Private Party
9 Unexpected
Notas iniciais
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Bom, vou dizer o mesmo que disse para as minhas leitoras de Talvez Seja Amor. Sou leitora e entendo que a espera é dura e ninguém gosta. Então deixa eu tentar me redimir.
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Primeira razão, e que quase todo mundo já sabe e citei acima, escrevo outra fanfic que me dá um trabaaaaalho de escrever rsrs. Sim, sim. TSA é duro, principalmente o último capítulo, que demorei mais de um mês para escrever, então culpem minha outra fanfic kkkkkkkkkkkk. Segundo, meu sobrinho e minha cunhada estavam na minha casa aos meus cuidados e da minha mãe até semana passada, que também foi a semana que consegui (ALELUIA) postar TSA. Então, agora que não tem mais os dois, consegui atualizar Private Party.
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Obrigada as lindas reviews deixadas no capítulo anterior. Vocês são uns amores! Quero ver como serão as deixadas neste capítulo rsrsrs.
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Então vamos ler?
POV BELLA
Paralisei onde estava, meu corpo congelou e o meu sangue sumiu do meu rosto enquanto meus olhos focavam a figura de estatura mediana e físico atlético, de pele castanho-avermelhada, olhos e cabelos negros, parado à minha frente como uma espécie de fantasma que voltara para me assombrar.
Ele vestia calça preta, camisa social de botões branca e gravata listrada. Estava do mesmo jeito que o vi pela última vez, há quase dois meses, quando nos encontramos em sua casa após eu ter me humilhado mais uma vez quando liguei para ele em busca de notícias, visto que eu não sabia nada sobre ele há muitos dias. E lembrar àquela noite, quando permiti que ele possuísse o meu corpo como se nada tivesse acontecido, como se ele não estivera sumido e estivesse tudo bem entre nós, fez-me sentir enjoada. E enojada. Por ele, e por mim mesma.
Depois de um longo tempo em completo silêncio, respirei fundo.
- O que você está fazendo aqui? – perguntei de forma grosseira.
- O que eu devia ter feito há muito tempo. – disse ele em uma voz baixa.
- O que você quer dizer com isso? – cruzei os braços ao redor do meu corpo.
Ele engoliu em seco antes de responder, a expressão do seu rosto demonstrava hesitação.
- Eu estou aqui para me explicar.
- Tarde demais. – falei, em seguida saí andando.
- Bella, por favor, você precisa me ouvir. – ele segurou o meu braço.
- Por que diabos eu preciso ouvir você agora? E não toque em mim! – gritei, puxando o meu braço longe dele, ao mesmo tempo em que ele afastava a própria mão da minha pele. As pessoas que andavam próximas a nós de um lado a outro da calçada começaram a olhar.
- Sinto muito. – ele murmurou em tom de lamento.
- O que você quer Jacob? – meu olhar era duro.
- Conversar com você.
- Não temos nada para conversar. – tornei a andar, então senti seus passos atrás de mim novamente. Virei-me e o encarei. – E não venha atrás de mim. – gritei.
- Bella, eu sei que você me odeia e acredite, eu me odeio também. Mas por favor, me ouça. Eu preciso explicar. – sua voz era angustiante.
- Explicar o que? Que você foi um canalha, um ser desprezível? – inquiri rindo sarcasticamente. – Sinto informá-lo, mas chegou atrasado com a informação. Eu já sei disso. – dei as costas para ele e voltei a caminhar.
- Eu não vou viver bem comigo mesmo se eu não te explicar e me desculpar devidamente. – ele disse atrás de mim.
Diminuí o ritmo dos meus passos e parei na calçada, fechando os olhos ao respirar fundo, e abrindo-os novamente antes de me virar para encará-lo.
- Por que você apareceu Jacob? Por quê? Não bagunce a minha vida mais do que ela já está.
- Porque eu precisava fazer isso pessoalmente. Por favor, Bella, eu só quero que você me escute, e então eu posso sumir. Mas só me escuta. Por favor? – implorou.
- Tudo bem. – suspirei cansada de tanta insistência e de seu olhar de súplica.
- Obrigado. – ele andou dois passos, até parar a um metro de distância de onde eu estava. – Você está indo almoçar? – ele perguntou.
- Estava. Você me fez perder o apetite. – disse rispidamente.
- Podemos ir a algum lugar? Um restaurante, um café, não sei. Eu quero conversar com você, mas não aqui assim no meio da rua. – disse acompanhado de um fraco sorriso, como se eu não tivesse sido tão rude com ele um segundo atrás.
- Seja breve. Não tenho todo o tempo do mundo. – falei antes de voltar a andar, caminhando em direção ao café localizado a cinqüenta metros dali. Sem fazer nenhuma pergunta, mesmo onde estávamos indo, ele me seguiu.
Nós andávamos instintivamente longe um do outro. Eu olhava para todos os lados, para o movimento na rua, as pessoas, as lojas, exceto para ele, que caminhava com as mãos enfiadas no bolso da calça, com a cabeça baixa.
Era tão estranho. Quero dizer, eu imaginei milhares de vezes como seria quando eu encontrasse Jacob novamente. Ensaiei diálogos, reações, mas agora que aconteceu, foi tudo tão diferente de como imaginei que seria, de como eu reagiria. Eu pensei que apesar da raiva, da mágoa, sentiria meu coração disparar e lá no fundo estaria feliz em vê-lo, em saber que ele me procurou. Mas eu não sentia absolutamente nada. É como se eu estivesse diante de um estranho. E isso me deixou um pouco confusa.
Fizemos nosso caminho, e quando entramos no café, fiquei feliz que apesar do horário de almoço o lugar estava quase cheio. A última coisa que eu queria era estar em um local vazio ao redor de Jacob. Sem pedir a sua opinião, escolhi uma mesa no canto, próxima a janela. Ele me seguiu ainda em silêncio e se sentou no assento de frente para mim.
- E então, o que você quer? – perguntei quando nos acomodamos, mas logo fui interrompida pela garçonete quando esta veio anotar nossos pedidos. Pedi apenas uma água e Jacob um café forte.
- Seu cabelo está maior. – ele disse quando estávamos novamente a sós.
- Jacob... – inalei uma respiração ruidosa. – Me poupe de seus comentários e diga logo o que veio dizer antes que eu me irrite ainda mais.
- Desculpe. – se lamentou, apoiando os dois braços em cima da mesa. – Eu... lhe devo desculpas, Bella. Por todo o mal que te causei. Quero dizer, eu sei que não há desculpas pelo que fiz, mas eu realmente não tinha intenção de te magoar.
- Se não há desculpas, então por que está se desculpando? – eu inquiri com azedume.
- Bella, eu sei que não tratei você com o respeito que merecia, e também não espero que você acredite em mim, mas estou me desculpando porque eu realmente sinto muito. – ele respirou fundo e me fitou com olhos tristes.
A garçonete voltou com nossos pedidos, indo embora rapidamente após nos servir.
- Você teve tantas chances para dizer o que estava acontecendo. Ser honesto e me deixar saber que não me queria, que estava vendo outra pessoa.
- Eu sei... – ele abaixou os olhos para as próprias mãos.
- Por que você não me contou a verdade?
Ele ergueu os olhos e fitou os meus.
- Bella, eu quis. Deus sabe que eu quis me apaixonar por você. Mas como poderia se eu ainda estava envolvido sentimentalmente com outra pessoa?
- Tanya. – pronunciei o nome com despeito.
- Sam contou a você. – ele suspirou.
- Sim. Ou eu nunca saberia o que tinha acontecido.
- Bella, eu quero te contar tudo agora, desde o início.
- Estou ansiosa em ouvir. – falei com ironia.
Ele tomou um gole do café, em seguida olhou para mim.
- Tanya e eu... nós estávamos brigados quando conheci você. Então...
- Deixe-me adivinhar. – eu o interrompi. – Vocês tiveram a centésima briga por causa do barulho do secador? Não, não. Provavelmente o motivo foi a toalha molhada que você costumava deixar em cima da cama. Aí vocês discutiram, cada um foi para um lado mais uma vez, e então você decidiu que não ia passar aquela noite em casa e se dirigiu ao bar onde nos conhecemos. Foi exatamente nesta ordem, estou certa? – zombei.
- Não foi assim. Por favor, deixe-me explicar. – pediu intensamente.
Revirei os olhos.
- Continue. – digo a contragosto.
Ele me estuda, em dúvida, antes de continuar.
