Private Party
14 Talking
Notas iniciais
Não vou me prolongar na nota inicial porque já é tarde e eu realmente estou cansada.
So... enjoy!
:::Muito obrigada a minha amiga Bi por ter betado esse capítulo. Sua linda, futura portuguesa rsrsrs
POV BELLA
Eu me apaixonei por você.
Ele disse mais uma vez, tocando suavemente o meu rosto com as pontas de seus dedos, o choque de sua pele na minha fazendo-me estremecer e o meu peito doer. Eu engasguei, não contendo as lágrimas teimosas que escapavam dos meus olhos e corriam por toda a minha face.
Isso estava mesmo acontecendo? Ele estava realmente dizendo isso? Eu não estava sonhando?
Eu estava chocada. Não sabia o que pensar ou dizer.
A minha raiva de antes, quando o vi no campus a cada minuto se evaporava. E eu me odiava por isso. Eu odiava que ele veio, odiava como o meu corpo estúpido reagiu ao toque dele, e me odiava ainda mais por suas palavras me emocionarem secretamente, por fazerem o meu coração acelerar e as borboletas em meu estômago se agitarem de esperança novamente.
Ele estava apaixonado por mim.
– Eu me odeio pelo que te fiz. Eu não posso voltar atrás e desfazer o que foi feito, mas vou fazer de tudo para conquistar sua confiança, Bella. – ele disse, retirando a mão do meu rosto, causando uma sensação de formigamento no local onde antes os seus dedos tocavam.
Eu o olhava nos olhos procurando a mentira, algo que indicasse que ele estava me dando falsas esperanças, mas eu não encontrava nada. E embora eu relutasse fortemente em acreditar, seus olhos não me davam alternativa. Eles refletiam honestidade, sinceridade.
Ergui uma de minhas mãos até o meu rosto para enxugar a umidade, tentando desesperadamente fazer as lágrimas cessarem.
– Eu sei que te dei muito o que processar, e eu não quero te pressionar, mas por favor, encontre comigo amanhã? Sem pretensões, apenas para conversar, e eu vou te explicar tudo.
Prendi a respiração.
Sua voz era suave, porém o toque de desespero em seu tom não me passou despercebido.
Ele quer se encontrar comigo? Conversar comigo?
– Apenas como amigos. É tudo que te peço, Bella. – acrescentou e seus olhos eram implorativos.
Eu e Edward... conversando? Como amigos?
A questão processava em minha cabeça enquanto nós dois ficamos lá em silêncio, nos encarando, e só então eu pude observar melhor a sua aparência. Edward exibia uma expressão abatida, seu corpo parecia levemente mais magro e a sua barba estava cheia como nunca havia visto antes. Mas ainda assim, ele olhava deslumbrante, perturbadoramente lindo.
Eu estava atônita demais para elaborar algum pensamento coerente e olhar para ele não estava ajudando muito. Eu quero desviar, mas não consigo. Seu olhar é hipnotizante. É como se atraíssem os meus. Magnéticos.
Fechei os olhos na tentativa de me acalmar, engolindo fortemente. E quando o choque inicial abrandou, embora eu não fosse capaz de sair do meu estado de atordoamento, finalmente quebrei o silêncio.
– Tudo bem. – eu disse, e então os seus olhos brilharam com entusiasmo e os cantos de sua boca se esticaram em um sorriso.
Espera. Eu concordei? Eu estou aceitando o seu convite e encontrá-lo amanhã?
Sim, eu concordei, embora me sentisse como se fosse entrar em pânico a qualquer momento.
– Obrigado, Bella. – ele disse sorrindo e eu podia ver a excitação em seus olhos. – A que horas eu devo buscá-la?
Ele está propondo ir me buscar? Tipo, eu entrando em seu carro e então ele nos conduziria para algum lugar, como... como um encontro? Será que... será que ele achava que isso era um encontro?
Não, não pode ser possível. É apenas para conversar, foi isso que ele me propôs. Além disso, eu não estava pronta para entrar em seu carro, a ficar a sós com ele. Se ele quer conversar, terá que concordar em ser em um local público, e eu não estou dividindo o mesmo carro que ele.
– Eu não preciso que venha me buscar. – eu lhe digo e o seu sorriso cai em desapontamento. – Onde você quer que eu o encontre? Para conversamos? – pergunto, acrescentando a última parte para deixar claro que eu concordei em apenas conversar.
Ele passa a mão pelo cabelo.
– No Express Coffee and Tea está bom pra você? – ele me pergunta hesitantemente e eu tensiono para a sua escolha. É o mesmo café onde inesperadamente nos encontramos naquela manhã de domingo, uma semana depois da noite em que transamos pela primeira vez.
– Ok. – eu concordo, não confiando em minha voz.
– Às três horas?
Balanço a cabeça.
– Às três está bom para mim.
– Obrigado, Bella. Obrigado por concordar em conversar comigo. Eu tenho tantas coisas para te dizer. Eu aprecio que você aceitou depois de tudo. – sua voz é suave e honesta.
Ficamos lá por um momento, o silêncio pairando em torno de nós. Sua mão vem até o meu rosto novamente e eu fico tensa antes mesmo que ele pudesse tocar, recuando ao notar a minha reação. Eu o vejo colocar os óculos sobre os olhos e enfiar as mãos no bolso. E então um sorriso torto brota em seus lábios antes dele ir embora.
Eu o assisto se afastar, sua cabeça baixa e os ombros curvados para baixo. Eu exalo, tentando organizar a minha mente. Meu coração está batendo irregularmente e de repente estou tonta novamente. Caminho para trás, em busca de um apoio, até encontrar a parede atrás de mim. Recosto-me nela, sem me importar que a sua aspereza esteja machucando minhas costas e fecho os olhos, mal conseguindo respirar. Minha cabeça girava, emoções conflitantes me rodeavam. Eu estava atordoada, confusa, assustada, ao mesmo tempo aquecida, jubilosa, porém ainda estou com raiva, magoada, um completo redemoinho.
A exaustão emocional pesa em minhas pernas, e eu escorrego até o chão, dobrando os joelhos quando me sento.
