da Coronel se virar para encarar Tony e ao mesmo tempo me encarar. Ela parecia não acreditar em quem estava vendo.
— Mas você está morta! Lembro de ver a notícia na TV!
— Não se pode acreditar em tudo o que a TV noticia. – Falei o mais educadamente que consegui. – certas operações necessitam de determinadas ações.
— Estou vendo. – Ela me analisou de cima em baixo. – A morte lhe caiu bem, Shepard. – Ela disse irônica.
— Mas o tempo não foi generoso com você, não, Coronel. Se me der licença, temos evidências para levar até a base. Nos vemos mais tarde.
Tony tinha o maior dos sorrisos no rosto, daquele tipo que significa que esta vendo uma excelente partida de futebol na TV, Tim tinha o olhar esbugalhado e pude jurar que Ziva disfarçava uma gargalhada.
Vendo o clima que se instaurara no local, Gibbs não teve outra opção a não ser mandar a equipe de volta.
Muito animadamente Hollis se ofereceu para ir no carro com Gibbs, com a desculpa de irem discutindo o caso, ele deu a mais esfarrapada das desculpas – carro cheio — e partiu.
Como fomos em dois carros, a equipe se dividiu, sendo que Tony, Ziva e Tim foram em um e eu e Jethro no outro.
Não demorou para que ele me perguntasse:
— Mas o que diabos foi aquilo lá dentro, Jen?
— Aquilo o que? – Sinceramente não sabia o que ele queria dizer.
— O que você disse para a Hollis!
— Hollis?! Mas não disse nada demais. Apena respondi do mesmo modo que ela falou. Além do mais...
Ouvi-o suspirar.
— Além do mais, ela não teve um pingo de respeito por essa aliança que está na sua mão esquerda!
— Vai bancar a ciumenta?!
— Ciumenta?! Imagina. Só protejo o que é meu! E aí dela se encostar um dedo em você!
— Jen, vai com calma, você não é mais a Diretora. Se ela não gostar de algo que você disser, isso vai parar nos ouvidos do Leon...
— Jethro, deixe quieto que eu resolvo.
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Alertas AMBER foram emitidos para as duas crianças, assim como as policias estaduais e municipais implantaram barreiras por todo o estado. Tanto a Comandante quanto seus filhos seriam encontrados.
Enquanto o time trabalhava na vida pregressa do casal e tentávamos achar qualquer coisa que pudesse ser considerado uma pista concreta, Mann andava para cima e para baixo atrás de Jethro como um fiel cachorrinho. Eu sei que ela tem que ficar por dentro da investigação. Sei que deve participar, mas ela tem que ficar tão perto dele assim?
Logo que voltaram da sala de autópsia, sem nenhuma novidade pelo visto, ela fez questão de parar bem do lado dele, praticamente com os ombros encostados, enquanto nós quatro os atualizávamos com as descobertas. Quando terminamos com as poucas informações que possuíamos, afinal era um casal muito correto, com ambos sem nenhuma ficha criminal ou até mesmo hipoteca. Ligações telefônicas normais, sem nada de suspeito. Gibbs nos mandou cavar mais e, enquanto pesquisávamos a fundo o passado e o presente dos dois, Mann chegou perto de minha mesa e se escorou na ponta.
— Deve ser muito ruim, um dia ser Diretora e no outro voltar a ser uma agente de campo subordinada. Que tombo que você levou, hein?. Ainda bem que meu posto estava guardado no Exército. – Ela começou.
— Pode ter certeza que tive oportunidades que você consideraria melhores, mas para mim, é tudo o que eu preciso. – Disse sem nem levantar a cabeça.
— Mas mesmo assim, subordinada? Achei que você não se dignaria a tanto! Soa até absurdo para mim.
Mordi a minha língua e cravei meus pés no chão. Porém acabei por chamar a atenção de todos quando meus saltos clicaram alto.
— Cada um sabe o que faz da própria vida, Mann. Agora se me der um tempo, tenho que terminar essas pesquisas.
— Enquanto você tem suas prioridades, eu tenho a minha. — E ela olhou diretamente para Jethro. – Aquela aliança ali vai sumir rapidinho da mão dele.
Céus, dê-me paciência para não voar no pescoço dessa mulher!!
E lá foi ela sentar na mesa do meu marido. Na maior cara de pau! Se eu ficasse naquela sala mais um segundo eu ia descarregar o pente da minha arma nela. Eu precisava sair. Foi quando o telefone da minha mesa tocou, era Abby. Que timing perfeito da minha dama de honra!!