- Nós nos conhecemos praticamente desde que nascemos. Nossos pais eram amigos, são ainda na verdade, e juntos abriram um escritório, Black & Denali Associates. Crescemos juntos, mas sem muita aproximação. Nós costumávamos dizer que não podíamos nos misturar, porque ela era uma garota e eu um garoto. – ele ri meio torto com a lembrança, e a única coisa que não me impediu de bocejar naquele momento é que aquele gesto me fez lembrar Edward, a quem eu também devia um pedido de desculpas pelo meu comportamento no último sábado. Senti um estranho aperto em meu peito ao pensar nele, e toda a situação confusa em que me encontrava foi arremessada novamente à minha mente.
- Bella? – Jacob chamou a minha atenção, provavelmente notando minha mudança de expressão.
- Hmm... – limpei a garganta. – Prossiga.
- Como eu estava dizendo, nossas famílias sempre foram muito próximas. Compartilhamos festas de Natal, Ano Novo, Ação de Graças, mesmo férias nossas famílias passaram juntas, e...
- Certo, eu já entendi essa parte. Mas o que isso tem relação com o que você fez a mim? – perguntei impaciente.
- Bella, por favor, deixe-me continuar. Eu prometo, você vai entender por que estou te falando tudo isso.
Gesticulei para que ele continuasse.
- Tanya e eu não éramos amigos naquela época, quando crianças. Ela costumava brincar com as minhas irmãs, e eu com o seu irmão, Eleazar. A única troca que existia entre nós era quando dizíamos ‘oi’ para o outro. E fora só quando eu estava com doze anos e a Tanya onze que as coisas começaram a mudar. Quando tinha esta idade, todos os meus amigos já tinham experimentado beijar uma garota, menos eu. Eu era tímido, não conseguia me aproximar das meninas, o que estava começando a me incomodar. E então, num certo dia, Tanya foi deixada na minha casa pelos pais, para passar o dia com as minhas irmãs. E numa oportunidade em que ficamos a sós, eu perguntei se podia beijá-la e ela assentiu. Após esse dia, nos beijávamos ocasionalmente, sempre que tínhamos oportunidade. – contou Jacob, olhando o tempo todo para as mãos em cima da mesa.
Eu até poderia considerar a história bonitinha se toda essa enrolação não estivesse me deixando mais impaciente.
— Nós fomos crescendo, a adolescência chegou e trouxe com ela as mudanças físicas. Com quatorze anos, Tanya já era uma das garotas mais lindas que eu já vira. Foi nessa época que os nossos encontros às escondidas tornaram-se mais ousados. Beijar não parecia ser mais suficiente para nós. Então, um ano depois, quando eu estava com dezesseis e a Tanya com quinze anos, nós transamos pela primeira vez.
- Espera. Ela foi o seu primeiro beijo e a primeira mulher com quem você tivera sexo? E você o dela? – perguntei, erguendo uma sobrancelha.
— Sim. Fomos o primeiro do outro.
- E o que aconteceu depois?
- Percebemos que estávamos apaixonados e começamos a namorar. Nossos pais confessaram que desconfiavam de nós, por causa dos olhares, porque sempre um sumia e o outro também. – ele sorriu e deu um gole do café, mas logo o sorriso desaparecera e o seu rosto assumiu uma expressão entristecida. – Estávamos juntos até um tempo antes que te conheci.
- Vocês estiveram juntos durante todos esses anos? – inquiri cética.
- Sim. Contando desde o dia em que nos beijamos pela primeira vez, estivemos juntos por quase onze anos. Eu nunca estive com outra garota antes de Tanya e eu terminarmos. E ela também nunca se envolveu com alguém além de mim.
- Nossa. É muito tempo. – eu estava pasma.
- Como você pode ver, nós temos uma história. Uma longa história. Tanya é muito importante em minha vida.
- Eu vejo. – murmurei.
- É por isso que eu não consegui me apaixonar por você, Bella. Porque eu ainda estava muito ligado a ela.
- Ainda assim não justifica o que você me fez, Jacob. Eu sei que o que tínhamos não era bem um compromisso, mas nós estávamos juntos, e você foi embora sem uma palavra.
- Eu sei. Eu me odeio por ter sido tão covarde, por não ter tido coragem de te falar o que estava acontecendo, contar sobre Tanya. É só que... – ele esfregou o rosto com as mãos. – Bella, você é linda, eu apreciava sua companhia, você sempre foi legal comigo, uma ótima amante, e eu não conseguia te dizer que não dava mais. Achei que me afastando seria a única alternativa para te deixar, mas então você me ligava, enviava mensagens, perguntava o que estava acontecendo. Eu não conseguia te ignorar.
- Você transava comigo depois que eu te ligava. – o acusei.
- Eu sou homem, Bella. Por mais que a minha mente me dissesse que não, meu corpo dizia o contrário. Você estava ali, tão tentadora, eu não pude evitar. Sinto muito.
- Então... você transou comigo mesmo depois de ter voltado com ela? Só para atender os seus hormônios estúpidos? – esbravejei, chamando a atenção de algumas das mesas próximas a nossa.
Jacob arregalou os olhos para a minha reação.
- Não, Bella. Eu juro. Quando eu realmente me afastei de você, Tanya e eu tínhamos acabado de nos reencontrar. Eu não podia mais me envolver com você. Nós passamos uns dias na fase da conversa, tentando resolver nossos problemas. E então decidimos voltar.
Eu o olhei descrente. Ele poderia estar dizendo isso apenas para fazer me sentir melhor. Embora não fizesse realmente. Ainda assim me sentia usada.
- Eu juro, Bella. Eu sei que foi errado da minha parte tentar me envolver com você estando apaixonado por outra, mas eu não tinha intenção de usar você para o sexo. Eu estou sendo honesto aqui. Confie em mim. – algo em seu olhar me dizia que ele estava realmente falando a verdade.
- Não muda o que você fez.
- Eu sei. – ele se lamentou. – Eu só não quero que você se sinta como se eu a tivesse usado. Eu tentei me envolver, você só não era o que eu queria.
- Jacob, por que vocês terminaram? – não tinha certeza se ele iria responder, mesmo assim fiz a pergunta.
— É uma longa história.
- Eu não me importo. Gostaria de ouvir. – digo-lhe.
Jacob exalou um longo suspiro.
- Tanya, há alguns meses atrás, começou a externar a vontade que nos casássemos. Eu, no entanto, considerava muito cedo, visto que na época eu ainda tinha 22 anos, ela 21, e tínhamos as nossas faculdades. Falei que devíamos esperar mais uns dois ou três anos, até que estivéssemos formados, para então começarmos a planejar casarmos e vivermos juntos. Mas Tanya não queria esperar, e as nossas discordâncias geraram muitas brigas, nós passamos a discutir praticamente o tempo todo por causa disso. Numa dessas discussões, ela insinuou que eu estava tentando arrumar desculpas para fugir do compromisso, que eu não a queria mais. Com raiva, eu a pedi que saísse do meu apartamento.
“Três dias depois ela me procurou, pedindo desculpas pelo comportamento e pelas ofensas direcionadas a mim. Eu a perdoei, claro. Eu sei que ela não queria realmente dizer aquilo, que foi na hora da raiva, no calor do momento. Eu odiava brigar com ela, mais ainda ficar longe por tanto tempo. Fizemos as pazes e o assunto casamento parecia ter morrido, até que dois meses depois a Tanya apareceu grávida.”
- Ela engravidou? – perguntei.
- Sim. Ela... ela suspendeu o anticoncepcional sem me dizer nada e engravidou. Foi tudo planejado. Ela pensou que, ficando grávida, eu seria obrigado a me casar com ela. Eu fiquei louco com o que ela fez.
- Eu imagino... – murmurei chocada. – E o que aconteceu depois?
- Nós discutimos feio. Eu estava tão furioso que disse coisas horríveis e sem pensar avisei que não estávamos tendo esse filho, que ela iria tirá-lo.
- Você sugeriu um aborto? – inquiri ainda mais chocada.
- Sim. Eu sei que foi cruel, mas eu não estava pensando, Bella. Eu não sabia o que estava dizendo. – sua voz estava cheia de angústia. – Eu não pensei, eu estava com tanta raiva do que ela fez que só queria atingi-la. – ele fechou os olhos por um instante, antes de voltar a falar. – Ela saiu feito louca do meu apartamento, e eu não fiz menção de impedi-la. Horas mais tarde recebi por telefone a notícia que ela tinha sofrido um acidente. Tanya dirigia em alta velocidade e bateu com o carro.
