Notas iniciais
Oii, não tenho muito o que dizer aqui.... Música: Avril Lavigne Boa leitura

Annabeth POV

Acordei com dor de cabeça. Olhei em volta e percebi que não estava em meu quarto. Estou em um quarto escuro, ele não tem janelas.

Suspiro e sinto lágrimas invadindo meus olhos, mas não vou chorar. Concentro-me dos barulhos a minha volta, o som da minha respiração e os meus batimentos cardíacos.

Ouço o barulho de uma chave destravando uma fechadura e abro os olhos. Um homem alto, aparência intimidadora e aparentando ser incrivelmente forte e intimidador entra pela porta que eu nem tinha notado. Ele usa uma blusa marrom e calça jeans preta — roupas de motoqueiro, para ser clara. Ele para e me analisa, e por fim se pronuncia.

– Annabeth Chase, certo? – pergunta ele me olhando. Confirmo com uma aceno de cabeça. – Sou Ares Earn, instrutor e supervisor do reformatório. Se lembra como chegou aqui? – a voz dele é grave e tão intimidadora que faz com que meus braços se arrepiem.

Como eu cheguei aqui? Ah é, estava negociando com uns caras que queriam um tal de Douglas morto. Depois os policiais me viram e eu corri.

Cheguei em um beco e fui estrupada, só de pensar nisso já sinto vontade de chorar. Mas que merda, estou ficando muito emotiva para uma assassina de aluguel. Mas bem, voltando a questão, depois de tudo que aconteceu eu desmaiei, no mínimo Fred e Carlos me trouxeram para cá.

– Annabeth? – a voz de Ares tira-me de meus pensamentos – Do que você lembra? – insiste ele, dessa vez com a voz soando mais ameaçadora.

– Lembro de estar negociando com uns caras, depois de ver policiais. Tentei fugir e acabei em um beco sem saída. Os policiais me alcançaram e depois eu desmaiei – relato, emitindo parte dos fatos. Ele suspira.

– Ok – ele parece estar pensando – Olhe só, você está em um reformatório. Você é uma das assassinas de aluguel mais procurada do estado. E você só tem dezesseis anos! Só não entendo como conseguiu se esconder por tanto tempo.

– Para ir a escola eu me disfarçava, para não me reconhecerem. Usava também uma peruca preta e meu “nome” era Christina. Christina Durli. Nas minhas negociações eu usava minha aparência normal – não sei porque, mas gostei desse Ares. Ele parece ser legal. Quando termino de contar, ele sorri.

– Ótimo garota. Ninguém nunca pensou que nas negociações você usaria sua real aparência, sempre pensaram ser um disfarce. Foi muito esperto da sua parte usar disfarce para ir a escola e usar a sua aparência nas negociações, acho que ninguém nunca tinha pensado nisso – acabo sorrindo também.

Isso foi um elogio?

– O que vocês vão fazer comigo? – pergunto.

– Bom, já que você é de menor está em um reformatório e não na cadeia. Aqui as coisas funcionam assim: de manhã, você terá aula com os outros adolescentes aqui. Á tarde, pode fazer o que quiser contanto que não saia do prédio, até porque, se você tentar sair, bem, nossos seguranças não são muito amigáveis. Á noite o toque de recolher é as dez horas. Refeições são servidas as nove da manhã, meio dia e nove da noite. Se você não comparecer as refeições, morra de fome – ele faz um sinal de indiferença com a mão. Depois, me encara sério – Tudo bem para você cumprir esses horários, garota?

– Sim – respondo simplesmente e depois suspiro.

– Ótimo, vou te levar para conhecer o dormitório, onde consequentemente ficará seu quarto. São 11:30 agora Annabeth, espere no seu quarto que 12:00 uma garota irá chegar, ela dividirá o quarto com você. Mandarei avisá-la que ela lhe levara para conhecer o lugar depois do almoço – ele me olha e eu balanço a cabeça uma vez, em sinal de concordância. – Siga-me por favor.

Ele me desamarra da cadeira e sai da sala. Sem nenhuma outro opção, sigo ele porta afora.

Dobramos uma vez para a direita, duas para a esquerda, andamos em uma linha reta, dobramos a direita de novo e chegamos no dormitório.

O lugar tinha uma pintura cinza amarronzada e várias portas. Eu pensava que íamos ficar em celas, tipo a cadeia mas eram mesmo um dormitório com quartos. Ele parou em uma porta totalmente preta (as outras eram meio laranjas) e abriu.

– Porque a porta desse quarto é preta se o resto é laranja? – pergunto, não conseguindo conter minha curiosidade.

– Bem, digamos que a sua “colega de quarto” é a mais revoltada daqui. Ou vocês vão se dar bem, ou vão tentar se matar – ele faz aspas em colega de quarto com os dedos.

Mas em todo caso, eu prefiro a opção de que eu e ela, seja lá quem for, vamos nos dar bem.

