Private!
13 Ron e Hermione
Notas iniciais
Hermione estava aflita. Caminhava de um lado para o outro no seu quarto tentando entender o porquê do Weasley mais novo estar tão repentinamente irritado e insuportável.
Era dezembro... Quase Natal. O clima estava frio, quase congelante e ela agradecia nesses momentos ter sido agraciada com poderes mágicos. Os pais viajavam de férias e ela estava sozinha, naquele frio, sem saber muito bem o que fazer.
Pensou em convidar o ruivo para passar o fim de semana ajudando-a a se esquentar, mas foi por vezes interrompida de forma grossa e irritadiça da parte dele, deixando-a igualmente feroz.
Desceu as escadas do quarto e rumou para a cozinha. Talvez um chocolate quente ajudasse a aliviar o estresse. Não entendia aquele desmiolado; quase dez anos juntos e ele com aquela brutalidade.
Preparou o chocolate pesadamente. Estava irritada, sentia-se só e não tinha a menor desculpa para ir até a Toca. Esperou o leite ferver ponderando que estavam namorando a 6 anos. Seis anos desde que a maldita guerra acabara. Ele era auror. Ela estava muito bem no Ministério. Haviam noivado há pouco mais de um ano, e sempre naquelas épocas de inverno ele ficava assim.
Suspirou pesadamente lembrando-se dos bons momentos vividos desde a infância até ali. Era tão bom, e ao mesmo tempo tão irritante estar ao lado dele. Irritava-se também do modo como não conseguia manter-se irritada com ele quando a olhava daquele jeito; aquele jeito que só Ronald Weasley olhava. Suspirou novamente.
Lembrou-se dos momentos quentes. Um deles vivido há poucos dias e se surpreendeu ao ouvir o chiado do leite que derramava no fogão da mãe enquanto acariciava um dos seios pensando em seu Ron.
– Droga! — esbravejou levantando-se e desligando o fogo em seguida, limpando a bagunça do fogão com um aceno de varinha.
Preparou seu chocolate quente e por um momento se viu livre de pensamentos, irritações e aflições relacionadas ao trasgo do noivo. Noivo... Pensou e olhando o delicado anel com uma pedra azul solitária em seu dedo anelar, sorriu.
Se dependesse do noivo, já estariam casados, assim como Harry e Gina. Mas ao contrários do amigo, não eram ricos, nem tão pouco desfrutavam de duas ou três casas em seus nomes. Precisavam se organizar, e essa foi à ideia de Hermione, embora tenha demorado a convencer seu ruivo, ele cedeu e concordou que precisavam se organizar e programar antes de um grande passo como esse.
A casa estava comprada. Próximo a dos pais dele, porém não tão perto. Era uma casa pequena, com dois quartos uma sala aconchegante e uma cozinha a moda Weasley. Faltava poucos móveis agora e em breve, em pouco mais de 6 meses seria a mais nova senhora Weasley.
– Isso se aquele trasgo parar de me irritar. — bufou levantando-se com ferocidade e foi em direção ao quarto. Ia ler e tentar esquecer-se dos fatídicos bate boca que travara com ele pela manhã.
Estava no auto da escada quando ouviu um som familiar romper da lareira. As chamas vermelhas se tornaram esverdeadas gradativamente e ela então reconheceu o rosto da cunhada, com seus cabelos flamejantes adornado de fuligem.
– Oi Mione. — Gina tinha um sorriso enorme no rosto, como sempre, e fitava a amiga no topo da escada, que a desceu assim que reconheceu à ruiva.
– Oi Gi. — Hermione respondeu sem muita animação ainda das escadas, enquanto era observada pela outra.
– Ok. Acabei de confirmar que o mau humor não é apenas do trasgo do meu irmão.
– O que houve? — Hermione perguntou um tanto que irritada ao sentar-se no sofá de fronte a lareira.
– Bem... O Harry está chegando amanhã da missão na Rússia e a mamãe vai preparar um daqueles super almoços Weasley que você conhece.
– Sim...
– Então eu pedi pra o chato do meu irmão te chamar, mas ele disse que não viria sem avisar, fato que eu achei muito esquisito, então eu mesma vim.
– Certo. De que horas será?
– Acho que umas 11h. Você sabe... Amanhã é domingo. O dia internacional do sono até mais tarde dos Weasley, e mesmo que estejamos morando em casas separadas, os costumes e atrasos continuam...
– Hum...
– A mamãe disse que todos deveriam chegar às 10h.
– Certo.
– Você vai?