- E o bebê? – perguntei hesitante. Eu tinha uma clara idéia que as coisas não tinham terminando bem, afinal, Jacob não tinha nenhum filho.
Ele permaneceu em silêncio, olhando para baixo, para a mesa.
- Ela... perdeu? – inquiri em um sussurro.
Jacob fechou os olhos e lentamente assentiu com a cabeça.
Levei as minhas duas mãos à boca.
- Eu sinto muito.
- Tudo bem. Isso foi há quase um ano. – disse ele ao abrir aos olhos. Eu podia ver que ele estava lutando contra as lágrimas.
- Depois vocês terminaram? – perguntei, mesmo sabendo a resposta.
- Tanya me acusou de matar nosso filho, por causa das palavras que eu havia proferido aquele dia. Ela gritava, dizia que nunca mais queria olhar na minha cara, que eu tinha conseguido, que o meu desejo de não ter esse filho tinha se realizado. – ele suspirou. – Durante um tempo eu realmente me senti culpado pela morte do meu filho. Nosso filho. – e então as lágrimas encheram os seus olhos.
- Jacob, tudo bem se não quiser...
- Tudo bem, Bella. – ele piscou os olhos antes que as lágrimas caíssem. – Hoje eu já consigo falar sobre isso. Na época não. Eu estava com muita dor. Dor de ter perdido a Tanya, e o filho que nunca viria. Era doloroso mesmo pensar sobre isso. Então, decidi me jogar nos estudos, no estágio, e durante algumas horas eu conseguia me desligar um pouco da dor e das lembranças que ela me trazia, embora eu não conseguisse esquecer nenhum minuto quando estava sozinho. Foi por isso que depois de um tempo passei a beber, e assim estar constantemente em um estupor alcoólico. Toda noite. E quando meu apartamento passou a ser sufocante, comecei a sair, a freqüentar lugares que eu nunca tinha ido antes como boates, bares. E foi em uma dessas noites que te conheci.
- Você estava tão bêbado.
- Eu não lembro nada daquela noite. – disse ele.
- Então você mentiu para mim quando nos reencontramos dois meses depois? Quando eu falei que você tinha me passado o número do seu celular e você disse que se lembrava?
- Sim. Me desculpe, Bella. – estranhamente não me chateou saber que ele tinha mentido.
- Tudo bem. Você estava realmente muito bêbado. Eu que fui ingênua demais em acreditar que você realmente tinha se lembrado.
- Eu não lembro. Para mim nos conhecemos aquela noite, quando você me passou o número do seu celular e eu passei o meu, segundo você, novamente. Eu andava meio perdido aquela época, entorpecido pelo álcool, transando com várias mulheres. – ele olhou intensamente para mim. – E quando eu te vi, eu realmente gostei de você, Bella. Eu quis me apaixonar. Por isso, quando nos encontramos pela segunda vez eu quis te levar para o meu apartamento. Eu achei que transar com você faria com que eu passasse a nutrir sentimentos muito rapidamente.
Eu continuei olhando para ele, o ouvindo, sem interrompê-lo.
- Você se lembra nos primeiros dias? Eu te ligava e queria te ver o tempo todo. – ele disse, apenas assenti. – Eu desejava desesperadamente ocupar a minha mente com sua voz, com o seu rosto, que você me fizesse esquecer tudo que me fazia lembrar Tanya.
- Como uma espécie de substituta. – eu disse.
- Sim, embora sentisse no fundo que me apaixonar por você seria como traí-la. E esse sentimento se tornou ainda mais forte quando você me levou para conhecer sua mãe. Era como se estar ali em seu apartamento fosse errado.
- Você tinha oscilações de humor. Estava tudo bem em um minuto, no outro você se tornava frio. Eu não conseguia entender. – recordei.
- Acontecia sempre que me lembrava dela. Às vezes sentia ódio de mim mesmo por não conseguir esquecê-la. – ele olhou para as mãos, depois se voltou para mim. – Bella, minhas palavras podem não significar nada a você, mas eu precisava de Tanya na minha vida. Por esta razão não consegui me apaixonar por você, corresponder da forma como você merecia. Eu não conseguia substituí-la. Por ninguém.
- Quando exatamente você começou a se afastar?
- Quando me conscientizei que o que estava fazendo com você era errado e que precisava parar. – ele disse e eu podia viver que estava sendo sincero.
- E eu o buscava de volta. – ri sem humor. – Eu não conseguia acreditar que estava sendo rejeitada. Eu me perguntava constantemente o que tinha feito de errado.
- Você não fez nada de errado, Bella. Eu fiz, por não ter te contado desde o início a verdade, a bagunça que era a minha vida sentimental. Eu fiz tudo errado indo embora sem uma palavra. Eu realmente não queria que tivesse terminado assim.
Assenti. Por alguma razão, eu não estava chateada depois de toda a explicação. Jacob era realmente apaixonado pela Tanya. Não havia nenhuma possibilidade de ele conseguir se envolver com outra pessoa que não fosse ela. E eu apenas tive a má sorte de cruzar o seu caminho numa tentativa mal sucedida de seguir em frente. Mas, apesar de tudo, eu não poderia julgá-lo.
- E... como vocês voltaram? – perguntei com curiosidade. Um sorriso genuíno brotou nos lábios de Jacob.
- Ela me procurou.
- Será que vocês conseguiram conversar sem brigar? – sorri.
- Sim. – ele sorriu. – Eu já não a via há muito tempo, fiquei meio emocionado quando ouvi a campainha e ao abrir a porta do meu apartamento a encontrei lá. Não foi uma conversa fácil, nós tínhamos magoado muito um ao outro. Mas pior que a mágoa era viver sem o outro.
- Mas vocês se perdoaram. – falei, e não fora uma pergunta.
- Durante o tempo que passamos separados, apesar dos erros que cometemos, não conseguimos seguir em frente. Nosso relacionamento não fora apenas dez meses, foram dez anos. É muito tempo para se desligar de alguém, ainda mais quando ambos ainda estão apaixonados pelo outro. Mas sabíamos que só daríamos certo se assumíssemos os nossos erros e nos perdoássemos. – ele parou, em seguida voltou a falar. – Bella, sei que não mereço, mas, uma vez que você falou em perdão, teria eu direito de perguntar se você me perdoa? Por tudo que te fiz?
Eu mordi o meu lábio inferior, considerando a sua pergunta, mas apesar de entender tudo que ele passou, ainda era muito cedo para falar em perdão.
- Jacob, eu compreendo tudo que você me contou, mas isso não muda o fato que você me machucou. Eu não tenho raiva de você, mas eu ainda não consigo dizer se te perdôo.
- Eu sei, eu entendo. – ele disse com a voz baixa.
- Mas, sabendo agora de toda a história, eu fico feliz que você não tenha conseguido se apaixonar por mim. – eu sorri e ele riu também, como se um fardo imenso tivesse sido tirado de suas costas.
- Fico feliz que você não tenha se apaixonado por mim também.
Franzi ligeiramente a testa para ele. Sua declaração me surpreende.
- Você era apaixonada por mim? – ele inquiriu.
- Sim, quero dizer, não sei. – me atrapalhei com as palavras, intrigada com o questionamento que já havia antes cruzado muitas vezes a minha mente.
Inesperadamente Jacob pousou a palma da mão no lado direito do meu rosto.
- O que você sente quando eu te toco assim? – indaga.
- Nada. – engulo em seco, respondendo com honestidade. De repente o toque parecia errado.
- Você sente como se sua pele estivesse queimando em chamas?
- Não. – respondo.
- Uma vibração no ventre?
Balanço negativamente a cabeça, então ele coloca alguns fios do meu cabelo atrás da minha orelha.
- Sente o seu corpo inteiro se arrepiar?
- Não. – repito.
- E antes, quando estávamos bem? Você sentia algo diferente quando eu ficava assim, muito perto?
Eu o olho, confusa, tentando lembrar-me como éramos. Mas eu não conseguia. Já fazia praticamente dois meses que não nos víamos, tanta coisa tinha acontecido durante esse tempo. Além do mais, antes do seu sumiço definitivo, eu já o via muito raramente.
- Eu... não me lembro.
- Porque você não sentia nada. – ele puxou a mão de volta para si.
Eu abri a boca para falar, mas a fechei em seguida. Eu não sabia o que dizer.
