Prison of Love
5 A Thousand Years - Christina Perri
Notas iniciais
Annabeth POV
Estou me acostumando com o reformatório.
Aulas de manhã, fazer o que quiser á tarde, contanto que não envolva: drogas, negociação de qualquer aparelho eletrônico, relações sexuais e brigas.
Depois daquele dia no refeitório, Rachel Elizabeth Dare não chegou mais perto de mim.
Estou tendo minha última aula do dia, que é Educação Física.
O nosso treinador é muito louco, tem um bastão e vez ou outro fica gritando “Morra!” enquanto ergue aquilo. Hoje ele propôs que fizéssemos uma corrida.
– Dividam-se em duplas – ele começa a explicar – Das duplas, os vencedores vão se dividindo em outras duplas e assim por diante. O ganhador ganha pontos extras na minha matéria.
Eu não preciso de pontos extras na matéria dele, mais eu quero ganhar essa competição. Meu espírito competitivo assume o controle, digamos assim.
– Faz dupla comigo Annie? – pergunta Thalia, surgindo sabe-se Deus da onde, me fazendo dar um pulo.
– Tem certeza Lia? Olha eu corro bem rápido e...
– Sim, Annie. Eu sei que você provavelmente vai ganhar essa coisa toda aqui, mas é o seguinte: eu não quero ganhar, não preciso de pontos extras na matéria dele, o treinador Hedge me assusta um pouco, gritando o tempo todo “Morra!”. Sabia que quando ele fez isso acertou a cabeça de um menino semana passada? E até porque Annie, quem perder está liberado da aula. Eu tenho umas coisas a fazer – ela diz, dando risadinhas. Arqueio as sombrancelhas.
– Que coisinhas, Thalia Grace? – ela cora. Meu Deus, cadê a câmera quando precisamos dela? Thalia Grace corando? Não é uma coia que se veja todo dia – Namorando escondida e não me contou Thalia?
– Claro que não Annabeth! Não diga coisas absurdas – reclama ela, cobrindo o rosto com as mãos – Uns amigos meus vão vir me visitar. Vou encontrar com eles e pular a cerca. Volto antes das 18:00 horas – confidencia ela baixinho – Quer vir, loira?
– Não, morena. Pode ir afirmo com um sorriso.
– Você pode me dar cobertura então? Por favorzinho? – com a carinha fofa que ela fez, era quase impossível dizer não.
– Claro que sim Lia! Digo que você esta com TPM, cólica e dor de cabeça. Se eles já temem você naturalmente, com certeza não vão ousar nem respirar perto quarto com medo que você “acorde”, já que você vai dormir né? – pisco para ela, cúmplice.
– Valeu, Annie – sussurra ela e saímos correndo, em dupla. Ela obviamente me deixou ganhar.
Ela deu um sorriso derrotado ao treinador, como se estivesse realmente triste por perder.
– Se esforce mais da próxima vez, Senhorita Grace – censura o professor.
– Não estou me sentindo bem professor. Sabe como é né? TPM, cólica, dor de cabeça...
– Tudo bem – diz Hedge antes que ela continue – Está liberada. Melhoras.
Thalia sai saltitante da quadra, e antes de sair, vira-se para mim. Ela sorri e pisca. Pisco de volta e ela finalmente se vai.
Depois de uns trinta minutos, só sobramos eu e um tal de Perseu Jackson. Acho que já ouvi falar dele, ele traficava drogas, certo?
Paramos lado a lado na linha de partida e ele me olha.
– Annabeth Chase, não se esforce muito – diz ele – Sei que por ser do sexo frágil, talvez você queira mostrar o quanto é forte, mas não precisa fazer isso porq...
– Perseu Jackson, espero que não se importe em comer poeira nem em perder pro “sexo frágil” – corto ele antes que continue. Era só o que me faltava, um idiota dizendo que não sou capaz de correr rápido, é isso?
O treinador apita, brande aquele bastão enquanto grita “Morra! Morra! Morra!”, aquele velho só pode ser louco.
Corro com todas as minhas forças, Jackson está logo atrás de mim, se ele correr um pouco mais rápido ele me alcançará. Acelero, já sentindo minhas pernas dormentes. Arrisco olhas para baixo e noto que minhas pernas estão passando de vermelhas para roxo com o esforço que eu estou fazendo, mas não me importo.
Me sinto livre correndo. Lembro de dias que meu pai me acordava cedo no Domingo, e eu reclamava, porém levantava. Nós corríamos pelo Central Park, ele sempre me deixava ganhar quando apostávamos. Disto eu tenho certeza. Quando corro, é como se parte de mim se libertasse. Uma parte que eu faço questão de esconder, aquela garotinha pequena e assustada, que acreditava que um dia seu príncipe chegaria cavalgando um cavalo branco. A menininha que brincava de bonecas, uma menininha ingênua, uma menininha louca e cheia de esperanças, mas principalmente, uma menininha feliz.