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— Jenny! Me diga que é mentira a presença da Coronel aqui!! Me diz que aquela pessoa nojenta que está praticamente caindo no colo do Gibbs não vai ficar aqui!!
— É verdade, Abs, ela está aqui e está fazendo exatamente o que você está dizendo. – eu reprimi uma ânsia de vômito.
— Você está bem, Jenny?
— Sim. Vamos resolver esse caso logo que ela vai embora e todas vamos poder respirar.
— Não foi isso que quis dizer. Quis saber de você, está mais branca que o normal.
— Eu tô ótima, Abby. Não se preocupe!
— Tem certeza? Absoluta?
— Sim. E o que você tem para mim?
— Consegui achar a quem pertence o sangue e também de quem são as digitais!
— Mesma pessoa?
-Claaaaroo que não! Temos não uma, nem duas, mas três pessoas diferentes! – Ela disse fazendo a contagem com os dedos – E eu já te mandei os nomes e os endereços! Vá lá e traga as crianças de volta!
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Eram três endereços distintos, um em cada área da cidade. A equipe estava composta provisoriamente por seis pessoas, o mais lógico seria nos dividir em três duplas e cada uma cobrir uma dica. Para a rapidez da busca foi o que fizemos, mas não deu muito certo...
Quando chegamos ao estacionamento para pegarmos os carros, Mann em um pulo de gato passou na minha frente e tomou o banco do carona de Jethro. As duplas acabaram por se dividir entre Tony e Ziva e McGee e eu. Menos mal, porque se tivesse que suportar Tony e suas indiretas por todo o caminho, ele chegaria a destino, mas não voltaria para a base.
Que fique bem claro, eu confio no meu marido. Mas em nenhum momento eu confio na Mann, e deixá-lo a sós com ela estava me deixando louca!!
Abby nunca erra nas pistas que descobre, isso é fato. Contudo, desta vez, pelo menos o endereço que ela passou, não tinha nada, havia indícios que as crianças estiveram ali, porém só isso. Colhemos as evidências que nos eram necessárias e voltamos para a base, esperando que Tony e Ziva e Jethro e a mulher, tivessem mais sorte.
Uma das coisas que gosto de McGee é que ele não é de ficar puxando assuntos irrelevantes para o caso, portanto, conversamos o caminho todo sobre quais possibilidades esse caso traria em questão de resultado, e em hora nenhuma ele tocou no assunto preferido de toda NCIS hoje, a volta da Coronel.
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— Ziva, Ziva, minha adorada Ziva.... você viu que climão está instaurado na equipe? Ha! Essa investigação vai pegar fogo!!
— Tony, por favor, não comece com isso! A Coronel devia respeitar a aliança que está no dedo do Gibbs e não ficar se jogando em cima a cada oportunidade! Além do mais, ela está adorando pegar no pé da Jenny.
— Eu até concordo com você, Agente David, mas que isso está deixando a nossa investigação mais interessante está!
— Está distraindo a todos do foco principal. Que é encontrar a Comandante e seus filhos, bem como descobrir quem é o assassino! Tony, você não vê isso?
— Eu?! Eu só quero ver quando a Mann descobrir que a Jenny é a esposa do Chefe! Isso vai pegar fogo! Dessa vez vai valer uma aposta! Vou reabrir a “Casa de Apostas DiNozzo”!!
— Você não aprende nunca, não é? Tony, por favor, não faça isso, só vai dar mais combustível para o que Mann quer fazer, sem contar que vai deixar a Shepard furiosa!
— Tem como ela ficar mais furiosa do que já está?
— Sim, tem. Você se esqueceu dos tempos de Diretora, em que ela e Gibbs literalmente quase se mataram?
— A aposta mínima dessa vez vai ser cem dólares!! E eu aposto na Shepard!
— Aposta em que, DiNozzo?
— Que a Shepard vai partir pra cima da Mann! E isso sem descer do salto alto!
— אלוהים, תעזור לי[1]!
— Chegamos! Será que é agora que resolvemos o caso?
— Assim espero, Tony. Pela nossa sanidade!
Acontece que Abby não foi lá muito feliz na sua dica, não tinha nada na casa do nosso segundo suspeito. Nenhum sinal de alguém estivesse vivendo ali pelos últimos 10 anos a contar pelo estado de sujeira.
— É, vamos voltar de mãos abanando. Este caso está mais complicado do que esperávamos.