Isso... realmente aconteceu?
– Bella?
Suspiro por um segundo e abro os olhos.
Alice. Rosalie está ao seu lado.
– Você está bem? – ela pergunta.
Respiro fundo, balançando a cabeça enquanto olho para o chão.
– O que... – ela para. – Ele disse algo ruim? – inquiriu, um pouco hesitante.
Não respondo, incapaz de encontrar palavras para o que aconteceu minutos atrás.
– Bella? – ela insiste.
– Não. – balbucio com a voz fraca, tossindo em seguida.
– Ela parece em estado de choque. – comentou Rosalie.
Alice se abaixa, ficando de cócoras até seu rosto ficar na mesma altura que o meu. No entanto, ainda não havia feito contato visual com nenhuma delas.
– Bella, o que ele disse a você? – perguntou com uma voz calma, como se estivesse com receio de dizer algo que me fizesse pirar.
Só então olhei para ela. Ansiedade e a expectativa cobriam o seu rosto. A expressão de Rosalie não era diferente. Porém ambas pareciam preocupadas. Eu contemplo dizê-las o que acabou de acontecer, mas eu não posso. Eu mal consigo pensar direito.
Se eu lhe disser elas vão fazer mais perguntas. E eu não quero compartilhar. Não agora, quando eu ainda não consegui processar as palavras dele. Eu precisava pensar, precisava de um tempo sozinha.
– Eu preciso ir. – digo, me levantando.
– Aonde você vai? – pergunta Alice, se levantando também.
– Não sei, eu... – eu me interrompi, sem saber realmente para onde estava indo. E uma vez que eu não tinha resposta, virei-me dando as costas para as duas e começo a caminhar com destino a nenhum lugar específico.
– Bella, para onde você está indo? – pergunta Rosalie enquanto me distancio.
– Bella! – gritou as duas à medida que apresso os meus passos.
Eu ainda posso ouvi-las, mas não olho de volta, contudo, elas não vieram atrás.
Agradeci silenciosamente por isso.
XxXxXxXxXxX
O céu cinzento de Nova York já estava completamente escuro quando dobrei a esquina da rua em que morava. Meus pés doem com esses sapatos e eu sei que é porque estou a... o que? Uma hora andando? Duas horas? Não tenho certeza.
A caminhada não fez o efeito que eu esperava. Eu não consegui aquietar o meu estado de espírito. As palavras de Edward ecoavam por todas as ruas que passei, é como se ele estivesse me seguindo, me perseguindo, não permitindo que a sua voz silenciasse, incessantemente me lembrando as suas palavras de hoje à tarde.
Isso é tão assustadoramente sufocante. Eu não queria me sentir tão afetada por ele, não depois do que ele me fez, mas eu estou. Como não se sentir afetada por alguém que lhe diz ter sentimentos por você, especialmente quando você sente o mesmo sobre essa pessoa? Se é que ele realmente sente alguma coisa. Não sei, é tão difícil de assimilar. Suas atitudes me provavam o contrário. Mas ele parecia tão honesto, tão sincero, e essa ambigüidade estava me deixando louca, perdida, tão confusa.
Quando entrei no prédio, Laurent se adiantou em dizer que a minha mãe tinha chegado há um tempo, porém saíra rapidamente, acompanhada por Phil, e que havia deixado a chave do apartamento com ele para que pudesse me entregar quando eu chegasse. Peguei a minha chave de sua mão e agradeci, pegando o elevador em seguida. Ao entrar, fechei a porta atrás de mim, retirando finalmente os sapatos e caminhando em direção ao quarto. Eu necessitava desesperadamente de um banho.
Enchi a banheira e em seguida tirei a minha roupa, entrando na água quente. Logo os meus músculos relaxaram ao entrar em contato com a água. Joguei a cabeça para trás e fechei os olhos. Minha cabeça fervilhava de pensamentos, e Edward estava em todos eles. Não parava de pensar sobre a tarde de hoje, em todas aquelas coisas que ele me disse. Meu coração parecia em festa, mas eu não conseguia deter a sensação de incerteza, de mágoa, que ainda martelava sonoramente em meu peito, lembrando-me de todas as suas atitudes anteriores, lembrado-me da última noite em que nos encontramos e ele me ignorou quando confessei-lhe os meus sentimentos.
No segundo seguinte desatei a chorar. Lágrimas silenciosas.
Não sei por quanto tempo permaneci ali, em minha bolha de desolação, até que a água tornou-se fria demais e eu já não tinha mais gotas a derramar. Minhas mãos tremiam quando me estiquei para pegar o roupão. Enrolei-me nele, escovei os dentes, e então voltei para o quarto. Fora apenas quando me sentei na borda da cama que percebi o bilhete sobre a mesa de cabeceira.
Tive que sair para o meu plantão. Por favor, me ligue quando encontrar este bilhete, estou realmente preocupada. O seu pai também.
Te amo.
Eu gemi, me repreendendo por ter agido de forma egoísta com os meus pais. Eu estava tão imersa em meus conflitos internos que em nenhum momento pensei em qualquer um deles quando simplesmente fui embora.
Uma olhada ao redor e então localizei a minha bolsa, que ficara com Renée praticamente todo o dia e provavelmente deixou-a neste quarto antes de sair, pegando a minha chave de dentro para que Laurent pudesse me entregar. Tirei o meu celular de seu interior e digitei uma mensagem rápida para os meus pais.
Eu estou bem e estou em casa, preparando-me para dormir. Sinto muito por hoje, por preocupá-los.
Amo vocês, Bella.
Apertei o botão de enviar, e em seguida desliguei o celular.
Exausta emocionalmente e fisicamente demais para me concentrar em alguma coisa, vesti um pijama e deitei-me na cama, dormindo instantaneamente em um sono turbulento.
XxXxXxXxXxX
Quando meus olhos se abriram pela manhã, o meu primeiro pensamento não poderia ter sido diferente do último, noite passada, antes que eu mergulhasse para uma noite de sono agitada, nublada por sonhos desconexos do qual não me lembrava de nenhum deles no momento.
