Private Party
13 Still Alone
Notas iniciais
Trilha:
Linkin Park – Papercut
System of a Down – Lonely Day
Nickelback – I’d Come For You
Foreigner – Waiting For A Girl Like You
James Morrison – One Last Chance
POV Edward
– Olá. Edward. – saudou-me com uma expressão séria no rosto.
O que diabos ela estava fazendo aqui? Como conseguiu entrar?
– Eu sei, você deve estar se perguntando como consegui chegar até a porta do seu apartamento. Você não vai me convidar para entrar? – ela ergueu uma sobrancelha.
– Desculpe. – eu disse, franzindo a testa, me afastando da porta e dando espaço para ela entrar.
Fechei a porta quando Alice passou, ainda confuso.
Jasper a mandou aqui? Eu não podia acreditar nisso.
– Belo apartamento. – comentou a namorada do meu melhor amigo enquanto olhava ao redor da minha sala de estar. – Só está precisando de uma organização. – disse ela antes de examinar a mesa de centro, onde habitava uma caixa de pizza há dois dias, algumas garrafas vazias de cerveja e de vodka, além das embalagens do Burger King. – E limpeza. – acrescentou, franzindo o nariz.
– Eu sei. Eu vou dar um jeito nisso. – cruzei os braços na altura do meu peito.
– Eu sabia que Jasper não estava comprando os lanches para nenhum amigo do hospital, como me dissera. – ela comentou, cerrando os olhos para as embalagens do lanche que Jasper trouxera para mim do Burger King que estavam sobre a mesa de centro.
Continuei em silêncio, vendo-a observar o segundo lugar que eu mais gostava de ficar em meu apartamento, perdendo apenas para o meu quarto.
– Olha, eu vou ser breve. – iniciou Alice, virando-se de repente para me encarar. – Estou intrigada há dias. Eu sei que Jasper vem aqui todos os dias, eu só queria descobrir por que, uma vez que ninguém teve mais notícias suas. Então decidi segui-lo, já que eu não sabia onde você morava.
– Espera. – franzi a testa. – Jasper não sabe que você está aqui? – perguntei, incapaz de esconder minha surpresa.
– Não. Na verdade, ninguém sabe. – respondeu ela. – Nós estávamos no Burger King quando Jasper ordenou um novo pedido depois que já tínhamos comido. Achei estranho, claro, e quando perguntei para quem seria, ele desconversou, dizendo que estava levando para um colega do hospital cujo plantão estaria terminando quando ele chegasse. Mas logo realizei que ele não estava falando a verdade em tudo, e que esse amigo na verdade era você, e que ele provavelmente estaria vindo para cá depois que me deixasse em casa. Foi por isso que menti para ele, dizendo que estava indo na loja de uma amiga ali perto, que ele não se preocupasse comigo que eu tomaria um táxi para ir para casa depois. E quando nos despedimos, eu o segui.
– Por que você fez isso? Como conseguiu entrar aqui? – questionei confuso.
– Como consegui não importa, mas agora que estou aqui eu preciso te perguntar. – ela colocou as duas mãos em punho em cada lado dos quadris. As alças de sua bolsa presas entre os dedos da mão esquerda. – Qual o seu problema, Edward? Sério, qual o maldito do seu problema? – perguntou em tom de ameaça.
– Não sei do que você está falando. – dei de ombros, tendo uma forte desconfiança a que ela se referia.
– Ah, não sabe? Tudo bem. Eu posso refrescar sua memória. – ela riu sem nenhum humor, dando um passo para frente. – Você partiu o coração da minha melhor amiga, foi isso que você fez, e no momento que ela confessa que está apaixonada. Você simplesmente virou as costas, tratando-a friamente, como se ela não tivesse pronunciado nenhuma palavra. Quem você pensa que é para menosprezar os sentimentos de Bella dessa forma? – a pronúncia do nome causou uma pressão em meu peito. Respirei fundo, tentando ignorar a sensação.
– Alice... – tentei falar, mas ela me cortou.
– Você é um babaca! – me insultou, apontando o dedo para mim.
– Alice...
– Não, você vai me escutar. – me cortou novamente. – Eu a vi se envolver com babacas que não valiam à pena. O último apenas a tratou como se ela fosse algo descartável, que ele usava quando queria e bem entendesse e depois jogava fora, como se ela fosse uma qualquer. É isso que Bella representa para você, Edward, um objeto descartável? – inquiriu ela, quase sem fôlego.
– Não! – respondi enfaticamente, atordoado diante de suas palavras. Era isso que parecia para as outras pessoas?
– Então por que você fez isso? – quis saber, praticamente gritando.
Fechei os olhos, abrindo-os rapidamente e encarei o chão.
Por que eu fiz isso?
Essa era uma boa pergunta. Eu queria saber a resposta também.
Na verdade não me permiti pensar sobre os acontecimentos daquele dia, eu não queria pensar sobre aquele dia. Nunca tinha me sentido tão vulnerável e fora do meu controle como me senti aquela noite. Para ser sincero, eu não me sentia mais eu mesmo desde que Bella passou a ocupar meus pensamentos mais do qualquer outra coisa.
– Edward? – gritou Alice, obrigando-me a olhar para ela, encontrando o seu olhar irritado.
Eu não sei o que havia provocado, se era por causa de toda essa história, ou a visita inesperada de Alice, ou Jasper me tratando como se eu fosse a porra de uma criança, mas no segundo seguinte a fúria havia me consumido também.
– Vá embora, Alice! – estourei, saindo de perto dela e caminhando até a janela aberta, apoiando-me nos cotovelos enquanto olhava sem nenhum foco para a cidade lá fora.
Eu estava tão cansado.
– Sabe o que mais me intriga? É que no fundo da minha mente uma voz insiste em repetir que você não é como Jacob. – disse ela. Quem diabos é Jacob? – Semanas atrás eu disse a Bella que você não servia para ela. Não com essas palavras, mas quis dizer o mesmo. Ainda assim ela se apaixonou por você. O que prova que não importa o que as pessoas digam, as coisas acontecem quando têm de acontecer. – estremeci ao ouvir aquelas últimas palavras.
Parte de mim gostaria de ordenar novamente que Alice fosse embora, que ela não me atormentasse mais. Porém, a outra metade desejava que ela permanecesse, que continuasse a falar, mesmo que fossem palavras duras de se ouvir a respeito de mim.
Eram tantas vontades e sentimentos contraditórios em meu interior. Sentia-me como se não tivesse mais controle de mim mesmo, não me reconhecia mais como o mesmo, e isso estava me aterrorizando.
– Você não a conhece como eu conheço, mas se algum dia você tiver a oportunidade de conhecê-la verdadeiramente, você vai perceber Edward, não existem pessoas como ela. Bella... ela é única. – começou Alice, com a voz mais branda. – Ela é a pessoa mais doce que eu conheci. É forte, amorosa, altruísta, inteligente, divertida e honesta. Nossa amizade é de apenas um pouco mais de três anos, mas é como se fossemos amigas a vida inteira. A única que consegue arrancar de mim um sorriso quando a última coisa que eu tenho vontade é sorrir, que me compreende, que me aconselha, que sempre esteve comigo nos momentos difíceis.
“Quando minha mãe esteve doente, ela foi minha força, me apoiou para que eu não desmoronasse. Foi ela quem passou a primeira noite comigo no hospital quando fiquei internada por causa de uma pneumonia, mesmo que no dia seguinte ela tivesse que ir a faculdade e ao estágio. Foi na companhia de Bella a viagem mais incrível da minha vida, foi ela que cedeu o próprio sapato quando meu salto quebrou numa festa que fomos juntas, que espantou a ex-namorada de um ex-namorado meu que queria estragar o nosso relacionamento, a única que chorou comigo por uma semana quando o meu cachorro morreu.”
“Eu poderia ficar a noite toda falando para você tudo que ela já fez por mim e o quanto ela é importante em minha vida, mas ainda assim não seria suficiente. Bella é a irmã que o meu coração escolheu, que pensa e sente como eu. Se ela está feliz, eu estou feliz junto com ela, quando está triste, eu sinto a mesma tristeza. E como amiga-irmã, me sinto na obrigação de protegê-la, de cuidar dela, e é por isso que estou aqui, Edward. Se eu não acreditasse que você sentia algo por ela, eu jamais teria vindo.”
Comprimi meus olhos e permiti que as palavras de Alice me invadissem.
Sim, algo eu sentia.
– Eu vi na festa. Eu vi nos seus olhos. A maneira que você olhava para ela... – Alice fez uma pausa, fazendo-me tensionar em expectativa com o que ela iria falar em seguida. Porém, ela nunca terminou. – Ainda há tempo. Na próxima sexta é a nossa formatura. Haverá uma cerimônia no Yankee Stadium pela manhã, em seguida uma celebração privada no campus da NYC às 3 da tarde. Se Bella significa algo para você, apareça.
Não tenho certeza quantos minutos haviam se passado, mas quando me virei, ela não estava mais lá. Tinha ido embora.
Suspirei e caminhei lentamente em direção a porta que Alice deixara aberta, fechando-a. O meu próximo passo foi ir até a garrafa de vodka depositada sobre a mesa de centro.
