Private Party

12 Lost and Alone


Notas iniciais
Hellooo
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Sim, sou eu mesma depois de uma eternidade sumida rsrsrsrs
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Para começar queria agradecer as mais de 90 reviews do último capítulo no Nyah, e dizer que estou muito feliz que o público que lê Private Party no FF está crescendo. Gente, vocês não sabem como isso infla meu peito de contentamento. Vocês são demais! Minha força para continuar a escrever isso aqui!
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E gente, pelo amor de Deus, eu não abandonei a fic, como li perguntarem nas últimas reviews no FF. Eu já dei milhares e milhares de explicações sobre minha disponibilidade de escrever, que acredito que a maioria já deve estar cansada de ler em quase todo capítulo, então, por favor, sem mais perguntas sobre se eu abandonei, se vou abandonar. EU NÃO VOU ABANDONAR A FIC! Pode demorar o tempo que for para atualizar, mas eu nunca paro aquilo que começo, então não vou parar de escrever em Private Party, só dei uma pausa na minha outra fic, Talvez Seja Amor, como deixei em um aviso, para que eu possa estar finalizando essa.
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Agora vamos a mais uma rodada de explicações:
1. Como já expliquei nos capítulos anteriores, só tenho fins de semana para escrever, porque trabalho durante a semana, e à noite não sou ninguém para escrever (e acredito que vocês também não seriam se precisassem acordar às 5 da manhã para trabalhar), e fins de semana também são os dois únicos dias que tenho para resolver minhas coisas, curtir a família, os amigos, me divertir, então acaba que não dando tempo para a escrita muitas vezes.
2. Passei dois fins de semana doente, suspeita de dengue, mas graças a Deus não era.
3. Viajei durante o feriadão de Carnaval, porque sou filha de Deus e também merecia pular atrás do trio, vamos combinar (risos).
4. Tive uma alergia braba nos últimos dias, e quem toma antialérgico sabe o sono e a moleza que esse tipo de medicamento provoca.
5. Esse capítulo não queria sair =(
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E por causa de todos os tópicos anteriores que estou postando apenas metade do capítulo, aliás, bem menos da metade, mas só para vocês não ficarem mais uma semana sem capítulo. E onde parei esse capítulo, tinha escrito ainda bem mais coisas, mas considerei interessante parar onde parei, vocês entenderão por que. Esse capítulo deveria ser enorme, diante de tantas coisas, tantas lacunas que vocês esperam ser elucidadas, mas algumas delas serão esclarecidas quando lerem esse.
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Espero que me compreendam, eu realmente queria poder ter mais tempo para me dedicar, mas infelizmente nem tudo pode ser como eu quero, e nem sempre estou inspirada como gostaria.
Por isso peço desculpas antecipadas e fico na torcida que gostem do pouco que escrevi nesse capítulo.
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Ah, reativei o meu forms, então, caso queiram saber algo, tirar dúvidas sobre qualquer uma das minhas fics fiquem à vontade para perguntar http://www.formspring.me/Pattitorres
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Boa leitura ;)

POV Edward

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– Você está um lixo.

– Inferno, me devolve a garrafa! Quantos anos você acha que eu tenho? Doze? Eu não sou uma maldita criança!

– Então não aja como uma!

– Me deixa em paz porra!

– Só estou tentando te ajudar, porra. Por que está fazendo isso a si mesmo? E não é só a bebida a que me refiro.

Suspirei, cansado.

– Até quando vai continuar ignorando?

– Eu já disse que não quero mais falar sobre esse assunto.

– É isso aí, continue fugindo. Só espero que o seu arrependimento não venha tarde demais.

– Edward, nós já vamos fechar. São 2 da manhã.

Fui lançado de volta ao presente quando ouvi meu nome ser pronunciado. Desviei lentamente meus olhos do copo contendo apenas meia dose de vodka à minha frente, sobre o balcão, erguendo a cabeça para olhar na direção do homem cuja voz pertencia. Apesar de a minha vista apresentar-se um pouco turva e as minhas funções mentais estarem comprometidas devido a quantidade de álcool que eu havia ingerido nas últimas quatro horas, reconheci o Waylon, bartender do Dive Bar, local que eu costumava freqüentar esporadicamente.