Dei uma olhada no relógio no criado mudo, marcando oito e meia da manhã. Um tremor involuntário percorreu a minha pele ao lembrar-me que dali a algumas horas eu estaria me encontrando com Edward.
Virei-me de bruços e mergulhei o rosto no travesseiro, na tentativa de voltar a dormir e assim as horas pudessem passar mais rapidamente. Eu não sabia o que me esperava, e isso de repente estava me deixando ansiosa. Porém, minutos mais tarde, quando percebi que voltar a dormir seria uma tarefa impossível, levantei-me e segui para o banheiro após arrumar a cama, onde fiz xixi e escovei os dentes.
Fui para cozinha quando deixei o quarto, embora não estivesse realmente sentindo fome, mas eu precisava comer alguma coisa, uma vez que não me alimentava desde a hora do almoço do dia anterior. Separei algumas frutas e comecei a cortá-las em pequenos cubos. E como era de se esperar, não conseguir comer metade.
Eu deveria estar contente por hoje ser sábado e o meu primeiro dia depois de formada, sem mais trabalhos, leituras de livros acadêmicos ou avaliações. Bem, pelo menos por enquanto, já que eu pretendia fazer apenas ano que vem a minha especialização. Porém, hoje particularmente, eu estava odiando o fato de não ter o que fazer.
Voltei para o quarto, onde tentei retomar a leitura de um romance policial em que uma médica é acusada de matar seu paciente, mas desisti do livro rapidamente quando cheguei na parte em que a protagonista está prestes a fazer amor com o seu novo pretendente. Definitivamente não era o que eu precisava ler no momento. Parti para outro livro, o primeiro de uma série sobre um tipo de jogo onde vinte e quatro jovens, chamados tributos, são jogados numa arena para se matarem um ao outro, e o último sobrevivente é eleito como o vencedor. Eu tinha lido alguns poucos capítulos semanas atrás, mas mais uma vez, não fui até o fim, parando no último capítulo da parte II. Não que o livro não tivesse prendido a minha atenção, pelo contrário, eu só achava que já havia chorado o suficiente por um dia.
Desisti de ler por agora e liguei a TV. Com o controle em um das mãos viajei por todos os canais, mas parecia que não havia nada de bom sendo transmitido às onze da manhã. Bufei em frustração e desliguei o aparelho televisor.
Quatro horas. Era o que faltava para o meu encontro com Edward. Só o pensamento fazia o meu estômago dar voltas. Não que eu estivesse contando as horas, e para ser honesta eu não queria ficar pensando nisso, mas estava difícil pensar em outra coisa. Se pelo menos Renée estivesse em casa para me distrair. Ou não, já que provavelmente ela deve estar munida de um batalhão de perguntas sobre ontem.
Pensar na minha mãe fez-me lembrar de que o meu celular continuava desligado e que muito provável eu encontraria SMS, mensagens de voz e chamadas ao ligá-lo, o que se confirmou um minuto depois. Tinha um pouco de tudo, e exatamente de quem eu esperava. Alice, Rosalie, Renée e Charlie. Das minhas amigas, duas ligações de cada uma, de ontem e de hoje pela manhã. Meu pai por sua vez parecia bravo, e bem como imaginei, não porque saí da minha formatura de qualquer jeito e sem me despedir, mas porque ele queria saber quem era e o que fez a mim “aquele cara”, como ele expressou na mensagem de voz. E a minha mãe... bem, ela dizia estar vindo para casa no horário de almoço e queria conversar. Mas estava eu preparada para conversar sobre o que Edward disse ontem? Quando eu ainda estava tentando absorver, acreditar que ele realmente disse aquilo, que sentia o mesmo por mim?
Suspirei, me repreendo internamente por ter deixado as coisas tão complicadas no dia anterior, mas ao mesmo tempo não querendo ser tão dura comigo mesma, afinal, eu tinha sido surpreendida, e nunca sabemos como agir ou pensar direito nessas situações.
Por que Edward escolheu justamente a minha formatura para aparecer e bagunçar tudo novamente?
Foi então que uma questão que eu não havia pensado antes surgiu em minha cabeça. Como ele sabia sobre a formatura? Jasper teria dito? Mas ele parecia tão surpreso quando o viu.
Bom, talvez eu devesse perguntá-lo quando nos encontrássemos dentro de algumas horas.
Mais uma vez senti um frio no meu estômago por pensar neste encontro. Eu não conseguia evitar.
De repente o meu quarto, o apartamento parecia sufocante. Eu precisava sair. Minha mãe que me desculpasse, mas eu não queria falar sobre Edward agora. Com ninguém.
Tomei uma ducha e retornei para o quarto enrolada na toalha. Abri o closet e então um desespero me bate. O que vestir?
Passo os próximos cinco minutos olhando as minhas opções, até me perguntar por que eu estava tão preocupada com o que estarei vestindo.
Isso não é um encontro, Bella. É só para conversar.
E com esse pensamento, puxo uma calça jeans preta, uma blusa regata em cashmere bege e nos pés uma bota de cano médio marrom, sem salto. Penteio os fios molhados dos meus cabelos, borrifo um pouco de perfume, pego a minha bolsa e saio.
Eu sempre achei caminhar por Nova York uma experiência agradável. Claro, a cidade era longe de calma, e talvez por isso eu a amasse tanto, uma vez que eu era o tipo de pessoa totalmente urbana. Eu adorava andar pelas ruas planas, entrar nas lojas, especialmente para comprar, uma pena não ter mais tanto tempo para isso. Reflexos da vida adulta. Você não percebia o tempo passar, e era o que eu desejava no momento, que as horas corressem. Mas parecia que o relógio não estava bem comigo.
Ainda faltavam poucos minutos para as duas da tarde quando me sentei em um banco de madeira do Central Park, pelas proximidades do café onde Edward havia marcado comigo. Durante um tempo fiquei apenas observando as pessoas. No banco ao meu lado esquerdo havia uma garota concentrada em um livro. Deveria ser muito interessante pelo visto, ela sequer ergueu a cabeça quando me sentei. Do outro lado havia um grupo de garotos conversando, provavelmente sobre música, já que um deles constantemente oferecia o iPod para os demais ouvirem o que quer que seja. Quando me virei para o meu lado direito, deparei-me com um casal. Eles deveriam ter um pouco mais de trinta anos, e não paravam de sorrir ou sussurrar algo para o outro, envolvidos na própria bolha. Completamente apaixonados. Eu podia ver em seus olhos.