“Eu estou apaixonada por você, Edward”
Eu não tinha sequer tirado a tampa quando a voz me parou no mesmo lugar.
“Eu estou apaixonada por você, Edward”
“Eu estou apaixonada por você, Edward”
Pela primeira após aquela noite, fui capaz de permitir que a minha mente ressonasse repetidas vezes as palavras de Bella.
Em que momento ela se apaixonou por mim?
“Você partiu o coração da minha melhor amiga, foi isso que você fez.”
“É isso que Bella representa para você, Edward, um objeto descartável?”
Não. Eu queria responder.
“Você está tão apaixonado por Bella quanto ela está por você.”
Estou? Eu nunca fiz o tipo apaixonado.
“É isso aí, continue fugindo. Só espero que o seu arrependimento não venha tarde demais.”
“Ficar bêbado na maior parte do tempo não vai resolver sua vida, muito menos arrancar do coração o que você está sentindo.”
De repente a sala silenciosa tornou-se uma cacofonia de sons.
– Arghhh! – rosnei, colocando a garrafa de vodka de volta à mesa.
Os meus ouvidos zuniam quando me sentei no sofá e esfreguei o meu rosto com as duas mãos, incapaz de me desligar das palavras de Jasper e Alice. Apoiei os cotovelos em cima de cada joelho, colocando as duas mãos em cada lado da minha cabeça. E quando meus olhos bateram sobre a porta, finalmente me rendi às memórias do que aconteceu aqui, dias atrás.
“Edward, eu quero me desculpar pela forma como agi no último sábado.”
Naquela noite, eu não sabia se ficava feliz ou se sentia raiva por ela ter me procurado. A atmosfera que nos rodeava já não era como da primeira vez em que ela esteve neste apartamento, havia sido substituída por um clima tenso e pesado.
Eu não parava de pensar na forma como ela me ignorou na festa, quando negou conversar comigo enquanto gostaria de explicar sobre a minha viagem. Então teve todos aqueles rapazes olhando para ela, como se ela fosse algo comestível. O babaca do Sean a cercando o tempo todo, e tinha James.
James.
Eu observei o modo como ele a olhava, como se estivesse imaginando-a nua. E só de imaginar as mãos dele em qualquer parte do corpo dela, fazia me sentir mal.
Eu o odiava.
Odiava-o por ter insinuado que ela estaria indo até o loft que ele vivia; odiava-o por me fazer acreditar que ela tinha concordado; odiava-o por desejá-la, por olhar para ela, por falar com ela.
E odiava Bella por me fazer sentir tudo isso, por me fazer sentir tão possessivo, tão fora de mim.
“Eu não terminei!”. Foram as palavras que cuspi logo depois que ela me deu um tapa no rosto. Eu sei, eu fui duro, disse palavras que a ofenderam, mas eu estava fora de controle. Eu não conseguia pensar em outra coisa que não fossem as mãos de James sobre ela, eles se beijando, ele a levando para cama, os dois transando durante a noite toda, como ele havia dito que aconteceria.
Ela não seria dele. Nunca.
Bella era minha.
E foi o que disse a ela antes de cobrir a boca dela com a minha.
Os seus lábios, o cheiro, o corpo, tudo era meu. Cada centímetro.
Eu queria provar isso a ela quando a empurrei contra a porta e ambas as minhas mãos agarraram cada lado de sua cabeça para aprofundar o beijo. Eu estava agindo como um selvagem, mas não estava me importando com nada disso. O desejo e a fome por ela que eu estava sentindo beirava a insanidade. Eu precisava tê-la naquele momento, senti-la.
Eu estava desesperadamente necessitado dela quando empurrei o seu vestido para cima, torcendo silenciosamente para que ela já estivesse pronta para me receber, pois eu não podia mais esperar. E quando afastei a sua calcinha para o lado e deslizei os dedos entre as suas dobras, perdi o senso da razão.
Ela estava pronta. Pronta para mim.
Sem querer perder mais tempo, puxei a sua calcinha para baixo e em seguida me livrei do meu jeans e boxer, erguendo-a do chão, e me afundando para o calor do interior do seu corpo.
De alguma forma, uma série de resoluções me tomou quando nossos corpos se conectaram.
Fechei meus olhos enquanto sentia... tudo. Em toda a minha vida, eu nunca havia sentido isso. Nunca antes eu me senti tão completo como me senti naquele momento, enterrado dentro dela. Era esmagador. Nossos corpos se movendo juntos, não havia palavra suficientemente adequada para definir como me sentia.
Com outras, por muitas vezes eu sequer me importava em beijar, mas com Bella, beijar ultrapassava a linha da necessidade, e quanto mais eu sentia o seu gosto, mais eu queria.
Não. Eu não a odiava.
E quando esvaziei-me dentro dela, a realidade caiu sobre minha cabeça. Eu estava muito envolvido. Eu nunca poderia parar.
Esse desejo intenso, desenfreado, obsessivo, uma necessidade forte que vibrava em todo o meu imo.
O que era isso?
O que estava acontecendo comigo?
De repente eu estava assustado como o inferno.
Tentei desesperadamente retomar a razão, recuperar o meu controle, contudo era impossível enquanto eu estava ali diante dela, nossos corpos ainda unidos. E quando olhei no fundo dos seus olhos, eu só senti que precisava sair imediatamente dali, e assim o fiz. Eu simplesmente a deixei lá.
O que estava acontecendo comigo?
Era a questão que eu me fazia incessantemente enquanto andava de um lado a outro em meu quarto.
Eu não sabia o que fazer. Sentia-me estranho, impotente, atordoado.
Como alguém que eu havia conhecido há um pouco mais de um mês era capaz de mexer tanto comigo, bagunçar minha vida, meus pensamentos? Por que com ela era diferente? Por que quanto mais eu a tinha, mais sentia a necessidade de tê-la? De onde veio esse meu instinto possessivo, a ponto de não querer que ela fosse de mais ninguém?
Amaldiçoei-me quando me dei conta que a havia deixado sozinha na sala por muito tempo. Respirei fundo e reuni forças para encará-la, voltando em seguida para a sala.
Ela já estava vestida quando a encontrei, e no momento em que a vi caminhando em direção à porta, me antecipei em dizer que a deixaria em casa. Outra atitude confusa. Minutos atrás eu quis fugir de perto dela, e agora eu queria mais um tempo com ela.
Peguei a minha boxer jogada no chão, só então me dando conta que havíamos transado sem camisinha novamente. E o que ela disse a seguir me pegou de surpresa.
Fiquei sem reação assim que as palavras saíram dos seus lábios, mas logo a surpresa foi substituída pela irritação. Eu sabia que ela tinha conhecimento sobre Jane, por causa de Alice, e particularmente era algo que eu não gostava, o que era totalmente estranho, uma vez que nunca me importei antes se alguma parceira sabia sobre as mulheres com quem estive antes. E ouvir Bella insinuar que eu a tratava como Jane e como todas as outras com que transei, me atingiu como um insulto.
Ela não enxergava o que estava fazendo comigo? Que tudo sobre ela era diferente? Por Deus, apenas o fato de eu tê-la trazido aqui, neste apartamento, a tornava diferente das outras. Eu nunca convidei nenhuma mulher aqui, e em nenhum outro lugar que eu já residi desde a época que vivia em Tribeca, em um apartamento que dividia com Jasper anos atrás.
Sua próxima acusação foi que eu a queria apenas para o sexo, o que me fez refletir por apenas alguns segundos. Era tudo sobre sexo? Bem, eu não posso negar que eu nunca tinha tido uma atração tão forte com ninguém em toda a minha vida antes dela, que foi com ela o melhor sexo da minha existência, e olha que eu tinha um número relativamente alto para comparar. A forma como nossos corpos se encaixavam e se moviam juntos, não havia honestamente uma palavra para descrever como me sentia estando dentro dela. Consumido. O prazer era completo e absoluto. Deus, eu era capaz de ficar duro só em ouvir a voz dela. Eu até me masturbei com o pensamento nela.
E quando a ouvi dizer que o que tínhamos não era um tipo de relacionamento que ela estava interessada, paralisei. Contudo, ela saiu sem que eu tivesse a chance de questioná-la o que queria dizer com isso, e então eu a segui, impedindo-a de chamar o elevador quando segurei o seu braço, pedindo-a para não ir embora.
Quando ela se virou lentamente para me encarar, o que eu vi me desarmou. Ela estava chorando. Eu a tinha feito chorar. Quando ela falou sua voz é tão fraca que eu quase desisti de perguntá-la o que ela quis dizer um minuto atrás na sala. Mas eu precisava saber, que tipo de relacionamento ela se referia. Transar comigo, era isso que ela não estava mais interessada? Ela não gostou do que fizemos há poucos minutos na porta? Ela não queria?
“Eu estou apaixonada por você, Edward”. Foi o que ela disse, após longos minutos. As palavras que mudou tudo.
Senti meu peito colapsar. Não esperava ouvir aquilo. Não desde Kelsey. Desde Lauren. Eu não havia namorado mais ninguém para dar-lhes tempo suficiente para chegar a sentir isso.