Uma breve olhada ao redor e eu pude checar que já não havia mais ninguém no bar, além de mim. As cadeiras estavam sendo levantadas sobre as mesas pelos funcionários, não havia mais o ruído barulhento de pessoas conversando enquanto bebiam, se divertindo, muito menos a voz da atração principal do bar, um cantor cujo talento ainda não havia sido reconhecido.

– Estou indo Waylon. – eu disse, pegando o copo e derramando o restante do líquido por minha garganta.

Pedi a conta e entreguei a Waylon em seguida alguns punhados de dólares. Sabia que havia consumido bastante bebida e o débito não seria nem um pouco baixo. Murmurando uma breve despedida, dei uma última tragada no cigarro e desci do banco em que estive sentado desde que chegara, conseguindo alcançar a saída depois de alguns passos cambaleantes. O Dive Bar ficava localizado a poucos metros do meu apartamento, por isso tinha vindo a pé, mas eu sabia que não estava em condições de ir caminhando na volta, então decidi que o melhor seria pegar um táxi. Contando com a sorte, encontrei um parado na frente do bar, e apesar dos resmungos do condutor quando lhe transmiti o endereço, vendo que a viagem seria curta demais, ele concordou em levar-me ao meu apartamento quando lhe ofereci o dobro do que o percurso custaria.

Foram exatos cinco minutos depois quando o táxi parou na frente do edifício que eu morava, e apesar dos meus protestos, fui ajudado por Tony até o elevador. Quando as portas se abriram no meu andar, podia sentir a sensação de vazio tornando a me consumir, e a sensação aumentava a cada passo que eu dava em direção à porta do meu apartamento, ficando mais forte quando a destranquei e passei por ela.

Aspirei o ar profundamente, mas já havia se passado uma semana. O cheiro tinha ido embora.

Não me preocupei em caminhar até o quarto. Do contrário, segui até o bar, me servindo de mais uma dose de vodka. Que diferença fazia depois de tantas que eu consumira? Eu só queria que o álcool me deixasse num estado de estupor em que eu não conseguisse pensar na bagunça que estava a minha vida. Eu queria apagar, esquecer de tudo.

O problema era que eu não conseguia.


XxXxXxXxX



Fui despertado do sono quando a claridade tornou-se irritante demais sobre os meus olhos. Eu os abri, fechando-os instantaneamente quando a luz do sol quase me cegou. Sentei-me lentamente, sentindo a cabeça latejar e o meu corpo dolorido em diversos pontos. Quando consegui abrir os olhos novamente, percebi que havia esquecido as cortinas que cobriam as janelas abertas. Fora então que o reconhecimento me bateu. Eu estava na sala de estar, não no meu quarto, e havia dormido no sofá. E então, algo muito mais importante que esse detalhe atingiu o meu cérebro. Se o sol já estava forte, isso significava que não era cedo, e que eu estava atrasado para o meu plantão. E eu nunca me atrasei antes. Nunca.


Ignorando as dores no corpo e na cabeça, corri para o meu quarto, onde troquei numa velocidade recorde a roupa que vestia. O banho ficaria para quando eu estivesse no hospital, eu não teria tempo agora, muito menos para comer alguma coisa. Lavei rapidamente o rosto, e escovei os dentes, borrifando um pouco de perfume para tentar disfarçar o cheiro do álcool. Não encontrava em nenhum lugar o jaleco, então desisti da busca, pois ainda contava com um mais velhinho que estava guardado em meu armário. Colhi minha carteira e as chaves do carro, em seguida pegava o elevador, com destino à garagem.

Minutos mais tarde chegava ao hospital. E pela expressão no rosto de Demetri ao me ver, sabia que o meu atraso não passara despercebido.

– Edward o que aconteceu?

– Perdi a hora. – respondi enquanto corria até o vestiário dos médicos.

– Você está atrasado por mais de duas horas. Tentei te ligar... à propósito o que há com o seu celular? Tem dias que não consigo te ligar.

– Eu estou sem celular. – disse enquanto me trocava e vestia o jaleco. – Já perguntaram por mim?

– Claro que sim. O Dr. Greene, Dra. Lawson e o Barton, entre eles. Acho bom você arrumar uma desculpa convincente porque eles não vão admitir o fato de você ter perdido a hora como desculpa. E não leve a mal a franqueza, mas você está parecendo uma merda.

