Prison Magic
23 Capítulo 23
Autora: Toynako
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Prison Magic
Capitulo 22 (ou 23, se for no Nyah!)
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Guille andava pela festa, rindo baixinho daqueles elfos bêbados a se agarrarem quase sem pudores pelos lugares. Não podia conter seus risos, aquilo tudo era culpa sua afinal. Havia chegado cedo só para colocar ‘algumas coisas’ que possuía de caçadores no vinho e bebida que seriam distribuídos.
Aquilo com certeza iria deixar todos mais alegres, não tanto, mas o satisfatório para ter distração suficiente para seu plano. Estava à procura de alguém específico ali, seu pai, era claro. Queria primeiramente só conversar com esse, algo dentro de si pedia isso.
Podia sentir a presença de vampiros a grandes distâncias, era um dos dons de sua raça. Uma das pouquíssimas coisas que gostava em seu sangue misturado. Lambeu os lábios, seguindo a presença deste, vendo-o se alimentando, de certa forma até discretamente de um elfo qualquer ali.
Sentiu náuseas, tudo o que mais odiava era aquele ser, tudo o que mais tinha nojo era aquele cheiro de sangue que infelizmente captava a distância, maldito traço vampírico em suas veias.
Andou em direção a aqueles dois, esbarrando de propósito, fazendo o elfo cair desmaiado, se tivesse chegado mais tarde este estaria morto por falta de sangue. Não que se importasse. Nem o conhecia. Não era hora nem lugar para ter sentimentalismos.
Shisue colocou rapidamente a máscara branca de volta ao seu rosto, olhando feio, oculto por esta, para aquele que havia estragado sua janta. Acabou por começar a rir daquele pavão tão extravagante.
Impossível que aquele garoto fosse tão excêntrico, usando aquela roupa tão estupidamente colorida. Por um breve momento, bem ínfimo mesmo, teve pena de sua cria, Vitor era realmente um infortunado.
Não que desse importância, é claro, mas agora, vendo pela primeira vez aquele rato que deixara escapar naquela noite chuvosa, fazia-o querer provocar mais ainda este. Aquela coisa definitivamente não se parecia consigo.
Mas não tinha como negar que aquilo era seu filho, ele tinha aquele maldito olhar decidido que brilhava em liberdade daquela fêmea humana. E como era seu sangue misturado nas veias daquele garoto, sabia o quão sádico ele poderia ser.
Contudo, nada mais divertido do que quebrar aquele garoto em pedaços. Bem, com certeza teria, mas já teria isso em questões de horas, quando aquela festa fosse acabar, já estava tramando uma diversão extra, um final bem divertido para aquela vila e para aquelas elfas.
Afinal, nunca tinha conseguido entrar naquela maldita vila, mas, graças a um idiota príncipe que havia retirado os selos que protegiam esse lugar, podia entrar agora com facilidade. Eles não estariam esperando sua presença em tão pouco tempo.
“— Não olhas por onde andas criatura?” – Indagou de modo cínico, com extremo deboche.
“— Olho sim, só que o que vi, era tão insignificante que não dei a mínima importância.” – Sorriu de modo vitorioso. “— Era só um palhaço afinal.”
“— Prefiro ser chamado de pierrô, mas deixe, com teu nível, duvido que saibas o que é isso.” – Debochou mais, vendo o sorriso do outro sumir.
“— Meu nível!?” – Gritou, chamando a atenção de alguns elfos bêbados para si.
“— Este nível mesmo.” – Sorriu cínico, mais do que já naturalmente era, entretanto sua máscara não deixava transparecer isto. “— Acho que garotas de um prostíbulo devem ter mais modos que essa ‘coisa’ que és.” – Riu do filho, adorando o barraco que este estava fazendo.
“— Cala tua boca seu palhaço!” – Gritou mais, não conseguindo conter sua raiva daquele monstro.
“— Que maus modos...” – Negou com a cabeça, falando calmo, entretanto provocativo. “— Teus pais não te deram educação não garoto?” – Riu baixo.
“— Minha mãe me deu... Mas meus maus modos são por culpa de meu pai...” – Estreitou o olhar, de modo perigoso, não entendendo porque não avançava no pescoço do outro e o sufocava.
“— Do seu pai?” – Conteve o riso, queria se fazer de desentendido. “— Normalmente, quem tem que educar são as mães. Esta deve ter sido uma meretriz, para ter deixado o filho tão imundo assim.”
O loirinho recuou um passo, tudo o que mais tinha medo era ser chamado de imundo, e pior, por um ser que era mais sujo e encardido que a si mesmo. Tremeu levemente, sentindo-se fraco de uma hora para outra.
Era aquela aura, a aura imponente que aquele Puro Sangue carregava consigo, o sarcasmo cravado em cada fala que dava, junto com o deboche. Parecia que esse sabia que era filho dele e que só o estava provocando.
Impossível...
“— Acho que nem vergonha sua mãe deva ter... Deve ter se matado de nojo de ter gerado algo tão medíocre e de baixo nível quanto tu, pavão.”
“— Seu...” – Fechou sua mão tão forte, que feriu-se com suas unhas. Já estava a segurar suas lágrimas.
“— Não adianta tentar falar nada, ser insignificante...” – Deu as costas, saindo de perto do menor.
Guille ficou a observá-lo ir atrás de um elfo que passara por ali. Sabia que era mais forte que este, que tinha o poder. Mas porque tremia diante do pai, sem poder realizar seu plano? O que o impedia?
Uma vez lhe disseram que para uma criança os pais eram como seus protetores, alguém cujo nunca quer se afastar. Mas o seu caso era tão diferente. Era realmente ilógico.
O odiava.
Odiava aquele Puro Sangue mais que tudo nessa vida, então qual seria o motivo, qual seria o infernal motivo para se sentir tão fraco, tão simplesmente... Inútil? Poderia o matar, claro.
Um avanço rápido, certeiro, imobilizá-lo com seu poder de caçador e simplesmente arrancar da caixa torácica do outro o coração. Então, porque não fazia isso? Era ele, seu pai, que estava ali, tão vulnerável, mas de certa forma tão imponente.