– Claro que sim — ela falou como se aquela fosse à pergunta mais estupida que ouvira na vida.
– Que bom — a ruiva sorriu verdadeira.
– E como vai o James?
– Pesado. — Gina sorriu olhando para baixo. Hermione sabia que a amiga acariciava a barriga de quase seis meses.
– Então nos vemos amanhã.
– Certo. Vou embora. Acho que o Harry desaparatou. E desfaz essa cara rabugenta. Está parecendo o Rony.
– Certo.
– Boa noite.
– Noite.
A chama verde voltou a ser avermelhada rapidamente. Vermelha e quente. Quente como Ron... Aquelas chamas lembravam seus cabelos flamejantes, e a lembrava de quão idiota o ruivo era.
Subiu as escadas, ainda mais decidida desta vez. Percorreu o corredor e adentrou no quarto, trancando a porta em seguida. Nem ela mesma sabia o porquê de ter trancado a porta, mas o fez. Deitou com ferocidade em sua cama, socou o travesseiro e depois de muito resisti, dormiu... Um sono perturbado, mas um sono.
[...]
A cara irritadiça de Rony estava enchendo os nervos de Gina. Grávida e emocionalmente nervosa, não estava muito a fim de se irritar com o irmão ou discutir qualquer besteira que fosse com ele.
Harry jogava xadrez bruxo com ele agora, e pelo tom escarlate das orelhas do irmão, estava certa que o marido perguntava o motivo de ele estar tão irritadiço e ignorante.
Olhou em direção a mãe que preparava algumas delicias para o almoço que aconteceria logo mais. Sentiu um chute forte vindo do filho, acariciando a barriga em seguida de um sorriso.
– Por que não se senta um pouco, minha filha? — Molly falou para a filha, mas ela não atendeu.
– Não mamãe, eu estou bem. Foi só um chute.
– Tenho certeza que se fosse trouxa, nosso neto seria um grande jogador de fobetol. — disse Arthur animado, atravessando a porta com Fred II nos braços.
Um lindo menino cor de chocolate. Contava seus dois anos e era esperto como o pai — Jorge — e o tio — Fred, do qual recebera o nome em homenagem.
Fred era um menino extremamente travesso. A pele escura contrastava belamente com os grandes olhos esverdeados herdados da avó paterna. Tinha cabelos negros e encaracolados, idênticos aos de Angelina. Era um menino belíssimo, além de carinhoso quando se esquecia das travessuras.
– É futebol papai — Gina corrigiu sorrindo — E não, ele será um grande apanhador, como o avô e o pai.
– Só herdando o talento dos Potter mesmo para jogar bem — O homem ruivo com uma grande calvície sorria enquanto fazia cócegas no menino em seus braços.
– Olá — Hermione entrou pela cozinha, como sempre costumara fazer. Trazia Victorie nos braços. A pequena garota filha de uma quase veela não tinha nada parecido com a mãe. Era sardenta, tinha olhos escuros e cabelos incrivelmente vermelhos.
Em seus pés, um garotinho um pouco mais velho que a outra. Ted e seus incríveis cabelos esverdeados aspirava um pouco de atenção da tia. Sempre era assim... Não sabia o motivo, mas os dois disputavam a atenção de Hermione desde de sempre.
– Ted. Desse jeito você derruba a Hermione — Molly falou enquanto a morena deixava a pequena no chão e beijava em seguida o garotinha que deixou os cabelos ficarem castanhos como os dela.
– Está bem minha amiga? — Gina a abraçou.
– Estou sim. E vocês? — Hermione perguntou acariciando a barriga da ruiva.
– Ótimos. Estávamos agora mesmo descrevendo o futuro esportista do James.
– Sério? — Hermione sorriu sem entender muito bem, mas familiarizou-se rapidamente com a história assim que Gina terminou os relatos.
– Ei... Esse rango não sai? — A cabeça de Jorge apareceu sobre a parte aberta da porta da cozinha. Estava suado. Tão suado como Bill que colocou metade do corpo ao lado do irmão em seguida.
– Estamos com fome, mamãe — Bill ajudou o irmão.
– Ainda não. — Molly respondeu de forma firme sem ao menos olhá-los — Vão. Assim que estiver pronto eu levo para a mesa.
– Ok mamãe. Fred, venha mostrar para seu tio como se bate um balaço — Jorge abria a porta para o pequeno passar enquanto Molly revirava os olhos descontente.
– Duvido que seja melhor que a Vick. Venha minha filha — Bill respondeu e a matriarca bufou.