- Bella, você nunca esteve apaixonada por mim. Não havia paixão entre nós, eu conheço o sentimento. Ele ficou adormecido durante meses, acordando no momento em que Tanya apareceu na minha porta. Mas você... você nunca me olhou como ela me olha, ou beijou-me apaixonadamente como ela me beija. O que você sentiu por mim foi apenas atração física.
- Como você pode saber sobre isso? – perguntei, e Jacob sorriu.
- Em algum momento você se perguntou o que realmente sentia por mim?
- Sim. – dei de ombros.
- E chegou a que conclusão?
- Na verdade não cheguei à conclusão alguma. – pela primeira vez dei um gole em minha água, voltando a falar em seguida. – Eu... me perguntava se estava apaixonada por você, ou se era apenas sexo.
- Era apenas sexo. – ele diz concisamente.
- Você sabe, eu realmente fiquei mal quando você desapareceu.
- Porque para as mulheres a atração física é como sinal de um provável relacionamento. Por isso você ficou tão mal. Mas a atração está ligada ao desejo carnal, não a sentimentos. Claro, que a partir do momento que você se apaixona por alguém, a atração física está lá. Eu serei eternamente atraído pela Tanya. Mas, o contrário, estar atraído por alguém não significa que você esteja apaixonado.
— Muitas vezes me perguntei se era mais o meu orgulho ferido que o meu coração. – confessei, percebendo como parecia fazer sentido agora.
- Tenho certeza que você consegue discernir agora.
- Quando você soube? – perguntei.
- Praticamente desde o começo, quando você me contou sobre o seu primeiro namorado.
- Riley. – pronunciei a palavra como se fosse um palavrão, revirando os olhos.
- Sim. – Jacob riu. – Você me disse que nunca sentiu nada quando foram íntimos, que só chegou a sentir prazer comigo. Não se sinta ofendida, mas algumas mulheres tendem a ser assim quando se consideram sexualmente satisfeitas, acham que jamais encontrarão outro homem que lhe atendam tão bem quanto, ainda mais vindo de experiências tão frustradas como você.
- Nem me lembre. – balancei a cabeça.
Jacob riu.
- Você sabe, poderia ter me contado desde o início. Teria me poupado de noites insones e lamentações. – digo a ele.
- Seria um pouco rude da minha parte, Bella. Principalmente se eu estava tentando me apaixonar por você. Não poderia simplesmente dizer que entre nós era tudo sobre sexo.
Eu sorrio, um pouco perplexa por estarmos tendo esta conversa.
- Eu não posso acreditar que nós estamos realmente aqui e conversando civilizadamente sobre tudo. Eu não esperava mais te encontrar. – comento.
- E eu ainda não consigo acreditar que depois de tudo você concordou em me ouvir. Obrigado, Bella. Você não sabe o quão aliviado estou me sentindo.
- Tudo bem. – dou de ombros.
- Eu sei que é difícil para você, mas eu realmente queria que fôssemos amigos. Tanya gostaria de te conhecer.
Arregalo os olhos.
- Você contou a ela? – pergunto atônita.
- Nunca houve segredos entre nós, Bella. Eu contei tudo que aconteceu enquanto estivemos separados. Se eu estou aqui agora conversando com você, eu devo a Tanya. Ela me incentivou a criar coragem para te procurar e tentar reparar os erros que cometi.
- Ela fez isso? – pergunto incrédula e ele anuiu com a cabeça. – Eu nem sei o que dizer. – murmuro confusa. – No lugar dela, não sei se permitiria que você me procurasse. – estreitei as sobrancelhas.
- Porque nós nos amamos. – ele declara.
- Isso ainda não faz nenhum sentido. – murmuro confusa.
- Nós não poderíamos avançar se não fossemos honestos um com o outro. Nossos erros nos levaram a isso. Talvez você não seja capaz de entender hoje, mas um dia você vai se lembrar desta conversa e irá entender por que Tanya sabe que estou aqui nesse momento com você.
- Ok. – eu disse, sem entender realmente.
- Bella, eu sei que fui um canalha, que provavelmente você nunca vai me perdoar, mas eu desejo que o que fiz não faça você se fechar para o amor. Ao contrário dos que muitos dizem, os homens não são iguais. Acredite em mim, Bella. Você é linda, inteligente, doce, atraente, tem um futuro brilhante, e você merece encontrar alguém que te ame como amo a Tanya. E eu posso apostar que há uma fila, todos posicionados à espera de uma oportunidade. – ele sorriu.
- Não existe fila. – sorri.
- Eu sei que existe e você não quer admitir. – ele riu, olhando rapidamente para o relógio no pulso. – Eu preciso ir.
- Seu horário de almoço terminou? – perguntei.
- Não estou em horário de almoço. Eu estou me mudando, Bella.
- Está saindo do seu apartamento?
- Não. – ele riu. – Estou me mudando para Washington. Estou abrindo o meu escritório de advocacia lá.
- E Tanya?
- Está indo comigo. – seu sorriso se ampliou. – Nós vamos nos casar.
- Oh!
- Sim. Ainda não decidimos quando, mas provavelmente em dezembro.
- Parabéns, Jacob! Depois de tudo que vocês passaram, isso é realmente incrível.
- Eu sei. Obrigado, Bella. Por isso e principalmente por me ouvir.
- E obrigada por insistir. – segurei a sua mão e ele a beijou. Mais uma vez, não senti absolutamente nada.
Quando ele soltou a minha mão, fez menção de pegar a carteira.
- Ei, foi só um café. Fica por minha conta. – eu disse.
- Exatamente por isso que...
- Jacob. Fica por minha conta. – eu o cortei.
- Tudo bem. – ele riu, desistindo. – Bom, eu tenho que ir. – disse, levantando-se do assento.
- Boa sorte, Jacob. – desejei.
- Seja feliz, Bella. – ele sorriu sincero, em seguida foi embora.
x-x-x-PP-x-x-x
Rosalie não tinha retornado. E para o meu desespero, esta segunda-feira era um daqueles dias que não tinha muito que fazer. O que era estranho. Geralmente, quando eu estava sozinha o trabalho parecia multiplicar. O ócio não me deu alternativa, a não ser deixar os meus pensamentos vagarem. Bem, para ser honesta, era a única coisa que eu realmente conseguia fazer desde a minha conversa com Jacob mais cedo.
Meu alívio por concordar em escutá-lo é profundo. Sentia-me mais leve diante da verdade de suas palavras. E embora eu não tenha me sentido suficientemente pronta para perdoá-lo, ainda, eu não estava mais magoada pelo que ele havia me feito. Sim, eu senti raiva, fiquei extremamente chateada, passei semanas sem dormir direito, com falta de apetite e sem vontade de me divertir. Mas, o assunto Jacob já não me machucava há algum tempo. Quando eu decidi que não valia à pena sofrer por ele e por nenhum outro homem.
Contudo, o que mais me deixou intrigada durante toda a conversa era o conhecimento de Jacob sobre como me sentia em relação a ele. Fui estúpida em não saber discernir o que eu realmente sentia, em pensar que eu era apaixonada por ele. E, honestamente, agora que parei para refletir sobre isso, a compreensão de que era apenas atração física me deixava feliz.
Agora compreendo tudo. Não existia paixão, sentimento. Jacob havia me despertado sexualmente e quando o percebi se afastando, tive medo de não encontrar prazer no sexo novamente, como ele havia me provado que era possível. Minhas experiências anteriores tinham sido tão desastrosas que eu o coloquei em um pedestal, como se ele fosse o único homem na face da terra capaz de me satisfazer. E se sofri quando descobri que ele estava com outra, nada tinha a ver com sentimentos, mas pela sensação de rejeição, de ego ferido, de me sentir inferiorizada e trocada por alguém que, na minha cabeça, ele considerava melhor que eu.
Agora entendo.
Eu não só tinha encontrado prazer no sexo com outro homem, mas tinha tido a melhor experiência sexual da minha vida, como também fui capaz de sentir todas aquelas sensações que Jacob questionou-me quando estávamos no café.
- O que você sente quando eu te toco assim? – indaga.
- Nada. – engulo em seco, respondendo com honestidade. De repente o toque parecia errado.
- Você sente como se sua pele estivesse queimando em chamas?
- Não. – respondo.
- Uma vibração no ventre?
Balanço negativamente a cabeça, então ele coloca alguns fios do meu cabelo atrás da minha orelha.