Uma presença ameaçadora, da mesma forma daquela noite, da vez que o viu estuprando e estripando sua mãe e seu irmão, um ser tão imundo como aquele merecia a pior das mortes.
Merecia ter tudo que mais tinha zelo retirado de si, da forma mais cruel que poderia se imaginar, no entanto, só de olhar para aqueles olhos negros, aquele cabelo da mesma cor, chegava a recuar um passo.
Não conseguiu evitar, fraquejou, olhando para suas mãos, vendo claramente o símbolo de que era um caçador. O símbolo de que era uma mistura profana entre um humano e um vampiro, a marca de que não era nem um nem outro.
Era só um caçador, um como tantos os outros que conhecera. Entretanto nunca pensou que iria fraquejar ao se ver diante de seu maior objetivo.
Chorou, olhando para suas mãos.
Chorou, não conseguindo acalmar a dor em seu coração.
Chorou em pé, ali, somente um pouco mais afastado do amontoado daquela festa na vila. Tirando a máscara, jogando-a no chão e deixando suas lágrimas rolarem livres. Queria por demais matar aquele monstro.
De repente sentiu-se ser abraçado por trás, e alguém tampar seus olhos, privando-o de ver aquele símbolo em suas palmas, tampando sua visão para qualquer um ali.
“— Loiro, por que estais chorando?” – Indagou Vitor, aparecendo atrás dele.
“— Vitor...”
Sua voz saiu chorosa, em uma completa desilusão. Ele era como um pavão na verdade. Essa ave era linda, formosa, todavia envergonhava-se por seus pés serem feios. Talvez por isso aquela fantasia lhe caia tão bem.
Podia ser lindo por fora, mas tinha vergonha de si mesmo por dentro. Era um inútil, agora percebia claramente isto. Mas nunca pensou que quem viria para lhe ajudar fosse aquele morcego louro.
Corvos são geralmente vistos como causadores de maus presságios, no entanto aquele corvo estava ali para impedir-lo que chorasse mais. Que demonstrasse sua fraqueza.
“— Vamos embora daqui, precisa se recompor...” – Afastou-se, virando-o para si. “— Agora, ou você fará uma besteira.” – Falou-lhe sério, notando nas mãos aquela marca totalmente visível, até chocado pelo estado que o mais velho se encontrava.
Puxou-o dali pelo pulso, não era louco de tocar naquelas mãos e correr o risco de morrer por descuido. Entretanto sabia que tinha que fazer algo para fazer a sanidade daquele caçador voltar o mais rápido o possível. Não era hora para ficar fazendo drama por pouca coisa.
Talvez, corvos e pavões combinassem, no fim das contas.
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Shisue continuou seu caminho, o elfo que avistara logo que falou com o pavão já estava morto e os restos mortais muito bem escondidos. Havia-o carbonizado todo. Mas não fora tão divertido assim vê-lo se contorcendo enquanto queimava.
Elfas eram mais divertidas quando morriam, essas sim, gritavam e esperneavam de dor.
Deu de ombros sobre aquele elfo, era apenas um das centenas que existiam ali. E ainda mais, estava satisfeito pela conversa que tivera a pouco com aquele pavão. Acabou por rir, imaginando este chorando por tudo que havia dito.
“ Bastardo inútil, nem para me confrontar serve... ” – Pensou rindo mais.
Sabia que sua cria iria ajudá-lo, era bem típico daquele louro. Por mais que tentasse negar ainda tinha alguns traços humanos. Talvez precisasse de outra decepção amorosa como a que teve com a falecida senhora Áster, para fazê-lo notar novamente quanto o mundo era distorcido.
Não ligava, já estava no seu plano que aquilo aconteceria, se não estivesse enganado, um corvo devia estar comendo um certo pavão a essa hora. Não é a toa que corvos são necrófagos, só sendo isso para comer algo tão podre quanto aquele garoto.
Vagava por ali, olhando no que aquela festa tinha se tornado, aquilo mais parecia uma celebração ao coito. Elfos poderiam ser bem liberais às vezes. Mas sabia ser obra do caçador aquilo.
Pelo menos uma idéia útil vinda deste.
Seu rumo já estava traçado há tempos, andava em direção onde sabia que sua cria estava, a sua bela cria de cabelos longos e prateados, com incríveis e mais belos ainda olhos verdes.
Estava ansioso para saber o que este estaria vestindo. Recordava que há poucos tempos um clone seu havia provado o gosto daquela criança. Sentiu inveja de si mesmo, por naquele momento, ter tido assuntos que o faziam ter que ficar em seu castelo.
Era paciente até demais com aquele belo de olhos verdes. Já havia ficado anos sem se alimentar, só aguardando ansioso pela fruta ficar madura, quando este era só uma criancinha.
Não tinha mais ninguém com um gosto tão doce no sangue, com gemidos tão lânguidos e agoniados. Entretanto seu olhar negro, tal qual a noite que o rodeava, acabou recaindo-se sobre duas pessoas. Mais precisamente seu servo mais novo e o príncipe de Radiance.
Lamberia os lábios, se a máscara não atrapalhasse um pouco isso. Tinha alguém com um sangue doce ainda. Poderia sim, fazer um desvio, se divertir nunca é demais, ainda mais que raramente saía de sua morada. Não gostava muito do clima dos outros lugares, preferia a frieza de Even. Sorriu por detrás da máscara, mudando momentaneamente seu rumo.
Aos poucos saiu daquela parte movimentada, daquela música alta que os elfos no palco tocavam, indo para a parte mais calma, mais arborizada com vários bancos de madeira por lá.
Seus olhos focaram-se em seu servo, aquele coelho a conversar animadamente com o humano, rindo ambos várias vezes do assunto que estavam tendo. Aproximou-se a passos lentos do banco no qual estes estavam.
“— Boa noite, poderiam alegrar este triste pierrô?” – Indagou-lhes com a voz triste, entretanto por detrás da máscara seu sorriso era assustador.