– Parecem crianças... — comentou mais para si que para os demais.
– Mas é o que são querida — Arthur lhe deu um beijo na nuca em resposta e Gina revirou os olhos com expressão de ânsia.
– Venha Mione, vamos para a sala. — Gina falou puxando a amiga pelo braço, livrando-a daquela cena grotesca dos pais.
– Oi Mione. — Harry que estava de frente para a cozinha a viu primeiro, embora Rony já tivesse ouvido seu nome e sua voz.
– Oi Harry — ela passou pelo ruivo e abraçou o quase irmão — Estávamos com saudades.
– Eu também — o moreno respondeu.
– Imagino que muito mais do que nós — ela sorriu olhando para Gina — E como foi à missão?
– Boa — Harry coçou a nuca descontente ao perceber o rubor no rosto do amigo. Gina sentando-se ao seu lado em seguida.
– Que bom... Fico feliz que você tenha se saído bem.
– O Harry é encantador — Gina falou apaixonada e foi a vez de Harry avermelhar, porém, de vergonha.
– Que bom que ainda existem homens encantadores no mundo — Hermione falou olhando diretamente para Rony e ele pareceu que explodiria de tão vermelho — Homens que sabem se expressar e não ficam renegando as pessoas sem nenhum motivo aparente.
Gina sorriu. Rony saiu. Harry coçou as costas num misto de desespero e agonia. Hermione fitava o ruivo com um semblante assassino. Um semblante cheio de irritação... Ódio.
[...]
Já era tarde então. A maioria dos irmãos já havia ido embora. Gina e Hermione ficaram para ajudar Molly. Vez ou outra Hermione fitava o noivo conversando com o amigo. Precisava conversar com Rony.
Após alguns minutos, a louça estava lavada e devidamente guardada, porém os afazeres ainda não haviam acabado. Gina virou-se para o grande fogão mágico enquanto Molly limpava o chão e Hermione aspirava a gordura existente na cozinha.
– Humr — Rony limpou a garganta para se fazer notar e as três o olharam. Mal trocara palavras com Hermione àquele dia e noite e sabia que o pescoço estava por um fio — Er... Hermione, será que poderia vir aqui comigo?
Hermione teve vontade de azará-lo, é verdade, mas talvez essa fosse a oportunidade de saber qual o motivo de tanta rabugice da parte de Rony.
– Claro — ela olhou para as duas mulheres e o acompanhou em seguida subindo as escadas que dariam para o terceiro andar. O andar onde ele ainda dormia.
– Bem... — ele falou após trancar a porta e usar um Abaffiato — Tudo bem?
As palavras eram tão difíceis de sair. Hermione tinha esse poder de deixa-lo completamente aparvalhado. Sabia que devia uma explicação a morena, sabia que ela o falaria mal, mas preferia isso a continuar dessa forma. Sentia sua falta.
– Poderia estar melhor — ela foi seca na resposta, sentando-se na cama dele em seguida.
Rony a fitou. Ela sabia que ele lhe contaria agora. Ela o observava com aquela cara de “estou esperando que você fale de uma vez” e que ela não travaria uma conversa amigável com ele enquanto não desembuchasse. Essa era a sua Hermione Granger.
– Está chateada comigo, não esta?
– O que você acha?
– Que sim.
– Acertou.
– Eu sei.
– Ótimo.
– Seus pais estão bem?
– Sim. Melhores que eu, certamente — ela era seca, e tinha seus motivos.
– Desculpa não ter ido passar o final de semana com você.
– Claro. Assim que você me explicar o que você tem.
– Hermione...
– Fala Ron. Estou cansada disso. Todo ano é a mesma coisa. O que tem de tão ruim por essas épocas que te deixa tão mal humorado.
– Desculpe por ter sido grosso.
– Não vou mais aceitar as suas desculpas. Eu sempre te desculpo. Faz seis anos que namoramos e todo ano é isso. Quero saber o que há.
– Por favor, Mione...
– Por favor, digo eu Ronald. O que pensa que sou? Idiota?
– Claro que não.
– Então me diga qual é o problema?
– Não é nada com você...
– Isso eu já sei — ela tinha os braços cruzados e balançava o pé também cruzado. Sinal claro de irritação.
– Bem... É uma bobagem...
– Então conte.
– Não vai ficar com raiva?
– Eu já estou Ronald.
– Bem... Eu sempre fico irritado durante esse período...
– Isso eu já percebi.