Apaixonada por mim? Como? Quando?
Isso me assustou como o inferno para ser honesto. Porque diferentemente das outras duas ocasiões, eu senti uma vontade súbita de dizer o mesmo.
O que me fez entrar em parafuso. Porque durante anos eu fui como uma pedra quando se tratava de sentimentos.
Eu não conseguia parar de pensar que não havia nenhuma maneira que pudéssemos estar sentindo isso.
Nós tínhamos nos apaixonado?
Minha cabeça começou a girar, o chão parecia escapar de mim. Eu não sabia o que fazer. Eu não poderia lidar com aquilo.
“Eu não estava apaixonado”. Tentava repetir em minha cabeça. Seja lá o que eu estou sentindo, não é isso. Ela também não está apaixonada por mim, nós apenas estamos confusos. Era só sobre sexo.
De repente eu só queria ficar sozinho. Sentia-me com falta de ar e necessitado em ficar sozinho para processar o que eu acabara de ouvir.
Suspirei pesadamente, deixando a memória desaparecer. Inclinei a minha cabeça para trás, no sofá, e fechei os olhos.
Eu não me recordava bem o que aconteceu depois. Eu me lembro de ter voltado para dentro do apartamento, perdido, confuso. Liguei para Jasper e perguntei se ele tinha um momento livre, pois precisava conversar com ele. Eu precisava desesperadamente conversar com alguém. Para a minha falta de sorte, Jasper não podia vir, pois estava no hospital, mas eu o tinha deixado tão preocupado por ligar àquela hora, quase meia-noite, que o meu apartamento foi o primeiro lugar que ele se dirigiu quando deixou o hospital pela manhã.
Não sei em que momento a bebedeira tinha começado, mas aquela altura, eu já não estava em meu estado perfeito de consciência. E embriagado, contei todo o evento da noite passada, sem deixar de fora nenhum detalhe. Desde então, Jasper passou a me atormentar sobre os meus sentimentos, lembrando-me da minha reação poucos dias atrás diante de James.
Nós discutimos e eu o pedia para me deixar em paz, que ele não sabia nada sobre o que eu estava sentindo. Eu passei a me afogar na bebida e no trabalho. Como se adiantasse de alguma coisa. Por mais que eu tentasse fortemente bloqueá-la dos meus pensamentos, Bella estava sempre lá.
Eu estava perdendo a minha mente por causa dela.
Sem querer, imagens de Bella inundaram a minha mente. Diferentemente dos últimos dias, não me incomodei em bloqueá-las.
O seu sorriso doce. A maneira como ela mordia o lábio inconscientemente. O tom rosado das suas bochechas. Os acolhedores olhos chocolate. O modo como jogava os longos cabelos castanhos para trás.
Linda, definitivamente estava longe de definir como ela olhava.
Não podia negar que tudo vindo dela me fascinava. O seu conhecimento sobre football, política, economia. Que tipo de música ela curtia, quais livros ela gostava. Eu sentia prazer em ouvir a sua opinião sobre qualquer assunto, e compartilhar a minha. Eu ouvia tudo com fascínio quando conversamos longamente nesta mesma sala, dias atrás.
Eu me sentia à vontade com ela, como nenhuma outra me fez sentir assim. Eu sequer me lembrava qual tinha sido a última vez que eu tivera uma conversa real com alguma mulher, que não fosse de cunho sexual.
Eu não tinha percebido até aquele momento que Bella era exatamente o que eu procurava em uma mulher, mas não acreditava mais que fosse possível.
Eu a queria. Eu a queria para mim, como nunca quis tanto alguém assim.
E não era sobre sexo.
Eu queria poder beijá-la. Todos os dias. Beijar Bella era como nada que eu tinha experimentado antes. Segurar a sua mão e trazê-la aos meus lábios. Ouvir o som da sua risada ecoando por toda a sala. Respirar o cheiro dela, uma mistura de vinho branco, rosas e baunilha. Saber como foi o seu dia, ouvir sobre todas as suas histórias, descobrir os seus gostos, preferências, e tudo que ela não gostava. Poder envolver meus braços ao redor da sua cintura, enquanto ela me abraçava de forma carinhosa. Eu a queria se aconchegando ao meu corpo, como quando dormimos juntos na minha cama, sentindo a sua pele macia e sedosa. Eu podia claramente nos ver cozinhando algo juntos novamente, compartilhando café da manhã, como em meu sonho. Eu podia ver mais, muito mais.
Levei minha mão ao meu pescoço, sentindo um nó se formando em minha garganta.
Eu deveria saber que evitá-la não faria desaparecer o que eu estava sentindo. Eu tinha sido um idiota. Era impossível não ceder. Era tarde demais para negar a mim mesmo que eu tinha caído fortemente por ela.
Eu estava apaixonado por Bella.
Não havia dúvidas.
Agora eu compreendia por que tudo relacionado a ela era diferente. A razão pela qual eu pensava nela o tempo todo, a vontade de ver, de ouvir a voz, os sonhos, o ciúme na festa. Eu havia me apaixonado por ela.
Eu evitei sentimentos, relacionamentos, mas de uma maneira inexplicável, em tão pouco tempo Bella conseguiu penetrar em minha vida e no meu coração. Esse aperto no peito, essa estranha emoção, eu certamente nunca havia experimentado antes.
E junto à compreensão dos meus sentimentos, a realização de que eu havia magoado Bella me atingiu forte.
Bella chorando por minha causa, machucada por minha causa.
O que eu tinha feito?
Eu tinha sido um covarde e não existia nenhuma chance dela me perdoar pelo que eu fiz.
E antes que eu chegasse a pensar ou decidir o que fazer, a campainha ressoou, acompanhada de fortes batidas na porta.
Franzi a testa enquanto ficava de pé.
Quem seria? Jasper ou Alice novamente?
Hesitantemente abri a porta, suspirando de alívio quando vi que se tratava apenas da minha irmã.
– Merda, Edward. Você quer matar todo mundo de preocupação? – perguntou Lizzie enquanto passava pela porta.
– Por quê? O que está acontecendo? – pedi enquanto fechava a porta.
– O que está acontecendo? Sério que você está me perguntando isso? – inquiriu irritada. – Seu celular não funciona há dias e as últimas notícias suas que tivemos foi através de Jasper. O que diabos está acontecendo?
– Nada. Não está acontecendo nada. – menti, dando de ombros, aproveitando para recolher a sujeira espalhada pela sala.
– Você esqueceu que a tia Rachel e o tio Grayson chegaram de viagem e que você deveria estar na nossa casa há mais de uma hora para o jantar que a mamãe preparou?
– Merda. – amaldiçoei. Eu havia totalmente esquecido disso. – Eu vou me trocar em um minuto. – disse enquanto levava as embalagens vazias de comida para a cozinha. – Eles estão muito chateados?
– Não, mas a mamãe está. Que merda foi essa, Edward? – perguntou Lizzie, atrás de mim.
Suspirei enquanto despejava na lixeira as garrafas de cerveja vazia.
– Eu vou falar com ela.
– Toma. – disse minha irmã, entregando-me o restante do lixo. – O que aconteceu aqui? Você deu uma festa? – ela arqueou uma sobrancelha.
– Não. – respondi, colocando os copos sujos na pia.
– Não é o que parece, sua sala só cheira a bebida. – comentou, encostando-se na borda da mesa.
O silêncio foi a minha resposta.
– Por que o seu celular está sem serviço? – perguntou em seguida.
– Eu estou sem celular. Vou obter um novo amanhã. – respondi antes de deixar a cozinha.
– O que aconteceu com o seu aparelho? – ela quis saber, enquanto me seguia.
Suspirei mais uma vez. Era uma longa história que eu não queria compartilhar agora com a minha irmã.
– Liz, por que você não me aguarda na sala? Eu vou me trocar em um minuto. – disse a ela.
E sem dizer mais nenhuma palavra, ela voltou para a sala.
Entrei em meu quarto e não muito tempo depois deixava-o, devidamente vestido, com a carteira e a chave do meu carro na mão.
– Você está de carro? – perguntei a Lizzie.
– Não. Vim de taxi. – respondeu ela, desligando a TV e se levantando em seguida do sofá.
– Vamos. – disse enquanto abria a porta.
O trajeto até a casa dos meus pais foi com Lizzie falando o quanto minha mãe estava chateada, não apenas por eu não estar para o jantar no horário marcado, mas principalmente pela minha ausência e falta de notícia. Assenti, sem fazer realmente algum comentário. Conhecendo minha mãe como conhecia, eu imaginava que ela não estava realmente feliz comigo, e eu pensei brevemente no quanto havia sido egoísta. Não os via desde o domingo que viajei para Massachusetts, e não me comunicava por telefone desde a sexta-feira que antecedeu o noivado de Emmett e Rosalie.