“— Mestre!” – Alegrou-se mais ainda, levantando-se em um pulo, percorrendo o espaço que os separava rapidamente e o abraçando pelo pescoço. “— Te amo! Te amo! Te amo!”
“— Que...?” – Estranhou, ficando até sem ações pelo que este tinha feito.
Logo afastou seu servo de si, franzindo o cenho ao perceber que este devia ter bebido algo naquela festa. Estava claro pelo sorrisinho bobo no rosto deste, além de uma vermelhidão.
“— Mestre! Como pode?!” – Afastou-se mais, olhando emburrado para o mais velho. “— Te vi agarrando aquele elfo!”
“— ...” – Arqueou a sobrancelha, não entendendo onde aquela criança queria chegar com isso. “— Qual a novidade...?”
“— Não pode!” – Bateu o pé no chão. “— O senhor é meu, e de mais ninguém!”
O mais velho gargalhou só de pensar que ele, Shisue Abyssinian, era de alguém, principalmente de um vampirinho iniciante e descartável como aquele fantasiado de coelho. Grande engano aquele.
Iria falar algo sobre isso, entretanto sentiu seu pulso ser segurado com força pelo menor, podendo ver o olhar esverdeado raivoso pela máscara. Deixou-se levar, sorrindo cínico enquanto este arrastava-o para as árvores, um lugar bem mais reservado. Ou não.
Podia ver com sua perfeita visão noturna, elfos se agarrando indecentemente por alguns cantos.
“— Oroi...” – Chamou o nome deste, em tom de advertência.
“— Cala a boca!” – Segurou-o pelos dois pulsos, prendendo-o em uma árvore grossa ali, prensando-o com seu corpo. “— Eu te quero!”
Era lógico que poderia soltar-se sem fazer o mínimo esforço para tal ato, poderia até matar aquele servo sem nem usar magia. Todavia, ainda achava utilidade para este, ele ainda tinha um papel útil nesta festa.
Não teria trazido este consigo se não tivesse utilidades.
Mas, não conhecia aquele lado ousado e rebelde que possua aquela criança, nunca tinha lhe dado nada além de seu próprio sangue. Chegava a ser interessante descobrir mais daquele sempre tão controlado e educado servo.
“— Ora, ora... Que criança mais ousada...” – Falou provocativo, deixando-o ser segurado daquela forma.
“— Criança?” – Riu divertido, segurando-o com mais força, ferindo-o com suas unhas. “— Vou lhe mostrar o que a ‘criança’ pode fazer então...”
Soltou-lhe os braços, levando uma mão sua para retirar aquela máscara branca, podendo assim ver aquele sorrisinho torpe nos lábios daquele ser puro. Tirou sua máscara em seguida, jogando ambas nas raízes da árvore que estavam.
Um pierrô e um coelho, nesse caso, não haviam como combinar... Ou poderiam?
Levou seus dedos aos botões grandes na roupa que o mais velho usava. Roupa esta que não gostara desde o momento que o vira vestindo. Com tantas opções para se escolher, o seu Mestre escolhera uma roupa tão simples e chata.
Até Vitor, que era o tédio em pessoa, estava com uma roupa que causaria falta de ar em muitos. Não em si, é claro, nunca gostou daquele loiro.
Só sorriu quando pode ver aquele peito que tanto admirava sem aquele tecido chatamente branco o cobrindo. Talvez seu Mestre escolhera qualquer coisa para vestir apenas. Ele sabia que não precisava de nada para ser mais bonito do que já era.
Sua mente rodou por um instante, quem sabe fosse a bebida, mas logo suas mãos foram prontamente para aquele lugar, apertando e arranhando aquele tórax. Afastou-se só um pouco, para tirar o smoking que usava, voltando a se aproximar do mesmo.
“— O que queres fazer...?” – Indagou-lhe malicioso o mais velho, olhando-o fixamente.
“— Comê-lo...” – Falou com um sorriso infantil, ficando na ponta dos pés e beijando de leve os lábios deste. “— Farei o senhor gemer... Para assim notar que pertence só a mim.”
Shisue simplesmente caiu na gargalhada, como se a piada do século tivesse sido contada para si. Só parou de fazer isso, quando sentiu uma mão deveras ousada em suas nádegas. Aquele vampirinho só podia estar completamente bêbado para achar que iria conseguir ser ativo.
“— Criança insolente...” – Murmurou raivoso.
Não precisou usar o mínimo de esforço, apenas empurrara aquele ser ousado de perto de si, fazendo-o cair de costas mais a frente no chão, quase desnorteado pelo impacto de que fora lançado.
Olhou ameaçador para aquele insolente que tentou tocar em si. Não deixaria barato a ousadia daquele vampiro descartável.
Aproximou-se mais, pisando com força no peito deste, contendo uma vontade insana que teve de quebrar as costelas deste. Sorriu macabro, ao ver a cara de dor naquela criança.
Entretanto não poderia matá-lo sem que este tivesse sua utilidade ali. Ou o que não o fez matar aquele garoto fora ver a coleira em seu pescoço, com seu nome na corrente.
Ele era seu, só seu. De corpo e alma. Contudo ainda devia pagar por seus erros, não mimaria nenhum servo seu.
Abaixou-se um pouco o pegando pelos cabelos, segurando-o por lá e puxando-o com força, satisfeito pela cara de dor que vira neste, enquanto o fazia se levantar meio desajeitado.
Puxou-o um pouco para si dando uma maliciosa lambida naqueles lábios. Pra logo o jogar com força em demasia de encontro a árvore que este o estava prensando há instantes atrás. Gargalhou de modo debochado ao vê-lo cuspir sangue de tão forte que fora o impacto.
“— Vais mostrar o que essa criança pode fazer?” – Indagou-lhe ironicamente.
“— Mestre...” – Sentia-se sem fôlego, um pouco do efeito da bebida passando e notando o que iria acontecer.
“—Você não passa de um coelhinho manso que um dia vai ser completamente devorado pela mão que te alimenta, pelo seu dono!”
