Prison of Love
35 The Spy
Notas iniciais
POV Autora
Na mesma lanchonete em que Frederick se encontra com John, Maggie volta para a cozinha com uma bandeja.
Pega um café com leite que é para a mesa seis e faz questão de passar pela mesa de Frederick no seu trajeto. Passa a mão delicadamente pelas costas dele, sorrindo-lhe docemente.
Quase imperceptivelmente, ela tira do casaco do loiro um mini microfone que gravara toda a conversa deles.
Coloca-o dentro do avental e entrega o café na mesa seis.
Volta para a cozinha sorridente, não aguentando mais as bochechas doloridas do sorriso que tem que sustentar e se pergunta como alguém normal consegue trabalhar ali, sorrindo o tempo inteiro.
Suspira colocando a bandeja em cima da mesinha e retira o avental. Tira o mini microfone dele e o devolve ao dono da lanchonete, agradecendo pela cooperação.
Pega sua bolsa preta e guarda cuidadosamente o mini microfone nela.
Saí dali pelos fundos, indo diretamente para seu carro.
Entra na sua Ferrari preta e sentou no banco, permitindo-se, por um momento, relaxar.
Maggie tirou da bolsa o mini microfone que usara e coloca-o no rádio do carro, ouvindo á conversa.
“-Muito bem Charles – ouve Maggie, identificando a voz de John – O que você quer saber mesmo?
– O nome do espião que está fornecendo-lhe informações sobre a minha filha – responde a voz de Frederick.
– Ah meu caro amigo, isto é fácil. O nome do espião é.. “
Maggie apura os ouvidos, esperando pelo nome. Mas antes que possa ouvi-lo, batem em seu vidro.
Ela olha para o lado e assusta-se ao ver John ali.
Pausa rapidamente a gravação, trocando para o rádio.
Abaixa o vidro.
– Sim? – pergunta educadamente, estampando aquele sorriso doce no rosto.
– Doçura, eu só queria pedir algo que é meu – diz ele, sorrindo.
– Pode falar senhor – responde Maggie ficando nervosa. Seu pé paira sobre o acelerador, pronta para sair dali ao primeiro sinal de problema.
– O mini microfone que você pegou, amorzinho – diz ele sorrindo sarcástico.
– Não sei do que o senhor está falando – responde a morena, engatando a marcha.
Maggie sente suas mãos escorregando no volante por causa do suor que elas acumulam.
John, sem paciência para joguinhos, estica-se para dentro do carro tentando pegar o mini microfone que está plugado no rádio.
Maggie fecha a janela e acelera, quase levando consigo o braço de John que grita, xingando-a.
Nervosa ela saí do estacionamento em alta velocidade. Entra em várias ruas e para em uma paralela.
Respira pesadamente e sente tremores nas pernas ainda sentindo a adrenalina percorrer seu corpo.
Suspira e recomeça a gravação.
“-Ah meu caro amigo, isto é fácil. O nome do espião é... – e então fala um nome que Maggie não consegue identificar.
Maggie solta um grito quando um carro bate em sua lateral. Olha para o lado e vê John dirigindo o carro.
Mais que rápida ela imaginaria que conseguiria, ela saí dali pelo mesmo lado que entrara.
Ao sair vê um outro carro do lado da rua e aperta com força o volante ao ver Frederick Chase dirigindo-o.
Acelera mais uma vez, consciente dos xingamentos que recebe por estar acima do limite de velocidade e pensando se vai levar uma multa mesmo sendo agente especial do FBI e estando em missão.
Maggie vira esquinas e entra em contramão tentando despistar Frederick e John.
Devia de carros e sobe em calçadas ás vezes.
Desespera-se ao ver que nada funciona.
Religa o rádio.
Se é para dar errado que eu pelo menos avise para meus colegas o nome do maldito espião, pensa ela revoltada.
Aumenta totalmente o volume e torna á escutar. Novamente não consegue escutar o nome.
Solta um rosnado frustrado e bate no volante com tanta força que sua mão fica dolorida.
Sente uma batida na traseira do carro e vê Frederick ali.
Olha para frente e vê John dirigindo em sua direção.
– Filhos da puta! – exclama revoltada.
Acelera, indo com o carro em direção á John e no último minuto vira com brutalidade, entrando em uma rua desconhecida.
Vira á direita, á esquerda e á direita de novo.
Acaba em um prédio que não conhece.