– Obrigado Demetri. – exalei com sarcasmo.

– Estou falando sério. – olhou para o relógio no pulso. – Preciso ver um paciente, te encontro por aí. – informou, para em seguida deixar o vestiário.

Quando estava devidamente pronto, de jaleco e crachá, encaminhei-me para fora do vestiário dos médicos. Peguei as fichas de dois dos pacientes que eu assistia, e quando estava prestes a entrar na enfermaria para ver como um deles estava, ouvi o meu nome ser anunciado no sistema de alto-falantes.

“Dr. Cullen, comparecer a sala do Dr. Barton.”

Enrijeci onde estava. Por um momento quase amaldiçoei em voz alta, mas não havia nada que eu podia fazer. Uma das primeiras regras que nós residentes aprendemos quando chegamos aqui é jamais se atrasar ou faltar sob nenhuma hipótese, a não ser quando se trata de motivo de doença ou de morte, o que não vem a ser o meu caso.

Tomei uma longa respiração e segui em direção a sala do Barton, primo de Emmett e um amigo fora do hospital. Entretanto, aqui dentro, como meu supervisor, ele era o Dr. Barton.

Enquanto caminhava sentia os olhares sobre mim, de alguns dos residentes e da maioria das enfermeiras, como há dias vinha ocorrendo, desde que Jane havia sido demitida. Eu ainda não entendia por que olhavam desse jeito para mim. Será que achavam que eu era o responsável pela sua saída? Se soubessem o motivo real. Bem, não posso deixar de me surpreender que o motivo ainda não tenha sido vazado. Mas eu tenho certeza que é só uma questão de tempo para todos no hospital tomarem conhecimento.

Parei de frente a porta onde estava gravado numa placa de metal “Dr. John Barton”, e em seguida dei duas batidas nela. Girei a maçaneta para abri-la quando ouvi o “entre” vindo de dentro. Fechei a porta atrás de mim e fixei meus olhos em Barton, sentado enquanto olhava alguns papeis sobre a mesa.

– Sente-se Edward. – disse, erguendo por poucos segundos os olhos, voltando sua atenção para o que quer que lia.

Fiz como me foi solicitado e sentei-me na cadeira, de frente para ele. Barton retirou os óculos de grau para descanso dos olhos, depositando-o sobre a mesa, por cima dos papeis, e então sua atenção estava totalmente voltada para mim.

– Acho que já sabe por que foi chamado aqui. – discorreu, olhando para mim.

– Sim. Por causa do meu atraso. – reconheci.

– Posso saber o que levou o meu melhor residente a cometer esse deslize tão agravante?

– Olha Dr. Barton – parei e suspirei. –, isso não vai mais se repetir. Eu prometo.

– Eu espero, Dr. Cullen, eu espero. Mas ainda assim gostaria de ouvir a sua justificativa. – ele pediu, com os olhos cerrados.

Suspirei mais uma vez, vendo que não tinha como escapar, então decidi contar a verdade.

– Eu sei que é inadmissível, que não pode se considerar uma desculpa, mas eu me atrasei porque perdi a hora. Estava tão cansado que esqueci de acionar o despertador do rádio relógio.

– E o seu celular? Liguei nele várias vezes, mas caía direto na caixa postal. – ele ergueu uma sobrancelha.

– Eu não... – balancei a cabeça. – eu estou sem celular. Eu o perdi.

– Perdeu? Como? – Barton franziu a testa.

– Sim, eu o perdi, mas estou indo resgatar o meu número e comprar outro aparelho o quanto antes. Como disse, eu prometo que isso não vai mais se repetir. – desconversei. Não queria dizer-lhe o que de fato aconteceu com o meu aparelho celular.

O Dr. Barton passou a mão pelo queixo, me analisando. Incomodado, estava prestes a lhe perguntar se eu podia voltar para a minha ronda quando ele tornou a falar.

– Edward, preciso dizer, eu estou muito preocupado. Você anda distraído, lento, dorme nos seus plantões, anda se esquecendo de coisas, suas roupas estão desalinhadas, você parece sempre cansado, com um aspecto horrível, e posso afirmar que você está nesse momento de ressaca. E apesar de ser a primeira vez que você se atrasa, não é a primeira vez que sinto cheiro de álcool e cigarro em você nos últimos dias. Estou preocupado com o seu desempenho, com o seu futuro, e principalmente preocupado que isso venha ocasionar um sério problema no hospital, com algum de nossos pacientes. O que está acontecendo com você?