Encarou com asco aquele garoto, fazendo um suave gesto no ar, acompanhado de um pequeno murmúrio seu. Bastou isso, para ter em mãos uma adaga prateada. Aproximou-se a passos decididos, pegando-o pelos pulsos com uma mão sua, erguendo-os acima da cabeça, fazendo-o ter que ficar nas pontas dos pés.
Não sorriu, apenas fitou-o com seu olhar gélido, enquanto cravou a adaga nas mãos dele, prendendo-o naquela árvore. Só sorriu quando viu-o abrir a boca para gritar, mas calou o som com um beijo voluptuoso, mordendo-lhe os lábios, sugando sua língua.
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“— Que tédio...” – Murmurou um entediado príncipe.
Antes estava a se divertir conversando com aquele elfo fantasiado de coelho, o assunto estava às vezes alegre outras vezes melancólico. Escutara o menor falando sobre o amor que sentia pelo homem qual o havia abrigado em sua morada.
Estranhamente não repudiou tal assunto, sabia que cada pessoa tinha seu jeito. Ainda mais depois de ter visto o passado do íncubos. Este até às vezes se metia na conversa, é claro, sem o coelho notar nada.
“— Onde Veck estaria...?” – Perguntou para si mesmo, mas na verdade indagara ao Yami.
“— Não quero saber, se estais com tédio, me deixes voltar para as elfas...” – Respondeu o demônio, mas quem olhasse de longe pensaria que o moreno estava apenas a falar sozinho.
“— Não. Um príncipe não deve ser comportar assim. Irei atrás do Veck!” – Falou animado, levantando-se.
“— E onde achas que encontrará o vampiro? Ele deve estar nas árvores ali, se agarrando com alguma elfa.”
“— Veck não é assim...” – Retrucou o príncipe.
“— Queres apostar?” – Riu baixinho.
“— O que?” – Parou de andar, curioso por saber do que se tratava.
“— Se eu ganhar, quero o controle do corpo pelo resto da festa.”
“— E se eu ganhar?”
“— Eu me aquieto, não te perturbando por um bom tempo.”
“— Só?”
“— E... Paro de duvidar do seu ‘amigo’.”
“— Tudo bem.Vamos procurá-lo então!”
Vagaram pela festa, indagando para um ou outro se haviam avistado vampiro. Ninguém sabia. Cain sentiu uma pontada no coração ao cogitar a idéia que talvez o demônio estivesse correto.
O amigo não sairia da festa sem falar nada consigo, já que tinham vindo juntos para o lugar. Olhou meio desolado para mais adiante, mal notando que seus passos levavam-no para aquela parte mais afastada.
Veck não estaria ali, ele não seria daquele tipo. Bem, pelo que conhecia do amigo, achava isso. Entretanto continuava rumando para aquela parte. Só não sabia mais se era ele mesmo que estava indo para lá ou se era Yami o guiando.
Às vezes ficava confuso com seus atos, quando notava a mão que devia estar em um canto estaria em outro, a perna que estava cruzada estava descruzada. Não notava quando Yami fazia isso por si. Mas sabia que o domínio do íncubos já estava forte o suficiente para lhe dominar por completo se bobeasse, se tirasse aquelas algemas que agora viraram pulseiras.
“— Yami, é você que...?” – Iria indagar para o íncubos, mas não precisou disso para saber que era ele, seu corpo ia para um caminho específico, como se já soubesse onde o amigo estava.
“— Quero ganhar minha aposta.” – Murmurou decidido.
“— Mas eu não estou enxergando muito bem.” – Era verdade, ali não estava mais tão iluminado quanto a festa em si.
“— Eu enxergo, fique quieto e não atrapalhe os outros.”
“ Outros? ” – Indagou-se em pensamentos, não sabendo a quem o outro se referia, não conseguia nada mais que uns passos a sua frente. “— Mas... Mas... Como saberei se é o Veck...?” – Murmurou baixinho, para não atrapalhar sabe-se lá quem.
“— Possuo magia.” – Avisou-o.
“— É!?” – Animou-se.
“— Só não sei se funciona para o que eu quero...”
Continuaram andando pelos caminhos entre as árvores e Cain preferira ficar quieto, mas estranhou quando do nada parou de andar, olhou em volta, tentando achar ou enxergar o amigo ali.
Uma parte sua pedia para que não o encontrasse, outra estava curiosa para vê-lo.
“— Me dê o domínio completo...” – Pediu Yami, o mais baixo possível.
Cain dessa vez hesitou antes de atender o pedido do outro, mas assim o fez, fechando os olhos, entrando em uma pequena espécie de transe, como se algo aplicasse uma hipnose que o fazia dormir.
Não sabia onde aprendeu a fazer isso, só fez.
Quando Yami tomou o controle, vacilou por um instante, recuando, quase tropeçando. Nunca, que se lembrasse, um hospedeiro cedeu tão facilmente para que dominasse o corpo.
Mas nunca também, lembrava-se estar tão controlado quanto desta vez. Sabia ser culpa de Cain.
Lambeu os lábios, com o olhar ametista brilhando em maliciosidade ao ver mais à frente um casal aos amassos. Seu estomago se embrulhou com aquilo, odiando o que via. Culpa, novamente, de Cain.
Não era hora de ficar pensando em muitas coisas, muito menos divagar sobre a ‘amizade’ que seu hospedeiro tinha com aquele vampiro. Queria atrapalhar antes que consumassem aquilo.
Levou sua mão a espada que estava presa a cintura. Não se separavam dela nunca, rapidamente a empunhou, não ligando se machucava-se com as minúsculas laminas no cabo.
Sorriu macabro quase, fazia tempos que não divertia-se em causar um pouco de destruição. Mirou bem, com seu alvo travado na arvore ao lado. E com um movimento brusco de sua arma, como se cortasse o ar, uma onda negra de energia trespassou o ar atingindo a árvore.
Quase gargalhou vendo-a pegando fogo e tudo bem mais iluminado agora, olhando com desgosto um lobo e uma pirata assustados com o súbito acontecimento.
“— Yami!?” – Veck notou, mas não tinha como simplesmente empurrar a garota, principalmente pelo que quase ia acontecer.