– Ér... É que... Bem. Está fazendo 10 anos que o idiota do búlgaro te beijou.
Ele falou rápido e de um fôlego só. Hermione sentiu o queijo decair vagarosamente enquanto fitava Rony, incrédula. Ele tinha os olhos tristes e cansados.
– Rony... — o tom mais ameno. Ela sabia o quão delicado era o assunto para ele.
– Eu sei. É uma idiotice, eu sei. Mas me irrita o fato de saber que aquele idiota chegou primeiro que eu.
– Rony... Já conversamos sobre isso...
– Também sei disso. Mas eu fui um idiota. Eu sabia que você era uma garota Hermione, sabia e sabia muito bem... Mas eu não tive coragem. Você era a melhor aluna, a mais esperta, a primeira em tudo... E eu não passava de mais um Weasley... — a voz estava triste — Como eu poderia imaginar que a garota mais bonita de Hogwarts gostava de mim?
– Ron — ela tocou o seu rosto. Os olhos avermelhados.
– Me dói muito saber que ele foi o primeiro a te beijar, porque esse deveria ter sido eu. Aquele maldito búlgaro e aquele maldito baile de inverno... Foi com ele que você se divertiu aquela noite. Foi nos braços dele que dançou por horas... A dança que deveria ter sido minha. Isso me machuca muito, Hermione. Machuca saber que fui e agi como um completo idiota retardado quando na verdade deveria ter sido um pouco mais racional. Éramos amigos, eu tinha uma boa chance de que você aceitasse... Ou não.
– Rony — ela ergueu o rosto dele com as mãos — Aquele baile não significa nada para mim. Ter beijado o Viktor em nada diminuiu o que eu sempre senti por você... Pelo contrário, me fez ver o quanto eu gosto de te beijar...
– Mesmo assim. Deveria ter sido eu.
– É isso que você vem martelando por todos esses anos? Tem pensado nisso, por isso fica assim irritado?
– Sim.
– Oh Ron...
– Desculpe.
– Eu te amo tanto ruivo. Entenda isso. É com você que estou e pretendo estar para sempre. Não foi com o Viktor que vivi os melhores momentos de minha vida. Não foi ao lado dele que batalhei para ajudar os dois mundos... Não é ele que me tira do sério e consegue me convencer do contrário apenas com um sorriso. Não foi para ele que me entreguei sem medo de nada... Não foi com ele que aprendi o que é amar e ser amada.
Foi com você Ron, e é você. Não fique se martirizando por causa de um baile sem significado. O que importa é estarmos juntos.
– Mas deveria ter sido eu...
– Mas não foi... E agora é. E sempre vai ser.
– Obrigado.
Os dois beijaram-se. Ambos aliviados, mas a mente de Hermione trabalhava enquanto aquele beijo a envolvia. Teve uma ideia e a colocaria em prática.
– Quer ir dormir lá em casa? — perguntou marota.
– É um convite tentador — ele sorriu.
– Então façamos assim... Eu vou à frente para preparar umas coisas. Você prepara uma muda de roupas para irmos ao Ministério amanhã...
– Já é segunda?
– Sim. Temos que trabalhar. Te encontro em casa daqui a 30 min, tudo bem?
– Claro!
[...]
Rony desaparatou em uma ruela próxima a casa de Hermione. Havia tomado um banho e aproveitado para fazer a barba que estava impregnando o seu rosto. Caminhou a passos largos até a casa com estilo vitoriano de cores claras. As luzes da sala estavam acesas, ele reparou pelas janelas. Suspendeu a mochila para as costas e abriu o pequeno portão que dava para a sala de estar.
Quando ia tocar a campainha, um bilhete apareceu preso rente a porta, assustando momentaneamente o auror que não esperava por um pedaço de papel dançando a sua frente.
Pode entrar Ron, já vi você. A porta está destrancada.
Te amo!
Hermione.
Rony sorriu. Hermione era divertida do jeito dela, misteriosa quando queria e sabia como ninguém deixa-lo daquele jeito só de ler um bilhete. Era realmente perfeita.
Entrou na casa e teve outra surpresa. A sala lembrava claramente o antigo quarto que dividira por anos com Harry e os amigos em Hogwarts. As camas de dossel, os malões, a penumbra que se fazia na hora de dormir... Ele sabia que era apenas uma imagem, que nada daquilo estava ali, mas ficou curioso em saber o que se passava pela cabeça de Hermione.