Eu sei que ela está em mim. Em algum lugar, ela esta aqui. Pedindo para ser solta, para acreditar em histórias de terror e correr para cama de seu pai quando não consegue dormir. Ela quer ouvir alguém lhe chamando de “minha princesinha” do mesmo jeito terno e reconfortante que seus pais lhe chamavam. Ela quer chorar até dormir, pois não se lembra direito o rosto de sua mãe, suas memórias estão ficando embaçadas. Uma menina que foi perdida, quando foi jogada ao mundo, tendo que aprender a se defender em brigas sem sua mãe para lhe ajudar. Que teve que aprender as maldades das pessoas na própria pele. Que desacreditou de tudo que lhe contavam de um mundo bonito, com tudo as mil maravilhas. Mas a garotinha que acredita em tudo isso ainda está e mim. Eu sinto que está. Ela só não sabe como sair, porque o mais forte predomina. A personalidade mais forte, no caso, é aquela que aprendeu a se defender e viu o seu conto de fadas se desmoronar, que vivenciou cenas que lhe traumatizaram profundamente. E então, a garotinha fica lá no cantinho da minha cabeça, quieta, esperando um momento para se soltar.
E esse é o momento perfeito, enquanto estou correndo. Ela se liberta, e permito-me acreditar que tudo isso é um sonho. Que daqui a alguns minutos meu pai vai chegar no meu quarto, com uma bandeja com ovos, bacon e suco de laranja, murmurando um “bom dia, minha princesinha” e que eu vou reclamar que não tenho mais idade para ser chamada de princesinha e nós vamos rir. E eu vou tomar banho, para irmos ao cinema como pai e filha. Depois nos vamos correr no Central Park, comentando sobre algo que lemos no jornal, assistimos na TV, o que eu aprendi na aula ou até mesmo sobre o filme que acabamos de ler.
Sou tirada de meus pensamentos quando ouço um apito.
Piiiiin
O treinador Hedge esta parado na minha frente e tem um sorriso.
Nesse momento aquela menininha feliz e iludida com falsas esperanças se vai, voltando para seu cantinho no fundo da minha mente. A personalidade forte volta a me controlar.
– Parabéns querida – cumprimenta-me o treinador – Você ganhou!
Sorrio e olho para o Jakcson. Ele tem um sorrisinho de lado.
Lembro-me de tudo que aquela menininha inocente me trouxe de volta. Lembranças. Droga de lembranças.
Agradeço ao treinador e saio da quadra. Não sinto fome, muito menos vontade de comer.
Em vez de ir para o refeitório, vou explorar um pouco as salas que ainda não conheço.
Abro uma porta e vejo uma sala de música. Tem instrumentos de todos os tipos ali.
Piano, violão, teclado, baixo, guitarra, microfones...
Caminha lentamente pela sala, passando a mão pelos instrumentos presentes ali. Paro no piano e suspiro, sentando-me e começando a dedilhar umas notas. Começo a tocar, lembrando-me de quando aprendi a tocar, com dez anos.
Heart beats fast
Colors and promises
How to be brave
How can I love when I'm afraid to fall
But watching you stand alone
All of my doubt suddenly goes away somehow
One step closer
I have died every day waiting for you
Darling don't be afraid
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more
A primeira música que aprendi a tocar foi essa. A Thousand Years.
Então, antes que eu continue a cantar, uma voz masculina continua a música por mim.
Time stands still
Beauty in all she is
I will be brave
I will not let anything take away
What's standing in front of me
Every breath
Every hour has come to this
Me viro e dou de cara com ele. Perseu Jackson está entrando na sala, cantando comigo. De onde diabos ele sabe essa música? Então, recomeço a cantar com ele.
One step closer
I have died every day waiting for you
Darling don't be afraid
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more
And all along I believed I would find you
Time has brought your heart to me
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more
Continuo tocando e acabo a música. Ele vem caminhando devagar, e senta ao meu lado. Ficamos nos encarando não sei por quanto tempo. Podem-se ter passados horas, minutos ou segundos que eu não me importo. Só me importo com a imensidão verde que são seus olhos, que estão na minha frente agora.
Ele vem se aproximando, e, instintivamente eu me aproximo também. Já consigo sentir a respiração pesada dele no meu rosto. A respiração dele esta falha, a minha não deve estar muito melhor.
Estamos a centímetros de distância, e, quando ele faz menção de se aproximar mais, ouvimos um barulho.
Eu dou um pulo, levantando-me e quando me viro encontro Rachel entrando ali. Ela tem um sorriso debochado e irônico.
Perseu se levanta e vai embora, parece envergonhado. Mas é claro, quem em são consciência iria querer me beijar?
Estou quase saindo também, quando o pesadelo ruivo vulgo Rachel segura meu braço.
– Fique longe dele, entendeu? – pergunta ela, calmamente, acho que era para soar como uma ameaça, mas ela não é ameaçadora – Ele vai ser meu, Chase. Não chegue perto dele, sua cadela.
Sorrio cinicamente.
– Primeiro, foi ele quem se aproximou – respondo, ácida – Segundo, para reconhecer uma cadela só sendo outra né? Até porque eu pelo menos sou de raça, e não vira lata que nem você. Passe bem.
Seguro a risada ao ver a expressão dela depois que eu disse isso. Saio dali e vou direto para o meu quarto.
Thalia ainda não tinha chegado, então fui tomar banho.
Depois de um banho bem quente, deitei-me na cama e a única coisa que rodava meus pensamentos antes que eu dormisse era:
O que diabos aconteceu na sala de música?
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