“— Já voltarei a falar com você...” – Lambeu os lábios, tirando a máscara do rosto. “— Seremos só nós dois...” – Olhou feio para a elfa, que se afastava extremamente constrangida, mas logo fechou os olhos.
Quando abriu os olhos, já era Cain quem estava a controlar o corpo. Este piscou algumas vezes, notando bem a situação. Levou extremamente rápido a mão ao coração sentindo uma dor terrível neste, recuando alguns passos enquanto o amigo levantava o short e a mulher se vestia completamente.
Quando recuou até encostar em uma arvore, não soube o que fazer mais. Principalmente por não ter idéia do porque ficara tão chocado com o que vira. Veck era um homem afinal, era normal ter desejos por uma mulher.
Era normal, extremamente normal, tão normal que quando viu este se aproximar com uma cara preocupada, possivelmente pela cara de dor que fazia, desistiu. Fechou os olhos, deixando uma única lágrima descer por estes.
“— Cain!? Fale comigo!” – Veck pedia aturdido pelo que viu.
Nunca havia visto tanto medo e solidão naqueles olhos ametistas, nem nas vezes, poucas até, que o vira chorar. Sentiu-se culpado, por demais culpado. O moreninho devia ter achado imoral o que vira, já que era tão inocente.
“— Cain...” – Chamou-o baixinho, tocando em seu ombro. “— O que está acontecendo?”
“— Cain?” – Riu, com aquela rouquidão erótica característica do íncubos. “— Estranho... Eu não sinto ele...” – Murmurou divertido.
“— O que você fez Yami!?” – Segurou-o firme, meio transtornado pelo que o outro falara.
“— O que eu fiz?” – Riu mais, levando uma mão para o volume que o outro tentava esquecer, ocultando naquele short “— Eu que estava fazendo mesmo!?”
“— Ahn!” – Gemeu baixinho, tirando aquela mão dali e se afastando.
Bem, não tinha como negar aquele volume ali, principalmente pela maldita e apertada roupa que Guille tinha lhe feito, se é que pode ser chamado aquilo de roupa. Só tinha um short e uma bota o cobrindo.
“— Vectorius, o que está acontecendo...?” – Luna se aproximou, já tendo se vestido toda. “— Príncipe Cain?” – Olhou para o moreno a rir.
“— Saia daqui sua elfa imprestável!” – Gritou, odiando a cara de preocupação que esta lhe deu. “— Saia antes que eu ateie fogo na floresta inteira.” – Ameaçou, segurando a espada.
“— O... O que está acontecendo?”
“— Luna... Volte para a festa, me deixe conversar a sós com ele...” – Pediu Veck, olhando de relance para ela.
“— Mas você ainda esta du-” – Calou-se pelo olhar frio que recebeu deste. “— Tudo bem, você já é bem grandinho para saber o que faz...” – Passou por ambos, mas antes de sair completamente dali, parou e se virou. “— Se ainda estiver assim depois, me procure...” – Falou categórica, saindo de vez dali.
Um olhava para o outro, com feições nada amigáveis. Um lobo e um rei, se entreolhando com raiva no olhar.
“— Porque está aqui?” – Começou o de olhos verdes. “— O que aconteceu com Cain?”
“— Uma pergunta de cada vez, vampiro...” – Sorriu-lhe, passando uma mão pelos cabelos, guardando em seguida a espada onde estava antes.
“— Quero saber de Cain.” – Pronunciou-se.
“— Seletor como sempre, não?” – Debochou.
“— Me responda!” – Exigiu de um jeito frio, raivoso.
“— Sua princesa está bem...” – Levou novamente a mão aos cabelos, tentando inutilmente jogá-los para trás, readquirira esse hábito depois que se lembrara um pouco mais de si. “— Ele apenas... Deu-me o controle durante a festa, controle total...”
“— Porque Cain faria isso?” – Estreitou o olhar, deu um passo em direção ao demônio.
“— Eu ganhei uma aposta”
“— Que aposta...?” – Outro passo.
Yami arqueou uma sobrancelha, enquanto via o espaço entre os dois diminuir. A cada passo que aquele lobo dava, parecia desfilar, suspeitava que este não fazia idéia deste fato. Sorriu fracamente, quase que discreto, olhando para o short que este estava usando.
Havia um volume ali ainda, não tinha como negar. Levou seus dedos para o rosto tão próximo agora do seu, por conta de Veck, já que estava encostado na árvore o tempo todo.
Deixara a pergunta do outro pendente no ar, como se pudesse respondê-la a qualquer instante, notando aquele olhar esverdeado o observando de forma ameaçadora como que quisesse rapidamente saber da resposta.
Seus dedos percorreram aquela face de forma lenta, em quase uma caricia, descendo para segurar o queixo deste, erguendo-o um pouco. Quando conseguiu, aproximou-se o restante que faltava, dando uma lambida da clavícula até onde seus dedos seguravam.
“— De que você estaria se atracando com uma elfa...” – Respondeu-lhe, depois de um tempo. “— E pelo que vimos... Ganhei.”
Veck ficou sem ações, havia negado tanto que Luna começasse aquilo, mas não conseguiu evitar desejar aquele corpo depois de várias provocações por parte dela. Mas, nunca pensou que o amigo pudesse aparecer logo nessa parte tão reservada da floresta.
Respirou fundo, saindo de seu pequeno transe e recuando um passo. Aquela cena deve ter chocado demais o moreninho, lembrou-se que vira uma lágrima correr por aquela face triste.
“— Quero falar com Cain.” – Avisou, passando sua mão no local lambido, para tirar os resquícios do ato.
“— Porque eu deixaria? O controle é meu agora.”
“— Por favor.” – Pediu.
Yami engoliu em seco. Como sempre, favoritismo da parte daquele vampiro. Respirou fundo, fechando os olhos, retraindo sua força para que a do humano ficasse mais forte e tomasse o controle.
Entretanto, após alguns segundos, abriu os olhos, confuso, olhando para suas mãos. Puxou a manga da camisa que usava, podendo ver que seu braço estava com aquelas inscrições élficas ou, no caso, angelicais no local.
Cain não queria voltar.