Andou um pouco pela sala transformada a procura da morena que tanto mexia com seus pensamentos, mas não a encontrou. Ficou momentaneamente hipnotizado com aquele lugar... Sentiu-se novamente um adolescente bobo. Recostou a bolsa que trazia com uma muda de roupas e sapatos ao lado de uma das camas e observou ao endireitar novamente o corpo, um pacote sobre ela.
Quero que vista-se com essa roupa. Espero você no meu quarto.
Ele sorriu por um momento imaginando o que a mente daquela garota estava maquinando. Não iria demorar-se a descobrir. Olhou em direção as escadas e viu que elas permaneciam ali, apenas adornadas e parecidas com as escadarias de Hogwarts.
Rony então sentou-se na cama e retirou os sapatos para que trocasse logo de roupas, mas arfou de descontentamento quando reconheceu aquele amontoado de panos.
Era uma cópia exata daquela ridícula roupa de gala que ele usara naquele maldito Baile de Inverno. A mesma cor de telha com corte que lembrava mais um vestido cheio de babados no decote e nas mangas, o mesmo cheiro de velho que a tia tinha. Revirou os olhos cogitando a possibilidade de colocar aquilo, não sabia o que Hermione pretendia e resolveu arriscar.
Subiu as escadas um tanto que apreensivo. Hermione era misteriosa quando queria e o deixava realmente excitado com isso, embora pudesse confessar que não se sentia nem um pouco a fim de permanecer com aquela roupa fedida.
– Como demorou.
Hermione o esperava em seu quarto que também havia sido modificado e era como o salão principal de Hogwarts. Lembrava muito o dia do Baile de Inverno, e ele via de relance algumas pessoas passarem ao seu lado. Era estranho, parecia realmente em Hogwarts.
– Hermione. Está linda.
Como sempre estivera. Usava um vestido idêntico ao que usara no Baile e ele entendeu qual era o objetivo da namorada naquele momento. Sorriu, sentiu um soco forte no estômago... Ela fizera tudo àquilo para ele. Conjurara as roupas, havia feito os feitiços de ilusão e sorria lindamente lhe estendendo a mão.
Uma música começou a tocar. Ela sorriu ainda mais e ele aceitou o toque das mãos. Hermione aconchegou a cabeça no ombro dele, as imagens dos amigos dançando ao lado deles. Rony sorriu.
Sorriu feliz ao pensar no quão maravilhosa ela era para ele, e no quão estupido ele foi por todo esse tempo. Abraçou a namorada ainda mais apertado e percebeu que aquela era a forma dela de dizer que o amava, que um baile não importava, nem mesmo um beijo, quando o desejo dela era estar em seus braços.
– Hermione... — falou sem mover o corpo ou sair daquele momento, da posição em que estava.
– Hum? — ela respondeu da mesma forma.
– Eu te amo.
– Eu te amo Rony — ela o olhou nos olhos e eles se beijaram. Um beijo lento e apaixonante, totalmente envolvente.
– Eu sei.
– Entendeu agora?
– Sim. Desculpa por ter sido tão idiota.
– Claro que sim... Mas me prometa Ron... Prometa que nunca mais pensará nisso. É você que eu quero. Apenas você.
– Eu sei. Eu prometo.
A música os envolvia de uma forma única. Era calma, tranquila... Aquietava os nervos e os deixavam mais próximos, mais compenetrados, mais envolvidos.
Os braços começaram a passear mais indiscretos pelo corpo de ambos e Rony conseguiu sentir a respiração calma de Hermione em seu pescoço. A mão que estava em sua cintura agora acariciava a pele sob o vestido azul e delicado que ela vestia. Sentiu os pelos do braço da noiva arrepiarem.
Ela levantou a cabeça do conforto de seu ombro e o olhou nos olhos. Olhos puros e profundos, aquele era o olhar que ele sempre repassara para ela. Um olhar verdadeiro. Sorriu. Afundou novamente a cabeça no ombro do ruivo e fechou os olhos concentrando os sentidos nos dedos que percorriam seu pescoço com carinho.
Carinho. Essa era uma das palavras que poderia definir perfeitamente o que sentiam um pelo outro. Não apenas isso, uma mistura de bons sentimentos e sensações.
O ruivo curvou mais as costas, precisava inclinar-se um pouco mais para alcançar com liberdade o lóbulo dela. Umedeceu aquele ponto tão estimulante para Hermione com a ponta da língua. Beijou a orelha... Sugou o lóbulo em seguida.
Sim... Rony adorava essa sensação. A sensação de fazê-la se desconcertar... Desconcentrar... Sorriu. Era ele que a fazia sentir assim... O orgulho masculino um pouco mais massageado com o pensamento.
