Notas iniciais
Mais um capítulo fresquinho u.u Música: Avril Lavigne Boa leitura

Percy POV

Depois que o Sr. D saiu do estabelecimento, policiais me arrastaram para fora dali. Ainda não consigo sentir minhas pernas, o que me preocupa bastante.

Queria que tivesse outro jeito. Essa frase me atormenta, desde que Maggie a falou. Ela parece querer me lembrar de algo, e, se for do passado, tenho certeza de que não quero me lembrar.

Eles me jogam em uma van preta e fazem menção de injetar uma seringa em mim. Recuo, afastando o braço deles.

– O que é isso? – pergunto, minha voz sai desconfiada, embora eu já imagine que seja algo para me dopar.

– Anestesia – responde Maggie, entrando na van que me colocaram – Vai amenizar a dor do tiro nas costas e logo você irá recuperar o sentido dar pernas. Sugiro que você durma um pouco, Perseu. Estamos um pouco longe do reformatório – diz ela simplesmente. Quando ela termina de dizer isso, sinto meu corpo pesado pelo cansaço. Ela se vira, seus cabelos castanhos claros ondulando enquanto ela se mexe.

Fecho meus olhos e durmo.

­Estou em uma sala de estar, tenho a sensação de reconhecer essa sala. Três das paredes são brancas e a parede que contém uma TV é vermelha. Um sofá vermelho está encostado em uma das paredes brancas, provocando um belo contraste.

– HAHAHAHAHA, NÃO ME PEGA! – um garotinho aparece gritando na sala, não deve ter mais de doze anos. Ele tem olhos verdes e cabelos pretos, demoro uns segundos para perceber que o garotinho sou eu mais novo. Não me lembro disso.

Então vejo ela. Sally aparece correndo atrás do pequeno Percy. Ela estava com os cabelos pretos (iguais aos meus) compridos, iam até um palmo abaixo da cintura, e eles se encontravam amarrados em um rabo-de-cavalo bem feito. Seus olhos castanhos destacavam-se em sua pele bronzeada. Seus olhos castanhos continham um brilho diferente, um brilho materno.

Sally corre mais rápido, alcançando o pequeno garotinho que está quase se matando de rir.

Sally cai, levando-me consigo, caio por cima dela, morrendo de rir. Não sei como, mas tenho certeza que isso foi pouco antes que minha mãe me vendesse.

A porta é aberta com um estrondo, Sally se levanta rapidamente e arruma os cabelos bagunçados. Põe as mãos na cintura com uma pose severa. E aí esta a Sally que eu me lembro

– Perseu, quantas vezes já lhe disse para não fazer tanto barulho? – pergunta ela, a voz irritada. Ela esta de costas para a porta, e de frente para mim. Mesmo com a voz irritada, Sally me dirige um sorriso maroto e lança-me uma picadela.

Paul entra pela porta, parece muito irritado. Não fala nada conosco e só pelo jeito que ele entrou percebo que ele deve estar com problemas na escola onde trabalha. Ele sobe as escadas da nossa antiga casa e ouço a porta do quarto dele batendo. Sally me olha sorrindo.

– Bom trabalho, meu pequeno – meu pequeno, há quanto tempo eu pensei que ela não me chamava assim? Tenho quase certeza que isso é uma lembrança, mas eu realmente não lembrava dela antes.

Sally sobe as escadas, e entra no seu quarto. Subo as escadas também e entro em meu quarto.

Durmo instantaneamente na lembrança, acho que estou cansado de tanto correr pela casa.

Meu “eu” pequeno acorda sobressaltado com os barulhos que ouve. Ele se levanta e põe chinelos, andando em direção ao barulho.

Percebo que o barulho vem do quarto de Sally e Paul. Meu “eu” abre bem pouco a porta, só o suficiente para que ele possa ver o que acontece dentro do quarto.

Sally está caída no chão, uma de suas bochechas extremamente vermelha, indicando que ela Haia levado um tapa. O pequeno Percy começou a se desesperar, pensando que alguém tinha invadido a casa, quando ouve a voz de Paul.

– Sally, você está grávida. Ficar correndo pela casa atrás de um garotinho inútil não ajuda em nada – a voz dele está agressiva e percebo que as mãos de Sally começam a tremer. Ela aperta as mãos na barra da blusa, esperando que elas parem de tremer, ou pelo menos que Paul não as notem.

– E o que você quer que eu faça? – revida Sally, sua voz é acida – Percy é meu filho Paul.

– Vamos vende-lo amanhã Sally – a voz de Paul me faz tremer – Não tente me impedir. As coisas estão feias na escola, não vou receber por este mês. Precisamos de dinheiro e esse menino nada mais é do que um incomodo!

– Mas... – a voz de Sally saí fraca, tremida. Como se estivesse controlando o choro.

– MAS NADA! – gritou Paul – Amanhã você vai levá-lo. Se não levar, eu mesmo levo, e vai ser pior.

Depois de ouvir isso,vou para o quarto e me encolho na cama, esperando que tudo isso não passe de um sonho.