É errado eu estar sentindo um pouco de inveja?
Bom, não era de um jeito ruim. Eu só... Eu só desejava que eu pudesse ter alguém assim, onde as pessoas ao redor poderiam enxergar o quanto nos amávamos.
Senti um aperto no peito ao pensar em Edward, em toda essa nossa situação confusa. Eu estava apaixonada por ele, eu deixei claro sobre os meus sentimentos, e mesmo após tudo que ele havia me dito na tarde de ontem, ainda era difícil acreditar que ele sentia o mesmo depois de tudo.
Ele poderia, não sei, ter dito aquilo apenas para me fazer parar, me convencer a ouvi-lo. Ele poderia ter mentido certo?
A verdade é que meu coração e eu realmente esperamos que ele não estivesse mentindo. Eu não suportaria.
Será que ele realmente está vindo? E se ele não vir? E se ele estiver me fazendo de idiota?
Levanto-me do banco de imediato e começo a caminhar. Eu precisava respirar.
Enquanto caminho, a possibilidade dele não aparecer no encontro que ele mesmo propôs martela em minha mente, embora parte de mim não acredite que ele faria isso. Com que propósito?
Jesus! Minha cabeça parece que vai explodir e a falta de ar está queimando os meus pulmões.
Por favor, que ele apareça.
Eu tomo algumas respirações profundas, na tentativa de me acalmar. Parece funcionar, mas eu sei que não consigo mais esperar nenhum minuto a mais. Mesmo que ainda faltassem quarenta minutos para as três da tarde, estou arrastando os meus pés para o café.
Um formigamento se espalha em meu ventre à medida que vou me aproximando do café. E quando paro na frente do Express Coffee and Tea dez minutos mais tarde, eu mal consigo conter o nervosismo que me domina. A sensação é de que vou pirar a qualquer momento. Meu estômago está dando várias piruetas. Não vou mentir, estou com medo. Medo dessa conversa, e especialmente com medo de que ele não vá aparecer.
Limpo o suor da minha testa e fecho os olhos respirando fundo, antes de entrar.
Eu tenho quase certeza que meu coração parou por alguns segundos.
Edward está lá.
Sentado em uma mesa no canto, absorto, enquanto olha para o copo de água sobre a mesa.
Eu tento respirar novamente, mas não consigo sair do lugar enquanto o observo. Edward está de jeans, camisa branca de botões, as mangas dobradas até o cotovelo, o cabelo parece ter sido aparado um pouco e o seu rosto estava totalmente barbeado. Ele estava lindo.
É então que ele ergue a cabeça e nossos olhos se encontram.
Meu coração bate furiosamente.
Lentamente ele abre um sorriso e eu sinto os meus joelhos fraquejarem.
Suspiro e começo a caminhar, tentando arduamente não cair por causa das minhas pernas trêmulas. Sinto tudo gritando e agitando por dentro.
Que Deus me ajude.
Quando me aproximo, Edward se levanta.
– Bella. – ele me cumprimenta, sorrindo, olhando para mim.
– Oi. – eu respondo de volta e sorrio, mas sei que meu sorriso é nervoso. Não consigo evitar.
Nós ficamos ali em pé, em um silêncio constrangedor enquanto nos encaramos. Só então notei que ele estava tão nervoso quanto eu, o que de uma forma estranha faz-me sentir melhor.
– Humm... Sente-se. – ele aponta para a cadeira à sua frente.
Mordi o lábio e inferior e fiz como ele pediu, que também tornou a sentar no lugar em que estava.
– Bem, parece que não podíamos esperar. – ele disse, rindo nervosamente, em seguida dando um gole em sua água.
Apenas assenti, compartilhando da mesma tensão.
O silêncio caiu novamente sobre nós. Deus, eu queria dizer alguma coisa, algo que deixasse o clima pelo menos um pouco mais leve, mas simplesmente não saia nada.
O silêncio foi interrompido pela garçonete, que simpaticamente perguntou-me o que eu iria pedir. Assim como Edward, pedi apenas uma água. A garçonete inquiriu a Edward se ele desejava mais alguma coisa, e após a sua negativa, ela saiu.
– Hmm... er... como você está? – ele me perguntou, olhando diretamente para mim. Eu quase franzi a testa para ele. Quase. Como ele poderia perguntar como eu estava? Tensa, nervosa, com o coração na boca, como se eu fosse vomitar a qualquer momento, e várias outras coisas. Mas claro que eu não estava dizendo isso a ele.
– Bem. – menti.
Ele olhou-me no fundo dos olhos por um segundo, antes de desviar os olhos para a garçonete que voltara, trazendo a minha água. Provavelmente percebeu que eu estava mentindo.
– Obrigada. – agradeci antes que ela se retirasse.
Mais silêncio.
Juro, estou vendo o momento em soltarei um grito, tamanha a tensão que estou sentindo.
Edward começa a torcer os dedos, e eu olhos para as suas mãos. Elas aparentam tão agitadas. Ele esfrega a mão uma na outra, e a minha vontade é de fazê-lo parar. Sua inquietude está quase me enlouquecendo. Eis que percebo as minhas pernas também inquietas.
Bom, pelo visto eu teria que agüentar.
– Então... sobre o que eu disse ontem... – ele começa, trazendo à tona o motivo que nos trouxe aqui, a essa conversa. – Eu... – ele se cala por um longo minuto angustiante – Deus! Ontem parecia mais fácil. – ele diz baixinho como se para ele mesmo, fechando os olhos brevemente.
Eu odeio o fato de não conseguir dizer nada.
Sua boca se abre para dizer alguma coisa, mas ele a fecha novamente, balançando em seguida a cabeça.
Eu o espero, até que ele torna a falar.