- Sente o seu corpo inteiro se arrepiar?
- Não. – repito.
Todas as respostas eram não.
Porém, eu não poderia dizer o mesmo se as mesmas perguntas tivessem sido feitas pelo único homem que ocupava a minha mente nas últimas semanas.
A atração inegável e o desejo que eu sentia por Edward eram fortes. Apenas a lembrança do seu beijo, do seu toque e de ter o seu corpo conectado ao meu fazia a minha pele se aquecer. Mas não era apenas isso. Era como se houvesse uma corrente elétrica em nossa volta, enviando centelhas pelo meu corpo. Eu nunca senti em nenhum outro beijo as mesmas sensações que beijar Edward me proporcionava. Só com ele sentia como se a minha pele queimasse em chamas apenas com um simples toque, o meu corpo vibrar ao ouvir o som de sua voz, ou arrepiar-se apenas com a sua proximidade.
As primeiras sensações apareceram no aniversário de Rosalie, e tornaram-se fortes quando dançamos.
Meus quadris começaram a remexer de um lado a outro no ritmo da batida, enquanto um sorriso se espalhava pelo meu rosto e eu fechava os olhos. Essa era uma daquelas músicas que você simplesmente se deixava levar.
Minhas mãos fluíam pelas minhas coxas, levantando um pouco do vestido.
Levei uma mão até o meu quadril, e passeava a outra pelos meus cabelos, enquanto descia o meu corpo até embaixo.
E então senti uma mão por cima da minha, no meu quadril.
Edward.
O cheiro dele era inconfundível.
Continuei de costas para ele, balançando no ritmo da música. Sua mão direita estava fincada de forma protetora no lado direito do meu quadril, como se estivesse me segurando para eu não cair. Cedo demais senti seu peito encostando-se às minhas costas. Edward afastou o cabelo da minha nuca, fazendo-me sentir sua respiração quente no meu pescoço.
Sua mão está agora na minha barriga, e eu sinto uma espécie de formigueiro por todo o meu corpo, crescendo de forma intensa.
Sinto o hálito quente em meu ombro direito, e então Edward o beija. Lento e molhado. Meu corpo inteiro está fervilhando com a eletricidade. Quando ele move os lábios pela minha pele, alcançando o meu pescoço, não consigo evitar soltar um gemido. Sua mão esquerda foi para o outro lado do meu quadril. Minhas nádegas encostaram à sua virilha.
Quando transamos naquela festa, especialmente a última vez, antes de irmos embora.
Eu poderia dizer que estava totalmente consciente agora, nem um pouco motivada pelo álcool, como eu estava quando transamos a primeira vez essa noite. Apesar do gosto da cerveja em nossas bocas, tudo parecia diferente agora, até o sabor do nosso beijo.
Minhas mãos foram para as costas de Edward, que parecia muito mais alto que eu agora, já que estávamos em pé e eu estava sem salto. Seu peito encostou-se ao meu, e minhas unhas começaram a arranhar de leve o local onde minhas mãos estavam.
Senti os dedos de Edward saindo de minha nuca e deslizando-se para as minhas costas, sem quebrar nosso beijo. Suas mãos alcançaram o fecho do meu sutiã, que caiu no segundo seguinte em nossos pés. Meus dedos encontram o cós da sua cueca boxer, e eu comecei a descê-la, para que não houvesse nenhuma peça de roupa entre nós.
Edward deu um passo à frente, empurrando-me com ele até deitarmos na espreguiçadeira, seu corpo por cima do meu. Ele interrompeu nosso beijo para terminar de retirar a boxer, em seguida pediu para que eu esperasse um segundo.
Ele se levantou, completamente nu, e eu o vi indo em direção a calça jeans. Ele tirou de um dos bolsos um preservativo e rapidamente voltou, parando na minha frente. Observei ele abrir a embalagem e rolar a camisinha por todo seu comprimento. E antes de deitar o corpo por cima do meu, ele me olhou. Dos pés a cabeça.
- Linda. – ele murmurou, fazendo meu corpo inteiro se derreter.
Ele subiu na espreguiçadeira e se inclinou sobre mim. Afastou minhas pernas com a dele, o seu pênis pairando na minha entrada, sem me penetrar. Edward começou a beijar o meu ombro, o meu pescoço, subindo até minha mandíbula, até parar nos meus lábios. Meus braços o abraçaram por trás, e então ele entrou. Nesse momento, apertei os meus olhos, saboreando a plenitude.
Quando o encontro dias depois, no Central Park.
Por um milésimo de segundo quando meus olhos bateram os dele, lembranças do sábado passado inundaram a minha memória. Pelo que pareceu uma eternidade, nossos olhos se fixaram um no outro. Nos encarávamos, mas nenhum de nós dois se movia. E provavelmente eu não sabia mais o que era respirar.
- Bella. – disse. Seu tom era polido e eu agradeci mentalmente por ele ter sido o primeiro a falar.
- Oi. – murmurei enquanto soltava a respiração que só então percebi que estava presa.
Mais uma vez o silêncio instalou-se entre nós, enquanto ainda estávamos parados na porta, nos encarando.
Quando entrei em seu carro, antes de irmos para o seu apartamento.
Um formigamento correu pelo meu corpo, da unha do pé ao fio de cabelo, quando saí para a rua e vi o Aston Martin prata, estacionado próximo a calçada. Fecho os meus olhos buscando o equilíbrio. Conto até três, e então abro a porta do lado do carona do carro, entrando nele.
Virei lentamente o rosto, por um segundo a respiração me faltou e um frio percorreu o estômago quando finalmente olhei para Edward.
Enquanto ouvíamos música.
Quando percebi que Depeche Mode tocava, baixinho, virei-me para dizer que Enjoy The Silence era uma das minhas músicas preferidas, e só então notei que Edward estava muito próximo a mim e, devido ao meu salto, nossos rostos ficaram a poucos centímetros de distância. Estávamos tão perto que a sua respiração batia contra a minha pele.
Senti um formigamento com a proximidade, e a corrente elétrica começar a se construir enquanto olhávamos nos olhos do outro. Eu queria desviar, e então voltar para o sofá, tomar o vinho e ouvir a música. Mas de repente eu não conseguia agir.
Edward quebrou o contato visual e olhou para baixo, para os meus lábios. Minha respiração começou a ficar pesada no momento em que pensei que ele ia me beijar.
Enquanto comíamos a massa que eu preparei para ele.
Edward fica lá, me olhando fixo por um tempo. E mais uma vez não consigo decifrar a expressão do seu rosto. Quando ele estica o braço inesperadamente e toca o canto dos meus lábios, arrepio-me. Acho que ele vai me beijar.
- Está sujo de molho. – ele diz com a voz baixa e suave.
Assenti, mordiscando meu lábio inferior. Ele recolhe a mão, e leva a outra até o próprio cabelo, desgrenhando-o mais do que já está.
As coisas estavam começando a ficar estranhas de novo. Edward só tinha sido gentil, limpando onde estava sujo, e eu já estava interpretando errado, achando que ele iria me beijar. Além disso, precisava parar de reagir dessa forma, como se meu corpo de repente estivesse sendo atingido por diversas agulhadas ao redor dele.
Quando nos beijamos sábado passado, na festa de noivado de Emmett e Rosalie.
Ele analisa o meu rosto. Segundos depois afrouxa o aperto em meu pulso e me solta. Me viro para descer as escadas, mas quando estou dando o segundo passo sinto sua mão novamente me puxando em sua direção. Quando olho para ele não tenho tempo para agir. Edward me empurra contra a porta do banheiro e me beija.
Não o beijei de volta de início, ficando imóvel. Após um tempo, percebendo que beijava sozinho, Edward parou de me beijar e inclinou a cabeça para trás, me olhando com uma expressão como se eu fosse um ser de outro planeta. Sentindo a perda do contato de seus lábios quentes e macios contra os meus, deixei minha bolsa cair no chão e segurei o seu rosto com minhas duas mãos, puxando-o para mim e beijando-o agora com fervor.
Sua língua deslizou-se para dentro da minha quando o beijo foi ficando cada segundo mais ardente. Minhas mãos puxavam os cabelos de sua nuca e os fios dos meus cabelos escapuliam na frente de nossos rostos, suas mãos os afastando sempre que se enroscavam entre nossas bocas. Edward puxou meus quadris para mais perto dele e me apertou contra o seu corpo, que já reagia e mostrava os sinais provocados pelos nossos beijos.