Quando chegamos à base, McGee e Jenny já estavam por lá, sem nenhuma pista, a não ser que as crianças passaram pela casa onde eles estiveram. Porém, Mann e o Chefe ainda não tinham ligado e não tinham dado notícias.
Enquanto aguardávamos a volta dos dois, resolvi reabrir as apostas, então mandei um e-mail para toda a agência, com o cuidado para não enviar às pessoas envolvidas e, logicamente, para o Diretor Vance. Dessa fez o Agente Muito Especial Anthony DiNozzo iria fazer uma grana preta!
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Quando ouvi o ding do elevador respirei aliviada, finalmente os dois voltaram, contudo eram Tony e Ziva que chegavam sem nada.
Esperar pareceu uma eternidade. E, então depois de meia hora os dois saem do elevador. Ela com um enorme sorriso no rosto e ele claramente desconfortável. E eu? Eu estava a beira de um verdadeiro surto.
— Acharam algo? – Ziva perguntou.
— Nada, a pista de Abby era furada dessa vez. – Coronel respondeu
— A pista que a Abby nos deu não era furada. A Comandante esteve lá. Mas não tivemos pista para onde foi levada. – Gibbs a corrigiu. E eu gostei do tom que ele usou com ela! – E vocês? Tony, Ziva?
— Nada chefe, a casa está desabitada há muito tempo!
— Tim, Jenny?
Timmy me olhou como se me perguntasse se podia falar. Sinalizei com a cabeça que sim.
— Chefe, achamos indícios que as crianças estiveram lá. Colemos as provas e agora a Abby está processando.
Tim nem acabara de falar e o telefone de minha mesa tocou.
— Era, Abby. Ela tem novidades. – Eu disse me preparando para descer.
— Dessa vez eu vou. – Jethro me cortou, rumando rapidamente para o elevador. – Vocês vejam se os alertas deram resultado enquanto ficamos fora.
— Já fizemos isso! – Respondemos em uníssono. – Não deu em nada,
Ele xingou e entrou no elevador.
Foi a nossa vez de ficarmos de babá da Coronel.
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— E então, DiNozzo, o que você pode me dizer do casamento de Gibbs? Tem muito tempo que arranjou outro passatempo? – Hollis começou a sondar o ambiente.
Vi Tony levantar a cabeça e, apesar de jurar que ele estava adorando a situação, chego até a pensar que ele fizera outra aposta às minhas custas, ele ficou muito sem graça com a pergunta direta da Coronel.
— O Chefe está casado há quase um ano.
— Há um ano, exatamente. Hoje é o aniversário de casamento dele. – Ziva complementou friamente.
— E como você sabe? – A Coronel pareceu espantada.
— Porque eu fui a Madrinha. E McGee o padrinho, não é Tim?
— Sim. E Tony o responsável pela música.
A Coronel parecia desnorteada com os detalhes. Eu me mantive calada, gostando do jeito como as coisas pareciam emboladas na sua cabeça. Mas ela não desistiu.
— E quem é a sortuda? Como ela se parece? Não vão me dizer que ela é ruiva!!
— Sim. – os três responderam em conjunto.
— Ela é ruiva?! Meu Deus! Ele não desistiu, não é? Ela vem muito aqui?
Nessa hora eu quase engasguei. Juro que segurei uma gargalhada.
— Uhum. – Tony se limitou a concordar.
— Com que frequência? Corro o risco de vê-la? Porque quero saber quem é a pobre coitada que vai perder o marido!
Minha mão voou para a gaveta e tocou a minha arma. Dessa vez ela não sairia viva. Vi que Ziva me lançou um olhar de compreensão. Se precisasse ela me ajudaria a acabar com a raça da Coronel. Timmy se preparou para me segurar. E Tony arregalou os olhos como se não soubesse o que responder.
— E então, DiNozzo? Vai me responder ou não.
Trinta segundos de puro silêncio e Tony enfim falou:
— Se você se virar, vai ver quem é a mulher ruiva com quem Gibbs se casou. – E logo após ele se levantou e saiu da sala dos agentes.
Mann pareceu não entender a mensagem. Acho que ela esperava encontrar uma mulher em pé, olhando para ela de braços cruzados e cara irada. Mas atrás dela só tinha uma pessoa. Sentada, trabalhando no mesmo caso que ela. EU.
Vi quando ela fez a associação. Quando ela ligou a cor dos meus cabelos à informação que Tony lhe passara. E, principalmente, vi quando ela olhou para minha mão esquerda em busca da aliança, e a encontrou ali, e o anel de noivado que a aparava.