...

No dia seguinte Sally entra no quarto e faz com que eu vista uma blusa azul que tem mangas, pois está frio e uma calça jeans, junto com tênis.

Me leva ao carro e beija minha bochecha, percebo que ela está quase chorando.

...

Chegamos aquele lugar. O que me traumatizou.

Antes de entrar lá, Sally me olha nos olhos.

– Te amo, filho. Não esqueça disso nunca – ela me diz, antes de entrar.

– Queria que tivesse outro jeito, meu pequeno.

Acordo com um pulo na van.

Maggie está ao meu lado, mexendo distraidamente no celular, por isso não nota o meu sobressalto. Suspiro e fecho os olhos.

...

Chego no reformatório. Ele é cinza, tem dois andares. Maggie me explica que basicamente os dormitórios são no andar de baixo e as aulas no andar de cima. Ela me avisa que terei dois colegas de quarto, porque os dormitórios masculinos já estão cheios.

Nico Di Ângelo e Luke Castellan são os nomes de quem eu tenho que dividir um quarto.

Suspiro e ando até uma porta meio alaranjada, número 324. Nunca pensei que um reformatório tivesse tantos quartos.

Entro sem bater mesmo. Tem três camas.

A do meio está desocupada. Na da direita tem um garoto loiro, cabelos cor de areia e olhos azuis pacíficos. Ele tem uma cicatriz no lado direito do rosto que começa pouco antes de sua sobrancelha e termina em seu queixo. Na cama da esquerda, tem um garoto pálido, cabelos pretos e olhos igualmente pretos.

– Bem vindo, companheiro – diz o loiro, com falsa animação na voz – Meu nome é Luke Castellan, e aquele emo ali é o Nico Di Ângelo – diz ele apontando para o garoto de preto.

– Eu NÃO sou emo Castellan – rosna o tal Nico.

– E eu sou a Lady Gaga, quer me ver dançando Telephone? – pergunta Luke. Então ele levanta e aperta um botão que tinha no rádio. A música Telephone da Lady Gaga começou a tocar e Luke fazia uma péssima imitação dela.

Eu e Nico estávamos quase morrendo de tanto rir das caras e bocas que Luke fazia.

Luke desligou o rádio e logo começou a rir com a gente.

...

No outro dia tive as mesmas aulas que eles, para me adaptar ao horário. Matemática, álgebra, química e educação física. Tivemos duas aulas de química.

Chegamos no refeitório e ali estava a única pessoa que eu já tinha ouvido falar.

A única pessoa que era mais perigosa que eu.

A única pessoa tão fria quanto eu estava rindo, ao lado de uma morena com uma mecha azul

Annabeth Chase estava ali.

Ela era tipo, a maior, mais requisitada e mais procurada (pela policia) assassina de aluguel que poderia existir. E ela estava bem ali.

Com seu cabelo encaracolado que batia na cintura e olhos cinzas penetrantes e frios, mas que agora possuíam um brilho divertido.

A morena estava andando junto com ela, elas conversavam e vez ou outra riam de alguma coisa. E pela porta, entrou uma das maiores concorrentes da Chase, mas que ainda sim não fazia o trabalho tão bem feito quanto ela.

Rachel Elizabeth Dare entrou pela porta. Seus cabelos ruivos iam até um pouco abaixo dos seus ombros. Tinha um sorriso debochado, e assim seguiu andando até Annabeth, que tinha parado de rir na mesma hora que olhou a ruiva.

Rachel parou em frente a Annabeth.

– Pelo jeito você não é tão eficiente assim Chase, já que está aqui não é? – provocou a Dare. Posso não conhecer a Chase, mas alguns dizem que ela é boa de dar patada e em brigas.

Os olhos cinzas da Chase que antes brilhavam divertidos, agora estavam parecendo uma tempestade nebulosa, que estava longe de passar.

– Digo o mesmo de você, Dare. Ainda mais porque foi presa um ano antes que eu não é? – revidou a loira, direcionando um sorriso cínico a ruiva – O que você esta fazendo no refeitório mesmo, querida? – questiona Annabeth, arqueando as sobrancelhas. Rachel olha para ela confusa, como se não esperasse essa pergunta, na verdade ninguém aparenta ter entendido. Todos olhamos para Chase e para Dare, para tentar entender o que esta acontecendo.

– Vim comer, Chase.

– Ah, desculpe – diz Annabeth, com falsa sinceridade – Pensei que vacas comiam capim, Dare.

O coro de Oooh começou pela morena ao lado de Annabeth, e logo todo refeitório estava junto.

A ruiva saiu correndo dali, com o rosto da mesma cor de seu cabelo, provavelmente de vergonha ou raiva. Ou talvez os dois.

Chase e a morena sentaram-se em uma mesa. Ninguém mais sentou com elas.

As únicas coisas que eu conseguia pensar agora eram:

Em como estavam certos sobre Annabeth saber dar patadas.

E em como eu gostei dessa loira.

Notas finais
Espero que tenham gostado u.u Amo vocês, até o próximo, beijinhos =3