Ele segurou os meus pulsos e os prendeu contra a porta do banheiro, em cada lado da minha cabeça, enquanto seus lábios atacavam minha mandíbula, clavícula, meu pescoço e atrás da minha orelha. Fechei os olhos e comecei a gemer, sentindo meu corpo prestes a explodir a qualquer momento. Quando sua língua entrou em contato com minha orelha, murmúrios desconexos escapavam de minha garganta.
Edward me olhou brevemente antes de voltar atacar meus lábios com os deles. Suas mãos seguraram meus quadris e ele me ergueu, fazendo-me enlaçar as pernas ao redor da sua cintura. Ele pressionou o corpo contra o meu, causando uma fricção deliciosa e incômoda ao mesmo tempo, devido as nossas calças jeans.
Sinto todo o meu corpo estremecer com as lembranças. Nunca houve antes o calor, as vibrações, as sensações esmagadoras e completamente desesperadoras que contraíam o meu estomago, como agora, só em pensar nele.
Edward tinha virado a minha cabeça de cabeça para baixo.
Ninguém sequer tinha chegado perto.
Um sentimento de pânico começa a se instalar e as minhas emoções se tornaram um furacão quando o conhecimento me atinge. Agora eu sabia o que estava acontecendo comigo, e a informação me assustava.
Eu estava apaixonada.
Todos os sintomas estavam lá. A raiva e o ciúme que me dominaram na festa, o fato dos meus olhos não conseguirem se afastar de sua fisionomia, a saudade que senti durante os dias que fui privada de sua presença, a atração magnética, o coração acelerado, a vontade de estar com ele o tempo todo, de beijá-lo o tempo todo, tudo fazia sentido agora. Eu estava apaixonada por Edward.
Sinto uma pressão intensa dentro do meu peito. Coloco as mãos na minha cabeça e fecho os olhos, encostando a testa em minha mesa.
O que eu ia fazer?
Quase tive uma síncope quando o meu celular começou a tocar de repente. Era Alice.
- Oi Alice. – minha voz quase falhou.
- Oh, até que enfim ela decidiu ligar o celular e atendeu minha ligação. – podia sentir seus lábios se contraírem em um sorriso do outro lado da linha. – Te ligando para avisar que a Sra. Mansell não dará aula hoje. Caso de amigdalite ou algo do tipo. Então, você não precisa vir ao campus hoje.
- Obrigada.
- Você está bem? – ela pergunta, notando a estranheza do meu tom de voz.
- Não. – admito, porque eu realmente não estava me sentindo bem.
- É por causa do que houve no sábado, não é? Você já...
- Alice. – eu a interrompo, e respiro fundo. – Você pode ir até o meu apartamento? – eu peço, necessitando conversar com alguém.
- Claro. Agora?
- Sim. Eu estou indo para lá.
- Tudo bem. Estarei lá em alguns instantes.
Quando encerramos a chamada, me dirijo ao meu diretor chefe e o informo que não estou me sentindo bem, por isso estava saindo mais cedo, uma vez que não tinha nenhum trabalho para fazer no final daquela tarde.
A revelação me distrai ao longo do caminho até o meu apartamento. Eu mal percebo quando o táxi parou na frente do prédio em que moro. Não passo muito tempo sozinha, até que Alice finalmente chega.
- Maldito metrô! – ela execra enquanto me abraça.
- Não cheguei há muito tempo também. – digo, fechando a porta. – Você quer beber alguma coisa?
- Não. Quero que você converse comigo. – disse incisivamente. – O que está acontecendo com você, Bella?
Suspirei e caminhei, descalça, até o sofá, Alice fez o mesmo, se sentando ao meu lado.
- Jacob me procurou hoje. – digo em um tom de voz tranqüilo, embora sentisse um turbilhão de sentimentos por dentro.
- O que? – questionou perplexa com a sua voz aguda.
- Sim. Eu o encontrei na frente da Fortune, quando estava saindo no meu horário de almoço.
- Aquele imbecil te procurou depois de todo esse tempo? Depois de tudo que ele te fez? Por quê?
- Ele queria se explicar.
- Se explicar? – inquiriu atônita. – Bella, você não o escutou, certo? – Alice estava completamente agitada.
- No início eu realmente não quis, mas ele insistiu, então terminei concordando e...
- Por isso você está desse jeito. – ela me interrompeu. – Bella, aquele filho da puta quer te enganar de novo! Você não vê? – questionou em exaspero.
- Calma, Alice. Não é por causa dele que estou assim. – expliquei.
- E por que é então? – perguntou confusa.
Eu a encarei, sentindo as palavras chegarem à ponta da minha língua. Eram palavras difíceis de dizer, mas eu precisava falar para alguém ou correria o risco de explodir. Fechei os olhos, respirei fundo e contei até três.
- Eu estou apaixonada. – estremeci ao pronunciar pela primeira vez as palavras em voz alta.
- Oh não! – grasnou Alice ofegante, cobrindo os olhos com as mãos. – Não, Bella. Ele conseguiu. Eu sabia que Jac...
- Por Edward. – a cortei.
Alice tira as mãos do rosto e me encara como se de repente eu tivesse três olhos na face.
- O que você disse? – pediu.
Suspirei.
- Eu estou apaixonada por Edward. – minha voz ecoa pelo silêncio da sala.
Ela continua me olhando. E então, lentamente um sorriso começa a se formar em seus lábios.
- Eu me pergunto como eu não percebi antes. – ela sorri, colocando as mãos em punho na boca. – É tão óbvio! – exclamou.
- Sério? É tão óbvio assim? – pergunto atordoada.
- Não era até o sábado passado. Especialmente depois do que soube na manhã de ontem. – ela diz, fechando ligeiramente os olhos em fendas.
Eu sabia sobre o que ela estava se referindo.
- Como vocês souberam? – perguntei calmamente, dobrando as minhas pernas sobre o sofá.
- Rosalie me contou. Emmett por acaso esteve no apartamento de Edward, viu uma bolsa e um par de sapatos femininos, coincidentemente eram os mesmos que você usava na festa de noivado, ele juntou os pontos, as evidencias, e chegou a esta conclusão. Só podia ser você. – Alice riu maliciosamente.
- Eu devia imaginar. – exprimo, relembrando aquela manhã. – Você... está chateada comigo? Por que não contei? – pergunto hesitante.
- Não, mas ficarei se você não me contar tudo agora. – ela também levanta as pernas sobre o sofá e dá um meio sorriso.
E então eu conto. Tudo. Desde a manhã de domingo que inesperadamente nos encontramos no Central Park, até a última noite que nos vimos, na festa de noivado de Rose e Emmett.
- Uau. – murmura Alice quase espantada. – Aconteceu tudo isso? – inquiriu a mim.
- Sim. – confirmo.
Inesperadamente ela me abraça, pegando-me de surpresa.
- Estou tão feliz, Bella! – ela diz com o queixo apoiado em meu ombro.
Eu sorrio um pouco chocada com a sua reação.
- Não imaginei que você receberia a notícia melhor do que eu. – eu lhe digo.
- Por quê? – ela se afasta e me olha franzindo a testa. – Você não gosta da idéia de estar apaixonada por ele?
- Alice, você não percebe a dimensão dessa informação? – questiono. – Eu estou apaixonada por Edward. – recito novamente, lentamente dessa vez.
- Sim. E daí?
- Você esqueceu as nossas conversas anteriores? Sobre Edward? Porque se você não lembra, eu faço questão de trazer à memória. – sorrio sem humor.
- Bella, você não vê? Edward te ligou. Ele.te.ligou. Não foi você a ir atrás dele, ele quem te procurou.
Eu a olho por um momento, tentando considerar as suas palavras, mas ainda assim não quer dizer nada.
- Sim, ele quem me procurou. Mas isso não quer dizer nada, Alice. Ele não me ligou por duas semanas da primeira vez. E depois do que aconteceu em seu apartamento, ficou dias sem me ligar.
- Bella, o Edward não é Jacob. Por falar nisso, você não me contou sobre o infame. – cobrou-me, fazendo uma careta.
- É uma longa história. Resumindo, Jacob é perdidamente apaixonado pela ex-namorada e agora novamente atual, a Tanya, eles se separaram quase um ano atrás porque ela queria casar, ele não, então ela engravidou de propósito, para obrigá-lo a se render ao matrimônio, eles discutiram, ela pegou o carro e saiu, sofreu um acidente e perdeu o bebê.