– Bella... – ele faz uma pausa, mas de alguma forma, parece menos agitado. – Sobre tudo o que eu disse ontem, eu realmente quis dizer aquilo. – uma precipitação intensa de emoção me domina enquanto ele me olha nos olhos. – Eu sei que agi errado com você, que te magoei, e eu de verdade sinto muito. Sinto muito por tantas coisas. – ele fecha os olhos por breves segundos, abrindo-os novamente. – Me desculpe por ontem, por ter ido a sua formatura, é que tinha perdido tempo demais e não queria mais esperar nem mais um minuto para conversar com você.
Eu apenas o observo enquanto escuto, respirando com dificuldade.
– Estou tão feliz por você estar aqui. – ele acrescenta, lançando-me um pequeno sorriso.
Eu não sorrio de volta, não por não querer, mas porque o nervosismo não me permite. Pego o meu copo de água sobre a mesa e dou um longo gole. Quando olho para ele novamente, Edward parece triste. Seus olhos estão tristes, inseguros.
Seus olhos então se desviam para o outro lado.
E eu continuo sem saber o que dizer.
Meu coração bate apressado. Balanço a cabeça, mas não consigo controlar o que estou sentindo por dentro, não consigo agir de outra forma. Minhas emoções estão totalmente descontroladas neste momento.
Edward volta os olhos para os meus, olhando-me com cuidado.
– Bella, eu não tenho um histórico muito bom de namoros. Tive apenas duas namoradas, e as duas situações não terminaram muito bem. Você... está disposta a ouvir?
Eu o olho com cautela. Devo temer o que ele está prestes a me contar?
Ele continua me olhando, esperando. Um olhar ansioso e cauteloso.
– Tudo bem. Eu quero ouvir. – eu lhe digo finalmente.
Ele hesita por uns segundos e olha para a mesa antes de olhar para mim novamente.
– Nos últimos seis anos eu me afastei de relacionamentos sérios. – Edward começa, seu semblante é sério. – Eu acreditava que não era o tipo de cara para isso, que estava... não sei – ele deu de ombros. – destinado a partir os corações daquelas que se envolviam comigo, porque eu não conseguiria me apaixonar por elas, eu as faria sofrer e então as coisas não terminariam bem, como aconteceu comigo por duas vezes. Agora vejo que era apenas porque não tinha encontrado a mulher certa. – seus olhos brilham quando ele diz isso. Sinto um arrepio percorrer o meu corpo. – Kelsey foi a minha primeira namorada. Nós nos conhecíamos desde que tínhamos quatorze anos. Para mim ela era como um dos caras, sabe? Ela tinha algumas amigas, mas preferia estar ao nosso redor, os meninos. Ela era realmente uma amiga. Eu juro, nunca a olhei com outros olhos. Claro, ela era bonita e esperta, mas era somente isso, nunca passou pela minha cabeça chegarmos a ser um casal um dia. Pelo contrário, eu sempre achei que ela e Jasper ficariam juntos em algum momento. Eles brigavam frequentemente por bobagens, mas logo faziam as pazes e não se desgrudavam, eram parceiros em todas as atividades na escola.
“Quando estávamos com dezessete anos, Kelsey já andava mais em grupos femininos, mas ainda fazia parte do nosso círculo de amizade. E quando Jasper começou a sair com uma garota do segundo ano chamada Rooney, na metade do nosso sênior year, eu até cheguei a pensar que a amizade dos dois estremeceria, mas nada disso aconteceu, Kelsey até o incentivou. E com Jasper gastando mais tempo com a nova garota, Kelsey tornou-se mais próxima a mim. E foi aproximadamente um mês depois disso que as coisas começaram a mudar entre nós.”
Eu bebo mais um pouco de água preparando-me para o que vinha a seguir.
– Estávamos reunidos na casa do Randy, assistindo a um jogo dos Yankees, todos os nossos amigos presentes. Kelsey e outra garota da escola, sua amiga Emma, eram as únicas meninas. Quando o jogo terminou, nós continuamos por lá, conversando e, não me lembro de quem havia partido a idéia, mas em algum momento nós começamos aquela brincadeira de Verdade ou Desafio. Certa altura da brincadeira, Kelsey havia pedido Desafio e Emma ordenou que ela me beijasse. Bem, foi estranho o nosso beijo, mas não ruim. Eu levei na brincadeira e acreditei que havia parado ali. E quando anunciei que estava indo para casa, Kelsey perguntou se eu podia dar carona a ela, e eu claro concordei, já que ela também morava no Upper East Side e não seria a primeira vez que eu lhe dava carona.
Espera, no Upper East Side?
Oh! Agora lembro! Ela é a primeira namorada, a que morava na mesma rua que eu. Ele havia dito isso brevemente quando eu estive em seu apartamento pela primeira vez.
Engulo em seco. Sim, era idiotice da minha parte, mas eu estava começando a ficar com ciúmes.
– Nós fomos conversando durante o trajeto, e então o nome de Jasper surgiu de alguma forma durante a conversa. – Edward continuou. – Quando ela comentou que achava a Rooney legal, mas que Jasper não parecia querer levar o namoro adiante, eu deixei escapar que pensei que ela gostasse dele mais que amigo. Ela soltou uma gargalhada, dizendo que eu era cego demais. E quando parei o carro na porta do prédio que ela morava, inesperadamente quando ela se inclinou para me beijar no rosto em agradecimento como sempre fazia, seus lábios tocaram os meus. Fiquei surpreso, mas quando olhei para ela e a vi sorrindo, eu realizei que ela realmente quis aquilo, que não foi sem querer. Bom, de alguma forma, depois dessa noite nós passamos a nos beijar em cada oportunidade que tínhamos de ficar a sós. Depois de um tempo nós aceitamos que estávamos namorando e decidimos nos assumir na frente de todo mundo. Era bom e estranho ao mesmo tempo. Eu ainda enxergava a Kelsey como aquela garota sem frescura, que apostou com Emmett quem arrotava mais alto, que se juntava para ver os jogos de baseball conosco, com a diferença de que agora eu a beijava e andava de mãos dadas.”
Ele sorri, mas seu sorriso é tenso.