Não conseguia fazer de jeito algum que este tomasse o controle. O moreninho tinha dado livre arbítrio para usar o corpo da maneira que quisesse, e agora, que queria devolver isso a este, o próprio não queria.
“— Yami...? O que foi?” – Estranhou a cara de espanto do outro. “— Já disse que quero falar com Cain.”
“— Fique quieto e me deixe pensar...” – Vociferou, não olhando para o outro, atento nas escritas no braço.
Talvez o que havia feito para o humano fora demais para este. Aquela parte oculta no coração deste, aquela que nem ele mesmo sabia existir pode ter começado a se revelar. Se fosse isso, não poderia mais tocar no vampiro, sentir-se-ia mais freado do que já estava.
Impossível, inadmissível. Estava odiando aquele sentimento de sentir-se encurralado. Era só uma brincadeira, porque seu hospedeiro tinha que ser tão taxativo.
“— Yami, diga o que está acontecendo...” – Preocupou-se pela demora a responder.
“— Cain não quer voltar, ele próprio escolhera me deixar no comando. E não tem como ele voltar se não desejar isso.” – Avisou.
“— Por quê?”
“— Acho que a conduta de um certo vampiro, deve ter envergonhado demais um certo príncipe...”
“— Porque fez isso?”
“— Ainda pergunta?”
Veck iria responder algo, mas não pode, fora segurado e obrigado a inverter as posições, tendo o corpo do outro o prensando consideravelmente de encontro a aquela árvore. Estremeceu de imediato, lembrando-se daquela vez, daquela maldita vez que Guille havia feito aquele afrodisíaco.
Pensara que já havia trancado em algum canto de si aquelas sensações que teve, mas ao ter aquele calor do outro tão junto ao seu, estremeceu fortemente. Fechou os olhos com força, mas logo se repreendeu mentalmente por isso, pois imagens daquele dia voltavam a sua mente, o torturando mais ainda.
“— Eu ainda suspeito de algo...” – Prendeu-o mais, segurando sua cintura de modo malicioso, movimentando sua pelve de encontro aquele volume ali.
“— Ahnm...!” – Mordeu o lábio inferior tentando impedir seu gemido de sair mais.
“— Que foi, está necessitado?” – Indagou-lhe cínico, sentindo as mãos do outro tentando lhe empurrar.
Estaria muito enganado se achava que teria mais força que ele.
“— Pare com isso...” – Murmurou, virando o rosto.
“— O que?” – Lambeu os lábios. “— Isso?”
Suas mãos deslizaram sem nada a impedir seus avanços, aquela roupa que o vampiro usava realmente era perfeita, fazia até pensar que o loiro tinha feito exatamente para esse propósito, para instigar a líbido de alguém.
Seus lábios foram quase que imediatamente para os ombros deste, beijando e mordendo forte a pele, causando dor naquele vampiro. E notando este tentar negar mais, contudo, com aquele volume ali, pedindo, literalmente exigindo uma atenção. Sabia que ele não resistiria.
Mordeu com mais força, agora no pescoço deste, enquanto travava uma luta interna para fazer sua mão ir para o lugar que queria. Não que Cain estivesse atrapalhando, certo, era culpa deste, mas não por influência direta.
Era aquela maldita virgindade deste.
Todos os outros hospedeiros que tivera, acabavam deixando-se levar por conta de sua influência, esquecendo-se plenamente da abençoada tradição de ser puro ao virar rei ou rainha de Radiance.
“— Ahwn...” – Gemeu.
Aquele gemido bastou para conseguir fazer o que queria. Sua mão desceu pelo abdômen do vampiro, puxando assim que tocou, o short mais para baixo, junto até com sua roupa de baixo.
“— Não...” – Tentou encolher-se, ocultar um pouco aquele volume, mas fora inútil. “— Ahhh!” – Gemeu alto, arqueando a medida que pode, ao sentir aquela mão firme segurando seu membro. “— Pa-pare, por favor.” – Pediu, com a voz tão baixa que não sabia se fora escutado ou não.
“— Se eu consigo fazer isso, não pararei. Pois te desejo.” – Falou categórico, com um sorriso oblíquo nos lábios, movendo sua mão de forma bruta, mas sabendo que isto dava prazer a aquele vampiro.
“— Eu não quero...”
Não tinha forças para se livrar daquilo, não conseguia encontrar ações para se salvar. Suas mãos agora seguravam com força a camisa do moreno, vez ou outra tentando um leve empurrar. Mas logo desistindo.
Sua mente estava o castigando por demasia, suas memórias daquele dia o torturavam de maneira a sentir-se tentado a querer aquele prazer, que fora cortado daquela vez de uma maneira tão escandalosa do loiro.
“— Eu sei que quer...” – Lambeu do pescoço até perto dos lábios, parando antes de sentir a maciez deste. “— Mas farei da forma que você quer...” – Sua voz soou um pouco pesarosa por um instante.
“— Ahhn... Co-hn-como assim?” – Fechou os olhos novamente, segurando com mais força a camisa.
“— Assim...” – Respirou fundo, lambendo os lábios, aproximando sua boca para sussurrar algo no ouvido do outro. “— Veck...” – Gemeu baixinho, entretanto falsificara sua voz para parecer idêntica a de seu hospedeiro. “— Isso é tão bom...” – Sua mão afrouxou-se, tornando um toque mais suave. “— Eu te quero tanto...” – Falou em voz gemida.
Veck estremeceu da cabeça aos pés ao ouvir aquela voz, isso só fez recordar mais ainda o ocorrido. Desistiu, abraçando o pescoço do outro, deixando este fazer o que quisesse logo consigo. Não conseguia mais negar desejo também, seu sexo demonstrava claramente por isso.
“— Veck... Me perdoa, mas eu quero fazer isso...” – Continuou a sussurrar com a voz de Cain, notando que este se entregara mais. “— Por isso geme meu nome... Geme...” – Pediu, mesmo que traísse a si mesmo ao pedir para o outro chamar o nome de seu hospedeiro.
“— Yami...” – Gemeu languidamente.
O íncubos parou de mover sua mão, estático pelo que tinha ouvido.