Um longo silêncio se seguiu. Abaixei a cabeça e olhei para a mesa. Eu não sabia nem por onde começar.

– Ganhar uma advertência durante a residência iria te prejudicar, não sabe?

– Não, por favor, não. – pedi em tom de súplica. – Isso não vai mais se repetir. Eu prometo.

– Não costumo perdoar esse tipo de comportamento, deixar sem punições, mas você é um dos nossos melhores residentes e nunca apresentou esse tipo de comportamento antes. Então, Edward, esta é última vez que estamos tendo essa conversa. Da próxima vez, terei que adverti-lo.

– Sim. Você tem minha palavra. – eu lhe assegurei.

– Ótimo.

– Obrigado, Barton.

– Está dispensado por hoje. Vá para casa e tome um banho.

– Eu estou bem. Eu posso ficar e...

– Não. Você não parece bem. – ele me cortou – Vá, tome um banho e descanse. Não venha amanhã também. Eu telefono para dizer o horário de segunda.

– Você está... – minha testa se enrugou. – Você está me dando cinco dias?

– Conversei com o Dr. Walsh mais cedo, ele deixou a decisão em minhas mãos, então, sim. Espero que seja suficiente para você colocar a cabeça no lugar. – disse ele, pegando novamente os óculos que estava sobre a mesa.

– Obrigado, Barton. Eu prometo que não terá mais motivos para se preocupar. – eu disse, me levantando da cadeira em que estava. Caminhei até a porta, mas antes que eu pudesse passar por ela, sua voz me parou.

– E Edward?

– Sim? – virei-me para olhar para ele.

– Caso queira conversar, sabe que tem em mim um amigo.

Assenti com a cabeça, em seguida saí. Sem muita certeza se os dias em casa me fariam bem ou mal.


XxXxXxX



Já era noite quando acordei, o meu quarto estava completamente escuro. Sentia-me como se um trator tivesse passado sobre mim. Esgotado, cansado. Além disso, a minha cabeça doía como um inferno, minha boca estava seca e o meu estômago roncava, reivindicando por alimento. Pelo visto as quase dez horas que dormi não foram suficientes para aplacar o cansaço e curar a ressaca.


Saí debaixo da coberta, nu, uma vez que o sono e o cansaço eram tão demasiados quando cheguei do hospital, que assim que deixei o chuveiro não me preocupei em vestir qualquer coisa, apenas deitei-me em minha cama e apaguei. Caminhei a passos lentos até o banheiro, à procura de algum Advil. Porém antes que eu pudesse encontrar o medicamento, ouvi o som da campainha. Rolei os olhos, adiando a busca para atender a porta, já sabendo quem era.

Jasper.

O meu mais novo pai.

Vesti uma calça de moletom preta e caminhei até a porta, abrindo-a.

– Eu e Alice estávamos no Burger King, trouxe estes para você. – disse ele ao passar pela porta, entregando-me algumas sacolas da rede de fast food.

– Obrigado. Eu estava mesmo com fome. – agradeci, fechando a porta.

– Imaginei que não tivesse comido nada. – Jasper comentou, olhando em seguida ao redor da sala. – Aquela caixa de pizza está ali desde segunda. As garrafas de cerveja também.

Rolei os olhos, sentando-me no sofá para comer o lanche que ele havia trazido. Eu estava realmente com muita fome. Não tinha ingerido absolutamente nada durante todo o dia. Para falar a verdade, não comia desde a hora do almoço do dia anterior.

– Pensei que você tinha ido encher a cara no Dive ontem à noite. – discorreu, vendo a garrafa de vodka aberta pousada em cima da mesa de centro e o copo jogado sobre o tapete. Estava um forte cheiro de álcool que eu não notara quando acordei, pela manhã. Provavelmente eu deixara o copo cair da minha mão quando dormi no sofá, derramando o líquido.

– Eu fui. – confirmei, começando a devorar o primeiro lanche.

– Deixe-me adivinhar, o bar fechou e você continuou a bebedeira em casa? – inquiriu em tom sarcástico.