Mais uma sugada... Um gemido desconexo em resposta. Ele a sentiu arfar contra seu peito. Sentiu o sorriso de sua garota. Beijou. Beijou o pescoço e uma parte da nuca exposta devido ao penteado alto que usava. Apenas alguns fios rebeldes adornavam aquela parte do corpo dela... Uma parte sensível, cheirosa e provocativa.
– Ah... Ron...
Sorriu novamente. Aquele sussurro era exclusivamente dele. Aqueles arrepios eram por ele, por sua pele. Sentiu-se revigorado ao sentir a morena apertando sua pele com as mãos quando ele lhe deu um beijo molhado... Ainda mais molhado ao pé do ouvido. Lambeu... Soprou. Ela arrepiou novamente.
– Eu te amo!
Ele sussurrou e ela estremeceu. Era verdadeiro. Um sentimento único. Algo difícil de definir com palavras, algo difícil de explicar... Era inexplicável... Apenas alegrava-se em senti-lo. E alegrava-se ainda mais por saber que ela sentia o mesmo.
Hermione não tinha muito que fazer na posição em que se encontrava. Ele era de longe muito mais alto que ela, mas se virava como podia... Da forma que os seus sentimentos a guiavam.
Uma das mãos acariciava o pescoço e nuca que ela tanto amava. Aproveitava-se do fato de ele ter curvado mais o corpo em contato ao dela para acaricia-lo aquela parte que era tão sensível para ele. A outra mão massageava igualmente as costas dele, assim como ele fazia com ela agora, e os lábios encontraram uma parte da pele de seus ombros exposta pela roupa antiga que usava.
Aspirou. Aroma mais que perfeito. O aroma do ruivo. O cheiro de Rony. Beijou aquela parte de pele e sentiu o corpo dele se contrair... A mão que estava massageando sua cintura estreitar o contato deles, aproximando-a dele com firmeza.
Sentiu-se empurrada delicadamente. Os paços eram pequenos e certos. Mesmo com toda a ilusão que havia no quarto... Mesmo depois de alguns momentos de dança, o ruivo sabia bem para onde a conduzi-la e foi o que fez.
Hermione se deixou guiar... Permitiu-se deitar-se sobre o corpo dele. O corpo era pesado, mas incrivelmente proporcional ao seu. E foi ela quem iniciou o processo que tanto gostavam abrindo e tirando com uma delicada carícia o casaco tão pesado que ele usava, descartando-o em seguida em algum lugar ao chão.
Precisavam de mais contato. Necessitava-se se sentir. Beijos espalhados pela pele exposta dela, agora muito mais entregue que antes. A mão grande percorria a perna levemente dobrada, arrastando consigo ainda mais do vestido, expondo totalmente a pele macia e perfumada que tanto desejava. Que desejava desde os seus catorze anos. Pele que amava desde sempre, mesmo sem compreender.
A outra mão, pesada e igualmente grande, movia-se delicadamente sobre o tecido que encobria um dos seios dela. Sentiu o desejo dela ser expressado em sua pele. Beijos, caricias em sua perna, massagens leves e excitantes em seu seio. Ela arqueava o corpo como uma felina... O corpo desejava e mostrava silenciosamente o quanto queria mais.
As mãos pequenas, minúsculas se comparadas às dele, adentravam pela camisa branca de tecido. Ela forçou a camisa até removê-la do ensacado que a prendia.
Deslizou delicadamente as mãos por dentro da camisa. As unhas recém feitas, agora maiores que antes, roçaram com desejo o peito forte e definido do ruivo que arfou em seu ouvido.
Os olhos se abriram, os olhos se encontraram... Se fitaram. O silencio poderia ser assustador para a maioria das pessoas, mas não para eles, que mal ouviam o toque da música, apenas ouvia o toque compassado de seus corações.
Ela moveu-se sob ele. Os olhos se fitando. O contato permanecendo. Ajoelhou-se e assim ficou em uma altura proporcional. Beijou uma das orelhas do ruivo enquanto as mãos, pequenas, porém habilidosas, trabalhavam abrindo os botões da camisa e expondo a pele branca e sardenta que tanto amava.
Beijou a sua pele. O cheiro dele impregnava em suas narinas e ela deliciava-se com o aroma que ele exalava. Cheiro de desejo. Cheiro de paixão. Paixão por ela. O ruivo urgiu. Hermione era tão quente, tão cheia de desejo por ele... Entregava-se como uma criança que confia cegamente em seu pai. Ela se entregava sem reservas. Confiava nele.