Joga de qualquer jeito sua identificação do FBI para o porteiro e diz-lhe que não abra a porta para nenhum carro – mesmo que seja morador do prédio.
Entra no estacionamento e pega os fones de ouvido.
Desliga o carro.
Coloca-os no rádio e torna á tentar ouvir a gravação e novamente não entende o nome.
Sem se aguentar de frustração solta um grito agudo que ecoa pelo carro. Suspira, enterrando o rosto nas mãos.
Ouve um tiro.
Maggie sabe que se tentar sair do estacionamento com o carro vai levar um tiro.
Desce do carro pegando o mini microfone e os fones.
Pega também o celular.
Corre entrando no prédio. Sobe as escadas e entra em um apartamento vazio qualquer.
Tranca a porta e coloca uma mesa ali.
Coloca os fones novamente e pluga-o no mini microfone.
Ouve a gravação e não entende. Suspira e apura os ouvidos, tentando ouvir.
Ouve passos e sente lágrimas tomando-lhe os olhos.
Desta noite eu não passo, pensa.
Que seja pelo menos sendo útil.
Desta vez á o play decidida. Apura bem os ouvidos, ignorando os barulhos ao seu redor.
Ignora os seus batimentos cardíacos. Ignora o barulho de tiros do lado de fora. Ignora sua respiração descompassada. Ignora os gritos de pessoas que ouve. Ignora tudo.
Concentra-se e finalmente consegue ouvir.
Ouve o nome e quase comemora.
Vê a porta quase ser arrombada.
Pega o celular com a maior calma que consegue, tentando não tremer.
Disca o número de Peter – seu colega de trabalho.
No segundo toque ele atende.
– Maggie? – chama ele com a voz desesperada.
Peter sempre quis ser mais do que simplesmente colega de trabalho de Maggie, ou até amigo dela.
Agora, pronta para morrer, Maggie pensa o por que de nunca ter lhe dado uma chance. Lamenta-se por não ter tentado ser feliz, por ter somente se concentrado no trabalho.
E chora.
– Maggie tudo bem? – insiste ele.
– Peter – chama ela calmamente – Eu vou morrer.
– Onde você está? Maggie, diga-me onde está. Vou mandar reforços para você! – exclama ele desesperado.
– Não – sussurra a morena – Eles estão aqui e tem armas Peter. Estou naquele edifício azul que tem vinte andares – diz ela, o mais baixo possível – Acho que estou no apartamento 206.
– Eu vou...
– Não mande reforços – pede ela.
– Por que está me passando o endereço então?
– Eles não tem o por que levar meu corpo – sussurra Maggie – Ache-me depois. Enterre-me Peter. Você pode fazer meu elogio fúnebre?
– Por que eu?
– Você é a pessoa mais próxima á mim Peter. Desperdicei minha vida trabalhando incansavelmente e não fui feliz – sussurra ela.
– Maggie...
– Eu gosto de você – sentencia a morena, vendo a porta quase ser arrombada. A mesa sai do lugar e ela sabe que não tem muito tempo – Escute, eu sei quem é o espião que vigia Annabeth.
– E quem é Maggie?
– Proteja Annabeth por mim, Peter. Ela é uma boa garota, uma garota delicada. Só a vida que não foi boa nem delicada com ela – sussurra Maggie, chorando.
– Maggs – chama Peter.
– Percy Jackson é o espião – sentencia Maggie.
A porta é aberta.
John e Frederick estão ali.
Maggie, esperta como sempre não deixa que eles saibam que eles sabem o nome do verdadeiro espião.
Desliga o telefone, e fingindo que ainda está na ligação, diz:
– Marcus Mahon é o espião.
Joga o telefone longe, quebrando-o.
Olha para os dois caras e em uma última e desesperada tentativa de sobreviver, levanta-se e vira.
A última coisa que Maggie ouve é um tiro.
A última coisa que Maggie sente é uma dor aguda na coluna e uma dor agoniante na nuca.
O último pensamento dela é Annabeth Chase e o quanto a loira parece-se com sua irmã mais. Nova.
Não protegeu Annabeth, assim como não protegeu Lana.
E tinha prometido proteger ás duas. Falhara – como sempre.
E então paz.
John assistiu o corpo da morena cair no chão. Agarrou o braço de Frederick, fazendo-os saírem dali.
E então, ali naquele prédio e no silêncio que fazia, John sentenciou:
– Maggie se foi.
E saiu andando, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.
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