– Jasper, não me leve a mal, mas você bancando pai de um cara da minha idade está se tornando ridículo. Deixe esse papel para quando tiver seus filhos. – eu disse com evidente irritação.

– Não quero bancar nada aqui, além de seu amigo. Que porra você tem na cabeça, Edward? Não acha que está passando dos limites? Aonde você quer chegar bebendo tanto desse jeito?

Tomei uma respiração profunda, terminando de mastigar, em seguida tomando um pouco do milk-shake.

– Você está agindo como um idiota. Será que não enxerga isso? Ficar bêbado na maior parte do tempo não vai resolver sua vida, muito menos arrancar do coração o que você está sentindo. Você está tão apaixonado por Bella quanto ela está por você. Você não pode fugir disso, cara. Te pegou, te alcançou, não tem para onde correr, não importa se você está preparado ou não, se você quer se apaixonar ou não.

Me mexi no sofá, incomodado mais uma vez com o tópico da conversa. Eu não queria falar sobre isso. Eu queria esquecer, e era por esse motivo que nos momentos em que eu não estava no hospital, onde por algumas horas eu conseguia focar-me em outra coisa, eu tinha esperanças que a bebida me entorpecesse.

Eu estava odiando perder o controle de mim mesmo.

– Ela te atraiu desde a primeira vez que você a viu, lembra? – Jasper começou, fazendo-me voltar no tempo quase dois meses atrás, quando vi Bella pela primeira vez no clube latino. – Você a quis naquele dia, e a quis de novo quando a reencontrou na festa de aniversário de Rosalie. Você comentou comigo que esperaria algum sinal de interesse da parte dela, e quando ela demonstrou que também estava interessada em você, bom, o que veio depois eu tenho certeza que você se lembra com riqueza de detalhes.

Aquela altura, já não estava mais com vontade de comer as batatas fritas, e mesmo o milk-shake, abandonei-o pela metade sobre a mesa de centro. Meu foco, meus pensamentos estavam todos voltados para as palavras de Jasper, fazendo-me relembrar a melhor noite de sexo da minha vida.

– Após aquela noite, você não queria ligar e pensei que ela seria como as outras. Apenas sexo para você. Mas então você começou a agir diferente, e apesar de não ter dito nada, eu percebi que você ficou tenso quando eu disse que Alice constantemente me perguntava sobre Jane e o que ela significava para você.

Engoli em seco. Era verdade. Apesar de não ter dito nada a Jasper na ocasião, eu tinha ficado incomodado que ele dissesse a Alice que eu tive um envolvimento com Jane, mas compreendi que ele não teve outra saída a não ser contar a verdade, uma vez que Alice assistiu quando Jane e eu discutimos brevemente na festa de despedida do Jason, quando ela tentou me beijar, era óbvio que qualquer pessoa entenderia algo desse tipo.

– E quando me perguntou a minha opinião sobre telefonar para Bella, então eu soube, ela tinha mexido com você. – ele acrescentou.

– Jasper... você acha que eu ainda posso ligar para Bella?

Podia ver Jasper tentando fortemente não sorrir, agir como se a minha pergunta não o tivesse surpreendido. Melhor do que ninguém, ele sabia que eu nunca entrava em contanto com as mulheres com quem passava a noite, pois dificilmente deitava com elas novamente.

– Claro. Por que não? – perguntou despreocupadamente.

– Não sei. Já faz tanto tempo. – dei de ombros.

– Tudo bem que já faz um pouco mais de uma semana, mas não é tanto tempo assim.

– E... o que eu digo? – perguntei hesitante.

– O que você sentir vontade de dizer.

O momento em que criei coragem de pedir a opinião de Jasper, foi como se algo diferente estivesse acontecendo dentro de mim. Era como se aquele não fosse eu, como sentia há vários dias, desde a manhã que acordei após ter tido o primeiro sonho com Bella. Não me sentia como se fosse eu mesmo, porque eu, Edward Cullen, jamais pediria opinião, conselho, o que fosse, em relação a alguma mulher, mesmo que fosse ao meu melhor amigo; porque eu, Edward Cullen, jamais ficaria à espreita na esquina da rua de um prédio, só para ver uma mulher. E foi por sentir raiva de mim mesmo, por estar agindo pateticamente, perdendo a mente por causa de uma garota que eu estivera por apenas uma única noite que eu não liguei para Bella aquele dia.