Minutos mais tarde estacionava o Volvo na frente da casa que vivi durante 18 anos, localizada numa tranquila rua do bairro do Upper East Side. Preparei-me para o bombardeio de perguntas que viria a seguir, além de um puxão de orelha, mas ao contrário do que pensei, minha mãe não fez nada disso. Entretanto, sua reação ao me ver foi no mínimo estranha. Depois que eu havia cumprimentado Carlisle, que estava sentado em uma das pontas da mesa da sala de jantar, caminhei ao encontro de minha mãe em seguida. Esme me olhou por um longo minuto antes de me abraçar e dizer que estava feliz em me ver.
Optei por não comentar nada, deixando de lado. Desculpei-me aos meus tios por tê-los feito esperar tanto tempo, saudando no segundo seguinte as minhas duas primas gêmeas de dezesseis anos, Hannah e Sophia, um pouco aliviado que a minha mãe tenha servido o jantar mesmo sem a minha presença e a de Lizzie, que tinha ido me buscar. Eles moravam em Chicago e ficariam hospedados na casa dos meus pais por cinco dias, em seguida voariam para a Europa.
Sentei-me à mesa, assim como a minha irmã, e degustamos o finalzinho do jantar, enquanto os demais apenas conversavam, já que haviam terminado a refeição, embora eu não estivesse realmente com fome, pois ainda estava satisfeito com o lanche que Jasper havia me trazido mais cedo.
O restante da noite foi tranqüilo, com todos sentados na sala de estar, conversando sobre assuntos aleatórios, embora eu estivesse mais para ouvinte. Não havia como me desligar do redemoinho que estavam os meus pensamentos, a minha vida. Os adultos saboreavam uma garrafa de vinho, enquanto minha irmã e as minhas primas se limitavam ao refrigerante. No entanto, eu não bebia nada.
Fora quando Lizzie bocejou, alegando estar com muito sono e cansada, que parei para checar as horas. Onze horas. Não tinha percebido até aquele momento o quanto era tarde e o quanto também estava me sentindo cansado. E só de pensar em ter que dirigir até o meu apartamento, meu cansaço parecia se multiplicar. Eu sequer estava com disposição em me levantar daquele sofá.
Decidi então que passaria a noite aqui, no meu antigo quarto.
Mais tarde, em meu quarto após o banho, ouvi uma leve batida na porta. Não era necessário perguntar para saber que era a minha mãe. Eu conhecia aquela batida.
Eu deveria saber que ela não deixava nada passar, que de alguma forma ela sempre sabia que havia algo acontecendo com qualquer um de seus filhos. Vesti um calção e fui em direção a porta.
– Eu não te acordei, certo? – perguntou Esme logo que eu abri a porta.
– Não. Eu acabei de sair do banho. – respondi com um breve sorriso enquanto pegava a toalha que havia deixado em cima da cama, voltando a secar o meu cabelo molhado.
– Só dessa vez vou fazer de conta que não vi a toalha molhada sobre a cama. – disse minha mãe com um sorriso descontraído. Foi impossível não rir junto com ela. Cresci ouvindo-a me repreender quando eu fazia isso, e mesmo após muitos anos, eu ainda cometia o erro de esquecer a toalha molhada sobre a cama.
Lentamente minha mãe se sentou na ponta da cama e olhou para mim.
– Edward, há algo acontecendo? – pediu com cautela.
– Não. Não há nada acontecendo. – eu disse, sentando-me na poltrona marrom ao lado da cama, tentando soar o mais despreocupado possível. Odiava ter que mentir para Esme, mas no momento era necessário. Era um assunto complicado demais para conversar com alguém, ainda mais quando esse alguém é a sua própria mãe, especialmente quando você ainda está tentando absorver tudo.
– Não parece nada. – murmurou suavemente, sua testa se vincando sobre os olhos. – Não temos notícias de você há dias. Você não ligava ou aparecia, e não conseguíamos falar com você pelo celular. De repente você não tem mais o seu celular, e a sua barba, você nunca deixa ela assim tão cheia. E a expressão do seu rosto, você parece preocupado. Eu sei, você é um adulto de quase 25 anos, mas você sabe como me preocupo. Eu sei que há algo acontecendo. Você está... diferente. – ela apontou.
Soltei um suspiro longo.
– Não é nada que você possa se preocupar, mãe. Eu juro. – falei apressadamente, me esforçando em parecer tranqüilo.
– Você tem certeza?
– Sim. Eu prometo. – forcei um sorriso.
– Tudo bem, eu vou acreditar em você. Só não me preocupe assim novamente. Quando você tiver um filho, vai entender como me sinto.
– Eu sei. Eu sinto muito. – lamentei.
Os cantos de seus lábios se esticaram em um sorriso quando ela se levantou. Esme andou até chegar a mim, depositando um beijo suave em minha testa.
– Boa noite, filho.
– Boa noite, mãe. – sorri para ela.
Eu tinha muito o que pensar e decidir, mas quando Esme deixou o quarto e em seguida deitei-me em minha cama, absolutamente cansado dormi instantaneamente.
XxXxXxXxXxX
Quando acordei naquela manhã de quinta-feira, às 07h05min, sentia-me estranhamente revigorado, cheio de energia, o oposto dos últimos dias. Sem deixar de fora o fato de que era incomum que eu acordasse tão cedo em dias que eu não tinha o que fazer, como este, em que eu estou de folga.
Uma torrente de recordações sobre os acontecimentos e descobertas da noite passada recaiu sobre minha mente, provocando-me um arrepio apenas com a lembrança de Bella. Apertei o travesseiro contra o meu rosto, sentindo-me impotente. O que eu faria a partir de agora?
Eu sabia que não conseguiria a resposta agora, então, decidi abandonar a cama, me dirigindo primeiramente ao banheiro.
Olhei-me ligeiramente no espelho, só então notando que Esme tinha razão, que eu tinha adquirido bastante barba. Abri os armários, à procura de um barbeador, não encontrando algum. Desisti da busca, decidindo deixar para aparar mais tarde, quando eu estivesse no meu apartamento. Escovei os dentes, tomei uma ducha rápida, retornando ao quarto, onde vesti uma roupa confortável para corrida. Bermuda preta, camisa azul escuro e tênis.
Desci as escadas, encontrando uma casa vazia e silenciosa, exceto pelos ruídos baixos que vinham da cozinha. Provavelmente Zafrina preparando o café da manhã. E sem revelar-me, saí para a rua.
O dia estava quente, apesar do céu cinzento. Uma amostra de como seria o Verão, que estava se aproximando. Após uma caminhada de quinze minutos até o Central Park, realizei uma corrida de cinco quilômetros, um hábito antigo que eu costumava executar vez em quando. Àquela altura, suado e exausto, a fome era demasiadamente grande para ignorar, então, me dirigi ao Express Coffee and Tea, que eu sabia que ficava perto de onde eu tinha parado.
Na entrada do estabelecimento, meu corpo se retesou quando uma lembrança de não muito tempo atrás atravessou a minha mente.
– Espera. Vou ao banheiro. – disse a minha irmã.
– Estou te esperando lá fora. – avisei a ela enquanto me encaminhava para a saída.
– Ok.
Estiquei o braço na intenção de abrir a porta de vidro quando de repente a mesma foi aberta por alguém que estava entrando no mesmo instante em que eu saía, quase fazendo com que nos esbarrássemos. E quando meus olhos bateram no rosto da mulher vestindo um traje esportivo, sem que eu entendesse por qual motivo, o meu coração falhou uma batida.
Bella.
Nossos olhos se fixaram um no outro, surpresos, e nenhum de nós se moveu do lugar. Definitivamente isso estava longe da forma como pensei que nos reencontraríamos.
E pela primeira vez em toda minha vida não soube como agir diante de uma mulher.
Era estranho. Isso nunca havia acontecido antes, pelo contrário, eu estava sempre bem confortável, independente de termos feito sexo, afinal, todo mundo transa de vez em quando. Mas com Bella, inexplicavelmente eu não sabia como agir. Talvez por que eu tive um sonho erótico com ela em minha cozinha dois dias atrás?
Merda! Ótima hora de lembrar o sonho, com ela aqui bem diante de mim. Se bem que não é como se eu não lembrasse dele a cada maldito minuto do dia. Foi tão bom...
Ela em minha cozinha, usando apenas a minha camisa, nós nos beijando, eu a colocando sobre a mesa, as mãos delicadas descendo a minha boxer, meu pau entrando e saindo dela, e... Merda! Eu tinha que sair dali.
– Bella. – eu a cumprimentei em um tom baixo, tentando expulsar da minha mente as imagens daquele sonho.
– Oi. – ela murmurou e eu me vi rejubilar ao ouvir o som da sua voz.
Eu não tinha percebido até aquele momento o quanto eu gostava daquele timbre. Era tão suave e doce, ao mesmo tempo tão intenso e sedutor. E pelo visto eu não era forte o bastante para bloquear os sons que preencheram os meus ouvidos juntamente com os flashes daquele sábado em que eu tive o prazer de tê-la durante toda a noite. A voz rouca implorando para que eu fosse mais rápido, os gemidos, o meu nome saindo de seus lábios enquanto gozava...
Não. Isso não estava sendo fácil.
