Prison of Love
31 O que está acontecendo comigo?
Notas iniciais
POV Thalia
Ando distraidamente, virando um corredor e outro, sem destino definido.
Esbarro em alguém e caio sentada, xingando eternamente a pessoa.
Ainda xingando, agacho-me e pego minhas ‘coisas’ que consistem em um batom vermelho (não me julguem, eu estava somente levando-o para Liz) e uns papéis aleatórios.
Depois de arrumar os papéis (em branco) que eu usaria para fazer qualquer besteira que me distraia olho para a santa criatura que me fez cair.
Deparo-me com um cara desconhecido por mim. Ele parece ser mais novo que eu, um ano mais novo talvez. Tem cabelos castanhos e olhos na mesma cor e umas orelhas estranhamente pontudas que o deixam muito fofo.
Ele está um pouquinho corado, envergonhado. Rio baixinho e ele me olha constrangido.
– Thalia Grace – apresento-me, estendendo a mão – Mas acho que você já sabe – finalizo, brincando e pisco.
– Thalia Grace? Claro que conheço – ele abre um mínimo sorriso – Depois de Annabeth Chase você é a “garota sucesso” dessa joça.
– E você seria? – pergunto.
Ele leva as mãos ao peito, fazendo-se de ofendido.
– Você nunca ouviu falar de mim? – brinca ele. Nego com a cabeça, rindo – Leo Valdez.
Ele aperta minha mão estendida, puxando-me e roubando um selinho.
Ofego, fazendo-me de indignada.
– E se eu tiver namorado? – pergunto, rindo.
– Ai ferra tudo – responde ele, piscando.
Ele recomeça a andar para o lado oposto de onde estou indo, cantarolando baixinho alguma música que eu não identifico.
Sorrio, lembrando-me dos amigos do meu irmão.
– Espera! – peço e ele gira sob os calcanhares, voltando á me encarar – Você é amigo do Jason?
– Sim – diz ele, pensativo – PUTA MERDA!! Eu tinha esquecido que você é irmã dele, cara – diz ele, olhando-me.
– Pode me levar até ele?
– Claro – responde ele, oferecendo-me o braço.
Passo meu braço pelo dele e assim vamos indo.
Percebo que, mesmo sendo mais novo que eu, ele ainda é mais alto.
Conheça as desvantagens de ser baixinha.
Andamos em silêncio, virando em alguns corredores que eu nunca tinha andado.
– Então – começa Leo – Você tem realmente namorado?
– Não – respondo rindo, mas penso em Luke. Ele não é meu namorado, longe disso.
Na verdade, ainda acho que ele é apaixonado na Liz. Mas eu estou de boa com isso, nunca deixei de shippar Lizke e ainda quero ser madrinha da Louise e do Luis.
Sim, esses serão os nomes dos filhos deles que eu escolhi por que são fofos.
Mas a Liz não quer. Chata, estragando meus sonhos.
Suspiro e continuamos andando em silêncio.
Leo para em frente á uma porta.
Bate três vezes rápido, duas devagar e mais uma que é mais forte que as demais.
– Tá aberta Leo! – grita uma voz feminina de lá de dentro.
Leo escancara a porta, empurrando-me.
E com a delicadeza de uma jaca madura eu caio de cara no chão.
Levanto a cabeça e percebo todos me olhando.
O primeiro a ter reação é meu irmão ao me reconhecer.
– Lia! – exclama ele, levantando-se.
Não querido, o Papa.
Levanto-me apoiada nele, sentindo meu nariz doer.
– Caramba Leo – reclamo.
– Desculpa aí Thalia – responde ele, entrando e sentando.
Bufo enquanto Jason puxa-me para uma cadeira.
Olho para ele. Ele também é mais alto que eu.
Porra, todo mundo é mais alto que eu?
Claro, eu tenho míseros 1,55 de altura.
–Tudo bem pessoal – diz Jason – Essa é minha irmã mais velha, Thalia.
– Oi Thalia – dizem eles em coro.
– Thalia, esses são Leo – aponta para o elfinho – Que você já conhece – acrescenta ele.