Quando ela fitou meu rosto eu segurei o seu olhar, e com um sorriso de lado e as sobrancelhas erguidas perguntei muito seriamente:
— Perdeu alguma coisa, que não seja o Jethro, Mann?
Ela engasgou e tornou a olhar para a mesa do DiNozzo, mas ele não estava mais ali.
— VOCÊ SE CASOU COM O JETHRO? – foi o que eu fui obrigada a escutar.
— Sim. Estamos casados. Algum problema? – Agora eu estava de pé, com as mãos apoiadas na minha mesa.
— Só pode ser brincadeira. Você morre, volta, e ganha na loteria, é isso?
— Eu não irei discutir minha vida pessoal com você, mas espero que respeite a aliança que está na mão dele e na minha. Agora com licença que eu tenho que voltar ao trabalho.
Mas ela não se deu por vencida. E mais uma vez gritou:
— ISSO SÓ PODE SER BINCADEIRA! Onde está Jethro, quero que ele me confirme isso agora.
Pronto, se ela queira chamar a atenção, ela conseguiu. Porque logo que ela gritou essas palavras, todo o andar chegou para ver o que estava acontecendo, bem como Vance.
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Eu esperava por tudo, juro que achei que a Shepard era quem iria perder a paciência primeiro, mas fui pego de guarda baixa. Hollis precisava ser tão direta assim?
Ela me colocou em uma posição que, dependendo do que eu respondesse seria obrigado a passar mais detalhes do que deveria, ou, teria a mão do Chefe estampada na parte de trás da minha cabeça por mais de um ano, isso sem contar que Jenny estava a poucos metros de mim, e não me esqueci da sua mira com uma arma. Então, tratei de mandar a Coronel se virar e deixei a sala do esquadrão o mais rápido que pude para chamar a única pessoa que era capaz de separar uma muito provável briga entre as duas, o Chefe.
Acontece que a Mann perdeu a linha antes que eu chegasse no Laboratório da Abby, e de dentro do elevador pude escutá-la gritar. Céus!
Quando o elevador finalmente chegou no andar, as portas mal se abriram e dei de cara com Abby e Gibbs me olhando espantados.
— Mas o que diabos está acontecendo lá em cima, DiNozzo?
— Tony, o que você está fazendo aqui? O que a Mann está aprontado?
Eles não tiveram as suas respostas, eu simplesmente os puxei para dentro do elevador e apertei o botão para nosso andar. Acontece que o elevador desceu, ao invés de subir, não era possível que os gritos da Hollis tenham chegado na autópsia!
As portas se abriram, revelando as faces de Ducky e Jimmy, completamente alarmadas.
— Jethro, o que está acontecendo? Por que todos esses gritos?
— É o que eu quero saber, Ducky!
E os dois entraram na caixa de metal e olharam para mim.
— Tony? – Abby suplicou.
— Resumo de trinta segundos: Hollis me encurralou perguntando o que eu sabia sobre o seu casamento, Chefe. Eu tentei dar informações gerais, sem nenhum detalhe, mas ela foi mais à fundo e perguntou, com essas palavras: “quem era a coitada que iria perder o marido para ela.”
Fui interrompido pelo silvo de Abby e o “Meu Deus!” de Ducky,
Então eu a mandei virar para trás para que ela pudesse ver quem é a sua esposa. E me mandei para te buscar, só que acho que ela não gostou...
— Você acha, DiNozzo? – Gibbs estava furioso.
— Tive certeza depois do segundo grito. – Respondi.
A resposta que obtive?
Um tapa na cabeça e o sibilar que fez os pelos da minha nuca de arrepiarem:
— Você deveria ter ficado lá e segurado a Hollis.
— Mas tem uma parte boa, Chefe, nós não escutamos a Jenny levantar a voz hora nenhuma! – Falei tentando mostrar o lado bom.
— E isso, Anthony, é o problema. Jennifer não levanta a voz quando está pronta para a briga, ela simplesmente ataca. – Ducky me informou.
— Então temos um problemão. Um problema muito, mas muito grande! – Abby disse segurando a manga do casaco de Gibbs.
E, finalmente, chegamos à sala. E o que vimos não era o que esperávamos.
[1] Deus, me ajude! Em hebraico.
Notas finais
Como digo sempre, o capítulo foi revisado, mas qualquer erro, confusão ou dúvida, é só falar que eu arrumo!
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