O quarto tinha uma três paredes brancas e uma pintada de preto pela metade, e tinha uma lata de tinta preta no chão, junto com pinceis.

Ótimo, minha “colega de quarto” está pintando as paredes de preto. O quarto tinha duas camas, uma delas estava abarrotada de roupas.

Calça jeans, calças rasgadas, shorts, blusas pretas e até mesmo calcinhas e sutiãs estavam por cima da cama. A outra cama estava com um lençol cinza bem arrumado cobrindo-a.

Perto da cama bagunçada, estava uma porta branca. Fui até ela, ignorando Ares que continuava parado na porta e abri a porta branca. Era um banheiro, bem simples. Tinha um chuveiro elétrico, pia, vaso sanitário e espelho.

– Eu já vou indo. São 11:45 Annabeth, daqui a pouco sua colega chega e te leva para almoçar. Ela já sabe que vai dividir o quarto com você ok? – confirmo com a cabeça e ele sai porta afora. Olho pelo quarto de novo e suspiro. Deito na cama que não tem nada, já que supus que a cama com as roupas é da garota que logo deve chegar aí.

Depois de uns minutos, ouço um toque. Bem aqueles toques de escolha mesmo.

Logo conversas tomam o silêncio que eu estava apreciando deitada. Isso significa que logo a garota ira chegar aqui. Sento-me na cama e arrumo minha postura. Solto meus cachos loiros que estavam presos em um rabo-de-cavalo e eles caem por minhas costas, chegando a cintura.

As conversas param de repente, seguida por passos.

Bem, digamos que sua “colega de quarto” seja a mais revoltada daqui. As palavras de Ares voltam a minha cabeça e logo entendo que eles se calaram porque a garota deve ter chegado.

Se ela é a mais revoltada daqui, todos devem respeitá-la ou temê-la. A porta se abre com um estrondo, e todos que estão do lado de fora ficam observando a garota entrar no quarto e depois olham surpresos para mim.

Desvio a minha atenção das pessoas que nos observam para a garota que acabou de entrar. Ela usa uma calça jeans preta justa, com correntes pendurada nos bolsos e rasgada em algumas partes da coxa. Usa uma blusa verde escura, com desenho de rosas negras com espinhos. Usa tênis All Star preto com spikes.

Ela tem cabelos pretos curtos e repicados, que batem pouco acima dos seus ombros. Ela tem uma mecha azul do lado direito do cabelo. Usa delineador preto, o que destaca bem seus olhos azuis elétricos, ela usa também um batom preto que aparece bem devido ao seu tom de pele branca.

Acho que se ela estivesse sem essa maquiagem preta e usasse um vestido, eu poderia confundi-la com a Branca de Neve, pois ela é bem branquinha e tem cabelos pretos e curtos. Ela me olha confusa e parece irritada.

– O que diabos você esta fazendo aqui? – pergunta ela, sua voz sai levemente irritada, Ares não tinha avisado ela?

– Sou nova aqui e Ares disse que era para mim esperar aqui e...

– Olha, não me interessa – diz ela me cortando – Mas eu não quero ter uma colega de quarto mimada que no mínimo matou uma mosca, se entregou pra policia para chamar atenção da mamãezinha – diz ela com uma voz debochada. Respiro fundo tentando me acalmar, não sou mimada e quem ela pensa que é para falar assim da minha mãe?

– Olha aqui, abaixe seu tom de voz para falar comigo porque não sou surda – reclamo, ela está quase gritando – Segundo, não eu não sou mimada e não matei uma mosca mas sim diversas pessoas, pois sou uma assassina de aluguel, Annabeth Chase – ela agora tem uma cara de surpresa, o que me faz ficar satisfeita, ela já deve ter ouvido falar de mim. Como Ares mesmo disse, sou uma das assassinas mais procuradas do estado – E minha mãe morreu quando eu tinha cinco anos, meu pai morreu quando eu tinha quatorze.

– Não me interessa se você é a assassina mais procurada da cidade, do estado, do país, do planeta Terra, de Júpiter, só não quero dividir o quarto com você, porque você deve ser baixa o suficiente para matar pessoas quando elas não estão olhando, por isso você é assassina de aluguel. Aposto que se entrasse numa briga, nos primeiros cinco minutos sairia chorando gritando pela mamãe, ah é, você não tem mãe por quem gritar ou te socorrer – debocha ela.

Ai foi demais, me chamar de assassina fajuta e jogar na minha cara que não tenho mãe? Sinto minhas bochechas queimando, ficando vermelhas, mas não de vergonha e sim de raiva.

Pelo canto do olho olha a porta, já que a garota está em frente a cama dela e agora posso ver a porta melhor.

A porta preta está aberta e todos ali encaram a cena chocados. Na verdade, me encaram chocados. Reconheço alguns olhares de admiração, outros de medo, e a maioria parece dizer: “Ela é louca por estar entrando em briga com a morena”.