Eu me vi incapaz de preencher o silêncio que se instalou novamente entre nós, enquanto ainda estávamos parados na porta, nos encarando. Não enquanto a imagem dela nua fixou-se em minha cabeça, mesmo ela estando totalmente vestida na minha frente. Ela estava tão linda. Levemente suada, os cabelos presos no alto, e eu só conseguia pensar no quanto ela continuava sexy mesmo estando naquele tipo de roupa e tênis.
Então ela costumava vir ao Central Park para se exercitar? Talvez eu pudesse puxar assunto sobre isso, uma vez que nenhum de nós parecia ter alguma coisa para falar. Será que ela estava sentindo esse encontro tão estranho quanto eu? Contudo, antes que eu chegasse a falar algo, minha irmã retornou, cutucando-me no ombro. Algo que eu detestava.
– Vamos logo, Edward.
Observei os olhos de Lizzie viajar para Bella, depois para mim. Ela ergueu ligeiramente uma das sobrancelhas, como se não entendesse o que estava se passando.
– Bella, esta é minha irmã, Lizzie. Lizzie, esta é Bella. – fiz as apresentações, tentando arduamente quebrar a estranheza.
– Olá, Bella. – Lizzie sorriu com simpatia e estendeu a mão para Bella, que olhou para a mão da minha irmã estendida antes de apertá-la, abrindo um breve sorriso em seguida, sem dizer nada.
– Vamos, Edward. A mamãe ficará louca se atrasarmos ela e o papai. – disse minha irmã, rolando os olhos. Tínhamos um almoço beneficente para ir, que ocorria duas vezes ao ano com o intuito de arrecadar fundos para ajudar países com alto índice de pobreza, promovido por uma associação de médicos que nossos pais faziam parte já há alguns anos.
Eu assenti, olhando para Bella, e só após alguns segundos percebi que as duas esperavam alguma reação minha.
– Eu tenho que ir. – eu disse finalmente. Bella apenas assentiu com a cabeça.
Soltei um breve suspiro e então passei por ela, Lizzie vindo logo atrás de mim.
– Essa é a de número... – começou minha irmã quando estávamos na calçada.
– Cala a boca. – disse a ela enquanto voltávamos para casa dos nossos pais.
Lizzie riu, mas não fez mais nenhum comentário.
De volta ao presente e parado na frente do Express Coffee and Tea, pensei se aquele tinha sido o momento em que eu comecei a me apaixonar por ela. De alguma forma, a partir daquele dia, Bella não saía mais da minha cabeça. Naquela mesma noite eu tinha sonhado com ela novamente. Nós estávamos juntos no Central Park, e depois de duas horas de corrida, nos sentamos sobre a grama, onde conversamos e nos beijamos longamente enquanto descansávamos.
Não que eu tivesse perdido a fome, mas desisti de entrar no café, optando por voltar para casa dos meus pais.
XxXxXxXxXxX
O restante do dia foi gasto batendo papo com o tio Grayson. Ele era dono de uma empresa de máquinas industriais, cuja sede se localizava em Chicago, porém ele estava seriamente pensando na ideia de transferir para Nova York, um dos assuntos que compartilhamos. O marido da tia Rachel, irmã da minha mãe, tinha quase cinqüenta anos, mas possuidor de uma alma jovem como o meu pai. Odiava não ter o que fazer ou perder um dia livre dentro de casa. Praticava boxe nas horas livres, não perdia uma partida do Chicago Bulls e adorava viajar com a família sempre que surgia uma oportunidade, como agora. Era uma pessoa fácil de conversar.
O relógio marcava três horas da tarde quando Esme e tia Rachel retornaram das compras. Eu ainda não tinha voltado da corrida quando as duas saíram juntas, logo após o café da manhã, seguidas por Lizzie e as gêmeas. Carlisle havia saído para o hospital antes disso, melhor dizendo, um pouco antes de mim. Minha mãe atendia apenas em um consultório próprio, como ginecologista e obstetra, cancelando as consultas agendadas para os próximos dias quando soube da vinda dos meus tios. Meu pai, por sua vez, cirurgião geral de dois grandes hospitais, a possibilidade de tirar uns dias de folga era um pouco mais complicada, se bem que ele só fazia isso quando era estritamente necessário.
Não que eu só estivesse passando um tempo com o tio Grayson porque ele estava sozinho, mas minutos depois subi para o meu quarto, vestindo uma calça jeans e mantendo a camisa verde escura que eu coloquei após o banho, quando voltei do Central Park. Eu precisava de um celular, e estava indo obter um novo naquele momento.
Após me despedir de todos, dirigi até a Apple da quinta avenida. A loja estava cheia como de costume, mas felizmente não demorou até que eu fosse notado por uma atendente loira, que simpaticamente se dirigiu a mim, me apresentando vários modelos novos de iPhone. Não estava muito paciente para passar horas decidindo qual aparelho levar, então escolhi um modelo que se assemelhava ao que eu tinha antes.
Agora, eu tinha não apenas um aparelho novo, mas também um novo número de celular. Pensei na possibilidade de manter o meu número antigo, porém optei por descartá-lo. Não é como se eu nunca tivesse mudado de número antes. Salvaria novamente apenas os números que gostaria que estivesse em minha lista de contatos, assim como compartilharia o novo com um número reduzido de pessoas.
Não que eu fosse ruim com os números, mas poucos eram os números de telefone que eu sabia decorado, afinal, não via necessidade de gravá-los em minha mente quando os tinha na agenda do celular. Sabia apenas o da casa dos meus pais, o celular da minha mãe, o do hospital e o do Barton, para eventuais emergências, e o de Jasper, cujo número era o mesmo desde que tínhamos dezoito anos.
E foi para Jasper a primeira ligação que fiz quando deixei a Apple e sentei-me em meu carro. Gemi em frustração quando acusou estar desligado, batendo no volante. Desejava fortemente conversar com alguém, e ninguém melhor que o meu amigo desde a infância, o único que sabia o que estava se passando comigo. Além do mais, eu o devia um pedido de desculpas pelos últimos dias.
Sem pensar duas vezes, liguei o carro e o acelerei, rumo ao apartamento de Jasper, em Chelsea, bairro que eu considerei morar antes de optar pelo Upper West Side, por ser próximo ao hospital.
Apesar do comum fluxo intenso de carros nas vias naquele fim de tarde, estacionava o Volvo na frente do prédio em que Jasper morava mais cedo do que pensei chegar. Porém, minha ida tinha sido em vão. Ele não estava lá, segundo Alistair, o porteiro.
Eu quase amaldiçoei em voz alta tamanha a minha frustração, mas ao invés disto, soltei um longo suspiro e agradeci a Alistair pela informação, retornando para o carro. E diferentemente da ida, uma colisão entre um táxi e um carro particular – felizmente sem deixar vítimas fatais – parou o trânsito já caótico, fazendo-me gastar quase duas horas para chegar a meu apartamento.
Desde que chegara em casa, minha mente era uma confusão de pensamentos. As vozes de Jasper, Alice e Bella voltaram a fazer eco em minha cabeça, e embora eu tivesse tentado encontrar algo que prendesse a minha atenção na TV, na internet ou nos livros de Medicina, não havia nada que fizesse me distrair naquele momento. Sentado em minha cama, apenas de boxer, esfreguei as mãos nos meus cabelos, sentindo-me frustrado, impotente, sem saber o que fazer, que atitude tomar.
Telefonar para Bella? Eu até poderia considerar se eu ainda tivesse o seu número, embora eu estivesse realmente em dúvidas que ela iria me atender depois de tudo. Aparecer em seu apartamento? Não, seria ainda pior. Provavelmente ela não iria me receber.
Cristo! O que eu iria fazer?
“Na próxima sexta é a nossa formatura. Haverá uma cerimônia no Yankee Stadium pela manhã, em seguida uma celebração privada no campus da NYC às 3 da tarde. Se Bella significa algo para você, apareça.”
Balancei vigorosamente a cabeça para as palavras de Alice em minha cabeça.
Não, não era uma boa ideia. Ela estava me odiando e só iria piorar a situação se eu aparecesse em sua formatura.
O que eu iria fazer?
Esperar até o casamento de Emmett e Rosalie em julho? Não. De jeito nenhum. Era muito tempo, e eu não iria agüentar a espera. Mas eu não tinha nenhuma ideia de como me aproximar, de como falar com ela.
Chamei mais uma vez o celular de Jasper, e como horas mais cedo, continuava desligado.
– Merda Jasper! – grunhi, esfregando em seguida as minhas mãos em meu rosto.
Tudo era realmente fodido.
Derrotado, segui para o banheiro. Estava planejando me barbear antes de tomar uma ducha, porém não encontrei um único barbeador, algo que eu teria que providenciar no dia seguinte. E após o banho, voltei para o quarto. Deitei-me, colocando os braços debaixo da minha cabeça, sobre o travesseiro, fechando os olhos na tentativa de apaziguar minha mente. A próxima coisa que sei, é que estava mergulhando em um sono profundo.
XxXxXxXxXxX
Talvez eu não estivesse mais tão profundamente imerso à minha inconsciência, embora de alguma forma eu ainda estivesse dormindo, porém, por maior que fosse o meu sono, eu sempre sentiria a cama vazia quando ela se afastava, como naquele momento, logo após sentir um movimento ao meu lado.