Sem contar que eu estava chateado, intrigado que ela também não me ligara. Mesmo depois de nos encontrarmos inesperadamente no Central Park. Nenhuma mulher com quem passei a noite havia deixado de me ligar. Ela não ligou ou perguntou por mim, era como se não se importasse que eu a ignorei durante todos aqueles dias.

Ela não era como nenhuma outra que eu havia conhecido antes. Ninguém havia me perturbado tanto quanto ela. E isso me assustava.

Mas não resisti na noite seguinte, embora não tenha tido coragem o bastante para deixar visível o meu número, o que foi bom, uma vez que ela se chateara por ter sido acordada, afinal, era mais de meia noite.

Pelo menos ouvi o som da sua voz.

– Porque eu vi mulheres entrando e saindo de sua vida por não muito mais que uma noite. – Jasper continuou. – Jane pode ter durado um pouco mais que isso, mas porque você...

– Jane era uma vadia. – eu o interrompi. – Sua única utilidade foi abrir as pernas para mim, e se eu soubesse que ela me causaria tantos problemas, jamais teria comido. Ela era uma puta interesseira, não é à toa que foi pega fazendo o que fez e foi despedida.

– Todos sabem disso, Edward. Você precisava de uma vagina para se aliviar, e ela estava mais que disposta em lhe oferecer, até que você enjoasse. Todos nós sabemos disso, inclusive a própria. Mas não é sobre Jane que quero falar. Eu só estava tentando exemplificar, mostrar para você a diferença de Bella em relação às outras. Por mais que eu não precisasse dizer, isso você já sabe. – passei uma das mãos pelo meu cabelo nervosamente.

Sim, ele não precisava dizer, embora fosse complicado, difícil demais para admitir.

– Admita mais uma vez, Edward, e não diga que foi porque estava bêbado. Você realmente quis dizer aquilo. Você realmente gosta dela. Você age com ela como eu nunca vi com ninguém antes, você estava com ciúmes na festa, você brigou com James por causa dela, você a trouxe aqui, neste apartamento, como nunca antes trouxe alguém. Você disse uma vez que ela era diferente.

– Eu... eu tenho... – balancei a cabeça, comprimindo os olhos.

– O que? Medo? Do que você tem medo, de se relacionar?

Permaneci em silêncio. Eu não queria parecer vulnerável, confuso ou qualquer coisa desse tipo na frente dele.

– Sabe quando percebi que você estava se apaixonando por ela? – inquiriu retoricamente. – Quando cogitou propor que ela fosse... como posso chamar? Amiga com benefício?

– Não era bem assim... – defendi-me, relembrando o dia em que comentei sobre o assunto com Jasper. Tinha sido no dia em chegara de viagem, um Congresso de Medicina que durara quatro dias em Massachusetts.

Era uma sexta-feira, tinha chegado àquela manhã de viagem. Emmett, Jasper e eu havíamos combinado de almoçarmos juntos, o que tinha se tornado mais um interrogatório do que qualquer outra coisa. Durante todo o almoço, tive que suportar as piadinhas de Emmett e sua insistência em querer que eu revelasse quem era a mulher em meu apartamento no último domingo. Enganei-me quando pensei que teria sossego no momento em que Emmett foi embora, restando Jasper e eu no restaurante.


FLASHBACK



– Qual é, Edward. Não vai mesmo contar quem era? – insistia Jasper.

Bufei, pois o assunto já estava cansando.

– Por que vocês querem tanto saber isso?

– Estou mais curioso em saber por que você não quer revelar sobre a mulher misteriosa. – comentou rindo, se divertindo com a minha relutância.

– Não há nenhuma mulher misteriosa. – rolei os olhos.

– Então era mesmo a Jane?

– Caralho, não! Já disse que não era ela. Quantas vezes preciso repetir que nenhuma mulher, muito menos a Jane esteve no meu apartamento antes além dessa? – estourei.

– Então não era qualquer mulher. Era alguém especial.

Passei as mãos pelos cabelos.

– Jasper, eu sei aonde você quer chegar. E não há nada de especial nisso, eu apenas a levei para lá, nada demais, só me deu vontade, ok?