“— Continua...” – Veck quase chegou a implorar, em um tom meio choroso.
“— Eu... Digo... Você...” – Parou a falsidade na voz, pelo nível de surpresa que teve.
“— Dessa vez... Termine o que-hnm- começou...” – Falou, ainda sentindo-se quente em demasia. Com sua mente não raciocinando direito.
—-X--
“— Recolha-se em sua insignificância...” – Quase cuspiu a frase de tão ríspido que fora. “— Limpe-se e se arrume, servo insolente. ” – Chutou com força o corpo estirado no chão ao lado da árvore. “— Logo não terás mais utilidades, assim que eu rever minha bela cria...” – Proferiu Shisue, por final.
Oroi encontrava-se jogado no chão, como uma boneca de trapos que fora usada e descartada após estar despedaçada. Entretanto tinha um sorriso satisfeito nos lábios, pelo tão alto nível de masoquismo que possuía.
Era sempre assim, por mais que seu Mestre dissesse que o estivesse punindo, não conseguia ver tal coisa neste ato. Afinal, gostava da dor que lhe dava. Tanto mental quando física.
Às vezes doía, em ambos os aspectos, mas logo sentia aquele arrepio pela coluna, aquele calor em seu baixo ventre. Contudo, havia apenas uma coisa que tinha medo de ouvir.
Tinha medo de ouvir que não era mais útil, apesar de se tal frase ocorrer iria aceitar sua morte perfeitamente. Já estava morto desde que vira o cadáver de seus pais em sua casa, desde que vira o sorriso de sua mãe sem vida.
Fechou os olhos, sentindo-os ainda úmidos pelas vezes que chorou enquanto seu amado Lúcifer, aquele anjo das trevas que era seu Mestre, lhe torturou. Sentia seu corpo todo clamar por descanso.
Sua regeneração não era muito boa, talvez visto que não se alimentava de nada além do ser que olhava para si com desprezo agora, enquanto terminava de colocar aquela roupa de pierrô.
E é claro, tinha que esperar as vontades deste. E também pelo fato de ser um vampiro novo, ainda não conhecer toda a extensão de ser um Classe A.
Tentou sentar-se, mas não conseguiu, estava fraco, além disso, pelo fato de ainda sentir a dor da mordida brutal que sentia em seu pescoço, e também outra em uma parte deveras ousada de seu corpo.
“— No final, não passas de nada.” – Murmurou raivoso, procurando por sua máscara branca, achando-a bem ao lado do menor.
Andou em direção a este, pisando em sua mão que estava largada, não tirando o pé de cima até que pegou sua máscara e se afastou uns passos.
“— Hnmm... Mestre...”
O mais velho olhou para o bem mais novo, negando com a cabeça levemente. Havia exagerado, principalmente quando não era momento de ficar de distrações. Mas, novamente, não conseguiu conter-se em possuir aquela criança.
“— Meus castigos, são tomados como se fossem presentes...” – Respirou fundo, falando raramente, em um tom mais ameno. “— O que faço para te disciplinar...?”
“— Me ame.” – Respondeu de imediato, olhando fixamente para o mais velho.
“— Quanta tolice, isso não existe.” – Revirou os olhos, fazendo pouco caso, batendo de leve na máscara branca para tirar a sujeira.
“— Me ame.” – Repetiu. “— Não precisará de ninguém, se me amar.”
“— Escute aqui...” – Rosnou, abaixando-se e puxando-o pela corrente da coleira, fazendo-o sentir desconforto pelo modo que fora feito. “— Se eu escutar isso novamente, largar-te-ei aqui, nesta vila, e seguirei meu caminho.”
Oroi estremeceu, olhando-o com olhos lacrimosos como um cãozinho abandonado. Esforçou-se como pode, trespassando seu limite, apenas para se aproximar e beijar levemente os lábios do mais velho.
“— Desculpe meu Mestre, ainda não devo ter me recuperado do que tomei...” – Falou em voz baixa, chorosa. “— Só não me deixe, não consigo viver sem o senhor...”
Shisue largou a corrente, vendo o corpo prontamente cair de costas, não era para menos, havia esgotado o menor. Entretanto naquele estado ele não serviria para nada. Sem muita paciência pegou-o pelo braço, jogando-o para que ficasse sentado com as costas na mesma árvore em que o havia torturado.
Árvore esta, que estava completamente vermelha pelo sangue que fizera jorrar.
“— Abra tua boca...” – Mandou-lhe. “— E levante o queixo.”
O trançado não pensou duas vezes antes de atender aquela ordem. Lambeu os lábios inchados pelos beijos que trocaram, e machucados pelos ferimentos do canino do mais velho, abrindo a boca aos poucos e movendo sua cabeça, ficando a olhar a copa da árvore.
Seus olhos verdes, logo focaram-se no Puro Sangue, a andar novamente em sua direção. Sorriu, ainda com a boca bem aberta, ao vê-lo em pé, com cada perna ao lado de seu corpo, estendendo o braço.
“— Se deixá-lo me morder, não irei parar por aqui...” – Comentou, quase sem notar. “— Meu sangue ajudará a se recompor rapidamente.”
Levou um dedo ao seu pulso, vendo a unha longa e negra perfurar sua pele em um ferimento profundo, fazendo um enorme corte ali, por onde seu sangue saia livremente, pois impedira sua regeneração de atuar ali, por um tempo.
Posicionou melhor este, vendo aquele líquido escorrer dali e cair em uma linha ininterrupta até a boca aberta de seu servo. Sorriu pervertido, lambendo os lábios, ao ver a língua rósea se projetar para fora daquela cavidade, como se buscasse mais daquele plasma carmesim.
Logo sentiu as mãos do menor em suas pernas, apertando-as levemente, enquanto ofegava lânguido ao ser alimentado daquela forma. Aquele jade lhe olhando tão fixamente era realmente belo.
Seus olhos negros, saíram daquela face, vagando pelo corpo que regenerava-se do estrago que tinha feito. E pelo incrível que pareça, animava-se por estar se alimentando. O quão pervertido aquela criança poderia ser?