– Onde você está indo? – murmurei, ainda de olhos fechados.
– Ao banheiro. – a voz suave sussurrou de volta. Podia ouvi-la andando na ponta dos pés.
Mexi-me na cama, virando-me para ficar de frente para o teto, meus olhos ainda fechados. Um minuto mais tarde ouvi o barulho da descarga, em seguida, novamente os sons dos seus passos voltando para o quarto. Mas ao contrário do que pensei, ela não voltou para a cama.
Abri os olhos, encontrando-a em nada mais que uma minúscula calcinha preta, o cabelo em cascata até a metade de suas costas nuas, os fios rebeldes como sempre estavam na parte da manhã, enquanto ela verificava algo no celular.
Eu me perguntava como ela poderia parecer tão linda mesmo ao acordar.
Ela colocou o celular de volta ao criado mudo, voltando-se para mim e sorriu, presenteando-me com seus maravilhosos seios e mamilos rosados expostos, que pediam para serem lambidos. Eu ainda estava contemplando embevecidamente os seus seios quando ela lentamente colocou os dois joelhos na cama, um de cada vez, e se inclinou para frente, apoiando-se com as duas palmas sobre o colchão, o seu rosto pairando a poucos centímetros do meu.
– Bom dia. – ela sussurrou antes de cobrir os meus lábios com os dela.
Eu sequer tive tempo de aprofundar o beijo quando ela se afastou, se levantando da cama.
– Hey baby, volte para a cama. – pedi, dando um tapinha no lado vazio da cama.
– De jeito nenhum, nós vamos correr. Como combinamos ontem à noite, lembra? – inquiriu ela, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo.
– Não. Eu não me lembro. – disse, colocando um travesseiro sobre o meu rosto.
– Sim, você se lembra. – balancei negativamente a cabeça. – Edward! Eu realmente quero entrar no meu vestido de madrinha de casamento!
– Baby, você está ótima! Linda, como sempre esteve. É claro que você vai entrar no vestido. – disse a ela, olhando com tesão para o seu corpo quando tirei o travesseiro dos meus olhos. Ela era perfeita. O seu corpo era magro, com curvas nos lugares certos. Deliciosa. Não havia perfeição além dela. E eu era um filho da puta sortudo por possuir tudo isso.
– Eu já não tenho certeza. Nós só comemos e dormimos na última semana. – ela comentou.
– Não tenho nenhuma queixa a fazer sobre o que eu tenho comido. – falei a ela enquanto me sentava na cama, dando-lhe um sorriso malicioso.
– Seu pervertido. – ela riu. – Anda, levanta essa bunda da cama. – ordenou, indo até o closet. Já havia tantas roupas dela aqui. Eu adorava isso.
Não me movi por vários minutos enquanto eu olhava Bella se movimentando em meu quarto. Ela vestiu uma calça de ginástica e uma camisa minha, em seguida calçou o tênis, seguindo depois para o banheiro.
– Você ainda está assim? – perguntou-me quando saiu do banheiro.
– Nós realmente precisamos ir agora? – bocejei.
– Sim, precisamos. – ela puxou o lençol que ainda me cobria da cintura para baixo.
Com um suspiro, levantei-me só de boxer da cama.
Bella estava quase saindo do quarto quando a puxei pela cintura, de modo que suas costas foram de encontro ao meu peito.
– Vou me trocar. – sussurrei, enterrando meu rosto na curva do seu pescoço, deslizando uma das minhas mãos por sua barriga lisa e macia debaixo da minha camisa.
– Edward... – ela estremeceu.
– Hmmmm... – murmurei, roçando meu nariz por seu pescoço.
– Você não estava indo se trocar? – sussurrou para mim.
– Eu vou. – respondi, subindo meus dedos até alcançar os seus seios macios.
– Pare. – ela ordenou em voz baixa, tentando se desvencilhar de mim.
– Parar com o que? – perguntei, beijando o lado direito do seu pescoço.
– Com o que você está fazendo. – ela conseguiu se afastar de mim. – Eu sei o que você está tentando, mas nós não estamos fazendo isso agora. – ela disse, rindo.
Bufei, sentindo-me duro, como sempre ficava rapidamente ao redor dela.
– Não iria gastar tanto tempo. Seria apenas uma rapidinha. – disse a ela, entrando no closet.
– A três vezes da noite passada, na sala, na cama e no chuveiro antes de dormirmos não foram suficientes? – perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Saí do closet e caminhei até parar diante dela, olhando-a dentro dos olhos, envolvendo meus braços ao redor da sua cintura para que ela sentisse a minha excitação.
– Você sabe que não. Nunca é suficiente, eu sempre quero mais. – eu disse, antes de beijá-la.
Seus lábios se abriram ao mesmo tempo que os meus, e então nossas línguas se acariciaram em uma dança lenta e sensual. Ela suspirou quando suguei sua língua, nosso beijo tornando-se mais urgente a cada segundo. Até sermos interrompidos pelo som da campainha.
– Maldito seja! – grunhi em frustração enquanto Bella se afastava dos meus braços.
– Quem será? – ela perguntou, franzindo a testa.
O som tornou-se insistente. Contudo, algo estranho começou a acontecer de repente. O meu quarto parecia estar sumindo, as cores nítidas dando lugar à escuridão, e mesmo Bella eu não conseguia mais ver.
Onde ela tinha ido?
Eu me esforçava a enxergar o ambiente agora escuro, mas os meus olhos pareciam fechados, tão pesadamente como se eles não estivessem abertos a apenas segundos atrás.
Me mexi, e então senti que estava sobre uma cama. Deitado.
Abri os olhos de súbito, sentando-me e olhando em volta, meu coração batendo freneticamente em meu peito.
Estava em meu quarto.
Sozinho.
Tinha sido tudo um sonho?
Ouvi o barulho da campainha.
Merda!
Sim, foi um sonho.
Parecia tão real, tão nítido.
Era quase o mesmo sonho que eu tivera outra noite, no dia em que nos encontramos no Central Park, embora os diálogos da outra ocasião fossem diferentes, porém nos beijamos da mesma maneira. Eu me lembro dele. Após o beijo, saímos de mãos dadas do meu apartamento e caminhamos até o Central Park, corremos durante um tempo, em seguida nos sentamos – com Bella entre as minhas pernas – sobre a grama verde enquanto descansávamos, até que o sol de verão pareceu quente demais e então voltamos para casa.
A campainha tocou mais uma vez.
Ainda confuso, atordoado e com a respiração ofegante, levantei-me da cama em minha calça de moletom, vestindo em seguida uma camisa, deixando o quarto no segundo seguinte.
Abri a porta, vendo que se tratava de Siobhan, a diarista.
Merda, eu esqueci que ela estava vindo hoje. Eu tinha pedido a minha mãe para telefoná-la ontem à tarde, pedindo que ela viesse às 10 da manhã.
Espera. Eram 10 da manhã? Eu tinha dormido tanto assim novamente?
Talvez fosse a minha inconsciência descontando os dias em que estive chafurdando em garrafas de vodka, deixando o sono de lado.
Permiti que Siobhan entrasse, me desculpando quando ela informou que estava tocando a campainha há quinze minutos. Ela era casada com o sobrinho de Zafrina, e eu já havia a contratado outras vezes para faxinar o meu apartamento.
Deixei-a cuidando de tudo e voltei para o meu quarto, onde tornei a deitar em minha cama, permitindo-me pensar durante mais de uma hora o sonho que tive.
Eu ainda era capaz de sentir o calor do corpo dela ao lado do meu, o cheiro doce de sua pele, do seu cabelo, a respiração suave contra o meu pescoço, nossas pernas enroscadas enquanto dormíamos juntos. O pior era que, mesmo que tenha tudo sido um sonho, ainda era bastante real para mim, pois eu havia sentido tudo aquilo. Aqui, nesta mesma cama. E eu estava sentindo falta. Estava sentindo a falta dela.
Eu precisava vê-la.
Levantei-me da cama, indo até a janela. Peguei-me seriamente pensando mais uma vez nas possibilidades que eu tinha para encontrá-la. O casamento de Emmett e Rosalie seria uma opção se não fosse daqui a mais de um mês, como Jasper me contara, e eu não conseguia pensar em outra oportunidade que não fosse pegar o número do seu telefone novamente ou ir até o edifício em que ela morava, mesmo correndo o risco de não ser recebido.
Só se...
Bem, mas... será que ela me ouviria?
Eu malditamente esperava que sim.
Suspirei e deitei-me de costas na borda da cama, com as minhas pernas estendidas para fora, encarando o teto com as duas mãos atrás da minha cabeça. Após longos minutos, sentei-me, e passei os dedos pelos meus cabelos. Coloquei uma mão em cada joelho e olhei para os meus pés descalços.
“Na próxima sexta é a nossa formatura. Haverá uma cerimônia no Yankee Stadium pela manhã, em seguida uma celebração privada no campus da NYC às 3 da tarde. Se Bella significa algo para você, apareça.”
Levantei-me da cama em um rompante, trocando de roupa e pegando a chave do carro e o celular.