- Minha nossa! – bradou Alice.
- Sim. – disse pesarosa. – Tanya o acusou de ter matado o bebê e não quis mais vê-lo. Ele ficou muito mal, passou a beber muito, a transar com várias mulheres...
- E você entre elas. – ela diz friamente.
- Alice, depois da conversa que tivemos, eu não o julgo mais. Eu o entendo. Ele foi bastante honesto comigo.
- Não acredito que estou ouvindo isso. – murmura ceticamente.
- Alie, Jacob estava mal, perdido. – antes que ela protestasse, prossegui. – Ele quis se apaixonar, por mim ou por alguém, mas não foi capaz porque ele ainda estava ligado a Tanya. Foi um relacionamento de dez anos. É muito tempo para esquecer alguém assim rapidamente, ainda mais diante da forma como eles terminaram.
- Eles namoraram por dez anos? – ela arqueou uma sobrancelha. – Namoraram desde o jardim de infância?
- Quase isso. – eu ri.
- Então agora você está do lado dele só porque ele confessou o verdadeiro motivo de não se envolver com você?
- Alice. – suspirei. – Eu não disse que estava do lado dele, disse que o entendia.
- Bella, não justifica. Ele te machucou, te tratou como uma qualquer!
- Eu sei. E foi por isso que não o perdoei. Mas eu não posso jogar toda a culpa em cima dele. Eu também tenho a minha parcela de culpa, quando insistia em ligar quando ele começou a se afastar de mim.
- E eu queria te bater a cada vez que você fazia isso.
- Eu achava que era apaixonada por ele.
- Eu sei. – ela rolou os olhos. – Só porque com o Riley e o Doug foi um fracasso, você achou que o Jacob fosse o último homem do mundo. Por isso fiquei tão animada com o seu desempenho e o de Edward naquela primeira noite. – pontuou a minha amiga.
Sorrio para ela.
- Você e Edward se encaixam tão bem. Formam um casal lindo, tão excitante. – diz com entusiasmo, sorrindo.
Meu sorriso foi sumindo, e eu abaixo a cabeça.
- Ei, o que foi Bella? – ela aperta o meu joelho.
- Você fala como se estivéssemos juntos.
- Não estão. Ainda. Depois do que eu vi no últ...
- Você vai me fazer repetir? – eu a cortei. – Ele me deixou esperando por um telefonema durante duas semanas, Alice. E depois do que aconteceu em seu apartamento, fez de novo.
- Mas ele ligou. Bella, Edward não é do tipo que telefona, que corre atrás de alguma mulher, mas com você ele foi. Não vê que com você é diferente? Que não é como as outras? Você mexeu com ele. Eu sinto.
- Pode ser apenas sobre sex...
- Você não o viu na festa? – interrompeu-me. – Ele não parava de olhar para você, te acompanhar com os olhos. Ele te seguiu, ele quis conversar. – ela para, olhando para mim. – Não é só sobre sexo, Bella. – Alice continua. – E depois de tudo que você me contou, de quando estavam no apartamento dele, eu mais tenho certeza disso.
- E aquela vagabunda que ele passou o número do celular na minha frente, Alice? Hein? – inquiri, sentindo a raiva borbulhando com a lembrança.
Alice desata a rir.
- Por que você está rindo? – perguntei começando a me irritar com a reação dela, cruzando os braços na altura dos meus seios.
- Bella, você saiu e perdeu a oportunidade de ver. Edward passou o número errado. – redarguiu. – Você devia ter visto Emmett e Jasper zombando quando ela foi embora, com cara de quem tinha ganhado o maior prêmio da história.
- Sério? – pergunto, sentindo-me vibrar internamente com a informação.
- Bella, você conhece o Edward melhor do que eu. Você achava mesmo que ele daria o número do celular para aquela vadia? – perguntou em um tom de incredulidade.
- Bem, foi o que eu vi. – defendi-me.
- Tudo bem, eu entendo. Você estava com ciúmes. – ela riu.
Virei a cabeça e olhei para a janela.
- Sabe, Jasper sabia sobre você e o Edward. Bem antes que o Emmett descobrisse que era você. – diz Alice de repente, fazendo-me encará-la.
- Jasper sabia? – questionei.
- Sim. Depois de Rosalie me contar, eu percebi que Jasper não parecia muito surpreso, então realizei que ele sabia sobre vocês o tempo todo.
- Então Edward contou a ele. – eu não sabia se gostava ou não do fato de Edward ter contado sobre nós ao seu melhor amigo.
- Contou, mas não por vontade própria. Foi mais por pressão. Segundo Jasper, Emmett não sossegou Edward um minuto com a história da mulher misteriosa em seu apartamento. Então, numa oportunidade, ele perguntou a Edward, que relutou, mas depois de ouvir Jasper sugerir a tal da vadia loira que nós vimos discutir com ele na festa do Jason, ele ficou chateado e confessou que era você.
- Por que Jasper a mencionou em primeiro lugar? – pergunto, sentindo um mal-estar crescendo em meu estômago.
- Bom, eles já se envolveram antes de você. Eu te contei lembra? Talvez por isso Jasper a mencionou.
- Você disse que eles saíram algumas vezes, e que Jasper não sabia se eles ainda faziam isso. – eu lhe digo.
- Eu disse na ocasião que Jasper não tinha 100% de certeza se eles ainda saíam, mas que o Edward não gostava dela e que se saiu foi porque ela insistiu muito. Mas desta vez ele me assegurou que Edward não a vê mais, que a última vez foi bem antes de você. Bella, todo mundo tem relacionamentos passados. Você não devia se preocupar com isso.
- É que... incomoda. – reconheço. – O que mais Jasper te contou?
- Ele não me falou mais nada. – ela fez uma careta. – Bella, eu preciso te confessar uma coisa.
- O que?
- Mas você tem que me prometer que não vai ficar chateada. – então ela balançou a cabeça. – Não, não. Esqueça. Não tenho direito de te fazer prometer isso.
- Do que você está falando, Alice? – não estava gostando de nada disso.
- Eu juro, eu só disse isso porque eu não queria que você sofresse, como foi com Jacob.
- O que você disse? A quem? – pedi atônita.
- Lembra aquelas coisas que te falei sobre o Edward? Naquela noite que dormi aqui?
- Sim, lembro.
- Eu menti. – disse hesitante.
Ficamos em silêncio por um momento.
- Você mentiu? Tudo?
- Não em tudo. – ela me fitou com um olhar agoniado. – Jasper não me fala sobre Edward. Sobre a loira da festa, ele só me contou porque insisti muito e o ameacei perguntar a Edward caso não me dissesse, e ele ter voltado cedo para a casa dos pais àquela noite também é verdade. Mas não foi Jasper que me contou. Quer dizer, não diretamente. Ele estava dizendo a Emmett por telefone, e eu ouvi a conversa. Ele não sabia que eu estava ouvindo, no entanto, pensou que eu estava no banheiro do seu apartamento. – ela parou por um breve momento. – Eu sabia sobre o almoço beneficente que os Cullen e os Whitlock participaram, então realizei que havia sido ali que ele tinha conversado com a mãe do Edward.
- E o que não era verdade? – balbuciei.
- Na realidade, não é que seja mentira. Eu só não sei se é mesmo verdade. Eu só supus que ele poderia ser assim, como te disse na festa de aniversário de Rosalie quando você demonstrou interesse, e também por causa do que vi na festa e os comentários do Emmett quando ele foi embora.
- Alice, você está me deixando ainda mais confusa. – eu a fitei atordoada.
- Toda aquela história do Edward não ir atrás de nenhuma mulher, telefonar, que elas é que geralmente estão atrás dele, eu não sei nada sobre isso. Eu apenas supus, Bella, por causa do comportamento dele na festa do Jason. Rose e eu ficamos indignadas por ele não ter te ligado e nem te convidado, e então ele chegou todo indiferente, sequer perguntou por você, em seguida o vimos conversando com a loira, depois ele foi rapidamente embora e o Emmett começou a dizer que o Edward chegaria aos 60 anos e ainda assim teria uma fila de mulheres querendo que ele entrasse dentro de suas calças, que era assim desde que ele era adolescente e que nunca se apaixonou por nenhuma delas, por causa disso seus namoros não eram levados a sério. Por isso te contei tudo aquilo. – Alice deu uma pausa na enxurrada de palavras. Eu apenas a olhava, sem reação. – Jasper não me falou nada sobre o Edward, Bella. Eu bem que tentei, mas você sabe como são os homens. Eu sinto muito. Eu só não queria que você passasse tudo de novo, como com o Jacob. Por isso falei aquelas coisas, não queria que você criasse expectativa. – disse ela, seu tom de voz muito baixo quando disse as últimas palavras.