Não posso baixar a cabeça, se eu encará-la é sinal de desafio, se eu baixar a cabeça é sinal de submissão. Continuo encarando ela, e ela me encarando. Não aguento mais, seu olhar debochado em mim faz meu sangue ferver, e suas palavras cruéis ecoam em minha cabeça sem parar.

Aposto que se entrasse numa briga, nos primeiros cinco minutos sairia chorando gritando pela mamãe, ah é, você não tem mãe por quem gritar ou te socorrer.

Então, sinto como se tivesse quatro anos de novo, quando aconteceu minha primeira briga.

Lembro-me de estar andando com livros na mão quando uns garotos derrubaram meus livros, me zoando dizendo o quanto sou Nerd por levar livros para casa em plena Sexta-feira.

Lembro-me que um deles socou meu nariz, mas não forte o suficiente para quebrar nem sagrar, somente forte para que doesse. Que eles me chutavam e eu gritava.

Lembro-me que minha mãe chegou. Atena tinha cabelos castanho claros, quase considerados loiro escuro, ela tinha também olhos cinzas iguais aos meus. Essa palavra dói, pois ela tinha não tem mais, a morte é quando o tem passa a ser tinha.

Lembro-me que ela me tirou de lá e falou com a mãe dos garotos.

Encaro a morena na minha frente e me lembro do Joshua, um amigo do meu pai que em ensinou a lutar, que me acolheu quando meus pais morreram.

Avanço em cima da morena, desferindo-lhe um soco no maxilar. Ela não estava preparada, pois caiu no chão. Sou um sorriso ao mesmo tempo satisfeito e debochado á ela.

Todos do lado de fora encaram a provável briga boquiabertos. A morena se levantou, socando meu estômago, fazendo com que eu me curvasse para frente. Ela aproveitou a deixa para tentar me dar uma rasteira, mas eu agarrei sua perna antes que ela conseguisse me derrubar.

Se eu caísse, ela iria me chutar. Seria pior, cair seria mais ou menos o mesmo que perder a briga.

Puxei sua perna, mas ela também parecia saber que cair era quase o mesmo que perder e consegui se equilibrar, puxando a perna da minha mão. Soquei o queixo dela, e ela acabou chutando minha coxa. Eu não esperava pelo chute, e acabei caindo no chão. A morena avançou, chutando minhas costelas. Cobri as costelas com as mãos e calculei que ela tentaria chutar meu rosto, o que seria uma oportunidade perfeita para agarrar sua perna.

Dito e feito, ela tentou chutar meu rosto e segurei sua perna, depois puxei. Ela caiu e eu mais que rapidamente me levantei, ignorando a dor em minhas costelas. Acho que uma de minhas costelas que ela chutou esta fraturada, mas a adrenalina é tanta que consigo concentrar-me na luta e esquecer momentaneamente a dor.

Chuto ela nas coxas, já que ela usa os braços para proteger as costelas e o rosto.

Chuto seu estomago com força e ela não consegue segurar um gemido de dor. Cometo um erro chutando suas costelas, como ela fez comigo, pois ela segura minha perna e se levanta usando-me de apoio. Ela soca meu nariz e sinto o liquido vermelho escorrer. Sangue.

Cotovelo com força seu queixo, pois me lembro de Joshua dizendo que por eu ser pequena, eu consigo concentrar mais força nos cotovelos e joelho. Acerto a cotovelada e ela recua, cambaleante. Me afasto também, estou arfando e cansada. A adrenalina já está passando, o que significa uma dor quase insuportável nas costelas que ela chutou.

Ela me olha, o soco que eu dei em seu queixo cortou seu lábio, e agora sangue escorre onde tem uma rachadura, seus cabelos pretos estão bagunçados e parece até que vai sair algum bicho dali. Ela esta arfante, com a respiração fala, cambaleante e parece exausta. Sei que não estou nem um pouco melhor, pelo contrário, talvez por meu cabelo ser mais comprido ele esteja mais embaraçado e que meu nariz sangre mais que o lábio dela.

Por fim, depois de minutos nos encarando, quando nossa respiração está quase normal ela sorri. Somente um sorriso, sem ser debochado nem vitorioso. Ela estende a mão.

– Prazer, sou Thalia Grace. Pode me chamar de Lia, poucos tem esse privilégio. Só me chama assim quem prova seu valor. Até que você briga bem, Annabeth – diz ela, um sorriso cansado. Aperto a mão estendida dela.

– E você até que não é nada mal – respondo sorrindo também. Ela ri, uma risada contagiosa que me faz rir também. Quase todos do lado de fora contem um sorrisinho de lado, alguns parecem decepcionados por causa do fim da briga.

– Talvez possamos ser amigas, Annabeth – diz ela sorrindo.

– Só Annie – respondo sorrindo também.

– Talvez possamos ser amigas, Annie – corrige ela. Ela caminha até a porta e a fecha. Sorrio, pelo menos posso ter uma amiga nesse inferno que chamam de reformatório.

Notas finais
Obrigada por lerem, e obrigada a todos que comentaram capítulo passado! Beijinhos, até o próximo