Eu iria atrás dela. Em sua formatura.
XxXxXxXxXxX
Eu olhei para o meu iPhone no banco ao lado enquanto dirigia, mas logo descartei a idéia de retornar a chamada de Jasper, que havia me ligado aquela manhã no momento em que eu dormia, provavelmente após ver as minhas chamadas do dia anterior em que seu celular esteve desligado. Eu não queria mudar minha mente e precisava fazer isso sozinho, sem a ajuda ou opinião de ninguém. Eu realmente não queria ouvir que não era uma boa idéia. De qualquer forma, Jasper não conhecia aquele número, não sabia que era o meu novo número de celular.
Dei uma rápida olhada no painel do Volvo, vendo o relógio marcar 12h15min. Franzi o cenho quando realizei o que eu estava indo fazer. A essa altura, a cerimônia no Yankee Stadium já teria terminado, e provavelmente as chances de encontrá-la em meio à multidão seria praticamente nula.
Peguei o primeiro retorno e dirigi com destino a Universidade de Nova York.
Após praticamente rodar Manhattan inteira, finalmente encontrei o campus onde aconteceria a celebração da graduação de Bella. Parei o carro a alguns metros de distância da entrada, e permaneci sentado olhando para o local.
Bandeiras nas cores da Universidade estavam espalhadas por toda a entrada. Havia poucas pessoas circulando por ali, e aparentemente não era nenhum formando ou alguns de seus familiares.
Liguei o som, deixando o volume da seleção de músicas com várias bandas de minha preferênciabaixinho. Apoiei a cabeça no banco do carro e fechei os olhos, contente pelos vidros serem escuros e ninguém poderia ver nada aqui dentro.
Eu não tinha absolutamente nenhuma idéia de como me aproximar de Bella, de como falar com ela, se é que ela iria falar comigo. Não seria fácil, eu sabia, afinal, eu tinha sido um filho da puta egoísta que não se importou com os sentimentos dela porque eu estava ocupado demais enquanto surtava. Mas eu iria tentar.
Os minutos se passaram e o meu estômago começou a protestar, ansiando por alimento. E quando eles se transformaram em hora, o fluxo de pessoas nas proximidades do campus já era intenso, fazendo-me desistir da idéia de me dirigir a algum lugar pelo entorno para comer. Desliguei o som, observando a movimentação dos carros chegando, as pessoas se encaminhando para o interior do local, em suas roupas elegantes e estampando sorrisos em seus rostos.
Meus olhos procuravam atentamente o rosto dela entre as várias mulheres de cabelos castanhos que passavam pela entrada, porém não o encontrando em nenhuma delas. Será que ela ainda não havia chegado?
E após o que pareceu uma eternidade de tempo, tive a minha resposta. Eu quase perdi o fôlego. Usando um longo vestido azul sem alças acinturado, exibindo todas as suas curvas, e os cabelos longos cheios de cachos nas pontas deslizando por suas costas e sorrindo ao sair do carro, lá estava Bella.
Linda não era uma palavra suficiente para ela.
De repente eu estava paralisado, como se o tempo houvesse parado naquele momento e todas aquelas pessoas tivessem desaparecido. Eu só conseguia enxergar a bela mulher que havia virado a minha cabeça.
Ela estava maravilhosa.
Assisti com fascínio quando ela caminhou graciosamente para o interior do campus, acompanhada por um grupo de pessoas que eu acreditava serem seus familiares, embora a pessoa que caminhava ao lado dela parecesse muito com Alice. Eu só tinha percebido que segurava com bastante força o volante do carro quando ela saiu do meu campo de visão.
Esfreguei os meus olhos, tentando obter um pouco de controle após vê-la. Tão linda, tão perfeita. A expressão do seu rosto era de longe o que eu me lembrava ter visto pela última vez, quando ela foi embora do meu apartamento, quebrada, magoada, e eu era o único responsável por deixá-la naquele estado.
O que eu iria fazer agora?
Eu sequer tive tempo de pensar quando vi Jasper passando pela mesma entrada que Bella e as outras pessoas haviam passado minutos atrás. Será que talvez eu devesse telefonar para ele? E se ele dissesse que não era uma boa hora, que eu deveria ir embora e tentar conversar com ela outro dia? Porque de repente eu não parava de pensar na possibilidade de Bella não querer falar comigo ou de fazê-la me odiar ainda mais por estar aqui, e a última coisa que eu quero é estragar um dia tão importante em sua vida.
Não tinha certeza quanto tempo havia se passado, contudo parecia que todos já estavam lá dentro e era possível ver apenas centenas de carros estacionados por todos os lados. Porém, eu ainda não havia decidido o que faria.
Eu estava dividido. Parte de mim acreditava que não era um bom momento, que eu deveria ir embora, mas a outra metade desejava fortemente o contrário, especialmente depois de vê-la. A metade que gostaria de ficar e então criar coragem novamente para falar com ela.
A dúvida estava me matando, mas a imagem de Bella naquele vestido e o seu lindo sorriso não saíam da minha cabeça.
Definitivamente, a minha mente estava um caos.
E quando finalmente obtive o controle dos meus pensamentos, eu sabia o que fazer. Resisti ao impulso de telefonar para Jasper, coloquei os olhos escuros e saí do carro, subitamente ciente do que eu vestia. Calça jeans, uma camisa pólo preta e tênis.
Eu tinha passado há apenas poucos segundos pela entrada quando realizei que a cerimônia já havia sido iniciada, ao ouvir ao longe uma voz masculina discursando. Caminhei pela grama, e então o palco montado entrou em meu campo de visão. Os formandos, vestidos de becas violeta e capelo na cabeça, ocupavam os primeiros assentos, e os demais estavam dispostos logo após eles. Parei próximo a uma árvore, a vários metros de distância de onde ocorria a celebração, varrendo meus olhos pela multidão à procura de Bella, mas sabia que seria impossível de onde eu estava.
Outras pessoas tiveram sua vez ao microfone, e quando os formandos começaram a serem chamados um a um por ordem alfabética, fiquei em alerta. Foda-se! Eu não sabia o sobrenome dela.
Observei Alice fazer seu caminho ao ser anunciada, a primeira da letra B, de Alice Brandon. Ela também estava muito bonita, e parecia que ia explodir de felicidade. Os nomes foram seguindo, e junto com eles a minha angústia crescia, com a expectativa de Bella ser a próxima a subir ao palco. E quando Jessica Stanley deixou o palco e o nome Isabella Swan fora anunciado, tudo a minha volta foi bloqueado e a minha atenção estava toda voltada para a mulher caminhando confiante em direção ao palco sob calorosos aplausos.
Um sorriso radiante brotou em seus lábios quando Bella recebeu o diploma, que eu me vi espelhando. Era praticamente impossível não sorrir junto com ela.
Bella caminhou para fora do palco e então os nomes restantes foram chamados. Um homem que eu acreditava ser o reitor ou algo parecido teve sua palavra, e logo após o seu discurso a cerimônia fora encerrada, com o tradicional grito dos formandos e os capelos sendo jogados para o alto.
Depois disso o gramado virou um mar de pessoas, tornando uma missão difícil localizar alguém do lugar em que me encontrava. Familiares e amigos felicitando os recém formados, que também se cumprimentavam entre si, e fotos, muitas fotos sendo tiradas. Eu não conseguia encontrar Bella, ou Alice, mesmo Jasper, e para completar, muitos dos que estavam lá começaram a deixar o local.
Fora apenas quando mais da metade havia ido embora que eu a vi. Linda, sorridente e conversava com um grupo de amigas, Alice entre elas. Elas tiraram algumas fotos juntas e então as outras duas se foram, restando apenas Bella e Alice. Para a minha surpresa, Emmett e Rosalie se aproximaram delas. Eu não fazia idéia que eles estavam lá.
Por onde eles entraram que eu não os tinha visto?
Porém, eles não eram os únicos. Jasper e mais outras pessoas que eu não conhecia, provavelmente os familiares de Bella e Alice, também se juntaram as duas.
Espera, eles estavam indo embora?
Eu não sei o que havia dado em mim naquele segundo, se era o urgente pedido de desculpas que eu precisava fazer, ou porque simplesmente eu não estava pronto para vê-la ir embora e só Deus sabe quando a veria de novo, ou porque a necessidade de falar com ela estava além de mim... não sei. A única coisa que sei era que os meus pés começaram a me levar em direção a Bella.
O grupo, que se encaminhava lentamente para fora do campus, parou de repente, porém ainda conversavam, mas eu continuei andando, sem tirar o meu foco dela, que estava agora de costas para mim. Eu só desejava que não estivesse tão visível o quão nervoso eu estava.
Eu estava a apenas alguns passos deles quando os olhos de Jasper bateram nos meus. Ele parecia petrificado, visivelmente não acreditando que estava me vendo ali. Eu parei onde estava quando todos se voltaram em minha direção, exceto Bella, que ainda estava de costas para mim. Ela girou lentamente, e então os nossos olhos se encontraram.
Choque e descrença estampavam seus arregalados olhos chocolate, emoldurados por longos cílios, no que pareceu ser o segundo mais longo da minha vida.