As mãos grandes voltaram a trabalhar em seguida. Desceram sabiamente as alças do vestido que ela usava. Idêntico ao usado há quase dez anos atrás no maldito baile. Mas era ele que a despia dele agora. Era ela quem tinha a oportunidade de visualizar os seios dela. Seios pequenos, redondos, empinados e agora, duros de prazer.
Contemplou na penumbra a pele dela exposta. Os sinais que tinha em seu busto. Pintas negras que ele decorara há muito a localização de cada um, mas que jamais se cansaria de admirar. De beijar, de lamber... De vê-los mover-se seguindo a respiração pesada dela. A respiração cheia de sensualidade.
Soltou seu cabelo enquanto beijava a pele de seu ombro. Deitou-se lentamente sobre ela novamente, e aproveitando-se do movimento, retirou o amontoado de pano que havia se formado em sua cintura, jogando o vestido para longe e retirando facilmente após um esfregar de seus pés, os sapatos e as meias. Deixou o seu corpo pequeno e delicado quase que totalmente a mostra.
Hermione era linda. Contemplou-a sob ele. Os seios endurecidos tinham sua aréola ainda mais rosada. Os bicos estavam rijos. Os braços estavam relaxados ao corpo. Um deles flexionado e emoldurado por uma pequena de quantidade de cabelos.
O outro estava sobre sua barriga. Ele conseguiu ver os dois sinais que ela tinha ao redor do umbigo. As penas finas e torneadas. Os quadris milimetricamente proporcionais ao seu corpo. A calcinha rosa em renda deixava sua intimidade semi exposta. Uma graça. Uma perfeição. Sorriu para ela.
O beijo entre os dois foi intensificado, e ela recebeu o ruivo entre suas pernas o apertando o máximo que pode com seus braços. Precisava senti-lo. Abraçaram-se enquanto se beijavam intensamente... Enquanto sentiam suas intimidades se chocarem sob a muita quantidade de tecido que ainda havia.
As mãos da pequena novamente se moveram. Dessa vez encontraram a abotoadura da calça que ele usava. Abriu o botão e baixou o zíper com luxúria enquanto sugava nervosamente a língua colocada dentro de sua boca.
Eles tinham um ritmo único. Moviam-se um contra o outro numa dança sensual... Uma dança frenética. Duas peças de roupa separavam seus corpos da plenitude que tanto adoravam sentir um com o outro.
Rony beijou o seio. Ela arqueou. Passeou com a língua úmida e erótica pelo corpo dela. Demorando-se nos dois sinais que tanto gostava ao lado de seu umbigo. Beijou-os e lambeu tirando os sentidos de Hermione e retirando também a peça de rendas que ela ainda usava.
Continuou o caminho de beijos e sentiu a pele dela arrepiar-se ainda mais quando os lábios encontraram o ponto mais sensível de todo aquele corpo. Grandes e pequenos lábios aparentemente desenhados a mão. Ao menos era o que ele pensava. Não tivera como comparar além das que vira em revistas masculinas na adolescência, nem desejava comparar. Para ele, aquele corpo era perfeito.
Beijou e sugou aquele monte. Quente e delicioso eram as palavras que ele usaria como definição. Ela arfava cada vez mais, ele ousava cada vez mais. Beijou... A olhou enquanto beijava sua intimidade e lhe tirava sussurros e a penetrou com um dos dedos.
Úmido. Quente e molhado. Hermione era assim com ele. Quente. E para ele era uma visão mais que perfeita contemplá-la acariciando os seios e gemendo enquanto ele era o proporcionador de todo aquele prazer.
E ele brincou. Afastou-se do beijo e a beijou. O dedo que usara a pouco para penetrá-la agora masturbava com carinho se clitóris. O dedo era quase que totalmente abocanhado por seus grandes lábios. Esfregava o dedo entre eles em um ritmo lento de vai e vem. E o mesmo dedo era usado para massagear aquele monte de carne propiciador de tanto prazer. E ele adorava lhe dar prazer. Adorava ouvir seus gemidos, como ouvia agora. Adorava ver o prazer estampado em seu rosto.
As pernas dela tremiam cada vez que havia mais contato. Tremiam à medida que o desejo aumentava. E ele sentiu que seu corpo também não mais suportaria por muito tempo o tamanho desejo que sentia. Mas foi ela quem se moveu quando ele ergueu um pouco o corpo, privando-a de seu toque. Beijou-o, e enquanto saboreava o seu gosto junto ao de Rony, os pés tiraram a peça de roupa que ele vestia.