– Bom, nós éramos dois adolescentes, cheios de hormônios. Era natural que depois de dois meses juntos o assunto sexo surgisse. E eu queria, eu realmente queria, mas ao mesmo tempo, o pensamento de tê-la dessa forma, ser íntimo fisicamente, me assustava. Foi a partir de então que percebi que eu ainda a via como amiga. Eu passei uns dias confuso, evitando-a, com a desculpa que precisava estudar para melhorar minhas notas, o que me fez ter um pouco de espaço para pensar. E eu cheguei a pensar que o melhor seria terminarmos, para não estragar a amizade de tantos anos, mas não consegui. E eu tentei, juro que tentei. Nós fizemos todas aquelas preliminares, mas eu não consegui ir em frente. Ela seria sempre a minha amiga, eu não a via como outra coisa. Disse-lhe o quanto gostava dela, que ela era uma garota maravilhosa, mas que não funcionávamos como namorados, porque eu sempre a veria como amiga. Ela chorou aquela noite, mas aceitou os meus argumentos, concordando que o namoro foi um erro. Pedi que voltássemos a ser amigos como antes, que nada mudasse. Ela se pôs de acordo, mas nunca mais foi como antes. Kelsey confessou que era apaixonada por mim há mais de um ano, e que jamais conseguiria me ver como amigo novamente.
– Então ela... o beijo... – balbuciei.
– Sim. – ele balançou a cabeça, meio entristecido. – No final das contas, terminei sem nenhuma das duas, a amiga ou a namorada. E depois disso eu não quis me envolver com nenhuma garota da escola, em respeito à Kelsey. Então veio o término do High School, o meu ingresso à Columbia, os meus dezoito anos, eu estava saindo de casa, indo morar em Tribeca, e eu só queria curtir as férias de verão, viajar e sair com os amigos. Eu tinha aquela sensação de estar finalmente começando a viver. – ele riu saudoso. – E mesmo após o início das aulas em setembro daquele ano, eu só queria curtir, beber, ir às festas, sair com garotas, fazer coisas estúpidas, coisas que temos vontade de fazer e só fazemos quando finalmente saímos da casa dos nossos pais. Bem, foi assim, até eu conhecer Lauren no início do ano seguinte.
– Sua segunda namorada? – perguntei.
– Sim. – ele suspirou. – Lauren era da minha turma, mas nós nunca nos falamos ou fomos amigos até nos encontrarmos numa festa da fraternidade Sigma Chi. Eu tinha ficado muito bêbado àquela noite, tanto que estava com dificuldades até de abrir a porta do meu carro, foi quando ela apareceu de repente, apontando o quanto eu estava embriagado e que seria perigoso dirigir no estado em que me encontrava, se oferecendo para dirigir o meu carro e me levar até onde eu morava. Eu tinha ciúmes do meu carro, não gostava que dirigissem, mas eu não estava em condições de não gostar de alguma coisa, então concordei, mesmo estranhando que ela estivesse se oferecendo, justamente a mim, que ela nunca trocou uma palavra antes. Lauren pegou as chaves da minha mão, alegando que de lá tomaria um táxi. Durante o trajeto eu meio que comecei a flertar com ela. – tensionei, tentando arduamente controlar o ciúme que explodiu em mim. Dei mais um gole em minha água, percebendo que Edward havia notado o meu desconforto. – Entenda, eu estava embriagado, eu sequer me lembrava o que havia dito a ela no dia seguinte. – ele explicou – Quando finalmente chegamos ao apartamento em que Jasper e eu dividíamos, ela me ajudou a subir, e eu devo tê-la convidado a entrar, mas a próxima coisa que lembro é de acordar e vê-la em minha cama.
Engulo com dificuldade e respiro fundo. Eu realmente não quero ter uma imagem mental disso.
– Depois dessa noite, nós começamos a nos encontrar casualmente, mas na faculdade agíamos completamente normais, eu apenas passei a cumprimentá-la. Eu não sabia que estávamos namorando até que ela me apresentou como seu namorado às amigas, um mês depois, e embora isso tenha me incomodado, eu não a corrigi. E foi apenas quando ela quis me apresentar aos pais que percebi que estávamos realmente em um relacionamento sério.
“Depois disso eu a levei em alguns encontros, comprava-lhe coisas, agi como qualquer namorado. Mas, no fundo eu sentia como se houvesse algo errado, como se estivesse faltando algo. E com o tempo vieram as brigas, as cobranças, o ciúme, e eu me vi cada vez mais me afastando dela, cansando de discutir relação, de vê-la reivindicando a minha atenção. Eu sabia que não estávamos na mesma página, que eu não tinha sentimentos por ela. Eu vi o quanto Emmett sofreu quando ele e Rosalie romperam, e eu estava longe de sentir algo parecido se viéssemos a terminar. Decidi então não prolongar por mais tempo, como acontecera com a Kelsey. Mas a minha tentativa de ter uma conversa pacífica e então cada um seguisse em frente não surtiu efeito.
– Ela não aceitou? – perguntei, tentando manter minha voz equilibrada.
– Lauren passou a não me deixar em paz na faculdade, nem fora dela. Me perseguia, tentava falar comigo a todo momento, me ligava constantemente, lotava meu correio de voz de mensagens, procurava-me em meu apartamento, pedia aos meus amigos para enviar-me recados e que eles lhe dissesse o que eu estava fazendo, para onde eu estava indo. – sua voz se eleva, e eu arregalo os olhos. Ele estava tão chateado, como se estivesse revivendo tudo aquilo. – Você acredita que ela bateu numa garota porque desconfiava que ela estava interessada em mim?
– Nossa! – murmuro chocada. – Ela realmente gostava de você.
– Isso não era amor. Era doença. – Edward leva o copo de água à boca, e o meu coração palpita quando me lembro das sensações que aqueles lábios nos meus me faz sentir. Balanço a cabeça para não perder o foco da conversa. – E não terminou por aí. Ela me constrangeu, testou toda a minha paciência e tolerância, mas tudo isso se esgotou quando ela espalhou pelo campus que estava grávida de mim.
Meu coração falhou uma batida.
Grávida?