– Estou tentando adivinhar quem seria ‘ela’ – Jasper divagou. –, mas não consigo pensar em um nome. – rolei os olhos enquanto ele continuava a divagar. – Na verdade, eu imagino que seja alguém que você conheceu há pouco tempo. E eu só consigo pensar em uma única pessoa.

Suspirei, cansado.

– Sim, era a Bella. – confessei, derrotado.

– Eu sabia. – Jasper riu.

– Não conte isso a Emmett. – sussurrei.

– Relaxe. Você sabe que sei guardar segredos. – ele ainda sorria, mesmo um pouco mais leve agora, quando levou o copo de água à boca. – Então você desistiu de ser cabeça dura e decidiu ligar para ela?

– Algo assim. – disse evasivamente.

– Agora estão oficialmente saindo? – ele inquiriu.

– Não diria isso, apenas ficamos juntos de novo. – relatei, dando de ombros, como se não fosse algo importante.

– Sei. – ele assentiu. – E pretendem se encontrar mais vezes?

– Eu não sei. Não nos falamos mais depois desse dia. Você sabe, eu precisei viajar.

– Bom, você está de volta e hoje é sexta-feira, final de semana sempre é uma boa oportunidade. Além disso, amanhã tem a festa de noivado de Emmett e Rosalie e vocês podem ir juntos.

– Pode ser. – dei de ombros novamente.

– Que foi? Você não quer mais? – Jasper franziu uma sobrancelha.

– Eu não disse isso. – me defendi.

– Então não aja como se isso fosse algo sem importância. – ele rolou os olhos e eu sorri. Jasper me conhecia muito bem.

– Na verdade, eu queria propor a ela... algo. Eu pretendia dizer na manhã de domingo se Emmett não nos atrapalhasse.

– Uma proposta é? E qual seria? – perguntou Jasper, interessado.

– Eu ia dizer que estaria viajando para participar de um congresso, e proporia a ela que nós, você sabe, que nós nos encontrássemos de vez em quando. – olhei para o copo em minhas mãos e comecei a brincar com ele. – Tipo, nos encontrar nos finais de semana. No meu apartamento.

– Para transar? – ele perguntou.

– E conversar. – acrescentei. – Bella é uma excelente companhia. Eu gosto de passar um tempo com ela, conversar, nós sempre temos assunto.

– Espera. – ele gesticulou com a mão. – Você está me dizendo que queria propor a ela uma espécie de encontro casual? – perguntou.

– Um encontro de amigos, como acontecera no sábado. Sim, nós dormimos juntos, mas não foi a única coisa que aconteceu aquela noite. Nós conversamos, tomamos vinho, ouvimos música, ela até cozinhou para nós dois. Amigos fazem isso o tempo todo.

– Amigos não fazem sexo. – apontou Jasper, como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.

– Ambos estamos solteiros, que eu saiba Bella não tem compromisso com ninguém, o que tem de mais nisso? – inquiri, começando a ficar irritado.

– O que tem que você estava apenas pensando em propor a Bella ser sua amiga de foda.

– Não é assim. – balancei a cabeça negativamente.

– E o que é então? – ele cruzou os braços. – Amiga com benefício? Edward, Bella não é como as garotas que você já transou. Eu já te disse isso.

– Eu sei, eu só... – passei uma das mãos pelos fios do meu cabelo, em busca de uma justificativa. – eu pensei que nós... porra, Jasper, eu não sei. Eu só não queria que isso parasse.

– O quê não parasse?

– Isso. Entre nós.

– Sexo?

– Também. Eu... eu gosto de estar com ela.

Jasper abriu um sorriso triunfante, que me incomodou no mesmo instante, e antes que ele pudesse vir com mais perguntas, avisei que tinha que ir embora, pedindo em seguida a conta.

– Vai ligar para Bella hoje à noite? – ele me perguntou enquanto caminhávamos em direção aos nossos carros.

– Pode ser. – dei a mesma resposta que dera minutos atrás para uma de suas perguntas, mudando de assunto em seguida. – E então, te vejo amanhã na festa. – dei uma leve batida em seu ombro, e entrei em meu carro.


FLASHBACK


Naquele mesmo dia, neste mesmo apartamento, sozinho, deixei-me ser tomado por lembranças da noite que havíamos passado juntos aqui.