Ela não se moveu ou esboçou alguma reação. Continuou olhando para mim, em completo silêncio, como se estivesse vendo um fantasma.
– Quem é ele? – perguntou um homem que estava entre eles, de voz grave e austera, porém eu não desviei os olhos para ver a quem pertencia aquele timbre.
Bella respirou fundo e fechou os olhos por um segundo, antes de abri-los novamente.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou ela finalmente, em um sussurro. Seus olhos pareciam frios e a expressão do seu rosto não demonstrava emoção alguma. A amargura em sua voz, mesmo que saíra extremamente baixa, era indisfarçável.
– Nós podemos conversar um minuto? – eu pedi determinado e com a voz baixa e calma, mesmo que estivesse a ponto de pirar internamente.
Ela não respondeu. Ao invés disso, continuou me encarando em silêncio. Imóvel, como pedra. O silêncio que não me fazia melhor em nada.
E depois do que pareceu uma eternidade, ela sacudiu a cabeça.
– Não temos nada para conversar. – disse, no mesmo tom frio e amargurado, dando-me as costas, quebrando-me ainda mais por dentro, embora a minha consciência me lembrasse que era exatamente o que eu merecia, por ter agido com ela da mesma forma.
– Por favor? – implorei, fazendo-a parar.
Bella parou, mas apenas por alguns segundos. Ela nunca se virou. Logo, seus pés voltavam a se movimentar a passos apressados, afastando-a de mim e de todos que estavam ali presentes, que olhavam a cena chocados, confusos, com exceção de Jasper e Alice, os únicos que pareciam entender o que estava acontecendo.
No entanto, eu não poderia deixá-la ir. Não sem antes deixá-la saber o que eu precisava dizer.
Fiz um movimento indicando que a seguiria, quando a voz de Jasper me parou.
– Edward, o que você...
– Eu preciso falar com ela. – eu o interrompi, que apenas assentiu no segundo seguinte, não sei se porque minha voz soava desesperada ou se porque a expressão em meu rosto deveria parecer angustiada naquele momento. Sem olhar para mais ninguém, me movi do lugar em que estava e fui atrás dela.
“O que está acontecendo?”. O dono da voz grave e austera de antes perguntara enquanto me afastava.
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“Alice, o que eu não estou sabendo?”. Rosalie questionou por sua vez.
“Eles precisam conversar!”. Respondeu Alice de forma que, mesmo eu já estando a vários passos de distância deles, fui capaz de escutar.
Poucos passos depois, e eu já não ouvia mais nada.
Continuei caminhando entre os corpos que deixavam o local, enquanto meus olhos dançavam ao redor, procurando-a. Fora apenas quando alcancei a rua, movendo a minha cabeça para todos os lados que a vi, indo na direção oposta onde todos estavam indo.
E como uma espécie de força gravitacional, meus pés foram empurrados na direção dela.
– Bella! – gritei, mas ela ainda estava afastada o bastante para conseguir me ouvir.
Corri para alcançá-la, diminuindo os passos quando já estava bem próximo a ela.
– Bella! – chamei-a novamente, e dessa vez eu sabia que ela tinha me ouvido, que começou a andar mais rápido.
– Me deixe em paz! – ela gritou, alguns passos à minha frente.
– Por favor, vamos conversar. Eu posso explicar! – implorei.
Ela parou e então se virou para me encarar, sua ação congelando os meus passos.
– Por quê? Por que Edward você apareceu? – sua voz era exasperada e os seus olhos ardiam, fazendo-me estremecer.
Ela me odiava.
Eu suspirei desejando que isso fosse mais fácil. Mas eu sabia que não seria. Eu a tinha magoado demais.
– Bella... – minha voz vacilou, porém eu precisava continuar. – Eu sinto muito. – sussurrei com toda honestidade.
– Sente muito? – ela perguntou sarcasticamente. – Você sente muito? – repetiu, subindo o tom de voz.
– Eu sei que é difícil de acreditar, mas eu honestamente sinto muito, Bella. Sinto muito por ter te magoado.
– Tarde demais para arrependimentos, Edward. Sinto muito não chega perto do que você me fez. – disse ela, cheia de amargura, dando-me as costas novamente.
Assisti enquanto ela se afastava, sentindo-me completamente devastado. Eu olhava o espaço entre nós crescendo a cada passo que ela dava, refletindo suas palavras de segundos atrás, se eu tinha realmente chegado tarde demais. Foi então que eu percebi que não tinha escolha. Mesmo não sendo a forma que eu gostaria que ela tomasse conhecimento sobre os meus sentimentos, eu tinha que deixá-la saber que eu me sentia da mesma forma.
Eu não estava desistindo.
– Bella! – eu a chamei, e como esperava, ela não se virou.
Comprimi os meus olhos, respirando profundamente antes de abri-los e finalmente dizer em voz alta:
– Eu estou apaixonado por você.
Ela parou.
O meu coração disparou forte e todo o meu corpo vibrou naquele instante.
Bella parou.
Senti minha garganta se fechando e o meu estômago se revirando, mas eu sabia que deveria empurrar o nervosismo para o lado. Eu precisava continuar, dizer tudo que estava sentindo. Eu lhe devia minha honestidade. Eu precisava me abrir.
– Eu sei que este não é o melhor lugar para termos esta conversa, eu só... não podia esperar para outra hora. Eu já perdi tempo demais. – eu comecei a caminhar lentamente, passo a passo na direção dela. – Eu fui um covarde antes. Eu estava muito confuso, isso tudo era novo para mim. Eu nunca senti isso por ninguém antes. Nunca. E quando você disse como se sentia, eu entrei em pânico. – eu podia ver seus ombros subindo e descendo ao ritmo dos seus batimentos acelerados enquanto eu me aproximava. – Eu tenho estado longe de relacionamentos há muito tempo. É como se um muro houvesse sido erguido em meu coração, bloqueando qualquer possibilidade de me envolver romanticamente com alguém. Eu simplesmente não conseguia passar da primeira, no máximo segunda noite, e vou ser honesto, eu não tinha interesse em passar disso. Até eu conhecer você. – eu disse, fechando o espaço entre nós.
Segurei a minha respiração por alguns segundos, sentindo as sensações esmagadoras da nossa proximidade me consumindo. Meus dedos desejavam nada mais que deslizar pelos fios castanhos dos seus cabelos, mas me contive. O calor do seu corpo, o seu cheiro, eu estava totalmente embriagado por eles.
Lentamente Bella se virou. Estávamos cara a cara novamente.
Seus olhos arregalados estavam nublados por lágrimas e a expressão em seu rosto era de choque e assombro. Seu peito subia e descia numa freqüência frenética enquanto sua respiração ficava mais pesada.
– Eu não conseguia compreender por que desde a noite em que ficamos juntos, você não saía da minha cabeça. Todas as vezes que o seu rosto cruzava a minha mente, eu tentava empurrar arduamente a imagem para longe, perguntando-me o que diabos você tinha de especial que eu não conseguia parar de pensar em você. E depois que nos encontramos aquela manhã no Central Park, pensar em você tornou-se tão natural quanto respirar. Eu penso em você quando fecho os olhos, quando vou dormir, ao acordar, vendo um programa de TV, fazendo uma refeição, quando estou no hospital, enquanto dirijo. Deus, eu até sonhei com você. – ela me encarava parecendo perturbada, lágrimas silenciosas caíam dos seus olhos e escorriam pela sua face, mas eu não parei, e continuei a olhando diretamente nos olhos. – Bella, eu sei que te magoei, e eu realmente sinto muito. Eu nunca havia perdido o controle antes e isso me assustou. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Mas agora eu sei. Agora sei o que estou sentindo. Eu me apaixonei por você. – sussurrei, tocando de leve com a ponta dos meus dedos a sua bochecha.
– Edward... – ela engasgou, trêmula, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
– Eu me odeio pelo que te fiz. Eu não posso voltar atrás e desfazer o que foi feito, mas vou fazer de tudo para conquistar sua confiança, Bella. – eu disse, relutantemente descendo a minha mão.
Bella levantou uma das mãos para enxugar a umidade em seu rosto, tentando lutar contra as lágrimas.
– Eu sei que te dei muito o que processar, e eu não quero te pressionar, mas por favor, encontre comigo amanhã? Sem pretensões, apenas para conversar, e eu vou te explicar tudo.
Ela me olhou nos olhos, de maneira incerta.
– Apenas como amigos. É tudo que te peço, Bella. – supliquei.
Ela continuou em silêncio, e eu podia ver as minhas palavras trabalhando em sua cabeça enquanto nos encarávamos por um período de tempo imensurável, torturante. Naquele instante, tudo que eu ouvia era o barulho dos motores dos carros que ainda deixavam o campus, vozes ao longe de algumas das pessoas que ainda continuavam por lá, além das nossas respirações constantes.
Bella suspirou e olhou rapidamente para as mãos, mordiscando o lábio inferior. E quando ela ergueu os olhos para encontrar os meus novamente, seus lábios se abriram e então um sussurro suave soprou contra a minha pele.
– Tudo bem.
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