– Eu nunca tinha sentido tanto ódio por alguém como cheguei a sentir por ela. Lauren tinha ultrapassado todos os limites, e inventar que estava grávida para me segurar foi a gota d’água. Eu fui atrás dela e fui realmente duro, disse-lhe coisas ofensivas, que acabamos dizendo quando estamos com raiva. Eu até cheguei a inventar que já estava em outra, usando de todos os meios para fazê-la me deixar em paz de uma vez por todas. – ele exala e eu volto a respirar novamente. Então não houve gravidez. – Depois disso eu não a vi ou tive conhecimento dela por cinco dias. Por um momento pensei que ela estivesse envergonhada, até que no sexto dia, quando estava chegando na faculdade, fui surpreendido com a notícia de que ela estava na UTI, pois tinha tentado se matar.
– O que? – pergunto, perplexa.
Ela tentou se matar?
– Ela ingeriu um tipo de veneno para criação de plantas ou algo assim, e Bella, você não pode imaginar o inferno que se tornou a minha vida por dois malditos dias. Eu fui chamado para depor. Depor! Sabe por quê? Porque a polícia tinha levantado todas as hipóteses, até mesmo a hipótese de que eu poderia tê-la envenenado para me livrar dela.
– Oh Meu Deus. – coloquei as minhas duas mãos na boca. – Edward!
– Sim. Mas felizmente eles encontraram em sua bolsa o comprovante de compra do veneno. Os policiais foram até a loja, e eles reconheceram Lauren. E para não ficar nenhuma dúvida, a própria Lauren confessou ter ingerido quando teve uma melhora em seu quadro de saúde, alegando que não tinha nenhuma intenção de se matar, que só queria chamar a minha atenção, mas terminou por exagerar na dosagem.
Estou em estado de choque enquanto olho para Edward. Como alguém quase se mata com a intenção de chamar atenção de outra pessoa? Isso é doentio! O pior é que os casos estão por aí, vemos constantemente nos telejornais. Pessoas que cometem loucuras como essas porque não conseguem aceitar o fim de um relacionamento.
– Depois do episódio com Lauren, eu não quis me envolver com ninguém por um tempo. Apenas pouco depois de um mês que eu comecei a sair com garotas novamente, mas eu estava fechado para relacionamentos. Eu não conseguia passar da primeira, no máximo segunda noite. Nenhuma garota havia despertado em mim o desejo de ir além disso, e para ser honesto, eu não estava mesmo interessado em prolongar por mais de duas noites. Decidi que iria curtir a minha juventude e fazer do período de faculdade os melhores anos da minha vida. – então seus olhos perscrutam-me de repente. – Então eu conheci você.
Seus olhos estão fixos nos meus. A maneira que ele me olha é tão... profunda. Eu quase esqueço como respirar.
– Lembra quando nos beijamos a primeira vez no aniversário de Rosalie? – fecho os olhos por um instante junto com um suspiro. Edward, por favor, sem golpe baixo. – Eu não estava mentindo quando disse que quis ficar com você desde a primeira que te vi. Mas vou ser honesto – ele hesita, meio envergonhado. –, eu quis você de uma forma sexual. – tento manter a minha respiração enquanto ele continua me observando. – Quando finalmente eu a tive, não imaginava que me tornaria dependente de você. De repente você era a única coisa que eu pensava, você não saia da minha cabeça. E eu tentei, Deus sabe que eu tentei empurrar você para longe dos meus pensamentos. – os lábios de Edward se esticam em um sorriso torto, fazendo o meu coração balançar. – Todas as tentativas foram frustradas. Eu deveria saber na época que não tinha mais volta. – ele continua sorrindo e os seus olhos brilham enquanto ele fala. – E então você não me ligava, e eu senti raiva de você. Sei que isso vai soar presunçoso, mas eu não conseguia entender por que você não me ligou, por que estava agindo tão diferente das outras garotas. E isso só aumentava ainda mais o meu interesse por você, o desejo de te ver de novo, de te ter de novo. Eu não queria que aquela festa tivesse sido a primeira e última noite.
Edward se curva e coloca uma de suas mãos por cima da minha. Meu coração acelera.
– Bella, eu não quero você por uma noite. Eu quero você na minha vida. – engulo em seco. – Eu nunca senti por ninguém o que sinto por você. – ele diz devagar cada palavra. – Eu sei que fui um idiota desde o início, que me deixei ser consumido pelo medo e insegurança, mas eu quero corrigir isso. Se você me deixar. Você vai me deixar?
Ele me olha com expectativa.
Fico em silêncio por um tempo porque não consigo encontrar palavras. Meu coração batia furiosamente em meu peito. O ar entrava e saía dos meus pulmões em lufadas descompassadas. Eu podia sentir o meu controle emocional escorregando e as lágrimas querendo invadir os meus olhos.
Ele me quer em sua vida.
Meu coração, apaixonado e emocionado pelo seu discurso, queria dizer que eu me sentia da mesma forma, que eu também o queria na minha vida e que faríamos isso funcionar. Mas eu não conseguia me livrar daquela parte teimosa que gritava no fundo da minha mente que eu deveria ir com calma, que apesar de tudo que ele me disse eu não deveria esquecer o fato de que ele me fez sofrer e que não havia nenhuma garantia de que ele não faria isso novamente.
E eu estava tão cansada de sofrimentos.
Respiro fundo.
– Eu preciso de um tempo. – eu finalmente digo, minha voz soando insegura.
– Eu sei. E eu vou esperar. Por você eu espero o tempo que for. – ele me olha com esperanças e sorri para mim, retirando a mão que ainda estava sobre a minha.
Eu olho para minha mão durante longos segundos, desejando que a dele ainda estivesse lá. Quando ergo a cabeça, vejo Edward me observando.
– Posso ter o número do seu telefone novamente? – ele pede de repente.
Eu o olho confusa por um momento, até lembrar sobre o que Jasper havia dito dias atrás, quando estávamos no hospital visitando Rosalie, que Edward perdera o celular.
Devo perguntá-lo o que aconteceu?
– Não se sinta pressionada. Eu entendo se você não...