Eu queria vê-la, falar com ela, ainda mais que não nos falávamos mais desde a manhã de domingo, quando eu tive que sair com Emmett, deixando-a em meu quarto. Ao retornar, senti o desapontamento me tomar quando recebi o recado por Jerry, que a senhorita que estava em meu apartamento pediu para avisar que precisou ir embora, ainda mais quando entrei em meu quarto e o encontrei vazio. Em meu celular, que eu havia deixado na sala de estar, uma chamada não atendida e uma mensagem de texto, desculpando-se por sair repentinamente, pois tinha um compromisso com o pai.

E consumido pela vontade gigantesca de apenas ouvir a voz dela, liguei para Bella. Passava das seis da noite, horário que provavelmente seu expediente já teria encerrado. Mas ela não atendeu a ligação, e também não retornou.

– Para mim, era. – Jasper continuou, tirando-me dos devaneios. – Se bem que o que você fez depois não foi menos pior. – ele acusou.

– O que eu fiz? – questionei confuso.

– Você não ligou para ela!

– Eu viajei! – justifiquei com indignação.

– E onde você estava não existia telefone?

Jasper olhou para mim esperando uma resposta, mas apenas lancei a cabeça para trás, no sofá, e fiquei em silêncio.

Eu não podia negar, o que fiz foi horrível não entrando em contato com ela depois da noite que passamos aqui neste apartamento. Eu só... estava confuso, irritado que mesmo estando a quilômetros de distância, continuava pensando nela. Nem mesmo consegui levar uma das médicas participantes do Congresso que flertara comigo o tempo todo para o meu quarto de hotel, o que eu teria feito sem nenhuma hesitação antes de conhecer Bella. Eu só pensava no quanto isso seria errado, como se eu a estivesse traindo. Pior, eu não estava com nenhum tesão em transar com outra mulher.

Jasper ficou calado por um instante, antes de continuar.

– Edward, eu sei que não é apenas a residência que te preocupa, que te impede de abrir o coração. Só entenda, Bella não é Lauren.

Fechei os olhos e passei as mãos pelo meu rosto.

– Não desperdice a chance de estar com uma pessoa maravilhosa. Bella realmente gosta de você, assim como sei que você sente o mesmo por ela, só não consegue ainda admitir. Apaixonar-se é bom. Não tenha medo do que está sentindo. – exprimiu.

De repente o ar parecia que tinha sido tragado dos meus pulmões.

– Eu preciso ir. – ele disse, caminhando em seguida em direção à porta. – Outro conselho? Entre em contato com a sua diarista. – completou antes de sair e bater a porta atrás de si.

Estranhamente, não senti alívio quando Jasper foi embora. O silêncio que se instalou na sala era ensurdecedor e nauseante, todavia, as suas palavras ecoavam em voz alta em meus ouvidos, tentando atingir o meu cérebro. E antes que elas encontrassem o caminho e me enchessem de pensamentos do qual eu não queria pensar, levantei-me do sofá e fui em direção ao bar, onde preparei uma dose de vodka.

Até onde isso iria?

Teria fim?

Eu não estava mais suportando essa fraqueza.

Inclinei o copo até os lábios, parando a ação quando ouvi novamente o som da campainha. Teria Jasper esquecido algo?

Suspirei em frustração e depositei o copo com a dose sobre o balcão, indo até a porta.

Ao abrir, deparo-me com a última pessoa que pensei encontrar.

Alice.

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Notas finais
Olha só quem chegou no apê do Edward. Para quê será? Alguém tem um palpite?
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Como vocês viram, o capítulo teve vários flashbacks, e o próximo não será diferente. Será que algumas das dúvidas de vocês foram respondidas nesse capítulo? Ou serviu apenas para aumentá-las e criar novas? Eu acredito que as duas coisas, certo?
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Bom, mais uma vez desculpas por postar apenas metade do que seria o capítulo, mas pensem pelo lado positivo, que pelo menos não ficaram mais uma semana sem atualização, porque eu realmente não saberia quando postaria, uma vez que tenho compromisso no próximo fim de semana. Estou perdoada, certo? Estou contando com isso rsrsrsrsrs
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Estou realmente curiosa para saber a opinião de vocês em relação ao Edward. Muito mesmo. E aí? O que vocês têm a me dizer?
Já sabem, apertando o botão de review rsrsrs
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Até o próximo capítulo amores ;)