- Espera. – pisquei os olhos algumas vezes. – Você está tentando me dizer então que não sabe nada sobre o Edward?
- Não. – ela balançou a cabeça negativamente. – Quero dizer, eu...
- E por que diabos você me diz há minutos atrás que comigo é diferente? Que não é como as outras? – questiono, não escondendo a minha fúria.
- Calma, Bella. Olha, lembra quando eu perguntei a Jasper por que o Edward não tinha te ligado? E você ficou chateada porque perguntei?
Respirei fundo e assenti, decidindo não falar enquanto não controlasse o meu desagrado.
- Nesse mesmo dia, perguntei a Jasper se ele achava que o Edward te ligaria e ele falou que não podia responder pelo amigo, e quando questionei se o Edward agia sempre assim, ele não confirmou, mas também não negou, e logo mudou de assunto. E então teve a festa no dia seguinte, o que eu vi, o que ouvi vindo do Emmett, Jasper permaneceu em silêncio, e quando consegui arrancar dele sobre a tal da Jane, junto com a forma como vi Edward a rejeitar, cheguei a esta conclusão. Eu pensei que ele fosse mais um riquinho de rosto bonitinho que só estava interessado em aventuras.
- E o que mudou agora? – perguntei.
- Eu não o conhecia. Quero dizer, eu ainda não o conheço bem. Mas, eu tive oportunidade de conversar um pouco mais com ele no último sábado, de observá-lo. Edward é na dele, é discreto, é atencioso e simpático com os amigos e com as outras pessoas. Você viu, a vadia pediu o número e ele ainda conseguiu ser educado. Além do mais, Jasper vive falando como ele é dedicado ao trabalho e que o tem como um irmão, que a amizade dos dois é para o resto de suas vidas. – ela abaixou os olhos para as mãos alguns segundos e então sorriu, erguendo a cabeça para olhar para mim. – E ele não parava de te olhar.
Não pude evitar que um sorriso se abrisse lentamente em meus lábios.
- E então você foi hostil com ele na minha frente, lembra? Quando ele usou a desculpa da cerveja para conversar com você. – meu sorriso esmaeceu. – Foi naquele momento que desconfiei que estava rolando alguma coisa e você não tinha me contado.
- E agora ele deve estar me odiando. – eu disse com tristeza.
- Ele não estava realmente com uma expressão muito boa quando saiu.
- Quando estávamos no banheiro, eu o acusei de só querer me usar para transar, como ele fazia com as outras. – disse em voz baixa. – Como ele provavelmente estava indo fazer com a vagabunda que ele deu o número do telefone. Ele tentou se explicar, eu não quis ouvir.
- Bella, eu me sinto tão culpada por isso. Me desculpe. – ela segurou as minhas mãos, seu olhar era sincero e de lamento.
- Não foi culpa sua, Alice. Eu também tinha esse pensamento sobre ele, antes mesmo de você ter me contado todas essas suposições. Nós nos encontramos no Central Park antes também, e ainda assim passou dias para ele me ligar.
- Sabe, eu refleti muito sobre isso ontem, por isso te liguei tantas vezes. – ela fez uma pausa antes de continuar. – Bella, Edward é lindo, sexy, tem uma boa condição financeira. Qual homem com esses atributos não despertaria o interesse do sexo feminino? – perguntou retoricamente. – Sim, provavelmente ele se envolveu com muitas delas. E se depois ele não as procurou novamente, ou telefonou, e daí? Completamente normal para caras jovens e solteiros como ele, que durante uma fase da vida não estão interessados em compromisso, mas se divertir, focar a carreira. Às vezes até querem se envolver romanticamente, apenas não encontraram quem valesse a pena. E eu posso entender por que. Você viu a loira que estava no noivado. Fácil, inconveniente, vulgar, interesseira. A outra, a Jane, não ficava muito atrás. E você não é como elas. Você é linda, doce, inteligente, sexy, divertida, tem um bom emprego, está prestes a se formar. – ela sorriu. – Eu acho que o Edward sente algo sim. Que ele sabe que com você é diferente e só não está sabendo como agir.
- Você acha? – perguntei esperançosa.
- Acho. – ela suspira. – Bella, vocês precisam conversar.
- Eu sei. – abaixei os olhos para as nossas mãos. – Eu liguei, mas o celular dele estava desligado.
- Você já esteve no apartamento dele, então sabe onde ele mora. – comentou Alice.
- Você está dizendo...
- Sim. Vá até o apartamento dele. – ela sorriu.
- E se ele não quiser me receber? Me ouvir? – perguntei agitadamente diante das hipóteses.
- Você só vai saber tentando. – disse ela calmamente.
E então um sorriso se formou em meus lábios.
- E o que você está esperando? – perguntou, levantando-se do sofá?
- Você está sugerindo que... agora? – inquiri afobada.
- Sim, Bella. Tira essa bunda do sofá e vai atrás do Edward!
Alice e eu descemos juntas. Como nossos caminhos eram direções opostas, ela tomou um táxi para casa, e eu peguei outro, rumo ao apartamento de Edward. Minha pulsação aumentava a cada instante que o táxi se aproximava. Sentia uma dor aguda na barriga, de ansiedade, porém também de receio. Eu não sei como seria recebida, se ele iria concordar em conversar comigo. Além de não saber como deixá-lo ciente dos meus sentimentos.
Quando o automóvel para na frente do prédio que eu indico, sinto-me completamente nervosa. E após pagar a viagem e tomar uma respiração profunda, desci do carro. Mas, apesar dos nervos à flor da pele, das mãos suadas e da agitação em meu estômago, meu coração batia acelerado, feliz com a perspectiva em vê-lo.
Passo mais uma vez a mão sobre a minha saia preta, tentando tirar qualquer amasso que lá tivesse. Não perdi tempo trocando de roupa, então, findou que ainda vestia o mesmo traje que saíra de manhã para trabalhar, deixando sobre o sofá apenas o blazer. E enquanto verifico os botões da minha blusa de seda bege de manga longa, ouço o barulho de saltos batendo firmes o piso. Ergo meus olhos e encontro uma loira, com seus cabelos longos e lisos descendo até o final de suas costas, usando uma calça jeans extremamente justa, uma regata preta e botas de cano alto da mesma cor. Não posso ver o seu rosto porque ela está de costas para mim. Ela aperta o botão do interfone, e então ouço sua voz.
- Apartamento do Edward Cullen, por favor.
Minha cabeça começa a girar de forma nauseante.
- Meu nome é Jane. Jane Montag. – acrescenta.
Sinto uma pressão torturante machucando o meu peito. Machucando mais que qualquer outra coisa que tenha machucado antes.
x
Notas finais
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Como já disse inúmeras vezes, sou Beward até a morte, a situação vai se consertar o mais rápido que vocês imaginam, então tenham um pouquinho mais de paciência. A hora da verdade está próxima.
.
Então já que vocês ainda não sabem a continuação disso aí, que tal me contarem o que acharam da conversa com o Jacob, e claro, o ponto alto do capítulo que foi a revelação: ela está apaixonada! Juro, tô roendo pelas impressões de vocês. Então já sabem: 1. apertem o botão de deixar review. 2. Usem o teclado. Hauhsuahsuhasuahsuhas. Brincadeirinha para descontrair.
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Gente, muito obrigada pelos reviews, indicações (vamos aumentar hein? kkkkkk), favoritações, divulgação boca a boca. Eu amo escrever Private Party, amo ver o retorno de vocês, o carinho que vocês têm por essa história, por me apoiarem e entenderem a essência e a realidade com que escrevo. Eu não sei o que seria disso aqui sem vocês, tanto que estamos chegando ao capítulo 9 de uma fanfic que só teria 3 capítulos. Obrigada pelo incentivo, por me darem gás para continuar e querer melhorar sempre o meu desempenho. Esse ano de 2011 dedico a todas vocês!!
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Agradeço a Deus pela vida, pela saúde e pela família. Desejo que a vida seja melhor para todos nós e que a felicidade nos abrace por todo 2012!
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Feliz Ano Novo.
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Nos vemos no próximo ano ;)
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Beijos, Patti.
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