“— Ahn...” – Gemeu baixinho, com a boca bem aberta.
Oroi olhava compenetrado para seu Mestre, não queria perder um instante daquele olhar negro quase lhe comendo com aquela negritude. Aquele ônix que achava que era. Seu Mestre sempre associou suas crias e servos a pedras. Talvez por achar que seriam seu tesouro particular, que pode ser usado de qualquer forma.
Sabia que Vectorius era sua esmeralda, Vitor era seu quartzo, e por final a si mesmo que era o Jade. Todas pedras verdes, era lógica a fixação deste por esta cor, só não sabia o motivo.
Se ele era uma pedra, tão preciosa, aquele olhar negro daquele ser puro também poderia ser. Ônix. Sempre tão negro, obscuro, igual aquele olhar, que brilhava quando tinha uma ironia na ponta da língua ou uma tortura a ser imposta.
Sentia seu membro reagir diante daquele olhar, pelo modo que este estava, pelo sangue a lhe alimentar. Não conseguiu evitar tirar um de suas mãos das pernas deste, levado para si próprio, naquele lugar que queria alivio.
Nem lembrara quantas vezes gozara a pouco nas mãos daquele tirano amado, e novamente já estava daquele jeito, querendo mais. Às vezes achava-se guloso.
“— Ora, ora...” – Sorriu afiado, cínico, vendo aquela mão mover-se mais afoitamente. “— Meu sangue te excita?” – Sabia muito bem que sim. “— Então mova sua mão, toque-se para somente minha pessoa presenciar.”
Deixou seu sangue escorrer pelo ferimento, estava tão bem alimentado que poderia dar-lhe o tanto que quisesse. Via satisfeito este tragar com a boca todo o sangue que lhe dava, com um bom grado surpreendente.
E ainda, aquela mão a se movimentar cada vez mais afoitamente, subindo e descendo de forma rápida, como se já não aguentasse mais esperar para ter aquele deslumbre novamente.
Por um instante, cogitou a ideia de abaixar-se e tomar aquilo nos lábios, mas o tempo estava correndo, queria ver sua cria. Seu plano precisava ser feito. Seu ferimento cicatrizou no mesmo instante em que ouvira um gemido mais alto anunciando que aquele divertimento havia acabado.
Oroi ficou ofegante, lambendo os lábios sem parar, saboreando aquele gosto enquanto sua mão parava aos poucos. Levou logo essa a boca, lambendo os dedos, misturando os gostos.
“— Obrigado... Meu ônix...” – Murmurou satisfeito, terminando de limpar suas mãos.
Se não fosse apenas mais uma fantasia amorosa de sua mente, juraria ter visto o mais velho corar por ínfimos instantes, quando mencionara uma pedra com relação a esse. Sabia ser mais uma peça sua. Nunca tal fato poderia ocorrer.
“— Apronte-se logo.” – Falou ríspido, virando o rosto e saindo daquela posição. “— Trarei a humana daqui a pouco.”
“— Sim, meu Mestre.” – Acatou, com sua força recuperada, havia tomado mais que o suficiente de sangue, podia sentí-lo correndo em suas veias.
Olhou para o lado apreensivo por um instante, mas logo soltou um suspiro de alívio ao ver que sua roupa estava longe o suficiente para não sujar-se e que, principalmente, o mais velho não havia rasgado-a toda na hora de tirar.
Segurou sua cartola, tirando um pouco da sujeira das suas orelhas, mas parou ao escutar passos, olhando para seu Mestre e vendo-o se afastar sem falar nada. Virou-se, segurando apreensivo uma das orelhas de coelho.
“— Mestre, o que terei que fazer com a senhorita Lucy?” – Indagou-lhe inquieto.
Shisue nada respondeu, seguiu apenas seu curso. Queria sua cria, queria o sabor dela em seus lábios, a sensação de suas mãos deslizando por sua pele. Sabia onde este estava, desde o princípio sabia, quando pisara na vila.
Mas, divertiu-se mais do que o esperado. Seus passos eram velozes, cortava por entre as árvores uma distância enorme, já que sua cria praticamente estava do outro lado. Não queria mais esperar, queria vê-lo agora, naquele exato momento.
Parou só quando avistou-o, e o que viu e ouviu o fez arder em ódio. Havia chegado no exato momento em que Vectorius havia gozado, pelo que notou, Yami o prensara em uma árvore, e usava o que era seu por direito.
Respirou raivoso, com sua cólera e ira não podendo ser controlada, segurou com tanta força na árvore mais próxima que esta partiu-se no meio, pulverizando-se em seguida. Sua raiva era tanta que o chão tremeu consideravelmente, assim como várias aves que estavam ali voaram completamente assustadas.
Contudo, controlou-se, só que agora, tinha mais um na fila a torturar. Yami, aquele demônio louco iria sentir com certeza absoluta seu poder. Conteve-se mais, vendo, mesmo de bem longe, o olhar esmeralda assustado, como se tivesse notado sua presença ali.
Ainda não era hora.
Não iria pegá-lo a força.
Faria Vectorius vir para si por livre e espontânea vontade.
Faria-o novamente... Seu.
.
.
.
CONTINUA
09/07/10
—–x.I.x––
Nota da autora:
Olá novamente a todos os leitores XD
Cap bem recheado de limes não? Eu tentei encurtá-los ao máximo, para poder colocar a aparição da Lucy já nesse cap, mas, como puderam ver, não deu.
Mas aguardem, o outro será bem... Bem... Hmmm... Bem o que? *gota* Só aviso que será dramático.
Então, para quem estão torcendo, ou quais acham que combina mais?
Corvo e Pavão?
Pierrô e Coelho?
Rei e Lobo?
Obrigada por terem lido, agora acho que vou ir chamar a ambulância para minha Beta... *olhando a garota desmaiada ali embaixo*
Nota da Beta: AAAAAAAAAAAAH
AAAAAAAAAAAAAH
AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
*Desmaia e levanta plaquinha.* ‘UI!’
*Deixa um bilhete* ‘Gente, perdoem-me qualquer errinho…”
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