Estavam livres agora. Ela sentia o membro dele roçar sua barriga. Firme, altivo e imponente, como sempre fora, como era. Beijou novamente, as pernas cruzando-se nas costas dele, expondo a necessidade de maior intimidade.
E ele o fez. Lenta e impiedosamente. Um ritmo mais que sensual. Um ritmo torturante. Entrava e saia dela como se aquilo fosse o que havia de mais tranquilo na Terra. Via o inchar e pulsar da intimidade dela e o fazia propositalmente, continuando nesse ritmo impiedoso por um grande tempo. Um tempo que para Hermione parecia uma intensidade.
– Ron...
O tom era autoritário. Um desafio a permanecer daquela forma. E ele acatou não mais aguentando aquela situação, assim como ela, intensificando em seguida o ritmo que estava usando.
O corpo movia-se rapidamente, Hermione movia-se sobre ele enquanto buscava controle em um dos travesseiros sob sua cabeça. Intenso. Essa era a palavra que poderia ser muito bem definida para o que sentiam agora.
Pernas tremendo, o coração batendo de forma acelerada. Os olhos sendo forçados a fechar-se de prazer. Então, ela o olhou. A cabeça jogada para trás. Os olhos fechados com força. A respiração ofegante. A pele avermelhada... Perfeito.
Então se sentiu partir em mil pedacinhos. Os músculos que iam do dedo ao rosto tremiam e ela sentiu uma onda de prazer percorrer cada milímetro de seu corpo. O prazer que sentia apenas com ele.
E ele grunhiu não muitos segundos após ela. Era um som gutural. Som de prazer de homem. A intensidade ainda mais forte enquanto os últimos jatos de sua satisfação eram depositados dentro dela. Deixou-se cair sobre ela de forma delicada. Os sexos ainda ligados, as sensações ainda sendo experimentadas.
– Psiu — ele a olhou após um tempo em meio ao seu chamado — Eu amo você, Rony.
Ele sorriu. Sabia que era verdadeiro. Sabia que era um idiota. Sabia que havia passado longos 5 dias longe dela por uma bobagem sem limites. Sorriu de si agora olhando em volta e observando que o salão comunal voltara a ser o quarto de Hermione, mantendo-se apenas a música que vinha de um pequeno rádio toca cd.
– O que foi?
– Nada. Só estou pensando o quanto eu sou idiota. — ele falou recostando a cabeça sobre o peito dela e separando suas intimidades definitivamente.
– Por que diz isto?
– Só sendo muito retardado para passar cinco dias longe de você sem nenhum bom motivo.
– Hum... Isso é. — ela sorriu acariciando seus cabelos perfumados — Mas está tudo bem agora.
– Sim. Está tudo muito bem.
– E por que esse tom debochado? — ela perguntou em meio a um sorriso.
– Estava pensando uma bobagem — ele sorriu mais dele que de qualquer coisa.
– O que? Posso saber?
– Não vai se chatear?
– Só vou saber se me contar.
– Certo. Bem... Estava pensando agora... O búlgaro idiota até pode ter te beijado antes que eu, mas sou eu que te faço gemer desse jeito.
– Rony... — ela ralhou brincalhona.
– Minto? — ele a olhou.
– Não — ela sorriu — Meu prazer pertence unicamente a você, e é você quem povoa meus sonhos, minha mente e preenche meu corpo.
– Preencho? — ele falou safado.
– Sim... — ela sorriu marota em resposta.
– Gosta quando te preencho? — ele a beijou no pescoço
– Muito. — ela respondeu já sentindo o corpo responder.
– Hermione — ele interrompeu os beijos — Se eu ficar assim novamente, assim triste por qualquer bobagem, promete me bater?
– Porque te bateria?
– Para me acordar desses pesadelos que formo em minha cabeça.
– Ah Rony, eu não...
– Promete?
– Prometo — ela revirou os olhos e ele a beijou.
– Eu te amo minha pequena sabe tudo irritante que agora eu tenho certeza que é uma menina. — ela sorriu.
– Eu te amo meu trasgo com amplitude emocional de uma colher de chá preferido.
– Certo... Agora me deixa voltar para aquele momento onde eu te preencho por completo.
Hermione sorriu e ele sorriu de volta enquanto beijava seu pescoço. Sorrisos que duraram pouco tempo e logo foram substituídos por novos sussurros e palavras desconexas.
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