– Oi Leo – digo mesmo assim, brincando.
– Olá perfeição – responde ele, piscando.
– Essa é Hazel – prossegue meu irmão, fuzilando Leo enquanto eu seguro a risada.
Ele aponta para uma garota incrivelmente parecida com Liz. Mas diferente também.
Ambas tem a pele morena e os cabelos castanhos escuros. Porém a menina tem os cabelos cacheados.
O mais incrível é que os olhos delas também serem um castanho-dourado, igual da nossa amada amiga. Mas os da Liz ainda são mais... Impactantes, digamos assim.
– Oi Hazel – cumprimento.
– Oi – responde ela, com um sorriso tímido – Ah, não ligue para o Leo, ele sempre tenta cantar todas as meninas que conhece – aconselha ela e eu rio.
– Esse é o Frank – conclui Jason, apontando para um cara grandão com bastantes músculos, mas com a cara de um panda fofinho.
Ai, deu vontade de morder o menino agora.
– Oi Frank – digo.
– Oi – responde ele simplesmente.
– Posso apertar suas bochechas? – não sei como, mas as palavras pareceram saltar da minha boca sem que eu pensasse demais á respeito.
Ele me olha meio confuso.
Quem me responde é Hazel.
– Pode.
Sendo assim, levanto e aperto com força as bochechas dele.
– Ai! – reclama ele e eu me dou por satisfeita, voltando ao meu lugar sorrindo.
– Agora – diz Jason, virando-se para mim – Por que diabos você está aqui mesmo?
– Isso quer dizer que você não me quer? – pergunto – Ótimo, já estou indo mesmo seu ingrato – reclamo, levantando.
Jason ri.
– Thalia – chama ele, puxando meu braço – Não é isso, só quero saber.
– Só vim te dar um oi – respondo.
– Ah. Oi então mana – diz ele.
– Oi – respondo, beijando a bochecha dele- Tchau.
– Já vai? – indaga ele.
– Você mesmo me expulsou – retruco.
– Não! Fica – responde ele.
– Preciso ir – respondo – Beijos, tchau – digo, referindo-me ao ‘grupinho’.
– Tchau – respondem.
– Beijo gata! – preciso dizer que foi o Leo?
Reviro os olhos, mas mando um beijinho no ar para ele, rindo.
Ele finge desmaiar, arrancando risadas coletivas.
Beijo mais uma vez a bochecha do meu irmão (tendo que ficar nas pontas dos pés para tal feito, sinto-me na obrigação de acrescentar).
Saio da sala, fechando a porta atrás de mim.
Recordo-me o caminho que fui conduzida por Leo e começo a voltar.
Olho para o batom. Lembro que tenho que entregá-lo á Liz, mas não estou com a menos vontade.
Vou até o quarto dela e passo o batom por baixo da sua porta, voltando pelo corredor ao meu quarto.
No caminho tombo com outra pessoa.
Caramba, realmente não é meu dia de sorte.
Ao olhar para cima a primeira coisa que encontro são olhos incrivelmente pretos.
Tropeço e Nico passa os braços por mim, impedindo que eu caia e eu apoio as mãos no seu peitoral.
E que peitoral hein? Putz.
Ele se aproxima perigosamente, encostando seu nariz no meu.
Sinto sua respiração acelerada no meu rosto e suspiro, consciente que ele sente a minha respiração também.
Sinto as batidas descompassadas de seu coração na minha mão, ainda apoiada contra ele.
Não que eu esteja reclamando. Longe disse, estou amando aqui, pelo amor.
Seremos sinceras, quem não amaria estar nos braços de Nico Di Ângelo?
E por um momento penso que ele vai me beijar. Torço para que ele me beije.
– Olhe por onde anda, Grace – sussurra ele, soltando-me em seguida.
Quase resmungo, mas recomponho-me antes e pego meus papéis.
– Olhe você, Di Ângelo – reclamo.
Saio apressada, entrando no meu quarto e batendo a porta.
Então, como naqueles filmes toscos de romance, encosto na porta e deixo-me cair dramaticamente.
O que está acontecendo comigo?
Pois é, eu não sei.
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