– Não. – eu o interrompo. – Tudo bem. É claro que você pode ter o meu número. – lanço-lhe um sorriso sincero e recebo um estonteante em resposta.
Acho que estávamos no caminho certo.
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Trabalhar com Rebecca era agradável. Ela era uma garota simpática, inteligente, e aprendeu todo o serviço muito rapidamente. Para o bem do setor e da empresa. Nós até conversávamos vez ou outra enquanto exercíamos nossas funções, sobre o trabalho ou qualquer outro assunto que surgisse. Mas na maioria do tempo trabalhávamos em silêncio. E hoje particularmente eu estava odiando o silêncio.
Eu sentia uma falta imensa de Rosalie, mas nunca desejei tanto que ela estivesse aqui, sentada na mesa em frente a minha, contando sobre o que quer que fosse, até mesmo sobre a sua vida sexual, como hoje. Não, risca essa parte de vida sexual. Eu não queria saber sobre isso. Enfim, eu a queria aqui, me distraindo, porque minha cabeça estava a ponto de explodir.
O motivo?
Bem, era Edward.
Merda, hoje era sexta-feira, nós nos vimos há seis dias e ele não me ligou nenhuma vez. Nenhuma vez. Apenas me mandou uma mensagem de texto no sábado à noite, desejando-me uma boa noite de sono.
Tudo bem que eu falei que precisava de tempo, mas custava ele me ligar?
– Ei, vai fazer hora extra? – inquiriu Rebecca.
– Não. Por quê? – perguntei, vendo-a jogar a bolsa sobre o ombro.
– Porque hoje é sexta, dia de sair uma hora mais cedo, esqueceu? – ela sorriu.
– Oh! – exclamei, olhando as horas no meu relógio. – Meu Deus, eu esqueci de terminar a planilha.
– Na segunda-feira você termina. Vamos nessa.
– Não. Eu realmente preciso terminar. Falta pouco, eu concluo em meia hora. – disse-lhe, me amaldiçoando por ter gasto tanto tempo pensando sobre minha vida pessoal que me esqueci do trabalho.
– Tudo bem. Tenha um ótimo fim de semana, Bella.
– Você também. – sorri para Rebecca, vendo-a em seguida ir embora.
Bem, eu não consegui terminar em meia hora, mas às seis horas em ponto, no meu horário normal. A conclusão foi mais trabalhosa do que pensei, pequenos detalhes que eu precisava ficar atenta, ou teria que fazer tudo de novo. Desliguei o computador, recolhi minhas coisas e caminhei em direção ao elevador, os saltos dos meus sapatos fazendo eco ao bater no chão dos corredores vazios. No térreo, me despedi de Bill, o porteiro, e passei pela porta giratória, ainda decidindo se pegava um táxi ou metrô.
Quando atinjo a calçada, meu coração dispara e todo o meu sangue parece ter sido extraído do meu corpo.
Edward.
Encostado em seu Aston Martin, com braços e pernas cruzadas, na frente da empresa em que eu trabalho. Sorrindo. Para mim.
Respire, Bella.
Ele descruza os braços e pernas, e anda alguns passos, até parar diante de mim.
– Oi. – ele diz suavemente.
– Hey. – murmuro de volta, minha voz soando confiante, ao contrário de como me sentia.
E lá estava mais uma vez o silêncio entre nós, mas dessa vez eu o cortei.
– O que você está fazendo aqui? – perguntei.
– Eu... hum... estava passando aqui perto, então... bom, eu pensei que poderia vir aqui e te oferecer uma carona e... – ele respirou fundo e fechou os olhos. – Tudo bem, eu não estava passando por acaso. Eu realmente quis vir aqui. Eu não sabia a que horas você saía, então, fiquei aqui te esperando.
– Você estava me esperando? – pergunto, franzindo a testa.
– Sim. – ele responde.
Edward estava me esperando.
– Eu sei que te disse que esperaria, que te daria o tempo que você precisava, é só que... já fazem seis dias. Eu precisava te ver. – exprimiu, olhando-me com intensidade.
Quantas vezes um coração pode parar?
Sobre o meu... perdi as contas.
– Você está indo a algum lugar? – ele me questiona.
– Não. Quero dizer... – sacudo a cabeça. – estou indo para casa.
– Será que eu... poderia deixar você em casa? – sua pergunta é cheia de hesitação e expectativa.
– Sim. – eu respondo, vendo um sorriso torto de alívio se formar em seus lábios.
Porque assim como ele, eu também queria vê-lo, e agora que ele está aqui, na minha frente, eu não poderia desperdiçar a oportunidade de ficar mais um tempo com ele, certo?
X
Notas finais
Bom, pelo menos o Edward está disposto a tentar. A Bella que ainda parece estar com o pé atrás. Até quando?
Acho que depois desse depoimento do Edward, deu pra entender um pouquinho o motivo por trás do seu comportamento. Bom, eu conheci uma pessoa que passou por algo semelhante, e o caso dele foi um pouco pior que o do Edward. Lamentável.
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Eu realmente espero que vocês tenham curtido o capítulo, porque .. meeeeehhh... eu sei que não ficou lá essas coisas, mas eu só não conseguia produzir mais nada, mas a intenção era essa mesma rsrs.
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Vou ficando por aqui e agradecendo o feedback do capítulo anterior. Vi que a maioria se emocionou, vibrou que finalmente Edward se deu conta dos sentimentos. E como leitora, quero dizer que sei o quanto é ruim esperar ansiosamente um capítulo, eu gostaria MUITO de ter mais tempo para me dedicar a escrita de fanfics, mas infelizmente não tenho, e não há muito o que eu posso fazer quanto a isso. Eu só tenho 2 dias de folga por semana, e escrever fanfic não é minha única prioridade. Quem escreve e tem uma semana difícil e cansativa de trabalho ou faculdade entende o que estou falando.
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Aos que me apoiaram e me compreendem, eu só tenho o que agradecer. Eu juro, não desisto de escrever por vocês!
E agora vou me recolhendo porque preciso me atualizar em OUAT que atrasei vários capítulos rsrsrs
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Nos vemos em breve, um super beijo xx
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